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Modelo de Peça Prático Profissional EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE xxx DO ESTADO DE SÃO PAULO Processo nº.: xxx (Ação de Execução Fiscal - Dívida Ativa) x, brasileiro, x, x inscrito no RG nº x e sob CPF nº x, residente e domiciliado à Rua x neste ato devidamente representado por seus procuradores, vem, através de seus Advogados e bastante Procuradores, (doc. anexo) na AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL que lhe move a PREFEITURA MUNICIPAL, já devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, apresentar EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas: I. DO CABIMENTO DA EXCESSÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE Conforme construção doutrinária e entendimento jurisprudencial, o instituto da Exceção de Pré-Executividade, pode ser arguido por simples petição, desde que desnecessária qualquer dilação probatória, ou seja, por prova documental inequívoca, demonstrando a inviabilidade da Execução. Nesse sentido vejamos o elucidado por Alvim Neto a respeito da exceção de pré-executividade, in verbis: "Técnica pela qual o executado, no curso do próprio procedimento executivo, e sem a necessidade de observância dos requisitos necessários aos embargos do devedor ou da impugnação, suscita alguma questão relativa à admissibilidade ou à validade dos atos executivos, que poderia ser conhecida de ofício pelo juiz. Para tanto, exige, a jurisprudência, que a questão a ser suscitada esteja dentre aquelas que poderia ser conhecidas ex officio pelo juiz, e que, ademais, não seja necessária dilação probatória para sua solução. Caso contrário, ausente alguma dessas condições, não se admite alegação da matéria pela via da exceção de pré- executividade, cabendo, ao devedor, manejar embargos ou impugnação" (Destaquei) Pelo que se vislumbra no caso em tela, a presente exceção de pré-executividade é o remédio jurídico adequado para apontar a irregularidade, a qual vicia a continuidade da marcha processual da presente execução, como se restará demonstrado adiante. II. DOS FATOS A Prefeitura Municipal de x/SP, ora Exequente, ajuizou Execução Fiscal em face de x, ora Executado, aduzindo em sua exordial que o réu não efetuou os pagamentos dos Impostos denominados IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) do ano de 2013 a 2017 do imóvel sob inscrição nº x, localizado à Rua x e, requerendo com isso, os respectivos pagamentos com os acréscimos legais, custas e honorários, totalizando o valor de R$x). Ocorre que o suposto débito gerou como consequência certidões de dívida ativa em nome do Executado sob o nº x; nº x; nº x; nº x e, nº x. Nesse diapasão, o Município ingressou com DUAS ações de Execução Fiscal, o primeiro processo sob nº x, referente as três primeiras CDAs e o segundo processo sob nº x, referente às duas últimas CDAs. No decorrer de ambos os processos a Prefeitura requereu a suspensão do feito por 180 dias, nos termos do art. 151, VI, do Código Tributário Nacional, ora, tendo em vista o parcelamento do débito realizado pelo atual proprietário do referido imóvel Sr. x, aquele constante na Matrícula do Imóvel atualizada. Ocorre, Excelência, que apesar da suspensão a execução fiscal, o Réu já vem sofrendo as consequências da execução sem se quer ser o responsável por tal, isso pois, JÁ TEVE SUAS CONTAS BANCÁRIAS BLOQUEADAS DEVIDO A DECISÃO JUDICIAL DE PENHORA ONLINE PELO SISTEMA SISBAJUD, conforme demonstrado por documento anexo. Ainda, é necessário salientar que PERMANECE AINDA A INSCRIÇÃO DE SEU NOME NO CADASTRO IMOBILIÁRIO DE UM IMÓVEL QUE NÃO O PERTENCE, o que possivelmente continuará a gerar certidões de dívida ativa, cobranças e provavelmente uma nova ação de execução o que lhe trará novos infortúnios, além dos já mencionados, razão pela qual se faz necessária a presente Exceção de Pré Executividade, a fim de prevenir novos danos, bem como sanar aqueles danos causados por uma execução errônea que surtiu efeitos ao Executado sem que lhe fosse dado causa. III. DO DIREITO Verifica-se das certidões de dívida ativa nº x; nº x; nº x; nº x; e, nº x, acostadas aos autos que o débito apontado se refere ao IPTU ao exercício dos anos de 2013 à 2017, incidente sobre o imóvel acima mencionado. No entanto, o ora Executado não pode responder pela dívida apontada, tendo em vista não ser parte legítima para tanto, o que sera demonstrado no decorrer desta presente Exceção. A razão da referida ilegitimidade de parte pode ser verificada na Matrícula do imóvel, onde o Executado vendeu o imóvel ao Sr. x, conforme se verifica na Matrícula do Imóvel anexa, a unidade foi vendida em x, momento anterior ao início das execuções frente ao ilegítimo Executado. Assim, observe-se imagem da matrícula: XXXXXXXXXX Tanto é verídico o fato da venda do referido imóvel ao Sr. x que este firmou Alienação fiduciária juntamente à Caixa Econômica Federal, ou seja, o comprador x realmente adquiriu o imóvel in tela no momento mencionado na matrícula, ainda. Observe-se que, o comprador Sr. x atuou como legítimo proprietário do imóvel, assim, resta evidenciado que nesta época, o ora Executado já não possuia relação alguma com o imóvel gerador do IPTU. XXXXXXXXXXXXXXXXXXX IMAGEM DA MATRÍCULA Nesse sentido, vale destacar, a fim de demonstrar a ausência de responsabilidade do Executado, que o proprietário responsável pelo pagamento do IPTU na época dos fatos, tanto era proprietário que, além de alienar fiduciariamente o imóvel, realizou a venda da unidade em tela, observe: XXXXXXXXXXXXXXXXXX Ora, Excelência, resta evidente que desde 2014 o imóvel não pertence ao Executado, tendo o mesmo já passado pela propriedade e domínio de dois outros titulares, que atuaram e administraram o bem como real proprietários. Ainda, é válido reiterar nesse momento que o Sr. x, atual proprietário do imóvel gerador, fora o responsável pelo parcelamento do débito fiscal que gerou a suspensão dos processos de execução em face do Executado x, ora, clarividente se torna a questão pois o atual proprietário reconhece tacitamente sua responsabilidade quanto ao adimplemento dos impostos referentes ao imóvel, como o IPTU. Os fatos acima narrados nos fazem concluir que o Sr. x é o legítimo proprietário do imóvel que ensejou a presente demanda, isso pois, é o atual proprietário do imóvel e, sabido que o IPTU se trata de obrigação propter rem, ao adquirir o imóvel do Sr. x, passou a ser o responsável por todos os débitos. Assim, há muito tempo o Executado não deveria figurar como proprietária do imóvel que originou o objeto desta lide, o que confirma a ilegitimidade do Executado para figurar no polo passivo da presente ação, portanto, verifica-se que o Sr. x é o único responsável para responder pelos referidos débitos. A nossa Constituição Federal prevê a cobrança de impostos municipais relativos à propriedade urbana em seu artigo 156 e também em seu artigo 182 § 4º, determina a faculdade do Poder Público Municipal, mediante lei específica, exigir do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana. Analisando o texto legal do Código Tributário Nacional, o IPTU tem como fato gerador a PROPRIEDADE, O DOMÍNIO ÚTIL OU A POSSE e como contribuinte aquele que é TITULAR DO DOMÍNIO ÚTIL OU DA POSSE A QUALQUER TÍTULO (art. 32 e art. 34 do CTN). O Código Tributário Nacional estabelece em seu artigo 32 o que segue; “Art. 32 – O imposto de competência dos Municípios sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, com definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.” (destaquei). Ora Excelência, o que podemos constatar ante os motivos e comprovações apresentadas, é que o Sr. x, além de ser proprietário, têm o domínio útil, é também possuidora do imóvel que originou a dívida ora discutida, sendo assim, o x, ora Executado, não é proprietário, não é possuidor e não tem o domínio útil do referido imóvel.Em consonância com o que determina a nossa Constituição Federal, o CTN estabelece que o contribuinte do imposto é o titular do imóvel ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos do artigo 34 que segue abaixo: “ Art. 34 – Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.” Na Matrícula do Imóvel atualizada e em anexo e demais documentos acostados, é possível verificar que o imóvel objeto do imposto não apenas é de propriedade de terceiros, como o é há muitos anos, antes mesmo do fato gerador do tributo ora discutido e executado. A jurisprudência em casos análogos tem mantido o referido entendimento: “AGRAVO DE INSTRUMENTO – Execução Fiscal - Ilegitimidade do vendedor para figurar no pólo passivo da execução fiscal – Admissibilidade – Contrato de Compra e Venda anteriormente ao vencimento do crédito tributário – Recurso provido.” (Agravo de Instrumento nº 0211807-19.2012.8.26.0000, Voto nº 2895, relator Rodolfo César Milano) (Destaquei) “IPTU - Legitimidade passiva Empresa executada pelo Fisco Municipal que opõe embargos à execução fiscal, aduzindo ser parte passiva ilegítima, eis que o imóvel, objeto da tributação, já não lhe pertence há mais de dez anos - Compromisso de venda e compra regularmente celebrado, não tendo os adquirentes do imóvel, malgrado já terem obtido a quitação, efetuado o registro do título - Fato que não implica em responsabilidade passiva da agravante - Exceção de pre executividade que se acolhe, para excluir a agravante da lide - Recurso provido"(Agravo de Instrumento 514.322/6, Relator Wanderley José Federighi). (Destaquei) "Execução fiscal. Objeção de pre executividade. Agravo de instrumento contra decisão que indeferiu pedido de exclusão da executada do pólo passivo. Promessa de compra e venda do imóvel celebrada há muitos anos. Responsabilidade tributária do compromissário comprador. Recurso provido."(Agravo de Instrumento 657.972-5/0-00, relator Desembargador Marino Neto). (Destaquei) “APELAÇÃO - Execução Fiscal interposta contra antigo proprietário - Compromisso Particular de Venda e Compra não registrado - Ilegitimidade de parte - Exclusão do recorrente do pólo passivo da execução fiscal. Recurso provido." (Agravo de Instrumento 618.293-5/5- 00, relator Desembargador João Alberto Pezarini). (Destaquei) "IPTU - Imóvel compromissado à venda por instrumento particular firmado antes da ocorrência do fato gerador, sem ter sido levado a registro - Execução fiscal contra o proprietário - Ilegitimidade 'ad causam' deste - Obrigação que, por ser posterior ao compromisso e à imissão na posse, passou a caber ao compromissário comprador - Inteligência do artigo 34 do Código Tributário Nacional - Agravo provido para excluir o proprietário do polo passivo da relação processual da execução, facultado à Fazenda Exequente emendar o título executivo, como autoriza o artigo 2º, § 8º, da Lei das Execuções Fiscais" (Agravo de Instrumento 522.222/9, relator Marcos Zanuzzi). (Destaquei) Ante os fatos acima demonstrados, restou comprovado nos autos que o Executado, não é o proprietário do imóvel o qual incidiu os IPTUs constantes nas 5 (CINCO) Certidões de Dívida Ativa que fundamentam ambas as execuções, comprovada está a sua ilegitimidade, devendo a ação ser extinta com resolução do mérito, nos termos da legislação processual vigente. Portanto, Excelência, a Execução fiscal do caso em tela não deve prosperar, pelas razões e fundamentações aqui demonstradas. Conforme expendido acima, podemos concluir que desde a data já mencionada, as obrigações referentes aos impostos são de inteira responsabilidade do Sr. x, ÚLTIMO adquirente da propriedade, pelo qual, devido o caráter propter rem da dívida, este, tacitamente se tornou inteiro responsável, pelo sentido de que, o IPTU está relacionado à propriedade por si do imóvel. IV. DO DESBLOQUEIO DE CONTA BANCÁRIA Excelência, o saldo bloqueado na conta do Executado é de natureza alimentar, ou seja, decorrente de seu salário/vencimento. O que o torna IMPENHORÁVEL, conforme preceitua o artigo 833, IV do CPC. O Executado pede que Vossa Excelência invalide todos os bloqueios realizados em nome do Demandado sob pena de danos irreparáveis e de difícil reparação, tendo em vista a natureza originária daquele valor bloqueado em conta, que vem prejudicando demasiadamente a subsistência do Executado. V. DA CONCLUSÃO Assim, Excelência, conforme demonstra os documentos juntados nesta, o Executado em momento algum ficou inadimplente com a Fazenda Municipal, pois os referidos impostos que foram imputados a esta, não lhe pertencem, ou seja, o imóvel foi vendido em meados de 2014, conforme instrumento particular de venda e compra bem ressalvado na Matrícula do Imóvel, e a execução fiscal é de um período posterior, como está demonstrado na exordial, portanto, não existem razões para esta execução prosperar em face de x, ora Executado. Em virtude das razões de fato e de direito descritas nesta Exceção de Pré-Executividade, requer seja acolhida a presente medida para que este juízo conheça de ofício a matéria apresentada, com a consequente extinção da presente execução, em razão da existência de ilegitimidade passiva da executada para figurar no pólo passivo da presente demanda. Se, contudo, o que não se espera porém se admite, caso a presente Exceção seja julgada improcedente, para que o Executado não venha sofrer maiores prejuízos do aqueles que já vem sofrendo, como bloqueio de contas bancárias, em decorrência da inércia do adquirente e atual proprietário, requer, a inclusão do Sr. x no polo passivo da execução fiscal, para que em caso de não pagamento do parcelamento pactuado entre o atual proprietário e o munícipio, anexo, que seja decretada a penhora do imóvel, medida esta mais justa e razoável, pelo histórico aqui apresentado e inclusive por se tratar de dívida propter-rem. VI. DOS PEDIDOS FINAIS Ante o exposto, requer que Vossa Excelência: a) a exclusão do Sr. x do pólo passivo da demanda por ilegitimidade de parte, pelos motivos acima mencionados e o desbloqueio judicial de sua conta bancária, conforme documento anexo; b) protesta, desde logo, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos; c) em caso de improcedência da Exceção, requer a inclusão do Sr. x, no polo passivo da presente demanda, com citação no endereço do imóvel, para que continue a adimplir com a sua responsabilidade assumida perante o parcelamento anexo, sob pena de penhora do imóvel, por se tratar de dívida propter-rem, além de ser a medida esta mais justa e razoável, pelo histórico aqui apresentado e; d) determine a juntada dos seguintes documentos: i. procuração “ad-judicia”; ii. Matrícula do imóvel nº x. parcelamento feito pelo Sr. x em ambas execuções sofridas pelo Sr. x, cuja qual assume total responsabilidade. Termos em que Pede deferimento. x, data do protocolo digital. ADVOGADO OAB image1.png