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Revista Metodologias e Aprendizado
DOI: 10.21166/metapre.v8i.5640 172
Volume 8 (2025)
Introdução
O que é cartografia? O que são mapas? Quais são as suas funções? Considera-se aquela 
definição difundida da Cartografia como “ciência, técnica e arte” (Menezes; Fernandes, 2013) 
como importante para iniciar uma reflexão sobre isso, porque ela afirma que a Cartografia 
é constituída por teorias e modelos, regras e procedimentos específicos, mas também por 
subjetividades, ao citar a arte (Matsumoto, Catão, 2017). Outro ponto importante é que 
algumas autoras e autores vão comentar que a cartografia é linguagem, ou pelo menos, é 
uma ciência que possui uma linguagem associada (Batista, 2019; Lobato, 2020).
A discussão da história da Cartografia aponta que os mapas surgem como forma de 
representação do ambiente conhecido (Raisz, 1969; Batista, 2019; Batista et al, 2024). É 
no decorrer da história da humanidade e, consequentemente, da história da Cartografia, 
que os mapas passam a ser relacionados com avanços tecnológicos e com a busca pela 
neutralidade, acurácia e precisão da representação (Brotton, 2014).
Conforme foram sendo automatizadas as produções de mapas e com o surgimento de 
Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), a “cultura da técnica” foi se tornando cada 
vez mais evidente (Harley, 1989). O autor comenta que, na época em que escreveu o artigo, 
a Sociedade Cartográfica Britânica propõe duas definições de Cartografia, sendo uma 
destinada ao público geral: “Cartography is the art, science and technology of making maps”1 
(Harley, 1989, p.2) e outra para os cartógrafos: “Cartography is the science and technology of 
analyzing and interpreting geographic relationships, and communicating the results by means 
of maps.”2 (Harley, 1989, p.2). Então, a Cartografia oficial, realizada por profissionais da 
mesma, não estaria relacionada com a arte e logo não seria subjetiva?
1 Tradução nossa: “cartografia é a arte, ciência e tecnologia de fazer mapas”.
2 Cartografia é a ciência e tecnologia que analisa e interpreta relações geográficas e comunica os resultados 
por meio de mapas.
Utilização do philcarto para a construção de 
mapas temáticos: Aplicações para o estudo 
de geografia humana
Gabrieli Tais Drews Rodeck, Amanda Rech Brands, Carla Pizzuti Savia, Natália Lampert Batista 1A
1 - Universidade Federal de Santa Maria
 A - contato principal : natalia.batista@ufsm.br
Resumo: A Cartografia Temática não é neutra. É dotada de intencionalidades nas entrelinhas das opções cartográficas 
adotadas. Isso porque ela comunica o que a pessoa mapeadora tem intenção de comunicar, por meio de convenções 
cartográficas. Além disso, seu objetivo não é a precisão da localização, mas sim a comunicação adequada das 
informações. Nesse contexto, colaborando com a discussão sobre produção de mapas temáticos, o presente trabalho 
propõe apresentar formas de utilização do software Philcarto para a confecção desse tipo de mapa, voltado para os 
estudos de Geografia Humana. Dessa forma, apresenta-se como resultados materiais cartográficos produzidos no 
software citado, espacializando dados divulgados pelo Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE). Discute-se através desses mapas, sobre como as diferentes formas de representações da Cartografia Temática 
resultam em diferentes discursos e sobre a importância de conhecer as convenções cartográficas para produzir e 
interpretar mapas. Concluiu-se que as representações precisam ser interpretadas e decodificadas em suas nuances para 
produzir uma leitura contextualizada com os discursos propostos pelo(a) autor(a) da representação.
http://crossmark.crossref.org/dialog/?doi=10.21166/metapre.v5i.2751&domain=pdf&date_stamp=2022-08-12
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De acordo com Gisele Girardi (2014), existe uma cultura cartográfica na Geografia 
brasileira que associa a Cartografia à técnica e à busca pela representação de uma única 
realidade verdadeira, como se fosse a representação de um espaço absoluto, imutável, fixo. 
De certa forma, a Cartografia Temática tem um papel na difusão dessa cultura geográfica, 
porque foi interpretada como neutra, por estar associada ao uso da semiologia gráfica 
na elaboração de mapas, enfatizando o estabelecimento da melhor forma de comunicar 
informações (Girardi, 2024). 
Porém, o principal argumento deste texto é que mesmo a Cartografia Temática, que 
comumente é relacionada com uma suposta neutralidade científica, na verdade, não é neutra. 
Além disso, o objetivo da Cartografia Temática não é a precisão da localização, por exemplo, 
mas sim a comunicação de uma informação. Ou seja, a Cartografia Temática comunica o que 
a pessoa mapeadora tem intenção de comunicar (há subjetividades!). A partir do momento 
que quem mapeia escolhe a base de dados, o método de representação cartográfica e o 
layout que será utilizado, está-se escolhendo o que mostrar e, consequentemente, o que 
omitir, conforme seu objetivo. Isso não é um problema, desde que se reconheça que o mapa 
está apresentando um discurso (Seemann, 2013), e dessa forma, não é neutro.
Conforme Matsumoto e Catão (2017, p. 2012):
Um mapa pode ser um instrumento a ser utilizado a favor das pesquisas, análises e decisões. Ele é 
utilizado para localizar, informar, descrever, orientar, monitorar e denunciar, auxiliando o tomador 
de decisões. Por outro lado, estas ações também podem ser realizadas de maneira contrária, 
servindo para confundir, enganar, dissimular ou desinformar.
 Diante do exposto, tendo a Cartografia Temática o objetivo de comunicar informações, 
ela utiliza de regras e normas para a representação gráfica. Nesse contexto, mapas temáticos são 
elaborados com base em técnicas e objetivam evitar ambiguidades – monossemia (Martinelli, 2014a; 
2014b; 2016) –, visto que querem comunicar algo específico. Porém, o fato de que o mapa temático 
tenta evitar ambiguidade não exclui o fato de que ele apresenta um discurso e está narrando algo, 
com certa intencionalidade.
 Diante do exposto, o mapa pode ser entendido como uma representação gráfica que facilita 
a compreensão espacial de objetos, conceitos, condições, processos e fatos do mundo humano 
(Harley, 1991). Além disso, também pode ser entendido como linguagem e discurso (Seeman, 2013). 
Assim, a Geografia, enquanto uma ciência que estuda as relações socioespaciais, tem no uso dos 
mapas uma ferramenta com grande potencial para auxiliar na visualização e análise da forma como 
esses fenômenos ocorrem no espaço. 
A Cartografia Geográfica, de acordo com Eduardo Girardi (2024) é a especialidade 
da Geografia que se preocupa com o processo de mapeamento e com o mapa, buscando 
avanços teóricos, metodológicos e técnicos em relação ao processo de construção dos 
mapas com a finalidade de encontrar as melhores formas de utilizar os mapas para analisar 
os fenômenos que ocorrem no espaço geográfico. Esses avanços teóricos, metodológicos e 
técnicos exigem essas discussões sobre a não neutralidade dos mapas, inclusive quando se 
está falando de Cartografia Temática.
Dessa forma, o presente estudo busca apresentar formas de espacializar algumas 
variáveis associadas ao estado do Rio Grande do Sul, utilizando-se dos dados disponibilizados 
pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, do ano de 2022, 
evidenciando algumas das potencialidades do uso da Cartografia Temática pelo software livre 
Philcarto. A principal contribuição se dá por espacializar dados divulgados recentemente e 
por reforçar a utilização de softwares livres na construção do conhecimento geográfico.
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Metodologia 
A Cartografia Temática será trabalhada neste texto por intermédio do aplicativo 
Philcarto, um programa desenvolvido pelogeógrafo francês Philippe Waniez, atualmente 
disponível em francês, inglês, espanhol e português, que viabiliza a produção de mapas 
temáticos (Girardi, 2007). Dessa forma, apresenta-se um breve tutorial de como utilizar-se 
do Philcarto, demonstrando um passo a passo que foi seguido para a produção dos mapas 
discutidos nos resultados.
Como utilizou-se do Philcarto? 
O Philcarto é um programa gratuito para a elaboração de mapas temáticos que completa, 
em 2024, 16 anos! O programa pode ser instalado através do download no site: http://philcarto.
free.fr/01_bienvenue/01_bienvenuePT.html. Cabe ressaltar que segundo a Licença para 
utilização do Philcarto para Windows®, na publicação do mapa elaborado com o software se 
deve apresentar que foi “Elaborado com Philcarto: http://philcarto.free.fr” e que todos os 
direitos de propriedade e autorais frente ao Philcarto são de Philippe Waniez (Campos et al, 
2017). 
No site http://philcarto.free.fr/ são disponibilizadas diversas informações sobre o 
programa. Nesse momento do texto, apresenta-se um breve tutorial de como utilizar 
o Philcarto, utilizando dados de Domicílios Particulares permanentes ocupados, por 
existência de banheiro ou sanitário (Tabela 6806 do SIDRA IBGE). Antes de começar a utilizar 
o Philcarto, é necessário ter algumas informações sobre mapas base e como preparar uma 
base de dados:
O mapa base pode ser baixado no próprio site do Philcarto, no portal de mapas do IBGE 
ou construído pelo(a) usuário(a) em outro programa. De qualquer forma, o Philcarto irá 
aceitar bases em formato shapefile ou adobe illustrator. Na Figura 1, mostra-se as interfaces 
de onde fazer o download de mapas bases no site do Philcarto e no Portal de Mapas do IBGE.
Figura 1: Fontes de mapas base para utilizar no Philcarto.
Fonte: Philcarto e IBGE (2024).
 Agora, sobre os dados que serão utilizados para a construção de mapas, esses 
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http://philcarto.free.fr/01_bienvenue/01_bienvenuePT.html
http://philcarto.free.fr/01_bienvenue/01_bienvenuePT.html
http://philcarto.free.fr/01_bienvenue/01_bienvenuePT.html
http://philcarto.free.fr/
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podem ter diversas fontes. Uma fonte importante de dados secundários para utilização 
no Philcarto, que já vem com uma formatação semelhante, é do IBGE3. Independente da 
fonte, o importante é saber que os dados podem ser organizados em uma tabela Excel, e que 
precisam estar no seguinte padrão: a primeira coluna deve conter os códigos (caso esteja 
trabalhando com municípios, por exemplo, os códigos de cada um desses municípios de 
acordo com a base que está utilizando); a segunda coluna deve conter os nomes; e a partir 
da terceira coluna devem estar apresentadas as variáveis (como, por exemplo, porcentagem 
de domicílios sem banheiro ou sanitário - DSB). O Quadro 1 exemplifica essa formatação.
Quadro 1: Formatação para base de dados para o Philcarto.
codigo nome variavel
4316907 Santa Maria (RS) 0.05
Organizado pelas autoras (2024)
 Outras informações relevantes sobre a formatação da base de dados, é que os dados 
ausentes podem ser registrados como X, em maiúsculo. Além disso, o separador decimal 
deve ser um ponto (.) e não uma vírgula (,) e devem ser evitados espaços e acentos. Ao 
iniciar o programa, o(a) usuário(a) escolhe o idioma que deseja, conforme mostra a Figura 
2.
Figura 2: Captura de tela da interface inicial do programa Philcarto.
Fonte: Philcarto (2024)
 Feita a escolha do idioma, entre as 10 opções possíveis, o(a) usuário(a) clica em 
“aceito”, ação que irá abrir uma janela para a escolha do mapa base, que no caso do presente 
trabalho, está em shapefile e foi baixado do portal de mapas do IBGE. Nesse momento, o(a) 
usuário(a) deve buscar a pasta onde salvou o mapa base que vai utilizar.
3 Os dados do IBGE podem ser acessados por meio do Sistema IBGE de recuperação automática (SIDRA), no 
seguinte link: https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm. Além disso, os dados devem ser baixados já com o código 
referente à cada informação, opção que o SIDRA oferece.
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https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm
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Figura 3: Captura de tela da janela para seleção do mapa base.
Organizado pelas autoras (2024).
Selecionado o mapa base que será utilizado, o programa solicita que o(a) usuário valide 
o identificador que irá utilizar. Esse identificador, no presente caso, é o código, que aparece 
tanto no mapa base, quanto na base de dados e que irá relacionar essas informações. A seguir, 
na Figura 4, mostra-se como validar a escolha do código identificador, em 3 “cliques”. Além 
disso, a projeção deve ser validada, que aparecerá após essa etapa, mas é bem intuitivo. No 
caso do presente trabalho, foi utilizada a projeção de Mercator.
Figura 4: Validação do código identificador
Fonte: Philcarto (2024).
 Nos passos seguintes, será o momento de selecionar a base de dados que foi formatada, 
conforme mostra a Figura 5:
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Figura 5 - Captura de tela da janela para seleção dos dados
Organizado pelas autoras (2024).
 Realizada a seleção da base de dados e do mapa base, é possível escolher os tipos 
de variáveis que serão trabalhadas (Figura 6). Caso o objetivo seja a elaboração de um 
mapa coroplético, o(a) usuário(a) deve escolher a opção A. Agora, caso o objetivo seja a 
elaboração de um mapa de círculos proporcionais, o(a) usuário(a) deve escolher a opção B 
(Figura 6). Existem outras opções de mapas (Mapa coroplético com círculos proporcionais 
sobrepostos, Mapa de círculos proporcionais coloridos ou mapa de nuvens de pontos). Para 
exemplificação, focar-se-á no mapa coroplético e no mapa de círculos proporcionais.
Figura 6: Escolha do tipo de variável a ser representada.
Fonte: Philcarto (2024)
 O mapa coroplético (opção A) é um mapa no qual o valor é associado a uma área. 
Esse tipo de mapa é utilizado para representar dados de porcentagem, índices e relações 
entre duas ou mais variáveis. Nesse caso, é possível selecionar também entre os tipos de 
classificação. No exemplo que aparece como resultado da opção A, o mapa está classificado 
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com Jenks, que proporciona um escalonamento natural dos dados, agrupando-os de acordo 
com as semelhanças (Rizzatti, et. al, 2023).
Figura 7: Resultado da opção A.
Fonte: IBGE (2022).
 O mapa com círculos proporcionais é utilizado para representar quantidades. Por 
isso, na Figura 6, a opção B aparece “quantid” selecionada em verde. Essa quantidade é 
expressa em valor absoluto. Como resultado dessa opção de elaboração de mapas, têm-se 
um exemplo na Figura 8.
 Figura 8: Resultado da opção B
Fonte: IBGE (2022)
 
Acredita-se que, tendo essas informações e realizando uma leitura ativa do programa, 
testando as suas outras possibilidades, seja possível que os(as) leitores(as) deste texto 
consigam elaborar seus próprios mapas temáticos por meio do Philcarto. Caso seja necessário 
acessar outras informações, existe um manual de utilização do programa que pode auxiliar, 
embora desde a publicação desse manual a interface e as possibilidades dentro do Philcarto 
tenham sido modificadas e aprimoradas. Esse manual foi publicado por Eduardo Paulon 
Girardi, em 2007 (Girardi, 2007).
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Resultados 
Sabe-se da importância dos estudos e do conhecimento de técnicas cartográficas 
que auxiliem nas pesquisas, tal como exposto anteriormente, pode-se espacializar uma 
diversidade de fenômenos que corroborem para a compreensão das dinâmicasque se dão 
nestes diferentes locais. Com isso, para exemplificação destas espacializações através do 
emprego do Philcarto, serão aqui apresentadas algumas opções de mapas com a construção 
viabilizada pelo programa por meio dos dados disponibilizados pelo Censo 2022 (IBGE, 
2022). 
Com a utilização das informações a nível estadual para a base da confecção dos materiais 
cartográficos, no que tange especificamente ao estado do Rio Grande do Sul, referentes 
a questões como as variáveis população total, gênero e idade destas populações nos seus 
diferentes municípios, bem como o seu crescimento ou redução. Para assim evidenciar a 
dinâmica populacional ali presente em diferentes modos de representação.
O mapa expresso na Figura 9, que traz a população total por municípios do Rio Grande 
do Sul, no ano de 2022, elaborado com intervalo de classes e com a variável visual de círculos 
proporcionais. Neste mapa há seis escalas representativas, desde as menores populações por 
município evidenciada pelo ponto lilás, até as mais altas presenças populacionais localizadas 
pelo círculo maior, que favorece a visualização do comportamento esparso dos habitantes 
gaúchos, de concentração notável na região metropolitana de Porto Alegre. Contudo, este 
método de representação, aplicado a essa variável, dificulta a visualização dos dados para 
os municípios com menor população total visto a grande diferença do estrato populacional 
entre os municípios com maior e menor número de habitantes. Assim, para se manter a 
proporcionalidade entre os círculos, os menores círculos acabam ficando muito pequenos 
em relação a representação.
Figura 9. Mapa da população total por município do RS em 2022.
Fonte: IBGE (2022); elaborado pelas autoras (2024).
 A Figura 10, por sua vez, exemplifica os níveis populacionais por densidade do estado 
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referentes à atribuição binária de gêneros, feminina e masculina, levantadas pelo Censo de 
2022. Em que, de acordo com os cinco intervalos de classe, na Figura 10 “A” é perceptível a 
presença acentuada da população dita feminina em comparação com a masculina na Figura 
10 “B” que está suavizada.
Figura 10. Mapas da população feminina e masculina do Rio Grande do Sul - 2022.
Fonte: IBGE (2022); elaborado pelas autoras (2024).
 No mosaico de mapas da Figura 11, as variáveis de população idosa encontram-se 
espacializadas de quatro formas distintas. Tais formas são: (1) por método quantil, com 
intervalo de classes por sextil (Q6), na Figura 11 A, que separa os dados em seis partes iguais; 
(2) por número de classes por unidades espaciais (=EF) na Figura 11 B; (3) por método de 
quebra naturais (Jenks), trazendo classes similares a fim de aumentar as desigualdade entre 
elas, evidente na Figura 11 C; e (4) por classes de mesma amplitude (=AM) na Figura 11 D. 
Formatos estes que, de acordo com a finalidade de sua aplicação, trazem uma maior distinção 
entre as faixas etárias dos habitantes idosos do RS conforme os classificadores empregados, 
nas Figuras 11 A e B, por exemplo, ou havendo certa atenuação entre a representação das 
Figuras 11 C e D.
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Figura 11. Mosaico de mapas da população idosa por município do Rio Grande do Sul - 
2022.
Fonte: IBGE (2022); elaborado pelas autoras (2024).
 Na Figura 12, por outro lado, estes dados aparecem representados, não mais através 
da variável visual cor como já discutido através dos mapas que compõem o mosaico da 
Figura 11, mas por círculos proporcionais, divididos em seis classes, relacionados à faixa 
etária desta população. Mapa que traz, assim como nos demais, mas de modo saturado, a 
ocupação de idosos no estado, no entanto, dificultando a distinção entre as classes etárias 
devido a sobreposição dos pontos e da proximidade entre o tamanho deles. 
Figura 12. População idosa por município do Rio Grande do Sul - 2022.
Fonte: IBGE (2022); elaborado pelas autoras (2024).
 Outro exemplo de representação da variável da população idosa do Rio Grande do 
Sul está na Figura 13, em que os dados estão espacializados no formato pontual. Modelo 
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que favorece a percepção das áreas de concentração dos habitantes colocados dentro da 
classificação como idosos com maior grau de precisão locacional, mas que não apresenta 
classes e variáveis visuais para discernir os grupos etários, expondo unicamente a 
espacialização dos idosos gaúchos. Contudo, é válido ressaltar que o fato da região norte do 
estado do Rio Grande do Sul possuir um maior número de municípios com menor extensão, 
pode trazer a percepção de uma maior concentração da população idosa.
Figura 13. População idosa por município do Rio Grande do Sul - 2022.
Fonte: IBGE (2022); elaborado pelas autoras (2024).
 O que se percebe nos mapas construídos no Philcarto é o processo de generalização 
cartográfica, característica da Cartografia Temática. Esse processo envolve a seleção do que será 
exposto e ocultado do mapa, a seleção da escala e da projeção. No caso da Cartografia Temática, 
o objetivo é realmente apresentar uma simplificação e generalização de informações, afins 
de comunicar. Porém, a simplificação, a generalização e a escolha dos elementos que serão 
representados são posturas e tomadas de decisão de quem mapeia. Matsumoto, Catão e Guimarães 
(2017) comentam que “[...] cartografar, por ser um processo complexo, agrega caminhos e 
escolhas.”
 Dessa forma, além de proporcionar uma visualização dos dados populacionais do ano de 
2022 do Rio Grande do Sul sobre questões de concentração por municípios, distinção apenas entre 
os gêneros feminino e masculino e a disposição da população de idosos, também são produtos que 
trazem a não neutralidade da Cartografia Temática. 
Palavras finais
 Conhecendo a Cartografia e suas diversificadas funcionalidades, entende-se que 
as várias etapas que são desencadeadas para a produção de mapas envolvem séries de 
escolhas, pensadas ou não, por parte de quem está produzindo-os, trazendo consigo certa 
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pessoalidade. Em razão disso, pessoas mapeadoras devem desempenhar um certo papel 
crítico durante este processo, conhecendo os fenômenos os quais estudam, os dados 
empregados e a forma de representação, a fim de desenvolver mapas com menos mentiras 
(Matsumoto; Catão; Guimarães, 2017). 
 A criticidade empregada aos mapeamentos é de suma importância no papel de quem 
pesquisa e cria materiais cartográficos, como pode ser observado ao longo dos mapas 
produzidos dentro do software Philcarto presentes no decorrer deste trabalho. No caso das 
espacializações das populações idosas do Rio Grande do Sul no ano de 2022, são perceptíveis 
grandes variações nas representações conforme o método empregado, como nas variáveis 
de quantificação no mosaico da Figura 11, ou das variáveis visuais das Figuras 12 e 13. 
Com isso, dentro da Cartografia Temática se faz necessário conhecer tanto os métodos de 
produção cartográfica, quanto os dados utilizados, os fenômenos analisados e as formas de 
representação, a fim de expressar da melhor forma possível as informações desejadas, sem 
manipular ou ser manipulado involuntária ou propositalmente. Existindo possibilidades de 
ferramentas que auxiliam nesse processo de entendimento e de pluralidade na produção de 
mapas, como é o caso do Philcarto aqui apresentado. 
Os mapas são produtos de um tempo-espaço específico, ou seja, produtos do contexto 
histórico e tecnológico em que são produzidos. Para a decodificação de uma informação 
apresentada em um mapa é importante compreenderque há um discurso por trás desse 
mapa. Além disso, os mapas usam convenções que têm significados específicos, como por 
exemplo, cores, símbolos e linhas, e dessa forma, é essencial compreender essas convenções 
para construir os mapas, mas também para interpretá-lo. 
Essas convenções, de acordo com Seemann (2020), podem ser chamadas de acordos. 
Para discutir isso, o autor utiliza como exemplo a convenção de que azul no mapa é água, e 
comenta que isso é uma convenção e não algo natural. Para justificar esse argumento, ele 
comenta que foi apenas a partir do século XIX que essa cor foi adotada para representar 
a água no mapa, visto que antes era muito caro imprimir mapas coloridos. Dessa forma, 
usar o azul no mapa é uma convenção resultante de um contexto específico e apresenta um 
discurso. Tanto que, pode-se usar uma cor marrom, no lugar do azul, se quiser apresentar o 
discurso de que aquela água está suja, por exemplo.
A observação à essas informações permitem que a comunicação de informações 
expressas em um mapa seja realizada de forma mais efetiva, visto que observando às 
convenções é possível “superar os limites técnicos de produção, impostos pelo software 
escolhido” (Archela, Théry, 2008, p. 19) e, além disso, é possível decodificar os discursos por 
trás dos mapas quando se está na posição de leitor.
O ponto central deste texto é que a Cartografia Temática, apesar de frequentemente 
associada a uma suposta neutralidade científica, está longe de ser imparcial. Ao contrário, 
o propósito dessa Cartografia não reside na precisão da localização geográfica, mas sim 
na comunicação de informações específicas. Em outras palavras, a Cartografia Temática 
expressa o que a pessoa responsável pelo mapeamento deseja comunicar, incorporando, 
assim, elementos e intencionalidades cartográficas. Esse processo de seleção e representação 
inevitavelmente reflete as intenções e perspectivas do(a) mapeador(a), o que torna o mapa 
um veículo de discurso e não um retrato neutro da realidade. 
Agradecimentos
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de 
Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001, bem como do 
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC-CNPq e PROBIC/FAPERGS 
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da Universidade Federal de Santa Maria 
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