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FLUXO DE CAIXA A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), regida pelo Pronunciamento Técnico CPC 03, é um dos assuntos mais temidos e frequentes nas provas de Contabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), especialmente para as áreas fiscal e de controle. A banca costuma misturar o domínio da teoria pura com cálculos trabalhosos. Aqui estão os principais tópicos e "pegadinhas" que a FGV cobra sobre o assunto: 1. Classificação de Juros e Dividendos Esta é, de longe, a maior armadilha teórica da FGV. O CPC 03 permite duas formas de classificar juros e dividendos (ou Juros sobre Capital Próprio - JCP): o tratamento encorajado e o alternativo. A FGV quase sempre exige que o candidato conheça a classificação encorajada pelo comitê. Item Tratamento Encorajado (FGV) Tratamento Alternativo Juros Pagos Operacional Financiamento Juros Recebidos Operacional Investimento Dividendos/JCP Pagos Financiamento Operacional Dividendos/JCP Recebidos Operacional Investimento Atenção: Se a questão pedir a DFC "segundo o encorajamento do CPC 03", aplique estritamente a coluna do meio. 2. O Cálculo pelo Método Indireto A grande maioria das questões de cálculo da FGV exige a elaboração do Fluxo de Caixa Operacional (FCO) pelo Método Indireto. A banca fornece um Balanço Patrimonial de dois anos e uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). O processo cobrado segue três passos: 1. Ponto de partida: Comece pelo Lucro Líquido (ou Prejuízo) do exercício. 2. Ajustes de itens que não afetam o caixa: Some de volta a Depreciação, Amortização e Exaustão. Exclua (ou some) o Resultado de Equivalência Patrimonial (MEP) e reverta lucros ou prejuízos na venda de imobilizado. 3. Variação do Capital de Giro: Analise as contas operacionais do Balanço (Ativo Circulante e Passivo Circulante). • Ativo aumentou? Subtraia do caixa (ex: comprar mais estoque tira dinheiro). • Ativo diminuiu? Some ao caixa (ex: receber de clientes coloca dinheiro). • Passivo aumentou? Some ao caixa (ex: atrasar fornecedores preserva dinheiro). • Passivo diminuiu? Subtraia do caixa (ex: pagar fornecedores tira dinheiro). Dica de prova: A FGV costuma colocar itens não operacionais no meio do circulante (como "Empréstimos de curto prazo" ou "Dividendos a pagar"). Esses itens vão para a atividade de Financiamento, não entram no ajuste do FCO. 3. Conceito de Equivalentes de Caixa A banca adora testar o prazo que define um "equivalente de caixa". Para o CPC 03, são aplicações financeiras de alta liquidez, prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e com insignificante risco de mudança de valor. A regra de ouro da FGV: o prazo de vencimento deve ser igual ou inferior a 3 meses (90 dias) a partir da data da contratação/aquisição do investimento, e não a partir da data do balanço. Se a empresa comprou um título de 6 meses de prazo e faltam 2 meses para vencer no fechamento do balanço, ele não é equivalente de caixa. 4. Alienação de Ativos Imobilizados Quando a empresa vende um veículo ou máquina, a FGV exige que você separe o evento em duas atividades diferentes na DFC: • O Lucro ou Prejuízo da venda está embutido no Lucro Líquido e não representa fluxo de caixa. Ele deve ser eliminado (revertido) no Fluxo de Caixa Operacional (Método Indireto) • O Valor Total Recebido pela venda (dinheiro que efetivamente entrou) deve ser classificado integralmente no Fluxo de Caixa de Investimento. 5. Transações que Não Afetam o Caixa A FGV costuma listar uma série de eventos e pedir para você identificar qual deles entra na DFC. Transações de investimento e financiamento que não envolvem uso de dinheiro não entram no corpo da DFC, devendo ser divulgadas apenas em Notas Explicativas. Exemplos clássicos que caem na prova: • Aquisição de ativos por meio de arrendamento mercantil (leasing financeiro). • Conversão de dívida em capital próprio (ações). • Compra de imóvel financiado diretamente com o vendedor, sem entrada.