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A Juventude e os Prazeres da Piedade — Jonathan Edwards Sobre o Manuscrito Original Dos trinta e dois sermões incluídos neste volume, apenas The Pre1 - ciousness of Time (pp. 243–60), proferido originalmente no final da- quele ano, rivaliza com este sermão em número de reapresenta- ções. O manuscrito registra os locais onde foi pregado — Canaan e Scantic, em Connecticut; Hadley, Stockbridge e Westfield, em Mas- sachusetts; e York, “ao leste”, no Maine — mas não especifica as datas, embora o tema sugira que fora pregado logo após a compo- sição original. Em fevereiro de 1734, Edwards instara os jovens da cidade a abandonarem as tavernas em favor de sociedades religiosas, em um esforço para conter o declínio geral entre eles. Agora, em maio, ele propõe um remédio mais pessoal do que comunitário, por meio de uma análise das afeições juvenis e dos prazeres que as acompa- nham. Que tal abordagem encontrasse caminho para outras cidades da Nova Inglaterra em poucos anos parece inteiramente provável, dada a experiência em Northampton e a narrativa fiel de seu pastor sobre esses eventos pouco tempo depois. O fato de o sermão cap2 - tar, de igual modo, o estilo salomônico de seu texto-base (Provérbi- os 24.13-14) torna essa probabilidade ainda maior. Traduzido por Leandro B. Peixoto; de: Edwards, Jonathan. 2001. Sermons and Discourses, 1 1734–1738. Edited by M. X. Lesser and Harry S. Stout. Vol. 19. The Works of Jonathan Edwards. New Haven; London: Yale University Press. Páginas 78-90. Refere-se à obra A Faithful Narrative of the Surprising Work of God (1737), relato deta2 - lhado no qual Jonathan Edwards documenta o avivamento espiritual ocorrido em Northamp- ton entre 1734 e 1735. O texto, que circulou amplamente na Nova Inglaterra e na Grã-Breta- nha, analisa os processos psicológicos e as experiências de conversão dos jovens da região, consolidando o método de Edwards de investigar as “afeições” religiosas como o motor da renovação comunitária. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 2 Edwards caracteriza Provérbios como um livro de instrução escrito “mais especialmente” para os jovens na “linguagem de um pai”, e logo adota tanto essa postura quanto esse tom na tentativa de reunir os filhos e filhas diante de si. Ele reconhece que sua dou- trina “pode parecer muito estranha e paradoxal” a eles: uma união direta entre a piedade e os prazeres da juventude. No entanto, ele lhes assegura que a virtude pode deleitar a “natureza sublime” deles mais do que a vaidade, e que as alegrias derivadas da piedade são “mais sólidas” e “mais satisfatórias” do que os confortos mundanos, além de serem “vastamente mais doces”. 3 Valendo-se do amor da juventude pelos adornos e pelas apa- rências — no momento em que suas próprias naturezas florescem e eles valorizam a própria beleza —, Edwards oferece aos seus jovens ouvintes os “ornamentos dos anjos” e a “amável imagem de Deus”. Para o desfrute do amor terreno e da amizade, oferece a “chama mais pura” do amor divino no Cristo “desposado”. Para as compa- nhias que mantêm, oferece a conversação celestial de Cristo — “companhia suficiente”, insiste Edwards, particularmente quando estão sós. Para seus apetites sensuais, apresenta a Ceia do Senhor, o “alimento dos anjos”. Os prazeres desta vida aumentam com a virtude, mas o vício mistura-se a eles e os destrói, fazendo com que haja “um ferrão jun- to ao mel”. Da mesma forma, o abuso do prazer, que a piedade proíbe, termina em ansiedade e remorso; mas o uso inocente dele, que a piedade promove, conduz à felicidade. Nessa aritmética mo- ral, a virtude e a piedade são equiparadas ao aprazível para aqueles que iniciaram suas existências há pouco tempo, seja em companhia ou em solidão, no trabalho ou no lazer, no tempo presente ou no Uma palavra de intensidade singular no vocabulário de Jonathan Edwards, “doce” (ou suas 3 variações) surge cerca de vinte vezes em apenas poucas páginas aqui. Longe de ser um mero adjetivo, o termo carrega um peso teológico profundo em sua obra, como se nota em On Sa- rah Pierrepont e em sua Personal Narrative. O uso recorrente em sermões como The Pleasant- ness of Religion, The Sweet Harmony of Christ e The Excellency of Christ demonstra que, para Edwards, a “doçura” é a propriedade fundamental da harmonia divina e da verdadeira expe- riência espiritual, unindo a percepção sensorial à beleza da santidade. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 3 porvir e, incomumente, nas finalidades regozijantes da morte, do julgamento e da eternidade. Tendo estendido diante deles as “iguarias” de uma vida san- ta, Edwards convida os jovens da congregação (e aqueles que já passaram da juventude) a delas participarem, para que suas almas possam ser embelezadas, adornadas e tornadas amáveis. A doutri- na do texto pregado, afirma ele, eliminou a principal objeção que mantêm contra a piedade — a de que seria muito enfadonha e um entrave ao prazer — ao demonstrar o prazer incomparável e a exce- lência de tal vida. Ao abraçarem a piedade, os jovens podem evitar a punição eterna e responder ao propósito de sua existência; ao abraçá-la agora, podem agarrar uma oportunidade que talvez lhes seja negada por um amanhã incerto. Recusar-se, retruca Edwards, seria uma insensatez sem nome. Além das notas taquigráficas no topo da primeira folha — “pregado uma segunda e terceira vez” — e dos nomes de lugares inseridos após o texto das Escrituras, o estado revisado do manus- crito de treze folhas em duodécimo, originalmente datado de maio 4 de 1734, revela sua procedência, à medida que palavras e frases em tintas diferentes disputam o espaço entre as linhas do original. Edwards parece ter emendado seu texto em busca de preci- são (“designação” em vez de “nomeação”, “dirigir-se” em vez de “abordar”, “conforto” em vez de “prazer”); por intensidade (“um grande paradoxo” em vez de “paradoxal”, “sobremaneira regozijan- te” em vez de “regozijante”, “diamantes” em vez de “pérolas”); e por ordem (“todos os homens sábios, e os anjos do céu, e o Senhor Je- sus Cristo” em vez de “Jesus Cristo, e os anjos, e todos os homens sábios”). Ele deleta várias passagens sumariamente; outras ele re- maneja com efeito impactante. A nona folha foi inserida posterior- O termo refere-se ao formato bibliográfico do manuscrito, no qual a folha de papel original 4 de imprensa era dobrada para gerar treze folhas (ou vinte e seis páginas, considerando frente e verso). Com dimensões aproximadas de 12,5 cm por 17,5 cm, o formato duodécimo resul- tava em cadernos portáteis e econômicos, comuns para o registro de sermões e diários pesso- ais no século XVIII. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 4 mente, tendo em seu verso um fragmento de outro de seus ser- mões, de cabeça para baixo e riscado. Edwards adicionou um caderno final, agora danificado, que parece ser mais uma divisão da Aplicação: quatro “artigos de con- selho” em um esboço em colunas. Ao final desta última adição, Edwards escreveu “Propor” e “Permanecer Igreja”, indicando que reteve os membros após o culto para anunciar candidatos à plena comunhão. Como era comum celebrar a Ceia do Senhor após a admissão de novos membros, Edwards aparentemente utilizou este sermão — com algumas revisões — como uma meditação prepara- tória para a ordenança. O Sermão: A Juventude e os Prazeres da Piedade Provérbios 24.13-14 (ARA) 13Filho meu, saboreia o mel, porque é saudável, e o favo, porque é doce ao teu paladar. 14Então, sabe que assim é a sabedoria para a tua alma; se a achares, haverá bom futuro, e não será frustrada a tua esperança. Podemos observar nestas palavras: 1 A maneira pela qual o sábio se dirige a nós: “Filho meu”, diz ele. Ele faz uso frequente de tal designação neste livro; e uma das razões para isso parece ser o fato de ter escrito este livro mais especialmente para a instrução dos jovens, como ele mesmo nos informa no primeiro capítulo,quarto versículo: “Para dar aos jovens conhecimento e bom siso [boa capacidade de avaliação]”. E há algumas outras passagens que tornam evidente que ele tem a instrução dos jovens especialmente em vista, particularmente o exemplo dado no sétimo capítulo, do jovem “carente de juízo” que foi enganado pela mulher estranha [vs. 7-8]. Esta parece ser uma razão pela qual o sábio fala em tal linguagem. Ele, ao dar estas ins- truções aos jovens, exerce o papel de um pai para com eles, e as- sim os aborda na linguagem de um pai. E, provavelmente, o sábio poderia ter como objetivo particular o benefício de seus próprios fi- lhos ao escrever estas instruções, especialmente Roboão, que era o herdeiro de sua coroa. Mas há uma razão adicional a ser dada para o uso de tal esti- lo, a saber: que o sábio não fala a nós em seu próprio nome, mas é Deus quem nos fala por meio dele, o qual é o nosso Pai Celestial, e condescende em nos instruir e aconselhar como um pai. Esta razão A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 6 para o uso da expressão “filho meu” no Livro de Provérbios é forne- cida pelo Apóstolo. Ao citar aquele texto no terceiro capítulo de Provérbios, décimo primeiro [versículo], como podemos ver em He- breus, capítulo doze, versículo cinco, o autor de Hebreus reforça que se trata de uma instrução divina: e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado. 2 Podemos observar o preceito ou conselho contido nas palavras de Provérbios 24.13-14, que consiste em buscar e saborear a sabedoria, ou a virtude e a piedade, as quais são ordinariamente pretendidas pelo termo “sabedoria” neste livro; conforme o próprio sábio explica em Provérbios 1.7 [e] Provérbios 9.10: “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.” 3 Observe nas palavra de Salomão a aplicação deste conse- lho, a saber: porque este é o caminho direto para o desfru- te do conforto e do prazer. A prática da virtude e da pie- dade é doce o suficiente para ser sua própria recompensa. O sábio chega a dizer que valeria bem a pena viver uma vida piedo- sa e santa, ainda que fosse apenas por causa do prazer que ela proporciona. Comemos o mel porque ele é bom, e o favo de mel porque é doce ao nosso paladar: não precisamos ser contratados para comer mel; nós o comemos pelo prazer que nos dá. Assim, diz o sábio, ocorre com respeito à piedade ou sabedoria: vale a pena praticá-la pelo prazer que dela advém. “Assim será para a tua alma o conhe- cimento da sabedoria” [Pv 24.14]; como quem diz: creias tu ou não, se fizeres a prova, assim o acharás. “Então haverá uma recompen- sa” [v. 14]. Então descobrirás que o prazer de uma vida de virtude e piedade é, em si mesmo, uma boa recompensa. “E a tua esperança não será frustrada” [v. 14]; isto é, se fizeres a prova com essa ex- pectativa, não serás desapontado; não falharás em tua expectativa. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 7 Devemos ainda recordar, como já foi observado, que o sábio tem um respeito particular pelos jovens, os quais costumam especi- almente buscar o prazer. Doutrina O caminho mais direto que os jovens podem tomar para desfrutar sua juventude de modo prazeroso é andar nos caminhos da piedade e da virtude. Isto pode parecer muito estranho e paradoxal para muitos jovens, mas espero tornar tal fato evidente por meio do seguinte método. Demonstrarei que passar a juventude na prática da pieda- de e da virtude, PRIMEIRO, é o caminho para obter prazeres vastamente mais excelentes do que os obtidos ao passar a juventude no pe- cado e na vaidade; SEGUNDO, que tal curso de vida não destrói o prazer dos jo- vens nos desfrutes desta vida, mas os aumenta; TERCEIRO, que ele torna a juventude mais prazerosa em to- das as suas circunstâncias e ocupações. 1. Por andar nos caminhos da piedade e da virtude, os jovens podem obter prazeres vastamente mais excelentes do que ao passar a juventude no pecado e na vaidade. Por este meio, podem obter prazeres que são de uma es- pécie mais nobre e excelente, mais dignos da natureza do homem e a ela adequados; não prazeres vis e brutos, nem tais que as criatu- ras brutas possam partilhar com eles, mas deleites de uma natureza A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 8 mais sublime, próprios para aqueles que possuem espíritos racio- nais e imortais, e nos quais comungam com os espíritos celestiais. Por este meio, podem ser obtidos prazeres que são mais só- lidos e substanciais, que não são como um clarão, uma labareda ou o estalar de espinhos, mas antes como o brilho constante do sol. Por este meio, — por meio da piedade e da virtude — podem ser obtidos prazeres que são vastamente mais doces, mais requin- tadamente deleitosos e de uma natureza mais satisfatória; que pre- cedem a luz dos mais altos céus na alma; que excedem os prazeres da juventude vã e sensual tanto quanto o ouro e as pérolas exce- dem a lama e o esterco, e como a luz do sol excede o brilho dos meteoros da noite. Mas aqui mencionarei quatro coisas para demonstrar que os prazeres que os jovens podem obter por tal curso de vida piedosa são muito superiores aos que se podem obter em uma vida de vai- dade juvenil. Primeiro. Ao abraçarem a piedade e a virtude, os jovens po- dem obter a maior beleza e os mais excelentes ornamentos. Uma das formas pelas quais os jovens costumam buscar o prazer é adornando-se, buscando uma bela aparência. A juventude é um tempo em que a natureza está em seu florescer, e os jovens fre- quentemente costumam valorizar-se por sua beleza e depositar grande parte de sua felicidade em ornamentos exteriores. Contudo, ao abraçarem a verdadeira piedade e a virtude, eles possuiriam as graças do Espírito de Deus, a beleza e os ornamentos dos anjos e a amável imagem de Deus. Eles poderiam obter aquilo que os tornaria muito mais amáveis do que a maior beleza exterior possível: poderiam obter aquela beleza que os tornaria amáveis aos olhos de Jesus Cristo, dos anjos e de todos os homens sábios. Eles teriam esses ornamentos da mente que são de grande valor, e que A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 9 são mil vezes mais belos e gloriosos do que os mantos dos prínci- pes dos reinos desta terra. Quão elevadamente muitos jovens estimariam seu próprio valor se tão somente pudessem adornar-se como alguns dos gran- des deste mundo! Mas, ainda que pudessem, tais coisas seriam vis em comparação à beleza das graças do Espírito de Deus, aos or- namentos da humildade e do amor cristãos, a um espírito filial para com Deus e a um espírito de amor divino a Cristo e àqueles que são seus. 1Pedro 3.3-4 (ARA) 3Não seja o adorno […] o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; 4seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. Segundo. Ao andarem nos caminhos da piedade e da virtu- de, os jovens obterão os mais doces deleites do amor e da amiza- de. Uma vida de verdadeira piedade e virtude é uma vida de amor divino, uma vida de amor a Deus, o qual proporciona prazeres muito maiores do que os do amor terreno: uma vida de amor é a vida mais doce do mundo, mas amor algum proporciona tais prazeres como o amor a Deus. O amor divino é uma afeição de natureza mais subli- me e excelente do que o amor a um objeto terreno: é uma chama mais pura, e o prazer que proporciona é uma torrente mais pura. Aqueles que vivem uma vida de verdadeira piedade e virtude vivem uma vida de amor ao Senhor Jesus Cristo. Há uma amizade mui dócil entre ele e eles. Suas almas estão desposadas com Cris- to, seus corações estão a ele ligados, e o amor deles possui um ob- jeto infinitamente mais belo e amável do que o dos amantes terre- nos. E o amor deles não édesprezado, mas aceito por Cristo: eles podem ter livre acesso a Cristo em todos os momentos para ex- pressar seu amor. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 10 Cantares de Salomão 8.1 (ARA) Tomara fosses como meu irmão, que mamou os seios de minha mãe! Quando te encontrasse na rua, beijar-te-ia, e não me des- prezariam! Assim como aqueles que andam nos caminhos da piedade e da virtude amam esta pessoa gloriosa: Jesus Cristo, assim também são por ele amados. Este amor divino é sempre mútuo: há amor de ambas as partes. O amor de Cristo por eles não é inferior ao deles por ele, mas, na verdade, o excede grandemente; excede vastamente ao amor de qualquer amante terreno. E Cristo deu maiores manifesta- ções de amor àqueles que o amam do que jamais qualquer amigo terreno deu ao objeto de seu afeto; pois Cristo morreu por eles e, assim, os resgatou da destruição eterna e lhes comprou a glória eterna. Aqueles jovens, portanto, que vivem uma vida de amor a Cristo, passam sua juventude da maneira mais aprazível do que quaisquer outras pessoas no mundo. 1Pedro 1.7-9 (ARA) 7para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, re- dunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. Terceiro. Os jovens, ao andarem nos caminhos da piedade e da virtude, obtêm a mais doce gratificação do apetite; não dos ape- tites carnais e sensuais, mas daqueles que são mais excelentes, dos apetites espirituais e divinos, desejos e inclinações santos; aqueles apetites que, por serem mais excelentes em si mesmos, mais adequados à natureza do homem e muito mais amplos, são capazes de uma gratificação e de desfrutes mais requintados, do- A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 11 ces e deleitosos. Naqueles que verdadeiramente abraçam a piedade e a virtude, são infundidos novos apetites por desfrutes celestiais. E aqueles que andam em um caminho de santidade obtêm, neste mundo, as gratificações desses apetites espirituais em certa medida, por meio das descobertas da glória de Deus, das visões da beleza de Cristo e das comunicações do Espírito Santo, pelas quais a alma é preenchida com o gozo do Espírito Santo. Eles alimentam-se do pão dos anjos, do pão que desceu do céu, e têm os antegozos das iguarias celestiais. Quarto. Aqueles jovens que andam nos caminhos da piedade e da virtude possuem a companhia mais agradável. Os jovens co- mumente buscam o prazer em companhia e, muitas vezes, passam grande parte de seu tempo em alegria entre seus amigos; mas nin- guém possui companhia tão deleitosa quanto aqueles que vivem no exercício da piedade, da virtude e da santidade, pois eles têm a sua cidadania no céu (Fp 3.20). O Senhor Jesus Cristo tornou-se um amigo e companheiro. Frequentemente, quando estão sós e parecem ao mundo passar seu tempo em solidão, eles, na verdade, possuem companhia sufi- ciente. É o deleite deles retirar-se de todo o mundo para, de modo mais livre e íntimo, conversar com Jesus Cristo. Como alguém que possui um amigo querido em quem deposita grandemente seu afe- to, tal pessoa não sentirá muita falta de outra companhia: ser-lhe-á um prazer estar retirada dos outros para, de forma mais plena e li- vre, desfrutar de sua companhia. O Pai e o Filho vêm buscar os jovens que assim andam, e fa- zem neles morada, e manifestam-se a eles (Jo 14.21-23). Eles pos- suem um intercurso com o céu por meio da meditação, da oração e de outras disciplinas da piedade. Eles, com um olhar espiritual, veem a Cristo e têm acesso a ele para conversar; e Cristo, por seu A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 12 Espírito, comunica-se com eles, de sorte que há uma conversação espiritual entre eles e Cristo Jesus. E não deve ser esta, necessari- amente, a mais agradável e feliz das companhias? Não é o Deus que nos criou capaz de nos dar mais prazer no intercurso consigo mesmo do que temos na conversação com um verme do pó? Assim, os jovens, ao andarem nos caminhos da piedade e da virtude, obtêm prazer da espécie mais excelente. Passo agora ao próximo ponto. 2. Para demonstrar que andar nos caminhos da piedade e da virtude não impede os jovens de desfrutarem dos pra- zeres desta vida, mas os promove. Isso não apenas lhes confere uma espécie de prazer mui- to mais excelente, um deleite mais doce e satisfatório do que o mundo pode oferecer, mas também não rouba dos jovens o desfrute das coisas desta vida; antes, auxilia-o. Aqui: Primeiro. A piedade não proíbe o uso dos prazeres desta vida, mas apenas o seu abuso. Não proíbe o desfrute das boas coi- sas desta vida, pois estas foram criadas para serem recebidas com ações de graças; apenas proíbe a maneira viciosa e irregular de desfrutá-las. Os sentidos e os prazeres físicos podem ser gratifica- dos de uma maneira que a piedade cristã permite. Segundo. Os prazeres desta vida são muito mais doces e proporcionam realmente mais prazer quando usados regularmente do que quando abusados. As boas coisas temporais nunca são tão doces, nunca são recebidas com tão bom gosto, como quando o são com inocência e no caminho da virtude. O vício destrói a doçu- ra dos desfrutes desta vida e mistura amargor a eles: à medida que A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 13 ultrapassam os limites da temperança e da moderação no desfrute de tais coisas, tanto se reduz o sabor delas. O vício mistura um amargor nos prazeres e faz com que haja um ferrão junto ao mel. Quando desfrutamos das boas coisas desta vida com inocência e de acordo com as regras da palavra de Deus, desfrutamos delas com paz em nossas mentes; mas, quando são usadas de forma viciosa, o prazer é acompanhado de remorso inte- rior. Tal pessoa não possui a aprovação de sua própria consciência naquilo que desfruta; para ter qualquer tranquilidade, ela deve en- torpecer a si mesma, suprimir o exercício da razão e evitar a refle- xão; do contrário, não pode desfrutar de seus prazeres com paz al- guma. Além disso, quando uma pessoa que anda nos caminhos da santidade possui o prazer dos desfrutes desta vida, ela tem isto para lhe conferir doçura e sabor: o fato de recebê-lo como fruto do amor de Deus. Passo agora ao terceiro ponto. 3. O terceiro ponto proposto, que é demonstrar que o exer- cício da virtude e da piedade torna a juventude mais pra- zerosa em todas as suas circunstâncias e ocupações. Nisto, tal curso possui grande vantagem sobre uma conduta de vaidade juvenil, pois o prazer desta última é excessivamente ins- tável e inconstante: serve-lhes apenas por um momento. Aqui, particularmente: Primeiro. O exercício da piedade e da virtude pelos jovens adoçaria tanto a sua comunhão quanto a sua solitude. [1.] Adoçaria a sua comunhão. Torná-la-ia mais agradável e lúdica. Nada se ganha com a extravagância e a lascívia em comu- nhão; a comunhão não se torna mais aprazível por causa disso. A A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 14 alegria vã e viciosa não faz bem algum à comunhão: nem a adorna, nem a anima. Quão desnecessária é, e para qual propósito serve? Eclesiastes 2.2: “Do riso disse: é loucura; e da alegria: de que ser- ve?”. Os jovens prestam todo esse serviço ao diabo gratuitamente. Nada ganham com isso no presente: destroem a si mesmos sem sequer obter qualquer prazer atual por meio disso. A comunhão deles seria abundantemente mais doce se fos- sem virtuosos em grupo. Seria mais racional, mais condizente com criaturas dotadas de razão; sua própria razão o aprovaria. Eles se alegrariam ao refletir e pensar de forma piedosa; a mente de cada um o aprovaria. É uma noção estranha, que muitos jovens possuem, a de que a comunhão será pior se ela for virtuosa. O vício é acoisa mais inútil do mundo em sociedade: não faz bem de forma alguma. Eles po- dem ter uma conversação livre sem ele; podem agradar e distrair uns aos outros sem ele. E a virtude adoçaria tudo o que é dito e fei- to: tornaria cada um uma companhia mais agradável para o outro; supriria a todos com os assuntos de conversação mais prazerosos e interessantes. [2.] Adoçaria a solitude. Frequentemente, aqueles que vivem de modo vicioso e parecem muito alegres em comunhão têm medo da solitude. Não apreciam estar muito tempo em retiro solitário, pois nada possuem para entretê-los quando sós. E, quando estão sozi- nhos, a razão e a consciência tendem mais ao exercício, o que lhes perturba grandemente a paz. Mas aqueles jovens que andam na piedade e na virtude têm do que se regozijar e com o que entreter a mente, tanto a sós quan- to em companhia. É-lhes sim prazeroso, muitas vezes, estarem sós; pois então possuem melhor oportunidade para fixar as mentes em objetos divinos, para retirar os pensamentos das coisas mundanas e, de forma mais ininterrupta, deleitarem-se em contemplações divi- nas, no exercício santo e na conversação com Deus. Cristo convoca A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 15 tais jovens para fora da companhia e do ruído do mundo com uma linguagem tal qual essa. Segundo. Além de adoçar tanto a comunhão quanto a solitu- de dos jovens, o exercício da piedade e da virtude também adoça tanto o trabalho quanto o lazer. Andar nos caminhos da piedade e da virtude é o meio de ter a presença sensível de Deus, a luz de seu rosto e o testemunho de seu favor, o que é suficiente para tudo lhes adoçar. Se uma pessoa possui evidência sólida de que seus pecados estão perdoados, de que está em paz com Deus, de que é objeto do amor divino e possui em si o testemunho de uma boa consciên- cia, isto é o bastante para conferir quietude e alegria, onde quer que esteja e o que quer que esteja fazendo. É o suficiente para tornar leve o trabalho árduo; e bem pode fazer com alegria tudo o que faz aquele que o faz para o Senhor, e não para os homens (Ef 6.7). O exercício da piedade adoçaria até mesmo as diversões dos jovens, pois as regularia de acordo com as regras da sabedoria e da virtude, as direcionaria para fins adequados e dignos, e as tornaria subsidiárias a propósitos excelentes. Como já foi dito acerca dos prazeres terrenos e da compa- nhia, o mesmo é verdade quanto às diversões: elas são abundan- temente mais doces quando a virtude as modera e as guia. Terceiro. O exercício da piedade e da virtude adoça o que é presente e, também, os pensamentos sobre o que está por vir. Quando os jovens passam a sua juventude no pecado e na vaidade, isso não lhes dá prazer algum, exceto naquilo que é pre- sente e passageiro. Tal conduta tende a tornar terrível a perspectiva do futuro. Por conseguinte, tais jovens não costumam pensar muito A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 16 no que está por vir; odeiam tais pensamentos, pois lhes são des- confortáveis, e, portanto, buscam excluí-los o quanto podem. Contudo, quando os jovens andam nos caminhos da piedade e da virtude, isso não apenas lhes concede o desfrute abundante- mente mais aprazível do tempo presente, mas torna confortável e regozijante a perspectiva do futuro. Aqueles que passam a juventude no exercício da piedade e da virtude podem pensar na velhice com conforto, caso vivam até lá; e podem pensar na morte com conforto, e podem pensar na eternidade com gozo inefável. Nascemos para uma duração eterna. Aqueles que agora são jovens e possuem sua existência há pouco tempo, hão de tê-la por toda a eternidade; e a piedade dará aos jovens conforto racional e alegria, por mais que olhem para o futuro nesta duração sem fim. E aquelas coisas que são mais terríveis para os jovens ímpi- os, a saber: a morte, o julgamento e a eternidade, podem perfeita- mente ser, e frequentemente são, as coisas mais confortáveis e re- gozijantes de todas para os jovens piedosos. Aplicação [Uso ou Exortação] Gostaria de aplicar esta doutrina para exortar encarecidamente os jovens a abraçarem a piedade e a virtude, e a andarem em seus caminhos. Estou confiante de que nenhum de vocês — caso tenha pres- tado atenção ao que foi dito, e considerado os argumentos confor- me apresentados — deixou de dar o voto de sua razão à verdade desta doutrina. Se ainda não fizeram a prova e, portanto, jamais ex- A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 17 perimentaram os prazeres de uma vida de piedade, ainda assim, se pensaram seriamente sobre o assunto, não poderão senão concluir que esta deve ser, necessariamente, a vida mais confortável e pra- zerosa. E ouso apelar ao jovem mais vicioso nesta congregação, ou a outras pessoas que já passaram da juventude e a gastaram no ví- cio, para que deem seu julgamento com ponderação: Se puderem realmente julgar que desfrutaram me- lhor de si mesmos e tiveram mais conforto no mundo do que teriam tido se houvessem andado em caminhos virtuosos e tivessem sido sempre es- tritos às regras da virtude. Primeiro. Permitam-me, portanto, exortá-los encarecidamen- te a abandonarem todos os caminhos do vício e da vaidade juvenil; a renunciarem a todas as práticas indecentes nas indulgências pe- caminosas dos apetites carnais; a não ocuparem sua mente, quan- do sós, com imaginações vãs e pensamentos pecaminosos, mas permitam que o tempo seja preenchido com meditações sérias e piedosas sobre Deus, sobre a condição de suas preciosas almas e sobre as grandes coisas de uma eternidade que se aproxima. Sejam exortados a abandonar toda vaidade e impiedade em companhia; a evitarem modos indecentes no uso de sua língua, não a empregan- do para fins de impureza ou impiedade. Abandonem os companheiros ímpios, se perceberem que eles não se reformarão com vocês. E resolvam, para o tempo que virá, que toda a sua conversação e todas as suas diversões serão governadas pelas regras da virtude e do cristianismo. E busquem encarecidamente que possam ter a graciosa pre- sença de Deus e o seu sorriso, uma boa consciência e um senso do favor divino, acompanhando o prazer que têm nas coisas desta vida, o que as adoçará de modo indizível. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 18 Busquem aquela graça divina em seu coração, pela qual sua alma possa ser embelezada, adornada e tornada amável aos olhos de Deus; e pela qual possam viver uma vida de amor divino, uma vida de amor a Cristo e comunhão com ele. E busquem ter apetites espirituais e celestiais, para que se- jam aptos para aqueles prazeres nobres e excelentes dos quais acabaram de ouvir. Busquem o grande privilégio de ter uma cidadania no céu e um intercurso com Deus e com o bendito Jesus, em vez de compa- nheiros terrenos vãos e lascivos. Sejam exortados a abandonar todos os caminhos que te- nham tendência a prevenir ou impedir o florescimento da piedade e a eficácia da Palavra e das ordenanças em suas almas. E gostaria, nesta ocasião, de renovar a exortação e pressio- ná-los para que não façam de sua prática o sair imediatamente do culto público e da audição da palavra de Deus para a companhia vã; nem façam das manhãs e das noites de domingo ou dos dias de estudo bíblico seus tempos de reuniões sociais e alegria mundana. Permitam-me suplicar-lhes que continuem nessa reforma, a qual espero que muitos de vocês já tenham iniciado neste particular. Espero que estejam geralmente convencidos da razoabilida- de disso, e que a experiência os tenha convencido, ou os conven- cerá, de que não há grande dificuldade nisso, e de que não há peri- go de sofrerem qualquer perda por tal conduta, ou de que sua ju- ventude será menos prazerosa por causa dela. Segundo. Sejam exortados, visto que desejam viver uma vida prazerosa aqui e ser felizes para sempre, a aplicarem-se com todas as suas forças na busca dessas coisas. Mencionarei aqui mais dois pontospara reforçar esta exortação. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 19 1. Por meio desta doutrina, uma das maiores objeções dos jovens contra a piedade é eficazmente eliminada. O principal obstá- culo que impede os jovens de abraçarem os caminhos da piedade é o fato de estarem em busca de seus prazeres. É a isso que visam: passar a juventude de modo prazeroso; e pensam que, se abando- narem o pecado e a vaidade juvenil para se entregarem a um curso de vida piedoso, isso os estorvará nessa busca. Olham para a pie- dade como algo muito enfadonho e melancólico, e pensam que, se a abraçarem, deverão abandonar em grande medida os seus praze- res nesta vida. Mas o que foi oferecido agora demonstra a falácia de tal ob- jeção e mostra que a piedade, em vez de ser um impedimento para que passem a juventude de forma prazerosa, será o caminho mais direto para isso, e de fato o único caminho; e que o prazer de ne- nhum outro tipo de vida é digno de ser comparado a ela. 2. Isto se soma a toda sorte de outras razões pelas quais vo- cês devem abraçar a piedade. É certo que uma vida piedosa e santa possui a maior excelência para recomendá-la. É adequado, em si mesmo, que a abracem por sua excelência; pois é isso que torna as pessoas celestiais e as conforma a Deus. Vocês estão sob a mais forte obrigação de dever para fazê-lo: as obrigações são infinita- mente grandes. Vocês merecerão uma punição infinita se não o fizerem. Vo- cês se revelarão contra o Deus que os criou e “em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos” (Dn 5.23). Vocês não poderão cumprir o propósito de sua existência se não o fizerem. Andar nos caminhos da piedade e da virtude seria infinitamente proveitoso: por meio disso, obteriam a vida eterna e a glória no céu. A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 20 E vocês estão sob a mais extrema necessidade de abraçar os caminhos da virtude e da piedade. Se não o fizerem, Deus será seu inimigo eterno, e vocês perecerão para todo o sempre. Vocês estão sob a maior obrigação de interesse para passar sua juventude na piedade; pois é muito incerto se algum dia terão outra oportunidade, ou se não morrerão em sua juventude. E se vi- verem até ficarem velhos, caso não se voltem para Deus na juven- tude, é muito incerto se algum dia o farão. De modo que seria a maior loucura não aproveitar sua juventude na piedade, ainda que uma vida piedosa fosse em extremo desagradável. Mas, ao considerarem todas estas coisas, este é o curso mais direto para se viver uma vida prazerosa e para passar a juven- tude de forma agradável. Certamente será uma insensatez que ca- rece de nome, e que não pode ser expressa, se a recusarem e insis- tirem em passar sua juventude no pecado e na vaidade. E todas estas coisas se somam ao incentivo que a doutrina proporciona. Quão grande, de fato, será sua loucura se ainda per- sistirem obstinadamente. Se todas estas considerações prevalecerem sobre vocês, en- tão deem ouvidos ao conselho que eu lhes darei a seguir. Se houver algum jovem levado a qualquer seriedade pelo que foi dito, eu aconselharia a tal pessoa que atendesse a estes artigos de conse- lho, e assim concluiria: 1. Não se demorem. A primeira juventude é a melhor opor- tunidade. A situação piora se houver demora; não há pro- babilidade alguma de se ser capaz de melhorar os primei- ros movimentos do Espírito de Deus. 2. Considerem profundamente o assunto e cheguem a uma plena determinação mental. Não hesitem entre duas opiniões. Sejam como Moisés, como Davi, que não foram A juventude e os prazeres da piedade Jonathan Edwards | 21 neutros, mas encontraram seu prazer em Deus (Hb 11.24- 26; Sl 108.1). 3. Estabeleçam consigo mesmos que o assunto da pieda- de não será atendido com propósito algum, a menos que estejam completamente devotados a ele. Não ape- nas busquem, mas esforcem-se. Sofram violência. Cristo nos advertiu suficientemente: cortem as mãos direitas; vendam tudo. 4. Quarto, quando tiverem começado, mantenham-se fir- mes e resistam até o fim. Provérbios 14.14 (ARA) O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem. Lucas 9.62 (ARA) Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. Oséias 6.3 (ARA) Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Concluirei com Provérbios 8.32 até o fim: Provérbios 8.32-36 (ARA) 32Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos. 33Ouvi o ensino, sede sábios e não o rejeiteis. 34Feliz o homem que me dá ouvidos, velando dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada. 35Porque o que me acha acha a vida e alcança favor do SENHOR. 36Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte.