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interculturalidade 
no contexto da 
saúde indígena
UNIDADE 1
Direitos dos povos indígenas 
nacionais e internacionais
Patrícia Rodrigues 
Souza Santos
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
2
UNIDADE 1 - Direitos dos Povos Indígenas 
nacionais e internacionais
Bem-vindos à primeira unidade do nosso curso: Interculturalidade na atenção à saúde 
dos povos indígenas. Esta unidade é dedicada a uma compreensão aprofundada dos 
Direitos dos Povos Indígenas, tanto no panorama nacional quanto internacional. 
Através deste estudo, visamos fornecer um olhar detalhado sobre o quadro legal 
e político que assegura direitos e proteção dessas comunidades em nosso país.
Você já se perguntou qual o impacto da Constituição Federal de 1988 nos direitos 
dos povos indígenas no Brasil? E como políticas específicas, como a Política Nacional 
de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), se alinham a esses direitos 
fundamentais, promovendo uma saúde que respeita as tradições indígenas? Nesta 
unidade, estudaremos essas questões, explorando a intersecção entre direitos 
indígenas, saúde e legislações.
Mas o que realmente significa oferecer uma "atenção diferenciada” aos povos indígenas? 
Como o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) responde às necessidades 
únicas dessas comunidades? Além disso, porque a articulação entre sistema oficial de 
saúde e medicinas indígenas é tão crucial no trabalho em saúde com povos indígenas?
Vamos além dos textos legislativos nacionais e exploraremos como tratados e marcos 
internacionais influenciam a saúde indígena no Brasil. Documentos globais ratificados 
pelo país, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Declaração das 
Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, reforçam o reconhecimento 
e a valorização dos conhecimentos tradicionais indígenas, além de fortalecerem suas 
demandas por direitos. Esses tratados não só legitimam as práticas tradicionais no 
contexto global, como também orientam políticas públicas no Brasil, promovendo 
a integração dos saberes indígenas ao sistema de saúde e assegurando que suas 
especificidades culturais sejam respeitadas na prática.
Prepare-se para uma jornada interativa de aprendizado. Através de vídeos, quizzes 
e atividades reflexivas, desafiaremos nossas preconcepções e aprofundaremos nosso 
entendimento sobre os direitos e a saúde dos povos indígenas. Esta unidade é mais 
do que um estudo; é um convite à reflexão e à ação.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_saude_indigena.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_saude_indigena.pdf
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
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Então, estão prontos para explorar como podemos contribuir para um sistema 
de saúde mais justo e culturalmente equitativo, dialógico e sinérgico? Vamos embarcar 
juntos nesta descoberta. Bem-vindos ao percurso!
Você sabia que a combinação da base legal estabelecida pela 
Constituição Federal de 1988 com as diretrizes da Política Nacional 
de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) transformou 
significativamente a estrutura da saúde indígena no Brasil? 
Essas políticas criaram um marco regulatório que garanta 
a atenção diferenciada e intercultural, respeitando as especifici-
dades culturais, sociais e territoriais dos povos indígenas. Com 
a implementação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas 
(DSEIs), a saúde indígena passou a ser organizada de maneira 
descentralizada, garantindo que as práticas tradicionais de saúde 
pudessem ser integradas aos serviços biomédicos do Sistema Úni-
co de Saúde (SUS), promovendo uma abordagem mais inclusiva 
e respeitosa das culturas indígenas.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
4AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
GLOSSÁRIO
Constituição: conjunto base de leis, normas e regras de um país ou, até mesmo, de 
uma instituição. É a Constituição Federal Brasileira (CF/88) que regula e organiza todas 
as possíveis atuações do Estado perante sua população, interna e externamente.
Demarcação: ação ou efeito de demarcar, de determinar os limites (de um terreno, 
de uma área) por meio de marcos, balizas, estacas: demarcação de terras.
Diversidade cultural: é o conceito que se refere a diferentes tradições, costumes, 
crenças, comportamentos, culinária, política, arte, música, valores de um povo, entre 
outros elementos. É um pilar essencial para a construção de sociedades justas e 
inclusivas promovendo a compreensão entre diferentes grupos étnicos, culturais, 
religiosos e sociais, reduzindo preconceitos e estereótipos. A diversidade cultural 
está presente em todo e qualquer grupo social e é um imperativo ético inseparável 
do respeito pela dignidade da pessoa humana. O Brasil é um país rico em diversidade 
cultural, devido à sua extensão territorial e às influências de diferentes povos, como 
indígenas, europeus e africanos. 
Diversidade: é a presença e a aceitação de uma variedade de características, perspectivas 
e elementos em um contexto. É um conceito relacionado à pluralidade e pode ser definido 
como o conjunto de diferenças e semelhanças que distinguem as pessoas. A diversidade 
pode ser abordada em vários contextos, como: diversidade cultural, sexual, funcional, 
diversidade na rede, neurodiversidade, pluralismo religioso, variação linguística.
Atenção diferenciada: refere-se a um modelo de atendimento à saúde que considera 
e respeita as práticas e concepções de saúde de cada cultura indígena. Envolve a 
integração dos saberes tradicionais e das medicinas indígenas ao sistema de saúde 
convencional, promovendo uma abordagem holística e culturalmente sensível.
PNASPI (Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas): instituída em 
2002, essa política visa a garantir o acesso dos povos indígenas a serviços de saúde que 
respeitem suas especificidades culturais, linguísticas e sociais. Ela promove a atenção 
integral e diferenciada para esses povos, buscando integrar práticas tradicionais de 
saúde com os serviços oferecidos pelo SUS.
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS): parte do Sistema Único de Saúde 
(SUS), o SasiSUS foi criado para atender as necessidades específicas dos povos indígenas. 
Ele funciona com base nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), garantindo 
que a atenção à saúde seja adaptada às particularidades de cada comunidade indígena.
Interculturalidade: é a convivência e o diálogo entre diferentes culturas, de modo 
que haja reconhecimento e respeito mútuo. No contexto da saúde indígena, refere-se 
à integração das práticas tradicionais de saúde indígenas com a biomedicina, promovendo 
um cuidado integral que respeite as especificidades culturais e sociais dos povos indígenas.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
5AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
Competência comunicativa: capacidade de interagir de forma eficaz em contextos 
interculturais, reconhecendo e respeitando as diferenças culturais e linguísticas. Na saúde 
indígena, essa competência é essencial para garantir que os profissionais possam dialogar 
e atender as necessidades dos povos indígenas de maneira adequada e respeitosa.
Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs): estruturas administrativas e 
operacionais do SasiSUS, que organizam e oferecem serviços de saúde especificamente 
para as populações indígenas em suas respectivas regiões. Os DSEIs trabalham com 
equipes multidisciplinares e visam a garantir que as práticas de saúde respeitem 
as tradições e especificidades de cada comunidade.
Medicina tradicional indígena: práticas e conhecimentos de saúde desenvolvidos 
pelas comunidades indígenas ao longo de gerações, que incluem o uso de plantas 
medicinais, rituais de cura, e outras formas de tratamentoque refletem a cosmovisão 
e os valores dessas comunidades.
Medicinas Indígenas: conjunto de sistemas de conhecimentos e tecnologias 
desenvolvido pelos povos indígenas na produção e manutenção de seus modos de 
vida. São sistemas de conhecimentos que se estruturam por meio de abordagens 
baseadas em lógicas preventivas e coletivas de cuidado aos corpos e territórios, 
vistos nas diferentes fases dos ciclos da vida, com ordenamentos, especialistas e 
tecnologias específicas.
Etnocentrismo: tendência de julgar outras culturas a partir dos valores e padrões da 
própria cultura. No contexto da saúde, o etnocentrismo pode impedir a compreensão e o 
respeito pelas práticas de saúde indígenas, limitando a eficácia dos cuidados prestados.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
6AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
AULA 1 - Constituição Federal 1988/PNASPI (2002)
Bem-vindos à primeira aula do curso de Interculturalidade na atenção à saúde dos 
povos indígenas. Vamos começar explorando um marco importante: a Constituição 
Federal de 1988 e como ela se conecta com a Política Nacional de Atenção à Saúde dos 
Povos Indígenas. É importante nesta aula entendermos as bases legais e os objetivos 
específicos que moldam a saúde indígena no Brasil. Mas, antes de começarmos, você 
sabe por que este documento é tão relevante para os povos indígenas?
1.1 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E A SAÚDE INDÍGENA NO BRASIL: 
UM NOVO MARCO DE DIREITOS E ASSISTÊNCIA
A Constituição de 1988, também conhecida como "Constituição Cidadã", representa 
um ponto de virada na história dos direitos indígenas no Brasil. Pela primeira vez, 
os direitos dos povos indígenas foram amplamente reconhecidos, estabelecendo 
um novo padrão de reconhecimento e proteção. Essa Constituição reconheceu os 
direitos originários e consuetudinários dos povos indígenas aos seus territórios, além 
de garantir a preservação de sua cultura, línguas e tradições.
Além de assegurar o direito à diferença, à autodeterminação e ao respeito à sua orga-
nização social, a Constituição criou uma base legal robusta que apoia a demarcação 
de Terras Indígenas e a proteção dos recursos naturais e ambientais. Este arcabou-
ço constitucional é complementado por documentos globais ratificados pelo Brasil, 
como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Declaração das Nações 
Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, que reforçam e legitimam as práticas e 
conhecimentos tradicionais no contexto global. Esses tratados internacionais não só 
reconhecem e valorizam os saberes indígenas, mas também orientam a formulação 
de políticas públicas no Brasil.
Agora, pensem: como isso impactou a saúde dessas comunidades?
Os povos indígenas no Brasil têm uma rica história, marcada tanto por uma diversidade 
cultural significativa quanto por desafios na defesa de seus direitos e na manutenção 
de suas terras e territórios e modos de vida. A Constituição Federal de 1988 e a Política 
Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) representam dois marcos 
fundamentais na luta pela garantia dos direitos indígenas e na promoção de uma saúde 
específica e adequada às suas necessidades. A figura abaixo demonstra a necessidade 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
7AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
de valorização dos direitos dos povos indígenas, não somente o reconhecimento 
formal, mas também material dos princípios constitucionais.
Figura 1 - Mobilização Nacional Indígena em Brasília em defesa dos direitos 
indígenas assegurados na Constituição.
Fonte: https://site-antigo.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/constituintes-de-1988-
reafirmam-carater-permanente-dos-direitos-indigenas
HQ: PONTES DE RESPEITO: SAÚDE E CULTURA NA ALDEIA.
1.2 A PNASPI E SEU ALINHAMENTO COM A CONSTITUIÇÃO
Você já parou para refletir sobre como os princípios constitucionais de 1988 influenciaram 
a criação de políticas de saúde voltadas especificamente para os povos indígenas no 
Brasil? Pois bem, a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), 
instituída em 2002, é um exemplo fascinante dessa influência. Mas, o que realmente 
significa implementar um modelo de atendimento que respeite as particularidades 
culturais e sociais dessas comunidades? E mais importante, como isso impacta 
a vida e o bem viver dos povos indígenas? Implementar um modelo de atenção que 
reconheça as particularidades culturais, territoriais e sociais dos povos indígenas 
implica em ofertar serviços de saúde que dialoguem com as perspectivas locais de 
saúde e doença, promovendo a articulação do cuidado ofertado com as medicinas 
indígenas dos mais de 305 povos.
A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) foi criada para 
garantir o acesso dos povos indígenas no Brasil a serviços de saúde em suas terras 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
8AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
e territórios. Ela foi elaborada em consonância com os princípios da Constituição 
de 1988, que reconhece e protege os direitos dos povos indígenas. Ela tem como 
objetivo principal promover a saúde integral dos povos indígenas, considerando suas 
especificidades e diversidades culturais. A PNASPI foi instituída em 2002 e tem como 
objetivo garantir aos povos indígenas a atenção integral e diferenciada à saúde. 
A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) tem 
como diretrizes: 
• Gestão participativa na criação e execução 
de políticas para os povos indígenas.
• Respeito à privacidade e particularidades de cada comunidade.
• Redução da mortalidade.
• Controle de doenças transmissíveis e endêmicas.
• Erradicação da desnutrição.
• Reconhecimento da eficácia das medicinas indígenas.
• Articulação dos sistemas tradicionais indígenas 
de saúde com os serviços do SUS.
• Preparação de recursos humanos para atuação em contexto intercultural.
• Monitoramento das ações de saúde dirigidas aos povos indígenas.
• Promoção do uso adequado e racional de medicamentos.
Além disso, a PNASPI também prevê ações de vigilância em saúde, como a prevenção 
de doenças transmissíveis e o controle de endemias, visto que, frequentemente, 
as comunidades indígenas enfrentam um maior risco de doenças transmissíveis 
e endemias devido a fatores como condições de vida, acesso limitado a serviços 
de saúde e vulnerabilidades socioeconômicas. A vigilância em saúde é essencial para 
monitorar e controlar surtos, prevenindo a propagação de doenças.
A PNASPI também se alinha com a Constituição de 1988 ao garantir o respeito 
à diversidade cultural e aos direitos dos povos indígenas, como o direito à saúde, à 
terra e à vida digna. Ela reconhece a importância da participação dos povos indígenas 
na elaboração e execução das políticas de saúde que lhes dizem respeito, respeitando 
sua autonomia e autodeterminação.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
9AULA 1 - Direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
Constituição Federal de 1988 e PNASPI (2002)
Marcos Importantes para os Direitos dos Povos Indígenas
Constituição Federal de 1988:
• Reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre 
suas terras e assegura a preservação de sua cultura, organização 
social, línguas e tradições.
• Estabelece a saúde como um direito de todos e um dever do 
Estado, garantindo que os povos indígenas sejam incluídos 
nessa proteção com atenção às suas particularidades .
PNASPI (2002):
• Criada para operacionalizar os princípios da Constituição, asse-
gura a atenção integral e diferenciada à saúde indígena.
• Promove uma abordagem que respeita as diversidades culturais 
e integra os conhecimentostradicionais às práticas de saúde 
convencionais.
• Estimula a participação comunitária e a gestão participativa dos 
povos indígenas no planejamento e execução das políticas de saúde .
Impacto e Relevância
• A PNASPI fortalece o reconhecimento dos direitos indígenas, 
garantindo o respeito à diversidade cultural e à autonomia das 
comunidades na saúde.
Mas quais desafios ainda precisam ser enfrentados para alcançar um sistema 
verdadeiramente intercultural e equitativo?
Ao explorarmos juntos a Constituição Federal de 1988 e a PNASPI, convidamos você 
a refletir sobre a importância desses documentos na luta pelos direitos e pela saúde 
dos povos indígenas. Esses documentos oferecem uma base sólida para o futuro. 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
10AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
Nesse processo, como podemos continuar construindo sobre essa base para garantir 
a plena realização dos direitos dos povos indígenas?
Esta discussão não é apenas acadêmica; é fundamental para entendermos como 
políticas inclusivas e integradoras são desenvolvidas e implementadas. Convido 
você a mergulhar nessas questões, estimulando sua curiosidade e promovendo um 
entendimento mais profundo do papel crucial que a saúde indígena desempenha no 
cenário da saúde pública brasileira. O próximo passo nessa jornada em direção a um 
sistema de saúde que verdadeiramente respeita a diversidade e promove a equidade 
é a implementação efetiva das políticas e programas que já foram desenvolvidos para 
atender às necessidades específicas dos povos indígenas. Isso inclui a ampliação 
do acesso a serviços de saúde de qualidade, o fortalecimento da atenção primária 
e da vigilância em saúde nas comunidades indígenas, e o respeito e valorização dos 
conhecimentos em saúde dos povos indígenas, conforme demonstrado na figura 2.
Figura 2 - Serviços de saúde nas comunidades indígenas.
Fonte: Camara dos deputados. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/838342-comissao-
debate-resultados-do-subsistema-de-atencao-a-saude-indigena-no-maranhao. Acesso: 25 jun. 2025.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
11AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
Você sabia que a criação do Subsistema de Atenção à Saúde 
Indígena (SasiSUS) promoveu o início da PNASPI, uma parte do 
SUS focada em práticas adaptadas e específicas para atender às 
comunidades indígenas? Essa iniciativa reforça o direito à saúde 
de forma culturalmente sensível e adequada.
Explore uma linha do tempo que mostra os eventos-chave desde a atuação da Fudação 
Nacional do Índio (Funai) antes de 1988 até a implementação da PNASPI, evidenciando 
a evolução das políticas de saúde voltadas para os povos indígenas no Brasil.
LINHA DO TEMPO INTERATIVA 1
Nesta aula estudamos a importância da Constituição Federal de 1988 e como a PNASPI 
busca atender às necessidades específicas de saúde dos povos indígenas, respeitando 
sua autonomia e tradições. Este entendimento é crucial para qualquer profissional 
que deseja trabalhar de forma respeitosa e eficaz no contexto da saúde indígena. Na 
próxima aula estudaremos sobre a Atenção Diferenciada e o Subsistema de Atenção 
à Saúde dos Povos Indígenas.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
12AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
AULA 2 - Atenção Diferenciada e o Subsistema 
de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas
Bem-vindo, cursista! Após compreendermos as bases legais nacionais, nesta aula 
vamos explorar o que realmente significa a atenção diferenciada no contexto da 
saúde indígena. Esta é uma pedra angular para a promoção de uma saúde que seja 
não apenas inclusiva, mas também equânime e resolutiva.
Vamos começar com uma pergunta fundamental: de que maneira as práticas culturais 
dos povos indígenas moldam suas necessidades de saúde e como o reconhecimento 
e respeito a essas diferenças pelo sistema de saúde podem melhorar a qualidade 
do atendimento prestado?
As práticas culturais dos povos indígenas influenciam suas necessidades de saúde 
ao incorporar elementos espirituais, comunitários e naturais em seus cuidados. 
O reconhecimento e respeito a essas diferenças pelo sistema de saúde são funda-
mentais para garantir um atendimento eficaz, culturalmente sensível e que promova 
o bem-estar integral, respeitando a identidade e os valores das comunidades indígenas.
2.1 ATENÇÃO DIFERENCIADA: SUA IMPORTÂNCIA PARA OS POVOS INDÍGENAS
Perceba que a atenção diferenciada é um conceito essencial para a saúde indígena, 
destacando a importância de um modelo intercultural que valoriza e integra saberes 
distintos na produção do cuidado. Diferente da atenção primária à saúde (APS), que 
se centra nas necessidades gerais de saúde da população, a atenção diferenciada 
propõe uma abordagem específica, adaptada às perspectivas e compreensões que 
os povos indígenas possuem sobre os processos de saúde e doença.
As diretrizes da PNASPI e documentos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 
destacam que a atenção diferenciada se fundamenta em um modelo intercultural, que 
coloca em diálogo o sistema biomédico ocidental com as práticas de saúde indígenas. 
Esse diálogo não deve ser visto como uma simples combinação de conhecimentos, mas 
sim como uma integração estrutural e permanente, na qual os saberes tradicionais 
são respeitados e incorporados de forma contínua às práticas de saúde oferecidas 
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é criar um ambiente de cuidado que 
respeite a visão indígena, garantindo que a assistência seja adaptada às necessidades 
socioculturais específicas de cada grupo.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
13AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
Um dos grandes diferenciais da atenção diferenciada é que ela se baseia na compreensão 
das percepções indígenas sobre saúde e doença. No contexto da Política Nacional de 
Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), a integração não se refere à combinação 
ocasional de saberes, mas à incorporação contínua e integrada do modelo biomédico 
com as práticas tradicionais de saúde dos povos indígenas, assegurando que ambas 
sejam componentes estruturais do modelo de atenção ofertado pelo Sistema Único 
de Saúde (SUS). É fundamental que essa abordagem intercultural seja permanente 
e reconhecida institucionalmente para garantir que os cuidados em saúde respeitem 
e promovam o bem-estar integral, evitando a rejeição dos procedimentos e tratamentos.
Esse cuidado é materializado por meio da atuação das Equipes de Atenção Primária 
à Saúde Indígena (EAPSI), compostas por profissionais de saúde capacitados para 
atuar de forma intercultural e adaptada às necessidades das comunidades indígenas. 
A equipe geralmente inclui:
1. Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agente 
Indígena de Saneamento (AISAN): Indígenas 
que atuam como mediadores culturais e 
responsáveis pelo saneamento básico.
2. Enfermeiro(a) e Técnico(a) de Enfermagem: 
Coordenam as ações de saúde e realizam 
procedimentos diretos com a comunidade.
3. Médico(a): Realiza diagnósticos e 
tratamentos, integrando práticas 
biomédicas e saberes tradicionais.
4. Dentista: Oferece cuidados de saúde 
bucal e atividades preventivas.
5. Nutricionista e Assistente Social (em algumas 
equipes): Avaliam o estado nutricional e 
oferecem apoio social, conforme necessário.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
14AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
Essas equipes trabalham de forma integrada, promovendo uma atenção diferenciada 
e respeitando as práticas culturais dos povos indígenas, conforme apresentado na 
figura abaixo.Figura 3 - Atendimento pela Equipe de Atenção Primária à Saúde Indígena.
Fonte: Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Disponível em: https://saude.df.gov.br/w/guajajaras-
do-noroeste-recebem-atendimento-de-equipe-da-sa%C3%BAde. Acesso: 25 jun. 2025.
Você sabia que o Brasil é considerado uma referência internacional 
em saúde intercultural devido ao seu modelo de atenção 
diferenciada que combina saberes indígenas e biomedicina? 
Essa integração fortalece a confiança e melhora a eficácia dos 
serviços de saúde.
Outro ponto fundamental é que a atenção diferenciada, como descrita na PNASPI 
e em diversas pesquisas antropológicas e de saúde pública, não se limita a oferecer 
serviços de saúde quando necessário. Ela promove um processo contínuo de articulação 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
15AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
entre os saberes indígenas e o sistema de saúde, onde a escuta ativa, a compreensão 
mútua e a validação dos métodos de cura indígenas são essenciais para o sucesso 
das intervenções de saúde. Esse enfoque evita a rejeição de tratamentos e melhora 
a adesão e o engajamento das comunidades, construindo um sistema que reconhece 
os povos indígenas como sujeitos de direitos e respeita suas práticas ancestrais.
Assim, a atenção diferenciada promove um sistema de saúde que vai além do 
atendimento convencional, configurando-se como uma verdadeira prática intercultural 
que busca o equilíbrio entre diferentes conhecimentos para garantir uma atenção 
mais completa, respeitosa e eficaz para os povos indígenas. Essa abordagem é central 
para o cumprimento dos princípios constitucionais e dos compromissos internacionais 
assumidos pelo Brasil, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos 
Povos Indígenas, e evidencia a importância de uma política de saúde que seja não 
apenas inclusiva, mas também transformadora e colaborativa.
2.2 ENTENDENDO O SUBSISTEMA DE ATENÇÃO À SAÚDE INDÍGENA (SASISUS)
Imagine uma grande árvore, cujas raízes profundas e fortes se espalham por todo 
o território brasileiro. Essa árvore representa o Sistema Único de Saúde (SUS), um sistema 
projetado para oferecer cuidados de saúde universais a todos os cidadãos brasileiros. 
Agora, visualize nos galhos dessa árvore algumas folhas que possuem características 
únicas, diferentes das outras – essas são as comunidades indígenas do Brasil. Para 
atender às necessidades específicas dessas folhas únicas, foi criado um ramo especial 
na grande árvore do SUS: o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
16AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
O SasiSUS é uma estrutura dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) criada 
especificamente para atender às populações indígenas. Ele opera com base em 
princípios de descentralização, regionalização e participação comunitária, objetivando 
uma saúde pública que seja acessível e adaptada às diversas realidades indígenas do 
país . SasiSUS e a atenção diferenciada garantem que os cuidados de saúde sejam 
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) é:
• Parte integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), 
o SasiSUS foi criado para atender às 
comunidades indígenas de forma específica.
DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas): 
• Unidades de saúde que coordenam 
os serviços, garantindo uma gestão 
regionalizada e culturalmente sensível.
A atenção diferenciada inclui tanto ações preventivas como cura-
tivas, com a presença de agentes de saúde indígenas e práticas 
que integram a medicina tradicional às abordagens biomédicas.
Os principais objetivos do SasiSUS são: 
• Promover o acesso dos povos indígenas a serviços 
de saúde que respeitem suas especificidades 
socioculturais, política e de organização social; 
• Garantir uma saúde integral, considerando 
os aspectos geográficos, políticos, 
socioculturais e epidemiológicos dos povos 
indígenas atendidos pelo SasiSUS; 
• Reconhecer e fortalecer as medicinas indígenas, 
assegurando 
que sejam respeitadas e integradas 
ao atendimento de saúde.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
17AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
fornecidos com respeito às tradições culturais e promovem a participação comunitária 
nas decisões de saúde, fortalecendo a autonomia dos povos indígenas.
Vamos discutir agora sobre um componente crucial do Sistema de Saúde Indígena no 
Brasil - os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, conhecidos como DSEIs. 
Você sabe o que são DSEIs e quantos são?
2.3 DISTRITOS SANITÁRIOS ESPECIAIS INDÍGENAS (DSEIS)
Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), conforme especificado na Política 
Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) de 2002, são unidades 
operacionais descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena dentro 
do Sistema Único de Saúde (SUS). Eles são responsáveis pela organização, execução e 
gestão dos serviços de saúde destinados às populações indígenas, com uma abordagem 
que respeita as especificidades culturais, sociais e territoriais de cada povo.
Cada DSEI é estruturado com base nas características geográficas e culturais das 
áreas indígenas, abrangendo desde ações preventivas até atenção básica, sempre 
com o enfoque na interculturalidade e na atenção diferenciada. Esses distritos 
possuem equipes multidisciplinares, que atuam diretamente nas aldeias e em áreas 
de difícil acesso, garantindo que os serviços de saúde sejam levados de forma eficiente 
e culturalmente apropriada às populações indígenas.
No Brasil, os 34 DSEIs são divididos com base em critérios que consideram as especifi-
cidades territoriais, culturais, demográficas e geográficas das áreas indígenas no Brasil. 
Esses critérios são utilizados para garantir que a prestação de serviços de saúde seja 
adequada às necessidades de cada povo indígena e respeite suas particularidades. 
Os DSEIs representam uma rede de serviços de saúde que inclui Polos Base de Saúde 
e Unidades Básicas de Saúde Indígena nas aldeias, equipes multidisciplinares, e suporte 
para tratamentos mais complexos fora das comunidades. Eles trabalham com uma 
abordagem integral e diferenciada, buscando integrar as medicinas indígenas com 
o modelo biomédico.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
18AULA 2 - Atenção diferenciada e o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas
Figura 4 - Mapa dos Distritos Sanitários Indígenas (DSEI).
DSEI - MUNICÍPIO SEDE/UF
1- Alagoas e Sergipe - Maceió/AL
2- Altamira - Altamira/PA
3- Alto Rio Juruá - Cruzeiro do Sul/AC
4- Alto Rio Negro - S. Gabriel da Cachoeira/AM
5- Alto Rio Purus - Rio Branco/AC
6- Alto Rio Solimões - Tabatinga/AM
7- Amapá e Norte do Pará - Macapá/AP
8- Araguaia - São Féliz do Araguaia/MT
9- Bahia - Salvador/BA
10- Ceará - Fortaleza/CE
11- Cuiabá -Cuiabá/MT
12- Guamá - Tocantins - Belém/PA
13- Interior Sul - Florianópolis /SC
14- Kaiapó do Mato Grosso - Colider/MT
15- Kaiapó do Pará - Redenção/PA
16- Leste de Roraima - Boa Vista/RR
17- Litoral Sul - Curitiba/PR
18- Manaus - Manaus/AM
19- Maranhão - São Luís/MA
20- Mato Grosso do Sul - Campo Grande/MS
21- Médio Rio Purus - Lábre/MS
22- Médio Rio Solimões - Tefé/AM
23- Minas Gerias e Espírito Santos - Governador 
Valadares/MG
24- Parintins - Parintins/AM
25- Pernambuco - Recife/PE
26- Porto Velho - Porto Velho/RO
27- Potiguara - João Pessoa/PB
28- Rio Tapajós - Itaituba/PA
29- Tocantis - Palmas/TO
30- Vale do Javari - Atalaia do Norte/AM
31- Vilhena - Cacoal/RO
32- Xavante - Barra do Garças/MT
33- Xingu - Canarana/MT
34- Yanomami - Boa Vista/RR
 
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Fonte: Plano Nacional de Saúde 2020-2023.
De acordo com o conceito definido pela PNASPI, os DSEIs são unidades 
operacionais descentralizadas, estruturadas para garantir uma atenção integral, 
diferenciada e intercultural aos povos indígenas. Um dos principais objetivos dos 
DSEIs é incorporar as práticas, crenças e conhecimentos tradicionais dos povos 
indígenas no cuidado à saúde, respeitando as especificidades socioculturais de 
cada comunidade. Por exemplo, um Agente de Saúde Indígena (ASI) que conhece 
os costumes locais pode facilitar a comunicação entre médicos e enfermeiros 
não indígenas e pacientes indígenas, ajudando a criar planos de tratamento 
que sejam culturalmente adequados e eficazes. As equipes multidisciplinares 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
19AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
de saúde indígena são compostas por profissionais de diversas áreas da saúde, 
que atuam de forma integrada para oferecer um cuidado completo, que vão 
desde a prevenção até o tratamento de doenças, sempre com uma abordagem 
que respeite as especificidades socioculturais indígenas. As Casas de Saúde 
do Índio (CASAI), são estabelecimentos que proporcionam hospedagem e 
apoio aos indígenas que necessitam de atendimento especializado na média 
e alta complexidade e acompanhamento ambulatorial quando necessário 
para complementariedade da assistência à saúde fora de suas comunidades.
Os DSEIs são planejados para operar com participação comu-
nitária, logo, o controle social na saúde indígena tem como ob-
jetivo acompanhar, avaliar e fiscalizar a estrutura, o processo 
e os resultados da atenção à saúde dos povos indígenas. A Lei 
9.836/99 garante a participação indígena nos órgãos colegiados 
de formulação, acompanhamento, monitoramento e avaliação 
das políticas públicas de saúde. Os conselhos de saúde indígena 
são uma forma de participação indígena nos órgãos colegiados, 
e são compostos por:
• Conselhos Locais de Saúde Indígena (CLSI)
• Conselhos Distritais de Saúde Indígena (CONDISI)
• Fórum de Presidentes de Conselhos Distritais 
de Saúde Indígena (FPCONDISI)
Além disso, as Conferências Nacionais de Saúde Indígena também 
são espaços importantes de Controle Social e Conselho Nacio-
nal de Saúde/CISI. Ademais, há constantes avaliações e ajustes 
nos serviços para assegurar que eles atendam adequadamente 
às necessidades das populações que servem. O financiamento 
vem principalmente do governo federal, através do Ministério da 
Saúde, onde o financiamento é destinado a cobrir tudo, desde 
a construção e manutenção dos postos de saúde até os salários 
das equipes multidisciplinares de saúde indígena e os custos 
de transporte para pacientes que precisam de tratamento em 
cidades maiores.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
20AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
A inter-relação entre o SasiSUS e a PNASPI pode ser vista na maneira como o sub-
sistema fornece a estrutura operacional e prática para os princípios e diretrizes 
estabelecidos pela política. Enquanto a PNASPI orienta a atuação do subsistema, dá 
as diretrizes operacionais para a implementação da atenção diferenciada na saúde 
indígena, enquanto o SasiSUS representa o “como” e o “onde”. Juntos, eles formam 
um sistema coeso que visa abordar de forma holística as necessidades de saúde dos 
povos indígenas. Práticas como o uso de medicinas indígenas, a realização de rituais 
e cerimônias, e participação dos especialistas das medicinas indígenas são exemplos 
de como a cultura pode ser integrada nos serviços de saúde, resultando em uma 
assistência mais completa e significativa para os pacientes.
Figura 5 - Organização do DSEI e formas de Modelo Assistencial.
Posto de Saúde 
Comunidade Indígena
Pólo-Base
Referência SUS Casa de Saúde
do índio
Posto de Saúde 
Comunidade Indígena
Posto de Saúde 
Comunidade Indígena
Fonte: PNASPI, 2012
Antes da criação do SasiSUS, muitos indígenas enfrentavam 
barreiras significativas para acessar serviços de saúde que aten-
dessem às suas especificidades culturais e linguísticas. A intro-
dução do SasiSUS foi um marco na saúde indígena, buscando 
superar esses obstáculos.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
21AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
E quando falamos em atenção diferenciada, o que vem à mente no contexto 
da saúde indígena?
Significa considerar e respeitar as práticas e concepções de saúde e doença de cada 
cultura indígena na hora de prestar assistência, pois são conceitos fundamentais para 
os povos indígenas. Atenção diferenciada envolve reconhecer e integrar os saberes 
tradicionais e com as práticas de saúde indígena - medicinas indígenas - ao sistema de 
saúde convencional. Imagine você, caminhar pelas vastas e diversificadas paisagens 
do Brasil, onde cada comunidade indígena compartilha uma profunda conexão com 
sua terra e cultura. Para os povos indígenas, saúde é sinônimo de equilíbrio integral, 
envolvendo corpo, mente, espírito e ambiente. Neste contexto, surge a atenção 
diferenciada à saúde indígena, um modelo que busca integrar práticas tradicionais, 
rituais e medicinais que se interligam com a cosmologia e a identidade cultural de cada 
povo ao Sistema Único de Saúde (SUS), respeitando a autonomia e os conhecimentos 
ancestrais. Esse processo não apenas promove cura, mas também reforça o respeito 
e a valorização da diversidade cultural, garantindo que os princípios de equidade 
e justiça social sejam aplicados. Ficou mais claro para você?
Espero que, com isso, você tenha uma compreensão mais específica sobre como a 
atenção diferenciada e os princípios do SUS se entrelaçam na promoção da saúde 
indígena. Que você compreenda o verdadeiro valor da Atenção Diferenciada na saúde 
indígena, uma vez que, mais do que uma metodologia de cuidado, ela representa um 
compromisso com o respeito, a dignidade e a autodeterminação dos povos indígenas. 
Essa é uma jornada de aprendizado contínuo e de parceria. Vamos juntos para a 
próxima aula sobre Tratados e Marcos Internacionais. Encontro você lá!
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
22AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
AULA 3 - Tratados e Marcos Internacionais
Bem-vindos! Nesta aula, vamos explorar como os tratados internacionais influenciam 
a legislação e as práticas de saúde indígena no Brasil. Este é um tópico complexo, mas 
importante para compreender como os direitos universais são aplicados localmente.
Comecemos com uma pergunta fundamental: Você sabe quais são os principais tratados 
internacionais que impactam os direitos dos povos indígenas? Se você respondeu 
que a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas é um exemplo, você 
respondeu corretamente.
E como esses tratados internacionais se refletem na nossa legislação e práticas de 
saúde indígena? Podemos dizer que eles fornecem um quadro que influencia as leis 
nacionais e as práticas de saúde. Tratados e marcos internacionais têm desempenhado 
um papel crucial no reconhecimento e proteção dos direitos dos povos indígenas 
globalmente. Um exemplo proeminente é a Declaração da ONU sobre os Direitos 
dos Povos Indígenas. Esses instrumentos legais estabelecem padrões e normas que 
influenciam políticas nacionais e internacionais, garantindo que os direitos dos povos 
indígenas sejam reconhecidos, respeitados e promovidos globalmente. Vamos explorar 
mais profundamente essa influência e seu impacto global?
3.1 PRINCIPAIS TRATADOS E MARCOS INTERNACIONAIS:
3.1.1 DECLARAÇÃO DA ONU SOBRE OS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS(2007)
Adotada em 2007 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, essa declaração estabelece 
um marco universal para os direitos dos povos indígenas. Ela abrange direitos coletivos 
e individuais, incluindo direitos à terra, cultura, educação, identidade, idioma, emprego, 
saúde e outros recursos naturais. A UNDRIP (United Nations Declaration on the Rights of 
Indigenous Peoples) também estabelece padrões para a consulta e cooperação entre 
os estados e os povos indígenas, enfatizando a importância do consentimento livre, 
prévio e informado antes de qualquer projeto ou política que possa afetá-los ser 
implementado. Desde a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 13 de setembro de 
2007, esse marco é notável, pois marca o reconhecimento global da autodeterminação 
dos povos indígenas e de seus direitos, de modo a manter e fortalecer suas próprias 
instituições, culturas e tradições, conforme demonstrado na imagem a seguir.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
23AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
Figura 6 - Assembleia Geral das Nações Unidas em 13 de setembro de 2007.
Fonte: Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/assembleia-
geral-da-onu.htm. Acesso: 25 jun. 2025.
3.1.2 CONVENÇÃO 169 DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (1989)
Como o único tratado juridicamente vinculativo que trata especificamente dos direitos 
dos povos indígenas e tribais, a Convenção 169 da OIT, adotada em 1989 (figura 7), 
estabelece padrões para a proteção dos direitos culturais e territoriais dos povos 
indígenas. Ela promove o respeito pela integridade cultural dos povos indígenas 
e enfatiza a necessidade de consulta e participação na formulação e implementação 
de políticas que os afetam. A convenção aborda temas como terra, emprego, saúde, 
educação e acesso a recursos naturais.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
24AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
Figura 7 - Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (1989).
Fonte: Ministério dos Povos Indigenas. Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/
noticias/2023/stf-lanca-versao-da-convencao-169-da-oit-na-lingua-kayapo-mebengokre. 
Acesso: 25 jun. 2025.
3.1.3 DECLARAÇÃO DE JOHANESBURGO SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (2002)
A Declaração de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável, adotada em 2002, 
na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu em Johanesburgo, 
África do Sul, é um compromisso global voltado para enfrentar questões críticas que 
afetam nosso planeta, incluindo aquelas relacionadas aos direitos e ao bem-estar dos 
povos indígenas. Além de a declaração abranger uma ampla gama de tópicos referentes 
à proteção ambiental e à equidade social, ela também reconhece o papel significativo 
e os desafios únicos das populações indígenas na busca pelo desenvolvimento 
sustentável. O documento ressalta a importância de respeitar conhecimentos, culturas 
e práticas tradicionais indígenas na formulação e na implementação de estratégias 
de desenvolvimento.
Pontos Principais em Relação aos Povos Indígenas na Declaração de Johanesburgo:
• Reconhecimento de Direitos: a declaração reconhece a importância 
de respeitar os direitos e territórios dos povos indígenas no contexto 
do desenvolvimento global e da sustentabilidade ambiental.
• Participação e Inclusão: enfatiza a necessidade da 
participação ativa das comunidades indígenas nos processos 
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
25AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
decisórios, especialmente em questões que afetam 
diretamente terras, culturas e meios de subsistência.
• Valorização do “Conhecimento Tradicional”: a declaração destaca 
o valor do conhecimento e das práticas tradicionais indígenas 
na consecução dos objetivos de desenvolvimento sustentável. 
Salienta a contribuição dos povos indígenas na conservação da 
biodiversidade e na gestão sustentável dos recursos naturais.
• Proteção e Empoderamento: o texto apela para medidas que 
protejam a identidade cultural e os direitos dos povos indígenas, 
ao mesmo tempo que os empodera para melhorar sua qualidade 
de vida sem comprometer sua integridade cultural.
• Parcerias para o Desenvolvimento: a declaração incentiva parcerias 
entre governos, organizações internacionais e comunidades indígenas 
para garantir que os projetos de desenvolvimento sejam inclusivos, 
justos e respeitosos dos direitos e do conhecimento indígenas.
Em resumo, a Declaração de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável 
aborda o papel crucial dos povos indígenas na busca global por um futuro sustentável. 
Reconhece seus direitos, conhecimentos e contribuições, ao mesmo tempo que 
chama por sua participação ativa e proteção dentro do quadro de iniciativas 
de desenvolvimento sustentável.
3.2 INFLUÊNCIA NOS DIREITOS E SAÚDE DOS POVOS INDÍGENAS
Os princípios estabelecidos nesses tratados e marcos têm impulsionado mudanças 
legislativas e políticas em muitos países. Governos são incentivados a reconhecer 
e proteger os direitos territoriais dos povos indígenas, assegurar sua participação 
e consulta em decisões que os afetem, e adotar medidas para preservar suas línguas, 
culturas e identidades. No entanto, a implementação e aplicação desses padrões 
variam significativamente entre diferentes países e regiões, levando a uma variedade 
de resultados na proteção dos direitos dos povos indígenas.
Apesar do progresso significativo em alguns países, muitos povos indígenas ainda 
enfrentam desafios significativos, incluindo discriminação, marginalização e despojo de 
suas terras e recursos. Os tratados e marcos internacionais fornecem uma base para 
a advocacia e ação legal, mas sua eficácia muitas vezes depende do comprometimento 
dos governos nacionais em implementar suas disposições.
Para promover os direitos dos povos indígenas de maneira eficaz, é crucial não apenas 
adotar tratados internacionais, mas também assegurar sua implementação efetiva 
e monitoramento contínuo. Isso inclui fortalecer os sistemas jurídicos nacionais, 
promover a participação ativa dos povos indígenas no desenvolvimento de políticas, 
e aumentar a conscientização global sobre seus direitos e questões.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
26AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
Além dos direitos à terra e à cultura, os tratados e marcos internacionais também 
enfatizam a importância da educação e da saúde, reconhecendo que o acesso 
a serviços de educação e saúde culturalmente apropriados é essencial para o bem-estar 
e a sobrevivência dos povos indígenas.
3.3 REFLEXO NA LEGISLAÇÃO E PRÁTICAS DE SAÚDE INDÍGENA
No Brasil, os princípios desses tratados internacionais refletem-se em diversas leis e 
políticas, como a PNASPI. Esse alinhamento garante que a saúde indígena seja abordada 
não apenas do ponto de vista médico mas também a partir de uma perspectiva de 
direitos, assegurando acesso à saúde apropriado, acessível e de alta qualidade.
A legislação e as práticas de saúde indígena inspiradas por marcos internacionais 
visam promover uma abordagem integrada, reconhecendo a importância da terra, 
do ambiente e da cultura na saúde e bem-estar dos povos indígenas.
Os tratados e marcos internacionais são instrumentos vitais na luta pela justiça e igualdade 
para os povos indígenas em todo o mundo. Eles estabelecem um padrão global para o 
reconhecimento e a proteção de seus direitos. No entanto, a verdadeira mudança requer 
uma ação concertada entre comunidades indígenas, governos, organizações internacionais 
e a sociedade civil para garantir que esses direitos sejam mais do que palavras no papel, 
tornando-se uma realidade vivida para os povos indígenas em todo o mundo.
A Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, 
adotada em 2007, é um dos documentos maisrelevantes para 
a proteção dos direitos indígenas em escala global?
Embora não tenha força de lei, ela estabelece padrões importantes 
para garantir direitos relacionados à terra, cultura, educação e 
autodeterminação. A declaração reforça o compromisso de pro-
teger as identidades, línguas e tradições indígenas, influenciando 
políticas e legislações em diversos países.
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
27AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
Como os conhecimentos adquiridos sobre tratados e marcos 
internacionais podem ser aplicados para promover os direitos 
dos povos indígenas em sua comunidade ou área de atuação?
O entendimento sobre tratados e marcos internacionais pode 
ser fundamental para apoiar a luta pelos direitos indígenas. 
Eles oferecem uma base legal para reivindicações de direitos 
territoriais, culturais e de autodeterminação. Além disso, esses 
marcos guiam a criação de políticas públicas e práticas de saúde 
mais inclusivas, respeitando a diversidade cultural. Com esse 
conhecimento, as comunidades podem se organizar melhor 
e lutar por justiça e equidade social.
 
Esta unidade evidenciou as complexidades legais e técnicas fundamentais para 
entender a atenção à saúde dos povos indígenas. Compreender como os tratados 
e marcos internacionais influenciam a legislação e as práticas de saúde indígena 
é crucial para promover uma abordagem que respeite plenamente os direitos e a 
dignidade dos povos indígenas. Ao reconhecer e aplicar esses princípios internacionais, 
podemos assegurar que os povos indígenas recebam cuidados de saúde que não 
apenas atendam às suas necessidades médicas, mas também respeitem e celebrem 
sua identidade cultural única.
Parabéns por completar a primeira unidade! Esperamos que agora tenham uma 
compreensão mais profunda dos direitos dos povos indígenas e como eles se relacionam 
com a saúde. Quais foram as maiores descobertas para você? Como podemos aplicar 
esse conhecimento de forma prática em nosso trabalho diário?
ATIVIDADE AVALIATIVA UNIDADE 1
unidade 1 - direitos dos povos indígenas: marcos nacionais e documentos internacionais
28AULA 3 - Tratados e marcos internacionais
REFERÊNCIAS
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de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. [2016]. Disponível em: http://www.
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Nacional do Índio e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/1950-1969/l5371.htm. Acesso em: 26 fev. 2024.
BRASIL. Lei nº 9.836, de 23 de setembro de 1999. Acrescenta dispositivos à Lei 
no 8.080, de 19 de setembro de 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/
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scielo.br/j/csp/a/RSfQ5HXFP8SF3Gkwmc6qbFk/. Acesso em: 14 maio 2025.

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