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Direito Civil
Parte Geral
Não se compare, estude! 
Faculdade de Querência 
Curso de Direito
Professora Kelly Zanotelli 
Disciplina: Direito Civil I 
Ano/Semestre: 2026/2  
Turma: 2º Período
Unidade V
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Das Pessoas
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Das Pessoas no Direito Civil 
Brasileiro
O estudo das pessoas no direito civil é fundamental para compreender 
quem são os sujeitos de direito e como a lei os protege. Ser sujeito de 
direito é atributo do humano, em ato e potência, o que afasta as coisas 
e os animais.
Sujeito de direito e pessoa não são categorias ontológicas, mas sim 
deontológicas, pois não emergem da natureza ou da realidade da vida. 
São categorias jurídicas, desenvolvidas pelo direito, que podem ser 
simplesmente ideais, inexistentes na realidade visível, física ou tangível, 
como a pessoa jurídica.
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PESSOA NATURAL
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Pessoa Natural: Personalidade e Capacidade
A pessoa natural é o ser humano considerado sujeito de direitos e deveres na ordem civil. A Constituição Federal e o Código 
Civil garantem a todo indivíduo o reconhecimento de sua personalidade jurídica desde o nascimento com vida.
Personalidade Jurídica
É a aptidão genérica para ser titular 
de direitos e deveres na esfera 
jurídica, um atributo definidor da 
pessoa. Começa com o nascimento 
com vida e termina com a morte.
Capacidade de Direito
Aptidão para ser titular de direitos e 
deveres. Surge para pessoa natural 
a partir do nascimento com vida, 
mas não pode exercer sozinho, 
precisa de representante ou 
assistente.
Capacidade de Fato
Aptidão para exercer direitos e 
cumprir obrigações por si só. É a 
pessoa natural que já pode exercer 
sozinho todos os direitos e 
obrigações, sem precisar de 
representante ou assistente.
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O Nascituro e sua Proteção Jurídica
O nascituro é o ser humano que se desenvolve no ventre feminino. Sua existência, para os fins do direito civil, tem início com a 
implantação uterina efetiva, por meios naturais ou artificiais, e se encerra quando nasce com vida ou morto.
Não é pessoa, no sentido de qualificação jurídica, pois ainda não é dotado de 
personalidade civil. Mas é sujeito de direito, pois o art. 2º do Código Civil brasileiro 
estabelece que "a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro".
Direitos do Nascituro:
 Alimentos gravídicos (Lei 11.804/08)
 Indenização por danos morais
 Direito à herança
 Reconhecimento de paternidade
 Doação (art. 542 do CC)
O STJ decidiu que "o nascituro tem direito aos danos morais pela morte do pai, mas a 
circunstância de não tê-lo conhecido em vida tem influência na fixação do quantum".
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Incapacidade no Direito Civil
A incapacidade é a restrição parcial ou total da capacidade de fato. O Código Civil classifica as incapacidades em
 absolutas e relativas.
Incapacidade Absoluta
Após o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 
13.146/2015), restou única hipótese: a pessoa menor de 
dezesseis anos.
São representados pelos pais ou tutores. Atos realizados 
sozinhos são considerados nulos (efeitos ex tunc).
Incapacidade Relativa
São relativamente incapazes:
 Maiores de 16 e menores de 18 anos
 Ébrios habituais e viciados em tóxico
 Aqueles que não puderem exprimir sua vontade
 Os pródigos
São assistidos. Atos realizados sozinhos podem ser 
anulados (efeitos ex nunc).
Importante: A incapacidade não exclui a responsabilidade civil. Conforme o art. 928 do CC, o incapaz pode responder pelos 
atos ilícitos que cometer quando seus representantes não tiverem obrigação ou não dispuserem de meios.
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Capacidade das Pessoas com Deficiência
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) trouxe mudanças significativas ao regime das incapacidades, 
estabelecendo que a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa.
Nova Abordagem
A pessoa com deficiência não é 
absolutamente incapaz nem 
relativamente incapaz. É dotada de 
capacidade jurídica irrestrita para 
atos não patrimoniais.
Curatela Específica
Tem natureza de medida protetiva 
temporária para determinados fins e 
não de interdição de exercício de 
direitos.
Limitações
A curatela apenas afeta negócios 
jurídicos relacionados aos direitos 
patrimoniais, não alcançando direitos 
de família, trabalho ou eleitorais.
O STJ decidiu (REsp 1.927.423) que é inadmissível a declaração de incapacidade absoluta às pessoas com deficiência mental, 
reforçando a nova abordagem trazida pelo Estatuto.
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Maioridade e Emancipação
Maioridade
A pessoa alcança a maioridade quando completa dezoito 
anos. O efeito determinante nas relações privadas é a 
aquisição da capacidade plena de exercício, que permite à 
pessoa exercer diretamente os atos da vida civil.
Com a maioridade, extingue-se o poder familiar e a pessoa 
passa a responder integralmente por seus atos.
Emancipação
É um modo de antecipação da plena capacidade jurídica 
para pessoas entre 16 e 18 anos. Pode ocorrer de três 
formas:
Voluntária: Concedida pelos pais via escritura pública
Judicial: Concedida pelo juiz quando não há pais ou quando 
estes negam injustificadamente
Legal: Ocorre automaticamente em casos como casamento, 
emprego público efetivo, graduação universitária, atividade 
empresarial própria ou emprego
A emancipação é irrevogável e permite ao menor praticar todos os atos da vida civil, mas seus efeitos estão restritos ao 
direito civil, não se estendendo à responsabilidade criminal.
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Extinção da Personalidade e Ausência
Extinção da Personalidade
A personalidade jurídica da pessoa natural se extingue 
com a morte, que pode ser:
 Morte Natural/Real: Quando há óbito comprovado
 Morte Presumida: Declarada judicialmente em 
casos de ausência prolongada ou desaparecimento 
em situação de risco. 
A morte presumida permite a abertura de sucessão 
definitiva.
 
 • Sem Declaração de Ausência (Art. 7º 
do CC) – Estava em perigo de vida. 
Ex: guerra.
 • Com Declaração de Ausência (Art. 22 
e seguintes do CC).
Ex: Foi comprar leite e não voltou. 
 AUSÊNCIA - Morte Presumida:
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Da Ausência
1. Declaração de Ausência / Curadoria dos bens do ausente (arts. 22 a 25)
2. Declaração de Ausência e Abertura da Sucessão provisória (arts. 26 a 36)
3. Sucessão definitiva (arts. 37 a 39)
Situação jurídica de pessoa que desaparece sem deixar notícias, causando incerteza sobre sua existência. 
O Código Civil disciplina o regime jurídico da ausência em três fases:
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Da Ausência
1
Curadoria dos Bens
Juiz nomeia curador para administrar os bens do ausente. 
Preferência: cônjuge, pais, descendentes.
2
Sucessão Provisória
Após 1 ano sem notícias ou 3 anos se deixou representante. 
Bens entregues aos herdeiros, mas não podem ser alienados.
3
Sucessão Definitiva
Após 10 anos da sucessão provisória ou 5 anos se o ausente tinha 80 
anos. Bens transferidos definitivamente aos herdeiros.
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Reaparecimento do Ausente na Sucessão Definitiva 
Regra Geral
Se o ausente reaparecer em até 10 anos após a publicação da decisão que abriu a sucessão definitiva:
 👉 Tem direito à devolução dos bens, mas no estado em que se encontrarem.
Se o ausente reaparecer, ele poderá recuperar seus bens, mas terá de indenizar terceiros de boa-fé 
que adquiriram seus bens na sucessão provisória ou definitiva. 
A devolução do ausente extingue os efeitos da declaração de ausência. 
o direito do ausente reaparecido é de recuperar o patrimônio, mas sem afetar a boa-fé e a 
segurança jurídica dos sucessores.https://gamma.app/?utm_source=made-with-gamma
 🔹 Situações Possíveis 
1. Bens ainda existentes
 ✅ Devem ser devolvidos como estão:
 Valorizados 💹
 Depreciados 📉
 gravados com hipoteca ou penhor 📑
 
2. Bens alienados (vendidos)
O ausente não recupera o bem alienado❌
 Mas tem direito: 
 aos bens adquiridos com o produto da 
venda→ (sub-rogação real) 🔄
 ao preço recebido na venda💰
 
3. Valor da venda (preço histórico)
 Deve ser entregue ao ausente sem 
atualização(não há correção monetária).
 Justificativa: o sucessor poderia já ter 
consumido totalmente a quantia. 
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Do Retorno do Ausente
 Ausência como causa de dissolução da sociedade conjugal.
No âmbito do direito de família, a declaração judicial de ausência leva à tutela dos filhos
se a ausência for de ambos os pais (CC, art. 1.728, I). 
O casamento também se dissolve pela declaração de ausência, 
em virtude da regra introduzida pelo § 1º do art. 1.571 do CC. 
Antes, por mais prolongada que fosse, não se considerava a ausência como equivalente à morte, 
a não ser para efeitos patrimoniais, o que condenava o cônjuge sobrevivente a um estado de 
“semiviuvez” permanente.
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Direitos da Personalidade
Os direitos da personalidade são prerrogativas inerentes 
à própria condição humana, assegurando a proteção à:
 identidade
 integridade física
 psíquica e
 moral do indivíduo
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Direitos da Personalidade
Características
 Absolutos (oponíveis a todos)
 Extrapatrimoniais
 Indisponíveis
 Imprescritíveis
 Impenhoráveis
 Vitalícios
Direitos Físicos
 Direito à vida
 Direito ao corpo
 Direito à integridade física
 Direito à voz
Direitos Psíquicos
 Direito à integridade psíquica
 Direito à liberdade
 Direito à privacidade
 Direito ao segredo
Direitos Morais
 Direito à honra
 Direito à imagem
 Direito à identidade
 Direito ao esquecimento
A proteção desses direitos se dá por meio de normas constitucionais, 
civis e penais, além de convenções internacionais, como o Pacto de 
São José da Costa Rica.
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Proteção Específica dos Direitos da Personalidade
O Código Civil disciplina os direitos da personalidade nos arts. 11 a 21, garantindo a inviolabilidade da pessoa e de seus atributos.
Intimidade e Vida Privada
Segundo a Constituição Federal, art. 5º, inc. X, são invioláveis a 
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação.
Proteção de Dados
Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), reforçou-se a 
proteção às informações pessoais, garantindo controle sobre o 
uso de dados.
Pessoa Jurídica
As pessoas jurídicas também têm direitos da personalidade, 
como proteção à honra objetiva e à imagem, dentro dos limites 
de sua natureza.
Tratamento Médico
A relação com os direitos da personalidade envolve a necessidade 
de consentimento informado para procedimentos médicos, além 
da autonomia do paciente.
Direito ao Esquecimento
Refere-se ao direito de uma pessoa ser "esquecida" ou não 
ter fatos passados divulgados publicamente de maneira 
que possa prejudicar sua honra.
Liberdade de Expressão
A liberdade de expressão é assegurada, mas deve ser 
equilibrada com o direito de resposta e retratação quando 
necessário para proteção da personalidade.
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Próxima Aula:
DA PESSOA JURÍDICA 
E DO DOMICÍLIO
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