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Processo Civil 
Jurisprudência e ordem dos processos no Tribunal 
> Ordem dos processos nos tribunais 
Sentença - decisão que põe fim ao processo → recurso 
cabível: APELAÇÃO + CONTRARRAZÕES 
Decisões interlocutórias (art. 1015, CPC) → recurso cabível: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO 
Despacho (art. 1001, CPC) → não tem recurso cabível, 
aguarda sentença 
 
1º passo: autos registrados 
no protocolo do Tribunal e 
distribuídos pela Secretaria, 
sendo encaminhados à 
conclusão com o relator 
designado. 
2º passo: o relator tem 30 
dias para elaborar o voto e 
devolver os autos à 
secretaria com relatório. 
3º passo: a secretaria 
encaminhará os autos para 
o desembargador 
presidente que designará 
data para o julgamento. 
4º passo: na data marcada, 
o relator fará uma 
exposição da causa e, 
havendo requerimento de 
sustentação oral, dará a 
palavra ao recorrente, ao 
recorrido e ao Ministério 
Público, nos casos que 
intervenha, por 15 minutos 
para cada um. 
5º passo: A votação 
inicia-se pela admissibilidade 
do recurso, de forma que 
se houver mais de uma 
questão, cada qual deve ser 
votada separadamente. 
Admissibilidade aqui 
principalmente voltada para 
os requisitos intrínsecos: 
cabimento, legitimidade, 
interesse e inexistência de 
fato impeditivo ou extintivo 
do direito de recorrer. 
6º passo: Se houver o 
acolhimento de alguma 
preliminar (ou seja, se o 
recurso for inadmissível), o 
recurso não será 
conhecido – ou admitido. 
7º passo: Caso as 
preliminares não sejam 
acolhidas, passar-se-á ao 
julgamento de mérito, 
votando, cada 
desembargador, 
separadamente cada uma 
das teses recursais. Neste 
caso haverá - ou não - o 
provimento do recurso. 
8º passo: Depois de 
proferidos os votos, será 
anunciado o resultado e 
redigido o acórdão, pelo 
relator ou, se ele for 
vencido, pelo juiz que 
proferiu o primeiro voto 
vencedor. 
 
OBSERVAÇÃO: 
decadência - perda do direito em si 
prescrição - perda do direito de acionar 
preclusão - perda do prazo processual 
 
Atribuições do relator: art. 932, CPC 
 
> A jurisprudência e o novo CPC 
Common Law (EUA – sistema de precedentes) x Civil Law 
(Brasil – direito legislado) 
O NCPC, ao adotar o sistema de precedentes vinculantes, 
tornou nosso sistema processual híbrido. Seguimos com o 
direito legislado, porém agora com um peso muito maior aos 
precedentes. 
→ Art. 927, CPC = dispositivo de constitucionalidade muito 
discutível, uma vez que criou hipóteses de precedentes 
vinculantes não previstas na CF. 
→ Exemplos de mecanismos criados para impulsionar o 
hibridismo: incidente de assunção de competência; incidente 
de resolução de demandas repetitivas; julgamento liminar de 
improcedência, julgamento monocrático do recurso pelo 
relator; vedação à remessa necessária das sentenças 
proferidas contra a Fazenda Pública; edição de súmulas 
correspondentes à jurisprudência dominante; ampla 
divulgação dos precedentes pelos Tribunais. 
Aplicação do precedente vinculante = só são vinculantes os 
precedentes do art. 927, CPC → a CF/88 só prevê 
vinculação nos casos de decisões do STF em controle 
concentrado e súmulas vinculantes. 
Súmulas vinculantes = Definidas como aquelas editadas pelo 
STF, com quórum qualificado, que tem por objeto a validade, 
a interpretação e eficácia de determinadas normas e que 
vinculam as decisões judiciais e os atos administrativos → é a 
jurisprudência que, na prática, obriga a adm pública, juízes e 
tribunais de todo o país a seguirem seu conteúdo → art. 103, 
CF. 
→ requisitos: matéria constitucional; reiteradas decisões; 
controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre entes e 
a adm pública; controvérsia que acarrete grave insegurança 
jurídica e relevante multiplicação de processos sobre 
idêntica questão. 
→ edição, revisão ou cancelamento das súmulas vinculantes: 
responsabilidade do STF de ofício. 
→ procedimento: PROPOSTA (uma vez apresentada a 
Proposta de Súmula Vinculante, a secretaria judiciária a 
registrará e autuará, publicando edital no site do Tribunal e 
no DJE) → EDITAL (os interessados se manifestarão no 
prazo de 05 dias a partir da publicação do edital. O Tribunal 
pode convocar audiência pública para colher manifestações) 
→ COMISSÃO DE JURISPRUDÊNCIA (após recebimento das 
contribuições, estas são submetidas à análise da Comissão 
de Jurisprudência, que avaliará a pertinência e adequação da 
Proposta, em um prazo de 15 dias) → PLENÁRIO 
(posteriormente, o texto da proposta será submetido à 
votação pelo Plenário da Corte, onde os ministros 
apresentarão seus votos pela Aprovação, Cancelamento ou 
Edição da Súmula Vinculante). 
 
Obs.: Remessa necessária = duplo grau de jurisdição → 
ocorre quando a sentença é proferida contra a União, 
Estados, DF e Municípios, e quando a sentença julgar 
procedente no todo ou em parte os embargos à execução 
fiscal → art 496, CPC. 
Na remessa necessária, a sentença será obrigatoriamente 
analisada em 2º grau (eficácia) → partes art 496, CPC → 
não será provocada a jurisdição pela insatisfação de uma 
das partes → há ausência de irresignação (interesse em 
recorrer) 
 
Incidentes 
Incidente de assunção de competência 
→ marco legal = art. 947, CPC. 
> Pressupostos: a) o caso que suscita o incidente seja de 
relevante questão de direito; b) tenha grande repercussão 
social; c) não haja repetição do objeto da discussão em 
múltiplos processos. 
>>> Vacina, pois previne e repercute socialmente. 
> O Tribunal chama para si a competência de um julgamento 
→ tem que ser algo de grande repercussão. 
> Cabimento: Satisfeitos tais pressupostos, o IAC será 
cabível em qualquer causa que esteja em tramitação no 
Tribunal 
> Mecanismo usado em: recurso, remessa necessária e 
causas de competência originária do Tribunal. 
> Objetiva evitar divergências entre órgãos fracionários 
sobre questões relevantes → julgamento deixa de ser 
realizado pelo órgão fracionário que teria a competência 
(turmas ou câmaras) para se ter uma decisão com força 
vinculante sobre juízes, órgãos fracionários e tribunais 
subordinados. 
> Procedimento do incidente: 
1º - pode ser instaurado em 
qualquer Tribunal (inclusive 
tribunais superiores); 
2º - relator atua: de ofício, 
a requerimento da parte, a 
requerimento do MP, a 
requerimento da 
Defensoria Pública; 
3º - relator propõe 
julgamento pelo órgão 
colegiado a quem competirá 
decidir se há o interesse 
público alegado; 
4º - reconhecido o 
interesse público, o órgão 
colegiado assumirá a 
competência passará ao 
julgamento do recurso; 
5º - o relator poderá 
admitir a intervenção de 
amicus curiae (amigos da 
Corte) e realizar audiências 
públicas; 
6º - da decisão no incidente 
de assunção de 
competência caberá 
recurso especial (STJ) 
e/ou recurso 
extraordinário (STF). 
 
→ E no TJ/RS, a quem cabe julgar o IAC? 
Regimento Interno do TJRS → Art. 4° São órgãos do 
Tribunal de Justiça: (...) II - as Turmas de Julgamento (...) → 
Art. 13. Às Turmas de Julgamento compete: (...) b) o incidente 
de assunção de competência previsto no artigo 947 do 
Código de Processo Civil suscitado nos recursos, nas 
remessas necessárias ou nos processos de competência 
originária no âmbito de sua competência;(...) 
 
Incidente de arguição de inconstitucionalidade 
> Controle de Constitucionalidade 
a. Concentrado: ações diretas junto ao STF; legitimidades 
previstas em lei; efeitos erga omnes. 
b. Difuso: no curso do processo; efeitos inter partes. 
> No caso concreto o juiz singular poderá incidentalmente 
decidir pela inconstitucionalidade de Lei ou Ato Normativo → 
Todavia, quando a análise incidental ocorre no Tribunal, 
faz-se necessária a instauração de um incidente que cinde o 
julgamento do recurso. → Significa dizer que o 
reconhecimento da inconstitucionalidade não pode ser 
realizado pelo órgão fracionárioincumbido do julgamento do 
recurso. → Com a cisão há pronunciamento de todo 
Tribunal sobre a (in)constitucionalidade e após a Turma 
julgará as demais questões. 
> Procedimento do incidente: 
1º - Relator, depois de ouvir 
Ministério Público e as 
partes, remete os autos ao 
órgão fracionário que pode 
rejeitar ou não a 
declaração de 
constitucionalidade; 
2º - O órgão fracionário 
acolhendo, encaminhará a 
demanda ao Tribunal Pleno 
ou Órgão Especial, onde 
houver. 
3º - Decisão do Pleno ou 
Órgão Especial vinculará o 
órgão fracionário no caso 
concreto; 
4º - Como estamos diante 
de controle difuso de 
constitucionalidade, o 
pronunciamento vincula 
apenas as partes envolvidas 
na demanda; 
5º - Resolvida a 
constitucionalidade, o 
julgamento será devolvido 
ao órgão fracionário. 
→ Marco legal: arts. 948, 949 e 950, CPC. 
 
Incidente de resolução de demandas repetitivas 
> Muitas demandas idênticas = os fatos e partes são 
diferentes, mas o direito é igual → o problema se dá na 
possibilidade de demandas materialmente iguais, terem 
decisões materialmente distintas → casos iguais, devem ter 
decisões iguais ou similares → art. 926, CPC (jurisprudência 
uniforme). 
> O IRDR existe para uniformizar decisões de demandas 
repetitivas → o Tribunal fixa entendimento acerca de 
determinado caso típico, para evitar que os mesmos 
assuntos sejam eternamente discutidos, ou que haja 
discrepância em julgamentos de matérias iguais. 
Finalidade: assegurar um julgamento único da questão jurídica 
que seja objeto de demandas repetitivas, com eficácia 
vinculante sobre os processos em curso; 
Pressupostos: Art. 976, CPC. 
(1) múltiplas demandas envolvendo o mesmo tema. Não basta a 
possibilidade futura de se ter múltiplas demandas – é 
necessário que se tenha! 
(2) que recurso sobre a temática ainda não tenha sido 
afetado nos Tribunais Superiores. Se tiver afetação, será 
decidido pelo Tribunal Superior em sede de recurso 
repetitivo 
> Procedimento do incidente: 
1º - Legitimidade para 
requerer a instauração: juiz 
singular (de ofício); relator 
(de ofício); partes; MP; 
Defensoria Pública. 
2º - Julgamento do incidente 
caberá ao órgão colegiado 
indicado no Regimento do 
Tribunal. 
3º - Deve ser julgado no 
prazo de 1 ano e os demais 
processos permanecem 
suspensos, tanto os que 
estão no Tribunal, como os 
que estão ainda na origem. 
4º - Relator: intimará o MP 
para manifestar-se em 15 
dias → ouvirá partes e 
demais interessados em 15 
dias → poderá marcar 
audiência pública. 
5º - No julgamento o relator 
fará exposição do tema, 
podendo haver sustentação 
oral de autor, réu e MP 
pelo prazo de 30 minutos. 
→ julgamento IRDR: art. 
985, CPC. 
 
Reclamação 
> Cabimento: Incisos I a IV do Art. 988 do CPC e§5º do 
mesmo Art. 988. 
> Procedimento: 
1) Finalidade é cassar decisão reclamada, e não anulá-la ou 
reformá-la; 
2) Tem natureza de ação e deve ser proposta perante o 
Tribunal cuja a competência e autoridade se pretende 
preservar; cria processo novo; petição inicial observar os 
requisitos do Art. 319 do CPC; legitimidade ativa das partes ou 
MP; passiva da parte beneficiada com a decisão; petição 
inicial direcionada para o Presidente do Tribunal que mandará 
autuar e distribuir ao relator; relator requisitará 
informações da autoridade a quem for imputada a prática 
do ato impugnado; beneficiário do ato será citado para 
contestar em 15 dias; MP será ouvido em 5 dias; Se acolhida 
a reclamação, o Tribunal cassará a decisão exorbitante de 
seu julgado ou determinará medida adequada à solução da 
controvérsia. 
> Teoria geral dos recursos 
Conceito: recursos são remédios processuais de que se 
podem valer as partes, o MP e eventuais terceiros 
prejudicados para submeter uma decisão judicial a nova 
apreciação, em regra por um órgão diferente daquele que a 
proferiu, e que têm por finalidade modificar, invalidar, 
esclarecer ou complementar a decisão. 
>> O principal objetivo dos recursos é o reexame de 
decisões judiciais com vistas a reformar, anular, esclarecer 
ou integrar → princípio do duplo grau de jurisdição (decisões 
judiciais proferidas por órgão jurisdicional podem ser 
reapreciadas por outro órgão jurisdicional de hierarquia 
superior). 
Características: 
a) interposição na mesma relação processual: os recursos 
não tem natureza jurídica de ação nem criam novo 
processo (diferentemente de um mandado de segurança ou 
um habeas corpus); 
b) aptidão para retardar ou impedir a preclusão ou a coisa 
julgada: enquanto houver recurso pendente de julgamento, a 
decisão impugnada não terá se tornado definitiva; 
Isso não significa que a decisão impugnada não possa desde 
logo produzir efeitos: há recursos que são dotados de 
efeito suspensivo, e outros que não são. Somente no 
primeiro caso, a interposição do recurso implicará a 
suspensão da eficácia da decisão. 
Exemplo 1: sentença me condenou a pagar o valor de 
R$5.000,00 a título de dano moral. Quando apresento 
recurso de apelação, a eficácia da decisão fica suspensa e 
não posso ser “cobrado”, apenas após o julgamento do 
recurso de apelação. 
Exemplo 2: juiz admite a intervenção de terceiros 
interessados no processo e estes contestam a petição 
inicial. Quando apresento o recurso de Agravo de 
Instrumento, que - em regra - não há efeito suspensivo, os 
terceiros seguem praticando atos processuais. Sendo 
provido o agravo, ficam prejudicados os atos processuais 
realizados. 
c) correção de erros de forma e conteúdo: Ao 
fundamentar o seu recurso, o interessado poderá postular 
a anulação ou a substituição da decisão por outra 
→ Errores in procedendo: descompasso entre a decisão 
judicial e as regras de processo civil → Gera anulação da 
decisão, de forma que os autos voltam para origem para 
novo julgamento! 
→ Errores in judicando: vícios de conteúdo, de fundo, em 
que se alega a injustiça da decisão, o descompasso com as 
normas de direito material; Gera a reforma da decisão, de 
forma que a decisão do Tribunal venha a substituir a 
decisão originária! 
d) impossibilidade de inovação: Em regra, não se pode 
invocar, em recurso, matérias que não tenham sido arguidas 
e discutidas anteriormente; 
e) sistema de interposição: salvo uma única exceção, os 
recursos são interpostos perante o órgão a quo, e não 
perante o órgão ad quem. A exceção é o agravo de 
instrumento, interposto diretamente perante o Tribunal. Há 
alguns recursos interpostos e julgados perante o mesmo 
órgão: embargos de declaração. 
f) A decisão do órgão ad quem em regra substitui a do a 
quo: 
>>> Quando o órgão ad quem examina o recurso, são várias 
as alternativas, assim resumidas: 
*Tribunal não conhece o recurso → → Prevalece decisão a 
;quo, que não é substituída pela nova decisão; 
*Tribunal conhece o recurso para declarar a nulidade da 
decisão anterior → → Autos retornam para origem, para 
que seja proferida nova decisão; 
*Tribunal conhece o recurso e no mérito nega provimento 
→ → Decisão do juízo a quo será mantida; 
*Tribunal conhece o recurso e no mérito dá provimento → 
→ Decisão do juízo a quo será substituída pela decisão do 
Tribunal. O que deverá ser cumprido é o acórdão e não a 
sentença, portanto. 
Pronunciamentos sujeitos a recurso: 
1) Só cabe recurso contra pronunciamento de juiz, nunca de 
Ministério Público ou serventuário da justiça. 
2) Despachos são irrecorríveis – Art. 1.001 CPC! 
3) Cabe recurso contra: a) as sentenças, (pronunciamentos 
do juiz por meio dos quais ele põe fim à fase cognitiva do 
procedimento comum, bem como extingue a execução) → 
contra elas caberá a apelação; b) as decisões 
interlocutórias, (pronunciamentos judiciais de conteúdo 
decisório, que se prestam a resolver questões incidentes, 
sem pôr fim ao processo) → podem ser impugnadas por 
agravo de instrumento, nas hipóteses do Art. 1.015,ou como 
em preliminar de apelação, caso a decisão não esteja 
elencada no mencionado dispositivo legal. c) as decisões 
monocráticas proferidas pelo relator (o relator dos 
recursos ou dos processos de competência originária dos 
tribunais tem uma série de atribuições, elencadas no art. 
932. Pode até mesmo, em determinados casos, julgar 
monocraticamente o recurso, dando-lhe ou negando-lhe 
provimento) → da decisão do relator cabe agravo interno; 
d) os acórdãos → contra eles poderão caber recurso 
extraordinário e especial, em caso de ofensa à Constituição 
ou à lei federal. 
Admissibilidade dos recursos: 
* Requisitos intrínsecos (aspectos que se relacionam com a 
decisão impugnada e o recurso interposto): 
a. Cabimento: Os recursos são apenas aqueles criados por 
lei. O rol legal é numerus clausus, taxativo. Recurso cabível é 
aquele previsto no ordenamento jurídico e, nos termos da lei, 
adequado contra a decisão → art. 1009 e 1015, CPC. 
b. Legitimidade para recorrer: 
1ª) Partes: autor e/ou réu; 
2º) Ministério Público: Pode atuar no processo como parte 
ou como fiscal da Lei. Sendo parte, será enquadrado no 
item anterior e obviamente será legitimado a recorrer; 
sendo fiscal da Lei, não só poderá apresentar recurso, 
como também terá prazo dobrado para tal. 
3º) Terceiros prejudicados: Aquele que tenha interesse 
jurídico de que a sentença seja favorável a uma das partes, 
porque tem com ela uma relação jurídica que, conquanto 
distinta daquela discutida em juízo, poderá ser atingida pelos 
efeitos reflexos da sentença. 
Exemplo: sublocatário que tem interesse em sentença de 
ação de despejo. 
4º) Advogado em nome próprio: O advogado não postula, em 
juízo, direito próprio, mas age na condição de mandatário da 
parte, portanto, não tem legitimidade para recorrer em 
nome próprio. Mas há uma parte da sentença que diz 
respeito diretamente a ele: a condenação em honorários 
advocatícios; Nessa circunstância, é preciso admitir que o 
advogado terá legitimidade para recorrer. 
c. Interesse recursal: Para que haja interesse é preciso que, 
por meio do recurso, se possa conseguir uma situação mais 
favorável do que a obtida com a decisão ou a sentença. O 
interesse está condicionado à sucumbência do interessado. 
É possível recorrer de sentença apenas para sanar-lhe 
algum vício (é ultra petita, por exemplo)? A parte vitoriosa 
pode recorrer para que o vício seja sanado, pois o melhor 
resultado possível pressupõe que a sentença esteja hígida, 
sem máculas. Uma sentença favorável, mas eivada de 
nulidades, pode levar a uma ação rescisória. 
É possível ao réu recorrer da sentença de extinção sem 
resolução de mérito? A resposta há de ser afirmativa, 
porque, sendo a sentença meramente terminativa, inexistirá a 
coisa julgada material, a questão poderá ser novamente 
posta em juízo. Melhor para o réu se a sentença fosse de 
improcedência, o que impediria a rediscussão. 
 
* Requisitos extrínsecos (aspectos que não dizem respeito 
diretamente à decisão impugnada): 
a. tempestividade: Todo recurso tem um prazo previamente 
estabelecido por lei → tempestividade relaciona-se com o 
cumprimento dos prazos processuais → art. 219, 220, 223, 
224, 225, CPC. 
Obs.: com exceção dos Embargos de Declaração (5 dias), 
todos os demais recursos têm o prazo de 15 dias. 
b. preparo: Aquele que recorre deve pagar as despesas 
com o processamento do recurso, que constituem o 
preparo → a beneficiária é a Fazenda Pública → cabe à 
legislação pertinente estabelecer quais são os recursos que 
exigem o recolhimento do preparo → ficam ressalvados os 
embargos de declaração, que não o exigirão, porque julgados 
pelo mesmo juízo ou órgão que prolatou a decisão, visando 
apenas integrá-la ou aclará-la → art. 1007, CPC. 
c. regularidade formal: Os recursos são apresentados de 
forma escrita; todos os recursos precisam trazer as 
razões já com a petição de interposição. Ex:. Apelação com 
petição de interposição e razões. 
d. inexistência de fato extintivo ou impeditivo do direito de 
recorrer: São os pressupostos negativos de admissibilidade, 
isto é, circunstâncias que não podem estar presentes para 
que o recurso seja admitido → os fatos extintivos são a 
renúncia e a aquiescência ← o fato impeditivo é a 
desistência do recurso. 
Fatos Extintivos: Renúncia e aquiescência são sempre 
prévias à interposição do recurso → a renúncia é 
manifestação unilateral de vontade, pela qual o titular do 
direito de recorrer declara a sua intenção de não o fazer 
→ a aquiescência é a manifestação, expressa ou tácita, de 
concordância do titular do direito de recorrer, com a 
decisão judicial. 
Fato impeditivo: Art. 998 do CPC. O que distingue a 
desistência da renúncia é que ela é sempre posterior à 
interposição: só se desiste de recurso já apresentado, e só 
se renuncia ao direito de recorrer antes da interposição → 
o recorrente tem sempre o direito de desistir do recurso, 
independentemente de qualquer anuência, ainda que o 
adversário tenha oferecido já as contrarrazões, 
diferentemente da desistência da ação que, após o 
oferecimento de resposta, exige o consentimento do réu → 
a desistência pode ser manifestada até o início do julgamento 
do recurso e ser expressa ou tácita. 
Modo de interposição - principal e adesivo: 
* Recurso adesivo: o recurso adesivo não é uma espécie, 
mas uma forma de interposição de alguns recursos. Podem 
ser opostos sob a forma adesiva a apelação, o recurso 
especial e o extraordinário. 
- Requisitos: que tenha havido sucumbência recíproca, isto é, 
que nenhum dos litigantes tenha obtido no processo o melhor 
resultado possível; que tenha havido recurso do adversário. 
Ex.: Imagine-se que A ajuíza em face de B uma ação de 
cobrança de 100 e que o juiz julga parcialmente procedente 
o pedido, condenando o réu a pagar ao autor 80. Houve 
sucumbência recíproca. Pode ocorrer que essa sentença 
não satisfaça nenhum dos litigantes e que ambos queiram 
que seja reformada pelo órgão ad quem. Intimadas, as partes 
apresentarão o seu recurso sob a forma principal. Serão 
recursos autônomos, cujos requisitos de admissibilidade 
serão examinados pelo juiz, individualmente. Mas pode 
ocorrer, por exemplo, que A, conquanto não tenha obtido o 
resultado mais favorável, o aceite e esteja disposto a não 
recorrer, para que, havendo logo o trânsito em julgado, a 
sentença passe a produzir efeitos. Sendo assim, deixará 
transcorrer o seu prazo in albis. Mas A descobre que o seu 
adversário recorreu, o que impede o trânsito em julgado: os 
autos terão de ser remetidos ao tribunal. O autor, se 
soubesse que o réu interporia recurso e que os autos 
subiriam, também teria recorrido, para tentar obter um 
resultado ainda mais favorável. Nessa circunstância, a lei 
processual lhe dá uma segunda oportunidade de recorrer, 
desta feita sob a forma adesiva. É como se o autor 
“pegasse carona” no recurso do adversário. Aquele que 
recorreu adesivamente preferiria que a sentença 
transitasse logo em julgado; mas, como houve recurso do 
adversário, ele aproveita para também recorrer. Isso 
explica o caráter acessório do recurso adesivo. Se o 
principal não for admitido, ou se houver desistência, ele 
ficará prejudicado, pois só sobe e é examinado com o 
principal. 
Princípios fundamentais do direito recursal: 
* Taxatividade: O rol legal de recursos é taxativo, numerus 
clausus → Só existem os previstos em lei, não sendo dado às 
partes formular meios de impugnação das decisões judiciais 
além daqueles indicados pelo legislador → todavia, Lei especial 
pode criar outras modalidades recursais → art. 994, CPC. 
>> Obs.: o que não é remessa necessária → Há algumas 
sentenças que, enquanto não reexaminadas pela instância 
superior, não produzem efeitos, não transitam em julgado. O 
legislador determina, como condição de eficácia, que elas 
sejam reapreciadas.Via de regra, as proferidas em face da 
Fazenda Pública >> principais efeitos da remessa necessária 
= Não se pode dizer que a remessa necessária tem efeito 
suspensivo, na verdade ela é condição de eficácia da 
sentença. A sentença não produz efeitos enquanto não 
confirmada pelo Tribunal → Diferente da apelação, cuja 
eficácia da sentença fica suspensa. Quanto ao efeito 
devolutivo, a extensão da matéria a ser reexaminada pelo juiz, 
por força da remessa, é indicada pela Súmula 45 do STJ: 
“No reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a 
condenação imposta à Fazenda Pública”. Essa súmula indica 
que o Tribunal só examinará, na remessa, a sucumbência 
imposta à Fazenda, e não as outras partes da sentença. A 
situação da Fazenda não pode piorar; só poderá, se houver 
recurso voluntário do seu adversário. 
 
* Singularidade ou unirrecorribilidade: É o que estabelece 
que, para cada ato judicial, cabe um único tipo de recurso 
adequado. 
- Decisões interlocutórias (previstas no art. 1.015), cabe o 
agravo de instrumento. 
- Sentenças, a apelação. 
- Decisões monocráticas do relator, agravo interno. 
- Acórdãos (que se enquadrem nas hipóteses do art. 102, III, 
da Constituição Federal), recurso extraordinário. 
- Contra acórdãos (nas hipóteses do art. 105, III), recurso 
especial. 
 
Exceções: Situações em que será possível interpor 
recursos distintos contra o mesmo pronunciamento judicial 
ou, por meio de um recurso único, questionar mais de um 
pronunciamento: 
 
1) a interposição de 
apelação, na qual será 
possível TAMBÉM impugnar 
as decisões interlocutórias 
proferidas no curso do 
processo, não sujeitas à 
preclusão, por não serem 
suscetíveis de agravo de 
instrumento. As decisões 
interlocutórias, à exceção 
daquelas enumeradas no 
art. 1.015 do CPC, não são 
recorríveis em separado, 
devendo ser impugnadas 
quando da apresentação de 
apelação; 
2) a interposição de 
embargos de declaração, 
contra decisões, sentenças 
e acórdãos, sem prejuízo 
de outros recursos. Aqui 
não há violação ao princípio 
da unidade, porque os 
embargos não visam a 
reforma ou anulação da 
decisão, mas apenas o seu 
aclaramento e integração; 
3: a interposição simultânea 
de recurso especial e 
extraordinário, contra o 
mesmo acórdão. Há aqui 
dois recursos contra a 
mesma decisão, mas cada 
qual versando sobre um 
aspecto, uma situação 
determinada, no acórdão. 
 
→ Curiosidades sobre o princípio da singularidade ← 
 
1) Em audiência de instrução 
e julgamento, o juiz pode 
praticar numerosos atos 
processuais. Pode, por ex., 
no curso da audiência, 
proferir alguma decisão 
que se enquadre no rol do 
art. 1.015, CPC, como, por 
ex., revogar a gratuidade da 
justiça e, ao final, depois de 
colhidas as provas orais, 
proferir sentença. A 
decisão de revogação da 
gratuidade e a sentença 
constituem atos 
processuais distintos, para 
fins recursais, já que a 
primeira desafia a 
interposição de agravo de 
instrumento (art.1.015,V), e a 
segunda, apelação. Será 
necessário o agravo de 
instrumento, contra a 
decisão; e a apelação, 
contra a sentença. Não 
será possível, na apelação, 
rediscutir a decisão sobre 
a revogação da gratuidade, 
já que o princípio da 
singularidade estabelece 
que, contra esse tipo de 
decisão, o recurso é o de 
agravo de instrumento. 
Diferente seria se o juiz 
decidisse a questão no bojo 
da sentença, caso em que 
não haveria dois atos 
judiciais distintos, mas um 
só: a sentença, contra a 
qual cabe apelação. 
Também diferente seria a 
situação se, no curso da 
audiência, mas antes da 
sentença, o juiz proferisse 
decisão interlocutória que 
não se encaixe no rol do 
art. 1.015. Nesse caso, não 
caberia o agravo de 
instrumento. Essa decisão 
só poderia ser impugnada 
como preliminar de 
apelação, se o prejudicado 
por ela for o apelante; ou 
nas contrarrazões, se o 
prejudicado pela decisão 
não agravável for o 
apelado. Como não há 
agravo de instrumento 
nessa hipótese, não haverá 
a interposição de dois 
recursos, mas apenas o de 
apelação, na qual o reexame 
da decisão interlocutória 
anterior poderá ser 
postulado. 
2) Tomemos agora outra 
situação curiosa: imagine-se 
que A ajuíze em face de B 
uma ação de cobrança e 
que requeira, no momento 
oportuno, prova 
testemunhal. O juiz profere 
julgamento antecipado do 
mérito, acolhendo a 
pretensão do autor. Na 
sentença, ele conclui pela 
desnecessidade das 
testemunhas, entendendo 
que a questão de mérito 
era só de direito, ou já 
estava provada por outros 
elementos. O autor não tem 
interesse de recorrer 
desta sentença, nem mesmo 
no que concerne ao 
indeferimento das 
testemunhas, já que o 
resultado final lhe foi 
favorável. Quem poderá 
recorrer é o réu. Se ele o 
fizer, o autor, nas 
contrarrazões pedirá a 
manutenção da sentença e 
poderá pedir que, se o 
tribunal cogitar de 
reformá-la, antes de o 
fazer reexamine o 
indeferimento da prova 
testemunhal por ele 
requerida. Se o tribunal 
entender que os elementos 
de prova eram insuficientes 
para o acolhimento da 
pretensão, não poderá 
reformá-la, mas deverá 
anulá-la, autorizando o autor 
a produzir as provas que 
ele requereu e não teve 
como produzir. 
 
 
* Fungibilidade: Trata-se da possibilidade de se aceitar um 
recurso por outro, uma vez que os pronunciamentos 
judiciais, em determinadas situações, podem trazer dúvidas 
aos litigantes → A fungibilidade, todavia, é exceção. Não 
acontecerá em qualquer hipótese ← Há um requisito 
indispensável, a existência de dúvida objetiva a respeito da 
natureza da decisão, que resulta de controvérsia efetiva, na 
doutrina ou na jurisprudência, a respeito do pronunciamento 
→ é necessário provar a dúvida!! ← 
 
* Proibição do reformatio in pejus: Não pode a situação 
mudar para pior → Aquele que recorre só faz melhorar a 
situação. Na pior das hipóteses a sentença será mantida. 
 
 
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