Prévia do material em texto
Outros temas em cirurgia plástica CIRURGIA PLÁSTICA: LESÕES POR PRESSÃO Fatores de risco • Imobilidade; • Desnutrição; • Má perfusão tecidual; • Perda de sensibilidade; • Espasticidade. Prevenção! • Mudança de decúbito a cada duas horas; • Evitar cisalhamento e umidade; • Evitar ressecamento da pele; • Otimizar estado nutricional; • Espumas, silicone, colchões de ar ou água; • “Caixa de ovos”, pneumáticos. NPUAP • I- hiperemia que não desaparece após retirada a pressão; • II- exposição da derme; • III- exposição de subcutâneo; • IV- tecidos profundos (músculo, osso, tendão); • Não classificável- capa necrótica; • Lesão tissular profunda- lesão profunda, derme íntegra. Quando operar? • Se foco infeccioso, desbridar. Reconstruir? • Lesão em melhora; estado nutricional otimizado; decúbito; ferida limpa e sem infecção. 1. INTRODUÇÃO • Problema de saúde pública, os pacientes ficam muito debilitados e afastados de suas atividades laborativas; • Incidência de lesão por pressão pode ser usada como medida de qualidade da assistência à saúde, pois é completamente evitável; É um quadro de etiologia multifatorial: • Fatores locais: • Pressão; • Cisalhamento; • Infecção. • Fatores sistêmicos: • Idade; • Comorbidades; • Desnutrição. OBS.: somente a massa ponderal do paciente não pode ser considerado fator decisivo para uma maior predisposição ao desenvolvimento de lesões por pressão. • Lesão por pressão é um nome mais adequado do que úlcera por pressão, já que nem todas as lesões por pressão são úlceras; • Fatores de risco: • Imobilidade – principal fator associado; • Fratura de membros inferiores e de quadril; • Idosos; • Doenças neurológicas; • Intubação orotraqueal prolongada. • Fisiopatologia: • Para que haja uma perfusão adequada, a troca de nutrientes entre capilares (arteríolas – vênulas) deve ocorrer com a pressão de fechamento capilar em níveis até 32 mmHg; • Isquemia irreversível: ocorre quando há uma pressão > 50 mmHg por mais do que duas horas; • As áreas mais predispostas são as proeminências ósseas. Figura 1 Etiologia multifatorial. julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre 2 PLÁSTICA Figura 3 Áreas predispostas. • A suscetibilidade tecidual à isquemia varia de tecido para tecido: • O músculo é o mais suscetível! Tal fato dá-se pela maior demanda metabólica, em comparação a tecidos como pele e ossos; • De tal forma, o músculo pode evoluir com necrose e a pele estar íntegra. • As principais úlceras observadas cotidianamente são: • Sacral; • Trocantérica; • Isquiática. • As menos frequentes (lesões atípicas) são: • Calcânea; • Couro cabeludo; • Escapular. • Fatores predisponentes: • Fricção; • Cisalhamento; • Umidade (incontinência urinária ou fecal); • Desnutrição; • Dano neurológico. Figura 4 Cirurgia plástica: lesões por pressão (couro cabeludo). 2. CLASSIFICAÇÃO 2.1 SEGUNDO A NATIONAL PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL – NPUAP • Grau I: epiderme intacta. Eritema fixo – permanece após compressão (análogo à queimadura de primeiro grau); Figura 5 Grau I. • Grau II: lesão de epiderme e da derme; não atinge o tecido subcutâneo (análogo à queimadura de segundo grau); caso não existam condições adversas à sensibilidade (paraplegia, tetraplegia), o paciente pode apresentar queixas de dor, sensibilidade local; Figura 2 Fisiopatologia. julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre 3 CIRURGIA PLÁSTICA: LESÕES POR PRESSÃO Figura 6 Grau II. • Grau III: lesão de epiderme, derme e do tecido subcutâneo, isto é, é uma lesão de espessura total, contudo, não apresentando exposição das estruturas profundas (tendão, músculo e osso); Figura 7 Grau III. • Grau IV: acomete epiderme, derme, tecido subcutâneo com exposição das estruturas profundas, como ossos ou tendões (risco aumentado de osteomielite); Figura 8 Grau IV. • Lesão profunda suspeita: caracterizada por pele íntegra, contudo com alteração na coloração cutânea; a pele tende a apresentar aspecto amarronzado, arroxeado/violáceo; ainda, pode haver formação de bolhas hemorrágicas; Figura 9 Lesão profunda suspeita. • Lesão não classificável: lesão coberta por escara/ esfacelos; necessita desbridamento (retirada da escara) para posterior reclassificação. Figura 10 Lesão não classificável. 3. OSTEOMIELITE • Na presença de lesão profunda (grau III e IV), é imperativo descartar a presença de osteomielite; Figura 11 Lesão profunda (grau III e IV). • A identificação do quadro indica antibioticoterapia previamente à qualquer reconstrução. 3.1 QUADRO CLÍNICO • Dor – se sensibilidade preservada; • Úlcera com descarga purulenta; • Febre; • Leucocitose. 3.2 EXAMES PRÉ-OPERATÓRIOS • Tomografia ou ressonância magnética: pode ser visualizada a quebra da barreira cutânea em região sacral; alterações da consistência óssea; abscessos. Figura 12 Osteomielite. 4. PREVENÇÃO 4.1 AS LESÕES POR PRESSÃO SÃO PREVENÍVEIS • Mudança regular de decúbito – é a prática mais consagrada e mais eficaz. 4.2 CONDUTAS PARA A PREVENÇÃO • Avaliação de risco – escala de braden; critérios: percepção sensitiva; umidade; atividade; mobilidade; nutrição; fricção e/ou cisalhamento. Interpretação: classificação em baixo, médio ou alto risco; • Equipe multidisciplinar: médico; nutricionista; enfermeiro; fisioterapeuta. • Controle de comorbidades; • Cuidados com a pele: hidratação; curativos; produto de barreira; controle de incontinência; • Nutrição; julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre 4 PLÁSTICA • Espasticidade: alguns pacientes podem adquirir posições viciosas, mediadas pelo quadro clínico de base; essa evolução altera a distribuição espacial do peso e favorece o surgimento de lesões atípicas; • Reabilitação; • Medicamento; • Cirurgia; • Dispositivos para alívio de pressão: colchão em “casca de ovo”; exemplos – observe a imagem a seguir: Fluxo de ar Figura 13 Controle de incontinência. 5. TRATAMENTO • Consiste primariamente em dois pilares: medidas de prevenção e controle de fatores predisponentes: • Lesões grau I e II: não cirúrgico; pode demonstrar resolutividade apenas com as medidas de prevenção; • Lesões grau III e IV: cirúrgico; métodos: (1) excisão em bloco de úlcera (bursa); (2) excisão de espículas ósseas; (3) preenchimento do espaço morto; • Tal procedimento é feito com uso de retalhos (nunca enxertos para cobertura de defeito de úlcera) – fasciocutâneos e miocutâneos; OBS.: raramente as lesões por pressão são urgências cirúrgicas. Deve ser pesquisado o foco da infecção, bem como realizada a otimização das medidas de prevenção! Antes de operar, deve-se afastar, sempre, a possibilidade de osteomielite. • Otimização clínica: (1) adequar suporte nutricional – reduz o risco de recidivas! (2) Parâmetros: Hb > 10, 0 g/dL e albumina > 3,5 mg/dL. • Suspeita de osteomielite: • A reconstrução deve ser realizada em dois tempos; manejo com antibioticoterapia; (1) cultura óssea; (2) biópsia óssea – apresenta melhor sensibilidade, em relação à cultura óssea; • Atentar para a possibilidade, a fim de evitar possível evolução futura com múltiplas fístulas! • Lesões com baixo risco para osteomielite: • Reconstrução em tempo único; Figura 14 Controle de incontinência. OBS.: após o desbridamento do tecido desvitalizado podemos optar pela reconstrução em um ou dois tempos cirúrgicos: • Desbridamento + fechamento OU; • Desbridamento + curativo temporário. 6. PRINCIPAIS ÚLCERAS E COMPLICAÇÕES 6.1 PRINCIPAIS ÚLCERAS • Lesão sacral: retalho de avanço V-Y, retalhode rotação/transposição; o objetivo é mover os tecidos para que ocorra o fechamento do espaço morto; Figura 15 Lesão sacral • Lesão trocantérica: retalho tensor da fáscia lata; Figura 16 Lesão trocantérica • Lesão isquiática: retalho de avanço posterior da coxa; comum em pacientes acamados e restritos a cadeira de rodas; julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre 5 CIRURGIA PLÁSTICA: LESÕES POR PRESSÃO Figura 17 Retalho de avanço posterior da coxa. • Outras lesões por pressão; couro cabeludo: retalho em hélice; Figura 18 Couro cabeludo. • Nariz: retalho nasogeniano: tornozelo/calcâneo: retalho sural reverso, microcirurgia; Figura 19 Retalho nasogeniano. • Escaras estáveis de extremidades. Características: seca; sem sinais de infecção; sem odor fétido. Em pacientes debilitados, em muitos casos é preferível manter a escara , sem operar – é útil como um “curativo biológico”. Figura 20 Escaras estáveis de extremidades. Figura 21 Lesões. 6.2 COMPLICAÇÕES • Gerais: infecção do sítio cirúrgico, seroma, hematoma, deiscência de ferida operatória; • Necrose do retalho; Figura 22 Necrose do retalho. • Recidiva da lesão por pressão; Figura 23 Recidiva. • Sinus; • Úlcera de Marjolin (CEC invasivo). Figura 24 Úlcera de Marjolin. julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre 6 PLÁSTICA REFERÊNCIAS Figura 3 Áreas predispostas. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 4 Cirurgia plástica: lesões por pressão (couro cabeludo). https://www.scielo.br/ Figura 5 Classificação - Grau I. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 6 Classificação - Grau II. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 7 Classificação - Grau III. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 8 Classificação - Grau IV. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 9 Classificação - Lesão profunda suspeita. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 10 Lesão não classificável. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 11 Lesão profunda (grau III e IV). Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 12 Osteomielite. www.radiopaedia.org Figura 14 Controle de incontinência. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 15 Lesão sacral Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 16 Lesão trocantérica. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 17 Retalho de avanço posterior da coxa. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 18 Couro cabeludo. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 19 Retalho nasogeniano. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 20 Escaras estáveis de extremidades. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 21 Lesões Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 22 Necrose do retalho. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 23 Recidiva. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. Figura 24 Úlcera de Marjolin. Plastic Surgery – P. Neligan, 4th, vol 4. julia - juliarachelfm@hotmail.com - 03439438325 MEDICINA LIVRE - t.me/medlivregrupoo - linktr.ee/medicinalivre https://t.me/medlivregrupoo https://linktr.ee/medicinalivre