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Autor: Prof. Adilson Lucimar Simões Colaboradores: Prof. Pedro Ferreira Prof. André Galhardo Fernandes Contabilidade e Custos Industriais Professor conteudista: Adilson Lucimar Simões É mestre em engenharia biomédica pela Universidade Camilo Castelo Branco, especialista em educação a distância pela Universidade Paulista e graduado em matemática pela Universidade Braz Cubas. Atualmente, é professor-adjunto de Engenharia Econômica, Qualidade, Administração entre outras disciplinas no curso de engenharia e leciona módulos de Gerenciamento de Projetos, Indicadores de Qualidade e Gerenciamento de Obras para cursos de lato sensu pela UNIP. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S593c Simões, Adilson Lucimar. Contabilidade de Custos Industriais / Adilson Lucimar Simões. – São Paulo: Editora Sol, 2019. 100 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXV, n. 2-120/19, ISSN 1517-9230. 1. Contabilidade. 2. Margem de contribuição. 3. Métodos de custeio. I. Título. CDU 657.47 W503.27 – 19 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Bruno Barros Giovanna Oliveira Sumário Contabilidade e Custos Industriais APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 CONCEITOS DE CONTABILIDADE ..................................................................................................................9 1.1 Grupos interessados na contabilidade ............................................................................................9 1.2 Sociedades anônimas e sociedades limitadas .............................................................................9 1.2.1 Sociedade limitada ................................................................................................................................. 10 1.2.2 Sociedade anônima .................................................................................................................................11 1.2.3 Principais diferenças entre sociedades limitadas e sociedades anônimas .......................11 1.3 Patrimônio ............................................................................................................................................... 12 1.4 Demonstrações financeiras .............................................................................................................. 13 2 BALANÇO PATRIMONIAL .............................................................................................................................. 14 2.1 Ativo .......................................................................................................................................................... 15 2.2 Passivo....................................................................................................................................................... 15 2.3 Patrimônio líquido no balanço patrimonial .............................................................................. 15 2.4 Principais grupos de contas ............................................................................................................. 16 2.4.1 Ativo circulante ....................................................................................................................................... 18 2.4.2 Ativo não circulante .............................................................................................................................. 19 2.4.3 Passivo circulante ................................................................................................................................... 26 2.4.4 Passivo não circulante .......................................................................................................................... 27 2.4.5 Patrimônio líquido .................................................................................................................................. 28 2.4.6 Contas redutoras de ativo ................................................................................................................... 29 2.4.7 Teste de recuperabilidade .................................................................................................................... 30 2.5 Elaboração do balanço patrimonial .............................................................................................. 31 3 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO ........................................................................... 33 3.1 Receitas .................................................................................................................................................... 33 3.2 Despesas ................................................................................................................................................... 34 3.3 Modelo de demonstração do resultado do exercício ............................................................ 34 3.4 Principais impostos sobre as vendas ............................................................................................ 36 3.4.1 Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) ................................................ 36 3.4.2 Imposto sobre produtos industrializados (IPI) ............................................................................ 37 3.4.3 Programa de integração social (PIS) ............................................................................................... 38 3.4.4 Contribuição para financiamento da seguridade social (Cofins) ........................................ 39 4 DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS E ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS .................................................................................................................... 39 4.1 Demonstração de lucros e prejuízos acumulados ................................................................... 39 4.1.1 Estruturação da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados ................................. 41 4.2 Análise dos documentos contábeis ............................................................................................... 42 Unidade II 5 INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE DE CUSTOS ..................................................................................... 48 5.1 Terminologia dos custos de produção ......................................................................................... 48 5.2 Avaliação de estoque .......................................................................................................................... 51 5.3 Mão de obra ...........................................................................................................................................a estrutura do balanço patrimonial dessa empresa, nesse ano vigente, deve ser: Tabela 2 – Exemplo de balanço patrimonial Ativo Passivo Ativo circulante Passivo circulante Caixa R$ 20.000,00 Empréstimos (12 meses) R$ 175.000,00 Saldo bancário R$ 50.000,00 Salários a pagar R$ 82.000,00 Duplicatas a receber R$ 105.000,00 Fornecedores a pagar R$ 95.000,00 Estoques R$ 26.000,00 Contas a pagar R$ 27.000,00 Impostos a recolher R$ 26.000,00 Ativo não circulante Passivo não circulante Invest. outra empresa R$ 20.000,00 Empréstimo longo prazo R$ 200.000,00 Maq. e equipamentos R$ 160.000,00 Móveis e utensílios R$ 30.000,00 Veículos R$ 80.000,00 Imóveis R$ 300.000,00 Patrimônio Líquido Capital social R$ 200.000,00 Gastos pré-operac. R$ 60.000,00 Lucros acumulados R$ 46.000,00 Total R$ 851.000,00 Total R$ 851.000,00 Saiba mais Para mais detalhes sobre a estruturação de balanços patrimoniais, leia: MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade empresarial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 33 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS 3 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO As empresas precisam apresentar o resultado de suas operações financeiras realizadas durante um exercício. O art. 187 da Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), instituiu a demonstração do resultado do exercício (DRE). No atual Código Civil Brasileiro, a DRE corresponde ao resultado econômico da organização, cujo levantamento, segundo a legislação, é obrigatório. Seu principal objetivo é apresentar, de forma vertical e resumida, o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas em um determinado período – geralmente de doze meses –, e possibilita que os empreendedores apresentarem os resultados financeiros mensais ou anuais a seus sócios, investidores, clientes, fornecedores, bancos e até mesmo para o governo. A DRE inclui todas as contas do balanço patrimonial do negócio, sendo uma ferramenta de análise de resultado e tomada de decisão para fins fiscais e administrativos. Além disso, produz informações para todos os níveis das empresas, e o resultado orienta os administradores no planejamento de projetos para fins lucrativos e aumento do patrimônio. Todos os itens de receitas e despesas reconhecidos no período devem ser incluídos no resultado líquido do período. Para a elaboração da DRE completa exigida por lei, é necessário apresentar os grupos de receitas, despesas, lucros e impostos. 3.1 Receitas As receitas correspondem aos acréscimos no resultado, sendo reconhecidas e medidas em conformidade com os princípios fundamentais da contabilidade, resultantes de diversos tipos de atividades que possam alterar o patrimônio líquido da empresa. Há vários tipos de receitas, criados para discriminar de forma mais ordenada a sua empregabilidade. Entre esses tipos, podemos citar: • Receita bruta de vendas: corresponde às receitas relacionadas às vendas dos produtos ou serviços prestados pela empresa sem quaisquer deduções. • Receita líquida de vendas: corresponde às receitas relacionadas às vendas dos produtos ou serviços prestados pela empresa com as devidas deduções, como, por exemplo, impostos e contribuições, incidentes sobre as vendas, devoluções de vendas e abatimentos concedidos. • Receitas financeiras: corresponde às receitas derivadas de aplicações financeiras, tais como juros de mora recebidos no período, descontos obtidos etc. Pode ocorrer que o montante da receita financeira seja maior que a despesa financeira e, nesse caso, algebricamente, a receita financeira será deduzida de outras despesas operacionais. • Receita operacional: corresponde às receitas relacionadas à atividade principal da empresa e se refere ao recebimento bruto, sendo os valores pelos quais a empresa procura se ressarcir dos custos e despesas e lançar ao crédito. 34 Unidade I • Receita não operacional: corresponde às receitas que não são provenientes da atividade principal da empresa, estando relacionadas a qualquer outro ato como, por exemplo, venda de ativos. 3.2 Despesas Despesas são os gastos utilizados com os bens ou serviços que não estão diretamente relacionados à produção, geralmente consumidos com a finalidade de obtenção de receitas. Como exemplos de despesas, temos os salários e encargos do pessoal do setor administrativo e de vendas, conta de energia elétrica, aluguéis e seguros do prédio da administração, depreciação e demais gastos com equipamentos, entre outros. • Despesas operacionais: são os gastos necessários para a manutenção das atividades da empresa, sendo despesas com a administração e com vendas. — Despesas com vendas: são os gastos com a comercialização e distribuição dos produtos. São as despesas com vendedores, comissões sobre vendas, marketing, provisão para devedores duvidosos, etc. — Despesas administrativas: são os gastos gerais com a administração da companhia. Podemos citar, como exemplo, salários e encargos sociais do pessoal administrativo, aluguéis de escritório, materiais de escritório, depreciação de móveis e utensílios, entre outros. • Despesas financeiras: são aquelas que englobam a remuneração dos capitais de terceiros, como juros pagos, comissões bancárias, descontos concedidos, juros de mora pagos etc. Há também as despesas classificadas como não operacionais, que não estão diretamente relacionadas às atividades operacionais da empresa, ou seja, as perdas aleatórias como, por exemplo, prejuízo com vendas de imobilizado, prejuízo com investimentos etc. Outras despesas operacionais são as que não estão enquadradas no grupo de vendas, administrativas e financeiras, como prejuízo oriundo das aplicações em outras empresas. 3.3 Modelo de demonstração do resultado do exercício De acordo com a legislação, a DRE das empresas deve discriminar: • a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; • a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; • as despesas com as vendas, as despesas financeiras deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais; • o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e despesas; • o resultado do exercício antes do imposto sobre a renda e a provisão para o imposto; 35 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados que não se caracterizem como despesa; • o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Esta demonstração apresenta as informações da empresa dentro de uma sequência, conforme normalizado pela legislação. Basicamente, primeiro é apresentada a receita bruta de vendas. Desse valor se faz a dedução das devoluções de vendas, abatimentos, descontos comerciais e impostos. O resultado é denominado receita operacional líquida e, desse valor, são deduzidos e acrescentados outros valores operacionais e não operacionais até que se obtenha o resultado líquido do exercício, de acordo com a sequência exposta no quadro a seguir. Quadro 2 – Roteiro de confecção da DRE (+) Receita operacional bruta Vendas de produtos Vendas de mercadorias Prestação de serviços (-) Deduções da receita bruta Devoluções de vendas Abatimentos Impostos incidentes sobre vendas (=) Receita operacional líquida (-) Custos das vendas Custo dos produtos vendidos Custo das mercadorias Custo dos serviços prestados (=) Resultado operacional bruto (-) Despesas operacionais Despesas com vendas Despesas administrativas (-/+)Despesas/receitas financeiras Despesas financeiras Receitas financeiras (-/+) Outras receitas e despesas Resultado da equivalência patrimonial Venda de bens e direitos do ativo não circulante (=) Resultado operacional antes do imposto de renda e da contribuição social e sobre o lucro (-) Provisãode impostos Imposto de renda Contribuição social sobre o lucro (=) Lucro líquido antes das participações (-) Pagamentos de participções Debêntures, empregados, participações de administradores, partes beneficiárias, fundos de assistência e previdência para empregados (=) Resultado líquido do exercício A figura a seguir mostra um exemplo de DRE simplificada desenvolvida através de uma ferramenta computadorizada, indicando o sistema informatizado da planilha. 36 Unidade I Figura 7 – Planilha Informatizada de uma DRE 3.4 Principais impostos sobre as vendas São considerados tributos incidentes sobre as vendas aqueles que guardam proporcionalidade com seu preço, mesmo que integrem a base de cálculo do tributo. 3.4.1 Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) O imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), que incide sobre operações relativas à circulação (compra e venda) de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação, é de competência dos estados e do distrito federal, que também definem as alíquotas incidentes e as possíveis reduções e isenções. Sua regulamentação constitucional está prevista na Lei Complementar n. 87/1996, também chamada de Lei Kandir, alterada posteriormente pelas Leis Complementares n. 92/97, n. 99/99 e n. 102/2000. Esse imposto incide sobre: • operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares; • prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores; 37 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, emissão, recepção, transmissão, retransmissão, repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; • fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos municípios; • fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de competência dos municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. • a entrada de mercadoria importada do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento; • o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; • a entrada, no território do estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao estado onde estiver localizado o adquirente. São contribuintes desse imposto qualquer pessoa física ou jurídica que realize operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. O ICMS é um imposto não cumulativo, isto é, compensa-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços, sendo assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar o imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria, real ou simbólica, no estabelecimento. 3.4.2 Imposto sobre produtos industrializados (IPI) O imposto sobre produtos industrializados (IPI) incide sobre produtos industrializados de forma total ou parcial, nacionais e estrangeiros. Suas disposições estão regulamentadas pelo Decreto n. 7.212/10, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do IPI (Ripi/2010). Seu campo de incidência abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na tabela de incidência do IPI (Tipi), observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos os produtos não tributados (NT). Um produto considerado industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. É caracterizada como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação, a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo. 38 Unidade I É considerado estabelecimento industrial aquele que executa qualquer das operações classificadas como industrialização, das quais resulta produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. São imunes, desse modo, da incidência desse imposto: • os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à impressão; • os produtos industrializados destinados ao exterior; • o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial; • a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do país. Se a imunidade estiver condicionada à destinação do produto e a ele for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade não existisse. Será anulada a imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos quando for consumido ou utilizado em finalidade diversa da prevista ou encontrado em poder de pessoa que não seja fabricante, importador ou seus estabelecimentos distribuidores que não sejam empresas jornalísticas ou editoras. São obrigados ao pagamento do IPI como contribuinte o estabelecimento industrial e o estabelecimento equiparado a industrial quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes dos atos praticados. É, ainda, responsável por substituição o industrial ou equiparado a industrial, mediante requerimento, em relação às operações anteriores, concomitantes ou posteriores às saídas que promover, nas hipóteses e condições estabelecidas pela secretaria da Receita Federal. É considerado fato gerador do IPI a saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. Na hipótese de venda, exposição à venda ou consumo, no território nacional, de produtos destinados ao exterior, ou na hipótese de descumprimento das condições estabelecidas para a isenção ou a suspensão do imposto, considerar-se-á ocorrido o fato gerador na data da saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. 3.4.3 Programa de integração social (PIS) São contribuintes do programa de integração social (PIS/Pasep) as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive empresas prestadoras de serviços, empresas públicas e sociedades de economia mista e suas subsidiárias, excluídas as microempresas e as empresas de pequeno porte, submetidas ao regime do simples nacional. 39 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS Com a edição da Lei n. 9.718/98, a base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A alíquota do PIS é de 0,65% ou 1,65% (a partir de 1º de dezembro de 2002 – na modalidade não cumulativa – Lei n. 10.637/02) sobre a receita bruta ou 1% sobre a folha de salários, nos casos de entidades sem fins lucrativos, entretanto, para determinadas operações, existem alíquotas diferenciadas de acordo com a legislação. O PIS pode ser cobrado no regime não cumulativo, isto é, compensando-se o que for devido em cada operação o imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria no estabelecimento. 3.4.4 Contribuição para financiamento da seguridade social (Cofins) A contribuição para financiamento da seguridade social (Cofins) foi instituída pela Lei Complementar n. 70 de 30 de dezembro de 1991 e, atualmente, é regida pela Lei n. 9.718/98, com as alterações subsequentes.São suas contribuintes as pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as pessoas a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, exceto as microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo simples nacional. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a edição da Lei n. 9.718/98, a base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A alíquota geral do Cofins é de 3% (a partir de 1º de fevereiro de 2001) ou 7,6% (a partir de 1º de fevereiro de 2004) na modalidade não cumulativa, entretanto, para determinadas operações, a alíquota é diferenciada de acordo com a legislação. Para as pessoas jurídicas que tenham filiais, a apuração e o pagamento das contribuições são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz. Através da Lei n. 10.833/03, para as empresas optantes pelo lucro real, com exceções específicas, foi introduzido o regime de não cumulatividade da Cofins sobre a receita bruta. Sua base de cálculo nesse regime é o faturamento mensal, entendido pela fiscalização como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse regime, há a possibilidade de o contribuinte apropriar créditos sobre determinados custos e despesas. 4 DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS E ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS 4.1 Demonstração de lucros e prejuízos acumulados Diversas demonstrações contábeis auxiliam a identificar a situação financeira da empresa, ajudando o gestor a tomar as providências necessárias caso ocorra algum problema. Um dos demonstrativos mais utilizados e obrigatórios para algumas empresas é a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DPLA). 40 Unidade I Esse demonstrativo configura as ações de reinvestimento do capital, ou melhor, do lucro líquido a partir da integração com o balanço patrimonial e a DRE, esclarecendo, por meio de relatórios e notas explicativas, a situação patrimonial e os resultados da empresa. A DPLA tem como principal objetivo evidenciar a distribuição do resultado do exercício. Enquanto que na DRE o objetivo é apurar o lucro, na DLPA temos a apresentação da destinação do lucro, isto é, de que forma o lucro líquido, apurado na DRE, deve ser aplicado. No caso de lucro líquido do exercício, esse resultado deve ser apresentado na conta lucros acumulados no balanço patrimonial e, ao final do exercício, infere-se que os lucros terão que ser distribuídos. Existem três destinações possíveis para os lucros: • Constituição de reserva de lucros: são valores utilizados como reserva legal, reserva estatutária, reserva para contingências, reserva de incentivos fiscais, reserva de retenções de lucros ou reserva de lucros a realizar. • Dividendos a pagar: lembremos que, em uma companhia, ao final do exercício, os dividendos devem ser distribuídos aos sócios. Antes dessa distribuição em si, parte do saldo (lucro acumulado) deve ser destinado a uma conta de obrigação, que é a dividendos a pagar. • Aumento de capital: a empresa pode aumentar o seu capital social aplicando no seu próprio crescimento, até para que ela possa atingir os objetivos que estão descritos no estatuto social. A estrutura da DLPA está interligada com essa destinação dos lucros: tanto a saída de recursos da conta lucros acumulados, proveniente do lucro líquido para as reservas de lucro, como a reversão de reservas, que nada mais é do que o retorno da reserva constituída para a conta lucros acumulados. Dessa forma, vale colocar que a DLPA deixa evidente as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados no patrimônio líquido. Para isso, deve indicar, na sequência: • o saldo inicial do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; • as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. • as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo final do período. • o montante do dividendo por ação do capital social. Esse tipo de controle financeiro é muito importante para auxiliar os gestores a terem uma visão mais realista sobre as decisões que devem ser tomadas. Com as informações da DLPA, são observadas as variações do caixa, períodos em que houve mais lucro ou prejuízo e, assim, é possível entender a extensão de crescimento da empresa e saber se existe viabilidade econômica para determinados investimentos, como a expansão do negócio, a compra de novos equipamentos ou a contratação de mais mão de obra. 41 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas tributadas com base no lucro real, conforme a legislação do imposto de renda. Segundo o art. 186 da Lei n. 6.404/76, a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: • o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; • as reversões de reservas (lembrando que a reversão se dá pelo débito na reserva de lucros e créditos nos lucros acumulados, que é justamente o lançamento invertido à constituição de reservas) e o lucro líquido do exercício. • as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. 4.1.1 Estruturação da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados Segundo a legislação, há alguns itens obrigatórios que devem constar na DLPA, a tabela a seguir indica um modelo de estrutura desse documento. Tabela 3 – Estrutura de uma DPLA Saldo no início do período R$ XX,XX (+) Ajuste de exercícios anteriores R$ XX,XX (+) Reversões de reservas de lucros R$ XX,XX (+) Lucro líquido / (-) prejuízo líquido R$ XX,XX (-) Transferências para reservas de lucros R$ XX,XX (-) Dividendos R$ XX,XX (-) Parcela do lucro incorporada ao capital R$ XX,XX (-) Dividendos antecipados R$ XX,XX Saldo ao final do período R$ XX,XX Nota-se que a DPLA, como qualquer documento contábil, deve conter a identificação da organização a que se refere e também a identificação e assinatura do profissional responsável pelas informações. De modo geral, a estrutura da DLPA é simples, sendo importante entender quais as contas que aumentam e diminuem o seu saldo, para atingir os valores corretos. A partir dos resultados obtidos, é possível compreender de uma maneira ampla e definitiva a performance da empresa, pois além de auxiliar na tomada de decisão, com as informações desse relatório, é possível montar um orçamento para o próximo exercício, muito mais realista, que realmente esteja de acordo com a condição financeira da organização. 42 Unidade I 4.2 Análise dos documentos contábeis Os roteiros contábeis têm por objetivo instituir regras e procedimentos contábeis com vistas à harmonização dos registros referentes aos procedimentos orçamentários e patrimoniais. Diante disso, serão analisadas duas demonstrações que se completam e são consideradas de grande importância na situação econômica e financeira de uma pessoa jurídica: o Balanço Patrimonial e DRE. Segundo Morante e Jorge (2008), a partir dos dados constantes nesses documentos, em conjunto ou isoladamente, são obtidas as informações referentes à liquidez do empreendimento, que é sua capacidade de liquidação dos compromissos no curto prazo, além do endividamento, da composição do capital (capital próprio e capital de terceiros) e da capacidade do empreendimento de assumir novos compromissos com terceiros, de geração de caixa e de retorno para o acionista. Uma análise versátil dos dados do balanço patrimonial e também da DRE possibilita a observação de um conjunto de informações sobre a importância de cada conta, a avaliação da empresa perante os concorrentes, uma comparação com períodos anteriores e a verificação de itens fora das proporções normais. Por suavez, a verificação da evolução horizontal dos dados indicará a estrutura dos ativos e dos passivos da empresa e suas modificações, bem como elementos para uma avaliação do seu desempenho. Verifica-se a coleta de dados, utilizando métodos para demonstrar como a controladoria pode verificar informações se utilizando dos dados relacionados e comparando-os entre contas e valores pertinentes de duas demonstrações, que grande parte das empresas brasileiras é obrigada a fazer de acordo com normas contábeis, mas que podem ser úteis também no gerenciamento da entidade, podendo ser alteradas para efeito de análise, utilizando técnicas para a obtenção de dados que, diagnosticados, geram uma conclusão que, se interpretada da maneira correta, será útil de acordo com a finalidade da entidade. O balanço patrimonial é uma demonstração financeira, composta de bens, direitos e obrigações da empresa, sendo dividido entre dois grandes grupos. O primeiro é o ativo, composto sobre bens e direitos, representando as disponibilidades da empresa – sendo a aplicação desses recursos, ainda, subdivida em circulante e não circulante. O segundo é o passivo, as obrigações da entidade com terceiros – divididas em circulante, não circulante e patrimônio líquido, que é o capital dos sócios ou próprios, as origens dos recursos. Cada um compõe várias contas com características específicas de classificação e separação dos valores, que, juntos, podemos comparar com a saúde da entidade. Assim como cada demonstração tem suas especificações, a DRE tem as suas, mas mostra um dado – senão o mais importante da entidade – que indica se ela está alcançando seu objetivo operacional ou está tendo prejuízo nesse processo, devendo ser reavaliado o investimento para buscar uma alternativa ou encerrar a atividade. Segundo Savytzky (2009), para uma análise, foi verificado um conjunto de etapas para garantir que o balanço patrimonial e a DRE, que devem ser analisados em conjunto, representem veracidade em suas informações e permitam uma interpretação de acordo coma finalidade. As etapas estão discriminadas a seguir. 43 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Captação, cálculos e registro de dados: verificação e desenvolvimento de métodos com base em processos e normas, para garantir uma prática de contagem, cálculos e registro eficiente, que garanta veracidade dos dados; devem existir métodos e processos práticos e confiáveis na contagem, no cálculo e no lançamento, a fim de garantir que os dados sejam registrados de maneira correta e passem por conferências, assegurando qualidade da informação. • Verificação da padronização das demonstrações financeiras: a estrutura do balanço patrimonial e da DRE é regida pelas normas contábeis, a fim de transmitir a declaração e atender o que foi estabelecido, de maneira obrigatória; mas, para fim de análise, a controladoria pode definir um modelo padrão voltado para essa análise, alterando-o de acordo com a necessidade, para facilitar a interpretação, pois se devem separar contas incobráveis e também as que nem sempre estão separadas de acordo com os prazos de vencimentos e pagamentos, em conformidade com o verdadeiro ciclo operacional da atividade, em que curto e longo prazo têm dinâmicas diferentes. Além da necessidade de ajustar certas contas que podem se valorizar ou perder valor financeiramente, não mostrando, assim, o valor real do patrimônio, para efeito de análise gerencial. A contábil deve seguir sempre as normas já estabelecidas na legislação. • Cálculo de índices: segundo Marion (2012), a análise de índices é um confronto de duas informações ou elementos em relação a um conjunto, buscando uma visão individual, conjunta ou comparativa, na análise das demonstrações. Os indicadores (ou índices ou quocientes) significam o resultado obtido da divisão de duas grandezas. São úteis para se ter uma visão geral e de certos detalhes da entidade, buscando uma interpretação para tomada de decisões e verificações pertinentes. De acordo com Savytzky (2009), a análise utilizando índices é feita por cálculos obtidos através de fórmulas criadas para determinados fins de resultado, as quais não devem ser analisadas isolada, mas comparativamente, verificando e conhecendo a administração da empresa como um todo, para poder chegar a uma conclusão mais correta e útil. Os valores são retirados do balanço patrimonial e da DRE. Podemos dividir em índices básicos: — situação financeira; — grau de imobilização; — grau de endividamento; — rentabilidade. • Análise vertical: segundo Ludícibus (2010), esse tipo de análise é uma importante ferramenta para avaliação da estrutura de composição de itens do balanço patrimonial e sua evolução no tempo. Consiste em estabelecer as proporções de uma referência principal, verificando quanto cada conta faz parte do todo, possibilitando, assim, uma visualização de como estão distribuídas através da porcentagem, estabelecendo o fator principal de 100%, que, no caso do balanço patrimonial são as contas de ativo e passivo, além de todas as subdivisões dos grupos e, na DRE, será a conta da receita bruta de vendas, como fator principal. 44 Unidade I Essa análise deve ser feita no mínimo de três anos, para verificar a direção que as contas estão tomando, com base na política da entidade, mostrando como estão distribuídas, para onde estão destinados os valores e possibilitando tirar conclusões primárias da situação – uma visão simples, mas que pode mostrar muitas suposições que devem ser comprovadas com todos os fatores relacionados à atividade da empresa. • Análise horizontal: Ludícibus (2010) afirma que a finalidade principal da análise horizontal é apontar o crescimento de itens dos balanços e das DRE através dos períodos, a fim de caracterizar tendências. Consiste em estabelecer as proporções de uma conta entre diversos anos de exercícios, possibilitando, assim, uma visualização de como estão evoluindo de um ano a outro através da porcentagem, estabelecendo o fator principal de 100% das contas contábeis, verificando o desempenho e quais as mudanças sofridas no decorrer dos anos, como isso está afetando a empresa e podendo prever tendências do balanço patrimonial e da DRE, essa análise deve ser feita utilizando os dados de, no mínimo, de três anos. • Elaboração de relatórios: um ou mais relatórios podem ser feitos, de acordo com necessidades da hierarquia da entidade, mostrando todos os dados e informações úteis aos gestores e responsáveis da empresa, sendo recomendada a convocação de uma reunião gerencial, apresentado os registros constatados de maneira clara e objetiva, mostrando o que afetou o patrimônio e o resultado da empresa, além de um parecer com informações constatadas no processo, a fim de criar uma discussão e, caso necessário, uma reavaliação de procedimentos, objetivos e metas da entidade. Para a elaboração de um relatório de análise contábil da melhor maneira possível, é necessário considerar alguns pontos importantes. Ele deve ser elaborado em linguagem simples, para que seja compreendido por leigos, mesmo que alguns dos seus usuários possuam conhecimentos de contabilidade. Ao elaborar um relatório de análise, o analista deve procurar relatar suas conclusões visando auxiliar o usuário em suas tomadas de decisão. Os relatórios de análise de balanços poderão conter muitas ou poucas informações, conforme a necessidade do usuário. Não há um modelo único de relatório, mas um adaptado para cada tipo de usuário e finalidade, para tentar prever o futuro, possibilitar a tomada de decisões e auxiliar o usuário a alcançar o retorno desejado. Lembrete Os relatórios internos de uma empresa, apesar de adaptados para fácil compreensão, devem estar sempre baseados nas informações contidas nos documentos oficiais, como balanço patrimonial e DRE. Resumo Na primeira parte deste livro-texto, são apontados os princípios da contabilidade gerencial e a que grupos internos e externos essas informações possaminteressar. 45 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS Inicialmente, foram destacados seus conceitos gerais, em que foram apresentadas as principais diferenças entre as empresas classificadas como sociedades limitadas (Ltda.) e as sociedades anônimas (S.A.) na sua estruturação e normas. Também foram apresentados, de forma técnica contábil, o que são bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido de uma empresa. Em seguida, foi apresentado o balanço patrimonial, considerado por muitos como o mais importante relatório contábil de uma empresa. Foram definidos o que são ativos e passivos de uma pessoa jurídica e como estão dispostos dentro desse relatório. O ativo está dividido em diversas contas entre o ativo circulante e ativo não circulante, já o passivo está distribuído entre passivo circulante, passivo não circulante e patrimônio líquido. Com essas informações, foi estruturado um exemplo de balanço patrimonial a partir dos dados de uma empresa fictícia. Foi apresentado outro documento contábil denominado Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), em que é exposto o resultado econômico da organização, sendo um documento obrigatório, segundo a legislação. Tem por principal objetivo apresentar de forma vertical o resultado do exercício aos sócios, clientes, fornecedores, instituições financeiras e até mesmo ao governo. Na DRE, estão expostas as receitas brutas, despesas, os impostos recolhidos referentes ao período e, consequentemente, o resultado líquido do exercício. Também foram apresentados de forma sucinta os principais impostos incidentes sobre as vendas da produção industrial, como o imposto sobre circulação de mercadorias e serviço (ICMS), o imposto sobre produtos industrializados (IPI), programa de integração social (PIS) e contribuição para financiamento da seguridade social (Cofins), expondo suas incidências, isenções, alíquotas e competências. Outro documento contábil estudado foi a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DPLA), que indica, no caso de lucro, quais devem ser as diretrizes para esse valor como reserva de lucros, pagamento de dividendos ou aumento de capital. Por fim, foi evidenciado como realizar uma análise das informações fornecidas pelos documentos contábeis, a partir da coleta dos dados fornecidos por eles, seu tratamento e organização, os cálculos, as análises vertical e horizontal e a elaboração de relatórios para os diversos grupos interessados nas informações. 46 Unidade I Exercícios Questão 1. “A Contabilidade nasceu dentro de um cenário absolutamente prático, decorrente da necessidade de informação sobre o lucro do período por parte dos gestores do patrimônio. A base fundamental decorreu do registro dos efeitos das transações entre a entidade e o mundo exterior. Para avaliar a sua real importância deve-se imaginar como seria o mundo sem a Contabilidade. Certamente haveria uma maior dificuldade para toda a humanidade. Não haveria controle dos recursos públicos e privados além da impossibilidade da avaliação das entidades, influenciando todo o sistema de alocação de recursos.” Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2019. Entre os principais grupos de interesse nas informações contábeis estão: A) Usuários externos e internos como, por exemplo, fornecedores, clientes, bancos, governos e acionistas e investidores, respectivamente. B) Usuários endógenos e exógenos como, por exemplo, investidores e governo, respectivamente. C) Usuários exteriores e interiores, dentre os quais destacam-se investidores e os fornecedores. D) Investidores e governo, os primeiros para fins de diretrizes de investimentos e o segundo para fins de arrecadação. E) Usuários normativos e positivos, neste caso, governo e investidores, por exemplo. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: são considerados usuários externos aqueles que não estão diretamente ligados à empresa, mas têm total interesse em saber de sua saúde financeira. Os usuários internos, como o próprio nome diz, são aqueles ligados a ela. B) Alternativa incorreta. Justificativa: apesar de endógeno e exógeno serem sinônimos de internos e externos, respectivamente, os últimos são os termos corretos para uso na contabilidade. 47 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS C) Alternativa incorreta. Justificativa: neste caso, além do uso incorreto dos termos para designar os usuários, o termo exteriores estaria ligado a fornecedores e não o contrário. D) Alternativa incorreta. Justificativa: investidores e governo sozinhos não formam os principais grupos de interesse nas informações contábeis de uma empresa. E) Alternativa incorreta. Justificativa: apesar do caráter normativo do governo e positivo dos investidores, essa não é a forma correta de desígnio dos grupos de interesse nem tampouco governo e investidores podem representar, sozinhos, esses grupos. Questão 2. “Somar ‘abacaxis com bananas’ é uma tarefa impossível, porém pode-se saber a quantidade de frutas em relação às unidades existentes. Ao usar este artifício, respondendo quantas frutas existem, uma característica comum a todos – ‘que é ser fruta’, está sendo utilizada para fazer a mensuração. Fixar parâmetros para formular regras de reconhecimento de Ativos, através de características comuns, é um objetivo a ser alcançado pela Contabilidade. [...] Identificado o elemento do Ativo, surge a responsabilidade de mensurá-lo. Nesse processo de designar montantes quantitativos monetários aos objetos selecionados na empresa, está um dos atributos básicos da informação contábil. O grau de exatidão, com que o dado é apresentado, deve ser o mais próximo da realidade quanto possível. ” (Disponível em: . Acesso em: 22 abr. 2019) Portanto, os valores dos ativos de uma companhia devem ser sempre lançados considerando: A) O desconto da inflação em cada exercício contábil. B) A correção pela taxa de referência (TR) à medida em que o tempo avança. C) O valor de aquisição, também chamado de custo histórico. D) O valor histórico de aquisição do ativo, acrescido da desvalorização da moeda local. E) O valor de aquisição do bem acrescido de custos com eventuais encargos financeiros provenientes de financiamento. Resolução desta questão na plataforma.55 5.3.1 Encargos sociais ....................................................................................................................................... 57 6 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO E PONTO DE EQUILÍBRIO .................................................................. 60 6.1 Margem de contribuição ................................................................................................................... 60 6.2 Ponto de equilíbrio .............................................................................................................................. 62 6.2.1 Ponto de equilíbrio contábil ............................................................................................................... 66 6.2.2 Ponto de equilíbrio econômico ......................................................................................................... 69 6.2.3 Ponto de equilíbrio financeiro ........................................................................................................... 70 6.2.4 Considerações relativas à análise do ponto de equilíbrio ...................................................... 72 7 MÉTODOS DE CUSTEIO .................................................................................................................................. 74 7.1 Custos indiretos de fabricação (CIF) ............................................................................................. 74 7.2 Método de custeio por absorção ................................................................................................... 74 7.3 Método variável .................................................................................................................................... 77 7.4 Distinção entre custeio por absorção e custeio variável...................................................... 78 7.5 Método ABC ........................................................................................................................................... 81 7.6 Método de custeio padrão ............................................................................................................... 83 7.7 Método de custeio UEP (unidade de esforço de produção) ............................................... 83 7.8 Departamentalização .......................................................................................................................... 85 8 MARGEM DE SEGURANÇA E GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL .................................. 87 8.1 Margem de segurança ........................................................................................................................ 87 8.2 Grau de alavancagem operacional ................................................................................................ 89 7 APRESENTAÇÃO O estudo de contabilidade e custos industriais se integra com o desenvolvimento de qualquer projeto, pois a viabilidade econômica é um dos fatores, senão o mais importante, na decisão para o desenvolvimento imediato de um projeto, pelo seu adiamento ou até mesmo pelo seu cancelamento. Atualmente, a dinâmica do mercado aponta para a necessidade de toda empresa de aperfeiçoar uma forma de gerir suas atividades em todos os departamentos. Sendo assim, o objetivo deste livro-texto é estudar as técnicas de contabilidade financeira e contabilidade de custos por meio da elaboração de documentos para o planejamento financeiro que demonstrem os resultados de empresas industriais e prestadoras de serviços a grupos interessados internos e externos. A partir desse quadro, a contabilidade gerencial e a contabilidade de custos são ferramentas que fornecem inúmeras informações úteis para a tomada de decisões dentro dos níveis estratégicos e táticos de uma organização. Trata-se de uma ciência muito antiga, que existe para auxiliar os gestores a tomar decisões, porém, com o passar do tempo, o governo decidiu também utilizar esses dados para apurar a arrecadação de impostos, tornando a contabilidade obrigatória para as organizações. Os usuários das informações geradas pela contabilidade são, geralmente, pessoas físicas e jurídicas interessadas na situação financeira da empresa, como administradores, fornecedores, instituições financeiras, clientes, sindicatos, concorrentes etc. A contabilidade gerencial foca suas diretrizes na aplicação das informações contábeis para o controle, gerenciamento e tomada de decisões, que influenciam o resultado dos negócios das organizações. Os relatórios gerados por ela, como balanço patrimonial ou demonstração de resultados do exercício (DRE), podem ser utilizados como base para o planejamento estratégico da empresa para os próximos exercícios, pois deixam claros os valores dos custos diretos e indiretos, as despesas da empresa, suas receitas e outras informações de curto e longo prazo, explicitando a condição financeira atual e futura da empresa. Essas informações são aplicadas internamente e também na divulgação de seus resultados ao fisco, para que, a partir desses dados, sejam calculados os valores devidos de impostos sobre a venda de produtos, como ICMS, IPI, PIS e Cofins ou ainda no IRPJ. A contabilidade de custos, como o próprio nome indica, estuda os custos diretos e indiretos, as despesas, as receitas e outros movimentos financeiros da empresa indicando diferentes formas de custeio de um produto ou serviço para a composição de preço, com o objetivo de um melhor desempenho do empreendimento. Esse estudo utiliza informações contábeis de custos diretos, indiretos e métodos de custeio para determinar índices econômicos internos, como margem de contribuição, ponto de equilíbrio, margem de segurança e grau de alavancagem operacional, que indicam a eficiência operacional e financeira da empresa. INTRODUÇÃO Este livro-texto tem como objetivo desenvolver noções e técnicas necessárias para aplicação da contabilidade financeira e contabilidade de custos em sistemas de operação e de gestão de empresas industriais e prestadoras de serviços, além de desenvolver técnicas para a análise dos custos de uma empresa. 8 Este material delimita as possibilidades de atuação profissional que o curso proporciona ao graduando, abrangendo os tópicos necessários para uma ampla visão do gerenciamento do planejamento, do financeiro e do administrativo de uma empresa. Na primeira parte, encontramos os conceitos básicos da contabilidade gerencial, a terminologia empregada e os tipos de organizações de uma empresa e sua legislação. Também são expostos a estrutura e os objetivos do balanço patrimonial de uma organização, com a definição de ativos e passivos da empresa e as contas para distribuição das receitas e despesas ocorridas no seu exercício. A DRE também é apresentada, por se tratar de um dos principais documentos contábeis e indicar de forma clara e direta seus lucros ou prejuízos. Num primeiro momento, são apresentados os impostos que incidem sobre a venda de produtos, como ICMS, IPI, PIS e Cofins, e também como interpretar e analisar o balanço patrimonial (BP) e a DRE, comparando os dados oferecidos por esses documentos. As informações contidas nos relatórios contábeis e os impostos incidentes sobre a indústria e prestação de serviços são informações vitais para a estrutura da engenharia econômica da empresa, na composição do preço de venda do produto e, consequentemente, na colocação do produto ou serviço no mercado. Num segundo momento, são encontradas informações sobre a contabilidade de custos e suas terminologias, como gastos, custos diretos, custos indiretos, despesas, insumos etc. Também são apresentadas formas de cálculo de dados importantes na composição do custo de um produto ou serviço, como avaliação de estoque de matéria-prima e custos envolvidos na mão de obra direta, devido aos direitos e encargos trabalhistas. Isso mostra ao gestor da produção, de forma clara, a eficácia do processo de fabricação adotado pela empresa e em que ponto ele pode ser revisado para reduçãode custos e aumento da produtividade. Também foram abordados diferentes métodos de custeio, formas como as empresas agregam seus custos e despesas de fabricação à composição do preço de venda praticado por um produto ou serviço. Serão apresentados procedimentos importantes para análise da relação custo, volume e lucro. Esses procedimentos envolvem quatro ferramentas para o controle e análise, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, margem de segurança e grau de alavancagem operacional, os quais constituem importantes ferramentas gerenciais. Isso significa economia de tempo, necessário para planejamento, definição de estratégias, melhoria de visão do negócio e tomada de decisões. Por fim, a análise de custos se tornou um fator extremamente importante sob todos os aspectos, pois, no mercado competitivo como o atual, a mínima redução desse fator se torna muito importante na composição do preço de venda do produto. De forma geral, esta disciplina serve para fornecer uma visão geral e interdisciplinar para o estudante, aplicando seus conhecimentos na análise da contabilidade de empresas, principalmente indústrias, no estudo dos custos e na interpretação de documentos contábeis. 9 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS Unidade I 1 CONCEITOS DE CONTABILIDADE 1.1 Grupos interessados na contabilidade A contabilidade é a ciência aplicada que estuda os métodos de cálculo e o registro da movimentação financeira de uma empresa, fornecendo, assim, importantes informações para diversos grupos que têm interesses nas informações contábeis de uma organização. Esses grupos podem ser divididos, basicamente, em duas categorias: usuários externos e internos. Usuários externos Fazem parte desse grupo os fornecedores, clientes, bancos, órgãos governamentais etc., e têm como principal objetivo o acompanhamento e a verificação do retorno dos recursos investidos, seja pela entrada de mercadorias, de dinheiro ou outra forma de propiciar o funcionamento da organização. Essas informações são necessárias, pois estão diretamente ligadas à rentabilidade e garantia de retorno dos capitais investidos e da capacidade da empresa de cumprir com seus compromissos financeiros. Além disso, o governo pode utilizar essas informações como fonte de financiamento da atividade governamental e para o desenvolvimento em áreas geográficas de setores de atividade que possam orientar a política de desenvolvimento da nação. Outra instituição externa que utiliza as informações contábeis são os sindicatos de categoria, pois, elas auxiliam a determinar a produtividade do setor, fator preponderante para reajuste de salários dos trabalhadores. Usuários internos Fazem parte desses grupos os sócios, acionistas e investidores, para que recebam as informações a respeito do retorno dos investimentos e da solidez e segurança de empresa. Os funcionários também são interessados, por conta de a empresa ser sua fonte de renda; os administradores e outros responsáveis pelas decisões também, pois necessitam de informações para planejamento e controle do lucro, orçamento, novos investimentos e dados para estudos especiais. 1.2 Sociedades anônimas e sociedades limitadas Existem inúmeras dúvidas no significado das siglas que aparecem logo após a razão social de uma empresa, que são o Ltda. ou o S/A, e quais são as principais diferenças entre elas. Na realidade, não há qualquer diferença operacional, contudo existem diferenças em seu modelo e normas contábeis. 10 Unidade I 1.2.1 Sociedade limitada Entende-se por sociedade limitada (Ltda.), denominada sociedade por cotas de responsabilidade limitada, aquela formada por duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas, chamadas sócios, que investem parte do capital total na empresa e se responsabilizam solidariamente de forma limitada ao valor de suas quotas, pela integralização do capital social. Essa espécie de sociedade apresenta diversas regras e características que auxiliam na constituição de uma empresa, e possui como elemento fundamental o contrato social no qual estão definidas de forma clara as atividades da empresa, sua localização e seus responsáveis legais. Os sócios adquirem certas liberdades dentro dessa sociedade e no caso de insucesso de seu próprio negócio, de acordo com o contrato, ele só se responsabiliza por dívidas até o valor máximo de sua quota no capital social. Assim, seus bens pessoais não serão comprometidos. Apesar de todos esses benefícios, existem exceções à regra, e alguns sócios podem responder ilimitadamente pelas obrigações sociais. No que diz respeito à administração de uma empresa limitada, apenas com o consentimento dos sócios uma pessoa que não faz parte da sociedade poderá ser um dos administradores. Ele é responsável por gerenciar a sociedade, fazer os inventários, responder civilmente pelos atos culposos que praticar; fará os balanços no final de cada exercício, sendo geralmente um profissional remunerado. Podem ser apontadas como as principais características de uma sociedade limitada: • Responsabilidade dos sócios: surge da ideia de limitação da responsabilidade, ou seja, da restrição dessa responsabilidade. Se o capital social declarado pelos sócios (subscrito) não estiver totalmente pago (integralizado), ele responderá solidariamente com os outros sócios pela parte que falta para a integralização. • Capital social: é dividido em quotas (iguais ou desiguais), cabendo uma determinada quantidade a cada sócio. Cada sócio pode dar sua contribuição por meio de dinheiro, bens ou direitos, contudo não é autorizada a contribuição por meio de prestação de serviços. • Exclusão de sócio: ocorre quando o sócio não integraliza sua contribuição de acordo com os prazos e condições previstas no contrato ou quando põe em risco a existência do negócio, por meio de uma justa causa prevista no contrato – isso após um prazo para que o sócio possa se justificar ou se defender em reunião ou assembleia. • Obrigações dos sócios: os sócios devem repor os lucros e quantias que foram retirados da sociedade somente se autorizadas pelo capital social, na hipótese de que essas retiradas sejam distribuídas em prejuízo do capital social. O sócio deve integralizar suas quotas subscritas; caso contrário, poderá ser excluído da sociedade. Da data do registro da sociedade até cinco anos, todos os sócios respondem pela exata estimação dos bens concedidos ao capital social. No que diz respeito à administração, o responsável, sócio ou não, deve ser designado pelo próprio contrato social ou documento separado (um termo em que especifica quem será o administrador) e terá que exercer a sua função de acordo com uma série de deveres previstos pela legislação. 11 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Prejuízos no capital: não é permitida a retirada ou distribuição dos lucros da empresa para os sócios, caso sejam apurados prejuízos do capital. • Legislação das limitadas: a sociedade é regida pelo novo Código Civil Brasileiro, contudo, no caso de omissões, segue as normas da sociedade simples ou anônima. 1.2.2 Sociedade anônima As sociedades anônimas são empresas em que o capital é divido por ações, que são a menor parcela do capital social, de valor igual nominal quando assim emitidas, ou sem valor nominal, que são as de livre negociabilidade. As ações concedem todos os direitos e deveres de um sócio no limite das ações possuídas. Essas ações podem ser negociadas de acordo com o regimento de empresa no mercado financeiro de três formas: • Capital aberto: nesse caso as ações podem ser vendidas para qualquer pessoa ou empresa no mercado financeiro com o objetivo de gerar capital. Uma ação é um valor mobiliário, previsto na Lei n. 6.385/76 e apenas empresas registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), chamadas empresas de capital aberto, podem ter suas ações negociadas publicamente no mercado. • Capital fechado: a divisão de ações ocorre apenas entre os sócios acionistas internos, que ficam responsáveis por gerar o capital.Essas ações, ao contrário de uma empresa de capital aberto, não são comercializadas em bolsas de valores ou no mercado aberto. Uma empresa de capital fechado tem diversos sócios, como uma empresa de capital aberto, contudo, geralmente, são empresas familiares ou pertencentes a poucos sócios. Podem também ser empresas que tinham seu capital aberto e, por determinada razão, resolveram fechá-lo, deixando de ser negociadas em bolsa. Uma empresa de capital fechado pode somente emitir e vender suas ações de modo particular – distribuição privada –, vedada a veiculação de anúncios, prospectos e outros. A companhia de capital fechado não possui o registro perante a CVM. • Debênture: neste caso, as ações são vendidas como se fossem um empréstimo para outras pessoas (físicas ou jurídicas), que têm participação nos lucros, mas não se tornam donas dessas ações. Dentro de um determinado prazo, elas retornam aos acionistas. As debêntures costumam ser indicadas para os investidores como uma diversificação nos investimentos e, nos últimos anos, elas têm se tornado mais populares, pois costumam oferecer rendimentos atrativos e acessibilidade. 1.2.3 Principais diferenças entre sociedades limitadas e sociedades anônimas Na administração Na sociedade Ldta., a administração pode se realizar por uma ou mais pessoas, o que deve estar previsto em contrato, ou é possível que a sociedade seja administrada por um profissional qualificado que não faça parte da sociedade, por prazo determinado ou não. 12 Unidade I Nas sociedades anônimas, a administração pode ser feita pelos diretores ou por profissionais que não façam parte do quadro de acionistas, contudo, por lei, o mandato da diretoria ou de membros do conselho não pode superar três anos, havendo necessidade de eleição. Na tomada de decisões (voto) Na sociedade Ltda., o voto é direto e proporcional à cota, ou seja, quanto mais cotas o sócio possuir, maior será seu poder administrativo. Na sociedade anônima, o voto se dá por ações ordinárias normativas, isto é, para acionistas com maior número de ações ordinárias ou preferenciais, maior poder administrativo. Divisão de lucros Na sociedade Ltda., caso não haja qualquer regra contrária prevista em contrato, predomina a decisão da maioria, em que os lucros podem ser direcionados a novos investimentos ou distribuídos entre os sócios ou ainda divididos entre os investimentos e os sócios. Na sociedade anônima, a lei prevê que os acionistas recebam como dividendos obrigatoriamente uma parcela dos lucros (quando for o caso), estabelecida em estatutos já aprovados. Saída da sociedade Na sociedade Ltda., o quotista tem o direito de sair da sociedade, com ou sem reembolso de capital, por qualquer finalidade. Na sociedade anônima, o acionista não pode sair por sua vontade, pois a lei prevê as hipóteses contempladas como, por exemplo, redução de dividendo mínimo, fusão da empresa etc. 1.3 Patrimônio Patrimônio significa, a princípio, o conjunto dos bens e dos valores a receber, pertencente tanto a pessoas físicas (seres humanos) quanto a pessoas jurídicas (organizações). Para contabilidade, esses valores a receber são denominados direitos. Entretanto, para se analisar e identificar a situação de uma pessoa ou organização, não basta relacionar os bens e direitos, é necessário também considerar as dívidas (obrigações) que ela possui. É necessário saber o valor do patrimônio (imóveis, por exemplo) e apurar se não existem dívidas com um agente financiador (no caso de um imóvel financiado). Bens Entende-se por bens tudo classificado como útil, capaz de satisfazer a necessidade das pessoas físicas ou jurídicas e que pode ser avaliado economicamente. Os bens podem ser classificados em: 13 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Bens tangíveis: são bens corpóreos ou concretos, como veículos, imóveis, equipamentos, estoques, dinheiro, ferramentas etc. • Bens intangíveis: são bens imateriais ou abstratos. Constituem aplicações absolutamente necessárias para a empresa atingir seus objetivos, contudo inexistem como objetos constituídos de matéria. Podemos citar como bens intangíveis marcas e patentes, direitos autorais ou despesas pré-operacionais de um empreendimento. Direitos São os valores que a empresa tem a receber de terceiros. Esses direitos geralmente aparecem nos documentos com os nomes dos elementos seguidos da expressão a receber. Podemos citar como exemplos de direitos as duplicatas a receber, notas promissórias a receber, juros a receber etc. Obrigações São consideradas obrigações todos os valores que uma pessoa física ou jurídica tem a pagar a terceiros. Essas obrigações geralmente aparecem nos documentos com os nomes dos elementos seguidos das expressões “a pagar” ou “a recolher”; em suma, referem-se a uma dívida com terceiros. Como exemplo, podemos citar duplicatas a pagar, notas promissórias a pagar, salários a pagar, impostos a recolher etc. Patrimônio líquido De forma resumida, o patrimônio de uma pessoa física ou jurídica pode ser mensurado através do cálculo da diferença entre a soma de seus bens e direitos e suas obrigações, assim, matematicamente temos: Patrimônio líquido = [bens + direitos] – obrigações O patrimônio líquido é, portanto, a medida eficiente da verdadeira riqueza, pois existem situações em que o volume do patrimônio é grande, contudo as obrigações superam os bens e direitos, o que o torna negativo. 1.4 Demonstrações financeiras Os dados coletados pela contabilidade de uma organização são apresentados de modo periódico aos interessados, de forma ordenada, organizada e resumida, compondo, assim, os denominados relatórios contábeis, que são elaborados para atender as necessidades dos usuários. Das diversas demonstrações financeiras, também denominadas relatórios contábeis, destacam-se as que são obrigatórias, de acordo com a legislação brasileira. As principais demonstrações financeiras obrigatórias no Brasil são: • balanço patrimonial (BP); 14 Unidade I • demonstração de resultados do exercício (DRE); • demonstração de lucro e prejuízos acumulados (DLPAC); • demonstração do fluxo de caixa (DFC). O tratamento dessas demonstrações financeiras varia de acordo com o tipo da constituição da empresa e da sua atividade. A legislação estabelece os períodos de apresentações das demonstrações financeiras – denominados exercício social ou período contábil –, normalmente de 12 meses, contudo não há necessidade de que o exercício social coincida com o ano civil, porém, para fins fiscais, o imposto de renda sugere o encerramento em 31 de dezembro. Para atender as necessidades administrativas e facilitar a gestão das empresas, a contabilidade deve apresentar relatórios em períodos mais curtos, todavia, em termos legais o período contábil é de 12 meses. Saiba mais Para mais detalhes sobre a constituição de sociedades anônimas, leia o primeiro capítulo, “Características e natureza da companhia ou sociedade anônima”, da seguinte lei: BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações. Brasília: 1976. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2019. 2 BALANÇO PATRIMONIAL O balanço patrimonial é considerado o mais importante relatório gerado pela contabilidade e tem por finalidade apresentar a posição contábil, financeira e econômica de uma organização em determinado exercício, representando uma posição estática (posição ou situação do patrimônio em determinada data). É um documento que apresenta as informações de forma geral, dividido em duas colunas, em que a coluna esquerda apresenta os ativos (bens e direitos) da empresa e a direita, seus passivos (obrigações) e o patrimônio líquido. Denominar as colunas da esquerda como ativo e da direita como passivo é apenas uma convenção pois em determinados países isso ocorre exatamente ao contrário. O balanço patrimonial é obrigatório para todas empresase sociedades, com duas exceções previstas em lei – os empresários rurais e as microempresas. Para se compreender um balanço patrimonial, é necessário saber que, ao lançamento de um ou mais créditos, devem corresponder um ou mais débitos de mesmo valor e, assim, manter o equilíbrio das contas da empresa. 15 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS 2.1 Ativo O ativo é o conjunto de bens e direitos controlados pela empresa, significando itens positivos de patrimônio, isto é, que proporcionam ganhos imediatos ou futuros para a empresa, de forma concreta. São considerados como exemplos de bens de uma empresa seus equipamentos, imóveis, veículos, estoques de matéria-prima ou de mercadoria para venda e dinheiro em caixa. Alguns exemplos de direitos são títulos a receber e depósitos bancários. Ativo, portanto, é todo o bem e direito de propriedade de uma empresa, expresso em moeda corrente e que representa benefícios presentes ou futuros para a organização. Assim, de forma geral, os ativos como matérias-primas e equipamentos são registrados pelo valor de aquisição, ou seja, pelo custo histórico ou valor original de compra. Vale a pena colocar que são considerados ativos de uma organização os bens intangíveis – aqueles que se constituem na propriedade das empresas que possuem valor econômico, contudo são desprovidos de corpo físico, como, por exemplo, licenças, patentes, marcas etc. 2.2 Passivo O passivo de uma organização também é denominado passivo exigível e são todas as suas obrigações exigíveis – as dívidas que são cobradas e reclamadas a partir da data de seu vencimento. O passivo monetário representa bens numerários que ainda serão repassados aos seus verdadeiros proprietários em um momento futuro, estando na entidade como um investimento para gerar novos recursos financeiros para o devedor. O passivo não monetário representa obrigações de lançamentos futuros no resultado do período daqueles ganhos já efetivados, porém não pertencentes ao atual exercício. Na contabilidade brasileira, por força da legislação, o passivo pode ser classificado como passivo propriamente dito (passivo exigível), circulante e não circulante, e patrimônio líquido (passivo não exigível). Para fins de análise contábil, as contas contábeis que compõem o passivo exigível de curto e longo prazo podem ser, inicialmente, separadas em obrigações em moeda nacional ou obrigações em moeda estrangeira. A partir disso, é possível dividir as principais obrigações, como, por exemplo: salários, remunerações, impostos a recolher, empréstimos a pagar, financiamentos a pagar, fornecedores e prestadores de serviços a pagar, adiantamentos a clientes, entre outros. 2.3 Patrimônio líquido no balanço patrimonial O patrimônio líquido é um dos conceitos mais relevantes do balanço patrimonial de uma empresa. Faz referência às contas que apontam o valor contábil de uma organização e, para isso, leva em consideração o capital social, lucros acumulados, fluxo de caixa, entre outros. Toda empresa carece de uma quantia de recursos financeiros no início de suas atividades, a fim de realizar suas primeiras aquisições. O capital social é, assim, esse valor inicial investido pelos sócios 16 Unidade I ou acionistas de um empreendimento para início e manutenção da empresa, que deve considerar um montante suficiente para o período até que a empresa proporcione lucro. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) define como capital social: Quando um grupo de empreendedores une-se para montar um negócio, serão os recursos próprios iniciais que irão manter a empresa “viva” enquanto sua carteira de clientes não é sólida o suficiente para sustentar o negócio por si só – correspondendo ao patrimônio líquido da empresa. Esse capital é modificado cada vez que um sócio retira algum dinheiro da companhia (redução de capital) ou aumenta o capital investido (SEBRAE, 2019). As regras que apontam os valores exigidos de capital social variam conforme a atividade e a natureza jurídica da empresa, e sua integralização por parte dos sócios pode ser imediata ou ocorrer após um período de atividade. Analisando tecnicamente essa quantia inicial concedida pelos sócios, é correto afirmar que a empresa deve aos proprietários, que, legalmente, não podem exigir esses recursos de volta enquanto a empresa estiver em funcionamento. Por isso o patrimônio líquido é conhecido como obrigação não exigível, isto é, que não se pode reclamar ou cobrar. Se algum sócio tomar a decisão de se retirar da empresa, deve transferir suas cotas vendendo aos sócios ou a outras pessoas, sem envolver essa operação como uma obrigação da empresa. Além do capital social, o patrimônio líquido também é composto por lucros e prejuízos acumulados em exercícios prévios. É importante saber que os lucros acumulados só podem existir em empresas Ltda. Nas sociedades anônimas, deve ocorrer a distribuição de lucros a cada exercício, sendo o lucros acumulados numa conta transitória, usada para a transferência do lucro apurado do exercício. De acordo com a Lei n. 11.638/07, torna-se obrigatória a destinação do total dos lucros nas sociedades anônimas. 2.4 Principais grupos de contas Com o objetivo de facilitar a interpretação e a compreensão do balanço patrimonial, as contas de mesmas características foram agrupadas. A legislação brasileira estabelece dois grupos de contas para o ativo e praticamente três grupos para o passivo. Para melhor compreensão desses grupos, faz-se necessário conhecer conceitos importantes: • Curto prazo: são todos os bens e direitos realizáveis em moeda, ou passíveis de conversão, ou as obrigações com vencimento até o término do exercício social (ano) seguinte. • Longo prazo: são todos os bens e direitos realizáveis em moeda corrente passíveis de conversão, bem como as obrigações com vencimento após o término do exercício social (ano) seguinte. 17 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Grau de liquidez: maior ou menor prazo em que os bens e os direitos podem ser transformados em dinheiro. Como exemplo comparativo, podemos citar que o caixa da empresa tem a maior liquidez, por já ser dinheiro, contudo a conta veículos é de menor liquidez que a conta caixa, pois necessita de mais tempo para ter seu valor transformado em dinheiro, pois para isso é necessário que o veículo seja vendido. • Nível de exigibilidade: maior ou menor prazo para que as obrigações sejam pagas. As contas que devem ser pagas em prazo menor (curto prazo) têm um maior nível de exigibilidade do que as contas que serão liquidadas em um prazo maior (longo prazo). • Realizável: representa tudo o que se pode mudar, converter, transformar em dinheiro disponível, sendo uma expressão usada no ativo. Por exemplo, uma duplicata de um cliente é um direito realizável, pois, em um determinado momento, ela será convertida em dinheiro. Como já colocado, as contas do ativo se encontram na coluna à esquerda do balanço patrimonial e são classificadas em ordem decrescente quanto ao grau de liquidez dos elementos patrimoniais que representam, ou seja, os itens de maior liquidez aparecem no início da apresentação do ativo, em contrapartida aos itens de menor liquidez, que aparecem no final. As contas que dizem respeito ao passivo se encontram na coluna à direita do balanço patrimonial e são classificadas segundo uma ordem decrescente quanto a sua exigibilidade, ou seja, são classificadas de acordo com o seu vencimento. Dessa maneira, as contas que serão liquidadas a curto prazo aparecem no topo da coluna do passivo, e as que serão pagas em longo prazo aparecem no final; já o patrimônio líquido (que faz parte do passivo) também está localizado à direita do balanço patrimonial. O quadro a seguir representa esquematicamente as principais contas de um balanço patrimonial. Quadro 1 – Esquema do Balanço Patrimonial Balanço patrimonial Ativo Passivo Circulante Circulante Não circulante Não circulante Patrimônio líquido Total ativo Totalpassivo 18 Unidade I 2.4.1 Ativo circulante No grupo denominado ativo circulante, é registrado o dinheiro em caixa e tudo o que pode ser transformado em dinheiro em curto prazo. São contas que estão em constante circulação e movimentação. Fazem parte do ativo circulante as contas: • Caixa: é constituído pelo dinheiro existente (em espécie) na empresa, sendo o item de maior liquidez (rapidez com que pode ser convertido em dinheiro). Quando for necessário usar esse dinheiro, está à disposição na própria empresa. • Banco conta movimento: são registrados nessas contas os recursos depositados em contas correntes bancárias de livre movimentação. As contas de livre movimentação são aquelas cujo saldo pode ser sacado imediatamente pelo cliente, no todo ou em parte. São as contas que a empresa usa para fins de compras, vendas, empréstimos etc. • Aplicações financeiras a curto prazo: são os investimentos efetuados pela empresa em títulos de liquidação imediata, ou seja, prontamente conversíveis em dinheiro. São investimentos por um curto período, pois, assim que a empresa necessitar do dinheiro, ela pode se desfazer da aplicação e usá-lo. • Duplicatas a receber: são os valores a receber decorrentes das vendas efetuadas ou serviços prestados pela empresa. Essa conta é usada quando o cliente compra e leva o produto ainda sem ter pago o valor total que deve (compra a crédito com cartão ou com cheque pré-datado, compra parcelada a curto prazo). • Títulos a receber: são representados, majoritariamente, por notas promissórias. Esses títulos podem ser originários de duplicatas não pagas no vencimento, cujos valores renegociados passam a ser representados por notas promissórias ou por outro título equivalente com prazo de vencimento dilatado, conforme acordo entre as partes. São, também, valores de empréstimos a receber de terceiros e de vendas não ligadas às operações normais da empresa, tais como vendas de imóveis, ações de outras empresas, debêntures, entre outros. • Outras contas a receber: são valores ainda não recebidos, decorrentes de condições diversas no curto prazo. Fazem parte desse grupo: — Juros a receber: são os juros a receber de terceiros, originários de empréstimos e outras operações nas quais os juros não sejam agregados aos próprios títulos. — Adiantamento a fornecedores: os adiantamentos efetuados a fornecedores de matéria-prima ou produtos para revenda são registrados nessa conta. — Estoques: essa conta registra o valor dos estoques na data do fechamento do balanço. Fazem parte dessa conta os valores referentes aos estoques de produtos acabados, estoques de produtos em elaboração (semiacabados) e os estoques de matéria-prima. 19 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS — Outros créditos: são as contas a receber que não se enquadram nos grupos anteriores, sendo contas de curto prazo, assim como as demais do ativo circulante. Impostos pagos no ato da compra de mercadorias, incidentes sobre compras realizadas podem ser recuperados quando ocorrer a venda dessas mercadorias, o valor do imposto pago na compra pode ser reduzido dos impostos a recolher na venda. — Aluguéis ativos a receber: referem-se aos valores de aluguel que a empresa tem a receber, caso alugue um imóvel a um terceiro; em data estipulada no final de um determinado período, o cliente deverá pagar para a empresa o valor de aluguel do referido imóvel. Lembrete Todos os valores a receber pela empresa, classificados como curto prazo, referem-se àqueles cuja liquidação da operação deve ocorrer dentro do mesmo exercício a que se refere o balanço patrimonial. Caso a liquidação ocorra em um prazo posterior ao exercício referido no balanço patrimonial, será classificado como longo prazo. 2.4.2 Ativo não circulante São os direitos que serão realizados, isto é, transformados em dinheiro, após o final dos exercícios seguintes, por isso, esses direitos são compostos por títulos realizáveis a longo prazo, assim como os bens de uso da empresa, como veículos, máquinas, ferramentas etc., e de renda da empresa, como imóveis para vendas, participações em outras empresas etc. No ativo não circulante, são incluídos todos os bens de natureza duradoura destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. Eles são divididos em quatro grupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Realizável a longo prazo São classificadas nesse grupo as contas de bens e direitos da empresa, cujas realizações se dão a longo prazo, ou seja, após o término do exercício seguinte. Também estão inseridas nesse grupo as contas de direitos sem prazo de vencimento, ou seja, quando não se determina o prazo de vencimento do direito. Em contabilidade, entende-se isso como de longo prazo. São contas de natureza devedora, assim como as do ativo circulante. Por exemplo, em vendas de mercadorias a serem pagas em 32 parcelas, uma parte dessas parcelas será paga no longo prazo, sendo, assim, classificadas na conta realizável a longo prazo. Segundo o inciso II do art. 179 da Lei n. 6.404/76, as contas no ativo realizável a longo prazo são classificadas do seguinte modo: 20 Unidade I Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia (BRASIL, 1976b). Algumas contas que fazem parte desse grupo: • aplicações financeiras de longo prazo; • depósitos bancários a longo prazo (transferências disponíveis a longo prazo); • duplicatas a receber a longo prazo. Investimentos Nos investimentos constam as participações e aplicações financeiras de caráter permanente, que visam gerar rendimentos para a empresa, de forma que esses bens e direitos não sejam destinados à manutenção das atividades normais da companhia. Segundo o inciso III do art. 179 da Lei n. 6.404/76, as contas do grupo investimentos devem ser classificadas da seguinte maneira: “as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa” (BRASIL, 1976b). Dessa forma, podemos citar algumas contas que podem fazer parte desse grupo de ativos da empresa: • Obras de arte: as obras de arte existentes na empresa são um tipo de investimento, sendo elas desvinculadas da atividade principal da empresa. Para que uma obra de arte seja classificada como investimento, a empresa não deve ter a intenção de vendê-la. Por exemplo, caso uma empresa que produz aeronaves compre uma obra de arte, será considerado um investimento, pois ela não faz parte de nada relativo à atividade da empresa. A empresa também pode adquirir, a título de investimentos, outros produtos como, por exemplo, antiguidades (quadros, cerâmicas, louças, estatuetas, antiguidades em ouro e outros metais preciosos). Todos esses investimentos poderão, em um futuro ainda não previsto, gerar renda caso a empresa opte por colocá-los à venda. Caso venha a ter intenção de vender algum bem ou direito não relacionado à sua atividade e saiba quando pretende colocá-lo a venda (a curto ou longo prazo), deve classificar o referido bem como ativo circulante (se for em curto prazo) ou como realizável a longo prazo (se for em longo prazo), não sendo mais classificado no grupo investimentos. • Investimento em ouro: essa é uma forma de investimento (aplicação) que tem por objetivo gerar lucro para a empresa, conforme a variação do seu preço no mercado. 21 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Propriedades para investimento: também denominadas bens de renda, são usadas como forma de gerar renda de origem diferente para a empresa, sendo propriedades que não são utilizadas para o desenvolvimento de atividadesda própria companhia. São exemplos desse investimento: imóveis alugados a terceiros, terrenos alugados e edificações alugadas. • Terrenos e imóveis para futura utilização: são bens que a empresa possui, embora não utilize e nem defina como geradores de renda. No futuro, essas propriedades poderão servir para expansão da empresa ou para abrigar parte das suas atividades. Como um típico exemplo desse tipo de investimento, podemos citar terrenos destinados para futura expansão. Quando for decidido que serão usados para esse devido fim, deverão ser classificados no ativo imobilizado, pois serão de uso para as atividades da empresa. • Participações societárias: são participações (investimentos) em outras sociedades (coligadas e controladas), que não são destinadas à venda. A empresa não deve, em seu planejamento, se desfazer desses investimentos em um horizonte previsível, ou seja, são participações em outras empresas obtidas com o objetivo de mantê-las em caráter permanente para se ter o controle societário ou por interesses estratégicos ou econômicos. Caso a empresa adquira a participação até que ocorra sua valorização para vendê-la, ela deve ser registrada na conta realizável a longo prazo. • Investimentos em coligadas: uma sociedade deve ser considerada coligada quando a empresa investidora possuir influência significativa em sua administração, mas não a controlar. A lei não estabelece um percentual mínimo, entretanto ela prevê que toda participação acima de 20% é significativa o suficiente para ser considerada uma coligada. Percentuais menores de participação podem levar uma sociedade a ser considerada coligada, bastando que a empresa detenha ou exerça o poder de participação nas decisões das políticas financeiras ou operacionais da investida, sem controlá-la. • Investimentos em controladas: quando a empresa investidora controla uma companhia na qual ela participa, esta é chamada de controlada. É uma sociedade controladora aquela que, direta ou indiretamente, for titular dos direitos acionários que assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais, bem como o poder de eleger a maioria dos administradores (conselho de administração e diretores), tomando as principais decisões na vida da empresa (esse poder fica assegurado quando a empresa investidora possui mais de 50% do capital votante da investida. Se todas as ações de uma empresa pertencerem à outra, ela não é apenas controlada. Ela passa a ser uma subsidiária integral (empresa cujo capital pertence unicamente a uma outra empresa). • Participações em outras empresas: ocorre quando a empresa possui ações ou cotas em outras empresas que não sejam coligadas e controladas. Dessa forma, quando a empresa compra essas ações, ela passa a fazer parte do quadro de acionistas da empresa em questão. Ou seja, possuir ações de uma empresa é o mesmo que possuir um pedaço dela. Em tese, a empresa é proprietária de uma fração de cada prédio, automóvel e qualquer outro bem da empresa coligada ou controlada. E quanto mais ações possuir, maior será essa parcela de participação. 22 Unidade I Imobilizado No imobilizado, estão discriminados os bens e direitos de natureza permanente, que serão utilizados para a manutenção das atividades normais da empresa, ou seja, em sua estrutura de funcionamento. Nesse caso, a empresa não tem a pretensão de vender os seus bens e direitos, não havendo intenção de transformá-los em dinheiro. Caracterizam-se por se apresentarem na forma tangível, ou seja, são bens classificados como corpóreos. Cabe colocar que bens corpóreos, tangíveis ou materiais são os aqueles que se constituem fisicamente, bens concretos. Segundo o inciso IV do art. 179 da Lei n. 6.404/76 (redação dada pela Lei n. 11.638/07), as contas do ativo imobilizado serão classificadas da seguinte forma: Os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens (BRASIL, 1976b). São contas do grupo imobilizado: • Imóveis: imóveis que fazem parte da empresa e que podem ser utilizados para suas atividades. Encaixam-se nessa categoria os terrenos em uso da empresa e edificações de forma geral como, por exemplo, casas, salas comerciais, prédios, viadutos e indústrias que sejam necessariamente utilizados nas atividades da empresa. Figura 1 – Exemplo de imóvel (prédio industrial) • Máquinas e equipamentos: são as máquinas e equipamentos que a empresa utiliza para desenvolver sua atividade fim, como indicado na figura a seguir. Podemos citar como exemplo uma confeitaria, em que o confeiteiro necessita de máquinas adequadas para a produção de doces em grande escala e para o desenvolvimento do processo de produção, para atender à demanda. 23 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS Figura 2 – Exemplo de equipamento industrial • Móveis e utensílios: são os mobiliários utilizados na empresa, como, por exemplo, as mesas e cadeiras do setor de administração ou os utensílios utilizados em uma empresa de restaurante, como garfos, facas, pratos colheres etc. Figura 3 – Móveis da administração • Veículos: são os carros, motos, caminhonetes, caminhões e outros veículos usados para a operação normal da empresa, seja para entrega de produtos, deslocamento dos funcionários e para qualquer outra atividade relativa à organização. Figura 4 – Exemplo de veículos a serviço da empresa 24 Unidade I • Ferramentas: é qualquer instrumento utilizado na realização de trabalhos operacionais. São usadas para facilitar e agilizar a realização de uma tarefa mecânica, que requer o uso de força. Como exemplo podemos citar a chave de fenda, o alicate, o martelo etc. Figura 5 – Exemplo de ferramenta elétrica • Minas e jazidas: exploração de minas e jazidas de minérios e pedras preciosas, por exemplo, de uma empresa que trabalha com esse fim específico. Figura 6 – Jazida de carvão mineral Intangível Intangíveis são as propriedades imateriais de uma empresa, que não existem fisicamente e que, apesar de representarem valor econômico, não podem ser tocadas, já que são incorpóreas. Esses bens carecem de substância física, tendo o valor patrimonial nos direitos de propriedade imaterial que são conferidos a seus possuidores. 25 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS Segundo o inciso VI do art. 179 da Lei n. 6.404/76 (incluído pela Lei n. 11.638/07), as contas no intangível são classificadas da seguinte forma: “os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido” (BRASIL, 1976b). Através do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), foi aprovado o Pronunciamento Técnico, que trata de ativos intangíveis. Essa norma diz que as entidades devem seguir as novas definições para o novo tratamento contábil dos ativos intangíveis, os critérios para seu o reconhecimento e mensuração, bem como analisar e efetuar as divulgações específicas referentes a esses ativos. Em outras palavras, a empresa deve reconhecer um ativo intangível somente se determinados critérios forem atendidos, além de especificar como devem ser avaliados e quais são as divulgações necessárias para esse novo subgrupo do ativo. O intangível passou a existir e fazer parte do balanço patrimonial com a chegada da Lei n. 11.638/07. São compreendidas também, nesse grupo, as despesas incorridas durante o período de desenvolvimento, construção e implantação de projetos anteriores ao início das operações sociais, denominado fase pré-operacional. Estão englobadas aqui também as despesas incorridas com pesquisas e desenvolvimento de novos produtos, métodos e fórmulas de fabricação, modernização e reorganização da empresa. Ou seja, o intangível se compõe de verdadeiras despesas, que aguardam o tempo próprio para serem computadas no resultado. Essesativos não são exibidos nas demonstrações financeiras da companhia, contudo se tornam benefícios quando associados a alguma atividade ou ação da empresa. Como exemplo, a capacidade de uma marca em alavancar vendas de um novo produto demonstra o uso de um ativo intangível na geração de benefícios. São exemplos de bens intangíveis: • Softwares: sistemas aplicativos. • Fundo de comércio adquirido: conjunto de bens incorpóreos que facilita o exercício da atividade mercantil – de forma simplista, pode ser considerado como ter um bom nome no mercado. • Marcas: é o nome que a empresa utiliza nos seus produtos e serviços, que são conhecidos e reconhecidos pelos seus fornecedores e clientes. Por exemplo: Nike, Coca-Cola, Nestlé etc. • Patentes: são de propriedades incorpóreas e de uso exclusivo, ou seja, pretendem prevenir que os concorrentes copiem ou vendam a um produto ou marca desenvolvido por uma empresa. • Direitos de exploração de serviços públicos: ocorrem mediante concessão ou permissão governamental. • Direitos autorais: são os direitos que todo criador de uma obra intelectual tem sobre a sua criação. Esse direito é exclusivo do autor, de acordo com o art. 5º da Constituição Federal. 26 Unidade I • Licenças: é o direito que uma empresa tem sobre o fato de uma informação poder ser distribuída, conforme as leis que a regem. No intangível são lançadas todas as aplicações em conhecimento técnico – os investimentos na formação dos participantes da empresa, bolsas de estudos, treinamentos, entre outros. Também são lançados os valores referentes ao goodwill (fundo de comércio), adquirido de terceiros. É chamada de goodwill a capacidade que o empreendimento tem de gerar lucros. É o conjunto de características, qualidades e diferenciais de uma empresa, expressos através de sua capacidade de produzir riquezas. São exemplos de características que compõem o goodwill: marcas registradas, conhecimento organizacional, credibilidade de mercado etc. Uma das principais características do goodwill é a de que ele não está refletido no balanço patrimonial, não sendo depreciável ou amortizável. Por causa disso, quanto maior a identificação dos ativos intangíveis como marcas e patentes na contabilidade, menor será o valor do goodwill no momento de sua avaliação, e vice-versa. 2.4.3 Passivo circulante O passivo faz parte das contas patrimoniais e compreende as obrigações da organização, entidade ou empresa para com terceiros, em moeda corrente. É considerado a parte negativa do patrimônio e identifica a origem dos recursos aplicados. As contas trazem os recursos utilizados de terceiros e são classificadas conforme a ordem decrescente de sua exigibilidade, ou seja, de acordo com o seu vencimento, por meio de curto e longo prazo. Assim, o passivo se classifica de acordo com o prazo de realização das obrigações. As contas do passivo podem ser debitadas ou creditadas, mas o seu saldo será sempre credor, com exceção de suas contas redutoras. Essas contas não se encerram com a apuração do resultado do exercício. Ele compreende, então, as origens de recursos, através das obrigações para com terceiros, resultantes de eventos que exigem parte dos ativos para a sua liquidação. Dessa forma, simplificadamente, o passivo evidencia toda a obrigação (dívida) que a empresa tem com terceiros, por exemplo: contas a pagar, fornecedores de matéria-prima a prazo, impostos a pagar, financiamentos, empréstimos etc. Ele é uma obrigação exigível, uma vez que, no momento em que a dívida vencer, será exigida (reclamada) sua liquidação. Por isso mesmo, é mais adequado chamá-lo passivo exigível. Nesse grupo, são listadas as obrigações da empresa, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, quando vencerem no exercício seguinte. No caso do ciclo operacional da empresa ter duração superior ao do exercício social, a concepção terá por base o prazo desse ciclo. 27 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Pagamentos a fornecedores: classificam-se assim o pagamento de duplicatas de fornecedores de matéria-prima e outras compras, pagamentos de energia elétrica, pagamento de compras de materiais de consumo, entre outras contas. • Salários a pagar: é a remuneração paga à mão de obra direta e indireta que atua na empresa pela Consolidação das Leis do Trabalho. • Obrigações trabalhistas: são obrigações trabalhistas os valores recolhidos, que são proporcionais aos salários pagos e regidos pela legislação trabalhista. Como exemplos, podemos citar o INSS a recolher, FGTS a recolher, entre outros. • Comissões a pagar: certas empresas pagam regularmente comissões de venda ou de produtividade a funcionários de determinados setores ao atingir determinadas metas de produção ou de venda. • Empréstimos e financiamentos: são os pagamentos parciais ou totais, dentro de curto prazo, de empréstimos tomados anteriormente, de instituições financeiras. • Obrigações tributárias: é a imposição de pagar o tributo que surge a partir do vínculo que se estabelece entre o particular e o Estado, quando há a ocorrência de um fato gerador. O fato gerador é a venda de um produto ou serviço que pode gerar o recolhimento de ICMS, IPI, PIS, CIFINS, ISS, IRPJ entre outros. • Provisões e encargos de provisões: são provisões parciais ou totais para desembolsos referentes a 13º salários, férias, outras obrigações e os encargos referentes a essas provisões. • Outras obrigações: fazem parte obrigações como aluguéis a pagar, juros a pagar, lucros a distribuir, adiantamentos de clientes e ativos antecipados. Observação Quaisquer ativos antecipados, como adiantamentos de clientes, apesar da denominação ativos, por serem uma receita antecipada, são contabilizadas como passivos exigíveis. 2.4.4 Passivo não circulante São listadas como passivo não circulante as obrigações da organização, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, quando vencerem após o exercício seguinte. • Pagamentos de fornecedores a longo prazo: são as obrigações exigíveis de fornecedores, que deverão ser pagas após o exercício social seguinte ao do levantamento do balanço. Por muitas oportunidades, os fornecedores podem ser pagos em diversas parcelas, com algumas delas 28 Unidade I podendo ser liquidadas após o término do exercício. Nesse caso, os valores a serem pagos após o término do exercício devem ser lançados nessa conta do balanço patrimonial. • Empréstimos e financiamentos a longo prazo: são as obrigações exigíveis que deverão ser pagas após o exercício social seguinte ao do levantamento do balanço patrimonial. 2.4.5 Patrimônio líquido O patrimônio líquido é um dos conceitos mais relevantes expostos no balanço patrimonial de uma empresa. Embora seja um grupo de contas não considerado exigível, está vinculado ao passivo, por se tratar de uma dívida da empresa para com os seus sócios e por fazer referência às contas que apontam o valor contábil de uma entidade. Para isso, leva em consideração o capital social, lucros acumulados, fluxo de caixa, entre outros. O grupo de contas que constitui o patrimônio líquido pode ser considerado o valor contábil pertencente aos acionistas ou cotistas da empresa. Capital social Capital social é o valor aplicado, inicialmente, por titular, sócios ou acionistas de um empreendimento, a fim de iniciar a empresa e operar sua manutenção – considera o montante necessário para manter o funcionamento da empresa até que ela apresente lucro. O Sebrae define o capital social como quando um grupo de empreendedores se associam para dar início a uma empresa; serão os recursos próprios iniciais que irão mantê-la funcionando enquanto sua carteira de clientes não é sólida o suficiente para se sustentar. Assim, essa designação se refere ao investimento inicial levantado pelos proprietários, correspondendo ao patrimônio líquido da empresa. Esse capital é modificado cada vez que um sócio faz um desinvestimento na empresa (redução decapital) ou aumento do capital investido. As regras quanto aos valores de capital social exigidos mudam conforme a atividade e a natureza jurídica da empresa. Assim, um indivíduo que pretende abrir uma empresa individual de responsabilidade limitada precisa, de maneira obrigatória, integralizar um capital social relativo a 100 vezes o valor do salário mínimo vigente. Nas modalidades que não exigem a integralização imediata do capital social, ele é considerado subscrito, ou seja, uma promessa feita pelos empresários no momento da abertura. A integralização é o que torna o capital social parte do patrimônio líquido da empresa, seja através de bens móveis e imóveis ou recursos financeiros. • Reservas de capital: constituem parte do patrimônio líquido, são concebidas com valores não referentes ao resultado recebidos pela empresa, por não estarem atreladas à produção ou entrega de serviços ou bens do negócio. 29 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS • Ajustes de avaliação patrimonial: são consequências da avaliação dos bens, de acordo com o cálculo de seu valor real. O termo valor real indica o montante pelo qual um ativo pode ser transformado em dinheiro, em negociação entre duas partes independentes entre si. Também serve para ajuste de liquidação de passivo. • Reservas de lucros: devem constar como parte do patrimônio líquido de uma empresa. Essas reservas são contas constituídas a partir de lucros da empresa, para atender a diferentes finalidades pré-definidas, devido à legislação ou proposta de órgãos da administração do negócio. • Lucros ou prejuízos acumulados: os lucros ou prejuízos acumulados são a soma dos resultados positivos ou negativos nas demonstrações de resultados dos exercícios de uma empresa, desde a sua constituição. Esses resultados podem ser incorporados futuramente. Conforme a Lei n. 11.638/07, para as sociedades por ações, o saldo final dessa conta não poderá mais ser credor. Observação Fatos administrativos modificativos são aqueles que provocam alteração no patrimônio líquido e são, geralmente, provenientes do lucro ou do prejuízo. Portanto, na maioria das vezes, os fatos modificativos envolvem contas patrimoniais. 2.4.6 Contas redutoras de ativo Também chamadas de retificadoras, as contas redutoras são aquelas que, embora apareçam em um determinado grupo patrimonial (ativo ou passivo), têm saldo contrário em relação às demais contas desse grupo. Assim, podemos interpretar que uma conta redutora do ativo terá natureza credora, bem como uma conta redutora do passivo terá natureza devedora. As contas retificadoras reduzem o saldo total do grupo em que aparecem. Pode ser citada como a conta retificadora mais comum do grupo ativo a depreciação acumulada, que é a diminuição do valor de um bem, resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal, isto é, o motivo de perda de valor com o passar do tempo, por ter surgido um produto mais evoluído (desvalorização). O registro da perda do valor dos ativos da empresa se dá pela depreciação, seja por desgaste ou obsolescência. A depreciação ocorre apenas nos bens materiais classificados no ativo imobilizado e nos bens de renda classificados como investimentos do ativo não circulante, como nos imóveis alugados. Ela pode ser calculada mensalmente ou no final do ano, por ocasião da apuração do resultado do exercício (ARE). A obsolescência ocorre em função do lançamento de novos equipamentos no mercado, tornando, assim, 30 Unidade I um bem antiquado ou ultrapassado, que se torna ineficiente e, para a legislação tributária, existem métodos, prazos e critérios para o cálculo do seu valor. Taxa de depreciação é o percentual de depreciação fixado em função do tempo de vida útil do bem. A tabela a seguir indica alguns valores de taxa de depreciação. Tabela 1 – Taxa de depreciação de imobilizados Conta Taxa (ao ano) Vida útil Veículos 20% a.a. 5 anos Imóveis (prédios) 4% a.a. 25 anos Móveis e utensílios 10% a.a. 10 anos Computadores e periféricos 20% a.a. 5 anos Máquinas e equipamentos 10% a.a. 10 anos Terreno Não deprecia ----------- 2.4.7 Teste de recuperabilidade Esse teste tem por objetivo apresentar de forma prudente o valor real líquido de realização de um ativo. Essa realização pode ser de forma direta ou indireta, respectivamente, por meio de venda ou de utilização nas atividades. A essência do teste de recuperabilidade é evitar que um ativo esteja registrado por um valor maior que o valor recuperável. O teste busca verificar se o ativo não está desvalorizado em relação ao valor real – estando desvalorizado quando o valor contábil registrado for maior que o valor recuperável, por venda ou por uso. Todas as empresas devem realizar o teste, obrigatório desde 31 de dezembro de 2008. O resultado do teste só deve ser contabilizado se o valor recuperável do resultado estiver inferior ao valor que for apontado. Caso seja superior ao que estiver contabilizado, deve ser mantida a quantia registrada. A proposta é que a entidade deva avaliar e realizar o teste, no mínimo, ao final de cada exercício social, verificando se há algum ativo que possa ter sofrido desvalorização. Assim, se ocorrer essa redução de valor, a empresa deve estimar o valor recuperável desse ativo por meio do teste de recuperabilidade. O teste pode ser feito a qualquer momento dentro do período de um ano, porém deve ser executado todo ano, dentro do mesmo período. Os ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável testado em períodos diferentes, mas, se os ativos intangíveis estiverem inicialmente reconhecidos pelo ano corrente, deverão ter sua redução ao valor recuperável executada pelo teste antes de seu término. Os principais indícios de que o teste deverá ser realizado são a reestruturação e a venda total e parcial de um ativo ou também a obsolescência do bem. 31 CONTABILIDADE E CUSTOS INDUSTRIAIS 2.5 Elaboração do balanço patrimonial A palavra-chave para se elaborar um balanço patrimonial é equilíbrio. Certamente, essa é uma das mais importantes demonstrações contábeis de uma empresa e deve ser elaborada sempre ao fim do exercício social. Apesar da obrigação legal desse tipo de demonstração, a elaboração do balanço patrimonial não tem como função apenas a apresentação das contas da empresa ao fisco, antes disso, fornece informações valiosas sobre a situação econômica aos grupos interessados no planejamento e estratégia da própria empresa. Para elaborar esse documento, a contabilidade deve, primeiramente, ter em mãos os valores referentes ao ativo e ao passivo da empresa, que podem ser obtidos a partir de levantamentos de informações e inventários, além de balanços de exercícios anteriores, que podem servir como ponto de partida para elaboração do documento. Após a obtenção das informações, elas devem ser separadas em contas referentes às colunas de ativo e passivo – é importante lembrar que os seus valores totais devem resultar em igualdade. Como exemplo de estruturação de um balanço patrimonial, suponha que a contabilidade de uma indústria metalúrgica fictícia (Metais e Companhia Ltda.) tenha apresentado os seguintes saldos em 31 de dezembro de um determinado ano: • capital social: R$ 200.000,00; • lucro acumulados: R$ 46.000,00; • empréstimo a pagar dentro de 12 meses: R$ 175.000,00; • salários a pagar: R$ 82.000,00; • fornecedores a pagar (curto prazo): R$ 95.000,00; • contas a pagar (curto prazo): R$ 27.000,00; • investimentos em papéis de outra empresa: R$ 20.000,00; • máquinas e equipamentos: R$ 160.000,00; • imóveis (em uso nas atividades da empresa): R$ 300.000,00; • gastos pré-operacionais: R$ 60.000,00; • móveis e utensílios: R$ 30.000,00; • caixa: R$ 20.000,00; 32 Unidade I • saldo bancário: R$ 50.000,00; • veículos: R$ 80.000,00; • duplicatas a receber: R$ 105.000,00; • impostos a recolher: R$ 26.000,00; • estoques: R$ 26.000,00; • empréstimos a pagar a longo prazo: R$ 200.000,00. Com base nessas informações,