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O Inferno: A Realidade do Juízo e da Condenação Eterna 
Ideia Central 
O inferno é uma realidade de juízo e condenação estabelecida por Deus para os 
ímpios. A doutrina de Westminster ensina que, depois da morte, a alma dos 
ímpios é lançada no inferno, onde permanece em tormentos e trevas, 
aguardando o juízo final. Após a ressurreição e o julgamento, os condenados 
serão lançados em tormentos eternos, excluídos da presença favorável de Deus 
e da comunhão gloriosa com Cristo, os santos e os anjos. Essa condenação 
manifesta a perfeita justiça e a santidade de Deus. 
Introdução 
Falar sobre o inferno não é um assunto agradável. Entretanto, ele faz parte da 
doutrina cristã e não pode ser ignorado quando estudamos aquilo que a 
Confissão de Fé de Westminster ensina sobre o destino eterno da humanidade. 
A doutrina do inferno está diretamente relacionada à doutrina do pecado, da 
justiça de Deus, da morte, da ressurreição e do juízo final. 
O Breve Catecismo afirma que, por causa da queda, toda a humanidade perdeu 
a comunhão com Deus, ficou debaixo de sua ira e maldição e tornou-se sujeita às 
misérias desta vida, à morte e às penas do inferno para sempre. 
Portanto, o inferno não deve ser tratado como uma ideia secundária. Ele faz parte 
da realidade apresentada pelos Símbolos de Westminster acerca do pecado e de 
suas consequências. 
1. O inferno está relacionado ao pecado 
Para compreender a doutrina do inferno, precisamos primeiro compreender a 
gravidade do pecado. 
O homem foi criado para viver em comunhão com Deus. Porém, pela queda, 
perdeu essa comunhão e passou a estar debaixo da ira e da maldição divina. 
A.A. Hodge explica que o pecado separou o homem da comunhão com Deus e 
trouxe sobre ele a morte espiritual e a mortalidade física. Se essa condição de 
pecado permanece sem expiação e sem arrependimento, ela culmina na morte 
eterna. 
O inferno, portanto, não é uma punição arbitrária. Ele está relacionado à justiça 
de Deus diante do pecado. 
Deus é santo e justo. O pecado é uma afronta contra sua santidade. Por isso, a 
condenação dos ímpios manifesta a justiça divina. 
2. O que acontece imediatamente depois da morte? 
A Confissão de Fé de Westminster faz uma distinção importante entre o estado 
imediatamente posterior à morte e o estado final depois da ressurreição e do 
juízo. 
Depois da morte, o corpo volta ao pó, enquanto a alma continua existindo. 
A alma dos justos é recebida no céu, onde contempla a presença de Deus em luz 
e glória. A alma dos ímpios, porém, é lançada no inferno, onde permanece em 
tormentos e trevas, aguardando o juízo do grande dia. 
Assim, segundo Westminster, a morte física não significa que a pessoa deixa de 
existir. 
A alma continua consciente e entra imediatamente em uma condição diferente, 
de acordo com seu relacionamento com Deus. 
3. O estado intermediário dos ímpios 
Williamson explica que a condição dos ímpios depois da morte, mas antes da 
ressurreição, já constitui uma manifestação mais completa da condição espiritual 
em que viveram. 
Durante esta vida, os incrédulos permanecem debaixo da ira de Deus, embora 
ainda desfrutem de bênçãos comuns. Na morte, essas bênçãos cessam, e a 
alma entra no inferno. 
Contudo, esse ainda não é o estado final. 
A condenação alcançará sua manifestação completa depois da ressurreição, 
quando corpo e alma forem reunidos novamente. 
Assim, podemos distinguir: 
Morte → estado intermediário → ressurreição → juízo final → estado eterno. 
4. Haverá uma ressurreição dos ímpios 
A doutrina cristã não ensina que somente os justos serão ressuscitados. 
A Confissão afirma que todos os mortos serão ressuscitados com seus próprios 
corpos. Os corpos dos justos serão ressuscitados para a honra, enquanto os 
corpos dos injustos serão ressuscitados para a desonra. 
Williamson observa que os perdidos também ressuscitarão no mesmo período 
geral da ressurreição dos justos. A diferença está no destino para o qual serão 
conduzidos. 
Isso significa que o homem será julgado como uma pessoa completa, corpo e 
alma. 
5. O juízo final 
Depois da ressurreição acontecerá o juízo geral e final. 
O Catecismo Maior afirma que Deus determinou um dia para julgar o mundo por 
meio de Jesus Cristo. Todos os seres humanos comparecerão diante do tribunal 
de Cristo para prestar contas de seus pensamentos, palavras e obras. 
O juízo será universal. 
Ninguém ficará de fora. 
A.A. Hodge destaca que o juízo alcançará toda a raça humana, de todas as 
gerações, depois da ressurreição. Cada pessoa comparecerá diante de Cristo na 
totalidade de sua existência, corpo e alma. 
Cristo será o Juiz. O Pai lhe confiou o poder de julgar. 
Assim, aquele que veio ao mundo como Mediador também aparecerá como Rei e 
Juiz. 
6. A condenação será justa 
O inferno não representa uma injustiça de Deus. 
A Confissão afirma que o propósito do juízo final inclui a manifestação da glória 
de Deus: sua misericórdia na salvação eterna dos eleitos e sua justiça na 
condenação dos réprobos. 
O Catecismo Maior acrescenta que os ímpios receberão uma sentença terrível, 
porém justa, acompanhada de plena convicção de sua própria consciência. 
Portanto, a condenação não será um erro judicial. 
Deus julgará perfeitamente. 
7. O caráter eterno do inferno 
Uma das características fundamentais da doutrina de Westminster é que o 
castigo dos ímpios será eterno. 
O Catecismo Maior descreve os ímpios como sendo lançados no inferno para 
serem punidos com tormentos indizíveis do corpo e da alma, juntamente com o 
diabo e seus anjos, para sempre. 
A.A. Hodge é ainda mais explícito. Ele afirma que os perdidos continuarão em 
tormento e vergonha por uma eternidade absolutamente sem fim. Ele relaciona 
essa duração às mesmas expressões utilizadas para descrever a eternidade de 
Deus e a duração eterna da vida dos santos. 
Portanto, a doutrina de Westminster não apresenta o inferno como uma punição 
temporária. 
Também não o apresenta como um período que terminará com a restauração 
dos condenados. 
É uma condenação eterna. 
8. O inferno não é aniquilação 
A.A. Hodge rejeita explicitamente a interpretação segundo a qual a chamada 
“segunda morte” significaria a destruição absoluta do ser dos ímpios. 
Segundo sua exposição, as Escrituras apresentam o futuro dos perdidos como 
um estado de sofrimento consciente que continua eternamente. 
Isso é importante porque a doutrina de Westminster afirma a continuidade da 
existência pessoal depois da morte. 
Os condenados não deixam simplesmente de existir. 
Eles permanecem sob o justo juízo de Deus. 
9. Exclusão da presença favorável de Deus 
O Catecismo Maior descreve a condenação também em termos de exclusão da 
presença favorável de Deus e da comunhão gloriosa com Cristo, seus santos e 
os santos anjos. 
Essa afirmação deve ser compreendida cuidadosamente. 
Deus continua sendo o Juiz dos condenados; portanto, não significa que Deus 
deixe de existir ou que deixe de exercer seu governo sobre eles. 
O que é perdido é a presença favorável e a comunhão bendita com Deus. 
Enquanto os justos desfrutarão da presença de Deus em plenitude, os ímpios 
permanecerão sob sua justiça. 
10. O contraste entre vida eterna e condenação eterna 
A doutrina do inferno só pode ser compreendida plenamente quando colocada ao 
lado da doutrina da vida eterna. 
No juízo final haverá uma separação definitiva. 
Os justos entrarão na vida eterna, desfrutando da presença de Deus, enquanto 
os ímpios serão lançados nos tormentos eternos. 
A eternidade, portanto, possui dois destinos completamente distintos. 
Para os justos: vida, santidade, alegria e comunhão com Deus. 
Para os ímpios: condenação, tormento, vergonha e exclusão da presença 
favorável de Deus. 
Essa separação será definitiva. 
Aplicações 
1. O inferno nos mostra a seriedade do pecado 
Não podemos tratar o pecado como algo pequeno ou sem consequências. 
A realidade do juízodemonstra a gravidade da rebelião contra Deus. 
2. O inferno revela a justiça de Deus 
Deus não é indiferente ao pecado. 
O juízo final demonstrará publicamente a perfeita justiça de Deus na condenação 
dos ímpios. 
3. Devemos abandonar toda confiança em nós mesmos 
A doutrina da condenação mostra a necessidade absoluta da redenção em 
Cristo. 
O homem não possui em si mesmo uma solução para sua culpa. 
4. A Igreja deve levar o Evangelho a sério 
Se existe uma condenação eterna, a proclamação do Evangelho possui uma 
urgência real. 
A mensagem cristã não trata apenas de melhorar a vida presente. Ela anuncia a 
salvação em Cristo diante da realidade do pecado, da morte e do juízo. 
5. A doutrina deve produzir vigilância 
Westminster relaciona a certeza do juízo à necessidade de abandonar a 
confiança carnal, permanecer vigilante e estar preparado para a vinda do Senhor. 
Conclusão 
A doutrina do inferno é uma doutrina séria porque revela a seriedade do pecado e 
a perfeição da justiça de Deus. 
Segundo Westminster, depois da morte, a alma dos ímpios é lançada no inferno, 
aguardando o dia do juízo. Depois da ressurreição, todos comparecerão diante 
do tribunal de Cristo. Os ímpios receberão uma sentença justa e serão lançados 
em tormentos eternos, com corpo e alma, juntamente com o diabo e seus anjos. 
Essa verdade não foi revelada para satisfazer nossa curiosidade, mas para nos 
levar a reconhecer a santidade de Deus, a gravidade do pecado e a necessidade 
da salvação. 
O mesmo Deus que manifestará sua justiça na condenação dos ímpios 
manifestará sua misericórdia na salvação eterna dos eleitos. 
Por isso, a doutrina do inferno nos chama à seriedade, à vigilância e à confiança 
na obra de Cristo. 
O juízo é certo. A condenação é justa. O castigo é eterno. E a salvação está 
somente em Cristo.

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