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Sinapses e Neurotransmissores Introdução à Comunicação Neuronal O que é uma Sinapse? Uma sinapse é definida como o ponto de contato entre duas células, onde ocorre a troca de informações. Essa comunicação é fundamental para o funcionamento do sistema nervoso. Transmissão Sináptica É o processo de troca de informações que ocorre na sinapse. Envolve a transmissão de um sinal de uma célula para outra. Partes de um Neurônio Relevantes para a Sinapse Terminal axonal pré-sináptico: A extremidade do axônio do neurônio que envia o sinal. Fenda sináptica: O espaço entre o terminal axonal pré-sináptico e a célula pós-sináptica. Dendrito pós-sináptico: A parte do neurônio que recebe o sinal. Tipos de Sinapses Independentemente do tipo, as sinapses são compostas por: 1. Célula pré-sináptica: A célula que envia a mensagem. 2. Célula pós-sináptica: A célula que recebe a mensagem. A natureza da mensagem (elétrica ou química) define o tipo de sinapse. Sinapse Elétrica Definição: O tipo mais simples de sinapse, onde o potencial de ação flui rápida e diretamente do neurônio pré-sináptico para o pós-sináptico. Não necessita de mediador químico devido à conexão física entre as células. 1 / 6 Características: Conexões físicas: junções comunicantes (formadas por conexinas que se organizam em conexons). Sinal: elétrico. Velocidade de transmissão: rápida. Direcionalidade: bidirecional (embora a transmissão primária seja do pré para o pós-sináptico). Mecanismo: 1. Chegada do potencial de ação ao terminal da célula pré-sináptica. 2. Corrente de íons atravessa as junções comunicantes. 3. Despolarização da célula pós-sináptica. 4. Desenvolvimento de potencial de ação na célula pós-sináptica. Onde são encontradas: Músculo estriado cardíaco e músculo liso. Sinapse Química Definição: Um tipo mais complexo de sinapse onde uma sequência de eventos desencadeia a liberação de um mensageiro químico (neurotransmissor) pela célula pré-sináptica. Este mensageiro é recebido e interpretado por receptores na célula pós-sináptica. Características: Ausência de conexões físicas diretas: presença de fenda sináptica. Sinal: químico (neurotransmissores). Velocidade de transmissão: mais lenta comparada às sinapses elétricas. Direcionalidade: unidirecional (do neurônio pré-sináptico para o pós-sináptico, com algumas exceções). Arranjos Estruturais Comuns: Sinapse axodendrítica: terminal axonal em contato com um dendrito (mais comum, 80-95%). Sinapse axossomática: terminal axonal em contato com o corpo celular. Sinapse axoaxônica: terminal axonal em contato com outro terminal axonal. Sinapse axoespinhosa: terminal axonal em contato com espinhos dendríticos. Mecanismo: 1. Chegada do potencial de ação no terminal axonal pré-sináptico. 2. Abertura de canais de cálcio ( ) dependentes de voltagem. 3. Ancoragem e fusão das vesículas sinápticas com a membrana plasmática. 4. Liberação e difusão dos neurotransmissores na fenda sináptica. 5. Ligação do neurotransmissor aos receptores na célula pós-sináptica. 6. Efeito na célula pós-sináptica (depende do tipo de receptor). Ca2+ 2 / 6 Mecanismos de Interrupção da Transmissão Sináptica Química A transmissão sináptica química não é contínua e precisa ser interrompida para permitir a organização da comunicação. Os principais mecanismos são: 1. Recaptação: O neurotransmissor é transportado de volta para o neurônio pré-sináptico ou para células gliais. 2. Inativação enzimática: Enzimas presentes na fenda sináptica degradam o neurotransmissor. 3. Difusão: O neurotransmissor se difunde para fora da fenda sináptica. Receptores na Célula Pós-Sináptica O tipo de receptor na célula pós-sináptica determina a velocidade e a natureza do efeito. Receptores Ionotrópicos Características: São canais iônicos que se abrem diretamente quando o neurotransmissor se liga. Efeito: Rápido e de curta duração. Tipos: Canais catiônicos: Permitem a passagem de íons positivos como sódio ( ) e cálcio ( ). A entrada desses íons causa despolarização. Canais aniônicos: Permitem a passagem de íons negativos como cloreto ( ). A entrada de causa hiperpolarização. Receptores Metabotrópicos Características: São receptores acoplados a proteínas G. A ligação do neurotransmissor (primeiro mensageiro) desencadeia uma cascata de eventos intracelulares através de segundos mensageiros. Efeito: Mais lento, porém mais prolongado e com funções mais complexas. Mecanismo Geral: 1. Neurotransmissor (primeiro mensageiro) liga-se ao receptor. 2. Ativação da proteína G. 3. A proteína G pode ativar ou inibir enzimas na membrana. 4. Formação de segundos mensageiros intracelulares (ex: AMPc, GMPc). 5. Os segundos mensageiros modulam a atividade de outras enzimas, canais iônicos ou até mesmo a expressão gênica. Podem levar à abertura ou fechamento de canais iônicos, alterando o potencial de membrana. Na+ Ca2+ Cl− Cl− 3 / 6 Potenciais Pós-Sinápticos São alterações no potencial de membrana da célula pós-sináptica em resposta à ligação de neurotransmissores. São potenciais graduados. Potencial Excitatório Pós-Sináptico (PEPS) Natureza: Despolarizante. Mecanismo: Geralmente resulta da abertura de canais para ou , levando a um influxo desses íons. Efeito: Aproxima a célula do limiar de excitação, facilitando a geração de um potencial de ação. Exemplo: Um PEPS pode elevar o potencial de membrana de -70 mV para -65 mV. Potencial Inibitório Pós-Sináptico (PIPS) Natureza: Hiperpolarizante. Mecanismo: Geralmente resulta da abertura de canais para (efluxo de ) ou (influxo de ). Efeito: Afasta a célula do limiar de excitação, dificultando a geração de um potencial de ação. Exemplo: Um PIPS pode alterar o potencial de membrana de -70 mV para -75 mV. Somação dos Potenciais Pós-Sinápticos A integração de múltiplos PEPS e PIPS em um dado neurônio determina se um potencial de ação será disparado. Somação Espacial Ocorre quando PEPS (ou PIPS) provenientes de diferentes terminais pré-sinápticos, em locais distintos da membrana pós-sináptica, chegam simultaneamente e se somam. Somação Temporal Ocorre quando PEPS (ou PIPS) provenientes do mesmo terminal pré-sináptico são disparados em rápida sucessão, antes que o potencial anterior tenha desaparecido completamente. Somação de PEPS e PIPS É possível a somação entre PEPS e PIPS. O resultado final (disparo ou não de um potencial de ação) dependerá da relação líquida entre os potenciais excitatórios e inibitórios e se o limiar de excitação for atingido. Na+ Ca2+ K+ K+ Cl− Cl− 4 / 6 Principais Neurotransmissores e Receptores Neurotransmissor Tipo de Receptor Tipo de Receptor (Detalhe) Principal Localização Efeitos Comuns Acetilcolina (ACh) Colinérgico Nicotínico (nAChR) - Ionotrópico (RCI) Músculos esqueléticos, neurônios autonômicos, SNC Excitatório (músculo esquelético) Muscarínico (M) - Metabotropico (RPG) Músculos liso e cardíaco, glândulas, SNC Excitatório ou Inibitório (depende do subtipo) Glutamato Glutaminérgico Ionotrópico (iGluR) - AMPA, NMDA (RCI) SNC Excitatório Metabotropico (mGluR) (RPG) SNC Excitatório ou Inibitório GABA (ácido - aminobutírico) GABA Ionotrópico (RCI) SNC Inibitório Metabotropico (RPG) SNC Inibitório Glicina Glicina Ionotrópico (RCI) SNC (medula espinhal, tronco encefálico) Inibitório Noradrenalina (NA) Adrenérgico ( , ) Metabotropico (RPG) Músculos lisos e cardíaco, glândulas, SNC Excitatório ou Inibitório Adrenalina (A) Adrenérgico ( , ) Metabotropico (RPG) Músculos lisos e cardíaco, glândulas, SNC Excitatório ou Inibitório γ α β α β 5 / 6 Neurotransmissor Tipo de Receptor Tipo de Receptor (Detalhe) Principal Localização Efeitos Comuns Dopamina (DA) Dopamina (D) Metabotropico (RPG) SNC Excitatório ou Inibitório Serotonina (5-HT) Serotonérgico (5-HT) Ionotrópico (RCI) e Metabotropico (RPG) SNC Excitatório ou Inibitório Histamina Histamina (H) Metabotropico (RPG) SNC Excitatório ou InibitórioAdenosina Purina (P) Metabotropico (RPG) SNC Inibitório RCI: Receptor de Canal Iônico; RPG: Receptor Acoplado a Proteína G. 6 / 6