Prévia do material em texto
CASO CLÍNICO: Consulta de saúde da mulher na atenção primária à saúde A consulta de saúde da mulher na atenção primária é um momento estratégico para cuidado integral ao longo da vida, baseado em acolhimento, escuta qualificada e respeito à autonomia e à diversidade. Integra ações de prevenção, rastreamento e manejo clínico em temas como planejamento reprodutivo, pré-natal, climatério, IST, saúde mental e violências, considerando determinantes sociais e princípios da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Espera-se uma abordagem centrada na pessoa, com avaliação de risco, plano de cuidado individualizado e articulação interprofissional, promovendo equidade, humanização e segurança. A seguir, acompanhe um caso que ilustra alguns desses processos. Descrição do caso Uma adolescente de 17 anos comparece à consulta agendada com a enfermeira da Unidade Básica de Saúde de sua comunidade. Ela apresenta queixa de secreção vaginal esverdeada nos últimos dois meses e início recente de dor em baixo ventre. Relata, ainda, que não lembra ao certo a data da última menstruação, mas afirma estar em atraso. É sexualmente ativa, com dois parceiros, e nunca usou preservativo ou métodos contraceptivos. Quanto ao exame físico, não está febril e mantém os demais sinais vitais também estáveis. Apresenta secreção esverdeada em cérvice. Seu exame urinário de gravidez é positivo. Uma amostra cervical é positiva para Chlamydia e negativa para N. gonorrhea. teste rápido para HIV não foi reagente. Situação: A paciente é uma adolescente grávida que apresenta uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ela mantém comportamentos sexuais de risco. Conduta: Solicitar exames do protocolo de pré-natal. Agendar a próxima consulta de pré-natal para a avaliação dos exames. Realizar a abordagem sindrômica e tratamento da IST. Convocar parceiros para tratamento e para abordagem educativa. Realizar a abordagem educativa a respeito de sexo seguro e de comportamentos de risco. Abordar as questões éticas sobre a idade da paciente, gravidez e necessidade de comunicação com parceiros. Os dilemas da vigilância em saúde: que dizer à paciente? Adolescência? Gravidez? IST? Comportamentos de risco? Notificação compulsória? Casos complexos como esse acontecem no cotidiano dos trabalhadores da saúde. É responsabilidade dos profissionais notificarem a ocorrência de doenças e agravos relacionados aos pacientes e parceiros. A notificação dos parceiros é um modo de controlar a disseminação da doença garantir diagnóstico e tratamento rápidos e adequados. Sobre sigilo, este deve ser guardado desde que não coloque outros em risco ou em situações extremas. É responsabilidade do profissional garantir tratamento adequado, acompanhamento dos grupos prioritários e implementar ações educativas que promovam a saúde em seu território de atuação. Manter-se atento e atualizado em relação às doenças de notificação compulsória em território brasileiro, por meio de "Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública" divulgada e atualizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. profissional deve ser capaz de transformar dados clínicos e contextuais em hipóteses diagnósticas e planos de cuidado viáveis, pactuados com a usuária, incluindo autocuidado, acompanhamento e adequados. A atuação deve envolver uso crítico de protocolos, seleção apropriada de exames, registro claro e definição de indicadores, sempre com foco na equidade e na proteção de direitos. Mais do que seguir etapas, é essencial que cada atendimento fortaleça vínculo, a resolutividade e a coordenação do cuidado, consolidando a atenção primária à saúde como porta de entrada e organizadora da atenção à saúde no território.