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Processo Civil Jurisprudência e ordem dos processos no Tribunal > Ordem dos processos nos tribunais Sentença - decisão que põe fim ao processo → recurso cabível: APELAÇÃO + CONTRARRAZÕES Decisões interlocutórias (art. 1015, CPC) → recurso cabível: AGRAVO DE INSTRUMENTO Despacho (art. 1001, CPC) → não tem recurso cabível, aguarda sentença 1º passo: autos registrados no protocolo do Tribunal e distribuídos pela Secretaria, sendo encaminhados à conclusão com o relator designado. 2º passo: o relator tem 30 dias para elaborar o voto e devolver os autos à secretaria com relatório. 3º passo: a secretaria encaminhará os autos para o desembargador presidente que designará data para o julgamento. 4º passo: na data marcada, o relator fará uma exposição da causa e, havendo requerimento de sustentação oral, dará a palavra ao recorrente, ao recorrido e ao Ministério Público, nos casos que intervenha, por 15 minutos para cada um. 5º passo: A votação inicia-se pela admissibilidade do recurso, de forma que se houver mais de uma questão, cada qual deve ser votada separadamente. Admissibilidade aqui principalmente voltada para os requisitos intrínsecos: cabimento, legitimidade, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer. 6º passo: Se houver o acolhimento de alguma preliminar (ou seja, se o recurso for inadmissível), o recurso não será conhecido – ou admitido. 7º passo: Caso as preliminares não sejam acolhidas, passar-se-á ao julgamento de mérito, votando, cada desembargador, separadamente cada uma das teses recursais. Neste caso haverá - ou não - o provimento do recurso. 8º passo: Depois de proferidos os votos, será anunciado o resultado e redigido o acórdão, pelo relator ou, se ele for vencido, pelo juiz que proferiu o primeiro voto vencedor. OBSERVAÇÃO: decadência - perda do direito em si prescrição - perda do direito de acionar preclusão - perda do prazo processual Atribuições do relator: art. 932, CPC > A jurisprudência e o novo CPC Common Law (EUA – sistema de precedentes) x Civil Law (Brasil – direito legislado) O NCPC, ao adotar o sistema de precedentes vinculantes, tornou nosso sistema processual híbrido. Seguimos com o direito legislado, porém agora com um peso muito maior aos precedentes. → Art. 927, CPC = dispositivo de constitucionalidade muito discutível, uma vez que criou hipóteses de precedentes vinculantes não previstas na CF. → Exemplos de mecanismos criados para impulsionar o hibridismo: incidente de assunção de competência; incidente de resolução de demandas repetitivas; julgamento liminar de improcedência, julgamento monocrático do recurso pelo relator; vedação à remessa necessária das sentenças proferidas contra a Fazenda Pública; edição de súmulas correspondentes à jurisprudência dominante; ampla divulgação dos precedentes pelos Tribunais. Aplicação do precedente vinculante = só são vinculantes os precedentes do art. 927, CPC → a CF/88 só prevê vinculação nos casos de decisões do STF em controle concentrado e súmulas vinculantes. Súmulas vinculantes = Definidas como aquelas editadas pelo STF, com quórum qualificado, que tem por objeto a validade, a interpretação e eficácia de determinadas normas e que vinculam as decisões judiciais e os atos administrativos → é a jurisprudência que, na prática, obriga a adm pública, juízes e tribunais de todo o país a seguirem seu conteúdo → art. 103, CF. → requisitos: matéria constitucional; reiteradas decisões; controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre entes e a adm pública; controvérsia que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. → edição, revisão ou cancelamento das súmulas vinculantes: responsabilidade do STF de ofício. → procedimento: PROPOSTA (uma vez apresentada a Proposta de Súmula Vinculante, a secretaria judiciária a registrará e autuará, publicando edital no site do Tribunal e no DJE) → EDITAL (os interessados se manifestarão no prazo de 05 dias a partir da publicação do edital. O Tribunal pode convocar audiência pública para colher manifestações) → COMISSÃO DE JURISPRUDÊNCIA (após recebimento das contribuições, estas são submetidas à análise da Comissão de Jurisprudência, que avaliará a pertinência e adequação da Proposta, em um prazo de 15 dias) → PLENÁRIO (posteriormente, o texto da proposta será submetido à votação pelo Plenário da Corte, onde os ministros apresentarão seus votos pela Aprovação, Cancelamento ou Edição da Súmula Vinculante). Obs.: Remessa necessária = duplo grau de jurisdição → ocorre quando a sentença é proferida contra a União, Estados, DF e Municípios, e quando a sentença julgar procedente no todo ou em parte os embargos à execução fiscal → art 496, CPC. Na remessa necessária, a sentença será obrigatoriamente analisada em 2º grau (eficácia) → partes art 496, CPC → não será provocada a jurisdição pela insatisfação de uma das partes → há ausência de irresignação (interesse em recorrer) Incidentes Incidente de assunção de competência → marco legal = art. 947, CPC. > Pressupostos: a) o caso que suscita o incidente seja de relevante questão de direito; b) tenha grande repercussão social; c) não haja repetição do objeto da discussão em múltiplos processos. >>> Vacina, pois previne e repercute socialmente. > O Tribunal chama para si a competência de um julgamento → tem que ser algo de grande repercussão. > Cabimento: Satisfeitos tais pressupostos, o IAC será cabível em qualquer causa que esteja em tramitação no Tribunal > Mecanismo usado em: recurso, remessa necessária e causas de competência originária do Tribunal. > Objetiva evitar divergências entre órgãos fracionários sobre questões relevantes → julgamento deixa de ser realizado pelo órgão fracionário que teria a competência (turmas ou câmaras) para se ter uma decisão com força vinculante sobre juízes, órgãos fracionários e tribunais subordinados. > Procedimento do incidente: 1º - pode ser instaurado em qualquer Tribunal (inclusive tribunais superiores); 2º - relator atua: de ofício, a requerimento da parte, a requerimento do MP, a requerimento da Defensoria Pública; 3º - relator propõe julgamento pelo órgão colegiado a quem competirá decidir se há o interesse público alegado; 4º - reconhecido o interesse público, o órgão colegiado assumirá a competência passará ao julgamento do recurso; 5º - o relator poderá admitir a intervenção de amicus curiae (amigos da Corte) e realizar audiências públicas; 6º - da decisão no incidente de assunção de competência caberá recurso especial (STJ) e/ou recurso extraordinário (STF). → E no TJ/RS, a quem cabe julgar o IAC? Regimento Interno do TJRS → Art. 4° São órgãos do Tribunal de Justiça: (...) II - as Turmas de Julgamento (...) → Art. 13. Às Turmas de Julgamento compete: (...) b) o incidente de assunção de competência previsto no artigo 947 do Código de Processo Civil suscitado nos recursos, nas remessas necessárias ou nos processos de competência originária no âmbito de sua competência;(...) Incidente de arguição de inconstitucionalidade > Controle de Constitucionalidade a. Concentrado: ações diretas junto ao STF; legitimidades previstas em lei; efeitos erga omnes. b. Difuso: no curso do processo; efeitos inter partes. > No caso concreto o juiz singular poderá incidentalmente decidir pela inconstitucionalidade de Lei ou Ato Normativo → Todavia, quando a análise incidental ocorre no Tribunal, faz-se necessária a instauração de um incidente que cinde o julgamento do recurso. → Significa dizer que o reconhecimento da inconstitucionalidade não pode ser realizado pelo órgão fracionárioincumbido do julgamento do recurso. → Com a cisão há pronunciamento de todo Tribunal sobre a (in)constitucionalidade e após a Turma julgará as demais questões. > Procedimento do incidente: 1º - Relator, depois de ouvir Ministério Público e as partes, remete os autos ao órgão fracionário que pode rejeitar ou não a declaração de constitucionalidade; 2º - O órgão fracionário acolhendo, encaminhará a demanda ao Tribunal Pleno ou Órgão Especial, onde houver. 3º - Decisão do Pleno ou Órgão Especial vinculará o órgão fracionário no caso concreto; 4º - Como estamos diante de controle difuso de constitucionalidade, o pronunciamento vincula apenas as partes envolvidas na demanda; 5º - Resolvida a constitucionalidade, o julgamento será devolvido ao órgão fracionário. → Marco legal: arts. 948, 949 e 950, CPC. Incidente de resolução de demandas repetitivas > Muitas demandas idênticas = os fatos e partes são diferentes, mas o direito é igual → o problema se dá na possibilidade de demandas materialmente iguais, terem decisões materialmente distintas → casos iguais, devem ter decisões iguais ou similares → art. 926, CPC (jurisprudência uniforme). > O IRDR existe para uniformizar decisões de demandas repetitivas → o Tribunal fixa entendimento acerca de determinado caso típico, para evitar que os mesmos assuntos sejam eternamente discutidos, ou que haja discrepância em julgamentos de matérias iguais. Finalidade: assegurar um julgamento único da questão jurídica que seja objeto de demandas repetitivas, com eficácia vinculante sobre os processos em curso; Pressupostos: Art. 976, CPC. (1) múltiplas demandas envolvendo o mesmo tema. Não basta a possibilidade futura de se ter múltiplas demandas – é necessário que se tenha! (2) que recurso sobre a temática ainda não tenha sido afetado nos Tribunais Superiores. Se tiver afetação, será decidido pelo Tribunal Superior em sede de recurso repetitivo > Procedimento do incidente: 1º - Legitimidade para requerer a instauração: juiz singular (de ofício); relator (de ofício); partes; MP; Defensoria Pública. 2º - Julgamento do incidente caberá ao órgão colegiado indicado no Regimento do Tribunal. 3º - Deve ser julgado no prazo de 1 ano e os demais processos permanecem suspensos, tanto os que estão no Tribunal, como os que estão ainda na origem. 4º - Relator: intimará o MP para manifestar-se em 15 dias → ouvirá partes e demais interessados em 15 dias → poderá marcar audiência pública. 5º - No julgamento o relator fará exposição do tema, podendo haver sustentação oral de autor, réu e MP pelo prazo de 30 minutos. → julgamento IRDR: art. 985, CPC. Reclamação > Cabimento: Incisos I a IV do Art. 988 do CPC e§5º do mesmo Art. 988. > Procedimento: 1) Finalidade é cassar decisão reclamada, e não anulá-la ou reformá-la; 2) Tem natureza de ação e deve ser proposta perante o Tribunal cuja a competência e autoridade se pretende preservar; cria processo novo; petição inicial observar os requisitos do Art. 319 do CPC; legitimidade ativa das partes ou MP; passiva da parte beneficiada com a decisão; petição inicial direcionada para o Presidente do Tribunal que mandará autuar e distribuir ao relator; relator requisitará informações da autoridade a quem for imputada a prática do ato impugnado; beneficiário do ato será citado para contestar em 15 dias; MP será ouvido em 5 dias; Se acolhida a reclamação, o Tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à solução da controvérsia. > Teoria geral dos recursos Conceito: recursos são remédios processuais de que se podem valer as partes, o MP e eventuais terceiros prejudicados para submeter uma decisão judicial a nova apreciação, em regra por um órgão diferente daquele que a proferiu, e que têm por finalidade modificar, invalidar, esclarecer ou complementar a decisão. >> O principal objetivo dos recursos é o reexame de decisões judiciais com vistas a reformar, anular, esclarecer ou integrar → princípio do duplo grau de jurisdição (decisões judiciais proferidas por órgão jurisdicional podem ser reapreciadas por outro órgão jurisdicional de hierarquia superior). Características: a) interposição na mesma relação processual: os recursos não tem natureza jurídica de ação nem criam novo processo (diferentemente de um mandado de segurança ou um habeas corpus); b) aptidão para retardar ou impedir a preclusão ou a coisa julgada: enquanto houver recurso pendente de julgamento, a decisão impugnada não terá se tornado definitiva; Isso não significa que a decisão impugnada não possa desde logo produzir efeitos: há recursos que são dotados de efeito suspensivo, e outros que não são. Somente no primeiro caso, a interposição do recurso implicará a suspensão da eficácia da decisão. Exemplo 1: sentença me condenou a pagar o valor de R$5.000,00 a título de dano moral. Quando apresento recurso de apelação, a eficácia da decisão fica suspensa e não posso ser “cobrado”, apenas após o julgamento do recurso de apelação. Exemplo 2: juiz admite a intervenção de terceiros interessados no processo e estes contestam a petição inicial. Quando apresento o recurso de Agravo de Instrumento, que - em regra - não há efeito suspensivo, os terceiros seguem praticando atos processuais. Sendo provido o agravo, ficam prejudicados os atos processuais realizados. c) correção de erros de forma e conteúdo: Ao fundamentar o seu recurso, o interessado poderá postular a anulação ou a substituição da decisão por outra → Errores in procedendo: descompasso entre a decisão judicial e as regras de processo civil → Gera anulação da decisão, de forma que os autos voltam para origem para novo julgamento! → Errores in judicando: vícios de conteúdo, de fundo, em que se alega a injustiça da decisão, o descompasso com as normas de direito material; Gera a reforma da decisão, de forma que a decisão do Tribunal venha a substituir a decisão originária! d) impossibilidade de inovação: Em regra, não se pode invocar, em recurso, matérias que não tenham sido arguidas e discutidas anteriormente; e) sistema de interposição: salvo uma única exceção, os recursos são interpostos perante o órgão a quo, e não perante o órgão ad quem. A exceção é o agravo de instrumento, interposto diretamente perante o Tribunal. Há alguns recursos interpostos e julgados perante o mesmo órgão: embargos de declaração. f) A decisão do órgão ad quem em regra substitui a do a quo: >>> Quando o órgão ad quem examina o recurso, são várias as alternativas, assim resumidas: *Tribunal não conhece o recurso → → Prevalece decisão a ;quo, que não é substituída pela nova decisão; *Tribunal conhece o recurso para declarar a nulidade da decisão anterior → → Autos retornam para origem, para que seja proferida nova decisão; *Tribunal conhece o recurso e no mérito nega provimento → → Decisão do juízo a quo será mantida; *Tribunal conhece o recurso e no mérito dá provimento → → Decisão do juízo a quo será substituída pela decisão do Tribunal. O que deverá ser cumprido é o acórdão e não a sentença, portanto. Pronunciamentos sujeitos a recurso: 1) Só cabe recurso contra pronunciamento de juiz, nunca de Ministério Público ou serventuário da justiça. 2) Despachos são irrecorríveis – Art. 1.001 CPC! 3) Cabe recurso contra: a) as sentenças, (pronunciamentos do juiz por meio dos quais ele põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução) → contra elas caberá a apelação; b) as decisões interlocutórias, (pronunciamentos judiciais de conteúdo decisório, que se prestam a resolver questões incidentes, sem pôr fim ao processo) → podem ser impugnadas por agravo de instrumento, nas hipóteses do Art. 1.015,ou como em preliminar de apelação, caso a decisão não esteja elencada no mencionado dispositivo legal. c) as decisões monocráticas proferidas pelo relator (o relator dos recursos ou dos processos de competência originária dos tribunais tem uma série de atribuições, elencadas no art. 932. Pode até mesmo, em determinados casos, julgar monocraticamente o recurso, dando-lhe ou negando-lhe provimento) → da decisão do relator cabe agravo interno; d) os acórdãos → contra eles poderão caber recurso extraordinário e especial, em caso de ofensa à Constituição ou à lei federal. Admissibilidade dos recursos: * Requisitos intrínsecos (aspectos que se relacionam com a decisão impugnada e o recurso interposto): a. Cabimento: Os recursos são apenas aqueles criados por lei. O rol legal é numerus clausus, taxativo. Recurso cabível é aquele previsto no ordenamento jurídico e, nos termos da lei, adequado contra a decisão → art. 1009 e 1015, CPC. b. Legitimidade para recorrer: 1ª) Partes: autor e/ou réu; 2º) Ministério Público: Pode atuar no processo como parte ou como fiscal da Lei. Sendo parte, será enquadrado no item anterior e obviamente será legitimado a recorrer; sendo fiscal da Lei, não só poderá apresentar recurso, como também terá prazo dobrado para tal. 3º) Terceiros prejudicados: Aquele que tenha interesse jurídico de que a sentença seja favorável a uma das partes, porque tem com ela uma relação jurídica que, conquanto distinta daquela discutida em juízo, poderá ser atingida pelos efeitos reflexos da sentença. Exemplo: sublocatário que tem interesse em sentença de ação de despejo. 4º) Advogado em nome próprio: O advogado não postula, em juízo, direito próprio, mas age na condição de mandatário da parte, portanto, não tem legitimidade para recorrer em nome próprio. Mas há uma parte da sentença que diz respeito diretamente a ele: a condenação em honorários advocatícios; Nessa circunstância, é preciso admitir que o advogado terá legitimidade para recorrer. c. Interesse recursal: Para que haja interesse é preciso que, por meio do recurso, se possa conseguir uma situação mais favorável do que a obtida com a decisão ou a sentença. O interesse está condicionado à sucumbência do interessado. É possível recorrer de sentença apenas para sanar-lhe algum vício (é ultra petita, por exemplo)? A parte vitoriosa pode recorrer para que o vício seja sanado, pois o melhor resultado possível pressupõe que a sentença esteja hígida, sem máculas. Uma sentença favorável, mas eivada de nulidades, pode levar a uma ação rescisória. É possível ao réu recorrer da sentença de extinção sem resolução de mérito? A resposta há de ser afirmativa, porque, sendo a sentença meramente terminativa, inexistirá a coisa julgada material, a questão poderá ser novamente posta em juízo. Melhor para o réu se a sentença fosse de improcedência, o que impediria a rediscussão. * Requisitos extrínsecos (aspectos que não dizem respeito diretamente à decisão impugnada): a. tempestividade: Todo recurso tem um prazo previamente estabelecido por lei → tempestividade relaciona-se com o cumprimento dos prazos processuais → art. 219, 220, 223, 224, 225, CPC. Obs.: com exceção dos Embargos de Declaração (5 dias), todos os demais recursos têm o prazo de 15 dias. b. preparo: Aquele que recorre deve pagar as despesas com o processamento do recurso, que constituem o preparo → a beneficiária é a Fazenda Pública → cabe à legislação pertinente estabelecer quais são os recursos que exigem o recolhimento do preparo → ficam ressalvados os embargos de declaração, que não o exigirão, porque julgados pelo mesmo juízo ou órgão que prolatou a decisão, visando apenas integrá-la ou aclará-la → art. 1007, CPC. c. regularidade formal: Os recursos são apresentados de forma escrita; todos os recursos precisam trazer as razões já com a petição de interposição. Ex:. Apelação com petição de interposição e razões. d. inexistência de fato extintivo ou impeditivo do direito de recorrer: São os pressupostos negativos de admissibilidade, isto é, circunstâncias que não podem estar presentes para que o recurso seja admitido → os fatos extintivos são a renúncia e a aquiescência ← o fato impeditivo é a desistência do recurso. Fatos Extintivos: Renúncia e aquiescência são sempre prévias à interposição do recurso → a renúncia é manifestação unilateral de vontade, pela qual o titular do direito de recorrer declara a sua intenção de não o fazer → a aquiescência é a manifestação, expressa ou tácita, de concordância do titular do direito de recorrer, com a decisão judicial. Fato impeditivo: Art. 998 do CPC. O que distingue a desistência da renúncia é que ela é sempre posterior à interposição: só se desiste de recurso já apresentado, e só se renuncia ao direito de recorrer antes da interposição → o recorrente tem sempre o direito de desistir do recurso, independentemente de qualquer anuência, ainda que o adversário tenha oferecido já as contrarrazões, diferentemente da desistência da ação que, após o oferecimento de resposta, exige o consentimento do réu → a desistência pode ser manifestada até o início do julgamento do recurso e ser expressa ou tácita. Modo de interposição - principal e adesivo: * Recurso adesivo: o recurso adesivo não é uma espécie, mas uma forma de interposição de alguns recursos. Podem ser opostos sob a forma adesiva a apelação, o recurso especial e o extraordinário. - Requisitos: que tenha havido sucumbência recíproca, isto é, que nenhum dos litigantes tenha obtido no processo o melhor resultado possível; que tenha havido recurso do adversário. Ex.: Imagine-se que A ajuíza em face de B uma ação de cobrança de 100 e que o juiz julga parcialmente procedente o pedido, condenando o réu a pagar ao autor 80. Houve sucumbência recíproca. Pode ocorrer que essa sentença não satisfaça nenhum dos litigantes e que ambos queiram que seja reformada pelo órgão ad quem. Intimadas, as partes apresentarão o seu recurso sob a forma principal. Serão recursos autônomos, cujos requisitos de admissibilidade serão examinados pelo juiz, individualmente. Mas pode ocorrer, por exemplo, que A, conquanto não tenha obtido o resultado mais favorável, o aceite e esteja disposto a não recorrer, para que, havendo logo o trânsito em julgado, a sentença passe a produzir efeitos. Sendo assim, deixará transcorrer o seu prazo in albis. Mas A descobre que o seu adversário recorreu, o que impede o trânsito em julgado: os autos terão de ser remetidos ao tribunal. O autor, se soubesse que o réu interporia recurso e que os autos subiriam, também teria recorrido, para tentar obter um resultado ainda mais favorável. Nessa circunstância, a lei processual lhe dá uma segunda oportunidade de recorrer, desta feita sob a forma adesiva. É como se o autor “pegasse carona” no recurso do adversário. Aquele que recorreu adesivamente preferiria que a sentença transitasse logo em julgado; mas, como houve recurso do adversário, ele aproveita para também recorrer. Isso explica o caráter acessório do recurso adesivo. Se o principal não for admitido, ou se houver desistência, ele ficará prejudicado, pois só sobe e é examinado com o principal. Princípios fundamentais do direito recursal: * Taxatividade: O rol legal de recursos é taxativo, numerus clausus → Só existem os previstos em lei, não sendo dado às partes formular meios de impugnação das decisões judiciais além daqueles indicados pelo legislador → todavia, Lei especial pode criar outras modalidades recursais → art. 994, CPC. >> Obs.: o que não é remessa necessária → Há algumas sentenças que, enquanto não reexaminadas pela instância superior, não produzem efeitos, não transitam em julgado. O legislador determina, como condição de eficácia, que elas sejam reapreciadas.Via de regra, as proferidas em face da Fazenda Pública >> principais efeitos da remessa necessária = Não se pode dizer que a remessa necessária tem efeito suspensivo, na verdade ela é condição de eficácia da sentença. A sentença não produz efeitos enquanto não confirmada pelo Tribunal → Diferente da apelação, cuja eficácia da sentença fica suspensa. Quanto ao efeito devolutivo, a extensão da matéria a ser reexaminada pelo juiz, por força da remessa, é indicada pela Súmula 45 do STJ: “No reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a condenação imposta à Fazenda Pública”. Essa súmula indica que o Tribunal só examinará, na remessa, a sucumbência imposta à Fazenda, e não as outras partes da sentença. A situação da Fazenda não pode piorar; só poderá, se houver recurso voluntário do seu adversário. * Singularidade ou unirrecorribilidade: É o que estabelece que, para cada ato judicial, cabe um único tipo de recurso adequado. - Decisões interlocutórias (previstas no art. 1.015), cabe o agravo de instrumento. - Sentenças, a apelação. - Decisões monocráticas do relator, agravo interno. - Acórdãos (que se enquadrem nas hipóteses do art. 102, III, da Constituição Federal), recurso extraordinário. - Contra acórdãos (nas hipóteses do art. 105, III), recurso especial. Exceções: Situações em que será possível interpor recursos distintos contra o mesmo pronunciamento judicial ou, por meio de um recurso único, questionar mais de um pronunciamento: 1) a interposição de apelação, na qual será possível TAMBÉM impugnar as decisões interlocutórias proferidas no curso do processo, não sujeitas à preclusão, por não serem suscetíveis de agravo de instrumento. As decisões interlocutórias, à exceção daquelas enumeradas no art. 1.015 do CPC, não são recorríveis em separado, devendo ser impugnadas quando da apresentação de apelação; 2) a interposição de embargos de declaração, contra decisões, sentenças e acórdãos, sem prejuízo de outros recursos. Aqui não há violação ao princípio da unidade, porque os embargos não visam a reforma ou anulação da decisão, mas apenas o seu aclaramento e integração; 3: a interposição simultânea de recurso especial e extraordinário, contra o mesmo acórdão. Há aqui dois recursos contra a mesma decisão, mas cada qual versando sobre um aspecto, uma situação determinada, no acórdão. → Curiosidades sobre o princípio da singularidade ← 1) Em audiência de instrução e julgamento, o juiz pode praticar numerosos atos processuais. Pode, por ex., no curso da audiência, proferir alguma decisão que se enquadre no rol do art. 1.015, CPC, como, por ex., revogar a gratuidade da justiça e, ao final, depois de colhidas as provas orais, proferir sentença. A decisão de revogação da gratuidade e a sentença constituem atos processuais distintos, para fins recursais, já que a primeira desafia a interposição de agravo de instrumento (art.1.015,V), e a segunda, apelação. Será necessário o agravo de instrumento, contra a decisão; e a apelação, contra a sentença. Não será possível, na apelação, rediscutir a decisão sobre a revogação da gratuidade, já que o princípio da singularidade estabelece que, contra esse tipo de decisão, o recurso é o de agravo de instrumento. Diferente seria se o juiz decidisse a questão no bojo da sentença, caso em que não haveria dois atos judiciais distintos, mas um só: a sentença, contra a qual cabe apelação. Também diferente seria a situação se, no curso da audiência, mas antes da sentença, o juiz proferisse decisão interlocutória que não se encaixe no rol do art. 1.015. Nesse caso, não caberia o agravo de instrumento. Essa decisão só poderia ser impugnada como preliminar de apelação, se o prejudicado por ela for o apelante; ou nas contrarrazões, se o prejudicado pela decisão não agravável for o apelado. Como não há agravo de instrumento nessa hipótese, não haverá a interposição de dois recursos, mas apenas o de apelação, na qual o reexame da decisão interlocutória anterior poderá ser postulado. 2) Tomemos agora outra situação curiosa: imagine-se que A ajuíze em face de B uma ação de cobrança e que requeira, no momento oportuno, prova testemunhal. O juiz profere julgamento antecipado do mérito, acolhendo a pretensão do autor. Na sentença, ele conclui pela desnecessidade das testemunhas, entendendo que a questão de mérito era só de direito, ou já estava provada por outros elementos. O autor não tem interesse de recorrer desta sentença, nem mesmo no que concerne ao indeferimento das testemunhas, já que o resultado final lhe foi favorável. Quem poderá recorrer é o réu. Se ele o fizer, o autor, nas contrarrazões pedirá a manutenção da sentença e poderá pedir que, se o tribunal cogitar de reformá-la, antes de o fazer reexamine o indeferimento da prova testemunhal por ele requerida. Se o tribunal entender que os elementos de prova eram insuficientes para o acolhimento da pretensão, não poderá reformá-la, mas deverá anulá-la, autorizando o autor a produzir as provas que ele requereu e não teve como produzir. * Fungibilidade: Trata-se da possibilidade de se aceitar um recurso por outro, uma vez que os pronunciamentos judiciais, em determinadas situações, podem trazer dúvidas aos litigantes → A fungibilidade, todavia, é exceção. Não acontecerá em qualquer hipótese ← Há um requisito indispensável, a existência de dúvida objetiva a respeito da natureza da decisão, que resulta de controvérsia efetiva, na doutrina ou na jurisprudência, a respeito do pronunciamento → é necessário provar a dúvida!! ← * Proibição do reformatio in pejus: Não pode a situação mudar para pior → Aquele que recorre só faz melhorar a situação. Na pior das hipóteses a sentença será mantida. 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