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Indaial – 2023
Hospedagem e 
Hospitalidade
Profa. Fabíola Bevervanço Zdepski
Profa. Maria Carolina Muniz e Silva de Brito
Profa. Simone Dantas
2a Edição
meios de 
Elaboração:
Profa. Fabíola Bevervanço Zdepski
Profa. Maria Carolina Muniz e Silva de Brito
Profa. Simone Dantas
Copyright © UNIASSELVI 2023
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. ZDEPSKI, Fabíola Bevervanço.
Meios de Hospedagem e Hospitalidade. Fabíola Bevervanço Zdepski; Maria Caro-
lina Muniz e Silva de Brito; Simone Dantas. Indaial - SC: Arqué, 2023.
234p.
ISBN 978-65-6083-288-6
ISBN Digital 978-65-6083-285-5
“Graduação - EaD”.
1. Hospedagem 2. Hospitalidade 3. Turismo 
CDD 647
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Acadêmico, seja bem-vindo ao livro didático da disciplina Meios de Hospedagem 
e Hospitalidade!
Os meios de hospedagem são empreendimentos que fazem parte do alicerce 
do turismo e do bem-receber, pois representam a base para a acomodação de turistas 
e visitantes para a estadia deles em destinos turísticos e em outros locais fora de uma 
residência habitual. 
Na Unidade 1, abordaremos os meios de hospedagem e as tipologias, com as 
classificações deles e os serviços hoteleiros. Você conhecerá a trajetória histórica da 
evolução dos meios e os principais tipos existentes. Além disso, estudará as formas de 
classificação, os critérios de avaliação e classificação e as formas alternativas de avaliação 
a partir da tecnologia. Encerraremos a unidade com os serviços oferecidos pelos meios de 
hospedagem e as formas de inovação e de gestão da experiência do cliente.
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos os temas organograma: cargos e 
funções na hotelaria; qualidade e sustentabilidade; e ética e responsabilidade social. 
Você conhecerá a estrutura organizacional dos meios de hospedagem, e a descrição 
e as características dos cargos e das funções essenciais para o bom funcionamento 
deles. Mais adiante, estudará os preceitos da qualidade em serviços e a aplicação deles 
em meios de hospedagem. Verificará como esses meios podem se beneficiar do uso de 
preceitos e práticas de sustentabilidade. Encerrará com os estudos de implicações éticas 
na relação comercial entre o hóspede e os profissionais dos meios de hospedagem, com 
conceitos e aplicações da responsabilidade social na hotelaria.
Por fim, na Unidade 3, analisaremos a legislação hoteleira, a hotelaria, a 
hospitalidade e o turismo. Você estudará os principais aspectos da legislação aplicada 
aos meios de hospedagem e implicações na gestão e na relação com o consumidor. 
Conhecerá mais a respeito da hospitalidade e da relação dela com os meios de 
hospedagem e o turismo. Por fim, verá a importância do bem-receber e da hospitalidade 
comercial para a gestão dos meios.
Esperamos que este material o ajude na sua jornada de estudos. Não se esqueça 
de realizar as autoatividades ao fim do estudo de cada tema de aprendizagem. 
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poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
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texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
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ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
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educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
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SUMÁRIO
UNIDADE 1 - MEIOS DE HOSPEDAGEM: TIPOLOGIAS, CLASSIFICAÇÃO E SERVIÇOS ...... 1
TÓPICO 1 - MEIOS DE HOSPEDAGEM E TIPOLOGIAS...........................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: CARACTERÍSTICAS E RELAÇÃO COM O TURISMO ...............3
2.1 MEIOS DE HOSPEDAGEM E RELAÇÃO COM O TURISMO ............................................................. 3
2.1.1 O que são meios de hospedagem? ..........................................................................................4
2.1.2 Meios de hospedagem e importância para o turismo ........................................................ 5
3 ASPECTOS HISTÓRICOS DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM .................................................6
3.1 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA ANTIGUIDADE .................................................................................. 6
3.2 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE MÉDIA .................................................................................. 6
3.3 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE MODERNA ...........................................................................8
3.4 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE CONTEMPORÂNEA ..........................................................8
3.5 TRAJETÓRIA DA HOTELARIA NO BRASIL ..................................................................................... 10
3.6 TENDÊNCIAS EM MEIOS DE HOSPEDAGEM .................................................................................ser puxado por um 
automóvel (ALDRIGUI, 2007).
Os cruzeiros são meios de hospedagem móveis e autossuficientes que oferecem 
acomodações menores do que as de um hotel tradicional, ou resort, e não oferecem janelas 
em algumas cabines, mas podem, ainda assim, entregar luxo de mobiliário e projeto.
Os barcos e os veleiros, por fim, podem ser utilizados como meios de hospedagem 
ao cruzar grandes distâncias, como o Iberostar Heritage Grand Amazon, em Manaus, 
um hotel-navio de luxo com piscina, academia, spa e casa noturna que navega entre 
os rios Negro e Solimões.
 
24
Neste tema de aprendizagem, você estudou: 
• As características dos meios de hospedagem e a importância delas para o turismo, 
para garantir a permanência de um turista em um destino.
• A trajetória histórica e a evolução dos meios de hospedagem no Brasil e no mundo 
para compreender o que são esses meios hoje.
• As tendências de mercado em meios de hospedagem e a importância da inovação 
para se obterem vantagens competitivas no mercado.
• As características dos diferentes tipos de meios de hospedagem, classificados em 
hoteleiros e extra-hoteleiros, incluindo particularidades.
 
RESUMO DO TÓPICO 1
25
AUTOATIVIDADE
1 Os empreendimentos relacionados a meios de hospedagem têm buscado se ajustar a 
demandas, com a diversificação de operações a partir de características específicas, 
o que dá origem a diferentes tipos de meios de hospedagem. Assim, associe as 
definições com o meio de hospedagem correspondente a seguir:
I- Hostel
II- Pousada
III- Hotel fazenda
IV- Cama & café
( ) É um meio de hospedagem familiar, com serviços de café da manhã e limpeza, na 
qual reside o proprietário do empreendimento.
( ) É localizado no ambiente rural, e proporciona, a um hóspede, experiências de 
vivência no campo.
( ) Proporciona acomodações comunitárias de curta duração e baixo custo em 
quartos individuais, ou dormitórios coletivos, com serviço parcial de alimentação.
( ) Geralmente, é afastada dos grandes centros, com um prédio único com até três 
pavimentos, ou com as acomodações divididas em chalés, ou bangalôs.
Assinale a alternativa que contém a ordem CORRETA de associação, de cima 
para baixo:
a) ( ) I, II, III, IV.
b) ( ) IV, III, II, I.
c) ( ) IV, III, I, II.
d) ( ) I, II, IV, III.
2 Foram estabelecidas categorias de meios de hospedagem a partir do entendimento de que 
cada tipo de meio demonstra práticas de mercado e expectativas distintas dos turistas, e 
que, portanto, acaba por influenciar o modo através do qual um hóspede é atendido. Com 
base na tipologia dos meios de hospedagem, analise as sentenças a seguir:
I- Nos resorts, a infraestrutura oferecida não tem padronização, pois são ofertados 
serviços simples, como acomodação, limpeza e café da manhã. 
II- Os hotéis são conhecidos por ser empreendimentos de pequeno porte. O atendimento 
dos hóspedes é realizado pelo proprietário.
III- Exploranter é um hotel sobre rodas, que oferece comodidades, cabines para 
descanso e cozinha.
RESUMO DO TÓPICO 1
26
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 A trajetória histórica dos meios de hospedagem passa pela necessidade do homem 
de ter abrigo, alimentação e pernoitar em locais seguros ao viajar para locais distantes 
e pelos motivos mais variados. Assim, a partir do estudo dos aspectos históricos dos 
meios de hospedagem, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Os primeiros espaços reservados à hospedagem foram construídos na Grécia 
antiga e foram destinados a abrigar os visitantes que prestigiavam os jogos 
olímpicos. 
( ) Ellsworth Milton Statler é considerado o pai da hotelaria por construir o primeiro 
hotel, o Inside Inn, nos Estados Unidos.
( ) No século XX, o desenvolvimento tecnológico permitiu um rápido desenvolvimento 
da hotelaria comercial e dos meios de hospedagem, em geral.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Os meios de hospedagem podem ser considerados um importante instrumento 
de desenvolvimento do turismo em uma localidade, devido a impactos sociais e 
econômicos e à função de atendimento de necessidades de turistas. Então, disserte 
a respeito da importância desses meios e da contribuição deles para o turismo.
5 A hotelaria e os meios de hospedagem, em geral, vêm buscando soluções para 
enfrentar os desafios do setor, como os períodos ociosos de baixa ocupação e a busca 
de inovações e investimentos para competir e se manter no mercado dinâmico do 
turismo. Hoteleiros independentes e redes hoteleiras, sejam de grupos brasileiros ou 
estrangeiros, procuram formas de se diferenciar da concorrência, com a identificação de 
tendências e megatendências para se destacar no mercado. Nesse contexto, disserte 
a respeito das tendências e da necessidade de inovação dos meios de hospedagem.
27
1 INTRODUÇÃO 
Você já deve ter ouvido alguém falar que tem o sonho de se hospedar em um 
hotel cinco estrelas, mas você sabe o que isso significa?
Como vimos no Tema de Aprendizagem 1, o setor de hospedagem ocupa um 
papel de destaque em um destino turístico, principalmente, se consideramos que a 
hotelaria é um componente necessário para o desenvolvimento turístico em qualquer 
destino que pretenda atrair turistas. Por esse motivo, os meios de hospedagem são 
considerados estratégicos nas políticas de turismo do Brasil, em especial, nos esforços 
de regulamentação de atividades e de prestadores de serviço desse segmento.
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, abordaremos os sistemas de classificação 
dos meios de hospedagem e a importância deles para o setor no Brasil e no mundo. 
Analisaremos a trajetória de criação das matrizes de classificação no Brasil e estudaremos 
as características do sistema de classificação mais atual, do SBClass, com ênfase nos 
requisitos dos hotéis. Para encerrarmos o estudo, refletiremos a respeito das novas formas 
de avaliação e classificação de hotéis e da efetividade delas no contexto de mercado.
2 IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA 
OS MEIOS DE HOSPEDAGEM
Estudaremos a função e as características dos sistemas de classificação para 
os meios de hospedagem. Veremos que, para além de uma forma de normatização da 
atividade hoteleira, esses sistemas de classificação objetivam orientar o consumidor no 
processo de escolha de hospedagem. 
2.1 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA OS MEIOS DE 
HOSPEDAGEM 
A classificação dos meios de hospedagem surgiu a partir da necessidade de 
estabelecimento de um padrão para um setor que está em constante evolução. Trata-se 
de uma classificação baseada em um nível de serviços oferecidos que ajuda na decisão 
de compra de hóspedes em potencial (DAVIES, 2003).
CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM
TÓPICO 2 UNIDADE 1
28
Muitos países possuem um sistema de classificação dos meios de hospedagem 
como uma estratégia para promover a competitividade do setor inserido em um 
mercado global, altamente, disputado. Grande parte dos sistemas adotados por outros 
países, assim como o SBClass, é feita por adesão e adoção voluntárias pelos meios de 
hospedagem (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2010; 2011).
A prática de classificação por número de estrelas de hotéis teve início na Europa, 
e, a partir dos anos de 1960, foi replicada para outros países, com a origem oficial da 
classificação dos meios de hospedagem. Tal processo surgiu da necessidade de garantia, 
aos hóspedes, de padrões de qualidade, dado o aumento da atividade hoteleira pelo 
mundo. O intuito era orientar os proprietários a respeito de necessidades de adequação 
de empreendimentos para o atendimento de um padrão almejado, incluindo os clientes, 
para que soubessem o que encontrariam na hospedagem (CASTELLI, 2006a).
Existem diferentes tipos de classificação adotados por outrospaíses. Santos e 
Kadota (2012, p. 218) afirmam que “o sistema de classificação hoteleira mais difundido 
é o de estrelas, que, tradicionalmente, conta com cinco categorias”. Nos Estados 
Unidos, o sistema de classificação é o Forbes Travel Guide, anteriormente, o Mobil Travel 
Guide, que oferecia classificação por estrelas, de uma até cinco, e incluía inspeções de 
instalações e avaliação de serviços.
Na França, o sistema de classificação, que tem adesão voluntária, varia entre 
zero e quatro estrelas. Já na Espanha, a classificação é regional, e segue uma legislação 
própria, sendo que a adesão é obrigatória e concedida quando os requisitos são 
cumpridos. Na Itália, é obrigatória, com níveis que vão de uma a cinco estrelas, e há um 
controle local para que os hotéis cumpram as regras. Na China, por sua vez, os hotéis 
são classificados entre três e cinco estrelas, e são categorizados de acordo com as 
instalações e os serviços oferecidos.
Podemos entender que a classificação dos meios de hospedagem tem, 
como função, orientar a sociedade em relação a características e aspectos físicos e 
operacionais desses meios, para que o consumidor consiga comparar as condições 
que possam vir a diferenciar os empreendimentos de classificação superior daqueles 
com uma inferior. Para garantir que as normas de classificação sejam implementadas e 
cumpridas, faz-se necessário estabelecer meios de comunicação e de fiscalização para 
garantir efetividade. 
Uma questão importante é que a classificação dos meios de hospedagem 
considere a realidade do mercado nacional para evitar disparidades, como a exigência 
de pisos de carpete em hotéis beira mar. De acordo com Beni (2019), podem existir 
três tipos de classificação: autoclassificação, estabelecida pelo proprietário, sem seguir 
nenhuma normativa; privada, criada por instituições, órgãos e empresas privadas; 
e formal, que são as normativas criadas e implementadas por órgãos oficiais, como 
Ministério do Turismo e EMBRATUR.
29
A classifi cação dos meios de hospedagem é, de acordo com Petrocchi (2004), um 
instrumento de divulgação que fornece informações claras e objetivas do setor, além de 
um importante mecanismo de comunicação com o mercado. O esforço de classifi cação 
pretende estimular o turismo no Brasil, ao colocar o setor hoteleiro nacional no mesmo 
patamar dos melhores hotéis do mundo, com a possibilidade de uma concorrência justa 
entre os meios de hospedagem do país, ao comunicar, aos consumidores, os padrões e 
os requisitos de classifi cação e orientá-los para uma escolha.
3 EVOLUÇÃO DAS MATRIZES DE CLASSIFICAÇÃO DOS 
MEIOS DE HOSPEDAGEM NO BRASIL
Estudaremos, a partir de agora, o contexto histórico e a evolução de normativas 
e matrizes de classifi cação dos meios de hospedagem no Brasil. Perceba que, conforme 
apregoado por Beni (2019), os esforços de classifi cação seguem os preceitos da 
classifi cação formal, com a participação efetiva dos órgãos ofi ciais de turismo do Brasil, 
como EMBRATUR e Ministério do Turismo.
3.1 TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS 
DE HOSPEDAGEM NO BRASIL
No Brasil, a trajetória histórica da classifi cação dos meios de hospedagem teve 
início na década de 1970, em 1972, quando a então Agência Brasileira de Promoção 
Internacional do Turismo (EMBRATUR), com o Conselho Nacional de Turismo (CNT), 
estabeleceu padrões mínimos de serviços para os meios de hospedagem (NETO; 
SILVA, 2005). Em 1975, a empresa brasileira de turismo, a EMBRATUR, passou a fazer 
a classifi cação desses meios, voltados a orientar o consumidor. A classifi cação passou 
a ser obrigatória em 1977, e regulamentada, por decreto, em 1980 (CASTELLI, 2006b). 
Em 1998, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) criou o 
próprio sistema de classifi cação, paralelamente, à classifi cação ofi cial (RODRIGUES; 
Você já deve ter ouvido falar de hotéis e resorts classifi cados com seis 
ou sete estrelas. Muitos hotéis de luxo recorrem à classifi cação The 
Leading Hotels of the World, uma organização de hospitalidade que 
agrega os hotéis mais luxuosos do mundo e cuja adesão depende de 
uma criteriosa inspeção de mais de 800 critérios.
INTERESSANTE
30
BRAGHIROLLI; FILHO, 2004). Anos depois, o sistema de classificação foi repensado a 
partir de uma parceria entre a EMBRATUR e a ABIH. 
O SBClass foi instituído em 2002, a partir da Deliberação Normativa nº 429, pelo 
Ministério do Turismo (ALDRIGUI, 2007; CAETANO; STOLL; HELFENSTEIN, 2020). A partir 
dessa normativa, o sistema passou a ser opcional para os empreendimentos de meios 
de hospedagem (MENEZES; SILVA, 2013).
O sistema de classificação proposto em 2002 utilizava matrizes de classificação 
que eram compostas por padrões de adequação, direcionados a diversos tipos de meios 
de hospedagem identificados em atividade no Brasil. Essa matriz era detalhada através 
de itens e aspectos que deveriam ser observados em cada tipo de estabelecimento. 
Os empreendimentos eram classificados em seis categorias, com representação em 
estrelas: Super Luxo (cinco estrelas e indicação SL), Luxo (cinco estrelas), Superior 
(quatro estrelas), Turístico (três estrelas), Econômico (duas estrelas) e Simples (uma 
estrela) (FREITAS, 2007).
Nas críticas a esse modelo de sistema de classificação, está o fato de estar 
mais voltado aos empreendimentos de grande porte, o que provoca um desequilíbrio 
competitivo no setor. O detalhamento dos aspectos a serem considerados em 
cada categoria, além dos custos para adequação, acabaram inibindo a adesão de 
empreendimentos, principalmente, dos de menor porte (FREITAS, 2007). Segundo Teles 
(2011), o SBClass foi um instrumento utilizado para orientar e preparar o setor hoteleiro 
para a Copa do Mundo de 2014 e para as olimpíadas de 2016. 
Em uma ação conjunta entre o Ministério do Turismo e o Ministério do 
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o sistema de classificação foi revisado. 
A última versão do Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de 
Hospedagem (SBClass) foi instituída por meio de duas legislações, 
uma relativa ao MTur e outra ao Instituto Nacional de Metrologia, 
Normalização e Qualidade Industrial (INMetro). A existência de um 
sistema de classificação já havia sido, anteriormente, fixada pelo art. 
25º da Lei nº 11.771/2008, a qual definia que o Poder Executivo ficaria 
incumbido de estabelecer um regulamento referente às tipologias de 
classificação e ao padrão de qualidade dos serviços prestados (Lei nº 
11.771, 2008) (CAETANO; STOLL; HELFENSTEIN, 2020, p. 33).
Foi proposto, então, o SBClass, o mais recente sistema de classificação dos 
meios de hospedagem no Brasil.
31
4 SBClass
Um sistema como o SBClass pode ser definido como um conjunto de elementos 
organizacionais “para os quais um gestor e o governo voltam sua atenção, porque 
têm o interesse de saber como se comportam em relação aos níveis de desempenho 
desejados nas perspectivas dos hóspedes” (BASTIANI; MACEDO, 2016, p. 94).
No sistema SBClass, todos os empreendimentos de meios de hospedagem 
recebem a classificação de uma (1) a cinco (5) estrelas, acompanhados por instituições, 
legalmente, organizadas. É importante considerar que cada um dos tipos de meios de 
hospedagem reflete diferentes práticas de mercado e busca contemplar expectativas 
distintas dos hóspedes. Então, o SBClass estabeleceu categorias específicas para cada 
um dos sete tipos de estabelecimentos (BRASIL, 2010; 2011).
 
No SBClass, a classificação dos meios de hospedagem está estabelecida da 
seguinte forma (BRASIL, 2010; 2011):
 
• Hotel (de 1 a 5 estrelas).
• Resort (de 4 a 5 estrelas). 
• Hotel fazenda (de 1 a 5 estrelas).
• Cama e café (de 1 a 4 estrelas).
• Hotel histórico (de 3 a 5 estrelas). 
• Pousada (de 1 a 5 estrelas).
• Flat/apart-hotel (de 3 a 5 estrelas). 
O SBClass utiliza a simbologia de estrelas para diferenciar as categorias e é de 
adesão e adoção voluntárias pelos proprietários dos meios de hospedagem (BRASIL, 2010). 
O SBClass adota os seguintesprincípios (BRASIL, 2011, s. p.):
I - legalidade: cumprimento, pelos interessados, dos requisitos legais; 
II - consistência: coerência e adequação com as ações desenvolvidas, tendo em vista 
a competitividade do turismo nacional;
III - transparência: garantia de que informações precisas, inequívocas e públicas 
estejam à disposição dos usuários;
IV - simplicidade: linguagem simples, inteligível e acessível a todos;
V - agregação de valor: instrumento capaz de propiciar competitividade ao setor;
VI - imparcialidade: decisões fundamentadas em avaliações objetivas e equânimes;
VII - melhoria contínua: obtenção de níveis elevados de desempenho, mediante a 
identificação e solução de problemas de que participe o setor privado; e
VIII - flexibilidade: adoção de critérios com base na diversidade e peculiaridade dos 
meios de hospedagem.
32
Os princípios servem como orientadores para todo o processo de comunicação, 
avaliação e classificação, de forma a garantir, a todas as partes interessadas, idoneidade 
e segurança.
 
4.1 REQUISITOS AVALIADOS E PROCESSO DE AVALIAÇÃO
Os requisitos definidos para as categorias de cada tipo de meio de hospedagem 
estão estabelecidos nas matrizes de classificação do sistema e abrangem os seguintes 
aspectos (BRASIL, 2010):
• Infraestrutura, cuja análise está vinculada à qualidade de instalações e equipamentos.
• Serviços, relacionados à oferta de serviços e à satisfação de um hóspede e/ou de 
usuários.
• Sustentabilidade, relacionada a práticas de sustentabilidade e ao uso de recursos, de 
maneira, ambientalmente, responsável.
As matrizes com os respectivos requisitos buscam contemplar todos os tipos 
e categorias de meios de hospedagem, desde os mais luxuosos aos mais simples. Para 
os empreendimentos menores, a adoção do SBClass se apresenta como uma boa 
oportunidade de destaque e reconhecimento (CAETANO; STOLL; HELFENSTEIN, 2020).
Os requisitos são divididos em mandatórios, que são de cumprimento obrigatório 
pelo empreendimento; e eletivos, que são optativos, a partir de uma lista definida. 
 
O empreendimento, para ser classificado na categoria pretendida, deve ser 
avaliado por um representante legal do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e 
Tecnologia (Inmetro), e demonstrar atendimento a 100% dos requisitos mandatórios e a, 
pelo menos, 30% dos eletivos, para cada conjunto avaliado (BRASIL, 2010). 
Seguem os requisitos obrigatórios para a classificação de hotéis:
33
Quadro 1 – Requisitos obrigatórios para classificação de hotéis
Item Hotel 1 
estrela
Hotel 2 
estrelas
Hotel 3 
estrelas
Hotel 4 
estrelas
Hotel 5 
estrelas
Recepção Aberto 12 
horas e 
acessível 24 
horas
Aberto 12 
horas e 
acessível 24 
horas
Aberto 18 
horas e 
acessível 
por telefone 
durante 24 
horas
Serviço de 
recepção 
aberto 24 
horas
Serviço de 
recepção 
aberto 24 
horas
Serviço de men-
sageiro
Serviço de 
mensageiro 
no período
de 16 horas
Serviço de 
mensageiro 
no período
de 24 horas
Serviço de 
mensageiro 
no período
de 24 horas
Área útil da Uni-
dade Habitacional 
(UH)
Área útil da 
UH, exceto 
banheiro, 
com 9 m² 
(em, no mí-
nimo, 65%
das UH)
Área útil da 
UH, exceto 
banheiro, 
com 11 m² 
(mínimo de 
70%)
Área útil da 
UH, exceto 
banheiro, 
com 13 m² 
(mínimo de 
70%)
Área útil da 
UH, exceto 
banheiro, 
com 15 m² 
(mínimo de 
70%)
Área útil da 
UH, exceto 
banheiro, 
com 17 m² 
(mínimo de 
70%)
Serviço de cofre 
para guarda dos 
valores dos
hóspedes
100% das UH 100% das UH
Banheiros Banheiros 
nas UH com 
2 m² (em, no 
mínimo, 65%
das UH) 
Banheiros 
nas UH com 
2 m² (em, no 
mínimo, 70%
das UH)
Banheiros 
nas UH com 
3 m² (em, no 
mínimo, 80%
das UH)
Banheiros 
nas UH com 
3 m² (em, no 
mínimo, 90%
das UH)
Banheiros 
nas UH com 
4 m²
Colchões das ca-
mas com dimen-
sões superiores
ao padrão nacio-
nal
Sim
Roupão e chinelo 
em 100% das UH
Sim
Banheira Sim
Berço para bebês A pedido A pedido
Facilidades para 
bebês (cadeiras 
altas no
Sim Sim
restaurante, 
facilidades para 
aquecimento de 
mamadeiras e 
comidas etc.)
34
Item Hotel 1 
estrela
Hotel 2 
estrelas
Hotel 3 
estrelas
Hotel 4 
estrelas
Hotel 5 
estrelas
Café da manhã 
na UH
Sim Sim
Serviço de re-
feições leves e 
bebidas nas UH
(room service) 
no período de 24 
horas
Sim Sim
Troca de cama Uma vez por 
semana
Duas vezes 
por semanas
Dias alterna-
dos
Diariamente Diariamente
Troca de roupas 
de banho
Diariamente Diariamente Diariamente
Secador de cabelo 
à disposição, sob 
pedido
Sim Sim
Serviço de lavan-
deria
Sim sim Sim
Sala de estar Não se 
aplica
Com televi-
são
Com televi-
são
Televisão em 100 
% das UH
Sim Sim Sim
Canais de TV por 
assinatura em 
100% das UH
Sim Sim Sim
Acesso à internet 
nas áreas sociais 
e nas UH
Sim Sim
Mesa de traba-
lho, com cadeira, 
iluminação pró-
pria, e ponto de 
energia e telefone, 
nas UHs, com a 
possibilidade de 
uso de aparelhos 
eletrônicos
Pessoais
Sim Sim
Sala de ginástica/
musculação com
equipamentos
Sim Sim
Serviço de facili-
dades de escritó-
rio virtual
Sim Sim Sim
Pequeno refrige-
rador em 100% 
das UH
Sim Sim Sim
35
Item Hotel 1 
estrela
Hotel 2 
estrelas
Hotel 3 
estrelas
Hotel 4 
estrelas
Hotel 5 
estrelas
Climatização 
(refrigeração/ven-
tilação
forçada/calefa-
ção) adequada em 
100% das UH
Sim Sim Sim
Salão de eventos; 
serviço de guest 
relation/concierge
Sim
Restaurante Sim Sim Sim
Serviço de ali-
mentação dispo-
nível para café da
manhã, almoço e 
jantar
Sim Sim
Serviço à base la 
carte no restau-
rante
Sim Sim
Bar Sim Sim
Preparação de 
dietas especiais 
(vegetariana,
hipocalórica etc.)
Sim
Área de estacio-
namento com 
serviço de mano-
brista
Sim Sim
Café da manhã Sim Sim Sim Sim Sim
Estacionamento Sim Sim Sim
Mínimo de três 
serviços acessó-
rios oferecidos 
em instalações no 
próprio hotel (por 
exemplo: salão de 
beleza, baby-
-sitter, venda de 
jornais e revistas, 
farmácia, loja de 
conveniência, 
locação de auto-
móveis, reserva 
em espetáculos, 
agência
de turismo, trans-
porte especial 
etc.)
Sim Sim
36
Item Hotel 1 
estrela
Hotel 2 
estrelas
Hotel 3 
estrelas
Hotel 4 
estrelas
Hotel 5 
estrelas
Programa de 
treinamento para 
empregados
Sim Sim Sim
Pagamento com 
cartão de crédito 
ou de débito
Sim Sim Sim Sim Sim
Medidas perma-
nentes para redu-
ção do consumo
de energia elétrica 
e de água
Sim Sim Sim Sim Sim
Medidas perma-
nentes para o 
gerenciamento de
resíduos sólidos, 
com foco na redu-
ção, reutilização e 
reciclagem
Sim Sim Sim Sim Sim
Monitoramento 
de expectativas 
e impressões 
do hóspede em 
relação a servi-
ços ofertados, 
incluindo meios 
para pesquisa de 
opiniões e
reclamações, a fim 
de solucioná-las
Sim Sim Sim Sim Sim
Medidas perma-
nentes de seleção 
de
fornecedores (cri-
térios ambientais, 
socioculturais e 
econômicos) para 
a promoção da 
sustentabilidade
Sim Sim
Medidas perma-
nentes de sensibi-
lização para os
hóspedes em 
relação à susten-
tabilidade
Sim Sim
 Fonte: Aparecida Ferreira et al. (2016, p. 48-49)
Os requisitos obrigatórios para a classificação permitem que o gestor analise 
e quantifique as necessidades de investimento para atender a requisitos mínimos 
de infraestrutura, sustentabilidade e serviços. Ao conhecer os requisitos das demais 
37
categorias, pode antecipar ações de planejamento e investimento.
O processo de avaliação, para a classificação dos meios de hospedagem, é 
realizado em etapas definidas pelo Ministério do Turismo (BRASIL, 2010), as quais devem 
ser seguidas pelos gestores desses meios:
Tabela 1 – Etapas do processo de avaliação para classificação dos meios de 
hospedagem
AVALIAÇÃO PARA CLASSIFICAÇÃO
ETAPA TAREFA
1ª. Etapa • O meio de hospedagem preenche o formulário eletrônico de 
solicitação da classificação no site do Cadastur: www.cadastur.
turismo.gov.br
2ª. Etapa • O meio de hospedagem preenche os seguintes documentos: 
Termo de Compromisso e Declaração do Fornecedor, incluindo a 
Autoavaliação.
3ª. Etapa • O meio dehospedagem encaminha os documentos – Termo de 
Compromisso, Declaração do Fornecedor e Autoavaliação – ao Órgão 
Oficial de Turismo da Unidade da Federação na qual está localizado o 
meio de hospedagem.
4ª. etapa • O Órgão Oficial de Turismo analisa a solicitação e verifica a 
conformidade da documentação enviada pelo meio de hospedagem 
em até 10 dias corridos.
5ª. etapa • Se a solicitação e a documentação estão corretas, o Órgão Oficial 
de Turismo encaminha o comunicado de abertura do processo, via 
sistema Cadastur, ao meio de hospedagem e ao representante legal 
do Inmetro da Unidade da Federação na qual está localizado o meio 
de hospedagem. 
• Caso a documentação não esteja correta, o Órgão Oficial de Turismo 
encaminha o comunicado a respeito de incorreções, via sistema 
Cadastur, ao meio de hospedagem. Este deve fazer as correções 
apropriadas em até 60 dias corridos e encaminhá-las ao Órgão Oficial 
de Turismo.
6ª. etapa • O representante legal do Inmetro emite, em sistema próprio, a Guia de 
Recolhimento da União (GRU), com os valores a serem pagos, e envia 
para o MH, via sistema Cadastur.
7ª. etapa • O representante legal do Inmetro define o avaliador e agenda a 
avaliação inicial, via sistema, em comum acordo com o meio de 
hospedagem, no prazo de 10 dias corridos.
• A avaliação inicial do meio de hospedagem está condicionada à 
confirmação do pagamento da GRU e deve ocorrer em até 40 dias.
38
AVALIAÇÃO PARA CLASSIFICAÇÃO
ETAPA TAREFA
8ª. etapa • O representante legal do Inmetro realiza a avaliação no meio de 
hospedagem, de acordo com as informações da Autoavaliação, 
encaminhada pelo meio de hospedagem, na ETAPA 3, ao Órgão Oficial 
de Turismo, e com os requisitos aplicáveis à classificação pretendida.
9ª. etapa • O representante legal do Inmetro, após a avaliação, informa o 
resultado e entrega o registro preliminar, incluindo as conformidades 
e não conformidades constatadas.
10ª. etapa • O representante legal do Inmetro, em até 15 dias corridos, a contar 
da data da avaliação, emite o Relatório Final ao meio de hospedagem 
avaliado, incluindo, detalhadamente, as não conformidades, se 
encontradas, de modo que possam ser definidas as ações corretivas. 
• Nos casos de não conformidades, o representante legal do Inmetro 
deve acordar, com o meio de hospedagem, o prazo e a forma para 
apresentar as evidências de ações tomadas para atendimento aos 
requisitos da matriz e retorno ao local, se for o caso, em até 90 dias 
da data da avaliação.
• Nos casos de impossibilidade de as ações corretivas sanarem as não 
conformidades, o processo deve ser encerrado pelo representante 
legal do Inmetro e comunicado, via sistema, aos interessados.
11ª. etapa • Caso não ocorram não conformidades, ou estas sejam sanadas dentro 
do tempo estipulado na ETAPA 9, o Ministério do Turismo, com base 
no Relatório Final de Verificação, emite o Certificado de Classificação 
e concede autorização para o uso da Marca da Classificação de Meios 
de Hospedagem.
 Fonte: Brasil (2010, p. 12-15)
 
Podemos observar que a proposta de um sistema de classificação dos meios 
de hospedagem tem, como objetivo, qualificar a oferta do setor, a fim de atingir mais 
credibilidade e qualidade para a prestação de serviços a hóspedes em potencial. Dessa 
forma, muitos empreendimentos de meios de hospedagem passaram pelo processo de 
classificação, com o intuito de aprimorar serviços e estruturas, além de fornecer subsídios 
para que os hóspedes possam escolher onde se hospedar, a partir da comparação de 
fatores, como serviços, preços e estrutura.
A análise do SBClass, dentro do ciclo de políticas, demonstrou que, 
embora o processo de elaboração e implementação do sistema 
já tenha demonstrado alguns avanços, ainda, existem diversos 
pontos que necessitam de reformulações para que o sistema 
obtenha os resultados esperados deste enquanto política pública. 
A inserção de novas tipologias; promoção de incentivos para que 
os empreendimentos busquem a classificação, divulgação do 
39
SBClass junto aos consumidores; além de uma revisão na logística 
de fiscalização do sistema são, apenas, alguns aspectos que, ainda, 
mostram-se carentes de atenção por parte dos agentes públicos, a 
fim de que o sistema possa continuar evoluindo e se aperfeiçoando. 
[...] Assim, ressalta-se a importância de novas pesquisas a partir da 
que foi, aqui, explicitada, a fim de utilizar as considerações traçadas 
nessa produção como subsídio na elaboração de novos modelos para 
a classificação e organização do setor de meios de hospedagem no 
Brasil (CAETANO; STOLL; HELFENSTEIN, 2020, p. 43).
Apesar do esforço do Ministério do Turismo em buscar ferramentas para 
padronizar, nacionalmente, a classificação de meios de hospedagem, perante os baixos 
registros contabilizados pelo SBClass, um debate a respeito dos aspectos da elaboração 
desse sistema de classificação marcou presença, dos que não foram, corretamente, 
trabalhados, assim, uma nova reformulação foi prometida para 2021, mas, ainda, não 
foi realizada (CAETANO; STOLL; HELFENSTEIN, 2020). Com a promulgação da nova Lei 
Geral do Turismo, a classificação se encontra suspensa.
5 NOVAS ABORDAGENS DE AVALIAÇÃO DOS MEIOS DE 
HOSPEDAGEM
Vivemos em um período marcado por grandes transformações na área da 
comunicação, com o advento da internet. Estamos a um “click” do restante do mundo, 
o que nos torna mais próximos e conectados. Nos meios de hospedagem, como 
para o turismo, em geral, a presença da internet se tornou essencial, pois os turistas, 
cada vez mais, buscam informações de produtos e destinos ao planejar uma viagem 
(MARCHESAN et al., 2020).
Com a disseminação de sites de busca e avaliação on-line, e com a procura 
massiva, por parte dos turistas, por esse tipo de ferramenta, muitos meios de 
hospedagem optaram por não aderir ao SBClass, também, por causa de custos e 
burocracias envolvidos nos processos de classificação e avaliação (CAETANO; STOLL; 
HELFENSTEIN, 2020). 
Os gestores dos meios de hospedagem têm optado por investir na divulgação 
de plataformas alternativas, por serem mecanismos de avaliação com participação ativa 
de hóspedes. Podem registrar opiniões e reclamações a respeito de diversos meios. 
Dessa forma, esses tipos de plataforma vêm ganhando cada vez mais espaço e, com 
isso, mostrando algumas tendências nos contextos de avaliação e classificação dos 
meios de hospedagem (CAETANO et al., 2020). 
40
A informação e a decisão de compra estão centradas e controladas pelo 
consumidor, dessa forma, um potencial hóspede lança mão de ferramentas para a tomada 
de decisão. Nesse contexto, plataformas, como TripAdvisor, Expedia.com e Booking.
com; redes sociais, a exemplo de Facebook, Instagram e Twitter; e blogs pessoais e de 
viagens são usados como fontes de informação a partir da interação de usuários. Logo, 
avaliações e relatos de experiências de outros consumidores on-line podem servir de 
parâmetro para a tomada de decisão por um meio de hospedagem específico. 
Para Moyses, Carneiro e Wada (2008, p. 14):
Em paralelo ao trabalho das associações hoteleiras, é necessário 
considerar, ainda, o processo de diferenciação das redes hoteleiras, 
que, indiferentes a quaisquer processos de avaliação e classificação, 
definem as características de seus produtos em relação ao perfil do 
público-alvo e exploram os meios de comunicação e distribuição, 
promovendo a identificação dos clientes com esses produtos.
Dessa forma, o setor hoteleiro tem dado uma importância especial às plataformas 
digitais, como parte das respectivas estratégias de marketing e comunicação (BUHALIS; 
LAW, 2008). De acordo com Lopes (2015), cada vez mais, os clientes consultam essas 
plataformas on-line antes de fazer uma compra, com a identificação do grande impacto 
que a reputação on-line pode ocasionar no setor hoteleiro.
Segundo Boaria e dos Santos (2018), as plataformas permitem a medição de 
impactos de diferentes fontes de influênciainterpessoal on-line, também, chamadas 
de boca a boca on-line, ou e-WOM, com estratégias de gestão dos mais diferentes tipos 
de meios de hospedagem.
A gestão é uma variável de desempenho de importância primordial 
em um setor onde sua essencialidade está no conjunto do produto 
e serviço oferecido. Sua gestão interfere de forma relevante 
para se obter a excelência, gerando, assim, boas avaliações e, 
consequentemente, novos hóspedes, completando, dessa maneira, 
a dinâmica do mercado hoteleiro (BOARIA; DOS SANTOS, 2018, p. 4).
As avaliações on-line podem ser um fator importante para a construção de uma 
relação de confiança entre o cliente e o prestador de serviços, com a geração da fidelização 
desse comprador, pois clientes satisfeitos promovem a marca e a divulgam para pessoas 
próximas por indicação (TSENG; WU, 2014). Perante o consumo de serviços, com o 
pensamento na perspectiva do hóspede, contar com avaliações positivas, em um processo 
de decisão de compra, traz as sensações de segurança e conforto para a experiência.
A comunicação boca a boca on-line (electronic Word of Mouth, ou 
e-WOM), uma das ferramentas do marketing digital, é uma prática 
classificada como a fonte de informação mais importante quando 
um consumidor está fazendo uma decisão de compra, e se dá por 
meio de diferentes formas de conteúdo gerado pelos usuários, como 
comunidades virtuais, blogs, redes sociais, dentre outras (BOARIA; 
DOS SANTOS, 2018, p. 6).
41
De acordo com Freed (2014), um hotel que apresenta uma melhor reputação 
on-line, como uma melhor avaliação em plataformas, como o TripAdvisor, tem uma 
probabilidade 3,9% maior de ser reservado do que um hotel com a mesma tarifa e pior 
reputação. Um hotel com reputação elevada tende a cobrar preços até 11% mais caros 
e, ainda assim, manter uma taxa de ocupação alta.
Os comentários, também, possibilitam que a gestão possa identificar 
quais são as falhas de qualidade e de serviço, realmente, relevantes 
para os consumidores (feedback negativo), e quais os produtos e 
áreas mais valorizados por estes (feedback positivo) (BOARIA; DOS 
SANTOS, 2018, p. 10).
As avaliações on-line são importantes ferramentas para a formação da reputação 
de um meio de hospedagem e, por isso, têm servido para orientar o mercado consumidor 
no processo de decisão de compra. Além disso, a interação com o consumidor e os 
comentários positivos, ou negativos, pode gerar dados de percepção da qualidade e, 
com isso, orientar investimentos (GÂNDARA; BREA; MANOSSO, 2013).
1 Estabeleceu-se o SBClass, que determina os requisitos para a classificação dos 
meios de hospedagem, os quais são divididos em categorias e tipos de hospedagem. 
Assim, assinale a alternativa que aponte, CORRETAMENTE, os tipos de hospedagem 
abrangidos pelo SBClass:
a) ( ) Hotel, resort, hotel fazenda, cama e café, hotel histórico, flat/apart-hotel e 
pousada.
b) ( ) Hotel, hostel, resort, cama e café, hotel histórico, flat/apart-hotel e pousada.
c) ( ) Hotel, resort, hotel fazenda, cama e café, hotel histórico, flat/apart-hotel e 
motel.
d) ( ) Hotel, hostel, resort, motel, cama e café, hotel histórico, flat/apart-hotel e 
pousada.
2 O SBClass foi criado para aumentar a competitividade do setor hoteleiro a partir 
da normatização da atividade e do estabelecimento de critérios para avaliação, 
classificação e categorização. Com base nas características desse sistema, analise 
as sentenças a seguir:
I- Os requisitos do SBClass abrangem a infraestrutura, os serviços e as práticas de 
sustentabilidade dos meios de hospedagem.
II- Os meios de hospedagem devem contemplar, para efeitos de classificação, requisitos 
mandatórios e eletivos.
III-O SBClass é de adesão e adoção obrigatórias em todo o território nacional.
42
Neste tópico, você aprendeu:
• As características e a importância da classificação dos meios de hospedagem como 
uma forma de normatizar a atividade hoteleira e orientar o consumidor no processo 
de escolha de hospedagem.
• A trajetória da evolução dos sistemas de classificação dos meios de hospedagem no 
Brasil.
• O SBClass e os passos para a adesão dos meios de hospedagem a ele.
• A existência de outras formas de avaliação e classificação dos meios de hospedagem 
para além das formas oficiais, como avaliações nas plataformas on-line.
RESUMO DO TÓPICO 2
43
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 O SBClass é considerado o instrumento oficial para divulgar informações claras e 
objetivas de meios de hospedagem e, assim, orientar, de forma adequada, o processo 
de escolha dos hóspedes em potencial. De acordo com as premissas desse sistema, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O SBClass tem, como princípios, a consistência, a transparência, a simplicidade, 
a agregação de valor, a imparcialidade, a melhoria contínua e a flexibilidade. 
( ) Os requisitos a serem cumpridos pelos meios de hospedagem são os mesmos, 
independentemente da tipologia, ou categoria.
( ) Os requisitos que os meios de hospedagem devem cumprir são: simplicidade, 
sustentabilidade, serviços e infraestrutura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 A gestão de meios de hospedagem, costumeiramente, adota modelos e práticas 
organizacionais que são utilizados por empresas de outros setores. Uma dessas práticas 
é o uso de ferramentas de marketing e comunicação que permitem conhecer melhor a 
percepção, por parte de clientes, de produtos e serviços. Assim, disserte a respeito da 
importância de ferramentas de avaliação e classificação dos serviços hoteleiros.
AUTOATIVIDADE
44
5 A classificação dos meios de hospedagem objetiva orientar a sociedade a partir 
de características e aspectos físicos e operacionais dos meios de hospedagem à 
disposição no mercado, para dar subsídios para que o consumidor possa comparar 
diferentes atributos que venham a contemplar necessidades de produtos e serviços 
de hospedagem. Nesse contexto, disserte a respeito da função e da importância dos 
sistemas de classificação como ferramenta de gestão organizacional.
1 INTRODUÇÃO 
Os serviços hoteleiros são a espinha dorsal dos meios de hospedagem. Desses 
serviços, fazem parte os elementos que os diferenciam e permitem com que eles 
compitam em um mercado concorrido e dinâmico. A gestão da experiência do cliente 
nos meios de hospedagem permite, ao gestor, monitorar a expectativa do hóspede e 
criar uma experiência que possa envolver, fidelizar e encantar os clientes.
Neste tema de aprendizagem, abordaremos as características dos serviços 
hoteleiros, começando pelo estudo dos serviços, os elementos que formatam os 
serviços hoteleiros e a inovação em serviços, como suporte para o desenvolvimento 
de novos serviços em busca da vantagem competitiva. Discutiremos, também, as 
particularidades da gestão da experiência do cliente nos meios de hospedagem.
2 CARACTERÍSTICAS DOS SERVIÇOS HOTELEIROS 
 
Acadêmico, você conhece os serviços hoteleiros? Veremos as características 
dos serviços e suas particularidades nos meios de hospedagem, quais são os serviços 
hoteleiros mais comuns e de que forma eles contribuem para a satisfação dos hóspedes 
e para a rentabilidade dos meios de hospedagem.
2.1 SERVIÇOS
45
Podemos definir serviço como o desempenho que uma parte oferece a outra, 
cujas características são essencialmente intangíveis e, por isso, não resultam em 
propriedade. Assim, não é um produto físico e deve ser consumido quando produzido. 
A hotelaria integra o setor de prestação de serviços e, assim, a confiança no serviço é a 
maior garantia do consumidor (POOP et al., 2007).
São algumas caraterísticas dos serviços:
• Perecibilidade: se um serviço não for consumido quando oferecido, esse consumo 
se perde, pois os serviçosnão podem ser estocados. Por exemplo, os quartos de um 
hotel que não foram ocupados hoje, nunca mais serão recuperados, mesmo se o 
hotel estiver lotado no dia seguinte.
• Intangibilidade: os serviços não podem ser vistos, tocados ou provados antes de ser 
comprados. Os serviços precisam de uma base física para acontecer, mas a essência 
do serviço é intangível. No hotel, consideramos o serviço como a experiência da 
hospedagem, em que o uso de elementos tangíveis, sem a posse deles, faz parte da 
experiência.
• Inseparabilidade: a produção e o consumo do serviço acontecem ao mesmo tempo e, 
por isso, são inseparáveis. Não há serviço de quarto, limpeza ou check-in na recepção 
se não houver um hóspede no hotel.
• Variabilidade: o nível da qualidade do serviço que é prestado pode variar de um 
cliente para outro. Isso se deve ao fato de que os clientes são participantes ativos 
no consumo de serviços e cada cliente pode demandar coisas diferentes durante a 
prestação de um mesmo serviço.
• Dificuldade de padronização: como podemos ter diferentes pessoas executando o 
mesmo serviço, ele se torna difícil de padronizar, mesmo que a rotina seja a mesma. A 
variabilidade e o envolvimento do cliente também ajudam a explicar essa dificuldade.
• Envolvimento do cliente: os serviços dependem do envolvimento do cliente na sua 
produção e comercialização. Muitos serviços dependem da escolha do cliente por 
diferentes opções, como a preferência do hóspede por um tipo de quarto ou de 
travesseiro.
Como nos serviços turísticos, os hoteleiros dependem da presença do 
consumidor para que o serviço possa acontecer e, por isso, os momentos de interação 
entre os colaboradores e os hóspedes são fundamentais na percepção que se cria 
no hóspede sobre a qualidade de um serviço prestado. Chamamos essas interações 
de encontro de serviços, as quais englobam o ambiente físico e o ambiente social 
(LOVELOCK; WRIGHT, 2001).
SERVIÇOS HOTELEIROS
TÓPICO 3 UNIDADE 1
46
A qualidade de serviços é julgada pelo cliente de acordo com a satisfação 
percebida, sendo uma avaliação mais complexa, em virtude das características dos 
serviços, como a variabilidade e a intangibilidade. A qualidade do serviço depende das 
pessoas que prestam o serviço e das pessoas que consomem o serviço. Castelli (2003, 
p. 29) cita que “a excelência do serviço, condição da competitividade e sobrevivência da 
empresa, depende de como esse elemento humano está interagindo com os clientes”, 
pois as pessoas são elementos centrais nos serviços.
 Lovelock e Wright (2001, p. 106-107) definem a qualidade do serviço como as 
“avaliações cognitivas de longo prazo, por parte dos clientes, sobre a entrega de um 
serviço de uma empresa”.
2.2 SERVIÇOS HOTELEIROS 
Uma empresa de meios de hospedagem pode ser entendida como uma 
organização que fornece, mediante o pagamento de diárias, alojamento aos clientes 
indiscriminadamente (CASTELLI, 2006a). A finalidade dos meios de hospedagem é 
o fornecimento de hospedagem, alimentação, segurança e vários outros serviços 
relacionados à atividade de bem receber.
O hotel é o meio de hospedagem mais convencional e comumente encontrado 
em centros urbanos. É o estabelecimento onde os turistas encontram hospedagem e 
alimentação em troca de pagamento por esses serviços. Hotel é uma empresa pública 
que visa obter lucro oferecendo ao hóspede alojamento, alimentação e entretenimento 
(CÂNDIDO; VIEIRA, 2003, p. 24).
A excelência de serviços é o que caracteriza a hotelaria e os meios de 
hospedagem, pois o acolhimento e a hospitalidade são a base para a prestação de 
serviços, oferecendo ao consumidor acomodações que o satisfaçam e fazendo da 
hospedagem uma experiência memorável (CASTELLI, 2006a). 
Para Castelli (1994), garantir a qualidade de produtos e serviços hoteleiros é o 
grande desafio dos gestores, para que as empresas se mantenham competitivas no 
setor. O mercado de meios de hospedagem é composto por diversos empreendimentos 
que se adequam e, eventualmente, oferecem produtos e serviços que possam atender 
ao seu público-alvo. Em uma mesma cidade, um hotel que atende ao público do turismo 
de negócios, por exemplo, oferece produtos e serviços diferentes de um hotel de lazer, 
pois atende a públicos com necessidades e desejos diferentes.
Da mesma forma, hotéis familiares, independentes e hotéis de rede possuem 
características diferentes e podem oferecer serviços distintos. As redes hoteleiras 
tendem a ter uma maior padronização de produtos e serviços oferecidos, pois possuem 
departamentos ou setores que determinam os processos de trabalho, enquanto os 
47
hotéis menores têm uma estrutura organizacional mais enxuta (CASTELLI, 2006a).
Para Castelli (2006a), os meios de hospedagem são como centros de produção 
que produzem vários produtos característicos da hotelaria. Nessa perspectiva, o 
quarto de um hotel, por exemplo, será considerado produto hoteleiro, à disposição para 
comercialização, se estiver em boas condições de uso. O produto hoteleiro é, dessa 
forma, a denominação dada aos serviços que um hotel coloca à disposição de seus 
clientes. 
Os empreendimentos do setor de meios de hospedagem buscam aprimorar os 
serviços que oferecem ao mercado, de forma a diferenciar-se da concorrência. Uma 
vantagem competitiva acontece quando uma empresa consegue criar uma capacidade 
ou um valor superior que possa diferenciá-la das demais empresas do setor (PORTER, 
1989). A diferenciação deve estar voltada a oferecer valor ao cliente, um desempenho 
superior. Nos meios de hospedagem, a vantagem competitiva está relacionada à melhoria 
de aspectos construtivos e infraestrutura, informatização, bem como à melhoria dos 
aspectos operacionais, como o treinamento para um atendimento ágil na recepção e a 
padronização dos procedimentos de limpeza e higienização (CASTELLI, 2006a).
Os serviços hoteleiros são compostos por uma gama de elementos que 
se diferenciam de acordo com o tipo e o porte do meio de hospedagem. A seguir, 
estudaremos os tipos de serviços mais comuns.
2.2.1 Alimentos e bebidas
A área de alimentos e bebidas, em uma estrutura organizacional de um meio de 
hospedagem, pode contribuir para o aumento da receita. Os empreendimentos podem 
oferecer room service, ou seja, serviço de quarto, ou, mais comumente, colocar um 
menu nos quartos, um frigobar ou, até mesmo, uma cesta de produtos com snacks. O 
consumo é computado na saída do hóspede. Hotéis de maior porte ou resorts podem 
oferecer restaurantes, com alimentação incluída ou não na diária, bares ou coffee shop.
Figura 1 – Serviço de quarto
 
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/dinner-hotel-room-service-PT9Q5HB. Acesso em: 9 mar. 2023.
2.2.2 Governança 
O setor de governança, para Castelli (2006a), é a essência dos meios de 
hospedagem, pois tem a missão de acolher o viajante da maneira mais confortável 
possível. Os serviços incluem a limpeza e a organização dos quartos, que são a “menina 
dos olhos” de qualquer meio de hospedagem. A satisfação dos hóspedes perpassa um 
48
quarto arrumado, lençóis e toalhas limpas. 
Geralmente, os grandes hotéis contam com um departamento específico de 
governança, coordenado por uma governanta executiva, que orienta e supervisiona 
os colaboradores encarregados da rouparia, lavanderia e limpeza. A camareira, em 
específico, é responsável pela organização dos quartos e pela reposição das amenidades 
oferecidas pelo estabelecimento, como itens de cuidado pessoal, roupões e chinelos, 
além da reposição e do controle de consumo dos itens vendidos no quarto, como as 
bebidas no frigobar (CASTELLI, 2006a).
Figura 2 – Exemplo de amenidades oferecidas pelos hotéis
 Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/bed-with-fresh-towels-and-amenities-in-hotel-6T8HZ7C. 
Acesso em: 9 fev. 2023.
2.2.3 Recepção
O serviço de recepção é um ponto central para os meios de hospedagem, 
pois é o primeiro e mais constante contato com o hóspede. É o lugar onde os meios 
de hospedagem prestam os primeiros e os últimosserviços aos hóspedes. Segundo 
Cândido e Vieira (2003, p. 79), “é na recepção que o hóspede é recepcionado e forma 
sua primeira opinião sobre o hotel e, da mesma forma, no final da hospedagem na hora 
do check-out leva sua impressão sobre o hotel”.
Castelli (2003, p. 161) afirma que: 
49
O hall da recepção deve oferecer ao hóspede uma atmosfera agradável 
quanto a dimensões, decoração, equipamento e apresentação do 
pessoal que ali trabalha. Além disso, o ambiente da recepção deve 
estar protegido do excesso de ruídos, possuir boa iluminação, aeração 
e boa visão dos letreiros informativos.
Cabe aos colaboradores da recepção esmerar-se (CASTELLI, 2006a): 
• no zelo pela aparência pessoal; 
• na cortesia; 
• na cooperação; 
• na discrição; 
• na honestidade, na lealdade e na responsabilidade. 
Por ser o cartão de visitas do empreendimento, a recepção deve contar com 
colaboradores treinados, uniformizados e preparados para atender aos mais diversos 
perfis de hóspedes. 
Figura 3 – Recepção de um hotel
 Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/smiling-concierge-helping-two-guests-check-in-to-a-ZXURMRY. 
Acesso em: 9 mar. 2023.
2.2.4 Segurança
50
Serviços de segurança são importantes para um meio de hospedagem, para 
salvaguarda contra danos e vigilância do empreendimento. Para isso, o gestor deve 
contar com uma equipe própria ou a terceirização dos serviços de segurança. 
De acordo com Cavassa (2001, p. 39), “segurança hoteleira é o conjunto de 
medidas destinadas a proporcionar bem-estar e segurança aos hóspedes, eliminar 
dentro do possível os procedimentos inseguros provocados por funcionários do hotel, e 
minimizar os riscos decorrentes de instalações inseguras”. 
É importante que a equipe de segurança receba treinamento especial e seja 
orientada para o trato adequado na abordagem aos hóspedes. Os meios de hospedagem 
também podem oferecer serviço de cofre, para que os hóspedes possam guardar seus 
itens de valor.
Figura 4 – Serviços de segurança
 Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/adult-man-in-blue-jacket-uses-safe-in-the-hotel-ro-9TQ7N7Z. 
Acesso em: 9 mar. 2023.
2.2.5 Eventos, marketing e lazer
Cândido e Vieira (2003) incluem, também, a área de eventos, marketing e lazer. 
51
O departamento de eventos, em um meio de hospedagem, pode ser responsável pela 
organização de eventos diversos, dependendo das características, da tipologia e do 
porte de cada meio de hospedagem.
 No departamento de marketing, são desenvolvidas ações de comunicação e 
relações de negócios, promovendo a atuação do empreendimento hoteleiro no mercado, 
bem como a promoção e a divulgação do empreendimento. O setor de lazer está 
encarregado de coordenar as atividades de lazer e recreação, tendo em conta o público 
do meio de hospedagem, para promover a interação entre os hóspedes (CÂNDIDO; 
VIEIRA, 2003). 
Os serviços hoteleiros são fundamentais para o funcionamento dos meios 
de hospedagem e podem, se pensados estrategicamente, auxiliar para que o 
empreendimento alcance a vantagem competitiva. Os serviços, se bem planejados e 
conduzidos, com colaboradores altamente treinados e qualificados para desempenharem 
suas funções, podem conduzir os empreendimentos a alcançar altos níveis de 
produtividade e qualidade, aumentando a satisfação dos seus hóspedes.
2.3 INOVAÇÃO EM SERVIÇOS NA HOTELARIA
52
Inovação pode ser definida como todo produto, serviço ou processo novo ou 
significativamente melhorado, que é usado ou comercializado com sucesso por uma 
organização. 
A inovação é dividida em: 
• inovação de produto ou serviço, que ocorre quando há a criação de um produto ou 
serviço novo ou há a melhora significativa dele; 
• inovação de processo, quando há o aprimoramento nas formas de fazer; 
• comercialização, quando há inovação nas formas de comercialização; 
• inovação organizacional, quando a inovação afeta as pessoas na organização.
Hall e Williams (2008) afirmam que a inovação é resultado da interação 
entre pessoas e organizações, mais do que um processo linear baseado em fases 
predeterminadas. Para os autores, entre as principais fontes de inovação para o turismo, 
estão o aprendizado coletivo e a transferência de conhecimento. No turismo, interação 
entre empresas, pessoas e clientes/turistas pode aumentar a capacidade de inovar, 
pois favorecem a criação de conexões com o ambiente, beneficiando as organizações 
com a transferência de conhecimento. 
A inovação em serviços pode ser classificada nos seguintes tipos:
• inovação em produto, considerando o serviço final;
• inovação em processo, com a renovação de procedimentos produtivos e a distribuição 
e/ou a entrega dos serviços;
• inovação organizacional, propondo novas formas de organização e gestão;
• inovação no mercado que subentenda um novo comportamento do mercado, como 
reposicionamento de marca ou atendimento a um novo segmento; 
• inovação ad hoc, que são as que atendem a necessidades particulares dos clientes. 
Como há simultaneidade entre produção e consumo do serviço, uma mudança 
em produto demanda, também, uma mudança no processo. As dimensões da inovação 
na hotelaria, de acordo com Aires (2017), envolvem aspectos específicos da hotelaria, 
como produtos ou serviços, mercados, processos e organização. A partir deles, foram 
identificados quatro tipos de inovação hoteleira (AIRES, 2017):
Tabela 2 – Tipos de inovações hoteleiras
Tipos de inovações hoteleiras
Tipo Característica
Gerencial · Refere-se a processos de gestão.
· Busca a qualidade e competitividade dos hotéis.
· São processos de gestão e melhorias.
53
Tipos de inovações hoteleiras
Tipo Característica
Comunicação externa · Melhoria das relações comerciais.
· Redução de riscos e custos.
· Implementação de tecnologias e plataformas de comunicação 
e informação.
Escopo de serviços · Mudanças na prestação e produção de serviços.
· Introdução de tecnologia que agregue valor aos serviços.
Back-office · Incorporação de ativos tecnológicos para melhorar a 
produtividade.
Fonte: adaptada de Aires (2017)
As inovações, em especial as tecnológicas como a internet, geram efeitos 
significativos no setor de meios de hospedagem, apresentando oportunidades para 
criar vantagens diante dos concorrentes (CAMPO; DÍAZ; YAGÜE, 2014). As inovações 
tecnológicas abriram novos canais de comunicação com os hóspedes, que, com acesso 
às informações sobre os hotéis, podem barganhar suas reservas on-line, aumentando 
o poder de negociação dos hotéis com os fornecedores de serviços turísticos (CAMPO; 
DÍAZ; YAGÜE, 2014).
No futuro, o uso de dispositivos de autoatendimento, como o check-out pela 
televisão do quarto ou softwares, como o CRM, para personalização e automação de 
marketing, pode melhorar a experiência do serviço em meios de hospedagem, tornando 
processos como o check-in mais eficazes (MOROSAN; DEFRANCO, 2019).
3 GESTÃO DA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE NOS MEIOS DE 
HOSPEDAGEM
Estudaremos os preceitos da economia da experiência e de que forma podemos 
fazer a gestão da experiência nos meios de hospedagem, para garantir a sua satisfação 
e buscar a sua lealdade.
3.1 ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA 
Para Pine e Gilmore (1998), a experiência é um motor de crescimento das 
empresas. Nesse sentido, a economia da experiência está alicerçada na geração de 
processos positivos e na conquista de clientes dispostos a pagar um preço diferenciado 
por vivências singulares.
54
fenômenos subjetivos, intangíveis e altamente pessoais (O’DELL, 2007).
A experiência do cliente é a resposta interna e subjetiva que os clientes têm a 
qualquer contato direto ou indireto com uma empresa. O contato direto geralmente ocorre 
no decorrer da compra, uso e serviço e geralmente é iniciado pelo cliente. O contato indireto 
geralmente envolve encontros não planejados com representantes de produtos, serviços 
ou marcas de uma empresa e assume a forma de recomendações ou críticas boca a boca, 
publicidade, notícias, resenhas e assim por diante (MEYER; SCHWAGER, 2007, p.118). 
A perspectiva experiencial é uma estratégia que possibilita, aos meios de 
hospedagem, a participar de processo competitivo. A proposição de experiências únicas 
e personalizadas pode ser uma forma de diferenciação em um mercado em que os 
produtos e serviços estão cada vez mais similares, e as empresas, por sua vez, passam 
a competir, projetando experiências de consumo diferenciadas (PINE; GILMORE, 1998).
3.2 GESTÃO DA EXPERIÊNCIA NOS MEIOS DE HOSPEDAGEM
O serviço hoteleiro é formado, além do hotel e de sua estrutura, por uma série de 
elementos que compõem um mix de sensações e experiências, o qual marca a jornada do 
hóspede nos meios de hospedagem. A jornada do hóspede é o caminho percorrido por 
ele, desde o momento em que há o interesse em se hospedar em determinado meio de 
hospedagem, passando pela vivência e pela experiência que esse hóspede passa enquanto 
está hospedado, chegando até a avaliação que ele faz do estabelecimento após o check-out.
“O hóspede em questão costuma saber exatamente o que quer, e a que preço, 
o que faz mais crítico quanto à situação onde se sinta lesado. Da mesma forma, sabe 
reconhecer quando recebe um serviço ou atenção além do esperado. E dá valor a isso” 
(ALDRIGUI, 2007, p. 18).
As experiências, para os economistas estudiosos desse segmento, estão agrupadas 
nos serviços, por serem eventos memoráveis que envolvem cada indivíduo de forma pessoal. 
Dessa forma, a experiência envolve a criação de momentos únicos e especiais, que variam 
de acordo com situações e motivos individuais (PINE; GILMORE, 1998). As experiências são 
Alguns hotéis já têm usado aplicativos inspirados na tendência “traga o 
seu próprio aparelho” (da sigla em inglês BYOD). Pelo aplicativo, é possível 
acessar todos os serviços do hotel, como adega, área de reservas, cardápio, 
entre outros.
INTERESSANTE
55
De acordo com a consultoria Deloitte (2023), são seis as etapas da jornada da 
experiência do hóspede em um meio de hospedagem:
• Conheça-me: conhecer porque o hóspede viaja e se hospeda no seu hotel incrementa 
a experiência desde o início.
• Engaje-me: quando o time do hotel provê um alto nível de atenção logo no check-in, 
os hóspedes são 29% mais propensos a dar boas avaliações.
• Encante-me: hóspedes gostam de ser surpreendidos e, dessa forma, deve-se 
buscar conhecer seus gostos e preferências pela pesquisa em redes sociais ou pelo 
histórico de hospedagem e oferecer uma experiência personalizada e exceder suas 
expectativas.
• Empodere-me: permita que o hóspede possa customizar suas experiências a partir 
do conhecimento prévio de seus gostos e suas preferências.
• Ouça-me: caso haja algum problema, é importante ser rápido para solucioná-lo. Cerca 
de 40% dos hóspedes são propensos a dar avaliações positivas se um problema é 
resolvido rapidamente.
• Conheça-me (novamente): quando o hóspede está satisfeito com a forma como a 
sua lealdade é reconhecida e recompensada, eles são 13% mais propensos a retornar 
ao mesmo estabelecimento ou à mesma rede/marca.
“Surge a convicção de que as pessoas não compram produtos, mas sim as 
histórias que esses produtos representam” (BUENO, 2018, p. 36). De fato, quando 
pensamos na jornada da experiência do cliente na hotelaria, devemos considerar que, 
muitas vezes, a hospedagem é um elemento de um sonho maior, uma viagem. 
há outros momentos, que não aparecem para o hóspede de maneira tão clara, 
os quais devem receber a mesma atenção: o fornecimento de informações corretas 
sobre o estabelecimento e seu entorno, o atendimento cortês ao telefone, a delicadeza 
de um cartão de “boa noite” e a preocupação em colaborar na solução de um problema, 
[...] todos os problemas devem ser alvos de atenção, e todas as sugestões de melhorias 
dos serviços devem ser encaminhadas aos responsáveis, com o objetivo de que sejam 
avaliadas e implementadas, colaborando para que se atinjam os melhores níveis de 
qualidade (ALDRIGUI, 2007, p. 19).
Dessa forma, as marcas que conseguem construir uma identidade narrativa 
nos canais digitais conseguem converter, com mais facilidade, o cliente potencial em 
real. “Marcas que compreendem a necessidade de produzir conteúdo relevante que 
mobilize sentido nas novas práticas discursivas imersas principalmente nas plataformas 
digitais conseguem cativar a atenção pelo conteúdo e não apenas pela publicidade ou 
marketing” (BUENO, 2018, p. 104).
56
Logo, é importante produzir e divulgar conteúdos relevantes, que mobilizem 
sentidos, para captar a atenção pelo conteúdo e ajudar o hóspede a criar uma ideia 
mental sobre a experiência pela qual ele quer passar. Nesse sentido, as empresas devem 
buscar criar uma conexão afetiva com o consumidor, para criar um imaginário da marca 
e seu valor perceptual (BUENO, 2018).
Dessa forma, além de criar uma sensação positiva no imaginário do consumidor, 
é importante gerenciar a interação com o meio de hospedagem. “Cenários de serviço 
têm de ser vistos de maneira holística, o que significa que nenhuma dimensão do projeto 
pode ser utilizada isoladamente, porque tudo depende de tudo” (LOVELOCK, 2006, p. 
249). Por isso, é fundamental que os serviços correspondam aos anúncios publicados, 
pois o hóspede analisa, ao final da experiência, o conjunto de fatores de sua vivência, 
sejam experiências positivas ou negativas, e o ciclo é retomado com uma nova jornada 
de investigação, inspiração, interação, compartilhamento e consumo (BUENO, 2018).
COMO OFERECER EXPERIÊNCIAS INCRÍVEIS PARA OS 
HÓSPEDES ATUAIS
Expedia Group
1 O QUE É A EXPERIÊNCIA DOS HÓSPEDES?
A experiência dos hóspedes descreve os pontos de contato e as emoções que 
os hóspedes encontram ao interagir com o hotel, da busca e reserva da propriedade ao 
momento do check-out e além. Uma experiência dos hóspedes consistente influencia 
a percepção geral do viajante em relação ao hotel, à qualidade e ao valor dos serviços 
oferecidos, e ao nível de satisfação com a estadia. Uma experiência positiva do hóspede 
pode levar a ótimas avaliações, clientes fiéis e uma reputação da marca que contribui 
para o crescimento contínuo.
A EXPERIÊNCIA E A SATISFAÇÃO DOS HÓSPEDES SÃO A 
MESMA COISA?
57
A experiência e a satisfação dos hóspedes são conceitos relacionados, mas 
distintos. A experiência dos hóspedes descreve toda a interação de um hóspede com o 
hotel, incluindo interações humanas e de canais digitais, bem como a experiência física 
do hóspede na propriedade.
A satisfação dos hóspedes é uma indicação pontual de quanto um viajante está 
feliz com cada um desses pequenos momentos e com a experiência geral. Propriedades 
que moldam ativamente a experiência dos hóspedes e indagam sobre a satisfação de 
cada um deles durante a estadia são mais capazes de atender, ou até mesmo superar, 
às expectativas dos viajantes. Existem várias recompensas para isso, como um negócio 
saudável e o prazer de satisfazer os hóspedes.
IDEIAS PARA CRIAR UMA EXPERIÊNCIA QUE SATISFAÇA OS 
HÓSPEDES
A base para uma ótima experiência dos hóspedes não mudou: faça as pessoas 
se sentirem valorizadas e satisfeitas após cada interação. De mensagens antes da 
estadia e comodidades nos quartos a interações com a equipe e facilidade de reserva, 
você deve oferecer uma experiência consistente e de qualidade. Como se isso não fosse 
suficiente, as tecnologias em evolução e o aumento das expectativas dos hóspedes 
exigem um esforço constante da parte desses profissionais para alcançar e superar o 
objetivo de oferecer sempre uma ótima experiência.
Concentrar-se em oferecer ótimas experiências aos hóspedes nos ajuda a 
alcançar o objetivo de agradar os hóspedes em toda a sua viagem, o que ajuda você a ter 
excelentes resultados e deixa os viajantes satisfeitos. Cada melhoria ajuda a aumentar 
a sua visibilidade e o seu desempenho, oferecendo mais oportunidades para você criar 
conexões com os hóspedes que você deseja receber e fomentar a fidelidade.
2 PRINCÍPIOS PARA MOLDAR A EXPERIÊNCIA DOS SEUS 
HÓSPEDES
Os hóspedes ficam satisfeitosquando você atende às suas expectativas e radiantes 
quando você as supera. Embora essa fórmula pareça fácil, ela não pode ser deixada ao acaso. 
Você deve indicar ativamente o que os hóspedes podem esperar da propriedade, encontrar 
oportunidades para agradá-los, e, então, sempre atender às expectativas.
LEITURA
COMPLEMENTAR
58
Definimos quatro princípios fundamentais que vão ajudar você oferecer uma 
ótima experiência aos hóspedes e expandir os seus negócios.
CONSISTÊNCIA
Você pode criar uma experiência geral positiva dos hóspedes oferecendo 
mensagens e experiências consistentes em cada interação que têm com a sua empresa.
Não se limite às interações depois que os hóspedes chegam à propriedade, 
pois para eles essa já é a metade da jornada. Comece com as expectativas definidas 
no seu site e nos anúncios dos sites de reserva, e tente imaginar como os viajantes vão 
perceber a sua marca e a qualidade do serviço, do momento em que fazem a reserva até 
quando você solicita a sua avaliação.
Inconsistências afetam a experiência dos hóspedes e podem levar à decepção. 
Por exemplo, se a reserva é fácil, mas o processo de check-in é lento e cansativo, a 
experiência oferecida é inconsistente e o hóspede pode ter dúvidas em relação ao valor 
que você atribui à estadia. No entanto, se a reserva e o check-in forem fáceis, se a sua 
equipe de funcionários for tão calorosa e prestativa quanto a sua mensagem antes da 
estadia e se as comodidades da propriedade e dos quartos forem exatamente como o 
esperado, você estará no caminho certo para oferecer uma ótima experiência e receber 
excelentes avaliações.
PROATIVIDADE
De acordo com a nossa pesquisa, 87% dos hóspedes acham que seria útil 
receber informações do hotel antes do check-in.
A comunicação proativa antes e durante a estadia de um hóspede é uma grande 
oportunidade de influenciar a forma como ele percebe a sua experiência e de dar a 
você as informações necessárias para entender como agradá-lo de maneira simples 
e relevante. Se você fizer tudo o que estiver ao seu alcance para oferecer uma estadia 
impecável e personalizada, como atribuir quartos adjacentes para famílias que viajam 
para participar de um evento esportivo ou presentear um hóspede durante a viagem de 
aniversário, terá a certeza de oferecer uma ótima experiência.
EFICÁCIA
Além da proatividade, é preciso reagir rapidamente às necessidades dos 
hóspedes. Isso é fundamental quando surgem problemas, o que é inevitável. A maneira 
como você reage às preocupações e a rapidez com que as resolve influenciam o modo 
como os hóspedes percebem a experiência como um todo. Uma resposta rápida reforça 
59
a sensação de que você valoriza os seus hóspedes e as suas experiências.
Não pressuponha que você vai conhecer todos os problemas que os hóspedes 
tiverem. Certamente algum comentário negativo decorrente de uma situação que 
passou despercebida surpreendeu você. Ao confirmar que o hóspede está satisfeito 
em momentos importantes da estadia, você vai identificar oportunidades para ir além e 
transformar uma boa estadia em uma estadia excelente.
AUTENTICIDADE
Criar experiências memoráveis, e até mesmo transformadoras, é o motivo pelo 
qual você trabalha com hospitalidade. Então, deixe esse sentimento transparecer em 
todas as interações com os hóspedes. De uma recepção calorosa a hóspedes fiéis a 
dicas exclusivas sobre os melhores percursos, vistas e atrações, você pode fazer com 
que os viajantes se sintam especiais. Tratar os viajantes como hóspedes, e não apenas 
como pessoas que ocupam os quartos da sua propriedade por um determinado período, 
pode ajudar você a se destacar da concorrência e criar uma experiência que esses 
hóspedes mal poderão esperar para compartilhar.
3 INCENTIVE A INTERAÇÃO HUMANA
Cada vez mais, os hotéis estão adotando tecnologia para entender melhor os 
seus hóspedes, personalizar as suas experiências e fornecer respostas mais rápidas.
Embora esses avanços ajudem a criar experiências mais simples, apesar dos grandes 
avanços nas tecnologias integradas, voltadas para os hóspedes, a sua equipe de funcionários 
continua sendo o recurso mais valioso na criação de uma experiência excepcional.
A sua equipe tem um impacto importante no modo como os viajantes se sentem 
durante a estadia, pois, entre muitas outras coisas, ela é responsável por acolher os 
hóspedes e cuidar da propriedade. Aqui estão algumas dicas para que você aproveite 
ao máximo as suas interações pessoais:
• Defina as expectativas: uma equipe bem informada e confiável é a melhor maneira 
de garantir a satisfação dos hóspedes. Defina as expectativas com clareza para uma 
experiência consistente e reforce o treinamento dos funcionários com exemplos 
atuais de como devem ser as respostas da propriedade, a qualidade da experiência 
60
e a solução dos problemas. Garanta que toda a equipe de funcionários tenha 
conhecimento suficiente para interagir com os hóspedes fazendo recomendações e 
fornecendo instruções ou informações precisas sobre as comodidades, os horários 
de serviço e outras informações básicas sobre o hotel.
• Incentive a sua equipe a ir além: as melhores oportunidades para surpreender e agradar 
os seus hóspedes não podem ser programadas. Assim, é importante que os seus 
funcionários sejam capazes de identificar e aproveitar essas oportunidades. Para isso, 
dê aos funcionários que lidam com o público a liberdade de descobrir maneiras de ir 
mais longe ou permitir que resolvam reclamações no local, sem a necessidade de ligar 
para o gerente. Não só os hóspedes se beneficiam dessa abordagem. Os funcionários 
também vão se sentir valorizados, sabendo que você confia no conhecimento e nas 
habilidades deles, e vão fazer o possível para demonstrar esse valor.
• Crie um ambiente seguro para melhorar: use os comentários que você recebe dos 
hóspedes para demonstrar como é uma ótima experiência e entenda como gerenciar 
melhor as situações comunicadas em avaliações negativas ou mistas. Expresse 
publicamente a sua satisfação quando um funcionário da equipe for elogiado em 
uma avaliação, trate os comentários negativos de maneira privada e procure sempre 
maneiras de reforçar as expectativas e inspirar a sua equipe.
4 CRIE A SUA ESTRATÉGIA EM TORNO DA JORNADA DO 
HÓSPEDE
Pode ser útil dividir a sua estratégia de oferecer uma ótima experiência para 
os hóspedes em três fases distintas: antes, durante e depois da estadia. Lembre-se 
sempre de manter a consistência, proatividade, eficácia e autenticidade em todas as 
fases.
• Antes da estadia: defina expectativas e identifique oportunidades.
• Durante a estadia: demonstre o quanto os seus hóspedes são importantes.
• Após a estadia: fortaleça a experiência e melhore a sua reputação.
5 TRÊS DICAS PARA MANTER UMA ÓTIMA EXPERIÊNCIA
Após estabelecer a base para fornecer sempre ótimas experiências aos hóspedes, 
é importante que você continue ajustando as suas estratégias para acompanhar as 
mudanças de expectativa. Confira algumas maneiras de ficar em sintonia com o que os 
hóspedes desejam.
61
• Meça o seu progresso – os fatores relativos à experiência dos hóspedes influenciam 
bastante a posição da sua propriedade nos resultados de busca. É fundamental 
monitorar de maneira contínua o seu desempenho nessa ferramenta para atrair 
os hóspedes que deseja. Os fatores relativos à experiência dos hóspedes avaliam 
informações como as suas taxas de relocação e reembolso, além de avaliações e 
pontuações recentes para medir o que os hóspedes adoram na sua propriedade. Use 
essa ferramenta para monitorar o seu progresso e identificar os seus pontos fortes e 
as áreas que precisam de melhoria. Quanto melhor é a experiência que você oferecer 
aos hóspedes, melhores são os resultados que você vai ter na nossa plataforma.
• Monitore a concorrência – como parte do processo de compra, os hóspedes 
vão analisar várias opções de hospedagem antes de fazer a reserva. As pessoas 
que estiverem considerando uma estadia na sua propriedade provavelmentevão 
comparar propriedades semelhantes à sua. Identificar os seus concorrentes e 
comparar os anúncios, as tarifas e as avaliações deles com os seus vão ajudar você a 
ajustar a experiência dos seus hóspedes e manter a competitividade.
• Converse com a sua equipe – compartilhe e discuta as análises e as avaliações 
dos hóspedes com a sua equipe. Converse sobre a evolução do comportamento dos 
hóspedes, os picos em novas solicitações e as tendências que você tem notado nas 
avaliações e ofertas dos seus concorrentes. Incentive-os a trabalhar junto com você 
para encontrar soluções criativas que sejam proativas, eficazes e fiéis aos seus valores.
Fonte: adaptada de EXPEDIA GROUP. Como oferecer experiências incríveis para hóspedes atuais. 2023. 
Disponível em: https://welcome.expediagroup.com/pt-br/resources/improve-hotel-guest-experience-re-
sources-tips/ideas-create-enhance-great-hotel-guest-experience. Acesso em: 4 mar. 2023.
 Neste tema de aprendizagem, você estudou: 
• As características dos serviços, bem como dos serviços hoteleiros, como forma de 
diferenciação e busca de vantagem competitiva e receitas.
• A inovação em serviços e sua aplicação nos meios de hospedagem, principalmente 
a inovação tecnológica, que, além de permitir a melhoria da experiência do cliente, é 
uma forma de aprimorar a qualidade na prestação de serviços.
• A importância da gestão da experiência dos clientes, que é uma ferramenta 
fundamental para a gestão dos serviços oferecidos pelos meios de hospedagem, 
pois estes dependem da participação e da avaliação ativa dos hóspedes.
• A jornada do cliente e cada ponto de contato com a empresa, que vai desde o primeiro 
contato até o pós-venda, sendo que a gestão da experiência envolve a criação de 
momentos únicos e especiais, os quais variam de acordo com situações e motivos 
individuais.
 
62
1 A prestação de serviços, a exemplo dos serviços de hospedagem, é uma atividade 
que apresenta certas características que a diferencia dos produtos industrializados. 
Sobre as características que descrevem os serviços, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Os serviços são estocáveis, podendo ser guardados e ofertados em um momento 
oportuno.
b) ( ) A produção e o consumo de um serviço de hospedagem são concomitantes, 
isto é, acontecem ao mesmo tempo.
c) ( ) Por ser produzido em uma base física, os serviços de hospedagem podem ser 
considerados tangíveis.
d) ( ) Os serviços de hospedagem, por serem padronizados, são invariáveis, ou seja, 
não mudam de forma alguma.
2 Podemos definir serviços como o desempenho que uma parte oferece a outra; na 
hotelaria, a interação entre os colaboradores e os hóspedes é fundamental para 
a percepção que se cria no hóspede sobre a qualidade de um serviço prestado. 
Com base nas características dos serviços nos meios de hospedagem, analise as 
sentenças a seguir:
RESUMO DO TÓPICO 3
63
I- Os serviços dependem do envolvimento do cliente na sua produção e na sua 
comercialização.
II- O encontro de serviços engloba o ambiente físico e o ambiente social do hotel onde 
o serviço é prestado.
III- A variabilidade e a intangibilidade não interferem na avaliação do hóspede sobre a 
prestação de serviço feita por um hotel.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 A jornada do cliente é cada ponto de contato com a empresa, que vai desde o primeiro 
contato até o pós-venda. Com base nas características da gestão da experiência do 
cliente, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A experiência envolve a criação de momentos únicos e especiais, os quais variam 
de acordo com situações e motivos individuais.
( ) A avaliação da experiência do cliente é sempre objetiva e depende do contato direto 
com uma empresa.
( ) O cliente analisa, ao final da experiência, o conjunto de tudo que vivenciou, sejam 
experiências positivas ou negativas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 “Em plena era da informação, o grande desafio deste momento é fazer com que 
RESUMO DO TÓPICO 3 AUTOATIVIDADE
64
as empresas tenham capacidade de se organizarem e se adaptarem as rápidas 
mudanças de um mercado cada vez mais complexo, dinâmico e turbulento. O gestor, 
contudo, tem que saber da importância do seu papel como agente de mudanças, ele 
tem que saber como o movimento do mercado afeta a comunidade, a sua empresa 
e seus concorrentes, e consequentemente o seu trabalho, inter-relacionando-os” 
(MARTINS, 2009, s. p.). Disserte sobre a importância da inovação tecnológica em 
serviços para a gestão dos meios de hospedagem.
Fonte: MARTINS, D. Compreendendo as organizações contemporâneas – Evolução da administração. 2009. 
Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/compreendendo-as-organizacoes-contemporaneas-
-evolucao-da-administracao. Acesso em: 20 fev. 2023. 
5 A jornada do hóspede é o caminho percorrido por ele desde o momento em que 
há o interesse em se hospedar em determinado meio de hospedagem, passando 
pela vivência e pela experiência que esse hóspede passa enquanto está hospedado, 
chegando até a avaliação que ele faz do estabelecimento após o check-out. Foram 
identificadas seis as etapas da jornada da experiência do hóspede em um meio de 
hospedagem. Disserte sobre as etapas da jornada da experiência do hóspede em um 
meio de hospedagem.
AIRES, J. D. M. A inovação na perspectiva de diretores de hotéis em Aveiro – Portugal. 
Turismo - Visão e Ação, v. 19, n. 3, p. 487, 2017. Disponível em: http://www.each.usp.
br/turismo/publicacoesdeturismo/ref.php?id=29256. Acesso em: 24 abr. 2022.
ALDRIGUI, M. Meios de hospedagem. São Paulo: Aleph, 2007. 
AMARAL, R. Cruzeiros marítimos. 2. ed. Barueri: Manole, 2006.
ANDRADE, N. Hotel: planejamento e projeto. 5. ed. São Paulo: Editora SENAC, 2002.
APARECIDA FERREIRA, V.; MAZZURANA, E. R.; TESSARO, A. P.; ALVES DA CRUZ DE 
BASTIANI, S. N. Sistema de Classificação dos Meios de Hospedagem no Brasil: categoria 
hotéis. NAVUS - Revista de Gestão e Tecnologia, v. 6, n. 5, p. 43-50, 2016. Disponível 
em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=350454049004. Acesso em: 24 abr. 2022.
BARBOSA, G.; LEITÃO, M. Breve história do turismo e da hotelaria. Rio de Janeiro: 
Confederação Nacional do Comércio, 2005.
BASTIANI, S. N. A. C.; MACEDO, S. R. Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de 
65
Hospedagem (SBClass) na perspectiva dos hóspedes. Navus - Revista de Gestão e 
Tecnologia, v. 6, n. especial, p. 93-114, 2016.
BATTAGLIA, R. O hotel japonês repleto de robôs-dinossauro. 2018. Disponível em: 
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BELCHIOR, E. de O.; POYARES, R. Pioneiros da hotelaria: Rio de Janeiro: SENAC 
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BUHALIS, D.; LAW, R. Progress in information technology and13
4 TIPOLOGIA DE MEIOS DE HOSPEDAGEM ........................................................................14
4.1 EQUIPAMENTOS HOTELEIROS ......................................................................................................... 15
4.1.1 Hotel padrão/hotel .................................................................................................................... 15
4.1.2 Hotel de lazer/resort ................................................................................................................. 15
4.1.3 Hotel histórico ............................................................................................................................ 16
4.1.4 Hotel fazenda ............................................................................................................................. 16
4.1.5 Pousada ........................................................................................................................................17
4.1.6 Cama e café/Bed and Vreakfast (B&B) ................................................................................17
4.1.7 Flat/apart-Hotel ......................................................................................................................... 18
4.2 EQUIPAMENTOS EXTRA-HOTELEIROS OU ALTERNATIVOS ...................................................... 18
4.2.1 Hostel/albergue ........................................................................................................................ 18
4.2.2 Hospedagens de aluguel ........................................................................................................ 19
4.2.3 Motel .............................................................................................................................................20
4.2.4 Couchsurfing ..............................................................................................................................20
4.2.5 Pensão/pensionato/hospedaria ............................................................................................20
4.2.6 Colônia de férias .........................................................................................................................21
4.2.7 Acampamento de férias ...........................................................................................................21
4.2.8 Segunda residência ..................................................................................................................21
4.2.9 Parador .........................................................................................................................................21
4.2.10 Hotel tipo boutique .................................................................................................................22
4.2.11 Campings ...................................................................................................................................22
4.2.12 Barcos e navios .......................................................................................................................22
4.2.13 Exploranter/trailer/motorhomes .........................................................................................23
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 24
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 25
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM .......................................................27
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................27
2 IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA 
OS MEIOS DE HOSPEDAGEM ...............................................................................................27
2.1 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA OS MEIOS DE HOSPEDAGEM .................................... 27
3 EVOLUÇÃO DAS MATRIZES DE CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS 
DE HOSPEDAGEM NO BRASIL ............................................................................................ 29
3.1 TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS 
DE HOSPEDAGEM NO BRASIL ................................................................................................................29
4 SBClass ............................................................................................................................. 31
 4.1 REQUISITOS AVALIADOS E PROCESSO DE AVALIAÇÃO ..........................................................32
5 NOVAS ABORDAGENS DE AVALIAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM ........................ 40
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 42
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 43
TÓPICO 3 - SERVIÇOS HOTELEIROS ................................................................................. 45
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 45
2 CARACTERÍSTICAS DOS SERVIÇOS HOTELEIROS ....................................................... 45
2.1 SERVIÇOS ..............................................................................................................................................45
2.2 SERVIÇOS HOTELEIROS ...................................................................................................................46
2.2.1 Alimentos e bebidas ................................................................................................................ 48
2.2.2 Governança .............................................................................................................................. 48
2.2.3 Recepção ....................................................................................................................................49
2.2.4 Segurança ...................................................................................................................................51
2.2.5 Eventos, marketing e lazer .....................................................................................................52
2.3 INOVAÇÃO EM SERVIÇOS NA HOTELARIA ....................................................................................52
3 GESTÃO DA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE NOS MEIOS DE HOSPEDAGEM ...................... 54
3.1 ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA ..........................................................................................................54
3.2 GESTÃO DA EXPERIÊNCIA NOS MEIOS DE HOSPEDAGEM ......................................................55
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................................57
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 62
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 63
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 65
UNIDADE 2 — ESTRUTURA ORGANIZACIONAL NA HOTELARIA ....................................... 71
TÓPICO 1 — CARGOS E FUNÇÕES NA HOTELARIA .............................................................73
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................73
2 OBJETIVOS DO NEGÓCIO HOTELEIRO ...........................................................................74
2.1 A LOCALIZAÇÃO COMO FATOR DETERMINANTE NO NEGÓCIO HOTELEIRO ........................ 74
2.2 FILOSOFIA, POLÍTICA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA HOTELARIA ........................... 76
2.3 ORGANOGRAMA DE HOTÉIS DE PEQUENO, DE MÉDIO E DE GRANDE PORTE ...................tourism management: 
20 years on and 10 years after the internet - The state of eTourism research. Tourism 
Management, v. 29, n. 4, p. 609-623, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.
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71
ESTRUTURA 
ORGANIZACIONAL NA 
HOTELARIA
UNIDADE 2 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• identifi car e estruturar os departamentos, cargos e funções profi ssionais exercidos 
na hotelaria;
• compreender o fl uxo de trabalho e processos adotados nos meios de hospedagem;
• conhecer princípios, normas e procedimentos que promovem qualidade nos serviços 
coerentes com a sustentabilidade econômica, ambiental e social;
• refl etir sobre questões éticas e de responsabilidade social que norteiam o setor da 
hotelaria.
A cada tema de aprendizagem desta unidade, você encontrará autoatividades com o 
objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – CARGOS E FUNÇÕES NA HOTELARIA
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NA HOTELARIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
72
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A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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73
TÓPICO 1
CARGOS E FUNÇÕES NA HOTELARIA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico! A hotelaria e os meios de hospedagem, de modo geral, são muito 
diversificados quanto à oferta de serviços, sua tipologia e classificação. Mesmo em um 
hotel simples, de pequeno porte, e com serviços restritos à hospedagem e ao café da 
manhã, há necessidade de se definir as atribuições dos profissionais para atender às 
diferentes necessidades dos hóspedes. Imagine quando tratamos da gestão de hotéis 
com mais de duzentas unidades habitacionais (UHs), ou de padrão cinco estrelas, 
ou ainda, de um resort? Potencialmente, quanto maior a quantidade de unidades 
habitacionais ou a categoria de um hotel, maior será a complexidade de gestão dos 
seus departamentos, cargos e funções.
No Tema de Aprendizagem 1, nós abordaremos justamente a estrutura 
organizacional que permite a gestão eficiente dos serviços hoteleiros, o que ocorre através 
da especialização dos departamentos, cargos e funções dos profissionais. Esta gestão se 
utiliza de dois instrumentos principais: o organograma e o fluxograma. Em linhas gerais, 
o organograma define e organiza hierarquicamente os departamentos do hotel. Já o 
fluxograma, auxilia na visualização dos processos executados pelos profissionais destes 
departamentos. Para tanto, devem ser observados a filosofia, a política e o planejamento 
estratégico definidos para alcançar os objetivos do negócio hoteleiro.
A partir dessas informações, o gestor poderá avaliar, por exemplo, a 
necessidade de criar – ou de extinguir – um departamento, ou a possibilidade de 
atribuir um cargo de gerente para acompanhar departamentos, cujo fluxo das 
atividades se revelem importantes na avaliação dos hóspedes ou de demais parceiros 
do empreendimento. Para tanto, é necessário ter clareza sobre os objetivos do 
negócio hoteleiro, a categoria do empreendimento, o perfil de público a que deseja 
atender e a imagem que deseja imprimir no mercado. 
74
2 OBJETIVOS DO NEGÓCIO HOTELEIRO 
Os meios de hospedagem são organizações que têm a finalidade de oferecer a 
hospitalidade comercial através de suas instalações e serviços em diferentes combinações. 
Para além da unidade habitacional (UH – espaço destinado ao uso exclusivo do hóspede 
mediante o pagamento da diária), os meios de hospedagem oferecem outras instalações 
e serviços, como alimentação, sendo necessário dispor da cozinha para a produção dos 
alimentos e do salão para o servir aos hóspedes; a recepção, que se responsabiliza por 
todos os procedimentos para a estada do cliente; a manutenção e limpeza de áreas 
internas e externas do hotel. Principalmente, na hotelaria, a ampliação e diversificação de 
suas instalações e serviços tornará mais complexa a gestão, exigindo mais departamentos 
especializados, portanto, mais cargos e funções.
2.1 A LOCALIZAÇÃO COMO FATOR DETERMINANTE NO 
NEGÓCIO HOTELEIRO 
Para abordarmos a estrutura organizacional na hotelaria é preciso ter sempre 
em mente a inter-relação entre o empreendimento e a cidade na qual está localizado. 
A localização, centro urbano, próximo à praia, em montanhas, exerce grande influência 
sobre as instalações e os serviços oferecidos no hotel, que refletem nos preços 
praticados, bem como influenciam a motivação da demanda turística e sua disposição 
de pagar por esses serviços. Afinal, a primeira decisão dos turistas costuma ser “para 
onde ir”, seguida de, “onde se hospedar”.
Também para o dono ou acionistas do hotel, a localização será determinante para 
estabelecer os objetivos do negócio: nos grandes centros urbanos, por exemplo, convém 
pensar num modelo de Hotel Business (hotéis de negócios, eventos e convenções); nos 
lugarejos situados nas cidades litorâneas pode-se adotar um modelo de negócio mais 
familiar, descontraído, com áreas de lazer externas; em cidades serranas, de clima mais 
frio, as instalações e serviços tendem a ser mais intimistas, devendo prever espaços 
internos de lazer, ou explorar o ambiente rural, dentre tantas outras possibilidades. 
O Turismo é um setor da economia que vive da diversidade e criatividade, onde os 
meios de hospedagem estão em constante inovação. Mas, de modo geral, conforme Medlik 
e Ingram (2002), o conceito de mercado de um empreendimento hoteleiro é elaborado 
com base na sua localização, instalações, serviços, preço e imagem, conforme a Figura.1.
75
Figura 1 – O Hotel como um conceito de mercado
Fonte: Adaptada de Medlik e Ingram (2002, p. 15)
A localização somada às instalações (quantidade de UHs, centros de convenções, 
salão de eventos, quadras de jogos, fi tness center etc.), serviços (restaurantes e bares 
temáticos, SPA e procedimentos de saúde e bem-estar, lavanderia, mordomo etc.) 
demandam profi ssionais qualifi cados, e são componentes importantes para a defi nição 
do preço a ser praticado no hotel. Esses componentes contribuem para a construção ou 
consolidação da imagem, ou seja, da forma como o hotel é – ou deseja ser – percebido 
pelas pessoas no mercado.Até aqui, percebemos pelo menos três partes interessadas no negócio hoteleiro, 
porém, com propósitos diferentes: os donos, os clientes e os funcionários. Enquanto 
para os donos do empreendimento, o hotel representa um meio de obter retorno a 
um investimento com margem de lucro, para os clientes e a comunidade onde o hotel 
está inserido, a fi nalidade do hotel é oferecer instalações e serviços, muitas vezes 
selecionados pelo preço. Já do ponto de vista dos funcionários, o hotel é uma fonte de 
emprego, para os quais as condições de trabalho e o salário são as principais motivações 
(MEDLIK; INGRAM, 2002).
76
Figura 2 – Principais partes no negócio hoteleiro
Fonte: Adaptada de Medlik e Ingram (2002, p. 29)
Diante de interesses tão diferentes, e, por vezes, confl itantes, entre os 
principais envolvidos no negócio hoteleiro, cabe ao gerente geral alinhar esses 
interesses com os objetivos do negócio defi nindo a fi losofi a, a política e o planejamento 
estratégico para o empreendimento.
2.2 FILOSOFIA, POLÍTICA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 
NA HOTELARIA
 A fi losofi a para um negócio pode ser entendida como “a forma de fazer”, 
manifestada por princípios e valores da empresa. Geralmente estão associados à 
princípios éticos, às crenças, à equidade, à valorização dos funcionários, à diversidade e 
inclusão social, à sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica etc. A fi losofi a 
empresarial norteia a política do hotel e deve estar refl etida no planejamento estratégico. 
Por exemplo: um hotel que se anuncia como Pet-Friendly, ou seja, que permite 
a hospedagem de animais junto aos seus tutores nas UHs e outras áreas do hotel, 
refl ete uma fi losofi a de respeito e amor aos animais, portanto, funcionários e outros 
hóspedes, deverão ser coerentes com esta postura. A política do hotel defi nirá o que 
77
poderá ser aceito na relação entre o hotel, funcionários, os hóspedes e seus animais de 
estimação. E o planejamento estratégico estabelecerá, por exemplo, o investimento em 
espaços para lazer dos animais, para banho e tosa, a contratação de um adestrador e/
ou veterinário de forma temporal ou permanente, a terceirização de uma loja petshop 
para atender aos tutores.
A política empresarial, portanto, orienta “o que é feito” no hotel em conformidade 
com a sua filosofia e os objetivos do negócio. Entende-se a política empresarial como 
um conjunto de diretrizes expressas para ações e decisões, redigidas, validadas e 
comunicadas pelo dono/gerente para as partes envolvidas. Por exemplo:
 
Davies (2000) propõe como política de hotel a ser praticada por todos os 
funcionários, os seguintes tópicos:
1. Manter condições seguras de trabalho no departamento e no hotel, certificando-se 
de que todos os funcionários estejam orientados a seguir as regras e o procedimentos 
de segurança e emergência;
2. Aplicar medidas corretivas, quando necessárias, para melhorar a segurança das áreas 
de trabalho;
3. Manter seu supervisor imediato devidamente informado sobre todos os problemas e 
assuntos relevantes; 
4. Cumprir todas as tarefas e obrigações de maneira eficiente e em tempo hábil, de 
acordo com a política e os procedimentos do hotel para atingir os objetivos gerais 
do cargo.
5. Manter um bom relacionamento de trabalho com os demais funcionários do hotel, 
criando um clima de cooperação e harmonia entre todos;
6. Projetar em todos os momentos uma imagem favorável do hotel.
Medlik e Ingram (2002) consideram também os desdobramentos de uma Política 
Geral do Hotel, visando à elaboração de políticas setoriais, tais como: 
• Uma política voltada para os clientes, é elaborada sobre o que o hotel faz para manter 
a fidelidade de seus hóspedes, como, quais os procedimentos para concessão de 
descontos, ou de atendimento às reclamações.
• Uma política voltada para os funcionários é elaborada sobre o que o hotel faz para 
retenção de seus funcionários, por exemplo, através de programas voltados para o 
bem-estar, melhorias nas condições de trabalho, treinamentos, plano de carreira, 
bônus salariais, premiação, plano de aposentadoria.
• Uma política voltada para os acionistas, é elaborada sobre o que o hotel faz para 
melhorar o retorno financeiro para os investidores, por exemplo, aperfeiçoando os 
processos de informações para tomada de decisão sobre os investimentos ou na 
distribuição de cotas de participação.
78
• Uma política voltada para os fornecedores, é elaborada sobre o que o hotel faz para 
melhorar a relação com os fornecedores, por exemplo, estabelecendo com clareza 
procedimentos para prazos de pagamento e de entrega de produtos, esclarecendo os 
critérios para tomada de preços, seleção de produtos, exigências sobre a qualidade 
dos produtos ou serviços. 
De acordo com Medlik e Ingram (2002, p. 34),
Empresas hoteleiras líderes descobriram que comunicar as políticas 
a seus clientes pode ser uma poderosa ferramenta de marketing; 
que as políticas pessoais comunicadas aos funcionários podem ter 
um impacto favorável em sua imagem como empregadores e nos 
relacionamentos de pessoal, e fornecer diretrizes claras da política a 
todos os que operam nos departamentos e áreas funcionais contribui 
altamente para uma operação eficiente e cortês por parte do hotel.
 
O planejamento estratégico reflete “como vai ser feito” o que está apontado 
na política e na filosofia empresarial. Trata-se de um documento expresso e temporal 
(previsto para 2 a 5 anos), que analisa o contexto atual da empesa e do mercado, e 
estabelece as metas e os procedimentos para os objetivos do negócio serem alcançados 
em curto, médio e longo prazo. 
Este planejamento é necessário de ser observado, pois há uma grande 
tendência a associação entre corte de custos e corte de funcionários, e até de funções 
e departamentos inteiros em momentos de baixa temporada ou recessão. Avanços 
tecnológicos, o cenário político-econômico nacional ou internacional, crises decorrentes 
da desigualdade social, a mudança de comportamento do consumidor, fatores climáticos 
ou de saúde – como recentemente ocorreu com a pandemia da COVID-19 – entre outros, 
afetam o desempenho das empresas hoteleiras, que em curto e médio prazos, precisam 
redefinir estratégias para a manutenção das suas operações, minimamente, com a receita 
gerada equilibrada aos custos. Nesses momentos, o hotel precisa ter clareza sobre quais 
são os seus departamentos principais (que geram receita) e os de apoio (que dão suporte 
às operações) para não comprometer o seu desempenho no mercado.
Com base no exemplo do Hotel Pet Friendly, se, em um momento de corte 
de custos, o hotel opta por reduzir os funcionários dos serviços de hospedagem e de 
atendimento aos pets, ele comprometerá o desempenho do seu objetivo de negócio, pois 
é de onde vem a sua diferenciação e receita. Outras opções de cortes de pessoal podem 
ser analisadas em departamentos de apoio, como recursos humanos, contabilidade e 
marketing, que podem ser terceirizados.
Terceirizar é elaborar contratos de prestação de serviços com empresas externas 
ao hotel. Assim, os custos trabalhistas e de operações desses departamentos ficam pré-
estabelecidos, e o gerente do hotel tem a atribuição de acompanhar as atividades, não 
mais de executá-las com equipe própria. Portanto, para alcançar as metas da empresa, 
é necessário distribuir de forma eficiente os cargos e funções conforme os objetivos do 
79
negócio e selecionar profissionais competentes para a sua execução e gestão, o que se 
visualiza no organograma funcional. 
2.3 ORGANOGRAMA DE HOTÉIS DE PEQUENO, DE MÉDIO E 
DE GRANDE PORTE
A estrutura organizacional reflete a filosofia, a política e o planejamento 
estratégico para atingir os objetivos do negócio hoteleiro. O organograma é o recurso 
gráfico que representa esta estrutura, permitindo a visualização dos setores ou sujeitos 
de uma empresa e suas relações de hierarquia e interdependência. Pode se apresentar 
em diferentesformatos, sendo o vertical, o mais convencional. Cabe ao Gerente Geral 
junto ao Gerente, ou empresa de Recursos Humanos, traçar o organograma e elaborar o 
manual de departamentos, cargos e funções da empresa.
O organograma é um instrumento importante para a gestão e pode 
se apresentar em diferentes formatos, coerentes com a filosofia, a 
política e o planejamento estratégico da empresa. Deve estar em 
um campo visível, física e/ou virtualmente, de modo que possa ser 
consultado tanto pelos funcionários como pelo público externo. 
Conheça mais formatos e modelos de Organograma acessando o 
link https://organograma.net/organograma-funcional-modelos.
NOTA
A decisão pelos cargos e funções na hotelaria dependerá muito da categoria 
(indicado pelo símbolo de 1 a 5 estrelas ou classificação Super Luxo, Luxo, Turística, 
Econômico, Simples) e pelo porte do hotel. O porte de um hotel é definido conforme 
a quantidade física de Unidades Habitacionais. Por exemplo: um hotel com 60 UHs, a 
princípio, acomoda 120 PAX (passageiros, hóspedes), mas se as UHs forem quádruplas, 
este hotel terá tem capacidade máxima de ocupação de 240 PAX. E isso fará toda a 
diferença nas instalações, serviços, imagem, preço e na departamentalização do hotel. 
Para estabelecer o porte de um empreendimento devemos considerar também 
a realidade do mercado em que se avalia esta dimensão. Por exemplo: Nos Estados 
Unidos são classificados hotéis de pequeno porte os que têm até 150 UHs, médios entre 
150 e 300 UHs, grandes entre 300 e 600 quartos, e muito grandes aqueles com mais de 
600 UHs (PÉREZ, 2001). Mas, para a maioria dos países, e especificamente no Brasil, a 
realidade sobre a dimensão dos empreendimentos de hospedagem é outra: 
https://organograma.net/organograma-funcional-modelos
80
 Assim, de acordo com Pérez (2001), grande parte do mercado internacional 
considera que:
• São HOTÉIS DE PEQUENO PORTE, os estabelecimentos de até 50 UHs. No Brasil, 
aqueles com até 20 UHs; 
• São HOTÉIS DE MÉDIO PORTE, os estabelecimentos com até 150 UHs. No Brasil, 
aqueles com 20 a 50 UHs, e 
• São HOTÉIS DE GRANDE PORTE, os estabelecimentos com mais de 150 UHs, no Brasil 
aqueles com mais de 50 UHs (PEREZ, 2001; AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS, 2017).
No Brasil, a Pesquisa de Serviços de Hospedagem (PSH) do IBGE 
– Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (2016) e publicada 
na Agência de Notícias em 2017, identifi cou 31.299 meios de 
hospedagem no país, juntos totalizaram a oferta de 1.011.254 
UHs (suítes, quartos, chalés) com 2.407.892 leitos, 47,9% dos 
estabelecimentos eram hotéis e 31,9% eram pousadas. A média 
nacional foi de 32 unidades habitacionais por estabelecimento 
de hospedagem (AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS, 2017) Saiba mais 
detalhes desta pesquisa acessando o Link da Agencia de Notícias 
do IBGE: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-
imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/14786-brasil-tem-2-
4-milhoes-de-leitos-em-sua-rede-de-hospedagem.
INTERESSANTE
2.3.1 Organograma de um hotel de pequeno porte
No Brasil, os meios de hospedagem de pequeno porte são os que têm até 20 
UHs (AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS, 2017) e tendem a ter uma administração familiar, com o 
proprietário e sua família ocupando os principais cargos de gestão e operacionais. Há 
poucos departamentos e uma tendência à multifunção. Por exemplo: em um hostel ou 
pousada, o recepcionista pode desempenhar também a função de comercialização e 
reservas, ou o funcionário da cozinha, além de produzir o alimento, se ocupar de servi-lo 
ou de fazer as compras. De acordo com Medlik e Ingram (2002, p. 48).
Tais arranjos não apenas dão fl exibilidade no emprego dos 
funcionários e reduzem o tempo ocioso, mas também otimizam 
a satisfação no trabalho através da variação constante. Por outro 
lado, a imitação dos grandes hotéis no aprovisionamento de uma 
ampla gama de serviços e de uma estrutura departamental pode 
destruir as vantagens peculiares de um hotel pequeno, sem os 
benefícios correspondentes.
81
Nos hotéis que buscam uma categoria superior ou luxo, mesmo com 20 UHs 
ou menos, a especialização dos colaboradores é um diferencial. Em empreendimentos 
de pequeno porte, são priorizados os departamentos operacionais da hospedagem 
que atendem às principais necessidades dos hóspedes, tais como portaria, recepção, 
governança, restaurante. Funções administrativas como contabilidade e recursos 
humanos, tendem a ser terceirizados. 
Figura 3 – Organograma de um hotel de pequeno porte
Atualmente existem empresas de sistemas de gestão 
hoteleiros, os PMS – Property Manager System que 
auxiliam os pequenos hotéis em diferentes combinações 
de serviços como a VOA Hotéis, G Hotelier, Hospedin. 
Conheça mais sobre o PMS da Hospedin no link https://
www.youtube.com/watch?v=knYw6MasLPQ.
NOTA
Fonte: Adaptada de Medlik e Ingram (2002, p. 49)
No organograma de um hotel de pequeno porte observam-se duas 
características principais: a limitação na divisão de funções e a probabilidade de ter um 
nível intermediário de supervisão, ou não, sendo esta atividade realizada diretamente 
pelo dono/gerente do hotel. 
Na prática, não se pode perder de vista o custo de contratação e manutenção 
de funcionários, assim como se deve atentar para os direitos trabalhistas. Contudo, 
é nos pequenos hotéis que há grandes chances de aprendizado sobre diferentes 
funções e de reduzir o volume de demissões, dado o vínculo de confi ança estabelecido 
entre os funcionários e destes com os proprietários do hotel, o que é percebido e 
valorizado pelos hóspedes. 
82
2.3.2 Organograma de um hotel de médio porte
No Brasil são considerados hotéis de médio porte aqueles com até 50 UHs 
(AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS, 2017), internacionalmente, em média, têm até 150 UHs (PEREZ, 
2001). A sua gestão se dá através de uma estrutura organizacional com departamentos 
mais especializados e funções com mais níveis de hierarquia, podendo pertencer a uma 
rede hoteleira, ou com acionistas como proprietários. 
Figura 4 – Organograma de um hotel de médio porte
Fonte: Adaptada de Pérez (2001, p. 7)
No organograma dos hotéis de médio porte já se percebe a divisão por 
departamento, e cada departamento se desdobrará em cargos e funções conforme 
as necessidades do hotel. Atividades de reservas, marketing, segurança e recursos 
humanos podem ser terceirizadas ou geridas pela empresa matriz, caso o hotel pertença 
a uma rede hoteleira. 
Para a arrumação de quartos, limpeza e conservação de áreas internas e 
externas é constituído o departamento de governança e de manutenção, atuantes 
24 horas. Para atendê-los, a gestão de compras e almoxarifado também requer mais 
83
funcionários. O setor de Alimentos e Bebidas também precisa ser redimensionado 
conforme os pontos de venda do hotel e eventos (mais de um bar ou restaurante, 
room service 24 horas, banquetes, cafeteria, coff ee-break, cozinha para hóspedes 
e para funcionários). Alguns hotéis optam por terceirizar restaurantes ou a cozinha 
funcional, de modo a minimizar custos operacionais. 
2.3.3 Organograma de um hotel de grande porte 
Para a gestão de hotéis de grande porte, ou seja, aqueles que têm mais de 50 
UHs na conjuntura brasileira (AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS, 2017) ou 150 UHs em âmbito 
internacional (PEREZ, 2001), a estrutura organizacional defi ne duas diretorias ou 
gerências bem especializadas: uma administrativa e outra operacional, que concentram 
outros cargos hierárquicos pertinentes as suas funções.
Figura 5 – Organograma de um hotel de grande porte
 Fonte: Adaptada de Pérez (2001, p. 8)
A estrutura organizacional de um hotel de grande porte irá se adaptar aos 
objetivos do negócio hoteleiro e ao tipo de operação. Por exemplo, se for um Hotel-SPA, 
provavelmente será necessária uma Gerência de Clínicas que se encarregará da gestão 
das atividades clínicas, físicas, terapêuticas, nutricionais e de lazer dos hóspedes. Já 
84
em um Hotel Business, pode ser necessário um Gerente de Eventos, que terá sob sua 
responsabilidadetoda a gestão dos espaços, serviços e funcionários que atendem a 
convenções, congressos e feiras, entre outras possibilidades.
Neste porte, a manutenção deverá ter um departamento permanente, 
com um engenheiro em sua gestão e escalas bem definidas para os serviços mais 
frequentes, como os de eletricista, bombeiro hidráulico, pintores, restauradores de 
móveis e equipamentos. 
Hotéis independentes poderão incorporar funções administrativas de gerência 
financeira, marketing, vendas e recursos humanos em sua estrutura organizacional 
ou terceirizá-las. Já hotéis associados a redes hoteleiras terão a gerência desses 
departamentos centralizados na matriz e podendo ser compartilhados com demais 
hotéis da rede. Outros departamentos administrativos como compras, almoxarifado, 
controller e mesmo o departamento pessoal, permanecem em cada unidade.
3 CARGOS E FUNÇÕES NA HOTELARIA 
De modo geral, quanto mais especializados forem os serviços do hotel, 
mais complexa é a sua estrutura organizacional. Os departamentos são organizados 
estabelecendo uma hierarquia e a quantidade de cargos e funções varia conforme 
a política da empresa. Veremos o conceito de cargos e funções na hotelaria e suas 
principais atribuições operacionais e administrativas na hotelaria.
3.1 DEFINIÇÃO DE CARGOS E FUNÇÕES
De acordo com Castelli (2003):
• Cargo: é a posição que a pessoa ocupa dentro da estrutura hierárquica da empresa. Por 
exemplo: Gerente de Alimentos e Bebidas, Maitre do Hotel, Chefe de recepção etc.
• Função: é o tipo de trabalho que a pessoa executa. Por exemplo, cabe ao Maitre do Hotel:
→ Supervisionar todo o trabalho executado no restaurante;
→ Participar da elaboração de cardápios;
→ Distribuir os horários de trabalho para sua equipe;
→ Treinar seu pessoal;
→ Recepcionar o cliente;
→ Atender reclamações. 
As funções podem ser classificadas em duas categorias, segundo Castelli 
(2003, p.66):
85
• Funções Gerenciais: direção, gerenciamento e assessoria;
• Funções operacionais: supervisão e operação
Para cada categoria de função caberão atribuições e responsabilidades na 
rotina da empresa, seja nas situações consideradas normais e/ou anormais, conforme 
veremos na Figura 6.
 
Figura 6 – Tipo de Trabalho exercido em cada função
Fonte: Adaptada de Castelli (2003, p. 65)
SITUAÇÃO
NORMAL
OCORRÊNCIAS DE 
ANOMALIASFUNÇÕES
G
E
R
E
N
C
I
A
I
S
DIREÇÃO
• Estabelece METAS que 
garantem a sobrevivên-
cia da empresa a partir 
do planejamento estra-
tégico. 
• Estabelece METAS para 
corrigir a situação a 
atual;
• Compreende o relatório 
da situação atual.
GERENCIAMENTO
• Atinge METAS (PDCA);
• Treina função-supervi-
são. 
• Faz semestralmente o 
“Relatório da situação 
atual” para a chefia;
• Elimina as anomalias 
crônicas atuando nas 
causas fundamentais 
(PDCA);
• Revê periodicamente as 
anomalias detectando 
as anomalias crônicas 
(Análise de Pareto);
• Verifica diariamente as 
anomalias no local de 
ocorrência, atuando 
complementarmente a 
função-supervisão.
ASSESSORIA
(TÉCNICA)
• Ajuda a função gerencial contribuindo com conheci-
mento técnico.
O
P
E
R
A
C
I
O
N
A
I
S
SUPERVISÃO
• Verifica se a função-
-operação está cum-
prindo procedimentos 
operacionais-padrão;
• Treina a função-opera-
ção. 
• Registra as anomalias 
e relata para a função 
gerencial;
• Conduz Análise das 
Anomalias atacando as 
causas imediatas (Ex.: o 
padrão foi cumprido?).
OPERAÇÃO
• Cumpre os Procedimen-
tos Operacionais-Pa-
drão.
• Relata as anomalias
86
No Manual dos Cargos e Funções, cada função deve ter documentada os 
seus Procedimentos Operacionais Padrão (POP). No cotidiano operacional, esses 
procedimentos devem ser suficientes para alcançar a eficiência. E, diante de situações 
de anomalia, ou seja, que fogem à normalidade, definem-se os procedimentos, desde 
o relato da anomalia ocorrida/observada durante a operação, até a definição da direção 
sobre os procedimentos para corrigi-la. 
Os problemas tendem a ser encarados, sempre, como oportunidades para 
melhoria na qualidade. O planejamento estratégico do hotel deve aplicar a metodologia 
PDCA, um ciclo de PLANEJAMENTO – DESENVOLVIMENTO – CONTROLE e AVALIAÇÃO 
em busca da qualidade e eficiência dos serviços, que abordaremos no próximo tema.
3.2 O FLUXOGRAMA E A GESTÃO POR PROCESSOS
Vimos que quantidade de departamentos e a distribuição hierárquica de 
funcionários/colaboradores está associada à categoria e ao porte do hotel visando atender 
aos objetivos do negócio. De acordo com Petrocchi (2002), os objetivos do negócio 
hoteleiro são os resultados que a empresa espera atingir ao longo de determinado tempo. 
Estão vinculados a indicadores quantificáveis e devem ser do conhecimento de todas as 
equipes de trabalho. A determinação dos objetivos pode estar ligada a diversos aspectos: 
• desempenho operacional; 
• desempenho econômico-financeiro; 
• imagem perante a sociedade; 
• relacionamento com os acionistas ou investidores;
• relacionamento com o quadro de pessoal etc. (PETROCHI, 2002).
Dos objetivos surgem as metas a serem atingidas, e cada departamento 
deverá estabelecer os seus planos estratégicos específicos para atingi-las. Alguns 
exemplos de metas:
→ Expandir as vendas on line em 30% no período de 4 anos. 
→ Atingir 55% na taxa média anual de ocupação em dois anos. 
→ Ampliar o faturamento em 15% em 3 anos.
De todo modo, as estratégias para o sucesso do hotel se espelham no fluxo de 
caixa, sendo necessária a clareza sobre os processos para o bom desempenho de cada 
departamento visando ao equilíbrio financeiro do hotel. Na gestão hoteleira é importante 
adotar a perspectiva do cliente, afinal ele é a principal fonte de receita.
87
Figura 7 – Processo de atendimento e processo de apoio em uma empresa hoteleira
Fonte: Adaptada de Teixeira Jr. (2010)
Segundo Teixeira Jr. (2010), sob a perspectiva do cliente, é mais efi ciente uma 
gestão baseada em processos, agrupando os departamentos e tarefas que atendem 
à satisfação do cliente (Processo Atendimento) e os departamentos e tarefas que 
constituem a gestão e controle (Processos de Apoio). A gestão por processos passa 
então a ser mais horizontal (por fl uxo de processos) do que vertical (por imposição 
de cargo/função). É uma fi losofi a organizacional que atribui a todos os funcionários a 
responsabilidade pelo sucesso das operações. Para tanto é necessário conhecer bem o 
fl uxo dos processos de cada setor do hotel, desde o primeiro contato com o hóspede, 
sua entrada, estada, saída e processos de pós-venda. 
O Fluxograma é o instrumento que nos auxilia a visualizar esses processos e a 
adotar corretamente as ferramentas e sistemas de gestão, bem como defi nir os cargos 
e funções necessários aos objetivos do hotel. 
88
Figura 8 – Exemplo de fl uxograma no processo de atendimento em um restaurante 
Fonte: Adaptada de Negrão (2017, s.p.)
A partir do exemplo do fl uxograma apresentado, verifi ca-se que a função da 
recepcionista no processo de atendimento dá maior qualidade no acolhimento aos 
clientes. Porém, em um momento de recessão, esta atribuição poderá ser repassada, 
por exemplo, para o Maitre, responsável pelo salão do restaurante. 
A elaboração do fl uxograma permite a visualização dos 
processos e identifi ca por símbolos as etapas de entradas/
saídas de produtos ou início/fi m dos serviços e também dos 
pontos críticos, que requerem análise e tomadas de decisão 
como SIM ou NÃO, e o caminho a proceder conforme cada um. 
Saiba mais em: https://fl uxograma.net/fl uxograma-como-fazer.
NOTA
89
FIGURA 9 – Símbolos do fl uxograma
Fonte: Adaptada de Negrão (2017, s.p.)
3.3 OS DEPARTAMENTOS, CARGOS E FUNÇÕES 
ADMINISTRATIVAS NA HOTELARIA
A maioria dos departamentos administrativos passam desapercebidos pelos 
hóspedes. Eles compõem o back of the house, ou seja, trabalham nos bastidores para 
garantir o perfeito funcionamento das instalações, equipamentos e serviços, dando 
suporte para os departamentos operacionais. A seguir, uma relação de departamentosadministrativos e seus respectivos cargos e principais funções na hotelaria:
Quadro 1 – Departamentos, cargos e funções administrativas na hotelaria
DEPARTAMENTOS 
ADMINISTRATIVOS
CARGO FUNÇÕES
Gerente Geral
É quem responde pelo 
hotel para qualquer 
demanda externa; as 
três áreas de maior 
responsabilidade interna 
são: (1) relacionamento com 
hóspedes e funcionários; 
(2) supervisão dos 
setores administrativos e 
operacionais e (3) aumento 
da rentabilidade (CHON; 
SPARROWE, 2003, p. 142).
Gerente Administrativo
Profissional que gerencia 
os departamentos de 
RH, Compras, Financeiro, 
Comercial e outros do back of 
the house.
90
RECURSOS 
HUMANOS
Gerente de RH
Tem a função de maximizar a 
produtividade dos funcionários, 
elaborando a política e os 
procedimentos para os 
recursos humanos, autorizando, 
processos seletivos, planos 
de carreira, programas de 
treinamento e de valorização 
dos colaboradores.
Técnico em RH
Elabora, divulga e executa 
os processos seletivos e 
programas de treinamento e 
incentivo para os funcionários; 
avalia desempenho funcional 
e financeiro nos setores; cuida 
do cumprimento de todas as 
normas trabalhistas. 
Psicólogo
Acompanha os processos 
seletivos; elabora programas 
de treinamento e avaliação 
funcional; orienta os 
funcionários.
Auxiliar de Pessoal
Responsável pelo atendimento 
aos funcionários, controle de 
ponto, folhas de pagamento, 
e toda a documentação 
relacionada as rotinas do setor.
INFORMÁTICA
Analista de sistemas
Desenvolve soluções e reparos 
nos sistemas de informática 
do hotel, visando o melhor 
desempenho e eficiência. 
Mantem o contato com os 
fornecedores.
Técnico em Informática
Executa as soluções e reparos 
em softwares e hardwares do 
hotel. Elabora os manuais de 
procedimentos e boas práticas 
para os sistemas.
Auxiliar em Informática
Atende à demanda de pedidos 
de auxílio nos sistemas de 
gestão e de suporte a gerência 
do hotel.
91
MARKETING
Gerente de Marketing
Responsável por elaborar/cuidar 
das políticas, da marca e das 
campanhas de promoção e 
divulgação do hotel.
Auxiliar de Marketing
Executa as promoções e 
campanhas do hotel; elabora 
os relatórios de desempenho; 
acompanha as redes sociais e 
as avaliações dos hóspedes; 
cuida da comunicação interna e 
externa em relação aos eventos 
e campanhas.
Gerente de Vendas
Define junto a gerência 
geral, marketing e reservas a 
política e as estratégias para 
a comercialização do hotel, 
seu tarifário, programas de 
descontos e ou benefícios para 
diferentes perfis de clientes e 
motivações de estada no hotel.
Promotor de Vendas
Executa as estratégias de 
vendas, visitando e gerando 
uma cartela de clientes reais e 
potenciais; elabora os contratos 
de locação dos espaços do hotel.
FINANCEIRO
Gerente Financeiro
Define procedimentos e 
metas; seleciona e treina os 
profissionais do setor de Contas 
a pagar e a receber, fluxo de 
caixa, tesouraria; executa 
aplicações financeiras, captação 
de recursos, administra a 
valorização do patrimônio.
Controller 
Supervisiona todas as 
operações do departamento 
de contabilidade, observando 
metas e procedimentos 
do hotel; desenvolve os 
relatórios financeiros a serem 
apresentados à gerência; 
prepara e garante o pagamento 
de impostos; 
92
FINANCEIRO
de contratos com terceiros; de 
funcionários; realiza auditoria 
semanal sobre custos e receitas 
do hotel, elabora os balancetes 
e propõe medidas de controle de 
gastos e aumento de receitas.
Auditor 
Profissional responsável pela 
verificação minuciosa do 
faturamento diário do hotel, 
mantendo em ordem todos os 
boletins de caixa e relatórios.
Caixa geral
Responsável pelo caixa de 
todos os pontos de venda do 
hotel (recepção, restaurantes, 
bares, lazer, lojas próprias) 
faz o acompanhamento da 
passagem de turno desses 
funcionários valida os seus 
boletins de movimentação para 
ser entregue a auditoria. 
Auxiliar Financeiro
Funcionário encarregado por 
contas a pagar e contas a 
receber; elabora os relatórios de 
receita e de despesas conforme 
as formas de pagamento e 
seu cronograma. Negocia com 
financiadores e empresas de 
crédito. 
Gerente de Compras
Centraliza os pedidos de 
compras dos diferentes 
setores do hotel ou se define 
um profissional para cada 
setor, especialmente A&B e 
Governança. Recebe os roll de 
compras, define as prioridades, 
realiza a tomada de preços, 
negocia prazos e condições, 
autoriza as compras e suas 
modalidades de pagamento 
junto ao financeiro.
93
FINANCEIRO Chefe Almoxarifado
Encarregado pela entrada 
e saída de produtos, 
equipamentos e materiais da 
rotina operacional do hotel; 
registra as baixas de estoque 
e sinaliza as necessidades de 
reposição; controla as condições 
devidas para o armazenamento 
desses produtos conforme as 
normas técnicas. 
 
Fonte: Adaptado de Petrocchi (2002, p. 130); Davies (2000) e Chon e Sparrowe (2003, p. 142)
3.4. OS DEPARTAMENTOS, CARGOS E FUNÇÕES OPERACIONAIS 
NA HOTELARIA
Os departamentos operacionais correspondem ao front of the house, 
departamentos que são a “alma do negócio”, pois desempenham as funções mais 
percebidas pelos hóspedes. Todos os hotéis estão organizados em torno de quatro 
funções operacionais básicas: “(1) recepção, (2) governança, (3) manutenção e (4) 
segurança” (CHON; SPARROWE, 2003, p. 142). Mas podem ter várias outras funções 
conforme os objetivos do negócio. A maioria dos hotéis dispõe do departamento de 
Alimentos e Bebidas; nos Resorts os departamentos de Lazer são um diferencial; uma 
gerência de eventos é necessária em hotéis business de grande porte. 
Quadro 2 – Quadro dos principais departamentos, cargos e funções operacionais na hotelaria
DEPARTAMENTOS 
OPERACIONAIS
CARGO FUNÇÕES
Gerente Habitacional ou
Gerente de Operações
Definir as metas, estratégias, 
procedimentos para os 
departamentos de recepção, 
reservas, governança, A&B, 
manutenção, segurança junto 
a seus gerentes e superiores; 
responder formalmente 
por estes setores e demais 
operações do hotel; participar 
da seleção dos funcionários; 
acompanhar e decidir sobre o 
orçamento, compras, e o 
94
balanço entre custos e receitas; 
buscar o aperfeiçoamento sobre 
métodos de trabalho e sistemas 
de gestão, assim como para o 
melhor atendimento aos hóspedes 
e aos objetivos de lucros do sócios 
proprietários e acionistas.
RECEPÇÃO
Gerente de Recepção
Elaborar os procedimentos e a 
seleção de profissionais para 
a recepção; definir e distribuir 
as atribuições; acompanhar o 
mapa de ocupação e de reservas 
para as providências de escala e 
outras necessidades em contato 
com reservas, guest relations, 
governança e A&B.
Gerente de Reservas
Definir a política de tarifas e 
promoções do hotel (revenue 
management); identificar e atender 
a hóspedes Vips, autorizar cortesias 
e grupos; organizar o calendário 
de eventos e bloqueios de UHs; 
articular-se com os departamentos 
de marketing, recepção, A&B.
Auxiliar de Reservas
Atender e negociar com os 
clientes; receber, registrar e 
controlar o quadro de reservas; 
acompanhar a política de tarifas e 
promoções do hotel.
Supervisor de Recepção
Elaborar as escalas de trabalho 
dos recepcionistas; treinar e 
acompanhar os procedimentos; 
verificar as avaliações dos 
hóspedes; manter atualizados os 
relatórios e a comunicação com 
outros departamentos.
Recepcionista
Realizar o check-in e o check-
out de hospedes, realizar vendas 
sem reservas (Walk-in / Day-use), 
controla os lançamentos e o
95
caixa da recepção, elaborar 
lista de hóspedes e atender às 
suas solicitações; controla as 
chaves/cartões das UHs e de 
seus cofres etc.
RECEPÇÃO
Guest Relations
É o profissional que apresenta o 
hotel aos hóspedes, visitantes 
ou clientes para eventos; 
permanece atento aos hóspedes 
e suas percepções sobre o 
hotel, visando atender às suas 
expectativas e surpreendê-los 
com amenidades; identificando 
falhas em procedimentos 
nos serviços para corrigi-las. 
Encarrega-se do pós-venda,mantendo o cadastro dos 
hóspedes e incentivando 
que retornem e/ou avaliem 
positivamente o hotel em sites de 
vendas e plataformas do trade. 
Capitão Porteiro
Faz a seleção de profissionais 
de portaria, elabora os 
procedimentos e a escala de 
trabalho, realiza o treinamento e 
sua supervisão. 
Porteiro
Controla a organização no 
lobby do hotel, especialmente 
a entrada e saída de hóspedes 
e visitantes, o recebimento de 
encomendas dos hóspedes ou 
para o hotel; o estacionamento 
de veículos; auxilia o embarque 
e desembarque de hóspedes; 
registra ocorrências e, por vezes, 
exerce a função de segurança. 
Concièrge
É o profissional de suporte 
à recepção, que atende as 
solicitações especiais dos 
hóspedes, como pedido de 
transporte; compra de 
96
RECEPÇÃO
ingressos para eventos e outras 
necessidades; informações 
sobre a cidade.
Mensageiro
É o profissional que auxilia no 
embarque e desembarque dos 
hóspedes e de suas bagagens; 
acompanhando-os às UHs;
executa serviços internos 
e externos de mensagens, 
compras ou correspondências.
Telefonista
Função já automatizada ou 
acumulada aos recepcionistas, 
mas que em hotéis de grande 
porte incluem efetuar e 
receber ligações (por telefone 
e virtuais) transferindo para 
os setores; localizar hóspedes 
e funcionários para atender 
a ligações; anotar recados, 
informar as tarifas telefônicas, 
operar o despertar dos 
hóspedes.
GOVERNANÇA
Governanta Executiva
Elabora os procedimentos 
e a seleção de profissionais 
para o setor, distribuindo as 
suas atribuições; atende a 
fornecedores e avalia produtos, 
serviços e as necessidades de 
aquisição; em contato sempre 
com o Gerente de Hospedagem, 
Gerente de Recepção, com a 
Manutenção e segurança.
Supervisora (de andar)
Responde pela equipe de 
camareiras ou por andar 
do hotel; define a escala de 
trabalho dos funcionários, treina, 
acompanha e avalia as rotinas 
operacionais; percorre todas as 
instalações do hotel verificando
97
a necessidade de limpeza 
ou manutenção; distribui os 
uniformes conforme as funções, 
as tarefas e os utensílios 
dos funcionários conforme a 
ocupação do hotel.
GOVERNANÇA
Secretária/ Assistente 
Administrativo/
Acompanha o ponto dos 
funcionários (horários de 
chegada / de saída, ausências 
e justificativas); elabora a lista 
de compras; recebe e organiza 
mercadorias no almoxarifado da 
governança; cuida dos objetos 
achados e perdidos do hotel; 
administra a distribuição da 
rouparia.
Camareira
Limpeza e arrumação das UHs, 
verifica o funcionamento de 
todos os equipamentos da UH 
e faz a troca da roupa de cama 
e banho; organiza as peças de 
decoração; repõe os amennities.
Roupeira
Cuida de todos os uniformes e 
das condições das roupas de 
cama e banho, bem como de 
toalhas de mesa, guardanapos 
do restaurante: compra, 
armazenamento, controle 
de entrega e devolução, 
necessidade de reparo. 
Costureira
Repara toda a rouparia do hotel; 
ajusta uniformes, elabora peças 
conforme a demanda para 
decoração e/ou eventos e para 
os hóspedes. 
Gerente de Lavanderia
Elabora os procedimentos, 
seleciona os funcionários; define 
a operação dos equipamentos 
do setor e realiza o treinamento 
98
conforme a orientação dos 
fornecedores de maquinário e 
de produtos do setor. Define o 
reaproveitamento ou descarte de 
peças.
Passadeira
Encarregada de operar o 
maquinário de passar, esterilizar 
e ensacar toda a rouparia do 
hotel, elaborando o controle de 
recebimento da lavanderia e de 
entrega ao almoxarifado.
Auxiliar de lavanderia
Recebe o roll de roupas do hotel 
e dos hóspedes para a lavanderia 
executando a separação das peças 
e os procedimentos de lavagem no 
maquinário adequado, e repasse 
para a passadeira.
GOVERNANÇA
Auxiliar de Limpeza/ 
Auxiliar de Serviços 
Gerais (ASG)
Ocupa-se das áreas comuns 
e externas do hotel, conforme 
a designação da governanta 
executiva e a ocupação do hotel 
podendo executar algumas tarefas 
de manutenção, como troca de 
lâmpadas, de fechaduras, de filtro 
de ar-condicionado ou de jardins. 
Comunicar a necessidade de revisão 
ou substituição de equipamentos 
e itens das instalações como 
vidros, portas e janelas. Pode 
ser encarregado de verificar o 
acondicionamento e retirada do lixo 
e do tratamento de resíduos sólidos 
ou de programas de reciclagem.
MANUTENÇÃO Chefe de Manutenção
Administra os contratos de 
manutenção de equipamentos, 
maquinário e instalações do 
hotel, solicitando tomada de 
preços e pedido de compra, 
agendamento da revisão periódica 
de ar-condicionado, geradores de 
energia elétrica, sistemas
99
de automação, segurança 
e informática, máquinas de 
lavanderia ou equipamentos 
da cozinha. Prevê em um 
cronograma a manutenção 
do hotel para reforma de 
instalações ou pintura.
MANUTENÇÃO
Engenheiro
Responsável pela manutenção 
da estrutura física do hotel, 
elabora as plantas e os manuais 
sobre cada instalação, tais como 
elétrica, hidráulica, de esgoto, 
de gás etc.; deve ser consultado 
sobre qualquer reforma 
prevista no hotel, pois é o 
responsável técnico, e colabora 
em Programas de coleta e 
tratamento de água pluvial, uso 
de energia solar entre outros.
Técnicos diversos
Eletricista, bombeiro hidráulico, 
carpinteiro, pintor de parede e/
ou de móveis; de informática 
e automação, entre outros, 
de acordo com o porte e a 
categoria do hotel, bem como das 
características de suas instalações 
e equipamentos. Em hotéis de 
pequeno porte, são contratados 
por demanda de serviço.
SEGURANÇA Chefe de Segurança
Profissional responsável 
pela sala de controle das 
câmeras de segurança, pela 
seleção e elaboração da 
escala de trabalho, atribuições 
e procedimentos a serem 
adotados pelos profissionais 
do setor. Deve manter 
aproximação com setores de 
segurança, saúde e emergência 
(bombeiros, defesa civil) da 
cidade acompanhando todas as 
normas de conduta.
100
Vigilante
É o profissional designado 
para observar o movimento 
em pontos estratégicos e por 
circular nas áreas comuns 
do hotel, sempre atento a 
manutenção da ordem e 
segurança nos procedimentos 
dos profissionais e dos 
hóspedes, registrando e 
relatando à sala de controle 
qualquer ocorrência de 
irregularidade e adotando os 
procedimentos preventivos ou 
de retenção das anomalias, 
dentro das normas de conduta.
ALIMENTOS E 
BEBIDAS
Gerência de A&B
Garantir produtos e serviços 
de qualidade em A&B Define 
procedimentos, atribuições e 
seleciona, treina e acompanha 
o desempenho de seus 
funcionários. Elabora e/
ou aprova os cardápios 
(componentes e preços) 
das refeições servidas aos 
hóspedes, aos funcionários 
e para eventos, cuida do 
cumprimento das normas 
técnicas nos ambientes de 
produção, armazenamento 
e serviço de A&B. Autoriza a 
lista de compras de produtos, 
equipamentos e serviços e 
seus fornecedores. Gerencia 
as operações da cozinha, 
restaurante, bares e room 
service do hotel.
Controller de A&B
Executa os controles sobre 
os custos e receitas de A&B, 
cobrança e pagamento de 
impostos, procedimentos 
adequados às inspeções de 
segurança alimentar elaborando
101
balancetes e relatórios para a 
gerência de A&B. Na ausência de 
um assistente administrativo para 
o almoxarifado de A&B, poderá 
exercer essa função ou delegá-
la, dependendo do porte e dos 
sistemas adotados no hotel.
Gerente de banquetes
Em hotéis de grande porte e 
com alta demanda de eventos, o 
gerente de banquetes exerce a 
função exclusiva de elaborar os 
cardápios e a equipe de serviços 
em banquetes temáticos, 
celebrativos ou para grupos 
de eventos do hotel. Ele se 
encarrega também de negociar 
serviços de coffee-break.
ALIMENTOS E 
BEBIDAS
Gerente de restaurante
Responsável administrativo 
do salão do restaurante e 
possivelmente por outros 
pontos de venda, como 
bares e cafés do hotel. Define 
horários de funcionamento e de 
funcionários e suas atribuições 
conforme a ocupação do hotel; 
responde pela conservação e 
/ou reposição do mobiliário, 
equipamentos e utensílios. 
Verificao caixa dos pontos de 
vendas de A&B e os balanços 
sobre o faturamento.
Chef
Coordenar as operações da 
cozinha garantindo a qualidade 
dentro do orçamento; propor 
e executar a elaboração do 
menu conforme a ficha técnica, 
minimizando os desperdícios 
e garantindo as normas de 
segurança alimentar; selecionar 
e treinar os funcionários em suas 
atribuições e de modo a atender 
ao fluxo de trabalho.
102
Sous Chef
Auxilia ao chef em toda a 
operação da cozinha, orientando 
os funcionários, verificando 
a aplicação adequada de 
técnicas e métodos de produção 
de alimentos; a ordem do 
atendimento aos pedidos 
que vem do restaurante e 
pontos de vendas; o controle, 
compra e reposição de 
equipamentos e utensílios. 
Garantir o cumprimento de 
todas as normas de higiene, 
manipulação, armazenamento e 
produção de alimentos.
ALIMENTOS E 
BEBIDAS
Maitre
Responsável operacional do 
salão do restaurante. Distribui 
as praças e filas de mesas e os 
garçons que irão atendê-las. O 
Maitre deve dirigir-se aos clientes 
ao entrarem no restaurante, 
dando boas-vindas e apresentar-
lhes o cardápio e deixá-los à 
vontade no a guardo do garçom 
da fila, atento a qualquer sinal 
ou pedido dos clientes. Indica os 
pratos da casa, bebidas; solicita 
a ação dos commins para a 
limpeza da mesa ou reposição 
de talheres, guardanapos, copos, 
troca de toalhas.
Chefe de Fila
Profissional do restaurante e 
para banquetes, encarregado 
de coordenar a equipe desde a 
montagem do salão à entrega do 
prato ao cliente, verificando a sua 
montagem na cozinha de acordo 
com os pedidos. 
Garçon
Serve aos clientes nos pontos 
de vendas de A&B, retirando os 
pedidos, encaminhando-os a 
cozinha e aguardando o
103
preparo; controla as comandas 
que serão lançadas na conta do 
cliente.
Commin
Auxiliar do garçom no serviço 
aos clientes, retira e recoloca 
pratos e talheres, limpa e arruma 
as mesas; serve o couvert.
Cozinheiro
Elabora o cardápio do hotel 
conforme a demanda; em hotéis 
de grande porte encontram-
se cozinheiros de diferentes 
especialidades: cozinheiro A, 
para banquetes; cozinheiro 
que atende à copa, outro para 
o refeitório dos funcionários; 
cozinheiro do café da manhã, 
saladeiro e de linha de produção.
ALIMENTOS E 
BEBIDAS
Barman
Serve aos clientes do bar, 
registrando os pedidos de 
bebidas e petiscos, controlando 
as comandas e a entrega.
Steward
Responsável pela higiene 
e limpeza da cozinha, 
especificamente de panelas, 
pratos, talheres, copos.
Cambuzeiro
Responsável pelo abastecimento 
e limpeza do bar; verificar o 
estoque; limpar os refrigeradores; 
fazer pedidos de reposição de 
mercadorias e utensílios.
Recepcionista de 
Restaurante
Efetua reservas para hóspedes 
e visitantes; verifica e auxilia 
o Maitre na distribuição das 
mesas; comunica a previsão de 
reservas para o Chef de Cozinha.
Atendende de Room 
service
Serviço de alimentação oferecido 
nas UHs. O pedido é feito pelo 
telefone ou sistema, e preparado 
para que o garçom do setor leve 
até as UHs.
Fonte: Adaptado de Petrocchi (2002, p. 130), Davies (2000); Chon e Sparrowe (2003, p. 142)
104
Buscou-se apresentar nesta tabela os cargos mais frequentes nos hotéis. Mas, 
são muitos e variados os cargos e funções na hotelaria que podem adquirir outros títulos, 
como ocorre com departamentos de recursos humanos, denominados como gestão de 
pessoas, ou um cargo acumular mais de uma função. Principalmente, na cozinha do 
hotel, onde se encontram vários outros cargos que podem ser atribuídos conforme a 
especialidade dos profissionais, tais como:
• Saucier: prepara principalmente os molhos; 
• Friturier: responsável pelas frituras;
• Rotisseur: responsável pelo preparo das carnes e aves assadas e demais preparos 
no forno;
A hotelaria adota muitos termos em inglês para suas rotinas, pois o 
Glossário Hoteleiro é conhecido e praticado mundialmente. Alguns 
deles são mencionados neste quadro de funções, tais como: 
VIP – VERY IMPORTANT PERSON – Distinto, cliente habitual de um 
hotel ou celebridade que se hospeda.
Check-in – Processos de registros da recepção, que são 
desencadeados na entrada dos hóspedes.
Check-out – Processos de registros da recepção que são 
desencadeados na saída dos hóspedes.
Walk-in – Processos que se desencadeiam durante o check-in para 
hóspedes que chegam sem reserva a um hotel.
Day-use – Quartos ocupados por um período inferior a uma diária 
ou quando é um passante, ou seja, uma pessoa que permanece 
no hotel apenas para usufruir das dependências comuns 
como restaurante, piscina e áreas de lazer, pagando o período 
correspondente com encargo previamente combinado. 
Lobby do hotel – Área de entrada do hotel para o público, que liga 
a recepção às outras partes do hotel. Com frequência o lugar inclui 
áreas para leitura ou descanso.
Amennities – refere-se às amenidades, produtos disponibilizados 
nas UHs para os hóspedes como sabonetes, shampoos, lenços 
úmidos, e outros.
Roll de roupas – é o formulário disponível nas unidades 
habitacionais para ser preenchido pelos hóspedes no momento 
de solicitar o serviço de lavanderia, discriminando as peças. 
Room service – Serviço de alimentos e bebidas nos quartos.
Coffee-break – significa “pausa para o café” e é muito solicitado 
como serviço de A&B nos hotéis durante reuniões, seminários, 
convenções e demais eventos. 
Conheça outros termos técnicos acessando: Glossário Hoteleiro: 
termos técnicos para hotéis – Blog Hospedin.
INTERESSANTE
105
• Poissonier: responsável pelo preparo de peixes e frutos do mar; 
• Grillardin: responsável pelo preparo dos alimentos grelhados;
• Garde manger: responsável pelo preparo de patês, saladas, canapés, charcutaria, 
área conhecida como cozinha fria, entre outros. 
Para todos os cargos em hotelaria é imprescindível, além dos conhecimentos 
técnicos, as habilidades pessoais (soft skills) como “gostar de pessoas’ e predisposição ao 
serviço, empatia, discrição, espírito colaborativo, respeito às normas e à política da empresa; 
higiene pessoal; pontualidade, compromisso com o seu constante aperfeiçoamento.
Na hotelaria frequentemente nos referimos aos funcionários como 
colaboradores. Mas, qual a diferença entre empregado, funcionário e 
colaborador? 
O Artigo 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT (1943) considera 
‘empregado’ “toda pessoa física que presta serviços de natureza não 
eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Trata-
se de um termo formal, jurídico, burocrático. “Funcionário” corresponde 
àquele que tem ocupação permanente e retribuída. Por muito tempo, foi 
usado para se identifi car os servidores públicos concursados. Aos poucos o 
termo veio sendo substituído ao “empregado” nas comunicações internas 
e externas das empresas privada, visando maior empatia. Porém, ainda 
é um termo que restringe o reconhecimento da pessoa que trabalha, 
apenas pela sua função.
Já, com a mudança de comportamento advinda das gerações Y e Z 
(nascidos na segunda metade dos anos 80 e dos anos 90, respectivamente) 
as empresas mais contemporâneas, com frequência adotam o termo 
“colaborador” no seu ambiente de trabalho. De acordo com o consultor 
José Roberto Marques (s.d.; s.p.): 
Um colaborador participa, opina, concorda, discorda, cria, 
propõe inovações, traz referências e preocupa-se com a 
organização como se ele também fosse um pouco dono 
dela. Já um empregado apenas faz o que lhe mandam. 
Portanto, é fato que, na atualidade, tanto as empresas 
(as mais modernas) quanto os trabalhadores têm uma 
preferência natural pelo uso do termo “colaborador”, já 
que o seu signifi cado é muito mais construtivo.
Assim, a aplicação dos termos empregado, funcionário ou 
colaborador no ambiente profi ssional depende muito 
da fi losofi a e da política organizacional adotada pela 
empresa na relação com seus trabalhadores. No turismo 
e na hotelaria, os colaboradores são bem-vindos!
INTERESSANTE
106
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tema de aprendizagem, você estudou: 
• A localizaçãodo hotel é um fator determinante para definição dos objetivos do negócio 
hoteleiro, tanto na perspectiva dos proprietários, quando para clientes e funcionários. 
• Como a filosofia, a política e o planejamento estratégico do hotel influenciam a 
estrutura organizacional, necessária para atingir os objetivos do negócio. 
• O organograma como ferramenta para a visualização da estrutura organizacional, 
com a distribuição dos cargos e sua hierarquia, e as suas variantes para hotéis de 
pequeno, médio e grande porte. 
• Os principais departamentos, cargos e funções administrativos e operacionais na 
hotelaria e a importância de adotar o fluxograma e a gestão por processos na perspectiva 
do cliente para alcançar eficiência nos serviços e a satisfação dos hospedes. 
107
AUTOATIVIDADE
1 O critério para a classifi cação dos hotéis como pequeno porte, médio porte ou grande 
porte é a quantidade de Unidades Habitacionais (UHs). Quanto maior a quantidade 
de UHs, maior será a capacidade de acomodação de hóspedes. Consequentemente, 
a estrutura organizacional deverá ser mais especializada, pela necessidade de mais 
funcionários para atendê-los. Com base no exposto, analise a estrutura organizacional 
a seguir:
Fonte: adaptada de Domingues Silva (2014, p. 122)
Assinale a alternativa que apresenta corretamente as características relacionados à 
estrutura organizacional apresentada na fi gura.
a) ( ) A estrutura organizacional representa um hotel de grande porte no qual há 
duas gerencias bem defi nidas: a administrativa e a operacional. Na administrativa 
encontram-se os setores de Recepção, Segurança, Governança, A&B e a operacional 
absorve Recursos Humanos e Vendas e Marketing
b) ( ) A estrutura organizacional representa um hotel de médio porte, em que o 
gerente geral tem sob sua responsabilidade outros gerentes específi cos, tanto os 
departamentos administrativos (Gerente de Recursos humanos/ Controller, Gerente 
de vendas e marketing) quanto os operacionais (Gerente de recepção, Governanta 
Executiva, Gerente de A&B).
c) ( ) A estrutura organizacional representa bem um hotel de pequeno porte , no Brasil, 
equivalente a até 20 UHs, na qual o proprietário exerce a função de gerente geral, 
visto que oferece apenas os serviços mínimos exigidos pelo Regulamento Geral dos 
Meios de Hospedagem. 
d) ( ) A estrutura organizacional representa bem um hotel de pequeno porte, no Brasil, 
equivalente a até 50 UHs, na qual há duas gerencias bem defi nidas: a administrativa 
e a operacional, sendo a operacional a que concentra os serviços de atendimento 
ao hóspede. 
108
2 Entre as qualidades para atuação profissional de uma Governanta de hotel Castelli 
(2003, p. 206) destaca: estimular o trabalho em equipe; desenvolver o espírito de 
responsabilidade entre os seus subordinados; esclarecer os possíveis problemas 
devidos das ordens de serviços; explicar os objetivos e treinar sua equipe para atingir 
eficiência máxima em suas funções; valorizar os funcionários e criar um clima agradável 
de trabalho; tratar a todos da mesma forma e evitar o clima de “fofoca”. Sobre alguns 
cargos e funções do setor de Governança, analise as sentenças a seguir:
Fonte: CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. Coleção Hotelaria. Caxias do Sul: 
Educs, 2003.
I- As camareiras são as profissionais responsáveis pela limpeza e arrumação das UHs, 
verificam o funcionamento de todos os equipamentos da UH e faz a troca da roupa de 
cama e banho; organiza as peças de decoração; repõe os amennities. 
II- Auxiliar de Serviços Gerais (ASG) é o profissional que auxilia no embarque e 
desembarque dos hóspedes e de suas bagagens; acompanhando-os às UHs; executa 
serviços internos e externos de mensagens, compras ou correspondências. 
III- A Supervisora define a escala de trabalho dos funcionários, treina, acompanha e 
avalia as rotinas operacionais; distribui os uniformes conforme as funções, as tarefas 
e os utensílios dos funcionários conforme a ocupação do hotel.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 “O hotel precisa ter uma meta de receita de determinado período; analisar, naquele 
período, qual é o perfil do hóspede e por quais canais de venda eles chegam; definir 
as tarifas e quanto das suas unidades habitacionais serão destinadas para cada 
canal. Após o período, se faz necessário analisar o resultado, pois somente assim 
será possível melhorar as próximas estratégias”. (HOSPEDIN, 2023). 
Fonte: HOSPEDIN. (2023). Revenue management na hotelaria. Disponível em: https://
blog.hospedin.com/revenue-management-na-hotelaria/. Acesso em: 23 fev. 2023. 
Com base no exposto, assinale a alternativa CORRETA correspondente ao cargo 
responsável por esta atividade:
a) ( ) Gerencia de Compras.
b) ( ) Gerente Financeiro.
c) ( ) Governanta.
d) ( ) Gerente de Reservas (Revenue Management).
109
4 Em tempos de baixa ocupação das UHs, os gerentes devem rever o planejamento e 
adotar estratégias que otimizem os serviços e outras instalações do hotel. O setor 
de alimentos e bebidas pode representar um percentual significativo da receita 
hoteleira, assim como os eventos e espaços de lazer. Uma das estratégias muito 
adotadas é o Day Use. Disserte sobre o conceito do Day Use na hotelaria e apresente 
três vantagens para o hotel que adota esta prática na baixa temporada.
5 Embora a estrutura organizacional funcional, expressa pelo organograma vertical, 
seja geralmente considerada como favorável aos objetivos de eficiência nas 
empresas, as linhas verticais definem uma articulação predominantemente entre 
“chefe-subordinado”. Isso tende a fazer com que as respostas aos hóspedes – 
que estão na ponta de uma série de inter-relações entre departamentos – fiquem 
extremamente demoradas, principalmente em hotéis com mais níveis hierárquicos. A 
partir do fluxograma é possível aplicar a gestão por processos, que prioriza o fluxo de 
atividades para o cumprimento das tarefas, de modo a agilizar a comunicação entre 
os funcionários dos departamentos, sejam eles do front of the house ou do back of 
the house. Explique o significado dos termos front of the house e back of the house 
na hotelaria e descreva as funções de dois cargos de cada uma dessas áreas. 
110
111
QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE NA 
HOTELARIA
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico! No Tema de Aprendizagem 2, nós abordaremos dois amplos conceitos 
de grande importância para a hotelaria: qualidade e de sustentabilidade. Qualidade é um 
valor tão subjetivo, como poderá ser medido e avaliado na hotelaria? Quais são os critérios 
e os instrumentos internos e externos para a validação da qualidade hoteleira? 
Por sustentabilidade devemos compreender a possibilidade de adotar medidas 
que proporcionem ao negócio hoteleiro a sua permanência nos próximos anos, a médio 
e longo prazo. Dado o contexto socioambiental em que a hotelaria está inserida, se torna 
imprescindível pensar na sustentabilidade não só econômica do empreendimento, mas, 
também, na sua sustentabilidade ambiental, social e cultural. E quais são os critérios e 
medidas que tornam um hotel sustentável?
Qualidade e sustentabilidade agregam valor aos empreendimentos hoteleiros e 
são muito utilizados como estratégias de marketing. Mas, para além do negócio, precisam 
ser validados para que possam multiplicar seus efeitos também para a sociedade e o meio 
ambiente natural e cultural em que está inserido.
2 PADRÕES DE QUALIDADE NA HOTELARIA 
Por muitos anos a maioria das empresas tinha como foco oferecer um produto 
de qualidade baseado no custo-benefício e por um preço que superasse os seus 
principais concorrentes. Porém, frente à globalização e transformação digital, avaliar 
a experiência do consumidor e a sua percepção de qualidade tornou-se vital para 
qualquer negócio (CAMARGO, 2019). 
De modo geral, associamosa qualidade de um hotel pelo conforto de suas 
instalações e pela eficiência dos seus serviços. Esses valores são muito subjetivos: o que 
é muito bom para um hóspede pode não atender totalmente às expectativas de outro. 
Para além da qualidade como um valor competitivo, deve-se compreendê-la como uma 
obrigação para a sobrevivência da empresa, ainda mais em um mercado tão diverso 
como é o turismo e cujos clientes têm amplo acesso a informações e avaliações de outros 
hóspedes nas plataformas digitais.
UNIDADE 2 TÓPICO 2
112
Conforme Dias e Pimenta (2005) há ao menos três abordagens a respeito da 
gestão da qualidade:
• Abordagem americana – considera a qualidade o resultado da intenção e medidas 
adequadas, e está baseada na trilogia de Joseph Juran: planejamento, controle e 
aperfeiçoamento.
• Abordagem japonesa: que utiliza métodos estatísticos e valoriza o ser humano, 
baseada nos princípios de Deming.
• Abordagem europeia: apoia-se na padronização dos processos e na certificação das 
empresas, que se baseiam na série de normas ISO (International Organization for 
Standardization).
De todo modo, para validar a qualidade na empresa, o gestor precisa adotar 
padrões de qualidade que possam ser mensurados – medidos e avaliados com frequência 
- para que possa revisar a sua política e o planejamento estratégico visando à melhoria 
contínua, acompanhando as tendências do mercado e as expectativas dos clientes, 
inclusive, superando-as. Para tanto, é necessário dispor de um sistema padronizado de 
qualidade total e torna-se imprescindível o comprometimento dos seus colaboradores.
2.1 A HORA DA VERDADE 
De acordo com Petrocchi (2002, p. 42), “Qualidade não significa luxo. Uma 
pequena pousada com dez UHs pode ter uma elevada qualidade dentro de sua dimensão 
e proposta de produto. A qualidade total no modelo japonês possui 5 dimensões: a 
qualidade intrínseca, o custo, o atendimento, a moral e a segurança”. 
• A qualidade intrínseca reflete sobre as condições de hospedagem em geral; o custo 
deve ser compatível com o produto/serviço oferecido; 
• A dimensão do atendimento é fundamental e está diretamente relacionada com a 
entrega adequada dos serviços, com cortesia e eficiência, da equipe que opera o 
hotel. Embora seja subjetivo, é percebido pelo cliente e ele deve ser estimulado a 
responder a formulários ou plataformas de avaliação sobre o hotel. 
• A dimensão moral refere-se ao respeito às leis vigentes e às pessoas em sua 
diversidade, 
• e a dimensão da segurança – física e emocional – dos hóspedes e dos colaboradores. 
Para atingir a qualidade o hotel precisa adotar a perspectiva do cliente e obter o 
comprometimento dos colaboradores de todos os setores (PETROCCHI, 2002). 
A cada momento que o hóspede entra em contato com qualquer parte do 
hotel, Petrocchi (2002), Castelli (2003), entre outros autores, chamam de momento ou 
“hora da verdade”, pois obtém uma impressão sobre a qualidade dos serviços. Por isso é 
importante conhecer bem todo o fluxo de atendimento ao hóspede, seus processos e ter 
colaboradores bem-preparados. 
113
Figura 10 – A hora da verdade – encontro de serviços
Fonte: Petrocchi (2002a, p. 23)
A administração precisa estar atenta à satisfação dos hóspedes, suas críticas 
e sugestões sobre os serviços, instalações e equipamentos, visando aperfeiçoá-los. Da 
mesma forma, deve estar atenta às contribuições de seus colaboradores, promovendo 
uma gestão mais participativa. 
De acordo com Castelli (2003) a gestão da qualidade consta de três etapas 
fundamentais:
• Planejamento da qualidade: estabelecimento de novos padrões (produtos, serviços 
ou processos para atingir as metas referentes as dimensões da qualidade: a qualidade 
intrínseca, o custo, o atendimento (entrega), a moral e a segurança.
• Manutenção da qualidade: manter os padrões para o atingimento das metas, de modo 
que, todas as vezes que isso não ocorrer (anomalias), deve-se verifi car as causas para 
corrigir o desvio do padrão. 
• Melhoria da qualidade: melhorar os padrões para adequar-se às novas exigências dos 
clientes ou atingir novas metas, ou mesmo rever os procedimentos-padrão. 
Para se gerenciar a qualidade é necessário defi nir metas. Elas podem estar 
fi xadas no planejamento estratégico da empresa, ou serem induzidas por anomalias 
crônicas, pelo resultado dos concorrentes ou outros referenciais externos. Toda meta 
contém três componentes: o objetivo gerencial, correspondente a uma dimensão da 
114
 Fonte: Castelli (2003, p. 88)
A definição e monitoramento dos itens de controle e seus índices de desempenho 
devem ser acompanhadas periodicamente (dia, mês, ano), gerando gráficos sequenciais. 
Alguns itens de controle importantes para gerenciamento da qualidade na hotelaria 
seguem na Figura 14.
Quadro 4 – Índices de controle e expressões de medidas 
a) Índice de erros na recepção:
Número de recepções erradas X 100
Número de recepções realizadas 
b) Índice de roupas entregues atrasadas
 Número de entregas atrasadas X 100
 Número total de entregas realizadas 
c) Índice de absenteísmo
 Número total de faltas X 100
 Número total de empregados 
d) Índice de reclamação e atendimento: 
 Número total de reclamações X 100
 Número total de check-ins 
 
Fonte: Castelli (2003, p. 89)
qualidade; um valor; e um prazo. Assim, se o objetivo gerencial for “reduzir a quebra de 
louças na lavagem”, será preciso definir um valor, que pode ser de 60%, e o prazo, por 
exemplo, em um ano (CASTELLI, 2003, p. 88).
 As metas são quantificadas, criando indicadores para torná-las mensuráveis e 
possíveis de serem avaliadas. Por exemplo, no caso de um restaurante, Castelli (2003, p. 
88) propõe alguns indicadores da qualidade de serviço, como na figura 2.:
Quadro 3 – Indicadores da qualidade em serviços
Serviço
Dimensão da 
qualidade
Indicadores Medidas Padrões
RESTAURANTE
Rapidez
Cortesia/
amabilidade
Pouca demora 
após o pedido.
Sorrir; agradar.
Tempo do pedido
Tempo da entrega.
Pesquisa com 
escala:
muito satisfeito; 
satisfeito; 
regular; 
insatisfeito.
De 15 a 20 
minutos.
90% muito 
satisfeito; 0% 
abaixo de regular. 
115
Para o gestor ter referências sobre os padrões e procedimentos de qualidade em 
seu hotel, poderá utilizar os critérios oficiais adotados para a categorização dos hotéis de 
1 a 5 estrelas, e as certificações da International Organization for Standardization (ISO), em 
específico a ISO 9001, que trata da gestão da qualidade total. 
2.2 A ISO 9001 NA HOTELARIA 
No mundo contemporâneo, os clientes estão mais informados e exigentes sobre 
como investir o seu tempo e dinheiro. A competitividade no mercado hoteleiro é intensa e, 
no mercado turístico, um serviço mal prestado poderá comprometer não só a experiência 
do hóspede no hotel, mas toda a sua estada: a sua avaliação negativa sobre o hotel poderá 
se estender sobre a cidade visitada, e até sobre o país. 
 As empresas buscam, então, a adoção de sistemas de qualidade para melhor 
atendê-los, pois disso dependerá a sua permanência no mercado. Não basta definir um 
padrão e gerenciar as anomalias internamente, é preciso que este padrão seja comprovado 
e competitivo, ou seja, adequado ao padrão de concorrência vigente num determinado 
mercado e que seja comunicado, dado a conhecer ao público.
A International Organization for Standardization (ISO), fundada na Suíça em 
1947, atua desenvolvendo normas técnicas com padrões de qualidade internacional 
e certificando as empresas que adotam essas normas. No Brasil, as empresas podem 
comprar os manuais técnicos da ISO 9001, que é a norma para um Sistema de Gestão 
da Qualidade (SGQ), na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No Brasil o 
organismo certificador é o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e 
Tecnologia. A versão mais recente da ISO9001 é do ano de 2015 e apresenta 10 cláusulas 
a serem cumpridas pela79
2.3.1 Organograma de um hotel de pequeno porte .................................................................. 80
2.3.2 Organograma de um hotel de médio porte .......................................................................82
2.3.3 Organograma de um hotel de grande porte .....................................................................83
3 CARGOS E FUNÇÕES NA HOTELARIA ............................................................................ 84
3.1 DEFINIÇÃO DE CARGOS E FUNÇÕES ............................................................................................ 84
3.2 O FLUXOGRAMA E A GESTÃO POR PROCESSOS ........................................................................86
3.3 OS DEPARTAMENTOS, CARGOS E FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS NA HOTELARIA .............89
3.4. OS DEPARTAMENTOS, CARGOS E FUNÇÕES OPERACIONAIS NA HOTELARIA .................93
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................106
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................107
TÓPICO 2 - QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA ....................................111
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................111
2 PADRÕES DE QUALIDADE NA HOTELARIA ....................................................................111
2.1 A HORA DA VERDADE .......................................................................................................................112
2.2 A ISO 9001 NA HOTELARIA ...........................................................................................................115
2.3 O CICLO PDCA ................................................................................................................................... 117
2.4 A QUALIDADE DO PONTO DE VISTA DOS HÓSPEDES E DOS COLABORADORES ............120
3 SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA ...........................................................................123
3.1 SOBRE O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE .......................................................................... 123
3.2 SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA ..........................................................................................128
3.3 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL ...............................................................................................130
3.3.1 A implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) nos hotéis ............................ 133
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................138
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................139
TÓPICO 3 - ÉTICA E RESPONSABILIDADE 
SOCIAL NA HOTELARIA ..................................................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 141
2 ETICA PROFISSIONAL .................................................................................................... 141
2.1 ÉTICA, MORAL E COMPORTAMENTO ............................................................................................ 142
2.2 ÉTICA PROFISSIONAL ....................................................................................................................... 143
2.3 ÉTICA E SOFT SKILLS ...................................................................................................................... 145
3 RESPONSABILIDADE SOCIAL ........................................................................................146
3.1 PRINCÍPIOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL ............................................... 147
3.2 NORMAS E APLICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL .........................150
3.3 RESPONSABILIDADE SOCIAL NO TURISMO E HOTELARIA ..................................................... 155
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................160
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................164
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................165
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................168
UNIDADE 3 — HOSPEDAGEM E HOSPITALIDADE ............................................................ 173
TÓPICO 1 — LEGISLAÇÃO HOTELEIRA ............................................................................. 175
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 175
2 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS .................................................................... 175
2.1 GESTÃO DE SERVIÇOS NA HOTELARIA .........................................................................................177
2.1.1 Brasil e sua legislação hoteleira ............................................................................................ 178
2.2 DIREITOS DO CONSUMIDOR EM HOTELARIA .............................................................................180
2.2.1 A gorjeta na hotelaria .............................................................................................................182
2.2.2 Administração familiar x administração societária na hotelaria .................................183
3 O PAPEL DO COLABORADOR CONSCIENTE .....................................................................................184
3.1 ESTÁGIO EM HOTELARIA ................................................................................................................186
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................188
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................189
TÓPICO 2 - HOTELARIA E HOSPITALIDADE ..................................................................... 191
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 191
2 ORIGENS DA HOSPITALIDADE ....................................................................................... 191
2.1 TEMPOS E ESPAÇOS DA HOSPITALIDADE HUMANA ...............................................................201
2.2 AS EXPECTATIVAS PERTENCENTES À HOSPITALIDADE ....................................................... 203
3 RELAÇÃO ENTRE A HOTELARIA E A HOSPITALIDADE ................................................ 205
3.1 UM EXEMPLO DO PAPEL DA HOTELARIA PAULISTANA NA HOSPITALIDADE .................. 206
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................... 208
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 209
TÓPICO 3 - TURISMO E HOSPITALIDADE ........................................................................ 211
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 211
2 O TURISMO E O ENVOLVIMENTO COM A HOSPITALIDADE ........................................... 211
2.1 HOSPITALIDADE E O TURISMO DE EXPERIÊNCIAS .................................................................. 213
2.2 A HOSPITALIDADE NO TURISMO E A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA .......... 216
3 EVENTOS LIGADOS AO TURISMO QUE TRANSCENDEM A HOSPITALIDADE ............. 217
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................219empresa, que são:
1. Escopo – refere-se aos objetivos a serem atingidos.
2. Referencias normativas – tratam das normas relacionadas aos objetivos. 
3. Termos e definições – visam esclarecer os termos a dotados.
4. Contexto da organização – o relato sobre a situação atual da empresa e do mercado 
 em que atua.
5. Liderança – definição da gestão, suas atribuições e procedimentos.
6. Planejamento – as metas, ações, estratégias necessárias para alcançar os objetivos 
 desejados.
7. Suporte – as instalações, serviços, tecnologia a ser utilizada.
8. Operação – o fluxo de tarefas, departamentos, e funcionários envolvidos. 
9. Avaliação de desempenho – verificação do alcance das metas e dos procedimentos 
 adotados.
10. Melhorias – proposição das mudanças/ações necessárias para a melhoria dos 
 processos. 
116
A ISO9001:2015 promoveu sete Princípios da Qualidade Total: 
Figura 11 – Princípios da qualidade total
Fonte: Adaptada de ISO9001:2015 (2015, s.p.)
Um enfoque especial foi dado à Gestão de Risco nesta versão ISO9001:2015, 
atribuindo mais responsabilidades a alta gestão e a norma está mais compatível com 
outros sistemas de gestão. A Gestão de Risco refere-se ao conjunto de atividades e 
procedimentos preventivos, visando evitar ou tratar de anomalias que possam ocorrer 
nas operações da empresa. 
Todo esse processo é pago pela empresa. E quais as vantagens de obter uma 
certifi cação ISO9001?
Principalmente para a hotelaria que atende ao mercado internacional, a 
certifi cação pela ISO9001 consiste em uma afi rmação do esforço da empresa em 
aplicar ações de melhoria contínua, o que agrega valor tanto para o público interno 
117
(gestores e colaboradores) quanto para o público externo: clientes, fornecedores, 
potenciais investidores e demais stakeholders. Assim o investimento se justifi ca, entre 
outros motivos, por:
→ Aumentar a competitividade, pois, por se tratar de um certifi cado internacionalmente 
reconhecido, a empresa tende a ser vista como uma referência de qualidade.
→ Solidifi ca a política de qualidade, visto que a norma ISO9001:2015 aponta práticas que 
tornam mais efi cientes os processos e fl uxos de trabalho;
→ Melhora a gestão de recursos, proporcionando até a redução de custos e maior 
efi ciência nas rotinas operacionais, o que aumenta o desempenho (TOTVS, 2022). 
2.3 O CICLO PDCA 
Os princípios da ISO 9001:2015 foram determinadas de acordo com o ciclo PDCA 
(Plan, Do, Check, Act) que estabelece quatro etapas vitais para um empreendimento: 
PLANEJAMENTO – EXECUÇÃO – VERIFICAÇÃO – AÇÃO CORRETIVA.
Figura 12 – Método PDCA
Fonte: Adaptada de Castelli (2003, p. 92)
118
(1) Plan: é o planejamento sobre as diretrizes de controle ou os padrões de qualidade 
definindo: a) metas para cada item de controle; b) estabelecimento do método – 
procedimentos e meios – para se atingir as metas.
(2) Do: executar as tarefas conforme planejadas, sendo necessário treinar as pessoas 
no trabalho e coletar os dados para etapa de verificação, aplicando as ferramentas 
apropriadas.
(3) Check: com os dados coletados, verifica-se se as metas foram atingidas, comparando 
os resultados obtidos com os resultados planejados e registrando as falhas/desvios 
para a etapa seguinte; este feedback é fundamental para os ajustes no planejamento. 
(4) Action: conforme a avaliação dos resultados é momento de decidir sobre: a) caso a 
meta tenha sido atingida: manter o padrão planejado; b) caso a meta não seja atingida 
agir sobre as causas para encontrar a razão dos desvios e tomar as providências para 
que o problema não volte a ocorrer (CASTELLI, 2003).
No planejamento, ao definir as metas e os métodos, torna-se necessário elaborar 
os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) e escolher as ferramentas para a gestão da 
qualidade. O POP é um documento a ser seguido por cada colaborador no desempenho 
de sua função. Traz uma descrição das ações previstas para não ocorrer erros durante a 
execução que poderão gerar riscos ou desvios nos padrões de qualidade dos serviços. A 
seguir veremos um modelo de POP para a rotina de uma camareira:
Quadro 5 – Procedimento Operacional Padrão (POP) Camareira
LOGO DO
 HOTEL
PROCEDIMENTO 
OPERACIONAL
PADRÃO (POP)
No. 
Estabelecido em: ___/___/___ 
Revisado em: ___/___/___
Nome da tarefa: arrumação de apartamento que deu saída 
Executante: camareira 
Material necessário: 
Carrinho de serviço; aspirador de pó; balde, vassoura, detergente, desinfetante; lustra-
móveis, lençóis, toalhas, fronhas, material para correspondência, lista de preços da 
lavanderia, rol de roupas, sacos para roupa, sabonetes, toucas de banho; lenços de 
papel; papel higiênico; luvas.
Atividades: 
→ Bater na porta antes de entrar no apartamento;
→ Deixar a porta entreaberta durante a limpeza;
→ Abrir as janelas para ventilar o apartamento;
→ Fazer a vistoria completa do apartamento;
→ Recolher todo o lixo;
→ Desligar os aparelhos elétricos, verificando o seu funcionamento;
→ Arrumar a cama;
→ Limpar o banheiro 
→ Passar aspirador de pó no carpete
119
Fonte: adaptado de Castelli (2003, p. 96)
Observa-se que, além das tarefas a serem executadas, o POP traz o material 
necessário e ainda tem o alerta sobre “Cuidados Especiais” para evitar acidentes ou 
desvios dos padrões de qualidade do serviço, e propõe a ações corretivas, bem como o 
tempo estimado para o cumprimento da tarefa, uma meta a ser cumprida. Portanto, para 
alcançar e manter os resultados planejados na gestão da qualidade é necessário: 
a) Padronizar todas as tarefas.
b) Treinar as pessoas no ambiente de trabalho e na execução de suas funções. 
→ Limpar e tirar pó de móveis e utensílios;
→ Ordenar os móveis e impressos;
→ Fechar as janelas;
→ Apagar as luzes e fechar a porta;
Cuidados especiais: 
• Saber cuidar dos objetos esquecidos pelos hóspedes;
• Não jogar os restos de sabonetes no vaso sanitário;
• Colocar as garrafas, copos quebrados e outros objetos cortantes na lixeira especial;
• Colocar as roupas sujas de cama e banho no carrinho; nunca no chão;
• Não subir no vaso sanitário ou borda da banheira para alcançar um lugar mais alto;
• Não usar toalhas de banho ou rosto para limpar objetos;
• Evitar ruídos nos corredores;
• Comunicar quando o apartamento estiver arrumado, pronto para ser novamente 
ocupado;
• Preencher o relatório diário.
Resultados esperados: 
→ Apartamento bem limpo e higienizado;
→ Tempo para a execução do trabalho: 25 minutos.
Ações Corretivas: 
• Caso haja avarias no apartamento, comunicar à governanta;
• Caso o hóspede tenha esquecido algum pertence, comunicar à governanta;
• Caso haja roupas de cama e banho danificadas, substituí-las imediatamente por 
outras.
Aprovação:
_____________
 Governanta
 
 _____________ 
 Supervisora
____________
Gerência
120
c) Supervisionar e auditar todas as tarefas.
d) Monitorar os resultados.
e) Estabelecer um tratamento para as anomalias (CASTELLI, 2003).
Já quanto às ferramentas para a gestão da qualidade total, existem várias 
empresas, consultorias, auditorias e softwares especializados para atender às 
necessidades da hotelaria. São apenas os meios, um recurso para facilitar o alcance dos 
resultados. Se a gestão não dominar o método PDCA, não saberá como aproveitar as 
ferramentas para melhorar o seu desempenho. 
2.4 A QUALIDADE DO PONTO DE VISTA DOS HÓSPEDES E 
DOS COLABORADORES
Além de medir a qualidade do ponto de vista da gestão do hotel, é preciso 
considerar o ponto de vista do hóspede. Mas, como medir a sua satisfação? Um erro 
recorrente, ainda hoje, segundo Caon (2008, p. 48) é perguntar apenas “como os hóspedes 
avaliam a qualidade dos serviços prestados”. Com uma pergunta tão genérica, como o 
gestor poderá mensurar o que deve ser aprimorado em seus serviços? 
Vários estudos internacionais ao longo do tempo vêm buscando aprimorar os 
métodos e identificar as dimensões da qualidade percebida pelo cliente de serviços. O 
primeiro métodoaceito internacionalmente é chamado de SERVQUAL, criado em 1988 
pelos pesquisadores de marketing norte-americanos Valarie A. Zeithalm, A. Parasuraman 
e Leonard L. Berry (MAGALHÃES, 2022, [s.p.]). É composto por dois questionários com 22 
questões cada, que procuram saber:
• No questionário 1: A expectativa dos clientes sobre determinado serviço para ser 
considerado excelente, independente da empresa que o oferece;
• No questionário 2: A percepção do cliente sobre o serviço realmente prestado pela 
empresa em análise (CAON, 2008).
As questões são elaboradas considerando que a qualidade de um serviço é 
composta por cinco aspectos: tangibilidade; confiabilidade; empatia; competência e 
velocidade de resposta. A escala Likert aplicada para avaliação varia de 1 (discordo totalmente) 
a 7 (concordo totalmente). Este modelo já foi bastante criticado, pela sua extensão e tempo 
para resposta (44 questões); pela amplitude da escala, pela complexidade de avaliação 
dela decorrente (CAON, 2008). Mas foi a partir desse modelo que muitos hotéis adaptaram 
seus formulários para captar a percepção de qualidade dos seus serviços. 
Os Parasuraman, Zeithalm e Berry, criadores do SERVQUAL, identificaram cinco 
lacunas (gaps) entre o que é oferecido pelo prestador de serviço e o que é percebido pelo 
cliente, que implicam na satisfação ou insatisfação do mesmo e, como consequência, na 
qualidade de serviços que merecem a atenção dos gestores: 
121
• Gap (1): entre a expectativa do cliente e a percepção gerencial sobre as expectativas; 
• Gap (2): entre a percepção gerencial da expectativa e a especificação da qualidade do 
serviço; 
• Gap (3): entre a especificação do serviço e o que o serviço que realmente é oferecido; 
• Gap (4): entre o serviço oferecido e o que é comunicado ao usuário; 
• Gap (5): entre o que o cliente espera receber e a percepção que ele tem do serviço. 
(MARIANO; ANDRINO; AYVIRI-PANOZO; SANTOS, 2018).
Atualmente, com a tecnologia e clientes cada vez mais conectados às redes 
sociais, só aumenta a necessidade de as empresas obterem a validação de marcas, 
produtos e serviços por seus usuários, e comunicá-las ao mercado. O cliente precisa se 
sentir seguro, bem atendido e completamente satisfeito com o serviço que adquiriu para 
bem avaliar uma empresa publicamente, em plataformas como a Expedia, TripAdvisor, 
Booking.com e outras do setor de turismo. De acordo com a plataforma Omnibees os 
principais fatores que influenciam na satisfação do hóspede, são:
→ Tecnologia: o hotel deve investir em dispositivos e softwares eficientes e estáveis;
→ Presença on line: Os clientes buscam facilidade no acesso às informações e 
procedimentos para reservas e pagamentos. É importante que o hotel esteja presente 
nas redes sociais, mantenha um site interativo e conste nas plataformas de viagens.
→ Expectativa: muitas ferramentas podem auxiliar o gestor na identificação as expectativas 
dos seus clientes, como pesquisas de mercado, análises de feedbacks etc. Uma medida 
importante é responder aos clientes que avaliaram negativamente o hotel, proporcionando 
uma nova estada, um novo serviço, e buscar superar as suas expectativas.
→ Qualidade: os hotéis, através de seu sistema interno de gestão da qualidade, deverão 
se empenhar para superar os gaps em relação as expectativas de seus hóspedes, 
buscando surpreendê-los sempre para além do esperado, inovando constantemente, 
mas mantendo a alta performance em seus serviços.
→ Equipe: grande parte das avaliações negativas de hotéis por parte dos hóspedes tem 
relação a problemas no atendimento e na prestação de serviços. O treinamento da equipe 
é necessário para cometer menos erros e diminuir prejuízos, e ter uma equipe integrada e 
comprometida com a perfeição em cada entrega ao cliente (OMNIBEES, 2020).
Além do formulário físico e/ou on-line para avaliação de atributos – como 
atendimento, valor da tarifa, o site, a comunicação – e aspectos físicos do hotel derivados 
do SERVQUAL, existem diversas ferramentas que podem ser utilizadas como indicadores 
de satisfação do cliente. Aqui citaremos duas, com base na Plataforma Omnibees:
• Net Promoter Score (NPS), criada por Fred Reichheld. Através de um método misto 
de pesquisa qualitativa -quantitativa traça um panorama sobre a satisfação e a 
fidelidade dos clientes. Está baseada em uma única pergunta: “Em uma escala de 
0 a 10, quanto você recomendaria este hotel para um amigo?” Para calcular o NPS, 
deve-se obter o % de clientes promotores (que atribuíram notas 9 e 10) e subtrair o 
% de clientes detratores (que atribuíram notas de 0 a 6). Assim, o valor do NPS pode 
122
variar de – 0 a 100. Quanto mais perto de 100, maior a quantidade de clientes que 
indicariam o seu hotel (promotores). Essa pesquisa pode ser aplicada por formulário 
impresso ou digital no hotel ou por ferramentas disponíveis na internet e que podem 
ser distribuídas aos hóspedes por e-mail, pops-up ou widget.
• Customer Satisfaction Score (CSAT) – Diferentemente do NPS, o CSAT é aplicado 
logo após a prestação de um serviço ou interação específica com o cliente. Ele deve 
responder a uma única questão: “o quão satisfeito ficou com o nosso serviço?” 
assinalando uma opção, que varia de escala, de 1 a 10 ou de 1 a 5, ou mesmo com 
símbolos como estrelas. Sua aplicação também ocorre por formulários ou meios 
digitais, de modo a agilizar a elaboração e análise dos resultados (CAMARGO, 2019).
Apesar da aparente simplicidade das aplicações NPS e CSAT, deve-se ter em 
mente que são apenas ferramentas! Portanto, é necessário compreender bem o método 
e o melhor meio e momento para a sua aplicação, conforme os objetivos da empresa.
Já na perspectiva dos colaboradores quanto à qualidade dos serviços do hotel, 
pode-se elaborar relatórios para monitoramento e avaliação das tarefas a partir de um 
formulário de verificação dos principais problemas e sua ocorrência por semana/mês/
ano, e transportá-los para gráficos mais elaborados como Gráficos Cronológicos, Gráfico 
de Pareto, o Diagrama de Causa e Efeito de Ishikawa e outros.
Na relação com os colaboradores, há outras ferramentas para ouvir as 
suas percepções sobre os serviços executados e considerá-las nas etapas de 
planejamento, treinamento e execução. Entre elas: manter reuniões regulares de 
departamento com os colaboradores; eleger representantes entre os colaboradores 
para participar das reuniões de gerência geral ou alta –gestão; incentivar premiações 
para a participação dos colaboradores nas ações ou nos encontros avaliativos. 
Outra ferramenta é o Brainstorming: gerar uma reunião por departamento sobre um 
tema proposto e mesmo para obter uma “tempestade de ideias”, para solução de 
problemas. Geralmente ocorre com o acompanhamento psicológico do departamento 
de Recursos Humanos, pois é preciso: 
• Incentivar todas as pessoas a expor as suas ideias;
• Evitar julgamentos e críticas à fala dos participantes ou resmungos durante a sessão; 
• Registrar, sem interpretar, todas as ideias em um quadro ou flipchart, físico ou digital, 
mas que permita a todos visualizar e manifestar as suas opiniões e sugestões; 
• Ao final das exposições, o próprio grupo passa a selecionar as sugestões mais 
apropriadas para atender a questão proposta (CASTELLI, 2003).
Ouvir o colaborador é a melhor estratégia para aumentar o desempenho. Além 
valorizá-lo, certamente são as pessoas no exercício de suas funções aqueles que 
melhor podem contribuir para a melhoria dos processos, do ambiente de trabalho e, 
consequentemente, para o bem-estar dos hóspedes e a rentabilidade da empresa. 
123
3 SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA 
Assim como cumprir padrões de qualidade e alcançar a sustentabilidade na 
hotelaria são um dos grandes desafios da contemporaneidade, não só para atingir os 
objetivos do negócio, mas a qualidade na perspectiva dos clientes e dos funcionários.
O termo sustentabilidade foi promovido em 1987, pela diplomata norueguesa 
Gro Brundtland na Conferência das NaçõesUnidas sobre o Meio Ambiente Humano. Ela 
apresentou o relatório “Nosso Futuro Comum” – também referenciado como Relatório 
Brundtland – no qual discute a relação entre progresso e meio ambiente. Daí se propaga 
o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo “o processo que satisfaz as 
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir 
suas próprias necessidades” (INSTITUTO ECOBRASIL, 2023, s.p.).
 De lá para cá foi intensificado o envolvimento cada vez maior de países, 
empresas, instituições e pessoas na busca de meios para amenizar os impactos e os 
riscos ambientais, sociais e econômicos dos processos de industrialização, de uso de 
recursos naturais, de consumo desenfreado, de produção e descarte de resíduos, entre 
outros, que tanto têm ameaçado nossas vidas e o planeta. 
A hotelaria é um negócio onde há grande volume de consumo de energia, de 
água, de produtos – inclusive, químicos – de produção de resíduos. Trata-se de processos 
e recursos que são inerentes a sua operação. Como será possível tornar um hotel 
sustentável? É o que veremos.
3.1 SOBRE O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE 
Decorrente do termo desenvolvimento sustentável, a sustentabilidade vem a ser a 
continuidade das ações que possibilitam às gerações futuras suprir as suas necessidades. 
Estabelece uma relação direta entre a qualidade do meio ambiente e a qualidade de vida 
das pessoas, no presente e no futuro, em âmbito local e global.
A médica Gro Harlem Brundtland, que esteve à frente da Comissão Mundial de 
Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas e coordenou o Relatório “Nosso 
Futuro Comum” (1987), certa ocasião afirmou: 
Em um mundo globalizado, estamos todos interconectados. Os 
ricos estão vulneráveis às ameaças contra os pobres e os fortes, 
vulneráveis aos perigos que atingem os fracos. [...]. Não haverá 
paz global sem direitos humanos, desenvolvimento sustentável e 
redução das distancias entre os ricos e pobres. Nosso Futuro Comum 
depende do entendimento e do senso de responsabilidade e relação 
ao direito de oportunidade para todos (ECOBRASIL, 2023, s.p.).
124
O relatório já apontava a preocupação com o aquecimento global e a destruição 
da camada de ozônio e com a velocidade das mudanças climáticas e do comportamento 
social ser muito superior à capacidade de análise pela ciência para a proposição de 
soluções aos impactos, já verificados desde aquela época. Algumas soluções foram 
apontadas no relatório para as nações, a saber:
→ Diminuição do consumo de energia;
→ Limitação do crescimento populacional;
→ Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a logo prazo;
→ Preservação da biodiversidade e ecossistemas;
→ Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de 
fontes energéticas renováveis;
→ Aumento da produção industrial nos países não industrializados com base em 
tecnologias ecologicamente adaptadas;
→ Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores;
→ Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).
O relatório também propôs medidas práticas para a implantação de um Programa 
de Desenvolvimento Sustentável, tais como:
• Uso de novos materiais na construção;
• Reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;
• Aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a eólica 
e a geotérmica;
• Reciclagem de materiais reaproveitáveis;
• Consumo racional de água e de alimentos;
• Redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção de alimentos; 
(ECOBRASIL, 2023).
Várias iniciativas seguiram o Relatório “Nosso Futuro Comum” (também conhecido 
como Relatório Brundtland). Mais recentemente, em 2015 os países integrantes da 
ONU assinaram o compromisso com Agenda 2030 que estabelece os 17 Objetivos do 
Desenvolvimento Sustentável. A declaração trata de temas, metas e ações para mitigar 
os principais problemas observados em âmbito global, sendo apontado como o principal 
deles, a pobreza extrema e a fome (BRASIL, NAÇÕES UNIDAS, 2020). 
125
Figura 13 – Os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável – ONU Agenda 2030
Fonte: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 27 abr. 2023.
No site da Organização das Nações Unidas no Brasil, é possível 
acompanhar o desenvolvimento das ações dos ODS no país 
(https://brasil.un.org/pt-br/sdgs). 
Perceba como os 17 ODS são abrangentes, tratando do meio 
ambiente, paz, justiça, eficiência energética, crescimento 
econômico, entre outros. Isso por que para obter o 
desenvolvimento sustentável, não basta pensar apenas no 
enfoque ambiental, entendido como o ambiente natural, mas 
também nos ambientes econômico e social. É o que muitos 
autores denominam de “tripé da sustentabilidade”.
NOTAS
126
Figura 14 – O tripé da sustentabilidade
Fonte: Lordelo (2017, s.p.)
Observe a interdependência entre as dimensões ambiental, econômica e social. A 
sustentabilidade, portanto, será o resultado de um desenvolvimento sustentável, onde se 
verifi que a prosperidade econômica paralelamente à redução da desigualdade social e ao 
aumento da preservação do meio ambiente natural. Este objetivo deverá ser perseguido 
pelas nações e suas unidades estaduais e municipais, pelas empresas, instituições e 
organizações sociais diversas. 
Uma ideia simples, mas ao alcance de cada indivíduo e muito difundida 
internacionalmente, são o “Rs” da sustentabilidade. Cada R representa uma atitude 
a se tomar hoje para que não só a nossa vida pessoal ou da organização seja menos 
nociva ao meio ambiente, como para educar e garantir o futuro das próximas 
gerações. São eles:
127
Figura 15 – Os Rs da Sustentabilidade
Fonte: o autor
→ REFLETIR – é preciso adotar uma postura crítica em relação ao que consumimos e refl etir 
se é mesmo necessário, pois, decorrente do consumo, vem o descarte de resíduos. 
→ REDUZIR – reduzir o consumo de produtos, de serviços e de energia, evitando o 
desperdício de energia elétrica, de água, de gás, e a produção de lixo.
→ REUTILZAR – produto usado que pode ser reaproveitado para um novo uso ou uma 
nova função. Por exemplo: a caixa do leite, após consumido o produto, poderá servir 
de forma para bolo gelado ou para plantio de sementes. 
→ RECILAR – signifi ca colocar o material em um novo ciclo. Consiste em um processo 
de transformação de um resíduo em um novo produto ou para uma nova função. A 
caixa do leite, ao ser reciclada, poderá se transformar em uma cesta artesanal. Daí a 
importância de praticar a coleta seletiva, que proporciona o retorno a economia dos 
materiais reciclados (TERA AMBIENTAL, 2021).
→ RESPEITAR – um princípio dos direitos humanos que deve ser incorporado para o 
convívio social e o meio ambiente: respeito a si mesmo; respeito a diversidade 
humana, a todas as formas de vida; respeito às normas e às leis.
→ REPARAR – Muitas vezes descartamos eletrônicos, eletrodomésticos, vestuário 
ou utensílios que consideramos com defeito ou antiquados, mas que podem ser 
reparados e repassados a outras pessoas que deles necessitam. Outra opção é 
encaminhar para reciclagem.
→ REPASSAR – Evitar o descarte no lixo ou o acúmulo em casa de pertences que podem 
ser úteis a outras pessoas. Há várias organizações que se encarregam de coletas para 
redistribuir esses bens. O planeta depende do esforço de todos e as informações que 
podem torná-lo melhor também devem ser repassadas (PENSAMENTO VERDE, 2019).
O conceito sustentabilidade aplicado na iniciativa privada encontrará 
diferentes modus operandi (formas de fazer) conforme o setor econômico ao qual 
pertence: extrativismo, indústria, serviços. Veremos como a hotelaria tem trabalhado a 
sustentabilidade em suas operações. 
128
3.2 SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA
Segundo Vieira e Hoff man (2007), a ideia de qualidade do meio ambiente 
associado ao produto turístico teria origem nos anos 1970 e marcado todo o século XX. 
Segundo os autores, no segmento hoteleiro, foi a partir dos anos 1990que princípios de 
qualidade no meio ambiente se manifestaram, tanto no conceito construtivo dos hotéis 
quanto na forma de operação. Frente à intensifi cação da globalização e competitividade 
no mercado, torna-se fundamental aliar a gestão ambiental às operações hoteleiras 
(NASCIMENTO; WADA; RODRIGUES, 2017).
A emergência da sustentabilidade representa uma nova abordagem na forma de 
fazer negócios: as empresas devem, além de reduzir o uso de recursos naturais e tratar seus 
resíduos, promover a responsabilidade social, sem comprometer a rentabilidade econômico-
fi nanceira do empreendimento. Mas como aplicar uma gestão sustentável na hotelaria?
Algumas perspectivas a serem observadas no planejamento estratégico das 
empresas hoteleira, a partir do tripé da sustentabilidade:
→ Dimensão econômica: as empresas deverão adotar medidas que ampliem a sua 
efi ciência e rentabilidade, gerando empregos e visando reaver o capital investido.
→ Dimensão social: as empresas deverão respeitar os princípios dos direitos humanos e 
as leis trabalhistas (fundamental), mas promover o bem-estar de seus colaboradores. 
Fomentar a igualdade de oportunidades, e atuar de forma justa e honesta não só com 
seus colaboradores, mas com todos os seus stakeholders e a sociedade de modo geral, 
inclusive avaliando os impactos de sua atividade econômica na comunidade local.
→ Dimensão ambiental: as empresas deverão se empenhar em gerir e conservar os 
recursos naturais, assim como a proteção da paisagem e do meio em que estão 
inseridas (OMNIBEES, 2020).
stakeholders. A teoria sobre os stakeholders foi 
apresentada por Freeman (1984, p. 5), identifi cando-os 
como “todos os indivíduos, grupo ou organizações que 
são afetados ou afetam outros stakeholders para alcançar 
o objetivo de uma determinada empresa”. Assim, entre 
os stakeholders da hotelaria pode se considerar os seus 
investidores, ou seus colaboradores que contribuem para 
a empresa no desempenho de suas funções, bem como 
todas as pessoas ou grupos que direta ou indiretamente 
sofrem as consequências das ações da empresa, como 
os moradores da cidade onde o hotel está inserido 
(NASCIMENTO; WADA; RODRIGUES, 2017, p. 7). 
NOTAS
129
Ao propor a análise macroambiental para o planejamento estratégico na hotelaria 
Petrocchi (2002) sugere alguns stakeholders da hotelaria, conforme a Figura 21:
Figura 16 – O macroambiente e stakeholders na hotelaria
Fonte: adaptada de Petrocchi (2002b, p. 10)
O Ministério do Turismo, em seu Guia de Turismo e Sustentabilidade (2016, p. 8) 
ressalta que: 
Empresas que praticam a sustentabilidade contribuem para o 
desenvolvimento da comunidade e o aumento da geração de renda 
ao contratar mão de obra local, adquirir produtos de fornecedores da 
região e elaborar ou participar de projetos sociais. Para desenvolver 
a atividade de forma sustentável, deve-se buscar a economia de 
recursos, desde que este esforço não implique em prejuízos à 
qualidade e segurança dos serviços, à produtividade da equipe e ao 
conforto do consumidor.
A sustentabilidade precisa fazer parte da fi losofi a e da politica da empresa para 
que possa orientar metas e ações coerentes em seu planejamento estratégico. Consumo 
e desperdício de água e enegia elétrica e o excesso de despejo irregular do lixo produzidos 
no dia a dia são apontados como fatores críticos para a hotelaria. Principalmente porque 
controlar este consumo ou desperdício não depende apenas dos colaboradores, mas, 
principalmente, da conscientização e comportamento dos hóspedes (AMAZONAS; SILVA; 
ANDRADE, 2018). Algumas medidas práticas para aumentar a sustentabilidade das 
empresas hoteleiras podem se dar através de:
1. Aproveitamento das águas das chuvas: aproveitar para regar jardim ou para a 
lavagem de áreas externas proporcionará economia no consumo de água potável.
2. Redução o uso de embalagens e produtos descartáveis: a proposta é substituir os 
descartáveis por reutilizáveis. 
130
3. Programa de compostagem de alimentos: todo o resíduo das refeições, sejam de 
hóspedes ou de funcionários; da área de produção da cozinha, como casca de 
legumes e frutas ou seus pedaços que forem descartados podem ser preparados em 
compostagem para servir de adubo no jardim, horta e áreas verdes do hotel. 
4. Opção por produtos locais e da estação: buscar fornecedores na cidade ou região 
diminui o custo de transporte e risco de armazenamento, principalmente de frutas, 
verduras e legumes, carnes, pescados e aves, amenities e outros.
5. Redução do uso de papel: há softwares inteligentes que facilitam a armazenagem de 
documentos e de mensagens para evitar o fluxo por papel impreso. 
6. Adoção de chave em cartões magnéticos feitas em bioplástico: adotada pelos hotéis 
após as crises energéticas no país, foi a adoção do cartão magnético (geralmente 
feitos em PVC) como chave do apartamento, de modo a todas as luzes e equipamentos 
sejam desligados ao fechar a porta, evitando o desperdício de energia. Quando 
confeccionadas em bioplástico, contribuem também paa evitar a poluição, pois se 
desintegram.
7. Opção por produtos de limpeza ecológicos: preferir produtos ecológicos, ou cuja 
formula tenha mais ingredientes naturais do que químicos, portanto menos nocivos 
às pessoas e ao meio ambiente (OMNIBEES, 2020).
Além de fazer bem para o meio ambiente, colaboradores e população, o hotel 
passa a ser percebido como um empreendimento responsável e isso é muito apreciado 
pelos clientes e stakeholders. Poderá ser um importante componente no mix de marketing 
do hotel. Entre as vantagens pode-se destacar, além da reputação do hotel, um melhor 
posicionamento frente à concorrência, à motivação dos colaboradores por atuar em uma 
organização com princípios sustentáveis e, certamente, eficiência e ao positivo impacto 
operacional e financeiro que as medidas sutentáveis trarão para o empreendimento em 
médio e longo prazos (OMNIBEES, 2020).
As práticas sustentáveis já são entendidas como uma necessidade nas 
empresas. Importante é adotar um sistema de gestão ambiental para poder avaliar 
melhor os pontos a serem trabalhados e quais os seus reais impactos para hotel e a 
localidade onde está inserido. 
3.3 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL 
As medidas de proteção ambiental começaram a permear a indústria hoteleira a 
partir dos anos 1990, através de inciativas adotadas por grupos internacionais como a rede 
Hilton, Accor e InterContinental Hotel Group (IHG). Na economia do turismo, a hotelaria 
representa o maior setor produtivo, sendo considerado a base para o processo de gestão 
sustentável também para os destinos turísticos (AMAZONAS; SILVA; ANDRADE, 2018).
131
Os grandes grupos hoteleiros notadamente ganham vantagens competitivas 
quando se trata de inovar ou adotar tecnologias e práticas sustentáveis (TPSs) para 
a gestão ambiental, afi nal, compartilham em suas unidades hoteleiras os custos de 
implantação e os processos unifi cados para fi ns de avaliação. Mas qualquer empresa deve 
adotar medidas voltadas à sustentabilidade. Algumas normas técnicas estão disponíveis 
para aquisição de modo a orientar os procedimentos, bem como para certifi car as 
empresas que as aplicam, entre elas:
• As Normas ISO14000 e ISO14001 – é a série difundida desde 1993 que defi ne um 
padrão internacional para a gestão ambiental. Abrange seis áreas: sistemas de gestão 
ambiental; auditorias ambientais; avaliação de desempenho, rotulagem ambiental, 
aspectos ambientais nas normas e produtos, análise de ciclo de vida de produto. 
Para cada área novas normas detalham procedimentos e são atualizadas de tempos 
em tempos. A ISO14001 especifi ca os requisitos para a implantação, manutenção, 
auditoria e melhoria contínua do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). O SGA é um 
conjunto de ações coordenadas para gerir recursos (humanos, materiais, fi nanceiros) 
e acompanhar as atividades de proteção ambiental. “Suas diretrizes são: organizar, 
planejar, atribuir responsabilidade, prever recursos materiais e humanos,determinar 
procedimento para atender assim, a uma “Política Ambiental” e as expectativas de 
desempenho, conforme as exigências da ISO 14001” (SCHENINI; LEMOS; SILVA, 2005, 
p. 6). No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) adotou esta norma, 
intitulada NBR ISO 14001 para fi ns de certifi cação internacional para as empresas que 
adotam o SGA.
• ABNT NBR 15401 – “Meios de Hospedagem – Sistemas de Gestão da Sustentabilidade 
– Requisitos” – Esta norma especifi ca requisitos e critérios mínimos de desempenho 
para a sustentabilidade em meios de hospedagem. Orienta a empresa para a 
elaboração de uma política e a defi nição dos objetivos, considerando os requisitos 
legais, e as informações relativas aos impactos ambientais, socioculturais e 
econômicos. A primeira edição foi publicada em 2006, e a mais recente em 2019. 
Ainda conta com duas normas complementares:
A rede Accor foi uma das pioneiras na gestão da ambiental 
para a sustentabilidade, com o seu Programa Planet 21. O 
grupo assumiu metas audaciosas para serem alcançadas até 
2020. Com foco na alimentação e nos edifícios, sua atuação 
se deu através de quatro eixos estratégicos: (1) Agir junto com 
os colaboradores;(2) envolver os seus clientes; (3) coinovar 
com os seus parceiros; (4) agir com as comunidades locais.
Conheça mais o Programa PLANET 21, da Rede 
Accor, acessando https://all.accor.com/pt/sustainable-
development/index.shtml. 
INTERESSANTE
132
a) NBR 15333 – Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão da Sustentabilidade –
Requisitos e competências para auditores.
b) NBR 16534 – Meios de Hospedagem – Indicadores para Sistema de Gestão da 
Sustentabilidade.
• NIH 54:2004 – “Norma Nacional para Meios de Hospedagem – Requisitos para a 
Sustentabilidade”, proposto em 2004 pelo Instituto de Hospitalidade (IH) em parceria 
com o Ministério do Turismo (MTur) na sua primeira gestão (2003-2007). A norma foi 
desenvolvida no âmbito do Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS/
MTur, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Agência de 
Promoção das Exportações – APEX Brasil. O documento foi “construído de forma 
representativa, voluntária e legitimada pelos atores-chave dos diversos segmentos 
interessados (INSTITUTO DE HOSPITALIDADE, 2004).
Esta Norma se aplica a qualquer meio de hospedagem que deseja: 
a) implementar, manter e aprimorar práticas sustentáveis para as suas operações; 
b) assegurar-se de sua conformidade com sua política de sustentabilidade definida; 
c) demonstrar tal conformidade a terceiros; 
d) buscar a certificação segundo esta norma por uma organização externa; ou 
e) realizar uma autoavaliação da conformidade com esta Norma (INSTITUTO DE 
HOSPITALIDADE, 2004).
Saiba mais sobre as normas técnicas para sustentabilidade nos 
meios de hospedagem! 
As normas técnicas geralmente são pagas, mas , em uma 
parceria entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT) e o Ministério do Turismo, a ABNT NBR 15401/ 2006 
foi disponibilizada para consulta no site http://ecobrasil.
eco.br/images/IMAGENS/CONCEITOS/ABNT_NBR15401_
TurismoSustentavelMeiosHospedagem2006.pdf. 
Já o Instituto de Hospitalidade disponibilizou a NIH 
54:2004 – “Norma Nacional para Meios de Hospedagem 
– Requisitos para a Sustentabilidade”, pela biblioteca do 
SEBRAE , que pode ser acessada pelo link https://bibliotecas.
sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/
bds.nsf/467524C358E0487D832575E0006C5CBA/$File/
NT00041A3E.pdf.
DICA
http://ecobrasil.eco.br/images/IMAGENS/CONCEITOS/ABNT_NBR15401_TurismoSustentavelMeiosHospedagem2006.pdf
http://ecobrasil.eco.br/images/IMAGENS/CONCEITOS/ABNT_NBR15401_TurismoSustentavelMeiosHospedagem2006.pdf
http://ecobrasil.eco.br/images/IMAGENS/CONCEITOS/ABNT_NBR15401_TurismoSustentavelMeiosHospedagem2006.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/467524C358E0487D832575E0006C5CBA/$File/NT00041A3E.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/467524C358E0487D832575E0006C5CBA/$File/NT00041A3E.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/467524C358E0487D832575E0006C5CBA/$File/NT00041A3E.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/467524C358E0487D832575E0006C5CBA/$File/NT00041A3E.pdf
133
3.3.1 A implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) 
nos hotéis
De acordo com a ISO 14000, as etapas para implementação do SGA são: 
a) Comprometimento e definição da política ambiental da empresa; 
b) Elaboração do plano; 
c) Implantação e operacionalização; 
d) Avaliação periódica; 
e) Revisão do SGA e implementação de melhorias (SCHENINI; LEMOS; SILVA, 2005).
O hotel deverá definir em seu planejamento, os objetivos, as metas, os indicadores 
e os setores responsáveis pelas ações, para que possa avaliar e promover melhoria nos 
processos com a frequência necessária para a eficiência da gestão ambiental. Veja um 
exemplo na figura a seguir. 
Quadro 6 – Exemplos de objetivos, metas e indicadores para o SGA de um hotel
OBJETIVOS METAS INDICADORES
Diminuir o consumo de 
água, estimulando a 
redução do desperdício.
Diminuir o consumo de 25% 
no prazo de nove meses
Consumo de água em m3 
Melhorar a qualidade 
dos efluentes ao serem 
lançados no corpo receptor 
através de tratamento 
adequado
Atender aos padrões de
qualidade dos efluentes ao
serem lançados no corpo
receptor num prazo de 
doze
meses.
Quantidade de DBO, DQO, 
OD e P total por ml de 
efluente ao ser lançado no 
corpo receptor
Reduzir o consumo 
de energia elétrica, 
estimulando o seu uso 
racional, sem desperdícios. 
Diminuir o consumo em 
15% em m um prazo de seis 
meses.
Quilowatts/hora de energia 
elétrica consumida.
Fonte: adaptado da Norma ISO 14001 (1996) apud Schenini, Lemos e Silva, 2005, p. 12
Alguns princípios básicos que deverão considerados para a definição e alcance 
dos objetivos e metas, como: 
1. Ter os recursos físicos, financeiros e de mão de obra disponíveis quando necessários, 
para que não ocorram problemas de continuidade na execução dos projetos. 
2. Definir previamente de forma objetiva, as atribuições e responsabilidades ambientais 
na empresa. 
134
3. Implementar, paralelamente, os programas de conscientização e treinamento de 
pessoal em todos os níveis hierárquicos e funcionais. 
4. Implementar programas integrados de gestão ambiental, específicos para cada área 
da organização. 
5. Veicular informações de forma clara e direta para os empregados e de forma confiável 
para o público externo. 
6. Fazer registro de todas as ações implementadas no SGA e de todas as informações 
geradas. 
7. Assegurar rígido controle operacional de todos os processos. 
8. Organizar o manual de gestão ambiental devidamente atualizado e acessível a todos 
os empregados (FERREIRA,1999 apud SCHENINI; LEMOS; SILVA, 2005).
A partir da definição dos objetivos, metas e indicadores a gerência do SGA 
estabelece os programas e os setores responsáveis por sua aplicação e aferição. Na figura 
9 prosseguimos com o exemplo:
Quadro 7 – Setores e responsáveis pelos programas de gestão ambiental
PROGRAMAS AÇÕES SETOR RESPONSÁVEL
Gestão da 
Qualidade da Água
1. Inventário dos 
efluentes líquidos
Gerência de 
Manutenção
Bombeiro 
Hidráulico
2. Separação e 
identificação das 
redes hidráulicas 
(lavatórios, esgotos, 
sanitários, águas 
pluviais).
Gerência de 
Manutenção
Engenheiro 
e Bombeiro 
Hidráulico
3. Controle dos 
efluentes líquidos 
através de 
monitoramento, 
redução das cargas 
poluidoras nas 
fontes e implantação 
de sistema de 
tratamento.
Todos Assessor SGA
4. Controle da 
qualidade da água no 
corpo receptor.
Gerência
SGA Assessor SGA
5. Minimização do 
consumo de água 
através do reuso.
Todos Assessor SGA
135
6. Treinamento e 
implementação 
de procedimentos 
e instruções de 
trabalhos específicos.
Gerência de 
Manutenção e RH
Gerente e 
Assessor SGA
Gestão da Energia 
Elétrica
1. Inventário das 
fontes de consumo.
Gerência deManutenção
Eletricista
2. Priorização de uso. Todos Assessor SGA
3. Utilização de 
fontes alternativas 
(aquecimento solar, 
hidroelétrica, eólica).
Gerência de 
Manutenção
Gerência SGA 
e Engenheiro 
Eletricista
4. Troca de 
equipamentos 
eletrointensivos.
Gerências SGA e 
Manutenção
Engenheiro 
Eletricista
5. Colocação de 
células fotoelétricas, 
termostatos, 
temporizadores e 
sensores de presença.
Gerência de 
Manutenção
Engenheiro 
Eletricista
6. Controle do 
consumo por unidade 
habitacional e áreas 
comuns.
Governança 
e Gerência 
manutenção
Assessor SGA
7. Treinamento e 
implementação de 
procedimentos e 
instruções.
Gerência SGA e RH Assessor SGA
Gestão dos 
Resíduos Sólidos
1. Inventário de 
resíduos.
Governança
Assistente 
Governança
2. Mapeamento das 
fontes de geração, 
seleção, estocagem 
e disposição dos 
resíduos.
Gerência SGA e 
Governança
Assessor SGA
3. Programa de 
minimização de 
resíduos: reuso – 
reciclagem – redução 
– recuperação.
Gerencia SGA - 
Todos
Assessor SGA
136
Fonte: adaptada de Schenini; Lemos; Silva, 2005, p. 14, baseado em PEREIRA (1999) e na Norma ISO 
14001 (1996) 
4. Coleta, tratamento 
e disposição final 
adequados.
Todos Assessor SGA
5. Treinamentos 
e implementação 
de procedimentos 
e instruções de 
trabalhos específicos.
Gerencia SGA e RH Assessor SGA
Gestão dos 
Produtos 
Fornecidos por 
Terceiros
1. Inventários dos 
produtos fornecidos 
(produtos acabados 
ou matéria prima) ao 
hotel.
Gerencia de 
Compras
Assessor de 
Compras/SGA
2. Classificação 
e seleção das 
embalagens 
ecologicamente 
corretas (reusável, 
reciclável e reduzida).
Gerencia de 
Compras/
Almoxarifado
Assessor de 
Compras/SGA
3. Cadastro e seleção 
dos fornecedores.
Gerencia de 
Compras
Assessor de 
Compras
4. Análise do ciclo de 
vida dos produtos 
adquiridos.
Gerencia de 
Compras
Assessor de 
Compras
5. Programa de 
esclarecimento 
aos hóspedes e 
substituição dos 
fornecedores visando 
diminuir os impactos 
ambientais na fonte.
Gerencia SGA Assessor SGA
6. Treinamento de 
trabalhos específicos.
Gerencia SGA e RH Assessor SGA
137
Cada programa deverá ser monitorado a partir de dados concretos, sendo 
importante utilizar indicadores de avaliação, tais como:
1. Indicador do consumo de água no hotel: 
Índice de utilização de água = consumo de água tratada/número de usuários no hotel. 
2. Indicador de geração de resíduos:
Índice de geração de resíduos = quantidade de resíduos/número de usuários no hotel. 
3. Indicador de consumo de energia no hotel: 
Índice de consumo de energia = consumo de energia em Kwh/número de usuários no hotel.
Sempre que verificadas não conformidades, os responsáveis devem adotar 
procedimentos pré-definidos para estabelecer a normalidade. Cabe a auditoria interna 
a verificação do cumprimento de todas as especificações do ISO14001 em cada setor 
apontado como responsável pelos programas do SGA. A gerência geral do hotel definirá 
a periodicidade das auditorias, assim como a revisão do SGA e aplicação de melhorias 
contínuas nos processos e até nas metas em busca de maior eficiência e resultados em 
seu sistema de gestão ambiental (SCHENINI; LEMOS; SILVA, 2005).
138
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tema de aprendizagem, você estudou:
• O conceito de qualidade e como definir e avaliar indicadores na hotelaria. 
• Como se aplica o conceito de sustentabilidade na hotelaria seus princípios e desafios. 
• As normas técnicas internacionais e nacionais que orientam e certificam critérios de 
qualidade e sustentabilidade em meios de hospedagem. 
• Como implementar um Sistema de Gestão Ambiental na hotelaria. 
139
AUTOATIVIDADE
1 Apesar de termos compreensão sobre o significado do que é “qualidade”, no âmbito 
empresarial é preciso gerar evidências sobre padrões de qualidade para conquistar 
um bom posicionamento no mercado. Sobre as abordagens para gestão da qualidade 
nas empresas hoteleiras, analise as sentenças a seguir.
I- A implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade é obrigatória para as grandes 
redes hoteleiras e não para todos os meios de hospedagem.
II- A gestão da qualidade estabelece que os processos devem ser continuamente 
estudados e planejados para que melhorias sejam implementadas e controladas.
III- A gestão da qualidade estabelece que os recursos humanos devem ser valorizados 
 e entendidos como integrantes do sucesso da organização.
Assinale a alternativa CORRETA
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta
2 Entre as abordagens sobre a gestão da qualidade, assinale a alternativa que 
corresponde à abordagem Americana, baseada na trilogia de Joseph Juran:
a) ( ) Planejamento da qualidade, a melhoria da qualidade e o controle de qualidade. 
b) ( ) Planejamento da qualidade, treinamento e motivação do pessoal. 
c) ( ) Planejamento da qualidade, através de métodos estatísticos e valorização do ser 
 humano. 
d) ( ) Planejamento da qualidade com padronização dos processos e certificação das 
 empresas, que se baseiam na série de normas ISO.
3 A sustentabilidade precisa fazer parte da filosofia e da politica da empresa para que 
possa orientar metas e ações coerentes em seu planejamento estratégico. Sobre a o 
sistema de gestão ambiental na hotelaria, analise e classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) As medidas de proteção ambiental começaram a permear a indústria hoteleira a 
partir dos anos 1970, através de inciativas adotadas grupos internacionais como a 
rede Hilton, Accor e InterContinental Hotel Group (IHG).
140
( ) O hotel deverá definir em seu planejamento, os objetivos, as metas, os indicadores 
e os setores responsáveis pelas ações, para que possa avaliar e promover melhoria 
nos processos com a frequência necessária para a eficiência da gestão ambiental.
( ) A ISO9001 é uma norma técnica e certificadora de ambito nacional e obrigatória 
para todaas as empresas hoteleiras. É Importante adotar um sistema de gestão 
ambiental para poder avaliar melhor os pontos a serem trabalhados e quais os seus 
reais impactos para hotel e a localidade onde está inserido. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 O PDCA é uma das ferramentas mais difundidas entre as organizações para 
proporcionar a melhoria contínua de processos gerenciais ou estratégias de produto. 
Este método simplifica a administração de processos, atribuindo ações em quatro 
etapas. Identifique essas etapas e as suas principais atribuições em um sistema de 
gestão ambiental:
5 Consumo e desperdício de água e enegia elétrica e o excesso e despejo irregular do 
lixo produzidos no dia a dia são apontados como fatores críticos para a hotelaria. 
Principalmente porque controlar este consumo ou desperdício não depende apenas 
dos colaboradores, mas, principalmente da conscientização e comportamento dos 
hóspedes (AMAZONAS; SILVA; ANDRADE, 2018). Aponte três medidas possíveis de 
serem adotadas na hotelaria para mitigar os danos ao negócio e ao meio ambiente 
apontados na questão:
141
TÓPICO 3 
ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NA 
HOTELARIA
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico! No Tema de Aprendizagem 3, nós abordaremos ética e responsabilidade 
social na hotelaria. Como vimos ao tratar dos cargos e funções, dos sistemas de gestão 
da qualidade e da gestão da sustentabilidade, o componente humano é fundamental 
para os objetivos do negócio hoteleiro: seja na qualidade de cliente, seja na condição de 
colaborador ou de gestor. Por outro lado, também é um elo frágil, vulnerável a uma série 
de suscetibilidades sociais, econômicas, culturais, morais, éticas.
O estudo da ética permite compreender os valores e comportamentos presentes 
na sociedade – nas organizações públicas e privadas, nas representações sociais, noscondicionamentos socioculturais – que direcionam a conduta individual e coletiva. 
No mundo contemporâneo, as questões ambientais e humanas têm requerido maior 
atenção, influenciando as organizações a elaborarem códigos, normas de conduta, a 
adotarem posturas que possam reger o pensamento coletivo.
A sustentabilidade tanto em âmbito empresarial quanto global, baseada em 
princípios éticos, ressalta a Responsabilidade Social como um compromisso, uma 
contrapartida que o ambiente produtivo econômico pode assumir com a sociedade e as 
gerações futuras. No setor de turismo e hotelaria, as relações interculturais, as habilidades 
e competências para o serviço de bem-receber e os impactos das atividades econômicas 
nos destinos turísticos, requerem o estudo sobre a ética e a responsabilidade social para 
promover o desenvolvimento sustentável das empresas, pessoas e lugares. 
2 ETICA PROFISSIONAL 
 Conforme Kanaane; Severino (2006, p. 2), tanto a conduta individual quanto 
à coletiva estão “imbuídas de valores disseminados no ambiente social e impregnadas 
de determinantes culturais e organizacionais”. Na gestão de empresas em turismo 
e hotelaria, a variável comportamental é de extrema importância para a avaliação 
da qualidade dos serviços. Portanto, as ações individuais e coletivas exigem um 
comprometimento com princípios éticos e o contínuo processo de planejamento, 
implementação, e acompanhamento dos colaboradores. 
UNIDADE 2
142
2.1 ÉTICA, MORAL E COMPORTAMENTO
Ética e moral exercem influência sobre o comportamento humano, e, 
consequentemente, sobre o comportamento humano nas organizações. Muitas vezes 
atribuímos aos termos ética e moral o mesmo significado. Embora sejam complementares, 
etimologicamente, e em síntese, ética significa “caráter” e moral significa “costume”. 
Pode-se dizer que a ética é uma filosofia da moral, na medida em que a moral representa 
os hábitos e costumes de uma sociedade e a ética racionaliza o comportamento moral 
individual ou coletivo, classificando-os como “certos” ou “errados” (FABRIS, 2023, s.p.).
A moral, criada pelo conjunto de costumes e hábitos de um povo, é influenciada 
pela cultura, religião, pelo sistema político, pela globalização, pelo nível de acesso a 
informações, pelas classes sociais, por exemplo. Portanto, o comportamento moral 
pode ser diferente entre povos, e mesmo variar ao longo do tempo, conforme os hábitos 
da sociedade. Por exemplo: a sociedade brasileira contemporânea aceita socialmente 
que as mulheres escolham seus parceiros amorosos. Não foi sempre assim. E, mesmo 
atualmente, na Índia, ainda são muitos os casamentos arranjados pelas famílias, sem a 
opção de escolha pelos cônjuges. 
Já a ética é um conceito universal, que não depende tanto de costumes sociais 
locais. A ética se preocupa com o “certo” e o “errado” refletindo sobre uma ação. Procura 
estabelecer o melhor modo de agir, de forma a não desrespeitar a vida individual ou coletiva 
em sociedade. Pode-se dizer que a ética promove uma reflexão moral acerca da ação. 
Nem sempre moral e ética são correspondentes. Por exemplo: No Brasil convencionou-se 
dizer “que entre marido e mulher não se mete a colher” – que corresponde à moral de não 
se interferir em brigas conjugais. Porém, pela ética, diante de agressões, abusos ou risco 
de vida, o cidadão deve intervir avisando às autoridades policiais. 
Para agir com ética, devemos evitar o relativismo moral, ou seja, aceitar qualquer 
prática como fruto de um contexto cultural ou de determinado código de conduta moral, 
que seja antiético. O indivíduo que mantém comportamentos antiéticos na vida social 
dificilmente será um bom profissional, pois o seu relativismo moral foi construído por 
hábitos e costumes. 
 
A realização moral – caráter – do homem dá-se por atos cotidianos 
e repetidos – hábitos que decorrem de uma disposição permanente 
e estável de preferir o bem e a realizá-lo, no meio social em que vive 
e age consciente das consequências de seus atos – em relação a 
si mesmo e para os demais da coletividade. (VÁSQUEZ, 1982, p.186 
apud KANAANE; SEVERINO, 2006, p. 11).
Portanto, a ética é, primariamente, uma decisão pessoal: cada indivíduo, em 
sua historicidade, deve decidir o que deve fazer e como deve agir em cada situação 
da vida. “A ética implica numa contínua evolução e aprendizagem, à medida que se 
adquirem novas mundivivências e novas noções morais, sendo os costumes e a virtude 
os preceitos éticos”. (VIANNA, 1961, p.9 apud KANAANE; SEVERINO, 2006, p. 11). 
143
Por isso é muito importante, em uma sociedade que tende a ser cada vez mais 
individualista e relativizada, estudar ética, moral, e, especifi camente, a ética profi ssional. 
2.2 ÉTICA PROFISSIONAL
Ações éticas por parte da administração promovem a transparência e a 
responsabilidade dos gestores e colaboradores em relação aos objetivos do negócio 
e seus processos. Como vimos, os objetivos do negócio hoteleiro envolvem os 
proprietários, os funcionários e clientes, e impactam nas relações com outros 
stakeholders e no próprio destino turístico e seus residentes. Portanto, para além do 
lucro desejado pelos donos do negócio, empresas que respeitam padrões morais, 
condutas legais, o meio ambiente e direitos humanos se tornam mais competitivas no 
mercado, apreciadas pelos clientes e colaboradores. 
A ética profi ssional trata de um conjunto de comportamentos e valores desejados 
ou aceitáveis dentro de uma empresa. De modo geral, todos os profi ssionais devem 
agir eticamente, respeitando os seus colegas de trabalho, clientes, e as normas de 
conduta de sua profi ssão e campo de trabalho. Cada campo de profi ssões tem normas 
de conduta previstas em convenções sociais, com suas especifi cidades que orientam a 
elaboração do código de ética da empresa. Há elementos nos códigos de ética que são 
universais como honestidade, responsabilidade, respeito às pessoas. Porém conforme 
a profi ssão, há itens específi cos. Por exemplo, os médicos devem guardar sigilo sobre a 
consulta com seus pacientes; ou, os jornalistas, que devem publicar matérias a partir de 
fontes fi dedignas e verifi cadas.
No turismo, em âmbito internacional, a Organização Mundial do Turismo emitiu, em 1999, o 
Código Global de Ética para o Turismo, dirigido a governos, ao setor do turismo, comunidade 
e turistas. Tem o objetivo de maximizar os benefícios e minimizar os impactos negativos 
do turismo ao meio ambiente natural, cultural, econômico e humano de modo geral. Está 
composto por 10 princípios que se desdobram e proposições, a saber:
1º Contribuição do turismo para a compreensão e respeito mútuo entre os homens e as 
sociedades;
2º Turismo, um instrumento de desenvolvimento pessoal e coletivo;
3º Turismo, fator de desenvolvimento sustentável;
4º Turismo, fator de aproveitamento e enriquecimento do patrimônio cultural da humanidade;
5º Turismo, uma atividade benéfi ca para os países e comunidades de destino;
6º Obrigações dos Agentes de Desenvolvimento Turístico;
7º Direito ao turismo
8º Liberdade de deslocamento turístico
9º Direitos dos trabalhadores e empresários do setor do turismo
10º Aplicação dos princípios do Código Global de Ética para o Turismo
Para saber mais sobre o Código Global de Ética para o Turismo acesse 
https://www.unwto.org/es/codigo-etico-mundial-para-el-turismo. 
INTERESSANTE
144
No setor da hotelaria, a ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, 
também elaborou o Código de Ética da Empresa Hoteleira para os seus hotéis associados 
e que serve de orientação para demais empresas do ramo. Vejamos alguns tópicos 
deste documento:
CAPÍTULO II – RELAÇÕES ÉTICAS SEÇÃO I – RELAÇÕES ENTRE AS 
EMPRESAS HOTELEIRAS:
Art 10º. As empresas hoteleiras praticarão preços livres compatíveis 
à categoria dos meios de hospedagem que exploram ou administram 
e ao mercado nos quais os mesmos atuam, vedado o aviltamento de 
preços, assim considerados os sabiamente inferiores aos custos dos 
serviços oferecidos, vencidos e prestados. 
Art.11Na veiculação de publicidade, as empresas hoteleiras não farão 
propaganda comparativa depreciando a concorrência, assim como 
em quaisquer meios de divulgação não farão comentários desairosos 
a essa mesma concorrência (FIGUEIREDO, 2012, s.p.).
 Partindo do princípio de que a ética diz respeito ao caráter de um indivíduo que 
age conforme os padrões considerados corretos, e que, nas empresas, há pessoas com 
diferentes visões de mundo, valores e crenças pessoais, cabe à empresa gerar o seu 
Código de Ética. O Código de Ética Empresarial é um contrato social que expressa os 
princípios da fi losofi a, da missão e os valores da organização e possibilita compreender 
a cultura organizacional e a postura desejada dos colaboradores bem como manter a 
reputação ética da empresa perante a sociedade. 
 Não se trata de julgar ou eliminar a individualidade dos colaboradores, mas 
garantir que todos tenham ciência do que é tolerado e mesmo incentivado pela 
organização. Prevê as condutas adequadas para as suas operações, evitando situações 
desagradáveis por comportamentos inadequados, sob risco de penalidades, inclusive. 
Por exemplo. A rede San Juan Hotéis publicou o seu Manual de Conduta Interna e 
Código de Ética. Entre os itens do código de ética, constam que:
• Qualquer pessoa da empresa ou da comunidade deve ser tratada com respeito e 
atenção, mantendo sempre a boa educação e comunicação adequada. 
• Todos devem se portar de maneira respeitosa e ética, buscando sempre manter o 
bom relacionamento entre as partes, para com isso atingir o bem-estar e a satisfação 
de todos os envolvidos.
• Não se admite que os colaboradores se prevaleçam de sua posição, cargo ou função 
para obter qualquer cortesia, seja na forma de brindes, presentes ou compensações 
fi nanceiras (SAN JUAN HOTÉIS, 2023, s.p.).
Conheça o Código de Ética da rede San Juan Hotéis https://
www.sanjuanhoteis.com.br/arquivos/manual-de-conduta-
interna-e-codigo-de-etica-san-juan-hoteis.pdf. 
INTERESSANTE
145
2.3 ÉTICA E SOFT SKILLS 
Compreendendo que aos comportamentos éticos derivam do caráter de seus 
colaboradores, as empresas têm valorizado cada vez mais as soft-skills, ou seja, as 
habilidades comportamentais dos indivíduos. Enquanto as hard-skills dizem respeito 
às habilidades técnicas adquiridas através de cursos, da experiência profissional e que 
podem ser avaliadas como conhecimentos teórico-práticos (programação tecnológica, 
domínio de idiomas, contabilidade etc.), as soft-skills correspondem às habilidades 
interpessoais e que são muito importantes para as funções na hotelaria, tais como 
empatia, ética, comunicação, espírito de equipe, entre outros.
 
Há uma máxima na Gestão de Pessoas, que afirma que “as empresas contratam 
pelo currículo e demitem pelo comportamento”, ou seja, o funcionário é contratado 
por suas hard-skills e demitido pela fragilidade de soft-skills. Hard-skills podem ser 
treinadas. Soft-skills, ainda que possam ser desenvolvidas, estão muito relacionadas a 
personalidade, ao caráter e a ética pessoal.
 
Cabe mencionar que a empresa hoteleira é uma das que mais sofre com elevado 
turnover, que é a taxa de “renovação” ou de rotatividade de funcionários em processos 
de admissão e de demissão. E este é um processo que sai caro para a empresa e 
compromete a qualidade dos serviços, pois demandará tempo para o treinamento dos 
ingressantes. Portanto, para reter seus talentos, além do processo seletivo assertivo, as 
empresas e os colaboradores devem comprometer-se com o código de ética profissional. 
Vamos pontuar aqui alguns componentes frequentes dos códigos de ética 
empresarial que têm relação com as soft-skills e que devem ser aprimoradas por todos 
os profissionais que desejam se destacar na hotelaria:
• Colaboração: a percepção de interdependência entre os colaboradores no 
desempenho de suas funções para alcançar máxima eficiência e qualidade nos 
resultados. Muitas empresas estimulam a competitividade entre os funcionários 
visando apenas atingir metas quantitativas, gerando um clima até de inimizade no 
ambiente de trabalho. Ao contrário, ao estimular a colaboração, os resultados poderão 
mais sólidos e compartilhados pela equipe. 
• Honestidade: valor fundamental para todo o ser humano. É essencial estimular 
a honestidade entre os colaboradores para que ajam com transparência em suas 
relações interpessoais e no cumprimento das suas funções. 
• Respeito ao próximo: o ambiente profissional deverá respeitar a diversidade humana 
e rejeitar qualquer tipo de preconceito social em sua equipe. Especialmente na 
hotelaria, há grande tendencia a ter na equipe e entre os hóspedes pessoas de 
diferentes origens culturais. 
• Justiça: o senso de justiça deve orientar as políticas e as práticas da empresa 
proporcionando o mesmo comportamento em seus colaboradores. Estimular a 
igualdade de direitos, cumprir com as questões contratuais e trabalhistas, respeitar 
as leis e o seguimento das normas estabelecidas na empresa.
146
• Lealdade: um colaborador leal está comprometido com os resultados da empresa e 
busca desempenhar as suas funções com entusiasmo e excelência. A empresa que 
reconhece esta lealdade retém talentos, o que é motivador para toda a equipe. 
• Integridade: cumprir as normas e procedimentos independentemente da situação. 
Fazer o que é certo, por que é o certo. 
Turnover – a livre tradução nos remete à “renovação”, em 
Recursos Humanos, se referindo à taxa movimentação de 
admissão e demissão de funcionários. Essa taxa é obtida 
com o somatório do número X de admissões + o número Y 
de demissões dividido por 2 e esse resultado sendo dividido 
pelo número total de funcionários efetivos e multiplicado por 
100, para obter o percentual. Porém, é necessário analisar 
este resultado, associando-o a outros índices como a taxa de 
retenção, índice de demissões voluntárias ou involuntárias, 
a adequação da vaga. Saiba mais sobre turnover acessando: 
https://www.gupy.io/blog/turnover.
NOTA
A ética profissional, portanto, deve estar estabelecida formalmente através de 
um código de ética que traduza e comunique com clareza a cultura organizacional e 
o que ela espera de seus colaboradores. Esta é uma das estratégias para obter maior 
engajamento, responsabilidade das equipes de trabalho e para reter talentos. Os 
colaboradores também se sentem salvaguardados por este documento, que tende 
reduzir o risco de conflitos e proporcionar um ambiente de trabalho mais saudável e 
produtivo, mais transparente e menos sujeito a ruídos (CONCENZA, 2021).
3 RESPONSABILIDADE SOCIAL
Quando abordamos a sustentabilidade no Tema de Aprendizagem 2 desta 
unidade, indicamos que há um tripé para o desenvolvimento sustentável, que é 
composto pelas dimensões econômica, ambiental e social. Compreendemos a dimensão 
econômica na hotelaria vinculada ao estudo da gestão e da qualidade nos serviços. 
A dimensão ambiental foi trabalhada mediante as normas técnicas para redução dos 
impactos ao meio ambiente e das ferramentas de gestão ambiental. E agora vamos 
abordar a terceira dimensão da sustentabilidade: a dimensão social, e o que vem a ser a 
Responsabilidade Social nas empresas, especificamente, na hotelaria. 
A exemplo das outras dimensões, trata-se de princípios, normas e sistemas que 
proporcionam às empresas aperfeiçoar o seu desempenho e contribuir com a sociedade de 
modo geral. O componente humano é, provavelmente, o mais complexo para a gestão. Por 
https://www.gupy.io/blog/turnover
147
isso, a responsabilidade social nas empresas está intimamente ligada a uma gestão ética. 
As organizações devem refl etir sobre o seu papel na sociedade, para além dos objetivos do 
seu negócio, e como podem, voluntariamente, contribuir para um mundo melhor. 
3.1 PRINCÍPIOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL 
EMPRESARIAL
Sabemos que o objetivo de toda empresa é obter lucro. E toda atividade 
econômica gera impactos ao meio ambiente natural e social. Em um país como o Brasil – 
tão rico em recursosnaturais, exportador de alimentos, com tecnologia avançada – por 
que há tamanha desigualdade social e econômica? Esta é uma discussão ampla, mas, 
segundo Thomé (2012, p. 15) pode-se considerar que, frente à globalização, “as decisões 
sobre a economia têm transitado do Estado para as grandes empresas que ultrapassam 
os limites geopolíticos. A Responsabilidade Social surge num contexto conturbado 
entre o interesse das empresas em confl ito com as necessidades da sociedade órfã do 
Estado”. 
Um padrão linear de sustentação econômica é, por si só, insustentável, pois o 
que é extraído do ambiente natural para o sistema produtivo não é reposto e, após o 
consumo do produto (por alguns), o que fi ca é o lixo que impacta o meio ambiente e 
passa a ser um problema para toda a sociedade, conforme sugere a fi gura a seguir:
Figura 17 – Representação do sistema linear de sustentação da economia capitalista
Fonte: Adaptada de Thomé (2012, p. 11)
148
O conceito de responsabilidade social empresarial está relacionado a 
esse potencial que as empresas têm de, voluntariamente, implementar ações que 
contribuam para uma sociedade melhor, sem comprometer a sua lucratividade. Há 
muitas possibilidades de contribuir com a sociedade externa à empresa, para além dos 
seus stakeholders: programas de primeiro emprego para Aprendizes; projetos sociais 
voltados para alimentação, saúde, educação, habitação; adotando áreas de lazer; 
promovendo eventos culturais etc.
Muitas empresas executam essas atividades como patrocinadoras – como 
estratégia de marketing. Mas não é sobre ações pontuais, embora, com isso, também 
contribuam com a sociedade. Empresas responsáveis socialmente, mantêm projetos 
sociais próprios, em um programa de Responsabilidade Social, cujos princípios e valores 
são construídos de forma participativa e estão alinhados à cultura organizacional. Tais 
princípios e valores devem estar fundamentados na ética e na transparência, pois o 
discurso da organização deve estar alinhado com a sua prática e possível de ser 
verifi cado. Assim os princípios e valores são apresentados nos códigos de conduta ou 
sob o formato de declaração, de modo a comunicar e envolver seus colaboradores e 
stakeholders (SMITH, 2013).
No Brasil, uma defi nição muito difundida de Responsabilidade Social Empresarial 
foi sintetizada pelo Instituto ETHOS, segundo qual:
Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se 
defi ne pela relação ética e transparente da empresa com todos os 
públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de 
metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável 
da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as 
gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução 
das desigualdades sociais (INSTITUTO ETHOS, 2023, s.p.).
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social se 
apresenta como uma “OSCIP (Organização da Sociedade Civil 
de Interesse Público) cuja missão é mobilizar, sensibilizar 
e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma 
socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção 
de uma sociedade justa e sustentável. Criado em 1998 por 
um grupo de empresários e executivos da iniciativa privada, 
o Instituto Ethos é um polo de organização de conhecimento, 
troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas 
para auxiliar as empresas a analisar suas práticas de gestão e 
aprofundar seu compromisso com a responsabilidade social e 
o desenvolvimento sustentável”. Há muitas ações, orientações, 
pesquisas interessantes que você pode acompanhar pelo link 
https://www.ethos.org.br/conteudo/sobre-o-instituto//. 
INTERESSANTE
149
Os Estados Unidos foram pioneiros a tornar lei a fi lantropia corporativa. No fi nal da 
década de 1970, Carrol (1991) defi niu a Pirâmide da Responsabilidade Social Empresarial, 
com quatro categorias de responsabilidade para com a sociedade: Econômica, Legal, 
Ética e Filantrópica:
Figura 18 – Pirâmide da responsabilidade social empresarial
Fonte: Carrol, 1991, p. 42 apud Thomé (2012, p. 17)
Na base da pirâmide a responsabilidade econômica é a principal, pois está 
relacionada à razão de existir da empresa, produzindo e gerando lucro. A responsabilidade 
legal, espera-se que a empresa cumpra com as leis, normas e tributos inerentes a sua 
atividade. A responsabilidade ética diz respeito à forma de lidar com os processos, 
colaboradores e a sociedade, visando sempre à equidade, à justiça e ao bem-estar, 
evitando danos. E no topo, a Responsabilidade Filantrópica, uma contrapartida da 
empresa através da concepção de programas de artes, educação, saúde, e outros, que 
contribuam com a comunidade (THOMÉ, 2012).
Já na década de 1990, de acordo com Melo-Neto e Fróes (2001), a 
Responsabilidade Social Corporativa passa por duas transformações signifi cativas: nos 
conceitos e nas práticas, nas modalidades de ação. Quanto ao conceito, a fi lantropia dá 
lugar ao termo Responsabilidade Social propriamente dita, e estabelece as diferenças.
150
Quadro 8 – Diferencas entre filantropia e responsabildaide social a partir de 1990
FILANTROPIA RESPONSABILIDADE SOCIAL
Ação individual e voluntária Ação coletiva
Fomento da caridade Fomento da cidadania
Base assistencialita Base estratégica
Restrita a empresários filantrópicos e 
abnegados
Extensiva a todos Extensiva a todos
Prescinde de gerenciamento Demanda gerenciamento
Decisão individual Decisão concensual
Ações Comunitárias Projetos Sociais Próprios
Ação indireta sobre a comunidade Ação direta sobre a comunidade
Transferência/repasse de recursos para 
entidades
Aplicação direta dos recursos
A gestão é feita por terceiros A gestão é feita pela própria empresa
São ações de doação e apoio
Ações de fomento ao desenvolvimento 
social
Geram retorno tributário, social e 
institucional
Geram retorno social e de mídia 
institucional
Não demandam ações de marketing Demandam ações de marketing social
Fonte: Melo-Neto e Fróes, 2001, p. 28 apud Thomé (2012, p. 19)
Quanto às práticas, ficam definidas as diferenciações entre as Ações 
Comunitárias e Projetos Sociais, sendo a principal característica, a gestão das atividades: 
como Projetos Sociais, todas as atividades serem elaboradas e geridas pela empresa 
junto com a comunidade atendida, de forma participativa e que gera maior aceitação da 
empresa (sua imagem, produto, projeto) e envolvimento dos stakeholders.
Quadro 9 – Características diferenciais entre ações comunitárias e projetos sociais próprios
Fonte: Melo-Neto e Fróes, 2001, p. 29 apud Thomé (2012, p. 21)
Veremos agora algumas orientações e normas de como implementar a 
Responsabilidade Social nas empresas. 
 
3.2 NORMAS E APLICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL 
EMPRESARIAL
A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) é um compromisso ético assumido 
por uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades sobre a sociedade 
e o meio ambiente. 
151
Em âmbito internacional, a referência é a norma ISO 26000 – Diretrizes sobre 
Responsabilidade Social, lançada em Genebra, Suíça, em 2010. No Brasil, a versão em 
português, a ABNT NBR ISO 26000 foi publicada em dezembro do mesmo ano. Trata-se de 
uma norma orientadora e não obrigatória; esta norma não tem a finalidade de certificação. 
Ela oferece recomendações quanto a padrões, procedimentos e boas práticas para a 
sustentabilidade empresarial independentemente do porte da organização. Apesar de 
não gerar uma certificação formal, a percepção da sociedade e do mercado sobre uma 
empresa que exerce a RSE pode influenciar, entre outros aspectos:
• Sua vantagem competitiva.
• Sua reputação.
• Sua capacidade de atrair e manter trabalhadores e/ou conselheiros, sócios e acionistas, 
clientes ou usuários.
• A manutenção da moral, do compromisso e da produtividade dos empregados.
• A percepção de investidores, proprietários, doadores, patrocinadores e da comunidade 
financeira.
• Sua relação com empresas, governos, mídia, fornecedores, organizaçõespares, 
clientes e a comunidade em que opera (ROSA, 2020, s.p.).
A ISO26000 está baseada em sete princípios fundamentais que precisam se 
desdobrar em ações, conforme orienta o Instituto ETHOS (SMITH, 2013).
Quadro 10 – Princípios da Responsabilidade Social Empresarial (SER) ISO26000
Princípio Descrição / Orientação
Accountability 
(Responsabilização)
Prestar contas e se responsabilizar por seus impactos na 
sociedade, na economia e no meio ambiente, principalmente 
aqueles com consequências negativas significativas.
Como fazer: Conhecer os impactos das decisões e atividades 
da organização na sociedade e, no caso de impactos negativos 
imprevistos e não intencionais, aceitar a investigação apropriada 
e tomar medidas para que sua repetição seja evitada.
Transparência
Ser transparente, comunicar sobre as decisões e atividades 
que impactam a sociedade e o meio ambiente.
Como fazer: Divulgar o modo como identifica, seleciona e 
engaja suas partes interessadas.
Comportamento 
ético
Comportar-se eticamente, baseada em valores de 
honestidade, equidade e integridade.
Como fazer: Estabelecer e promover padrões éticos de 
comportamento, de acordo com seus princípios e atividades, 
a partir do monitoramento e do oferecimento de canais de 
denúncia. Prevenir e solucionar conflitos de interesse.
152
Respeito aos 
interesses das 
partes interessadas
Respeitar, considerar e responder aos interesses de demais 
partes interessadas, além de proprietários, conselheiros, 
clientes ou associados.
Como fazer: Colocar-se no lugar das partes interessadas 
para compreender seus pontos de vista e relacioná-los às 
expectativas da sociedade e do desenvolvimento sustentável.
Respeito pelo 
estado de direito
Aceitar que o respeito pelo estado de direito é obrigatório, isto 
é, nenhum indivíduo ou organização está acima da lei, nem 
mesmo o governo.
Como fazer: Assegurar a conformidade legal de todas as 
suas atividades, independentemente da localização e/ou do 
nível de fiscalização.
Respeito às normas 
internacionais de 
comportamento
Acatar as normas internacionais de comportamento e, ao 
mesmo tempo, cumprir as leis e regulamentos a que está 
sujeita.
Como fazer: Reconhecer quando há contradição ou conflito 
entre a legislação local e as normas internacionais de 
comportamento e, nesse caso, buscar atender as normas 
internacionais dentro do possível, considerando, inclusive, as 
consequências do não cumprimento.
Respeito pelos 
direitos humanos
Respeitar e reconhecer a importância e universalidade da Carta 
Internacional dos Direitos Humanos, que inclui a Declaração 
Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos 
Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais.
Como fazer: Reconhecer que os direitos humanos são 
aplicáveis em todos os países, culturas e situações. Respeitar 
e promover os direitos humanos, bem como monitorar o seu 
cumprimento em todas as decisões e atividades.
Fonte: adaptado de SMITH (2013, s.p.)
Apesar da ISO 26000 ter mais de 10 anos de sua publicação, o tema 
“sustentabilidade’” nas empresas ainda tem priorizado as dimensões econômicas 
e ambiental, estando a Responsabilidade Social relegada a um segundo, ou terceiro 
plano. Um desafio para a implantação de programas de Responsabilidade Social nas 
Empresas é traduzir os resultados na contabilização financeira. A tecnologia como 
aliada à melhoria dos sistemas de gestão da qualidade e da gestão ambiental poderá 
gerar demonstrativos mais tangíveis sobre programas de responsabilidade social. 
153
Assim, a partir da ISO 26000, vários países têm desenvolvido normas nacionais 
com o propósito de incentivar uma certificação para a Responsabilidade Social. No 
Brasil, o INMETRO foi o primeiro a criar, em 2004, o Programa Brasileiro de Certificação 
em Responsabilidade Social e a ABNT NBR 16001 – Responsabilidade social – Sistema 
da gestão – Requisitos. A sua segunda versão desta norma foi publicada em julho de 
2012, alinhada à ANBT NBR ISO 26000:2010.
A NBR 16001 define Responsabilidade Social como:
Responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas 
decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de 
um comportamento ético e transparente que:
 Contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive a 
saúde e o bem-estar da sociedade;
 Leve em consideração as expectativas das partes 
interessadas;
 Esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja 
consistente com as normas internacionais de comportamento, e
 Esteja integrada em toda a organização e seja praticada em 
suas relações. (BRASIL (2012).
 
Os requisitos mínimos estabelecidos pela ABNT NBR 16001 permitem à 
organização formular e implementar uma política e objetivos que levem em conta as 
exigências legais, seus compromissos éticos e sua preocupação com a promoção da 
cidadania e do desenvolvimento sustentável, além da transparência das suas atividades.
 
Quadro 11– Diferenças entre a ABNT NBR 16001 e a ABNT ISO26000
ASPECTOS ABNT NBR 16001 ABNT ISO26000
Certificação SIM NÃO
Modelo de Gestão PDCA NENHUM
Possibilita integração com 
outras normas e iniciativas
SIM SIM
Processo Multi-Stakeholder
Organização não 
governamental (ONG), 
Indústria, Governos e 
Organizações de Serviço, 
Suporte, Pesquisa e outros
Organização não 
governamental (ONG), 
Indústria, Governos, 
Trabalhadores, 
Consumidores e 
Organizações de Serviço, 
Suporte, Pesquisa e outros
Abrangência América do Sul Internacional
TÓPICOS ABNT NBR 16001 ABNT ISO26000
Destaque
Alinhamento com as 
diretrizes mais importantes 
da ISO 26000, sendo 
certificável
Amplitude, abrangência 
e detalhamento das 
diretrizes
154
Fonte: adaptado de Santos e Queiroz (2020, p. 27)
Segundo Ursine e Sekiguchi (2005 apud BRASIL (2012), os pontos mais 
relevantes da norma ABNT NBR 16001 são:
 
 Essa norma foi redigida de forma a aplicar-se não apenas a grandes organizações, 
como às pequenas e médias empresas, de qualquer setor, bem como às demais 
organizações públicas ou do terceiro setor que tiverem interesse em aplicá-la;
 Ampliou o conceito de Responsabilidade Social, no contexto do desenvolvimento 
sustentável e incluir em seu cerne o engajamento e a visão das partes interessadas;
 Ressalta a necessidade de comprometimento dos dirigentes e funcionários de todos 
os níveis e funções, uma vez que se trata de um tema transversal;
 Necessidade de uma política da responsabilidade social e o desenvolvimento de 
programas com objetivos e metas, “consultando as partes interessadas” e 
assegurando, dentre outros tópicos, que “inclua o comprometimento com a 
promoção da ética e do desenvolvimento sustentável”. 
 As organizações devem desenvolver programas (com objetivos e metas) que deverão 
contemplar onze temas da Responsabilidade Social. São eles:
• boas práticas de governança;
• combate à pirataria, sonegação, fraude e corrupção;
• práticas leais de concorrência;
• direitos da criança e do adolescente, incluindo o combate ao trabalho infantil;
• direitos do trabalhador, incluindo o de livre associação, de negociação, a 
remuneração justa e benefícios básicos, bem como o combate ao trabalho forçado;
promoção da diversidade e combate à discriminação (por exemplo: cultural, de 
gênero, de raça/etnia, idade, pessoa com deficiência);
• compromisso com o desenvolvimento profissional;
• promoção da saúde e segurança;
• promoção de padrões sustentáveis de desenvolvimento, produção, distribuição e 
consumo, contemplando fornecedores, prestadores de serviço, entre outros;
• proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações futuras;
• ações sociais de interesse público.
 Adota modelo PDCA (plan, do check, act – planejar, fazer, avaliar e agir), utilizado 
anteriormente pelas normas ISO 9001 e ISO 14001, facilitando a integração com os 
sistemas de gestão já existentes.
 Esclarece que o atendimento aos requisitos da norma não significa que a 
organização é socialmente responsável,RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 225
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 226
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 228
1
UNIDADE 1 -
MEIOS DE HOSPEDAGEM: 
TIPOLOGIAS, 
CLASSIFICAÇÃO E SERVIÇOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer o início das atividades hoteleiras no Brasil e no mundo;
• identifi car os tipos de meios de hospedagem e as características deles;
• compreender a classifi cação dos meios de hospedagem e a aplicação deles;
• observar as características dos serviços hoteleiros e os diferenciais que abarcam.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – MEIOS DE HOSPEDAGEM E TIPOLOGIAS
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – SERVIÇOS HOTELEIROS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
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A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
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3
MEIOS DE HOSPEDAGEM E TIPOLOGIAS
1 INTRODUÇÃO
Ao longo da história, os meios de hospedagem vêm desempenhando um 
papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade, ao permitir que viajantes e 
comerciantes possam encontrar locais que ofereçam cama e alimento após percorrerem 
grandes distâncias pelos mais diversos motivos. Assim, os meios de hospedagem 
evoluíram e se adaptaram a diferentes contextos econômicos e sociais.
Os meios de hospedagem são fundamentais para viabilizar a atividade turística, 
uma vez que proporcionam condições favoráveis à permanência de turistas e visitantes 
em um destino, atém de aumentar a qualidade da experiência no local. Por isso, torna-
se fundamental compreender características, trajetória histórica e tipologia, para que 
seja possível aplicar as informações apresentadas no cotidiano no mercado de trabalho.
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, abordaremos os conceitos e as 
características dos meios de hospedagem e a importância deles para o turismo. 
Estudaremos, também, os aspectos históricos e a evolução desses meios no mundo e 
no Brasil. Encerraremos os estudos com as tipologias dos meios de hospedagem a partir 
das características que os diferenciam.
2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: CARACTERÍSTICAS E RELAÇÃO 
COM O TURISMO
Os meios de hospedagem são fundamentais para o desenvolvimento do turismo 
no Brasil e no mundo. Você conseguiria imaginar um viajante ao percorrer grandes 
distâncias sem poder contar com um lugar para repousar? Assim, estudaremos as 
características e a importância desses meios e a relação deles com o turismo.
2.1 MEIOS DE HOSPEDAGEM E RELAÇÃO COM O TURISMO
Os meios de hospedagem se relacionam com a atividade turística por permitir 
que um turista possa permanecer em uma localidade, ou seja, a prestação de serviços 
de hospedagem permite que o turismo se desenvolva ao mesmo tempo em que se 
beneficia do fluxo de visitantes gerados em um determinado destino, logo, há uma 
interdependência. Para entendermos mais a respeito dessa relação, estudaremos os 
conceitos de meios de hospedagem e a importância deles para o turismo.
TÓPICO 1UNIDADE 1
4
2.1.1 O que são meios de hospedagem?
Podemos utilizar o termo “meios de hospedagem” para designar os 
estabelecimentos que comercializam o direito de hospedagem por um tempo 
determinado e um valor predefinido e estabelecido em um contrato de hospedagem. 
Assim, consideramos que os meios de hospedagem são constituídos por um conjunto 
de atividades específicas voltadas à prestação de serviços de hospedagem, formado por 
elementos, como atendimento e acomodação, cuja oferta de bens e serviços varia, de 
acordo com a tipologia adotada e o perfil do hóspede que se deseja atender (ALDRIGUI, 
2007). 
Para Brasil (2010, p. 8), os meios de hospedagem são:
Empreendimentos ou estabelecimentos, independentemente de sua 
forma de constituição, destinados a prestar serviços de alojamento 
temporário, ofertados em unidades de frequência individual e de 
uso exclusivo do hóspede, bem como outros serviços necessários 
aos usuários, denominados de serviços de hospedagem, mediante 
adoção de instrumento contratual, tácito ou expresso, e cobrança 
de diária.
A palavra “hotel” tem origem francesa, hôtel, e significava, inicialmente, a 
residência do rei da França. Posteriormente, o termo passou a designar “edifícios 
suntuosos e imponentes, públicos ou privados”, que eram usados pela nobreza para 
receber diversos hóspedes (ALDRIGUI, 2007, p. 23). Dessa forma, podemos considerar 
que os termos hotelaria e meios de hospedagem como sinônimos, pois ambos se 
referem à atividade econômica de hospedagem e à prestação de serviços relacionados 
à acomodação de hóspedes.
Com o tempo, não somente, convidados, mas todos que pudessem pagar 
pela experiência passaram a ser recebidos nos edifícios, com a instituição da prática 
de hospedar. Então, “estabeleceu-se a relação do termo hotel a acomodações com 
excelência nas instalações e qualidade de serviços oferecidos” (ALDRIGUI, 2007, p. 24).
Os romanos usavam a palavra hospitium para designar o local em 
que as pessoas, durante as viagens, poderiam conseguir, em caráter 
temporário, instalações para se alimentar e repousar. O uso do termo 
era genérico, aplicando-se tanto no caso da hospitalidade comercial, 
quanto ao da familiar, respectivamente, paga e gratuita. Hospitale, 
hospitalicum, por sua vez, designavam a hospedaria, a casa para 
hóspedes (hospes, hospitus) (BELCHIOR; POYARES, 1987, p. 19).
5
Segundo Walker (2002), a palavra hospitalidade vem do francês hospice, e 
significa asilo, ou albergue. Na França, o termo é utilizado para designar o local usado 
como abrigo a viajantes.
O conceito evoluiu com o tempo, assim, deu origem ao que conhecemos, hoje, 
como a hospitalidade comercial, representada pelos meios de hospedagem formais que 
convencionamos a chamar de hotéis, apesar de serem, apenas, um dos tipos de meios 
de hospedagem existentes.
A estrutura organizacional dos meios de hospedagem leva em conta os tipos 
de instalações, os recursos humanos e os equipamentos necessários para um bom 
funcionamento.
2.1.2 Meios de hospedagem e importância para o turismo
Os meios de hospedagem têm uma relação estreita com o turismo, pois, ao 
explorar diversos destinos a partir de diferentes motivações, o viajante precisa de 
um lugar que possa servir de suporte ao atendimento de necessidades básicas de 
alimentação, segurança e descanso. Assim, esses meios, ao se tornarem, de alguma 
forma, uma extensão do lar de viajantes, permitiram que a atividade turística se 
desenvolvesse nos mais diferentes destinos.
Para Petrocchi (2004), o produto turístico é constituído por três serviços básicos: 
atrativo turístico, transporte e hospedagem. O turismo e os meios de hospedagem 
representam um binômio inseparável.
“O hotel deixou de ser, somente, um lugar para hospedar pessoas e passou 
a integrar seu entorno, oferecendo espaços multifuncionais e acolhendo eventos das 
mais diversas naturezas” (PETROCCHI, 2004, p. 2).
A atividade turística se beneficia da presença dos meios de hospedagem no 
destino, assim, resorts e hotéis-fazenda, exemplos de tipos de hospedagem, podem ser 
chamariz para a atração de visitantes e turistas.
Como afirma Beni (2019), a hospedagem se trata de um dos suportes básicos 
para o desenvolvimento da atividade turística em uma localidade. Para Marques (2003, 
p. 27), “sem hotelaria, não há turismo; sem bons estabelecimentos, não há bom turismo; 
e sem bom serviço, não há bons estabelecimentos hoteleiros”, pois a qualidade de um 
destino turístico, também, dependemas que possui um sistema de 
gestão da Responsabilidade Social. 
Requisito de 
documentação
SIM NENHUM
Avaliação do atendimento 
a requisitos legais e outros
SIM NENHUM
Auditoria Interna SIM NENHUM
155
 Auditabilidade – a norma é estruturada em requisitos, permitindo, portanto, que a 
organização busque a certificação de seu sistema de gestão da Responsabilidade 
Social junto a uma organização externa (BRASIL (2012).
3.3 RESPONSABILIDADE SOCIAL NO TURISMO E HOTELARIA
Os hotéis e meios de hospedagem desempenham papéis fundamentais nas cidades 
onde estão situados. O objetivo do negócio hoteleiro prolonga a estada dos visitantes 
e turistas – e com isso, possibilita que eles consumam mais na cidade, dinamizando a 
economia. Além disso, geram muitos empregos diretos, servem como espaço de eventos e 
lazer e são percebidos como agentes de transformação da realidade local, principalmente 
quando pertencem a grandes redes hoteleiras (SANTOS; QUEIROZ (2020).
Quando as grandes redes hoteleiras internacionais executam programas de 
Responsabilidade Social, se tornam referência para as suas unidades e demais meios 
de hospedagem. A pesquisa de Santos e Queiroz (2020) revelam as iniciativas de 
algumas das maiores organizações do setor, que, apesar de não possuírem (até então) 
qualquer tipo de certificação de Responsabilidade Social, apresentam programas e 
relatórios com preceitos, valores e critérios semelhantes aos expostos nas normas 
ABNT NBR ISO 26000 – Diretrizes sobre a Responsabilidade Social, e ABNT NBR 16.001 
– Responsabilidade Social – Sistema de Gestão (SANTOS; QUEIROZ (2020). Vejamos 
algumas dessas organizações e suas principais iniciativas.
Quadro 12 – Programas de responsabilidade social em redes hoteleiras internacionais
Grupos Hoteleiros Programas de Responsabilidade Social
Marriott Internacional: com 30 
marcas/bandeiras espalhadas por mais 
de 7.000 propriedades situadas em130 
países com 1,3 milhão de unidades 
habitacionais (UH). Em 2018 gerou uma 
receita de US$ 17,4 bilhões, empregando 
176mil trabalhadores (MARRIOTT 
INTERNATIONAL, 2019/2018).
Principais programas: 
Youth Career Initiative (YCI); programa 
interinstitucional em 08 países – Brasil, 
Costa Rica, Hungria, Índia, Jordânia, 
México, Polônia e Vietnam. Seu objetivo 
é inserir jovens talentos – entre 18 a 21 
anos– desfavorecidos e/ou em situação 
de risco em suas comunidades. Vivenciam 
o cotidiano da hospitalidade, e os que se 
destacam são efetivados na empresa.
Bridges To Work é destinado às pessoas 
com deficiência. Auxilia jovens – entre 17a 
22anos–preparando-os para o mercado de 
trabalho através de cursos ministrados em 
períodos que variam de 15 a 24 meses.
156
Emerging Leader com o objetivo de 
aumentar o número de mulheres e minorias 
em cargos de gerência e liderança.
Love Travels oferece serviços que de 
cerimonial civil e a festa de casamento para 
membros da comunidade LGBT, inclusive 
colaboradores.
Women’s Leadership Development é 
composta por três pilares: liderança, 
networking e mentoring. Seu objetivo é 
aumentar a presença de mulheres em 
posição de alta gestão
Take Care Wellbeing, programa para os 
colaboradores que objetiva o gerenciamento 
de estresses, exercícios físicos, nutrição e 
controle de peso, cessação de tabagismo 
etc.
Intercontinental Hotels Group, no 
ano de 2018, eram 15 marcas/bandeiras 
em 5.603 empreendimentos hoteleiros 
e 836.541 UHs espalhados em mais de 
100 países. Empregou mais de 400 mil 
funcionários, ocasionando um impacto 
financeiro na ordem de US$ 27,4 bilhões 
(IHG, 2018).
Destacam-se os programas:
YouthCareer Initiative (YCI) e IHG Academy: 
Ambos oferecem vivências hoteleiras a 
jovens desfavorecidos desenvolvendo 
habilidades, técnicas, conhecimentos e 
competências para uma oportunidade de 
emprego neste setor
 
IHG Shelter in a Storm: fundo monetário 
que visa socorrer vítimas de desastres 
ambientais, através de suporte financeiro, 
acomodações ou no oferecimento de 
suprimentos que atendam às necessidades 
básicas dos envolvidos e seu discurso 
estabelece um pertinente paralelo com o 
tema da gestão de riscos ambientais.
Accor Group. Contava em 2018 com 38 
marcas/bandeiras espalhadas por mais 
de 100 países, 4.800 empreendimentos 
e 704 mil UHs. Empregava mais de 
280 mil trabalhadores e produziu uma 
receita de 3,6 bilhões de euros (ACCOR, 
2018/2019).
Entre os programas de RS:
Woman at Accor Generation: tem o 
objetivo de estimular lideranças femininas, 
impulsionando-as na obtenção de cargos 
de chefia e na promoção da diversidade e 
igualdade no meio corporativo.
157
Vivah: estimular um estilo de vida saudável 
que seja capaz de garantir o bem-estar 
de todos os colaboradores, além de 
estabelecer campanhas de prevenção e 
gestão de doenças, alimentação balanceada 
e atividade física por meio de eventos 
esportivos e parcerias com academias.
Solidarity AccorHotels busca, através de 
assistência financeira, desenvolver projetos 
solidários que auxiliem a geração de renda, 
a capacitação profissional de autóctones e a 
prevenção de desastres naturais.
Hilton Worldwide. Em 2018, eram 
5.685 propriedades e mais de 913 mil 
UHs em 113 países, atingindo a marca 
de mais de 10 milhões de colaboradores 
e um impacto econômico de US$ 1 
trilhão ao PIB mundial ao longo dos 
seus 99 anos de existência (HILTON 
WORLDWIDEHOLDINGS, 2019)
Youth Career Initiative (YCI): Desde 2014, a 
rede atua em conjunto como YCI, oferecendo 
treinamentos e empregos aos jovens em 
situação de risco em 9 países.
Passport To Success For Hospitality, busca 
aprimorar as habilidades interpessoais de 
jovens entre 15 a 29 anos, tornando-os mais 
aptos ao mercado hoteleiro.
Hilton Worldwide University, através de um 
sistema de parceria entre universidades 
e líderes empresariais, oferece cursos 
de qualificação online que oportunizam 
crescimentos verticais e horizontais aos 
membros da equipe Hilton;
Women’s Leadership Program, tem a missão 
de promover a igualdade de oportunidade 
para as mulheres, auxilia o aprimoramento 
e desenvolvimento de suas habilidades 
de liderança frente às dinamicidades, 
exigências e cobranças de um ambiente 
altamente competitivo como o da hotelaria.
Supplier Diversity Program, propõe 
práticas que possibilitam o engajamento, 
a diversificação, o apoio e a criação de 
novas oportunidades de negócios para as 
comunidades locais.
158
Fonte: Adaptado de Santos e Queiroz (2020)
As principais proposições das organizações hoteleiras que transitaram pela 
dimensão social, deram ênfase aos seguintes temas:
· Atenção aos mecanismos de reclamações relacionadas às práticas de trabalho;
· Incentivar o desenvolvimento e a criação de habilidades complementares para os 
cargos que exercem;
· Estabelecer uma política de crescimento organizacional que propicie aos seus 
colaboradores a ascensão horizontal e vertical;
· Políticas de trabalho que favoreçam aos moradores das localidades, com uma 
estrutura organizacional igualitária, independentemente de crenças, gêneros e 
etnias;
“Stay Hilton. Go Out”: intenciona garantir, 
em todas as suas operações, o respeito, a 
valorização e um excelente atendimento ao 
público LGBT
The Hilton Global Code of Conduct, 
estabelece um código de conduta 
organizacional que apoia os direitos 
humanos, coibindo o tráfico humano e a 
exploração de mão-de-obra e conscientiza 
os demais parceiros a seguir esses 
pressupostos
Responsible SupplyChainPolicy, exige que 
os fornecedores estejam de acordo com os 
padrões e código de conduta. 
Hilton Anti-TraffickingFund, por meio de 
um fundo global, a referida rede apoia 
organizações que estão à frente de projetos 
de proteção às crianças em situação de 
tráfico e/ou abuso.
Global Team Member Volunteer atende, 
através do trabalho voluntário, certas 
necessidades de suas comunidades locais.
Programe Travel with Purpose Action Grants: 
investe em ideias inovadoras para superar as 
problemáticas socioambientais que afetam 
suas comunidades eimediações.
159
· Assegurar os direitos e a dignidade dos colaboradores e grupos sociais envolvidos no 
processo de gestão hoteleira;
· Proporcionar salários que atendam ou excedam as regulações locais;
· Dar prioridade às empresas locais como fornecedores e distribuidores de sua cadeia 
produtiva;
· Constituir comitês para disseminar a importância e práticas de saúde, segurança, 
direitos humanos e trabalhistas; 
· Atender plenamente as necessidades de pessoas portadoras de necessidades 
especiais; 
· Implementar uma cultural organizacional contra a exploração comercial e sexual, 
principalmente de crianças, adolescentes, mulheres e grupos minoritários (SANTOS; 
QUEIROZ (2020).
Apesar de todas essas iniciativas adotadas por esses grandes grupos hoteleiros, 
pode-se considerar que ainda há um longo caminho para que as empresas de meios 
de hospedagem efetivem práticas de Responsabilidade Social, independente de uma 
certificação formal. Orientações, normas e bons exemplos já estão consolidados. 
160
ESG na Indústria Hoteleira – A chave para um turismo mais sustentável
Miguel Campos
Ana Serra
O termo ESG divide-se em três critérios: “Environmental”, “Social” e “Governance” 
e tem ganho destaque no nosso quotidiano, principalmente porque tem um papel 
fulcral para alcançar um futuro sustentável. Embora a primeira letra – que se refere 
ao factor ambiental – acabe por ter uma dimensão superior no nosso subconsciente, 
a sustentabilidade vai muito além das questões ambientais e só se completa com os 
factores sociais e de governança, como iremos ver.
Este artigo pretende difundir a importância desta sigla e analisar, em específico, 
o papel do ESG no sector hoteleiro. Focamo-nos em especial neste sector dada a 
importância do turismo na economia mundial, estimando-se que, no final deste ano, as 
receitas em turismo e viagens rondem os 8,6 biliões de dólares, próximo dos 9,6 biliões 
de dólares de 2019, que de acordo com a WTTC, representavam aproximadamente 
10,3% do PIB global. Portugal não é excepção e é expectável que, no final deste ano, as 
receitas em turismo tenham um peso de 16,2% no PIB. Dada a dimensão e importância 
deste sector, é fulcral ajustar a pegada ambiental da indústria hoteleira às necessidades 
actuais, sendo que qualquer pequena medida implementada pode ter um grande 
impacto a longo prazo.
Adotar estratégias ESG num hotel tornou-se uma necessidade ainda mais 
premente face à conjuntura atual em que vivemos. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia 
e a pandemia COVID-19 criaram uma bola de neve que fez disparar a inflação a nível 
mundial. Os preços dos bens alimentares aumentaram exponencialmente tais como o 
preço da energia, que, de acordo com o Eurostat, no presente ano está a atingir níveis 
recorde. Este facto irá ter um impacto muito significativo nos resultados do sector 
hoteleiro, uma vez que as utilities são um dos custos que mais pesam neste sector.
Afinal quais são os principais objetivos do ESG e quais os impactos no imobiliário, 
neste caso específico, num ativo do sector hoteleiro?
Cada vez mais a sociedade tem em consideração questões ambientais e 
sustentáveis quando planeiam viagens. De acordo com um inquérito da plataforma 
Booking, publicado na revista New York Times, 71% dos viajantes globais em 2022 
LEITURA
COMPLEMENTAR
161
planearam viajar de uma forma “mais ecológica”, representando um aumento de 10% 
face ao ano anterior. As pesquisas no Google por hotéis “eco-friendly”, hotéis “verdes” 
e “socialmente responsáveis” têm aumentado ao longo dos anos. As estratégias ESG 
são desta forma uma alavanca para atrair mais viajantes que se preocupam com 
políticas sustentáveis.
A implementação do ESG é um processo contínuo que está envolvido no ativo 
desde a sua concepção/ planeamento do projecto, finalização, uso e até à fase de venda 
ou procura de um refinanciamento. A utilização de materiais híbridos compostos por 
minerais e materiais reciclados, painéis solares, telhas fotovoltaicas e a colocação de 
postos de carregamento elétrico nos edifícios são exemplos de medidas que melhoram 
a eficiência energética das construções e do uso diário após a entrega ao cliente final, 
que no caso da hotelaria se torna numa mais-valia para os hóspedes. Actualmente 
a obtenção de certificados de avaliação BREEAM, LEED ou WELL tornou-se em algo 
incontornável para novos projectos.
Após a materialização da ideia, o uso de medidas ESG permite que a gestão e 
escolha de recursos seja mais eficiente e que exista o menor impacto possível para o 
ambiente. Por exemplo, com o auxílio de softwares de gestão, é possível controlar o 
consumo de energia elétrica, água e destinação dos resíduos e reciclagem. Para além 
disso, é possível gerir e encontrar soluções para antecipar uma possível alteração de 
uso para o edifício no futuro, minimizando os custos e a utilização de recursos para 
tais conversões.
A nível económico, estas medidas podem garantir uma maior segurança nos 
investimentos. O aumento dos empréstimos verdes ligados ao ESG e o crescente impulso 
no sentido do investimento sustentável indicam que existe uma mudança crescente no 
capital disponível para investimentos orientados para estes critérios, havendo abertura 
por parte dos bancos financiadores para atribuir um prémio aos investidores que optem 
por estas medidas. Também os bancos beneficiam com o facto de terem carteiras fortes 
de ESG, uma vez que apresentam um custo de risco significativamente mais baixo.
Para cada um dos critérios ESG, verificamos agora alguns exemplos da sua 
aplicação:
Ambiental – Já há targets definidos com a ajuda de algumas alianças criadas 
como é o caso da AEA (Energy & Environment Alliance) e da SHA (Sustainable Hospitality 
Alliance). Estas alianças a nível ambiental são cruciais para a consolidação de melhores 
práticas e fundamentais para impulsionar a mudança em prol da sustentabilidade. A 
SHA, em linha com o estabelecido no Acordo de Paris, assume que a indústria hoteleira 
necessita de reduzir as emissões de carbono em 66% por quarto até 2030 e em 90% até 
2050. De acordo com a Science Based Targets, algumas cadeias hoteleiras, tais como 
Hilton, Iberostar, Meliá, entre outros, já definiram metas até 2030 para reduzirem as 
emissões de carbono.
162
Já é possível observar algumas medidas a nível ambiental a serem aplicadas 
na indústria hoteleira, como é o caso da preocupação no gasto de água, produção de 
resíduos, desperdício alimentar, energia e reduções de emissão de carbono. Numa 
visita a um estabelecimento hoteleiro já é frequentemente visível pequenas alterações 
postas em prática na óptica operacional para mitigar a pegada do sector, tais como a 
iluminação LED, painéis solares, redutores de caudal, e até mesmo palhinhas reutilizáveis 
ou de material reciclado. Nos quartos encontramos mensagens de consciencialização 
ambiental relativamente à lavagem diária de toalhas. Será que numa estadia de um 
hóspede por períodos mais longos, é necessário lavar toalhas e roupa de cama todos os 
dias? Talvez não, e esta mudança parte também do hóspede. De acordo com a SHA, um 
hotel gasta em média 1.500 litros de água por dia, por quarto, o que supera largamente 
o consumo de água doméstico.
Social – As obrigações sociais são essenciais para um modelo de negócio 
sustentável. Além de outros indicadores, o critério social foca-se na garantia dos 
direitos dos trabalhadores, segurança no trabalho e bem-estar profissional e social. 
Medidas relacionadas com diversidade e inclusão social na indústria hoteleira podem ser 
analisadas através da percentagem de género e diversidade racial/étnica empregada 
em funções executivas e na gestão intermédia. A taxa de rotatividade voluntária e 
involuntária dos empregados em estabelecimentos hoteleiros é também uma forma 
de avaliar as práticas laborais no sector, que é tradicionalmente conotado com longas 
horas de serviço e salários baixos. Apesar deste paradigma estar gradualmente a mudar, 
nunca foi tão imperativocomo hoje cuidar de quem cuida dos hóspedes, que no final 
são a chave para a criação de valor no sector.
Como exemplos de medidas de responsabilidade social, existem vários casos, 
tais como das cadeias Marriott e Hilton, que têm objectivos relacionados com a paridade 
de género na constituição das suas equipas. Já a cadeia de hotéis Wyndham, por 
exemplo, tem como meta atingir 100% na equidade salarial de género até ao ano 2025.
Governança – Este critério engloba todo o sistema de funcionamento de uma 
empresa, começando pela forma como é gerida, como opera e o conjunto de relações 
entre a direção, o conselho de administração, acionistas e outros stakeholders. A ética 
da empresa é fundamental no critério de governança. São também consideradas 
questões de governança a gestão de riscos, a transparência de toda a informação e 
divulgação de objetivos ambientais e sociais, declarações financeiras adequadas aos 
resultados apresentados, diversidade no conselho de administração, entre outros. 
Empresas sustentáveis devem apresentar modelos de negócios adequados aos 
objetivos delineados. A elaboração de relatórios com métricas ESG na indústria hoteleira 
deve ser executada de uma forma contínua e com uma visão de negócio a longo prazo 
de modo a melhorar as práticas de gestão da empresa em termos de sustentabilidade.
163
As melhores práticas de governança podem ser aplicadas na composição 
do quadro de administração, como é o caso de uma empresa contar com diretores 
independentes, ao separar o CEO do Presidente. Em termos de transparência e partilha 
da informação do negócio, são exemplos de medidas a divulgação anual do código de 
ética da empresa, divulgação de atos societários e políticas relacionadas com a prática 
de governança, e até mesmo a criação de canais de denúncias para colaboradores, 
fornecedores e clientes.
As medidas apresentadas permitem à indústria hoteleira minimizar os seus 
impactos negativos, transformando-os em efeitos positivos, contudo, existem limitações 
e desafios que ainda são uma barreira para as empresas que querem implementar os 
critérios ESG. Provavelmente o mais impactante será a dispendiosidade do processo, 
mais concretamente a falta de orçamento e recursos das empresas para aplicar medidas, 
em especial para as pequenas e médias empresas do sector que muito o caracteriza. 
Outras das limitações analisadas são a falta de tecnologia alinhada às necessidades 
desta estratégia e a pressão da liderança em acelerar o processo de alcançar as metas 
estabelecidas.
Para iniciar o processo de alinhar a estratégia empresarial com os critérios ESG, 
cada empresa deverá identificar os principais focos de mudança para estabelecer o 
seu caminho. Posteriormente, deverá definir as etapas do processo, de forma a que 
os relatórios elaborados apresentem resultados coerentes e adequados às metas pré-
definidas. Atualmente no mercado existe uma vasta oferta de consultoras e companhias 
que ajudam empresas a encontrar as métricas apropriadas ao seu modelo de negócio, 
por forma a estarem alinhadas com os critérios ESG.
Com o natural crescimento e evolução do turismo a nível mundial, a utilização 
de ESG no sector hoteleiro deve ser cada vez mais percepcionada pelos hoteleiros e 
promotores, independentemente da sua dimensão, como algo básico e indissociável 
das suas actividades. Os recentes acontecimentos a nível mundial que destabilizaram 
o natural funcionamento das economias, vieram realçar a capacidade proactiva dos 
stakeholders ao invés da postura reactiva a que se assistia até há pouco tempo. É 
também reconhecido o aumento da exigência dos consumidores em relação a medidas 
sustentáveis, o que, aliado aos objetivos estabelecidos nas cimeiras das alterações 
climáticas, poderão funcionar como uma alavanca para impulsionar novas estratégias 
de negócio no sector turístico.
Fonte: CAMPOS, M; SERRA, A. ESG na indústria hoteleira: a chave para um turismo mais sustentável. 
BRAINSER.NEWS/PORTUGAL. Publicado em 16.dez.2022. Disponível em: https://portugal.brainsre.news/
esg-na-industria-hoteleira-a-chave-para-um-turismo-mais-sustentavel-miguel-campos-associate-director-
-head-of-npl-reo-at-aura-ree-portugal-e-ana-serra-as/. Acesso em: 10 mar. 2023.
164
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tema de aprendizagem, você estudou:
• Os princípios éticos e morais no ambiente e na cultura organizacional. 
• A influência da ética no comportamento social e profissional. 
• Os princípios e normas técnicas para a implantação da Responsabilidade Social nas 
empresas. 
• Os programas de responsabilidade social em grandes grupos hoteleiros internacionais. 
165
AUTOATIVIDADE
1 A ética promove uma reflexão moral acerca da ação, podendo ser considerada como 
a ciência da conduta. Na hospitalidade comercial, a postura ética dos profissionais 
é um critério a ser observado na avaliação da qualidade dos serviços, tanto pela 
gestão, quanto pelos hóspedes, pelos colaboradores e stakeholders. Sobre a ética 
empresarial na hotelaria, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Na relação com o hóspede, a máxima “o cliente tem sempre razão” deve ser 
 cumprida à risca, independentemente da situação.
b) ( ) Na relação com o hóspede, o comportamento ético é esperado por parte dos 
 colaboradores, não sendo a conduta ética um comportamento devido por parte 
 dos hóspedes. 
c) ( ) Na relação com o hóspede, é ético que colaboradores imponham aos visitantes 
 os valores morais da localidade.
d) ( ) Na relação com o hóspede, é ético que os turistas conheçam os valores morais 
 da localidade e respeitem o código de ética dos colaboradores. 
2 A responsabilidade social empresarial tem se apresentado como uma das mais 
significativas tendências do mundo contemporâneo, considerando a necessidade de 
uma contrapartida à sociedade pelos impactos das atividades que desempenham. 
A finalidade do lucro dos acionistas e a qualidade nos serviços ou produtos das 
empresas já não são suficientes para manter as empresas competitivas no mercado 
internacional, se além disso, não forem observados os princípios da sustentabilidade 
econômica, ambiental e social. Com relação a Responsabilidade Social nas empresas, 
analise as sentenças a seguir: 
I- A responsabilidade social pode ser entendida como a responsabilidade de uma 
organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio 
ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente.
II- Fornecedores, funcionários e a sociedade em geral são considerados stakeholders, ou 
seja, partes interessadas a serem contempladas em programas de responsabilidade 
social das empresas.
III- A certificação da série de normas ISO para a gestão da responsabilidade social nas 
empresas é obrigatória para todas as empresas, independentemente do seu porte ou 
área de atuação.
166
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 No turismo, em âmbito internacional, a Organização Mundial do Turismo emitiu em 
1999 o Código Global de Ética para o Turismo, dirigido a governos, ao setor do turismo, 
comunidade e turistas. Tem o objetivo de maximizar os benefícios e minimizar os 
impactos negativos do turismo ao meio ambiente natural, cultural, econômico e 
humano de modo geral. Com base no código global, e coerente com o contexto 
em que atuam, as empresas do setor turístico elaboram os seus códigos internos 
de conduta ética. Com relação à ética profissional, analise as sentenças a seguir e 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A ética profissional refere-se ao código de ética das profissões, limitando-se ao 
 ambiente corporativo e às funções desempenhadas por seus colaboradores.
( ) A ética profissional trata de um conjunto de comportamentos e valores desejados ou 
 aceitáveis dentrode uma empresa, aos valores e propósitos da organização 
 conforme a cultura organizacional. 
( ) Comportamentos éticos derivam do caráter de seus colaboradores, e as empresas 
 têm valorizado cada vez mais as soft-skills, ou seja, as habilidades comportamentais 
 dos indivíduos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – V
d) ( ) F – F – V.
4 Na década de 1990, a Responsabilidade Social Corporativa passa por duas 
transformações significativas: nos conceitos e nas práticas, nas modalidades de 
ação. Quanto ao conceito, a filantropia dá lugar ao termo Responsabilidade Social 
propriamente dita. Disserte sobre as diferenças entre Filantropia e Responsabilidade 
Social, a partir de então. 
167
5 A partir da ISO 26000, vários países têm desenvolvido normas nacionais com o 
propósito de incentivar uma certificação para a Responsabilidade Social. Além de 
traduzir a ISO para o português através da ABNT ISO26000, o INMETRO foi o primeiro 
a criar, em 2004, o Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social 
a ABNT NBR 16001 – Responsabilidade social – Sistema da gestão – Requisitos. 
Estabeleça a diferenciação entre as normas ABNT NBR 16001 e ABNT ISO26000 em 
pelo menos três aspectos:
168
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https://omnibees.com/2020/08/satisfacao-do-hospede-o-que-e-como-medir-fatores-que-impactam-e-acoes-para-melhorar/
https://omnibees.com/2020/08/sustentabilidade-na-hotelaria-saiba-o-que-e-vantagens-e-como-realizar-no-seu-hotel/
https://omnibees.com/2020/08/sustentabilidade-na-hotelaria-saiba-o-que-e-vantagens-e-como-realizar-no-seu-hotel/
https://omnibees.com/2020/08/sustentabilidade-na-hotelaria-saiba-o-que-e-vantagens-e-como-realizar-no-seu-hotel/
https://www.pensamentoverde.com.br/im-green/os-8-rs-da-sustentabilidade/
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https://inbs.com.br/iso-26000-o-que-voce-precisa-saber/
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https://www.researchgate.net/publication/330412712_GESTAO_DA_QUALIDADE_E_O_IMPACTO_DA_ISO_9001_UM_ESTUDO_DE_CASO_EM_UM_MEIO_DE_HOSPEDAGEM_NO_RIO_DE_JANEIRO_BRASIL
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https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170531143126.pdf
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https://www.totvs.com/blog/gestao-industrial/iso-9001-2015/
https://www.totvs.com/blog/gestao-industrial/iso-9001-2015/
173
HOSPEDAGEM E 
HOSPITALIDADE
UNIDADE 3 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• discutir sobre a ética e responsabilidade social dentro das empresas hoteleiras e 
apontar os principais tópicos sobre legislação hoteleira;
• discutir a relação entre hospitalidade e turismo;
• debater o sucesso através da prestação de serviços de qualidade;
• apresentar a importância da qualifi cação dos recursos humanos na hotelaria.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar 
o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – LEGISLAÇÃO HOTELEIRA
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – HOTELARIA E HOSPITALIDADE
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – TURISMO E HOSPITALIDADE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
174
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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175
TÓPICO 1
LEGISLAÇÃO HOTELEIRA 
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico! No Tema de Aprendizagem 1, abordaremos a Legislação Hoteleira, 
baseada na Constituição Brasileira, direcionada aos leitores, como forma de incentivar 
o conhecimento e aplicação em sua jornada acadêmica e, em especial, ao longo de sua 
carreira profissional.
 
Entender a legislação do setor é fundamental para um profissional de hotelaria. 
Cabe destacar que serão abordadas informações importantes para atuação, tanto para o 
mercado independente, quanto para o universo das redes hoteleiras nacionais. Segundo 
o Boletim de Sondagem Empresarial – 2022, realizado pelo Ministério do Turismo, há uma 
retomada de crescimento no setor e sintetiza o esforço público na escuta dos empresários 
do setor que almejam novos investimentos para 2023 a partir de indicadores positivos 
como o aumento do número de contratações, aumento da demanda de serviços, aumento 
em 10% do faturamento em comparação ao ano de 2021.
A partir das informações deste Tema de Aprendizagem, você poderá começar 
a estabelecer as relações existentes entre as áreas de turismo, hospitalidade e lazer 
com outras áreas de conhecimento, especialmente no que tange ao Direito Trabalhista 
e do Consumidor. Estas informações estão diretamente vinculadas às demandas 
operacionais de um profissional do setor como estágio, convenção coletiva de trabalho, 
overbooking e gorjetas. Bons estudos!
2 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS 
O setor hoteleiro cresce de forma exponencial e tem alta representatividade 
no desenvolvimento da atividade turística. O setor hoteleiro trabalha com a prestação 
de serviços e, diante disso, quais aspectos jurídicos são importantes na compreensão 
dessa relação? Vamos começar a refletir esses pontos a partir de agora. Para tanto, 
utilizam-se conceitos trazidos por Takoi (2014) como mostra o quadro a seguir.
176
Quadro 1 – Meios de hospedagens: práticas e princípios
Fonte: Takoi (2014, p. 85)
Conceitos
Consideram-se meios de hospedagem os empreendimentos ou 
estabelecimentos destinados a prestar serviços de alojamento 
temporário, ofertados em unidades de frequência individual e de uso 
exclusivo do hóspede, bem como outros serviços necessários aos 
usuários, denominados de serviços de hospedagem, mediante adoção 
de instrumento contratual, tácito ou expresso, e cobrança de diária.
Receita 
proveniente 
do Mercado 
Consumidor
Entende-se por diária o preço de hospedagem correspondente 
à utilização da unidade habitacional e dos serviços incluídos, no 
período de vinte e quatro horas, compreendido nos horários fixados 
para entrada e saída de hóspedes.
Requisitos
Os meios de hospedagem, para obter o cadastramento, devem 
preencher pelo menos um dos seguintes requisitos: I – possuir 
licença de funcionamento, expedida pela autoridade competente, 
para prestar serviços de hospedagem, podendo tal licença objetivar 
somente partes da edificação; e II – no caso dos empreendimentos ou 
estabelecimentos conhecidos como condomínio hoteleiro, flat, flat-
hotel, hotel-residence, loft, apart-hotel, apart-service condominial, 
condo-hotel e similares, possuir licença edilícia de construção ou 
certificado de conclusão de construção, expedidos pela autoridade 
competente, acompanhados de documentos de constituição.
Obrigações 
Os meios de hospedagem deverão fornecer ao Ministério do Turismo, 
em periodicidade por ele determinada, as informações sobre o perfil 
dos hóspedes recebidos, distinguindo-ospor nacionalidade e 
o registro quantitativo de hóspedes, taxas de ocupação, permanência 
média e número de hóspedes por unidade habitacional.
Sobre Legislação Hoteleira, Ernesto Hsieh realizou em sua obra apontamentos 
sobre os perigos e fragilidades que envolvem, muito mais que um sonho de empreender 
uma pousada, como destaca a citação a seguir:
Essa é uma pequena pedra que pode derrubar gigantes. A nossa cultura 
não valoriza nem dá a devida importância para a obediência à legislação. 
Acredita-se que tudo pode ser resolvido com o famoso “jeitinho”. 
Sem entrar em juízo de valores, a realidade brasileira está mudando. 
Existem vários exemplos de investimentos de grande porte que foram 
embargados e fadados ao fracasso por não terem observado a legislação. 
Para a escolha do terreno, é importante que se considere a Legislação 
Ambiental e as Leis de Uso e Ocupação de Solo. Existem diversas leis 
que podem restringir a construção ou interferir no desenvolvimento das 
atividades posteriormente (HSIEH, 2006, p. 20).
177
Uma verdade que, muitas vezes, desabona aquele que tem o espírito aventureiro 
de empreender.
2.1 GESTÃO DE SERVIÇOS NA HOTELARIA
 
Hotelaria não é apenas uma edificação onde se pode descansar, se higienizar 
e se alimentar, é um espaço de trocas, ou pode-se denominar como um templo, entre 
aqueles que desejam usufruir de algo diferente de seu dia a dia, seja em uma rotina de 
trabalho ou lazer e daqueles que escolhem o caminho da hospitalidade comercial para 
construção e manutenção de sua carreira. É uma escolha consciente de servir pessoas, 
seja em uma metrópole, um município do interior, em um município de serra ou no litoral. 
Silva (2013) se utiliza da conceituação de Albrecht (1992) sobre a gestão de 
serviços, como uma visão objetiva e superior, capaz de mudar perspectivas para os 
empreendimentos e que combinam conhecimentos, habilidades e atitudes. 
Refletir sobre os serviços do hotel é mais custoso, do ponto de vista 
administrativo, que refletir sobre os serviços em cada área do hotel. A 
solução para resolver problemas de atendimento na área da recepção 
deve forçosamente ser diferente da solução para resolver problemas 
de atendimento na área de governança, e assim sucessivamente. 
Cada área tem problemas que lhe são peculiares, que não podem ser 
generalizados para toda a estrutura organizacional (ALBRECHT 1992 
apud SILVA, 2013, p. 117).
Já Soares (2014, p. 133) apresenta outra perspectiva:
Essa onda de crescimento econômico, pautada em um livre comércio 
internacionalizado, gerou necessidades nos países de ampliação de 
suas exportações e importações, não somente de produtos de consumo 
imediato, mas de serviços que, também, realizam a necessidade do 
homem em aspectos hoje entendidos como harmônicos e importantes 
em uma vida em sociedade. Uma vez que o cidadão passa a realizar 
suas necessidades básicas, dentro dessa sociedade, descrita como 
capitalista e que ampliou o poder de compra de produtos antes 
restritos a pequenos grupos sociais, a prestação de serviços como o 
turismo aumentou, sobretudo em países como o Brasil que, por razões 
geográficas e de economia interna, favorecem uma “experiência” ao 
contratante do serviço, que garante o ganho financeiro importante para 
a nação e todas as pessoas envolvidas no ciclo produtivo.
Esse pensamento reflete a globalização dos serviços, como consequência 
natural do capitalismo e das nações após a Segunda Guerra Mundial. É importante 
enfatizar que a oferta de um serviço hoteleiro depende de mão de obra qualificada para 
o trabalho e desenvolvimento do negócio. Pires (2022, p. 14) enfatiza essa condição em:
É mais que necessário criar condições e benefícios para atrair 
potenciais colaboradores, que são os clientes internos e ativos mais 
valiosos para os hotéis e, assim, conseguir ter um hotel eficaz e 
178
eficiente. De facto, a hotelaria, sendo prestadora de serviços, é um 
setor baseado em mão de obra, em que o sucesso e qualidade do 
serviço está diretamente ligado com as pessoas que lá trabalham, o 
que evidencia, claramente, a importância que os RH constituem para 
a hotelaria e o impacto numa organização. 
Esse apontamento é um ponto de partida para a próxima geração de empreendedores 
hoteleiros, para que eles reflitam, sobre a qualidade de seus clientes internos.
2.1.1 Brasil e sua legislação hoteleira
Para compreensão da aplicação da legislação hoteleira no País, é importante 
compreender sua evolução ao longo do tempo. A Figura 1 apresenta um breve resumo 
deste percurso no Brasil.
Figura 1 – Legislação hoteleira no Brasil e sua linha do tempo
Fonte: a autora (2023)
Em ordem crescente do que foi apresentado na figura acima, a primeira dispõe 
sobre a concessão de incentivos fiscais outros estímulos à atividade turística nacional, 
altera disposições dos Decretos-Leis nº 1376, de 12/12/1974 e 1338, de 28/07/1974 e dá 
outras providências. 
A segunda dispõe sobre as atividades e serviços turísticos; estabelece condições 
para seu funcionamento e fiscalização. Altera a redação do artigo 18 do Decreto Lei nº 
1439, de 30/12/1975 e dá outras providências. A terceira regulamenta dispositivo da Lei 
nº 6505, de 13/12/1977 referentes aos meios de hospedagem de turismo, restaurantes 
de turismo e acampamentos turísticos. A quarta Lei nº 8.181, de 28/03/1991, dá nova 
denominação à Embratur e dá outras providências. 
A quinta Lei nº 11.771, de 17/09/2008, dispõe sobre a Política Nacional de 
Turismo, define as atribuições do Governo Federal no planejamento, desenvolvimento e 
estímulo do setor turístico, revoga a Lei nº 6.505, de 13/12/1977, o Decreto Lei nº 2294, 
de 21/11/1986 e dispositivos da Lei nº 181, de 28/03/1991 e dá outras providências. 
Já a sexta Lei de nº 14.002, de 22/05/2020, autoriza o Poder Executivo a instituir a 
EMBRATUR, revoga a Lei nº 8.181, de 28/03/1991 e dá outras providências.
179
As Leis de 2008 e 2020 são as que estão em vigor atualmente e que regem 
a área do conhecimento do Turismo, que também abrange à Hotelaria. Mamede 
(2004) desmembra como um Procedimento Operacional Padrão (POP), o termo de 
compromisso realizado entre a EMBRATUR, o Ministério do Turismo e a ABIH, para 
avaliação sistemática, gerando uma matriz de classificação dividida entre itens gerais e 
específicos, que podem ser visualizados na figura a seguir.
Figura 2 – Requisitos mínimos na prestação de serviços capaz de gerar uma matriz 
de classificação dos meios de hospedagem
Fonte: a autora (2023)
Esse termo de compromisso busca atingir a satisfação do hóspede pelo 
cumprimento dos serviços vendidos, previstos na Constituição Brasileira. 
No ensejo de descrever sobre custos na hotelaria, Padoveze (2013, p. 177) 
determina que: 
O principal serviço de um hotel é a diária, que é a disponibilização de 
um espaço físico para o cliente, com suas respectivas acomodações, 
em conjunto com outros serviços necessários para que a acomodação 
esteja de acordo com a necessidade do cliente. Fundamentalmente, 
a diária inicia-se com o aluguel de uma parte do espaço físico do 
hotel para determinado cliente. 
Em seguida ele foca na questão que envolve os custos de depreciação de uma 
(UH) Unidade Habitacional, para formação de preço da prestação de serviços, que é de 
utilidade a todo e qualquer empreendedor hoteleiro.
180
2.2 DIREITOS DO CONSUMIDOR EM HOTELARIA
Nunes (2021, p. 27) propõe uma reflexão sobre o direito do turista estrangeiro 
no Brasil, de acordo com a Constituição Brasileira de 1988, trazido no artigo nº 5, se é 
similar ao direito dos brasileiros, ou não. Para ele: “A Constituição somente pode conferir e 
garantir direitos no território nacional. Assim, o turista que está aqui, no território brasileiro, 
goza das garantias constitucionais, que não são exclusivas de brasileiros natos”. 
Sob a mesma perspectiva, a de não diferenciar preços de produtos e serviços 
de acordo com a origem dos visitantes, em relação a Tutela Jurídica do Turismo na 
Defesa do Consumidor, Soares(2014, p. 136) argumenta sobre a Lei nº 8.078/90, 
seus acidentes de consumo, suas (co)responsabilidades, suas principais motivações, 
riscos, frequências, abrangências, regras e fiscalizações. No que tange aos meios de 
hospedagem, ele explora as seguintes vertentes: 
No caso dos preços praticados nas diárias de hospedagem, estes 
deverão conter a indicação do início e do término do período 
de vinte e quatro horas correspondentes a cada diária, além de 
estarem afixados nas portarias ou recepção dos hotéis, pousadas ou 
estabelecimentos similares, conforme determinam os arts. 6º, III, e 31 
da Lei n. 8.078/90. 
Para estabelecer uma relação de segurança no consumo de um serviço, os 
autores apontam que: 
caso haja o comparecimento do consumidor ao hotel ou pousada 
no dia marcado, tendo feito a reserva com antecedência e as 
condições negociadas não forem atendidas, ou se as instalações 
forem inadequadas, é direito garantido pelo Código de Defesa do 
Consumidor exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro serviço ou 
produto equivalente ou cancelar a reserva com direito à restituição 
monetária e a perdas e danos, nos termos do art. 18, § 1º, I, II e III 
(SOARES, 2014, p. 136).
Ainda na visão de Soares (2014, p.136): 
Uma relação de consumo em turismo tem em sua composição 
uma cadeia de valor complexa devido aos inúmeros elos entre 
fornecedores, face às expectativas dos consumidores. Nesse sentido, 
a educação para o consumo torna-se ainda mais crítica, pois, além 
da análise especializada na fase pré-contratual (in contraendo) e 
no momento da celebração do contrato, é na fase pós-venda que 
sua fragilidade tende a gerar mais litígios, exatamente quando a 
execução da promessa se aperfeiçoa. O conhecimento dos direitos e 
deveres e das sanções cabíveis aos fornecedores fator crítico para a 
manutenção de uma harmônica relação contratual em turismo. 
181
Isso ocorre porque a venda de serviços é intangível e normalmente se executa 
no destino turístico receptivo. Em se tratando das ciências jurídicas, Portella (2000 
retrata em seu estudo sobre a prática de Overbooking no Transporte Aéreo, mas que se 
assemelha neste estudo à hotelaria, pois também presta serviços no trade turístico e que 
essa prática retrata, vezes, prejuízos aos viajantes tanto nas esferas financeiras, quanto às 
esferas sociais, políticas e ambientais, como pode ser observado no texto a seguir: 
Overbooking é termo designativo de uma das infinitas formas 
danificadoras dos direitos do consumidor-turista. Consiste na 
frustração do serviço de transporte aéreo, por estar um voo com o 
número de passageiros que extrapola a capacidade de vagas do avião. 
A quantidade de poltronas é insuficiente para atender às pessoas com 
contrato de viagem já aperfeiçoado (PORTELA, 2000, p. 81).
 
O autor complementa a ação dos prestadores de serviços turísticos, ao praticar 
o overbooking, quando os clientes têm a confirmação dos serviços e de acordo com as 
regras estabelecidas pelas empresas, não dão o no-show e comparecem ao check-in 
para se acomodarem em suas poltronas e apresentam déficit de vagas para a execução 
do serviço contratado.
Em seu estudo Giuliani (2009, p. 81) desmembra juridicamente as consequências 
à administração hoteleira, causada pela prática do overbooking e conclui que: “apesar de 
muito comum e altamente praticado, o overbooking é vedado e gera indenização ao cliente 
prejudicado, guardadas as peculiaridades de cada caso. Não recomendamos tal prática”.
Essa reflexão da autora, se submetida a uma comprovação pelos dirigentes dos 
meios de hospedagem, sobre o olhar global do negócio, dos resultados negativos que 
tal prática podem resultar ao empreendimento, certamente ações serão tomadas em 
prol do marketing hoteleiro.
O estudo de Nuno e Almeida (2017, p. 43) aponta tendências ligadas à tecnologia 
da informação e comunicação, para ocupar um planejamento sustentável do negócio, 
como se vê em: 
O cancelamento de reservas tem um impacto substancial nas decisões 
de gestão da procura na indústria hoteleira. Os cancelamentos 
limitam a produção de previsões precisas, uma ferramenta crítica 
em termos de desempenho de gestão da receita. Para limitar os 
problemas causados pelo cancelamento de reservas, os hotéis 
implementam políticas de cancelamento rígidas e estratégias de 
overbooking, as quais podem vir a ter influência negativa sobre a 
receita e reputação social. Usando conjuntos de dados de quatro 
hotéis de resort e abordando a previsão de cancelamento de reservas 
como um problema de classificação no âmbito da Data Science, os 
autores demonstram que é possível construir modelos para prever 
cancelamentos de reservas com resultados superiores a 90%. Estes 
resultados permitem demonstrar que apesar do que foi assumido por 
Morales e Wang (2010) é possível prever com alta precisão se uma 
182
reserva será cancelada. Os resultados permitem que os hoteleiros 
prevejam com melhor precisão a procura líquida e construam 
melhores previsões, melhorem as políticas de cancelamento, definam 
melhores táticas de overbooking e usem estratégias de alocação de 
inventário com preços mais assertivos.
Levando em conta a importância da Hospitalidade Comercial, o estudo de Haynes 
e Egan (2020) incide sobre a percepção do Back Office em oferecer solidariedade quando 
ocorre a prática do overbooking, em seu dia a dia de trabalho, como se estabelece em: 
Até agora, a maioria da literatura se concentrou na ética do overbooking 
da perspectiva dos hóspedes. Esta pesquisa descobriu que os 
funcionários da linha de frente formam uma ideologia ética com base 
em sua necessidade percebida de oferecer hospitalidade ao hóspede. 
O overbooking é visto como uma ameaça à relação anfitrião-hóspede. 
No entanto, se os funcionários da linha de frente puderem oferecer 
uma compensação relevante aos hóspedes e avisar com antecedência 
sobre um cenário de outbooking, eles perceberão que um equilíbrio 
ético entre hospitalidade e práticas de overbooking comercialmente 
orientadas pode ser alcançado (HAYNES; EGAN, 2020, s.p.).
Na sequência Sitoe (2022, p. 30) defende que o risco de praticar o overbooking 
cabe à gestão hoteleira, como se apresenta no trecho a seguir:
A noção de que hotel cheio é um jogo de aposta está reflectida até 
pela incerteza do pessoal de front-office quando usa os termos 
como “chegada e partida imprevista de clientes”. É claro que o risco 
está inserido nessa questão. Deve-se ou não correr o risco de não 
atender a um cliente em caso de a demanda exceder a capacidade? 
Um gerente avesso ao risco não deve fazer overbooking. Enquanto 
formas conservadoras de não se reservar além da capacidade envolve 
o risco de se ter quartos vazios por causa de no show, a questão de 
futuros negócios se faz presente também. Os gerentes que aceitam 
correr o risco de negar acomodação para um cliente com reserva, 
usam extensivos overbookings e podem ter seus lucros de longo 
prazo perdidos caso o cliente não queira mais voltar ao hotel, além da 
publicidade negativa que este cliente fará do hotel.
 
Essa visão reflete principalmente a realidade dos pequenos empreendimentos 
cuja administração é familiar.
2.2.1 A gorjeta na hotelaria
Andreto e Del Roio (2022), trazem em seu estudo uma perspectiva temporal 
1922-1930, dos trabalhadores da hotelaria brasileira, encabeçando que os salários eram 
baixos no setor, devido aos trabalhadores receberem gorjetas, além da questão de 
mulheres receberem gorjetas compatíveis ou, às vezes, até maiores que seus salários, 
fizeram com que “fosse criado um estatuto pela União Nacional dos Trabalhadores em 
Hotéis e Similares (UNTHS),que extinguissem a gorjeta e adotassem o parâmetro da 
porcentagem”, que é utilizado até os dias de hoje.
183
Nesta mesma linha de pensamento, em seu estudo Pires (2022, p. 13) desdobra-
se para contemporizar a gorjeta na Hotelaria, como uma saída para a questão dos baixos 
salários que se encontram no mercado, como se comprova em: 
Vários estudoscaracterizam o setor hoteleiro como tendo baixos 
salários (Baum, 2019; Burke, 2018). Esta percepção negativa 
coloca desafios ao GRH (Gestão de Recursos Humanos) na atracão 
e retenção de mão de obra qualificada para o setor (Nickson, 
2017). É, no entanto, importante referir que, na hotelaria, é muito 
frequente os clientes gratificarem os trabalhadores pelos serviços 
prestados através de uma gorjeta. Esta pode permitir que alguns dos 
trabalhadores aumentem as suas remunerações, contudo estas são 
imprevisíveis (Nickson, 2017). Wood (1997) acrescenta que, embora a 
gorjeta seja um bom motivador, seria desejável um salário mais digno 
para os trabalhadores deste setor. Porém, é preciso ressalvar que 
há exceções quanto ao nível dos salários praticados no setor, sendo 
que, algumas organizações remuneram os seus colaboradores acima 
do salário praticado no setor em geral (JIMÉNEZ, 2021).
 Para tanto, é importante esclarecer que há companhias hoteleiras que permitem 
que seus colaboradores aceitem as gorjetas em espécie ou presentes, bem como há 
aquelas que determinam a proibição em seus regulamentos.
2.2.2 Administração familiar x administração societária na 
hotelaria
Proserpio (2007) estuda as tendências do mercado e perspectivas voltadas 
à Hotelaria e identifica uma crescente oferta de serviços devido à tecnologia e uma 
demanda maior por viagens mais enxutas para esta década. A autora reforça a 
intensidade que a chegada de redes hoteleiras trazendo profissionais com expertise no 
mercado turístico, podem sugerir uma reestruturação nos empreendimentos menores 
e desfiliados a uma rede. E nomina as diferenças culturais advindas da globalização, 
como “típicas e/ou folclóricas”. Adiante em suas observações ela cita que: 
A expansão das redes hoteleiras internacionais no País traz benefícios 
ao desenvolvimento do setor de hospedagem, contribui para a 
multiplicação da oferta de serviços e quartos, a melhoria da qualidade, 
a transferência de habilidades tecnológicas, administrativas e 
organizacionais, o barateamento de preços, a qualificação da mão de 
obra e o aumento do emprego. Por outro lado, caso a expansão das 
redes não seja acompanhada pela regulação, por planejamento urbano 
e planejamento turístico adequados – no que se refere, principalmente, 
às regras de ocupação de uso do solo, às condições de respeito ao 
meio ambiente e à paisagem urbana, às regras de funcionamento e 
convivência com a rede instalada, à capacidade de suporte e estudos 
de mercado, ao acesso a financiamentos e obrigações tributárias- a 
disseminação das redes poderá trazer também efeitos indesejáveis, 
contrários ao interesse nacional, que as simples regras de mercado 
não são capazes de conter (PROSERPIO, 2007, p. 246).
184
Já Aldrigui (2007) amplia a discussão sobre formas de administração hoteleira, 
e as divide em: hotéis independentes, redes hoteleiras, franquias e companhias 
de administração hoteleira. A autora menciona as benfeitorias que envolvem a 
administração independente e aquela realizada em rede e que a escolha depende de 
seus gestores, de acordo com suas preferências e interesses. 
Por outro lado, Lima, Santos e Ribeiro (2018) trazem a perspectiva do parque 
hoteleiro independente no Brasil, que representaram no ano de 2016, quase a totalidade 
do universo de empreendimentos do setor, chegando aproximadamente a 23.400 (vinte 
e três mil e quatrocentos estabelecimentos comerciais do setor). 
Para os autores há uma linha tênue entre seu recurso humano, que deve ser 
tratado com protagonismo e a hospitalidade em si. Tais abordagens se aproximam de 
Bittencourt (2011), quando lançam sua perspectiva sobre o processo de gerenciamento 
da administração familiar: 
Na hotelaria familiar os instrumentos e técnicas dos gestores 
devem criar vantagem competitiva, por meio da criação de valor ao 
cliente, neste caso específico, o hóspede, pois, mesmo este tipo de 
empreendimento ser, geralmente, de pequeno porte, e com número 
reduzido de funcionários, não se diferem de outras organizações, que 
possuem particularidades e características próprias do conceito de 
hospitalidade abordado neste estudo, que é o fator humano (LIMA; 
SANTOS; RIBEIRO, 2018, p. 4). 
Deve ser lembrado que a personalização do serviço pode ser um diferencial 
competitivo em que pessoas são envolvidas e não somente a tecnologia.
3 O PAPEL DO COLABORADOR CONSCIENTE
Desenvolver o protagonismo do colaborador é um instrumento importante 
para o desenvolvimento de um empreendimento hoteleiro. Contudo, se faz 
importante o reconhecimento dos direitos e deveres, previstos em lei, de acordo 
com sua ocupação laboral.
Para tanto, quando se aborda o direito na hotelaria, é importante ressaltar 
a importância das Convenções Coletivas de Trabalho que podem ser consultadas 
gratuitamente nas páginas web, dos sindicatos do setor no Estado de Santa Catarina.
Um acordo coletivo de trabalho pode ser utilizado para ampliar os 
direitos já assegurados para toda a categoria nas Convenções de 
Trabalho ou adequar esses direitos as condições muito específicas 
de determinadas empresas. O Sindicato da categoria representa os 
interesses dos trabalhadores através de Acordo Coletivo como forma 
de resolução pacífica de conflito. Ele está disposto no art. 66, § 1º do 
art.611 CLT (LEGNET, 2018, p. 1).
185
O quadro 2 mostra dados de contato desses sindicatos.
Quadro 2 – Extrato de sindicatos ligados à hotelaria, presentes no Estado de Santa Catarina
Fonte: a autora (2023)
Sindicato Região Página Web
Sindehotéis Itapema, Porto Belo, Bombinhas e Tijucas
http://www.sindehoteisita-
pemaeregiao.com.br/
Sindihotéis São José e Região http://sindihoteissj.org.br/
Sihorbs
Blumenau, Agrolândia, Apiúna, Ascurra, 
Agronômica, Atalanta, Aurora, Benedito 
Novo, Braço do Trombudo, Chapadão do 
Lajeado, Dona Emma, Doutor Pedrinho, 
Gaspar, Ibirama, Ilhota, Imbuía, Indaial, 
Ituporanga, José Boiteux, Laurentino, 
Lontras, Luís Alves, Massaranduba, Mirim 
Doce, Petrolândia, Pomerode, Pouso 
Redondo, Presidente Getúlio, Presidente 
Nereu, Rio do Campo, Rio do Oeste, Rio 
dos Cedros, Rio do Sul, Rodeio, Salete, 
Taió, Timbó, Trombudo Central, Vidal 
Ramos, Vitor Meireles e Witmarsum
https://www.sihorbs.com.br/
Seshobar Balneário Camboriú e Região
https ://www.sechobar.
com.br/
Sitratuh Criciúma
Faz-se importante o reconhecimento dos documentos, por parte dos 
colaboradores do mercado hoteleiro de através de download gratuito do arquivo com 
a Convenção Coletiva de Trabalho 2022/2023 vigente, a fim de fortalecer a categoria. 
O documento é um aliado dos colaboradores para buscarem seus direitos, conforme a 
lei trabalhista, seja para um contrato que vigore o regime CLT (Consolidação das Leis 
Trabalhistas), seja para um regime de contrato intermitente.
186
A ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), fundada em 9 de novembro de 
1936, na cidade do Rio de Janeiro, cidade, que por um período histórico foi também a 
capital federal do país, tem um estatuto que pode ser conferido no link:(https://
www.abih.com.br/posts/?dt=estatuto-social-Y0Jqd0dxU1p0bmhsR2ZMWmk
3ZlJhZz09 e seu código de ética https://issuu.com/abihbahia/docs/codigo_
de_etica/6, que buscam fortalecer de forma sustentável (ambiental, 
financeira, política, social e cultural) as atividades do setor, através de suas 
regionais geograficamente espalhadas pelo território brasileiro. Através 
desse link, consulte o contato da ABIH de seu estado https://www.abih.com.
br/posts/?ct=abih-estados-bHVNcW9hOGtZNXNmUDVQNlNmMnpyZz09.
IMPORTANTE
3.1 ESTÁGIO EM HOTELARIA 
O Estágio é uma prática de ensino em que a Instituição de Ensino realiza a 
intermediação da aprendizagem, existente entre uma empresa da mesma área de 
atuação do curso em questão e o aluno. Trata-se de um importante instrumento de 
avaliação 360 graus, em que os três sujeitos envolvidos são avaliados. 
Nesta etapa, os estudantes podem receber uma retribuição financeira, como 
uma forma de auxílio e este pode serum caminho para a integralizar a equipe, da 
empresa escolhida pelo estudante. 
Bissoli (2002) divide sua obra denominada “Estágio em Turismo e Hotelaria” em 
cinco partes: a primeira aborda o conceito de estágio, a segunda sobre o planejamento 
do estágio, a terceira sobre a legislação, a quarta sobre tecnologia da informação 
aplicada e a última sobre modelos de avaliação. Suas nuances e contribuições marcaram 
época em que os cursos de graduação, como o Turismo e Hotelaria recorreram às 
Diretrizes Curriculares Nacionais, de acordo com o Parecer nº CES/CNE 0146/2002, para 
manter o estágio supervisionado como um componente curricular obrigatório para a 
complementação do aprendizado prático, com a oferta mínima de 300 horas, de acordo 
com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96.
A Figura 3 demonstra quais oportunidades de aprendizado compõem o Projeto 
Pedagógico dos Cursos Superiores de Turismo e Hotelaria, eles podem se configurar 
como elementos de estágios curriculares.
187
Figura 3 – Oportunidades de aprendizado prático nos estudos de turismo e hotelaria
Fonte: Adaptado de Bissoli (2002, p. 19)
Essas oportunidades devem ser conhecidas pelos estudantes, para pleitear 
essas vagas de estágio e assim praticar seus direitos e deveres como “aprendizes” de 
uma profissão que escolheram para assim iniciar a construção de sua carreira. É bastante 
comum, que ao longo do curso, tenha-se uma comissão, formada por discentes e 
docentes, para a organização destas atividades.
Já o estudo de Sant’Anna e Volta (2019) levanta uma bandeira sobre a penumbra 
do estágio no setor hoteleiro, de forma a desmotivar o estudante, em relação ao 
desempenho, principalmente nos empreendimentos de alta performance.
188
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• As características da prestação de serviços hoteleiros e diferenciar as modalidades 
de administração.
• Que existe uma Legislação Brasileira em vigor que trata das questões sobre a Hotelaria 
e outros Meios de Hospedagem. 
• Que há uma Associação, denominada ABIH (Associação Brasileira da Indústria de 
Hotéis), que trabalha em prol de seus associados no âmbito nacional, mas também 
regionalmente através de seus escritórios. 
• Que as práticas adotadas pelos Meios de Hospedagem, como o Overbooking, têm um 
percentual máximo aceitável.
• Que existe o protagonismo, por parte do Colaborador Hoteleiro ao conhecer a 
Convenção Coletiva de Trabalho de sua categoria, em sua região de atuação.
• Quais são os suportes oferecidos pelas Instituições de Ensino e os agentes de 
integração empresa/escola para a realização de práticas profissionais em empresas 
do seguimento de Turismo e Hotelaria.
189
AUTOATIVIDADE
1 Analise as sentenças a seguir, com base nas diretrizes do estatuto social da ABIH 
(Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), que identifica como corretas os deveres 
das associadas: 
I - Cooperar na parcial realização dos objetivos e finalidades da ABIH Nacional.
II - Cumprir e fazer cumprir todas as disposições do presente estatuto, dos regimentos 
internos, decisões da Assembleia Geral, do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva.
III - Contribuir, trimestralmente e/ou no tempo devido, com as importâncias destinadas 
aos custos e manutenção das atividades da ABIH Nacional, à exceção dos Sócios 
Honorários e Beneméritos, que são isentos de qualquer contribuição.
IV - Todo e qualquer membro da diretoria da ABIH que pretende concorrer a qualquer cargo 
eletivo em qualquer esfera do governo, deverá se desincompatibilizar do cargo no 
mesmo prazo estabelecido pela justiça eleitoral para aquela eleição.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
e) ( ) As sentenças I, II, III, IV estão corretas.
2 De acordo com Bissoli (2002, p. 74), autora da obra Estágio em Turismo e Hotelaria fazem 
parte do acordo de cooperação entre instituição de ensino e unidade concedente de 
estágio as seguintes afirmações: 
I - O termo de compromisso de estágio, vinculado ao instrumento jurídico Acordo de 
Cooperação, constitui um dos componentes exigíveis, pela autoridade competente 
exigíveis, pela autoridade competente, da inexistência do vínculo empregatício.
II - Quando a empresa mantém convênio com agentes de integração, estes assumem 
a responsabilidade pela verificação regular da situação escolar do estudante, nas 
instituições de ensino.
III - Alguns eventos como a conclusão e o abandono do curso, ou trancamento de matrícula, 
impedem a continuidade das atividades de estágio, porque caracterizam a condição 
legal de estagiário, podendo gerar vínculo empregatício.
Fonte: BISSOLI, M. A. Estágios em turismo e hotelaria. São 
Paulo: Aleph, 2002.
190
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
b) ( ) Somente as sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) Somente as sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença II e IV estão corretas.
e) ( ) Nenhuma das afirmações estão corretas.
3 Segundo a Deliberação Normativa nº 387, de 28 de Janeiro de 1998, o artigo 10, referente 
às diárias na seção IV, contemplam as seguintes informações:
I - Entende-se por diária o preço de hospedagem correspondente à utilização da UH e 
dos serviços incluídos, por um período básico de 24 horas, observados os horários 
fixados para entrada (check-in) e saída (check-out).
II - Os tipos de diárias são as seguintes: simples, com café da manhã, meia pensão, 
pensão completa.
III - O estabelecimento fixará o horário de vencimento da diária a sua conveniência ou de 
acordo com os costumes legais, observado o limite de um só horário de vencimento 
em cada período de 24 horas.
IV - Quando não especificado o número de ocupantes da UH (Unidade Habitacional), a 
diária básica, referir-se-á, sempre, à ocupação da UH por duas pessoas.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) A afirmativa I está correta. 
b) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
d) ( ) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
e) ( ) Todas as afirmativas estão corretas. 
4 Overbooking é uma prática comum em vários hotéis, principalmente naquele do 
segmento business localizados em cidades grandes. Diferencie o overbooking praticado 
de forma planejada daquele praticado de forma não planejada e cite três possíveis 
atitudes dos colaboradores de um hotel.
5 De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho 2021/2023 de Hotéis e Meios de 
Hospedagem, vinculados ao Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Apart 
Hotéis, Motéis, Flats, Pensões, Hospedarias, Pousadas, Restaurantes, Churrascarias, 
Cantinas, Pizzarias, Bares, Lanchonetes, Sorveterias, Confeitarias, Docerias, Buffets, 
Fast-Foods e assemelhados de São Paulo e região), Sindhotéis SP (Sindicato das 
Empresas de Hotelaria e Estabelecimentos de Hospedagem do Município de São 
Paulo e Região Metropolitana) e Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares 
do Estado de São Paulo) em seu item V, que define sobre as gorjetas, o percentual do 
pagamento de 10% em caso de gorjetas compulsórias. Descreva como elas devem 
ser repassadas aos colaboradores.
191
HOTELARIA E HOSPITALIDADE
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico! No Tema de Aprendizagem 2, abordaremos questões como a 
origem da hospitalidade e o seu percurso no tempo e no espaço, além de apontar 
suas dádivas, suas faces, seus caminhos e características. Serão destacadas aqui 
as nuances que envolvem os anfitriões e os convidados e a relação existente entre a 
hospitalidade e a hotelaria.
Com esta leitura você descobrirá que, alguma medida já possui algumas atitudes 
que compõem o universo da hospitalidade. Cabe destacar que estas atitudes estão 
presentes em todos os fragmentos da sociedade. Esperamos que os conhecimentos 
adquiridos aqui contribuam para seu desenvolver duranteda qualidade de equipamentos e serviços ofertados.
6
3 ASPECTOS HISTÓRICOS DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM
Passearemos pela trajetória histórica dos meios de hospedagem, assim, 
veremos que o desenvolvimento deles surgiu da necessidade do homem de ter abrigo, 
alimentação e pernoite em locais seguros ao viajar para lugares distantes pelos mais 
variados motivos.
Ao estudar a evolução, perceberemos que os meios de hospedagem passaram 
por grandes mudanças até atingir a forma como os conhecemos hoje. Veremos, também, 
o panorama evolutivo desses meios no Brasil e as tendências que vêm surgindo para 
moldar o setor para o futuro.
3.1 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA ANTIGUIDADE
A atividade de recepção de pessoas, para Aldrigui (2007, p. 21), é bem antiga, 
com relatos de hospedagem entre gregos, romanos e, até mesmo, persas. Nesse 
contexto, “o cidadão comum abria sua casa a um estranho, permitindo que o mesmo, lá, 
passasse a noite; pudesse se alimentar; e, assim, ter condições de seguir viagem, sem, 
nada, cobrar por tal gesto”, ou seja, a hospedagem estava mais próxima da caridade do 
que dos negócios. Duarte (2003, p. 15) afirma que, “no século VI a.C., já existia demanda 
de hospedagem, em função do intercâmbio comercial entre as cidades europeias da 
região mediterrânea”.
Os primeiros espaços reservados à hospedagem dos quais se tem notícia foram 
construídos na Grécia antiga, mais precisamente, em Olímpia, e foram destinados a 
abrigar bisitantes que prestigiavam os jogos olímpicos (CAMPOS; GONÇALVES, 2005). 
A civilização romana, por sua vez, propiciou, a partir do conhecimento de obras e 
infraestruturas de transportes, a expansão de viagens por todo o império, com a 
influência dos países dominados para a incorporação da hospitalidade e da hospedagem 
na cultura (CAMPOS; GONÇALVES, 2005). 
3.2 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE MÉDIA
Com a queda do Império Romano no século V, a hospitalidade passou a ser 
realizada pelas ordens religiosas, como os mosteiros, que contemplavam desde 
religiosos em peregrinação; artistas que participavam de jogos, ou de festivais de teatro; 
até aristocratas que viajavam para balneários. A hospedagem costumava ser cobrada, 
de acordo com o perfil econômico de cada hóspede, com diferenciação dos nobres 
para os mais simples, que, muitas vezes, recebiam pagamentos em forma de donativos 
para a ordem. Os meios de hospedagem eram denominados de inns, ou hospiteum 
(CASTELLI, 2006a).
7
De acordo com Popp et al. (2007, p. 9):
Na Idade Média, mosteiros, também, serviram como hospedagem 
para os viajantes. Hospedar, naquela época, era uma virtude espiritual 
e moral. As estâncias hidrominerais da Antiguidade, também, 
foram fundamentais para o surgimento da hotelaria: a crença 
nas propriedades terapêuticas e curativas de suas águas levava 
pessoas a procurarem tais locais. Essas temporadas de tratamento 
estimularam a criação de locais para acomodarem os visitantes.
Com a proliferação das acomodações em mosteiros, Carlos Magno ordenou a 
construção de pousadas para peregrinos. Chamadas de claustros, as acomodações 
religiosas eram simples, tinham uma boa cozinha, e eram, em geral, higiênicas, fatores 
que viriam a ser incorporados na hotelaria profissional, como conhecemos hoje 
(CASTELLI, 2006a).
Castelli (2006a) afirma que o desenvolvimento da economia monetária, no 
mundo grego, propiciou a expansão da hospedagem profissional, ou seja, remunerada, 
que era oferecida em tabernas e estalagens, com ou sem estábulos. Essas instalações 
estavam localizadas próximas de portos, centros comerciais, em santuários e cidades 
termais, o que deu origem às formas modernas de hospedagem.
Apenas, entre os séculos XVI e XIV, segundo Castelli (2006a), surgiu a 
preocupação com a institucionalização das hospitalidades pública e privada, em 
virtude da expansão comercial e do surgimento de vilas e cidades. A partir disso, foram 
criadas normas, pelas autoridades públicas, para regular as atividades de meios de 
hospedagem, como a obrigatoriedade de indicação de disponibilidade de quartos na 
porta do estabelecimento e a classificação dos meios em função da categoria social de 
hóspedes. Nesse período, também, surgiram as primeiras marcas de hotéis; a primeira 
associação de estalageiros, em Florença; e o primeiro selo hoteleiro, criado na Bretanha. 
O filme O Nome da Rosa, adaptado do romance de Umberto Eco, retrata, para 
além do roteiro, o cotidiano em um mosteiro que, na época, também, servia 
de pouso.
DICA
8
3.3 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE MODERNA
A Idade Moderna representou um período de expansão e popularização das 
grandes viagens de lazer, graças ao movimento conhecido como Grand Tour, no século 
XVI, caracterizado por excursões de egressos abastados de universidades inglesas, 
como Oxford e Cambridge (posteriormente, jovens ricos europeus e americanos), em 
busca do conhecimento de raízes ocidentais pelo usufruto das artes e das variadas 
formas de cultura, com viagens, principalmente, pela Europa (GROSS, 2008).
Castelli (2006a) cita que a Renascença evidenciou o pensamento humanista, 
que privilegiava as sensações e os valores humanos, e as viagens foram, então, 
consideradas um produto de consumo das classes artística e acadêmica.
O período foi marcado pelo desenvolvimento dos meios de transportes, que 
permitiram a realização de viagens mais longas e rápidas, além da primeira excursão 
com mais de cem pessoas, organizada por Thomas Cook, e considerada um marco para 
o turismo como atividade organizada (IGNARRA, 1999). Esse acontecimento representou 
um marco para o setor de hospedagem, uma vez que o aumento do fluxo de pessoas 
que viajavam pelo mundo necessitou, não somente, do aumento da oferta de meios de 
hospedagem, mas, também, da profissionalização do setor.
Nesse período, ocorreram relatos de classificação dos meios de hospedagem, por 
categoria, nos países europeus, a partir de meados do século XVII (COOPER et al., 2001). 
A palavra “hotel”, para designar, de forma generalizada, os meios de hospedagem, 
passou a ser utilizada de forma mais corrente na Europa, em meados do século XVI, 
quando foi construído o Hotel Henrique IV, em Nantes, na França (CASTELLI, 2006a).
3.4 MEIOS DE HOSPEDAGEM NA IDADE CONTEMPORÂNEA 
O século XVIII e a Revolução Francesa, de acordo com Castelli (2006a), 
trouxeram mudanças significativas para o setor de hospedagem, com o surgimento 
dos balneários franceses e a consolidação do padrão inglês de hospedagem como 
referência internacional.
Com a Revolução Industrial e, principalmente, com a expansão do capitalismo, 
a hospedagem foi considerada uma atividade econômica, como parte da hospitalidade 
comercial, marcada pelo surgimento de hotéis na Europa e nos Estados Unidos, a 
exemplo do Tremont House, em Boston, considerado inovador à época por oferecer 
acomodações simples e duplas, portas com trincos, bacia e jarro para higiene pessoal 
nos quartos e sabonete de cortesia (ANDRADE, 2002). A Revolução Industrial permitiu a 
construção de hotéis com elevador e com eletricidade (SPOLON; TRIGO, 2001).
9
A Revolução Industrial promoveu o crescimento das cidades, e, com ela, 
houve a necessidade de construção de extensas estradas e linhas de ferrovias para o 
escoamento da produção, incluindo uma rede ampla de hotéis fundamental e outros 
meios de hospedagem no entorno dos terminais. Consequentemente, o setor começou 
a ter um papel ainda mais importante no cotidiano das pessoas. 
Com o desenvolvimento da hotelaria e a necessidade de formação de mão de 
obra qualificada que pudesse atender à demanda de novos empreendimentos, em 1893, 
foi fundada a escola de hotelaria de Laussane, na Suíça, e, em 1898, foi inaugurado o 
Hotel Savoy, em Londres, com Cezar Ritz como gerente geral, hoteleiro suíço que se 
tornou famoso por estabelecer serviços requintados que foram copiados por hotéis em 
todo o mundo. É conhecido como o pai da hotelaria (SPOLON; TRIGO, 2001).
No século XX, Ellsworth Milton Statler construiu o primeiro hotelo curso e, posteriormente, em 
sua carreira profissional.
Ao longo do texto você verá quadros que foram construídos para sintetizar as 
principais ideias de autores, que evoluem seus pensamentos e suas teorias sobre a 
hospitalidade humana. 
2 ORIGENS DA HOSPITALIDADE
Iniciando o estudo, Brotherthon e Wood (2004, p. 203) definem Hospitalidade 
como “uma troca humana caracterizada por ser contemporânea, voluntária e 
mutuamente benéfica e por outro lado é uma troca humana baseada em determinados 
produtos e serviços”. Os autores sintetizam a hospitalidade pela presença das seguintes 
características mostradas na Figura 4:
UNIDADE 3 TÓPICO 2
192
Figura 4 – Hospitalidade em síntese
Fonte: Brotherthon e Wood (2004, p. 202)
Trata-se de uma vertente semântica sobre os caminhos da hospitalidade para 
fruição de produtos e serviços pela sociedade, além da administração, tanto no ambiente 
público, quanto o privado. Aproximando-se de Brotherthon e Wood (2004), Walker (2002) 
traz em sua obra uma perspectiva histórica sobre a hospitalidade desde a Antiguidade 
até o Século XX, que aborda também a gastronomia e os meios de hospedagem, cujas 
características podem ser observadas na figura a seguir:
Quadro 3 – Linha de tempo da hospitalidade, por John Walker
Linha do 
Tempo
Características
Antiguidade
• Estalagens e Tavernas construídas na beira das estradas nos 
impérios gregos e troianos;
• Havia mais de 10.000 (dez mil) estalagens, na viagem de Marco 
Polo ao extremo oriente;
• Foram criadas leis suntuárias para restringir o gasto com 
Alimentos e Bebidas, nos Banquetes;
• Após a queda do Império Romano, a Hospitalidade Pública 
tornou-se prerrogativa exclusiva das ordens religiosas;
• Os viajantes eram missionários, padres e peregrinos seguindo 
na direção dos templos e lugares sagrados. Consequentemente, 
as pousadas localizavam-se nas proximidades desses locais 
religiosos. As acomodações eram simples, administradas pelos 
escravos dos padres ou pelos religiosos dos templos;
193
Idade Média
• No século VIII Carlos Magno, construiu pousadas para peregrinos 
no continente europeu cujo propósito vindo das cavalarias, era 
de protegê-los;
• As corporações medievais mantinham também casas abertas 
para receber os peregrinos, que em muito se assemelhavam às 
acomodações oferecidas pelos mosteiros;
• As estalagens eram primitivas em comparação com os padrões 
atuais. Os hóspedes frequentemente dormiam em colchões 
espalhados sobre o que hoje chamaríamos de saguão; cada 
pessoa comia o que tivesse trazido consigo ou que pudesse 
comprar da casa. O cardápio desses lugares geralmente limitava-
se a pão, carne e cerveja, variando ocasionalmente, com as 
opções de peixe ou frango;
• Um dos primeiros hotéis europeus, o Hotel Henrique IV, foi 
construído em Nantes, em 1788, a um custo de 17.500 dólares, 
soma considerada altíssima na época para suas sessenta camas, 
tidas como as melhores da Europa;
• Nenhuma discussão sobre hospitalidade estaria completa, 
entretanto, sem uma menção às casas da realeza e da nobreza, 
que frequentemente atendiam a centenas de convidados a 
cada refeição. Muito embora o Jantar à la carte permanecesse 
praticamente desconhecido até o século XIX, essas casas 
praticavam o que poderia ser definido como discriminação 
alimentar, que consistia em servir diferentes refeições para gente 
de diferentes níveis sociais e hierárquicos. Os nobres ficavam 
com o melhor, é claro. O diário de uma dessas casas registra nada 
menos do que dez diferentes tipos de desjejum sendo servidos 
numa única refeição matinal;
• As condições sanitárias das cozinhas da época eram aterradoras, 
com os suprimentos esparramados pelo chão, refrigeração 
nenhuma, crianças e cachorros brincando livremente por entre 
as provisões, sobre as quais inúmeros ajudantes de cozinha 
acabavam de pisar. Para piorar a situação, com frequência as 
próprias pessoas que manuseavam a comida cultivavam hábitos 
de higiene no mínimo questionáveis, de maneira que as doenças 
contagiosas se espalhavam indiferentemente entre ricos e pobres;
• Catarina de Medice foi quem supostamente apresentou à corte 
francesa o uso de garfos no século XVI, mas esse hábito de 
higiene não veio a se tornar comum senão duzentos anos depois;
194
• Os anfitriões da Idade Média, ainda que ignorassem a presença 
dos germes e a higiene, dos garfos e da lavanda de dedos, não 
deixaram de estabelecer suas próprias regras para os jantares 
sociais, dentre as quais poucas não estariam adequadas aos 
nossos tempos;
• Ao longo do século XVI, dois produtos exóticos começaram a 
influenciar os hábitos alimentares da Europa Ocidental: O Chá 
e o Café. No fim do século XVI, o café já havia adquirido tanta 
notoriedade que chegou a atrair a censura da Igreja Católica, que 
lhe conferiu o título de vinho do Islam, bebida de infiéis. Diz-se 
que quando o Papa Clemente VIII experimentou o café, achou-o 
deliciosa demais para ser deixado aos mulçumanos e acabou por 
convertê-lo ao cristianismo;
• As casas de café, centros sociais e literários de seu tempo e 
precursoras dos cafés e cafeterias atuais serviram ainda a um 
propósito muito mais útil, ainda que menos óbvio: deixaram um 
continente inteiro a ficar sóbrio; por mais sóbrias que fossem 
as casas de café, não lhes faltavam detratores. As mulheres as 
abominavam, pois a exemplo da maioria dos lugares públicos, sua 
frequência era uma exclusividade dos homens. Faziam circular 
petições acusando o café de causador de doenças, e até de morte: 
as casas do ramo, mesmo assim, continuavam a se multiplicar. O 
café era geralmente servido num prato ou numa pequena tigela, 
um pouco maior que a xícara atual, sem a asa. As casas de café 
eram famosas por sua atmosfera sociável: ali podia-se sentar-se 
ao calor do fogo, encontrar os amigos, beber uma bebida quente, 
aromática e conversar sobre os assuntos do dia, num ritual que 
parece não ter mudado tanto com o passar dos anos;
• Em relação à Hospitalidade na Estrada o autor traz que nas 
zonas rurais, uma única estalagem servia a todos os viajantes, 
muito embora marcantes diferenças pudessem ser observadas 
no tratamento dispensado aos diferentes hóspedes: os viajantes 
com posses eram servidos nos salões de jantar ou em seus 
quartos; os mais pobres eram invariavelmente obrigados a comer 
com o senhorio e sua família na cozinha, tendo direito somente 
ao prato da casa (que os franceses chamam de table d’hôte) a 
preço de custo. Os mais ricos, por sua vez, podiam pedir pratos 
especiais à la carte e ainda visitar a cozinha para certificar-se de 
que sua comida estava sendo adequadamente preparada;
195
Século XVIII
• Em relação ao Novo Mundo, o autor sustenta que à medida que as 
colônias foram crescendo, passando de esparsos assentamentos 
para cidades e vilas, mais e mais viajantes surgiram, assim como 
mais acomodações para atendê-los;
• Em Nova York e na Nova Inglaterra, esses estabelecimentos 
eram também chamados, a exemplo da Europa, de tavernas. Na 
Pensilvânia, eram chamadas de estalagens e no Sul, de comuns. 
As estalagens/tavernas e comuns coloniais logo tornaram-se 
um ponto de encontro para o povo das comunidades, um lugar 
onde podiam se inteirar dos últimos boatos, ter notícia dos fatos 
e acontecimentos relevantes, marcar reuniões e fazer negócios;
• Por ocasião da Revolução Francesa, somente os traiteurs (donos 
de estalagens ou casas de pastos), tinham a permissão legal para 
vender carne cozida ao público, e, mesmo assim seus serviços 
limitavam-se às ocasiões excepcionais dos banquetes; 
• Boulanger, o pai do restaurante moderno, vendia sopas durante 
a noite inteira em sua taverna, na Rua Baillel. Ele chamava 
essas sopas restorantes (restauradoras), dando assim origem à 
palavra Restaurante;
• A Revolução dispersou por toda a parte os chefes de cozinha da 
nobreza francesa. Alguns deles permaneceram no país; outros 
mudaram-se para outras partes da Europa; muitos cruzaram 
o Atlântico em direção à América do Norte,temporário 
Inside Inn, para contemplar a Feira Internacional em St. Louis, nos Estados Unidos. 
Stadler revolucionou a hotelaria americana após a construção do Hotel Buffalo, 
com uma série de facilidades, até então, inéditas, como suporte de toalhas e banheiro 
privativo com água corrente em todos os quartos. 
A empresa de Stadler, a Stadler Hotels Company, foi comprada em 1954, por 
Conrad Hilton, por 111 milhões de dólares, e foi considerada a maior transação imobiliária 
da época (SPOLON; TRIGO, 2001).
Após a Segunda Guerra Mundial, com o crescimento das viagens no mundo 
todo, o mercado de hospedagem expandiu e se fortaleceu com a concorrência entre 
hotéis, com a oferta de novas formas de acomodação e em diferentes localidades. 
O desenvolvimento dos empreendimentos foi seguido pelo aumento de ocupações 
no setor, com um recorde de faturamento na década de 1990, na América (MEDLIK; 
INGRAM, 2002). O desenvolvimento do turismo e, consequentemente, da hotelaria, no 
pós-guerra, deveu-se ao desenvolvimento dos transportes e, mais especificamente, ao 
início do transporte aéreo/comercial (LICKORISH; JENKINS, 2000).
Ao longo do século XX, a indústria dos meios de hospedagem se beneficiou 
de técnicas e tecnologias desenvolvidas por outros setores, o que permitiu um rápido 
desenvolvimento da hotelaria comercial e dos meios de hospedagem em geral, mesmo 
em períodos de crise, como a Grande Depressão de 1929, que afetou o mercado global. 
Apesar disso, o setor se reinventou em novos modelos de negócios, como as redes 
hoteleiras, que puderam se expandir a nível internacional (SPOLON; TRIGO, 2001).
Na década de 1940, foram inaugurados os primeiros cassinos/hotéis em Las 
Vegas (SPOLON; TRIGO, 2001). 
10
A década de 1950 foi considerada de grande relevância para a hotelaria, 
principalmente, para a americana, com o início da oferta e do desenvolvimento dos 
motéis, meios de hospedagem que, originalmente, tinham a função de oferecer pouso 
no trajeto entre a origem e o destino, geralmente, localizados em rodovias (PETROCCHI, 
2004). Nesse período, com o desenvolvimento dos meios de transporte e a conquista de 
direitos trabalhistas, surgiu o chamado turismo de massa, que proporcionou uma maior 
demanda por meios de hospedagem, consequentemente, o desenvolvimento do setor.
As décadas de 1960 e 1970, por sua vez, foram marcadas pela internacionalização 
do setor, com o surgimento de redes e bandeiras internacionais de hotelaria, além da 
implementação de novos conceitos de administração hoteleira, vinculados ao setor imobiliário, 
com a procura pela maximização da rentabilidade de empresas com a implantação de novos 
modelos de negócios, como o flat e o time sharing (SPOLON; TRIGO, 2001).
Entre os anos 1980 e 2000, apesar dos períodos de crise que marcaram esse 
momento, o setor, também, experimentou períodos de sucesso e a necessidade de 
reinvenção de modelos de negócio, com o barateamento dos meios de transporte e a 
globalização da economia, que demandou investimentos em reformas e qualificação de 
mão de obra (SPOLON; TRIGO, 2001).
3.5 TRAJETÓRIA DA HOTELARIA NO BRASIL
A origem da hospitalidade, no Brasil, remonta à época do descobrimento do país 
pelos portugueses. Segundo Falcão (2007, p. 23), na Carta de Pero Vaz de Caminha, foi 
encontrado o “embrião de uma futura hospitalidade nacional”, ao ser descrito o encontro 
de acolhidas e tradições entre duas culturas.
De acordo com Falcão (2007, p. 23), “a hospitalidade típica portuguesa retardou, 
de certa forma, a consolidação da hotelaria como uma atividade comercial”, pois as 
regras de hospitalidade da época apregoavam a necessidade das consideradas “boas 
residências” de possuírem um “quarto de hóspede, o que denotava maior prestígio 
social ao anfitrião, além de ser uma tradição e um dever cristão”, sem falar dos interesses 
políticos e materiais de anfitriões.
Entre os séculos XVI e XVIII, com o desenvolvimento das cidades, foram 
construídos escolas, igrejas e hospitais, muitas dessas edificações ligadas a 
congregações religiosas, como Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, construída 
em 1582, que, devido a um caráter filantrópico, deu origem a uma das primeiras 
instituições hospedeiras no Brasil (BARBOSA; LEITÃO, 2005).
O desenvolvimento da hotelaria mais próximo do que conhecemos hoje, no 
Brasil, teve início com a chegada da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, 
11
incluindo a abertura dos portos. Esses acontecimentos exigiram locais de hospedagem 
com estrutura e capacidade para contemplar a nova demanda, que, anteriormente, 
era atendida por casas de pensão, hospedarias e pequenos hotéis familiares (DUARTE, 
2003). Durante o século XVII, “a atividade hoteleira era, sempre, exercida conjuntamente, 
com outros ofícios, como barbeiros, sapateiros, alfaiates, que eram, ao mesmo tempo, 
artífices, vendeiros e estalajadeiros” (DUARTE, 2003, p. 18). 
De acordo com Duarte (2003), no Brasil, a primeira classificação dos meios de 
hospedagem aconteceu em São Paulo, quando o inglês Charles Burton, no início do 
século XVIII, separou os estabelecimentos de hospedagem em cinco categorias, que são:
• 1ª Categoria - simples pouso de tropeiro;
• 2ª Categoria - telheiro coberto ou rancho ao lado de pastagens; 
• 3ª Categoria - venda correspondente à “pulperia” dos hispano-americanos, 
mistura de venda e hospedaria;
• 4ª Categoria - estalagens ou hospedarias;
• 5ª Categoria - hotéis (DUARTE, 2003, p. 16).
O desenvolvimento dos meios de hospedagem, no Brasil, sofreu influências 
de aspectos sociais, econômicos e políticos da época. No século XIX, por exemplo, 
as pressões em relação à abolição da escravatura, a transformação do governo em 
República e o desenvolvimento da linha ferroviária foram propulsores da atividade 
hoteleira em São Paulo (DUARTE, 2003). 
De acordo com Spolon e Trigo (2001, p. 153):
[...] Os primeiros empreendimentos começaram a ser implantados 
por volta de 1820, a partir da vinda da corte e de comerciantes 
portugueses para o Brasil. [...] Foi, apenas, nos anos 1920 e 1930, 
que as melhorias no nível de serviços e nas instalações puderam ser, 
efetivamente, promovidas. 
Apesar da crise de 1929, o setor de meios de hospedagem continuou a se 
desenvolver no Brasil, em virtude da riqueza gerada pelo café, do surgimento de 
aeroportos e da expansão da malha viária no país (SPOLON; TRIGO, 2001). Nesse período, 
foram construídos vários empreendimentos nas cidades médias e em destinos turísticos 
de férias, “além dos hotéis de lazer em balneários, estâncias, serras e litorais – inclusive, 
os hotéis-cassino, que tanto sucesso fizeram até a proibição de [...] funcionamento, pelo 
governo federal, em 1946” (SPOLON; TRIGO, 2001, p. 154).
A edição do Decreto nº 1.160/1907, que isentava, por sete anos, o pagamento 
de impostos municipais de hotéis que se instalassem no Rio de Janeiro, permitiu o 
surgimento de grandes hotéis, como o Copacabana Palace, o Hotel Glória e o Hotel 
Avenida (DUARTE, 2003). 
12
Entre as décadas de 1950 e 1970, várias políticas públicas foram colocadas 
em prática para estimular o desenvolvimento do setor, com a instalação de vários 
empreendimentos, como o São Paulo Hilton Hotel, o primeiro hotel de rede internacional 
a se estabelecer no Brasil (SPOLON; TRIGO, 2001).
Nas décadas de 1980 e 1990, o parque hoteleiro do país se consolidou e 
apresentou crescimento, apesar da crise socioeconômica nacional que marcou esse 
período. Spolon e Trigo (2001, p. 155) relatam que “uma nova forma de negócio surgiu 
[...], em resposta à demanda por hospedagem mais barata e como uma alternativa 
para a indústria da construção civil, que enfrentava as dificuldades decorrentes da 
estabilidade econômica”. Surgiram, então, os flats, um produto hoteleiro viabilizado 
como empreendimento imobiliário, com uma estrutura mais enxuta em comparação à 
de hotéis tradicionais e preços mais em conta. O modelo foi, primeiramente, instalado 
em São Paulo, mas foi levado, posteriormente, paraoutras cidades.
Entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, de acordo com Spolon e Trigo 
(2001, p. 156), houve uma mudança de perfil da hotelaria nacional, pois
novos hotéis de luxo surgem nas grandes capitais, a hotelaria econômica se 
espalha em cidades de porte médio, resorts de luxo são implantados em todo o litoral, 
hotéis-fazenda são construídos no interior dos estados, empreendimentos existentes 
procuram novas estratégias de posicionamento [...] e estabelecimentos mais antigos 
passam por reformas. Ao mesmo tempo, o consumidor fica mais exigente em relação ao 
serviço e avalia, com mais rigor, o binômio custo benefício oferecido pelos hotéis.
 
O Brasil recebeu, em 2014, a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, que representou 
investimentos em infraestrutura de hospedagem nas 12 cidades que sediaram os jogos. 
Segundo Santos et al. (2019, p. 304), “houve financiamento público de R$ 1 bilhão para 
modernização e ampliação da rede hoteleira, valor que teve, como contrapartida, um 
investimento privado de R$ 977 milhões”. Apesar de ter sido visto, inicialmente, como 
uma oportunidade para a ampliação de negócios hoteleiros, algumas sedes, como Belo 
Horizonte, viveram momentos de crise após a realização do evento, devido à oferta 
de leitos e à política deficitária de divulgação e captação de eventos, inclusive, com o 
fechamento de alguns hotéis (FROIS; COUTO, 2020).
Atualmente, o setor vive os reflexos da pandemia da COVID-19, que vem 
afetando, globalmente, as atividades de hospedagem desde o final de 2019. Com a 
decretação da pandemia em escala global, em 2020, em relação a 2019, houve uma 
queda de 56% na taxa de ocupação e 14,5% na diária média, com uma margem de Lucro 
Operacional Bruto no nível de 3,9% negativos, considerada a maior crise do setor de 
meios de hospedagem, não somente, no Brasil, mas no mundo todo. 
13
3.6 TENDÊNCIAS EM MEIOS DE HOSPEDAGEM
Quando falamos de inovação e tendências na hotelaria, percebemos que os 
empreendimentos transcendem a hotelaria em si e congregam outros encadeamentos 
dos meios de hospedagem, como a área gastronômica e o setor de eventos. Contudo, 
os hotéis, com frequência, consideram reformas e adaptações estruturais como 
inovações, assim, limitam-se a replicar práticas já usuais no setor, e não se atentam 
ao conceito de inovação, que subentende a criação de novos conceitos, produtos, 
serviços, entendimentos e experiências (MEDAGLIA et al., 2021). Podemos entender 
as megatendências como movimentos de sociedades globais que indicam negócios 
e comportamentos para transformações estruturantes e inovadoras, a partir de uma 
perspectiva de avanços e indagações.
Frente a uma análise de tendências do mercado turístico para a hotelaria, 
observamos que a individualização, o desenvolvimento tecnológico e a sustentabilidade 
estão entre as megatendências mais significativas, em especial, se analisamos o contexto 
pós-pandemia. Dessa forma, entende-se que as inovações, na hotelaria, estão voltadas para 
o aprimoramento do contato e da experiência do hóspede, com o uso da tecnologia, como 
totens de atendimento e robôs. O Henn Hotel, no Japão, abarca uma equipe de funcionários 
composta, predominantemente, por robôs, os quais fazem todo o atendimento do hóspede 
e a arrumação e a limpeza dos apartamentos (BATTAGLIA, 2018).
A pesquisa completa pode ser lida em https://fohb.com.br/wp-content/
uploads/2022/06/Hotelaria_em_Numeros_2022.pdf.
DICA
Apesar dos esforços para o controle de gastos; das medidas provisórias lançadas 
pelo Governo Federal, que permitiram reduzir o custo com a folha de pagamento; e das 
iniciativas de inovação em relação aos serviços prestados, para que fossem seguros 
do ponto de vista sanitário, cerca de 500 hotéis fecharam as portas no período, desde 
pequenos hotéis independentes até os afiliados a cadeias hoteleiras.
 Conforme JLL (2022), há sinais de recuperação no período pós-vacina 
da COVID-19, com a retomada das viagens. Aponta que fontes de receitas secundárias, 
como eventos e viagens de incentivo, tornaram-se excelentes oportunidades de 
investimento, ou compensação de perdas em hospedagem.
14
Com relação à sustentabilidade, temos o caso de alguns hotéis, como o Pikaia 
Lodge, no Equador, que tem a eletricidade e o aquecimento de água feitos a partir de 
energia solar. Uakari Logde (AM), Hotel Rosa dos Ventos (RJ) e Hotel Fazenda Campo 
dos Sonhos (SP) são alguns exemplos nacionais que utilizam estratégias de manejo 
ambiental para potencializar o coeficiente de sustentabilidade.
A inovação, na hotelaria, é um preceito fundamental para a criação de produtos 
e serviços que proporcionem vantagem competitiva de maneira sustentável, ou seja, 
que permitam, ao empreendimento, criar diferenciais que oportunizem a conquista de 
novos nichos de mercado e posicionem a empresa como autoridade no setor, devido à 
diferenciação de concorrentes e ao valor agregado por processos inovativos. 
4 TIPOLOGIA DE MEIOS DE HOSPEDAGEM
Os empreendimentos relacionados aos meios de hospedagem têm buscado, 
para a permanência no mercado e o aumento da competitividade, ajustar as demandas 
em relação a serviços e diferenciais oferecidos diante de necessidades de clientes. Com 
isso, esses meios de hospedagem se apresentam, vastamente, diversificados a partir de 
características específicas, com a origem de diferentes tipologias.
Ao buscar sistematizar as características de diferentes meios de hospedagem, 
Beni (2019) divide os empreendimentos em hoteleiros e extra-hoteleiros, com a 
identificação de, no total, 21 tipologias. Já Campos e Gonçalves (2005) enumeraram 22 
tipologias, algumas diferentes das identificadas pelo primeiro autor. 
Diante da diversidade de tipologias, o Ministério do Turismo – MTur optou por 
uma classificação padronizada, baseada em critérios técnicos da Portaria nº 100, de 
16 de junho de 2011, que instituiu o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de 
Hospedagem (SBClass) (BRASIL, 2010; 2011).
 
Usaremos a classificação do Ministério do Turismo para estudar a tipologia 
dos meios de hospedagem, considerados equipamentos hoteleiros, pelo fato de 
essa classificação ser usada, oficialmente, em ferramentas de gestão turística, como 
inventário turístico. 
Para o Ministério do Turismo, as categorias estabelecidas consideram que “cada 
tipo de meio de hospedagem reflete práticas de mercado e expectativas distintas dos 
turistas” (BRASIL, 2010, p. 8). Outras tipologias serão descritas e exemplicadas como 
equipamentos extra-hoteleiros, devido a não se enquadrarem na classificação oficial do 
órgão do governo.
15
4.1.2 Hotel de lazer/resort
Chamados de hotéis de lazer, centros de férias, estâncias turísticas, ou 
resorts, são empreendimentos defi nidos como um “hotel com infraestrutura de lazer 
e entretenimento que disponha de serviços de estética, atividades físicas, recreação 
e convívio com a natureza no próprio empreendimento” (BRASIL, 2010, p. 6). Esses 
empreendimentos são, geralmente, construções de alto padrão, nas instalações e 
nos serviços, e têm uma estrutura voltada para atividades de lazer, com grande apelo 
paisagístico, seja ele natural ou artifi cial. 
Huff adine (1999) divide a atuação dos resorts em três tipos: existem os 
voltados para o mercado, que priorizam atividades, como eventos, convenções e outras 
facilidades; os de destino, que disponibilizam uma ampla gama de atividades e atrações, 
como parques aquáticos, ski, golf e ecoturismo; e de propriedade, que são pequenos 
hotéis com, apenas, uma ou duas atrações.
4.1 EQUIPAMENTOS HOTELEIROS
Analisaremos as tipologias dos meios de hospedagem confi guradas como 
equipamentos hoteleiros, de acordo com o apregoado pelo Ministério do Turismo – MTur, 
que instituiu o Sistema Brasileiro de Classifi cação de Meios de Hospedagem (SBClass) 
(BRASIL, 2010; 2011). 
4.1.1 Hotel padrão/hotel
Hotel pode ser defi nido como um “estabelecimento com serviço de recepção, 
alojamento temporário, com ou sem alimentação, ofertadoem unidades individuais e 
de uso exclusivo do hóspede, mediante cobrança de diária” (BRASIL, 2010, p. 6). É o 
estabelecimento que conhecemos como padrão de meios de hospedagem. 
Veremos, no próximo tema de aprendizagem desta disciplina, como esse e 
outros meios de hospegem são classifi cados.
ESTUDOS FUTUROS
16
4.1.4 Hotel fazenda
É considerado, um hotel fazenda, todo empreendimento voltado para 
hospedagem “localizado em ambiente rural, dotado de exploração agropecuária, 
que ofereça entretenimento e vivência do campo” (BRASIL, 2010, p. 6). Nesse tipo de 
empreendimento, as atividades cotidianas do meio rural são os grandes apelos para 
a atração de hóspedes, pois, geralmente, esse tipo de estabelecimento conserva 
características autênticas, apesar de adaptações ocorrerem.
São proporcionadas, aos hóspedes, experiências, tipicamente, rurais, como 
a participação em ordenhas e no trato de animais, incluindo passeios a cavalo e 
degustação de produtos coloniais e da gastronomia rural.
Um exemplo de hotel histórico em funcionamento, no Brasil, é o Hotel 
Pestana Convento do Carmo, em Salvador, Bahia, cujo edifício foi 
construído entre os anos de 1586 e 1730, pela Ordem Primeira dos Freis 
Carmelitas, com um estilo arquitetônico colonial brasileiro. É o primeiro 
hotel de luxo do Brasil.
INTERESSANTE
Montejano (2001) apresenta algumas características fundamentais para que o 
estabelecimento seja classifi cado como resort:
• Empreendimento construído em um local que, por condições naturais, permita vida 
ao ar livre, como a prática de esportes em espaços abertos.
• Densidade de área construída que não deve exceder a terça parte da área total do 
estabelecimento.
• Pelo menos, 15% da superfície total do estabelecimento necessita ser constituída por 
áreas verdes.
• Serviços dos mais variados, como recepção, concierge, salas de reunião, refeitório 
e instalações, que permitam a prática de atividades esportivas e de recreação, além 
das infraestruturas de hospedagem e urbanística. 
4.1.3 Hotel histórico
É o empreendimento hoteleiro “instalado em edifi cação preservada em sua 
forma original, ou restaurada, ou, ainda, que tenha sido palco de fatos histórico-culturais 
de importância reconhecida” (BRASIL, 2010, p. 6). Para efeitos de classifi cação, os fatos 
histórico-culturais são considerados primordiais para a classifi cação do empreendimento, 
evidenciados como “relevantes pela memória popular, independentemente de quando 
ocorreram, podendo, o reconhecimento, ser formal, por parte do Estado brasileiro; ou informal, 
com base no conhecimento popular, ou em estudos acadêmicos” (BRASIL, 2010, p. 6).
17
4.1.5 Pousada
As pousadas são empreendimentos de hospedagem turísticos, geralmente, 
afastados dos grandes centros e de característica horizontal, ou seja, as construções 
costumam ser baixas, de um prédio único, com até três pavimentos, ou com as 
acomodações divididas em pequenas construções, conhecidas como chalés, ou bangalôs. 
Por regra, devem ser compostas por, “no máximo, 30 unidades habitacionais e 90 leitos, 
com serviços de recepção, alimentação e alojamento temporário” (BRASIL, 2010, p. 7). 
Segundo Pérez (2001), as pousadas têm, como característica, a menor 
quantidade de quartos, muitas vezes, alocados em construções antigas e restauradas, 
que oferecem serviços integrados à realidade regional.
4.1.6 Cama e café/Bed and Vreakfast (B&B)
Cama e café é uma adaptação do modelo Bed and Breakfast (B&B), e se trata 
de um meio de hospedagem domiciliar, realizado em residência com, no máximo, três 
unidades habitacionais de uso turístico, “com serviços de café da manhã e limpeza, 
na qual o possuidor do estabelecimento resida” (BRASIL, 2010, p. 6). O diferencial é 
que o serviço acontece em uma residência normal, na qual o anfitrião reside, com o 
fornecimento de, pelo menos, pernoite e café da manhã (PIMENTEL, 2009).
O termo B&B teve origem nas ilhas britânicas, mais especificamente, na Irlanda, 
e se tornou popular na Europa, onde “os proprietários de ricas mansões, empobrecidos, 
começaram a cobrar uma taxa aos seus hóspedes, como um modo de ampliar sua 
renda”. Então, “alguns habitantes tinham o costume de exibir, fora das portas das suas 
residências, as famosas placas com a escrita “Bed & Breakfast”, para que viajantes 
e turistas soubessem que, naquela casa, havia uma boa cama e o café da manhã 
abundante” (PIMENTEL, 2009, p. 36). Nos EUA, os B&B surgiram na Grande Depressão, 
para complemento de renda, ainda, com o nome de Boarding House (PIMENTEL, 2009).
Você sabia que o sistema cama e café foi uma alternativa de hospedagem 
para a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014? Brasília, por exemplo, 
criou o Programa de Hospedagem Alternativa Cama e Café e alcançou 
mais de 300 reservas para o evento.
Leia mais em: ARAÚJO, A. Cama e café alcançou mais de 300 reservas 
na Copa do Mundo. 2014. Disponível em: https://www.agenciabrasilia.
df.gov.br/2014/07/10/cama-e-cafe-alcancou-mais-de-300-reservas-na-
copa-do-mundo/. Acesso em: 24 abr. 2022.
DICA
18
4.1.7 Flat/apart-Hotel
Flats e apart-hotéis são empreendimentos hoteleiros constituídos por “unidades 
habitacionais que disponham de dormitório, banheiro, sala e cozinha equipada, em 
edifício com administração e comercialização integradas, que possua serviço de 
recepção, limpeza e arrumação” (BRASIL, 2010, p. 7). 
Os flats podem ser locados para terceiros e possuem instalações físicas mais 
amplas. Ainda, estão aptos a incluir serviços de arrumação de quarto e limpeza e aluguel 
por dia, ou por temporada (BENI, 2019).
Os flats e apart-hotéis podem ser comercializados de forma direta, em um site 
de reservas, ou na própria recepção do estabelecimento, ou fazer parte de um clube 
de viagens, empreendimentos que vendem direito de hospedagem em algum local, ou 
destino (BRASIL, 2010).
4.2 EQUIPAMENTOS EXTRA-HOTELEIROS OU ALTERNATIVOS
Os equipamentos extra-hoteleiros, ou alternativos, “são aqueles 
estabelecimentos mercantis que prestam diversos tipos de alojamentos distintos dos 
que oferecem os hotéis, devido a sua diferente ordenação legal de infraestrutura, preços 
e serviços” (MONTEJANO, 2001, p. 161). 
 
A tipologia que considera equipamentos extra-hoteleiros, ou alternativos, 
“amplia a capacidade de infraestrutura de hospedagem no destino e, muitas vezes, até 
ter uma oferta de lugar para dormir”, ou seja, torna-se uma opção que pode contemplar 
um público que não é alcançado pelos meios de hospedagem considerados tradicionais, 
seja pelo preço praticado pelos meios de hospedagem ou pelo perfil do consumidor 
(GIARETTA, 2005, p. 797).
4.2.1 Hostel/albergue 
Os hostels, também, denominados de “albergues da juventude”, ou “albergues de 
turismo”, são um tipo de hospedagem econômica, configurada para propiciar interação 
em áreas sociais em comum, peculiar, de turismo social, integrado aos movimentos 
alberguistas nacional e internacional, que objetiva proporcionar acomodações 
comunitárias de curta duração e baixo custo com garantia de padrões mínimos de 
higiene, conforto e segurança. 
Segundo Beni (2019, p. 329), um hostel “apresenta unidades habitacionais 
simples, comportando quartos individuais ou dormitórios coletivos, com serviço parcial 
de alimentação”.
19
Peer-to-peer, na economia, é um tipo de transação que ocorre, 
diretamente, entre os usuários, sem a intermediação de uma terceira 
parte. 
A tecnologia facilita a prática dos chamados aluguéis de temporada. 
Se, antigamente, as pessoas procuravam imobiliárias, ou anunciavam 
a disponibilidade de casas, ou apartamentos, para aluguel, em placas 
na rua ou em anúncios de jornais, agora, têm a possibilidade de 
disponibilizar os próprios imóveis, diretamente, ao consumidor final, 
através das plataformas digitais.
O AirBnT é uma plataforma on-line voltada para a divulgação de vagas de 
imóveis para locação. A plataforma não é específica para turismo, mas 
é muito utilizada por visitantes e turistas, para temporadas e eventos.
NOTAO albergue da juventude foi idealizado por Richard Schirmann, um professor 
que costumava viajar com alunos em excursões-aula, e que, em 1909, após ser pego 
de surpresa por uma tempestade em uma dessas viagens, e utilizar uma escola como 
abrigo, concebeu a ideia de utilizar escolas como alojamento de férias. Posteriormente, 
aconteceu o planejamento de um hostel.
Os empreendimentos são localizados, geralmente, em grandes cidades e centros 
turísticos, e são compostos por serviços e instalações básicos voltados para “atender a 
uma demanda turística de alojamento de segmentos sociais com recursos financeiros 
modestos, como estudantes e aposentados” (BENI, 2019, p. 329).
4.2.2 Hospedagens de aluguel
Com o advento da tecnologia, podemos encontrar modelos de negócios que 
ressignificam a hospitalidade e o modelo tradicional de hóspede acolhido pelo anfitrião. 
A economia da partilha e, no setor de hospedagens, os sites para compartilhamento 
de hospedagem têm representado a oferta de uma grande variedade de propriedades, 
dos mais variados preços e características, com experiências diversificadas da hotelaria 
tradicional (LARA, 2018). O consumo colaborativo está baseado na partilha, na troca, 
na comercialização e no aluguel de produtos e serviços em um modelo econômico 
impulsionado por tecnologias de rede e mercado peer-to-peer (LARA, 2018). 
20
4.2.3 Motel
A palavra motel tem origem da junção das palavras motor e hotel. 
O conceito de motel se refere a um empreendimento localizado em estradas e 
rodovias, voltado a contemplar viajantes, em carros particulares, que procuram um local 
para descanso, e com garagem privativa (CÂNDIDO; VIEIRA, 2003). 
Uma definição mais atual do conceito de motel abarca empreendimentos, localizados 
em áreas urbanas, que oferecem hospedagens diferenciadas, como o aluguel de um quarto 
por algumas horas, ou pernoite, para encontros de casais. Também, é oferecido o diferencial 
da garagem privativa, por isso, o uso do mesmo nome (CÂNDIDO; VIEIRA, 2003).
4.2.4	Couchsurfing
Couchsurfing, em tradução livre do inglês, significa “surfe de sofá”, e se remete a 
“dormir na sala de estar” de anfitriões, chamados de hosts (FIGUEIREDO, 2008).
O Couchsurfing foi idealizado pelo norte-americano Casey Fene, e consiste em 
uma rede social virtual de viajantes. É considerado um meio de hospedagem alternativo 
que prevê práticas colaborativas de compartilhamento de hospedagem, ou seja, sem 
custos, na casa de um anfitrião, o qual, também, pode ser um guia de turismo para 
mostrar a cidade (FIGUEIREDO, 2008).
A plataforma permite que uma pessoa, em qualquer lugar do mundo, ofereça, 
ou solicite, o compartilhamento da própria casa, com a conexão de pessoas diferentes e 
o compartilhamento, também, entre elas, de hábitos, costumes e culturas (FIGUEIREDO, 
2008). Os interessados em utilizar a plataforma devem cadastrar os perfis e enviar fotos 
e informações pessoais solicitadas. Há um sistema de filtragem, validação e verificação 
para a segurança do usuário. Assim, consegue se cadastrar para hospedar pessoas na 
própria casa; procurar hospedagem; ou, apenas, disponibilizar-se para acompanhar 
viajantes em passeios pela cidade.
4.2.5 Pensão/pensionato/hospedaria
É representada por um ambiente simples, de caráter familiar, com a oferta de 
serviços característicos de alojamento, “representados pela locação de quartos individuais 
ou compartilhados, com instalações sanitárias coletivas proporcionais à quantidade de 
leitos; e pelo fornecimento de refeições incluídas nas diárias” (BENI, 2019, p. 301).
O pensionato tem características semelhantes às da pensão, mas tem clientes 
segmentados, “como estudantes, profissionais, idosos, podendo ser classificados por 
sexo, faixa etária e etnia” (BENI, 2019, p. 301).
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A hospedaria, por sua vez, oferece um serviço parcial de alimentação, com 
aluguel de quartos, ou vagas com banheiros privados ou coletivos. É uma das formas 
mais antigas de hospedagem das quais se tem notícia. Também, é conhecida como 
estalagem (BENI, 2019).
4.2.6 Colônia de férias
É um estabelecimento “direcionado a associados de entidades públicas ou 
privadas, possuindo instalações, equipamentos e ofertando serviços de alojamento aos 
seus associados, geralmente, em época de suas férias” (BENI, 2019, p. 301). 
Esse tipo de estabelecimento oferece estadias com bons padrões de 
acomodação, e, em geral, disponibiliza refeições inclusas. 
Além de pernoite, há atividades recreacionais para crianças e jovens, e, geralmente, 
marca presença uma série de equipamentos, como quadras poliesportivas e piscinas. 
4.2.7 Acampamento de férias
Os acampamentos de férias se diferenciam dos campings por ser direcionados a 
crianças e jovens. Para esse público, são oferecidas atividades recreativas, desportivas e 
culturais. Geralmente, são comercializadas em pacotes, e podem ter diferentes durações. 
Com relação à hospedagem, um acampamento de férias “apresenta unidades 
habitacionais em edificações pavilhonares, bem como dormitórios e banheiros coletivos” 
(BENI, 2019, p. 301).
4.2.8 Segunda residência
A segunda residência, ou casa de férias, engloba imóveis próprios, particulares. 
São utilizados, de forma temporária, por pessoas que têm, em outro local, uma residência 
permanente, geralmente, durante as férias, feriados, ou fins de semana (BENI, 2019). 
Pode ser situada em praias, sítios, ou, até mesmo, áreas urbanas, com uso 
voltado para o lazer e para o descanso (BENI, 2019).
4.2.9 Parador
Possui características semelhantes às da pousada, mas se diferencia por estar 
localizado, apenas, em lugares com “edificações de valor histórico-arquitetônico, como 
castelos, mansões, antigas estalagens, fortalezas, estradas reais e outros”. Na França, é 
conhecido como hotel chateau (BENI, 2019, p. 301).
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4.2.10 Hotel tipo boutique
Os hotéis tipo boutique são independentes e de administração familiar, 
considerados hotéis de luxo e reconhecidos pela prestação de serviços sofisticados. 
Oferecem design e decoração particulares, com ambientes exclusivos e elegantes, para 
a criação de valor pela singularidade (OLIVEIRA TAVARES; FRAIZ BREA, 2018).
4.2.11 Campings
O campismo, ou camping, é uma forma de alojamento ao ar livre. Abarca o 
desenvolvimento de atividades voltadas para fora da rotina, geralmente, em contato 
com a natureza e com a prática de atividades de lazer. 
A atividade pode ser classificada como uma forma de turismo inserida na 
natureza e que tem, como objetivo principal, dar suporte à relação do homem com a 
natureza, com a restrição temporal e a mobilidade das instalações.
4.2.12 Barcos e navios
Com o desenvolvimento tecnológico, as embarcações e os navios se tornaram 
cada vez maiores e mais luxuosos, e propiciaram várias alternativas de lazer, a ponto de 
serem denominados de “resorts flutuantes” (AMARAL, 2006). 
O diferencial dos cruzeiros marítimos está na possibilidade de fruição de 
atividades de lazer durante o deslocamento. Por isso, muitas companhias investem 
em atividades artísticas distintas; de entretenimento; e, até mesmo, gastronômicas. 
O navio se converte em um hotel flutuante que oferece hospedagem, alimentação e 
entretenimento (AMARAL, 2006).
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No site da Cruise Lines Internacional Association – CLIA Brasil, é possível 
encontrar estudos a respeito do crescimento do setor: https://abremar.com.
br/wp-content/uploads/CLIA2022_V.FINAL04_WEB.COMPACT.pdf.
DICA
4.2.13 Exploranter/trailer/motorhomes
Exploranters, trailers e motorhomes são veículos conhecidos por possibilitar, 
além do deslocamento, a permanência dos viajantes em locais fora das residências 
deles, para isso, geralmente, em campings. 
Exploranter é “um produto que alia ônibus e hotel”, chamado de “hotel sobre 
rodas”, que pode transportar até 26 pessoas e possui cabines, comodidades e cozinha 
(ALDRIGUI, 2007, p. 36). 
O motorhome pode ser definido como uma casa motorizada, um veículo 
adaptado, como ônibus, caminhão ou van; enquanto o trailer precisa

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