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Quem são os criminosos - Augusto Thompson - Resumo

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97 pág.

Criminologia Pontifícia Universidade Católica do Rio de JaneiroPontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

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## Resumo da Obra "Quem São os Criminosos? Crime e Criminosos: Entes Políticos"A obra aborda de forma crítica e profunda o fenômeno do crime e da criminalidade, destacando a chamada **"cifra negra"** — o conjunto de crimes que não são registrados ou efetivamente processados pelo sistema de justiça criminal. O texto inicia com uma análise da discrepância entre os crimes oficialmente contabilizados e a realidade oculta, mostrando que a grande maioria das infrações penais não chega ao conhecimento das autoridades ou não resulta em condenação. Essa lacuna, denominada cifra negra, é explicada por diversos fatores, como a não comunicação dos crimes pelas vítimas, a atuação protecionista e corporativa da polícia, a falta de investigação efetiva, o arquivamento de inquéritos e a discricionariedade dos promotores e juízes.O processo que leva um crime a ser formalmente reconhecido e punido é complexo e repleto de etapas que podem interromper a cadeia de responsabilização do autor. Desde o relato à polícia até a execução da pena, muitos casos são perdidos, seja por omissão, negligência, corrupção ou por decisões estratégicas que visam economizar recursos e evitar o colapso do sistema judicial. O texto destaca que, no Brasil, estima-se que pelo menos metade dos crimes praticados não são formalmente registrados, e que a cifra negra é ainda maior do que em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Além disso, o sistema penal brasileiro apresenta uma população carcerária muito inferior ao número real de criminosos, evidenciando a seletividade e ineficácia do aparato repressivo.Outro ponto central da obra é a crítica à **criminologia tradicional**, que se apoia em três postulados principais: o crime seria um fenômeno natural, passível de ser estudado pelas mesmas metodologias das ciências naturais, e que a observação dos criminosos oficiais permitiria identificar e eliminar as causas do crime. O autor desmonta essas premissas, argumentando que o crime é uma construção social e jurídica, dependente das normas vigentes, que variam conforme o tempo e o espaço, e que não pode ser tratado como um objeto fixo e natural. Além disso, a criminologia positivista ignora a complexidade social e política que envolve o fenômeno criminal, reduzindo-o a um problema técnico e científico, desconsiderando o papel do poder, das elites e das desigualdades sociais na definição do que é crime e quem são os criminosos.### Principais Temas e Conceitos- **Cifra Negra:** Refere-se ao conjunto de crimes que não são registrados oficialmente, seja por não serem denunciados, por não serem investigados, ou por serem arquivados. Essa cifra representa a maior parte da criminalidade real, obscurecendo o entendimento público e oficial sobre o fenômeno criminal.- **Processo Penal e Discricionariedade:** O caminho do crime até a punição formal envolve múltiplas etapas, cada uma com possibilidade de interrupção. A polícia pode não registrar o fato, pode haver proteção interna para agentes envolvidos, promotores podem arquivar inquéritos por falta de provas ou por outras motivações, e juízes podem absolver réus por insuficiência de evidências. Essa discricionariedade contribui para a ampliação da cifra negra.- **Crítica à Criminologia Tradicional:** O texto questiona a visão positivista que trata o crime como fenômeno natural e objetivo, passível de estudo científico estrito. O crime é, na verdade, uma construção jurídica e social, sujeita a variações históricas e culturais, e influenciada por relações de poder e interesses políticos.- **Desigualdade e Poder:** A obra destaca que o sistema penal não é neutro, mas reflete e reforça desigualdades sociais. A justiça é concebida e aplicada de forma que mantém privilégios e hierarquias, legitimando a exclusão e a marginalização de determinados grupos sociais.- **Implicações para a Justiça e a Sociedade:** A existência da cifra negra e a seletividade do sistema penal enfraquecem a eficácia da punição e a confiança social na justiça. Além disso, a ocultação da verdadeira extensão da criminalidade impede políticas públicas eficazes e alimenta percepções distorcidas sobre o crime e os criminosos.### Exemplos e Dados Relevantes- Em cidades como Nova Iorque e Filadélfia, pesquisas indicam que o número real de crimes pode ser várias vezes maior do que o registrado oficialmente, com índices que variam de duas a dez vezes mais crimes não reportados.- No Brasil, a Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro registrava milhares de inquéritos de homicídios sem solução, evidenciando a dificuldade do sistema em identificar e punir os autores.- Casos de crimes cometidos por policiais, como homicídios em autos de resistência, são frequentemente tratados internamente, sem investigação judicial adequada, contribuindo para a impunidade e para o aumento da cifra negra.- A prática do arquivamento sumário de inquéritos e sindicâncias administrativas, muitas vezes sem motivação clara, é comum e serve para proteger agentes públicos e evitar o desgaste do sistema.### Conclusões e ReflexõesA obra conclui que a cifra negra é um fenômeno estrutural e sistêmico, que revela as limitações e contradições do sistema penal e da criminologia tradicional. A ocultação da verdadeira dimensão da criminalidade impede a formulação de políticas públicas eficazes e alimenta uma visão distorcida do crime, que serve aos interesses das elites e do poder dominante. Para avançar no entendimento e no enfrentamento do crime, é necessário superar a visão positivista e adotar uma abordagem crítica que reconheça o papel das relações sociais, políticas e econômicas na definição do que é crime e quem são os criminosos.Além disso, o texto sugere que o sistema penal brasileiro, ao privilegiar a seletividade e a exclusão, contribui para a perpetuação das desigualdades sociais e para a marginalização de grandes parcelas da população, o que, por sua vez, alimenta o ciclo da criminalidade. A justiça, para ser efetiva e legítima, precisa ser repensada em seus fundamentos e práticas, incorporando uma visão mais ampla e crítica da realidade social.---### Destaques- A **cifra negra** representa a maior parte dos crimes praticados, mas não registrados ou processados pelo sistema penal.- O sistema de justiça criminal brasileiro é marcado por **discricionariedade, proteção interna e arquivamentos**, que ampliam a cifra negra.- A **criminologia tradicional** é criticada por tratar o crime como fenômeno natural e objetivo, ignorando sua construção social e política.- O sistema penal reflete e reforça **desigualdades sociais e relações de poder**, limitando a eficácia da justiça.- Para enfrentar o crime de forma eficaz, é necessário superar visões positivistas e adotar uma abordagem crítica que considere o contexto social e político.

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