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Direitos Reais Professora Cristina AULA 1 – 06/08/2026 Direito das coisas: “é o complexo das normas reguladores das relações jurídicas referentes às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem. Tais coisas são, ordinariamente, do mundo físico, porque sobre elas é que é possível exercer o poder de dominio”. Elementos do direito obrigacional (direitos pessoais): Credor – Prestação – Devedor. Relações entre as partes. Elementos do direito das coisas: Pessoa – coisa – relação de poder. Pessoa tem domínio sobre a coisa. Domínio é o poder jurídico, direto e imediato do titular sobre a coisa. Vem de Rés, que significa coisa. Tem oponibilidade contra todos (erga omnes). O polo passivo são os membros da coletividade, não tem obrigação de estar na relação. Ambos estão nos direitos patrimoniais, que se diferem dos direitos não patrimoniais. Princípios dos direitos reais: - Aderência: vinculo entre sujeito ativo e a coisa, podendo ele buscar a coisa com quem quer que esteja. - Absolutismo: erga omnes. - Publicidade: os direitos reais passam a existir através de atos de publicidade. Sobre imóvel, a publicidade ocorre com o registro no cartório de imóveis. Sem registro, trata-se de direito obrigacional. Aos bens móveis, ocorre a tradição. - Taxatividade: estão no artigo 1225 e em leis especiais e artigos esparsos no CC. As partes não podem inventar direitos reais. - Perpetuidade: São considerados perpétuos. Diferentemente, os direitos obrigacionais são transitórios. - Exclusividade: duas pessoas não ocupam o mesmo espaço jurídico/consortes. Em condomínio tem direitos a frações ideais exclusivas. - Desmembramento: pode ser desmembrado. Figuras hibridas: obrigações “propter rem”. Obrigações próprias da coisa. São ambulatórias. Acompanham a coisa. Podem gerar dúvidas se é direito obrigacional ou real. O IPTU é um direito obrigacional que vem depois de um direito real (propriedade). Condomínio também vem depois de um direito real (propriedade). Art. 1.225. São direitos reais: I - a propriedade; II - a superfície; (direito real sobre coisa alheia imóvel. Para plantar ou construir) III - as servidões; (direito real sobre bem alheio. Torres de energia, passagem em um imóvel para acessar outro) IV - o usufruto; (pode ser sobre bem móvel) V - o uso; (é semelhante ao usufruto, mas é mais restrito. Só pode usar para ele mesmo ou para sua família. Pode se beneficiar dos frutos) VI - a habitação; (Não engloba os frutos. Somente a habitação. É um pouco mais restrito) VII - o direito do promitente comprador do imóvel; (promessa de compra e venda. Ele tem alguns direitos reais. Ex.: ao pagar o preço, poderá exigir a outorga da escritura) VIII - o penhor; (garantia real com bem móvel) IX - a hipoteca; (garantia real bem imóvel, mantendo a posse com o devedor) X - a anticrese. (garantia bem imóvel, o bem é transferido ao credor para abatimento da dívida. O devedor passa a posse direta ao credor) XI - a concessão de uso especial para fins de moradia; (imóveis públicos, áreas públicas. Acontece para pessoas de baixa renda) XII - a concessão de direito real de uso; (bens públicos cedidos para fins de uso) XIII - a laje; (a pessoa tem direito à construção acima de um imóvel) XIV - os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. (processo de desapropriação) Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição. Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. AULA 02 – 13/08/2026 DA POSSE Tanto a posse autônoma (existe independentemente de haver um direito real prévio) quanto a posse que depende de um direito real anterior. Ambas são protegidos. Jus possessionis: direito de quem tem a posse autônoma postular em juízo. Ex.: pessoa que entra na posse de um imóvel sem saber de quem é. Jus possidendi: é o direito advindo de um direito real (posse causal, titulada). Ex.: penhor. O jus possessionis persevera até a jus possidendi o extinga. A lei socorre a posse autônoma enquanto do direito do proprietário não desfizer o estado de coisas... Enunciado 492 da V Jorna de Direito Civil: “A posse constitui direito autônomo em relação à propriedade e deve expressar o aproveitamento dos bens para o alcance de interesses existenciais, econômicos e sociais merecedores de tutela.” Savigny: principal teórico da teoria subjetiva da posse. Tem que se aferir a intenção da pessoa que detém o objeto. Conjunção de dois elementos: posse física da coisa e o animus de ter a coisa. Ihering: teoria objetiva da posse. Não tem que aferir a intenção, mas sim os atos exteriorizados de posse. Basta o corpus, a conduta de dono, sem a necessidade de aferir a intenção do agente. O código adota esta teoria. Teorias sociológicas da posse: dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse. Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. (TEORIA OBJETIVA DA POSSE) Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. (TUTELA DA POSSE INDIRETA) Detenção (não há direito de ação de posse para proteger a coisa) Ex.: caseiro, que cuida do sítio em nome do possuidor. Ele não é possuidor. Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário. Atos de mera detenção: Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão (conduta ativa) ou tolerância (conduta passiva) assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. Natureza jurídica da posse: - Ihering: posse é direito, pois os direitos são os interesses juridicamente protegidos. - Bonfante: Posse é fato. Não é o que segue nosso ordenamento jurídico. - Corrente eclética: posse é ao mesmo tempo fato e um direito. A posse é um direito especial, não sendo considerada um direito real, pois não está no rol taxativo do artigo 1.225.