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Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI Lesões benignas das pregas vocais Visão Geral ● anatomia: ● histologia - as pregas vocais possuem 3 camadas; • epitélio; • lâmina própria (dividida em 3 partes): - superficial – espaço de reinke; - intermediária; - profunda – ligamento vocal); • músculo vocal (fibras medial do músculo tireoaritenóide); - é o músculo tireoaritenóideo; lesões fonotraumáticas ● as lesões fonotraumáticas são aquelas decorrentes de abuso vocal (agudo e/ou insidioso [trabalho que use a voz]) – alterações estruturais das pregas vocais adquiridas ao longo da vida devido a abuso vocal agudo ou crônico; • lesões superficiais - poupam o ligamento vocal, acometendo apenas o epitélio e a camada superficial da lâmina própria; - podem afetar o espaço de Reinke; ● três tipos principais - nódulos, pólipos e edema de reinke; ● nódulos vocais - espessamento da borda livre de ambas PVs na junção dos terços anterior e médio (poupa o ligamento vocal); • epidemiologia: - adultos - mais comum em mulheres (proporção glótica menor - 1:1), enquanto o homem apresenta comprimento anterior maior do que o posterior, diminuindo o impacto durante a fonação; - crianças - mais comum em meninos, por maior abuso vocal em atividades recreativas; Nódulos fonotraumáticos Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI • fisiopatologia - o abuso vocal repetitivo ocasiona ruptura do espaço de reinke; - ocorre ruptura da microcirculação na camada superficial da lâmina própria, gerando hematoma e inflamação local, o que gera fibrose, incorrendo em hiperqueratose da camada epitelial e consequente aumento da rigidez e da massa das pregas vocais; - a maior taxa de ácido hialurônico induz menor predisposição a nódulos (maior concentração de água na lâmina própria, reduzindo o impacto nas pregas vocais); • diagnóstico - história clínica e laringoscopia (pode-se empregar estroboscopia, se dúvida diagnóstica); • tratamento - fonoterapia e mudança de hábitos vocais como primeira opção, sendo a cirurgia empregada nos casos refratários; ● pólipos - processo inflamatório geralmente unilateral, cuja massa da lesão é maior do que a base, com exsudato de fibrina em meio a fibroblastos e vasos neoformados; • acomete a lâmina própria mais profundamente em relação aos nódulos, mas poupa também o ligamento vocal; • mais vascularizados do que os nódulos; • epidemiologia - raros em crianças; • fisiopatologia - relação com trauma vocal excessivo, causador de sangramento na camada superficial da lâmina própria, incorrendo em processo inflamatório e a formação do pólipo; • aspectos - angiomatoso, fibroso e edematoso; • manifestações clínicas - disfonia de início súbito relacionada ao uso vocal intenso, geralmente identificada pelo paciente; voz rouca e soprosa, podendo • apresentar aspereza e diplofonia; • diagnóstico - história clínica, análise perceptiva e laringoscopia – sempre investigar outras alterações associadas (cistos, sulcos); Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI • tratamento - cirúrgico; - se lesão pequena em paciente não tabagista e/ou pouco sintomático, pode-se tentar fonoterapia e higiene vocal; Pólipo fonotraumático ● edema de reinke - processo inflamatório crônico da camada superficial da lâmina própria (mixedema), geralmente bilateral e assimétrico; • epidemiologia - forte relação com tabagismo; - outros fatores de risco - refluxo laringofaríngeo e abuso vocal; - tipicamente acomete o sexo feminino, e há piora da voz após a menopausa; - fraca associação entre a lesão e neoplasia/displasia - fator protetor (?); - existe relação entre o grau do edema e o número de cigarros por dia; • classificação: - grau I - contato apenas da porção anterior das PVs; - grau II - contato das porções média e anterior; - grau III - contato de toda porção membranosa das PVs; Grau I x Grau II x Grau III • manifestações clínicas - disfonia lentamente progressiva (voz grave→ rouquidão), “masculinização” da voz* e, raramente, dispneia; * o aumento do peso da roda vocal deixa a voz mais grave, mais masculina; • diagnóstico - história clínica, análise perceptiva e laringoscopia (procurar por sinais de displasia associados); • tratamento - controle dos fatores causais: cessar tabagismo, tratamento do refluxo, evitar abuso vocal; - cirurgia (para melhora vocal) – não é efetiva se o paciente não mudar os hábitos de vida, especialmente cessação do tabagismo, ocasionando recidiva; - acompanhamento (observar o surgimento de displasias/neoplasias); Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI ● AEMS - alterações estruturais mínimas: • são variações constitucionais na anatomia laríngea, cuja expressão clínica se restringe à fonação; • classificação - assimetria, variações da proporção glótica e alterações da cobertura; - assimetria - geralmente assintomática, pode gerar fadiga vocal e lesões secundárias (pólipos, outras aems) conforme o uso vocal; cirurgia reservada para o tratamento de lesões secundárias; Laringe com assimetria laríngea moderada. Nota-se a menor extensão da prega vocal esquerda em relação à prega vocal direita. • variações da proporção glótica - a proporção glótica é a relação entre as dimensões sagitais medianas das porções intermembranácea (região fonatória) e intercartilaginosa (região respiratória) da glote durante a inspiração confortável; dependendo da proporção glótica, algumas laringes são mais suscetíveis a determinadas alterações; - proporção glótica masculina - 1,3 (maior área fonatória) – maior suscetibilidade a lesões da região posterior, como granulomas; - proporção glótica feminina - 1 (menor área fonatória) – maior suscetibilidade a lesões da região anterior, como nódulos; - proporção glótica infantil - 0,9 (menor área fonatória) – maior suscetibilidade a lesões da região anterior, como nódulos; • alterações da cobertura; – forma indiferenciada - não há modificação na forma da prega vocal, apenas desarranjos estruturais que impedem ou dificultam a adequada vibração, prejudicando a formação da onda mucosa; é uma alteração vista pela estroboscopia apenas durante a fonação; a alteração vocal é percebida apenas quando há demanda profissional da voz; - o tratamento de primeira linha é a fonoterapia, sendo esta associada à cirurgia nos casos refratários; — formas diferenciadas; - sulco-bolsa - depressão profunda na PV com abertura para o exterior em que os lábios inferior e superior mantêm contato, formando uma cavidade no seu interior; seu fundo encontra-se aderido ao ligamento vocal em menor ou maior grau; é comum apresentar-se como monocordite e com lesões secundárias; tratamento com Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI fonoterapia e cirurgia, conforme a intensidade dos sintomas; Procedimento cirúrgico expondo um sulco-bolsa na prega vocal esquerda - sulco-estria - depressão no eixo longitudinal da PV, com uma borda superior e inferior, geralmente bilateral e assimétrica; ao exame, verifica-se formação de fenda fusiforme (prega não se junta e o espa;o faz com que a vó fique mais áspera e “soprosa") e redução da onda mucosa à fonação; tratamento com fonoterapia (sulcos menores e menos sintomáticos) e cirurgia + fono (casos mais sintomáticos e sulcos maiores); Pregas vocais em posição respiratória, apresentando sulco-estria maior bilateral Sulco estria em posição fonatória - cisto epidermóide - forma nodular/cística branco-amarelada no interior da PV, geralmente unilateral (pode fazer reação contralateral), superficial (quando em contato com a camada epitelial, mais sintomático) ou profundo (quando separado da camada epitelial por tecido conjuntivo, causando menor prejuízo vocal); é assintomático se pequeno ou manifesta-se com disfonia (voz rouca, áspera e bitonal); a estroboscopia demonstra diminuição ou ausência da onda mucosa, enquanto da laringoscopia indica lesão e fenda em ampulheta ou fusiforme à fonação; tratamento comfonoterapia para assintomáticos ou pouco sintomáticos, podendo associar cirurgia; Representação esquemática de um cisto epidermóide Cisto epidermóide em videolaringoscopia - microdiafragma - fina membrana que une as porções anteriores das PVs na comissura anterior; quando isolada, geralmente é assintomática; favorece a formação de nódulos vocais ao diminuir a área livre da porção intermembranácea das Gabriel Lazzarotto – Medicina T4 URI PVs; tratamento conservador com fonoterapia ou cirúrgico quando associado a cirurgia para os nódulos; Pregas vocais em posição respiratória apresentando microdiafragma - ponte de mucosa - fita de mucosa disposta à semelhança de uma alça de bolsa, paralelamente à borda livre da PV, composta por um eixo central de tecido conjuntivo recoberto por epitélio; é a mais rara das AEMs, com diagnóstico difícil; assintomática na maioria das vezes, podendo ocasionar fadiga vocal e disfonia quando associada a outras aems ou outras lesões; - vasculodisgenesia - vasos dilatados que não conservam a direção e as características normais, geralmente acompanhada de outras aems; geralmente não afeta a voz, sem indicação cirúrgica; Videolaringoscopia mostrando vasculodisgenesia outras ● granuloma posterior - relação com refluxo faringolaríngeo e história de IOT prolongada (disfonia que começou no pós-extubação; • tratamento - clínico ou cirurgia para refratários e sintomáticos; - uso de inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol); ● papilomatose laríngea - lesão causada pelo HPV, recidivante, pré-maligna e com tratamento cirúrgico; • maior risco de ca de laringe (lesão pré-maligna) – responde por ~5% dos casos; • é a causa mais comum de carcinoma de faringe superior, nos pacientes não fumantes; • tratamento cirúrgico;