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SIMULE UMA CONSULTA DE ENFERMAGEM SEGUNDO OS CASOS CLÍNICOS CASO 1: SAÚDE DA MULHER E CICLO VITAL Identificação: M.E.S., 53 anos, do lar, casada, 3 filhos. Queixa Principal: "Sinto ondas de calor frequentes no peito e rosto, não consigo dormir à noite e ando muito irritada." História Clínica e Epidemiológica Paciente comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de enfermagem. Relata que há cerca de 1 ano apresenta irregularidades no ciclo menstrual (intervalos de 60 a 90 dias entre os sangramentos com fluxo escasso), sendo a data da última menstruação (DUM) há 7 meses. Refere episódios diários de fogachos (sintomas vasomotores), com sudorese noturna intensa que fragmenta o sono. Relata secura vaginal, dor durante a relação sexual (dispareunia) e queixas de labilidade emocional. Traz preocupação por histórico familiar de osteoporose (mãe). Antecedentes Gineco-Obstétricos G3P3A0 (3 partos vaginais, sem abortos). Último Papanicolau realizado há 4 anos (resultado normal). Nunca realizou mamografia de rastreamento. Exame Físico de Enfermagem · Sinais Vitais: PA: 138/86 mmHg, FC: 78 bpm, FR: 16 irpm, Temp: 36,5 ºC. · Antropometria: Peso: 74 kg, Altura: 1,58 m, IMC: 29,6 kg/m² (Sobrepeso), Circunferência Abdominal: 89 cm. · Exame das Mamas: Mamas simétricas, sem nódulos palpáveis ou alterações cutâneas. Ausência de descarga papilar. · Exame Ginecológico: Vulva sem lesões. Mucosa vaginal pálida e com diminuição da umidade natural. Colo do útero sem lesões visíveis ao exame especular (coletado material para citopatológico). ROTEIRO DE RESOLUÇÃO - CASO 1 1. Estágio do Ciclo Vital: a. Classificação: Climatério (Transição Menopáusica / Perimenopausa). b. Justificativa: Presença de irregularidade menstrual acentuada, amenorreia há 7 meses, sintomas vasomotores (fogachos) e atrofia urogenital decorrentes da oscilação e declínio na produção de estrogênio pelos ovários. 2. Aplicação do Processo de Enfermagem (Resolução COFEN nº 736/2024): a. Diagnósticos de Enfermagem (NANDA-I): i. Termorregulação ineficaz relacionada à flutuação hormonal (hipoestrogenismo) evidenciada por fogachos diurnos e sudorese noturna. ii. Padrão de sono prejudicado relacionado ao desconforto térmico noturno e ansiedade evidenciado por insônia relatada e irritabilidade. iii. Disposição para o letramento em saúde melhorado evidenciado por busca de informações sobre a fase do climatério e prevenção de doenças. b. Prescrição de Enfermagem (Intervenções): i. Orientar técnica de higiene do sono (manter ambiente escuro, arejado, evitar telas e cafeína/estimulantes 2 horas antes de deitar). ii. Recomendar vestuário leve em camadas e ingesta hídrica de no mínimo 2 litros de água ao dia. iii. Orientar o uso de lubrificantes vaginais à base de água para alívio da dispareunia. iv. Orientar prática regular de atividades físicas aeróbicas e de impacto (150 min/semana) para saúde cardiovascular e preservação da massa óssea. v. Solicitar Mamografia de rastreamento (faixa etária prioritária 50-69 anos) e agendar retorno para avaliação do laudo e coleta do citopatológico (faixa etaria de 25 a 64 anos que já tiveram vida sexual. O exame deve ser realizado a cada 3 anos, após dois exames anuais consecutivos com resultados normais/negativos para neoplasia). CASO 2: PUERICULTURA E DESENVOLVIMENTO INFANTIL Identificação: L.F.S., sexo masculino, 18 meses de idade. Acompanhante: Mãe (24 anos). Motivo da Consulta: Acompanhamento de Puericultura na UBS. História Pregressa e Social Nascido a termo (39 semanas), parto vaginal, Apgar 8/9, Peso ao nascer: 3.200 g, Comprimento ao nascer: 49 cm. Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Vacinação em dia. A mãe refere que a criança é muito silenciosa, fala poucas palavras e apresenta baixa variação na aceitação alimentar. Mãe com suspeita de sífilis primária e ainda amamenta. Dados da Consulta Atual (18 meses) · Antropometria: · Peso: 9,8 kg · Comprimento: 78 cm · Perímetro Cefálico: 46 cm · Classificação Antropométrica (Curvas OMS / Caderneta da Criança): · Peso para Idade (P/I): Escore-Z no limite inferior (-2). · Comprimento para Idade (E/I): Escore-Z entre -1 e 0 (Adequado). · IMC para Idade (IMC/I): Abaixo do Escore-Z -2 (Classificação: Magreza). · Desempenho no Teste de Triagem de Denver II: · Pessoal-Social: Usa colher com derramamento (Passou); Retira o vestuário (Falhou); Aponta para indicar o que quer (Falhou). · Motor Fino-Adaptativo: Torre de 4 cubos (Passou); Coloca pequenos objetos em garrafa (Passou). · Linguagem: Fala 3 palavras com sentido (Falhou); Aponta para figuras nomeadas (Falhou). · Motor Grosso: Anda bem (Passou); Corre (Passou); Chuta bola (Passou). ROTEIRO DE RESOLUÇÃO DO CASO 2 1. Análise do Crescimento e Estado Nutricional: a. A criança apresenta comprimento adequado para a idade, porém apresenta deficit ponderal refletido na curva de IMC para Idade (Magreza / Escore-Z $o teste não treponêmico de triagem no parto (sangue periférico do bebê) foi negativo. Exame Físico Minucioso: Pesquisar lesões cutâneo-mucosas, hepatosplenomegalia, linfoadenopatia, secreção nasal purulenta/sanguinolenta ou alterações ósseas. Roteiro: Consulta de Enfermagem 1. Anamnese de Enfermagem (Histórico) Extrair e organizar dados do caso clínico: · Identificação e Perfil Socioeconômico: Idade, sexo, rede de apoio, escolaridade e condições de moradia. · Queixa Principal (QP) e História da Doença Atual (HDA): Cronologia dos sintomas e fatores de melhora/piora. · Histórico Pregresso e Familiar: Comorbidades, histórico vacinal, cirurgias e antecedentes familiares. · Hábitos de Vida e Mapeamento de Necessidades: Padrão de sono, alimentação/eliminações, atividade física, uso de tabaco/álcool/drogas e uso continuado de medicamentos. 2. Avaliação Clínica (Exame Físico) Estruturem os achados em ordem cefalocaudal ou por sistemas biológicos/necessidades humanas básicas: · Sinais Vitais e Antropometria: PA, FC, FR, SpO2, temperatura, dor (escala visual), peso, altura e IMC. · Achados Objetivos do Exame Físico: Inspeção, palpação, percussão e ausculta (ex.: sistema nervoso, ocular, auditivo, boca e trato digestório, estado da pele, ausculta cardíaca e pulmonar, palpabilidade de pulsos, exame do abdome, aparelho geniturinário, membros/força motora). · Interpretação de Exames Complementares: Solicitação ou análise dos exames laboratoriais/imagem descritos no caso (ex.: TR Sífilis, VDRL, hemograma). Atenção a quais exames enfermeiro pode solicitar pelo SUS. 3. Diagnósticos de Enfermagem (Julgamento Clínico) Formularem os diagnósticos utilizando taxonomias padronizadas (como NANDA-I ou CIPE): · Exigir a estrutura completa para diagnósticos com foco no problema: Título do Diagnóstico + Fator Relacionado/Causa + Características Definidoras (Sinais/Sintomas). · Exigir que diferenciem Diagnósticos Reais, de Risco. 4. Planejamento do Cuidado / Plano Terapêutico (O que incluir) Dividir o Plano Terapêutico em três pilares essenciais: 1. Resultados Esperados / Metas (NOC): a. O que se espera alcançar com o paciente em curto, médio e longo prazo (ex.: "A mãe demonstrará adesão total ao esquema de 3 doses de Penicilina Benzatina no prazo de 21 dias"). 2. Prescrição de Enfermagem (Cuidados de Enfermagem / NOC/NIC): a. Ações diretas e independentes da enfermagem, formuladas no verbo no infinitivo + aprazamento/frequência + modo de execução. b. Exemplo: "Realizar orientações sobre estimulação auditiva e linguagem ao lactente durante as trocas de fralda, diariamente." 3. Plano de Gestão Interprofissional e Encaminhamentos (Condutas Dependentes/Colaborativas): a. Exames a serem solicitados pelo enfermeiro (conforme protocolos do SUS). b. Notificações compulsórias necessárias. c. Encaminhamentos para outros profissionais/serviços (ex.: Pediatria, Otorrinolaringologia, Fonoaudiologia, Serviço Social). d. Ações de Educação em Saúde para o paciente/família. 5. Implementação e Avaliação (Evolução de Enfermagem) Evolução de Enfermagem (Modelo SOAP ou Foco): · S (Subjetivo): O que o paciente/mãe relata. · O (Objetivo): Achados do exame físico e exames. · A (Avaliação): Diagnósticos e resposta ao plano anterior. · P (Plano): Condutas, encaminhamentos e data do aprazamento para retorno.