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Aula Justiça Restaurativa
Objetivo Geral: Aprofundar o entendimento sobre a Justiça Restaurativa no Brasil, detalhando seu fundamento conceitual, evolução legislativa, disposições da Resolução CNJ n. 225/2016, fases do procedimento, perfil dos participantes, objetivos específicos e suas áreas de aplicação.
Profa. Carolina Ramos
1
Introdução
A Justiça Restaurativa se diferencia do modelo punitivo tradicional ao buscar a reparação harmônica dos danos causados pelo crime ou conflito.
Em vez de centrar-se apenas na imposição de sanções ao autor, valoriza o diálogo entre vítima, ofensor e comunidade, visando restaurar vínculos sociais e reparar prejuízos materiais, emocionais e morais.
2
Breve Histórico da Lei
Recomendações da ONU
A partir dos anos 1990, a ONU emitiu recomendações (Res. 1999/26, 2000/14, 2002/12) incentivando a adoção de práticas restaurativas pelos sistemas de justiça de seus Estados-membros.
Resolução CNJ 225/2016
Instituiu formalmente a Política Nacional de Justiça Restaurativa no âmbito do Poder Judiciário, definindo seus conceitos, princípios e diretrizes (art. 1º a 4º)
Atualizações Normativas
As Resoluções CNJ n. 300/2019 (ampliação de formas de aplicação), 458/2022 (formação de facilitadores) e 592/2024 (inclusão em escolas e sistema socioeducativo) consolidam e expandem as práticas restaurativas no Brasil
3
Disposições da Resolução CNJ 225/2016 - Parte 1
Art. 1º
Conceitua prática restaurativa, procedimento restaurativo, sessão restaurativa e enfoque restaurativo.
Art. 2º
Estabelece os princípios orientadores: voluntariedade, participação, confidencialidade, informalidade e consenso.
Art. 3º
Define competências do CNJ (formular políticas), dos tribunais (implementar práticas) e dos facilitadores (conduzir sessões).
4
Disposições da Resolução CNJ 225/2016 - Parte 2
Art. 4º
Preconiza a institucionalização da Justiça Restaurativa em varas criminais, familiares e de infância e juventude.
Art. 5º
Determina a oferta de formação continuada a facilitadores e a criação de núcleos de justiça restaurativa nos tribunais.
Art. 6º
Estabelece diretrizes para os tribunais para implementação de projetos ou espaços de serviço para atendimento de Justiça Restaurativa.
Art. 7º e 8º
Estabelece o atendimento restaurativo em âmbito judicial e os procedimentos restaurativos em sessões coordenadas.
5
Fases do Procedimento Restaurativo
Encaminhamento (Art. 7º)
Identificação do caso por magistrado, MP, Defensoria ou auto encaminhamento de ofensor ou vítima.
Preparo (Art. 8º)
Pré-sessões individuais com facilitador, esclarecendo voluntariedade, papel das partes e objetivos.
Sessão Restaurativa (Art. 9º)
Encontro coletivo mediado, onde vítima expõe danos, ofensor assume responsabilidade e todos colaboram na reparação.
Acordo Restaurativo (Art. 10º)
Formalização de compromissos (reparação material, simbólica, serviço à comunidade), documentada em termo.
Acompanhamento e Encerramento (Art. 11º)
Monitoramento do cumprimento do acordo pelo facilitador com homologação judicial.
6
Participantes do Processo Restaurativo
Vítima
Parte central, expõe os danos sofridos e suas necessidades.
Ofensor
Reconhece o ato e participa ativamente da reparação.
Comunidade
Familiares, vizinhos, representantes de órgãos sociais ou comunitários, que colaboram para a restauração dos vínculos.
Facilitadores (Art. 6º)
Profissionais capacitados (servidores, voluntários, psicólogos, assistentes sociais) responsáveis pela condução do processo.
Instituições
Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos de assistência social.
7
Objetivos da Justiça Restaurativa
Pertencimento da vítima no processo
Dar voz e protagonismo no processo de justiça
Prevenção de reincidência
Redução de riscos de nova infração
Fortalecimento comunitário
Reconstrução de laços sociais afetados pelo conflito
Assunção de responsabilidade
Ofensor reconhece e se compromete a reparar
Reparar danos
Compensação integral de prejuízos materiais e emocionais
8
Aplicabilidade da Justiça Restaurativa
Criminal
Inserção em procedimentos de transação penal, composição civil, suspensão condicional do processo e varas especializadas (Art. 12º).
Socioeducativo
Adoção no sistema para adolescentes infratores conforme Lei 12.594/2012.
Escolar
Programas de mediação para conflitos em instituições de ensino (atualização pela Res. CNJ 592/2024).
Políticas Públicas Integradas
Parcerias com segurança pública, assistência social, saúde e educação para execução de programas restaurativos.
9
Princípios Orientadores da Justiça Restaurativa
Voluntariedade
Participação livre e consentida de todos os envolvidos
Participação
Inclusão ativa de vítimas, ofensores e comunidade
Confidencialidade
Proteção das informações compartilhadas durante o processo
Informalidade
Procedimentos flexíveis e adaptáveis às necessidades dos participantes
Consenso
Busca de soluções acordadas entre todos os envolvidos
10
Formação de Facilitadores
Capacitação Inicial
Formação teórica sobre princípios e técnicas restaurativas
Prática Supervisionada
Condução de sessões sob orientação de facilitadores experientes
Certificação
Reconhecimento formal da capacidade para conduzir procedimentos
Formação Continuada
Atualização permanente conforme Resolução CNJ 458/2022
11
Benefícios da Justiça Restaurativa
Para a Vítima
Oportunidade de expressar sentimentos, necessidades e participar ativamente da resolução do conflito, promovendo a cura emocional e recuperação do senso de segurança.
Para o Ofensor
Chance de compreender o impacto de suas ações, assumir responsabilidade e reparar os danos causados, facilitando sua reintegração social.
Para a Comunidade
Fortalecimento dos laços sociais, redução da reincidência e promoção de uma cultura de paz e diálogo na resolução de conflitos.
12
Comparação: Justiça Tradicional vs. Restaurativa
Aspecto
Justiça Tradicional
Justiça Restaurativa
Foco
Punição do ofensor
Reparação dos danos
Papel da vítima
Testemunha
Protagonista
Papel do ofensor
Receptor passivo da pena
Participante ativo na reparação
Comunidade
Pouco envolvida
Parte integrante do processo
Resultado
Sentença imposta
Acordo construído coletivamente
13
Desafios na Implementação
Estruturação
Criação de espaços adequados e equipes capacitadas nos tribunais
Formação
Capacitação contínua de facilitadores e sensibilização de operadores do direito
2
Integração
Harmonização com o sistema de justiça tradicional
3
Avaliação
Mensuração de resultados e aprimoramento contínuo das práticas
14
Referências Normativas: 
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução CNJ n. 225/2016. Diário da Justiça Eletrônico.
BRASIL. CNJ. Resolução n. 300/2019; Diário da Justiça Eletrônico.
BRASIL. CNJ. Resolução 458/2022; Diário da Justiça Eletrônico.
BRASIL. CNJ. 592/2024. Diário da Justiça Eletrônico.
15
Links do documentário:
https://youtu.be/V_pwdSe-YGc?si=Ve-udDhJQ9K7qjht
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