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AÇÃO PEDAGÓGICA 
 
 
INTRODUÇÃO 
A disciplina Metodologia Científica introduzida em sua grade curricular de estudos, faz-se 
necessária, no intuito de atender às exigências legais do MEC, para elaboração de um Trabalho 
de Conclusão de Curso de cunho Científico para a conclusão de cursos de Pós-graduação Lato 
sensu. 
Em sendo, o objetivo dessa disciplina é, portanto, oportunizar a você, aluno o desenvolvimento 
de uma atitude científica desejosa e inerente ao processo de construção do conhecimento e do 
fazer científico e a instrumentalização teórico-metodológica da pesquisa, visando a sua 
introdução na prática dos cursos de Especialização, através da pesquisa científica. 
Com este intuito, não pretendemos esgotar o tema acerca da Metodologia Científica e sim, 
oferecermos subsídios para que você consiga elaborar seu trabalho, da melhor forma possível. 
Para tanto, selecionamos algumas questões que consideramos relevantes para esse fim e 
organizamos uma sequência de informações úteis para a confecção do seu Trabalho de 
Conclusão de Curso (TCC). 
Objetivando concretizar essa proposta, nos valemos de um precioso elenco de autores da área 
com vasto material bibliográfico relativo ao tema. As normas e técnicas contidas nessa obra, 
baseiam-se nas mais recentes normas e padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT) e em bibliografias de especialistas na área de Metodologia Científica. 
Inicialmente, trataremos do conceito de Ciência na contemporaneidade e a sua flexibilidade em 
relação a alguns aspectos antes considerados indesejáveis, em função do excesso pragmático e 
do isolamento disciplinar e, nesse sentido, faremos uma pequena incursão pelo universo 
científico, posto que, fazer ciência, é buscar soluções para problemas da sociedade, colocando- 
se a serviço da humanidade. 
Nesse sentido, Demo (2001) afirma que a pesquisa deve ser a razão da existência da academia 
e que, nessa perspectiva, formamos estudantes cidadãos e não somente técnicos que 
“encontram na competência reconstrutiva de conhecimento seu perfil decisivo” tendo dois 
desafios, que são: “fazer o conhecimento progredir, mas, mormente, de o humanizar”. (p. 02). 
E é nessa linha traçada por Demo (2001) que confeccionamos este material, partindo da busca 
pela construção do conceito de Ciência, bem como, das atitudes científicas para fazê-la, sob o 
olhar de Lakatos e Marconi (2009) quando afirmam que “a ciência não é o único caminho de 
acesso ao conhecimento e à verdade” (p. 23), corroboradas pela afirmação de Sagan (1996, p. 
12) quando esse diz que: “a Ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. 
É apenas o melhor que temos" (Grifo da autora). Em seguida, faremos uma análise acerca do 
conceito de Metodologia Científica e sua aplicabilidade acadêmica, bem como, o que vem a ser 
o Conhecimento e seus variados tipos, ressaltando o Conhecimento Científico, posto ser este o 
conhecimento que deverá ser utilizado, para a produção e pesquisa acadêmica, que você irá 
empreender neste curso. 
Na sequência relataremos os métodos científicos existentes e que devem ser utilizados para se 
fazer ciência; a pesquisa e seus conceitos; os tipos de pesquisas e como utilizá-las, dando ênfase 
à pesquisa bibliográfica por entendermos ser esta a mais aplicável em uma pós-graduação desse 
tipo devido à escassez de tempo e de condições didáticas e metodológicas para se realizar outros 
tipos de pesquisas. 
Dessa forma, o que se pretende é identificar a coerência do questionamento crítico e criativo. 
Trata-se de conjugar crítica e autocrítica dentro do princípio metodológico, isto é, o 
questionamento sistematizado apresenta a discussão como critério principal da cientificidade, 
pois, segundo Habermas, uma “verdade é uma pretensão de validade” (apud DEMO, 1996, p. 
 
 
22) e, sendo assim, “a história das ciências revela não um a priori, mas o que foi produzido em 
determinado momento histórico com toda a relatividade do processo de conhecimento” 
(MINAYO, 1994, p. 12). 
Falaremos ainda, sobre os métodos de pesquisa e os variados trabalhos científicos, dando ênfase 
ao Artigo Científico, por ser esta a exigência da instituição para o seu TCC. Ao final elencamos 
várias orientações metodológicas no que tange a utilização da informática e da Internet na 
pesquisa cientifica, bem como, abordaremos a questão plágio e como evitá-lo. 
 
 
A CIÊNCIA 
Falar da Ciência não é fácil. A questão mais difícil de ser respondida é a que se relaciona com a 
sua definição. Porém, tentaremos defini-la, sob a tutela de diversos autores e cientistas. 
Partindo de Freire-Maia (1998), o mesmo afirma que raramente os filósofos da ciência se 
propõem a definir ciência, relacionando três motivos para essa recusa, a saber: 
• o primeiro reside no fato de toda definição ser incompleta (sempre há algo que foi excluído 
ou algo que poderia ter sido incluído); 
• o segundo, na própria complexidade do tema; 
• e o terceiro, justamente na falta de acordo entre as definições (FREIRE- MAIA, 1998, p. 24). 
Diante desse impasse, o autor sugere colocar "de lado" as fundamentações epistemológicas 
procedendo a uma "tosca" definição de ciência que privilegiaria um "conjunto de descrições, 
interpretações, teorias, leis, modelos etc., visando ao conhecimento de uma parcela da 
realidade", através de uma "metodologia especial", a saber: a metodologia científica (p. 24). 
Dentre os analistas do tema, Merton (1979) relata a quase unanimidade acerca dá ideia de que 
a ciência "é um vocábulo enganosamente amplo, que designa grande diversidade de coisas 
diversas, embora relacionadas entre si" (p. 38). Não obstante, Roqueplo (1979) afirma que, 
"falar do significado da ciência levanta imediatamente numerosas questões, umas relativas à 
palavra ciência e outras relativas à palavra significado" (p. 140). 
Já há outros autores, como Morais (1988), que definem a ciência como sendo "mais do que uma 
instituição, é uma atividade. Podemos mesmo dizer que a 'ciência' é um conceito abstrato." E 
continua dizendo que o que se conhece "concretamente" são os cientistas e o resultado de seus 
trabalhos. "O cientista contemporâneo sabe bem que nada há de definitivo e indiscutível que 
tenha sido assentado por homens" (p. 24). 
A ciência é extremamente abrangente e complexa não se reduzindo, somente, a experimentos. 
O experimento científico é fundamental para o desenvolvimento das ciências da natureza, 
especialmente através de seus desdobramentos disciplinares nas últimas décadas do século XX. 
Porém, as chamadas ciências humanas e sociais não partilham desse mesmo cientificismo, pois, 
anterior à práxis científica estão a ideia, o pensamento, a filosofia da ciência e o "conhecimento 
do conhecimento", que trazem à tona as discussões em torno dos paradigmas, da moral, da 
epistemologia, da ética, da política, enfim, características relacionadas e inter-relacionadas ao 
desenvolvimento do conhecimento e da pesquisa. 
Dentro da temática relativa à pesquisa científica, Whitehead (1946) lembra que a filosofia é a 
mais "eficaz pesquisa intelectual", afirmando que ela é a responsável pela construção de 
"catedrais antes que os trabalhadores tenham removido uma pedra, e as destrói antes que os 
elementos tenham esboroado as suas arcadas", posto que, existe sempre um pensamento que 
precede a prática. Esse processo não é necessariamente imediato, pois, conforme o mesmo 
 
 
autor, a "filosofia trabalha devagar. Os pensamentos dormem longo tempo; quase 
imediatamente depois a humanidade sente que se incorporou a si mesma em instituições" 
(WHITEHEAD, 1946, p. 7-8). 
Não obstante, Chauí (1996), tenta, pelo determinismo, descrever por completo os "fenômenos 
naturais e humanos, oferecendo a definição dos seres e as leis necessárias de suas relações" e 
afirma que “a ciência opera com o provável, isto é, com o possível submetido a cálculos" (p. 22). 
Nessa mesma linha, Chrétien (1994) destaca a necessidade que a sociedade tem, de acreditare 
criar mitos para entender e relacionar-se no cotidiano, isto porque, para "fundamentar sua 
identidade e justificar suas prescrições, valores e relações entre seus membros" (p. 13). 
Nesse sentido, o mito pode ser entendido e aceito, como necessidade, para a construção no 
imaginário popular daquilo que não se pode ter e, em sendo, Chrétien (1994) ressalta que: o 
mito geralmente põe em cena deuses e heróis, demiurgos das origens, que lançam as bases da 
nova ordem. Ele retraça sua epopéia lendária que fixa, no imaginário coletivo, os signos e 
modelos que postulam os procedimentos comuns de significado e comunicação. (CHRÉTIEN, 
1994, p. 13). 
Ora, se assim, de acordo com o autor, o mito pode determinar os "ritos, as regras do jogo social 
e os paradigmas sobre os quais se modulam os comportamentos" (CHRÉTIEN, 1994, p.13), a 
partir da crise da razão, do século XX, Chauí (1996) afirma que "os humanos reencontraram um 
meio para repor aquilo que a teoria havia substituído ao nascer: os mitos, os fundamentalismos 
religiosos. Mitologias e religiões ocupam hoje o lugar vazio deixado pela razão" (p.22). 
Nesse ínterim, se a ciência resolve modificar esse sistema tentando, de certa forma, assumir seu 
lugar no imaginário coletivo, pois os "deuses e taumaturgos não mais fazem sucesso na era das 
ciências e técnicas", provavelmente, ocorrerão brechas e a "sociedade não pode funcionar se 
nela ficam vagos os lugares do poder simbólico" (CHRÉTIEN, 1994, p. 13), pensamento 
corroborado por Morin (1999a), quando este demonstra seu pensamento acerca do mito no 
século XX. Ele relata que, este, tomou a forma da Razão, a ideologia camuflou-se de ciência, a 
Salvação tomou forma política garantindo-se certificada pelas Leis da História." Além do mais, é 
nesse século que o "[...] messianismo e niilismo se combatem, entrechocam-se e produzem- se 
um ao outro, a crise de um operando a ressurreição do outro. (MORIN, 1999a, p. 15-16). 
No século XXI, vemos uma tentativa de restauração a partir do próprio pensamento, ao que se 
chamou de revoluções científicas que, para Morin (2002), foram as responsáveis pela 
preparação da "reforma do pensamento". E destaca duas: a primeira está relacionada à física 
quântica, que, trouxe o "esboroamento de toda ideia de que haveria uma unidade simples na 
base do universo", pôs em dúvida o sentido dogmático em torno do determinismo, introduzindo 
o conceito de incerteza no meio científico. A segunda revolução está relacionada ao princípio 
não reducionista para o pensamento científico que de acordo com o mesmo autor, “há uma 
ressurreição das entidades globais, como o cosmo, a natureza, o homem". (MORIN, 2002, p. 89- 
90). 
E é nessa perspectiva da ciência revolucionária que, Lakatos e Marconi (2009), a definem por 
“um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, 
sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza” (p. 77). 
Junior (1988) a conceitua como “um conjunto de proposições (teorias) coerentes, sem 
contradições internas, com encadeamento racional, despida de valorações e subjetividade” (p. 
23). Para Dencker (1998) a ciência “caracteriza-se como uma forma especial de conhecimento 
da realidade empírica” e mais a frente afirmam ser “um conhecimento racional. Metódico, 
sistemático, capaz de ser submetido à verificação e que passa por um processo de reflexão” (p. 
65). 
 
 
Diante do exposto, caracterizaremos a ciência de acordo com sua finalidade: distinguir 
características, leis e princípios comuns que controlam os eventos; sua função: aperfeiçoar e 
ampliar a relação do homem com a realidade através do conhecimento e; seu objeto formal: 
olhar das diversas ciências sobre um mesmo objeto material: aquilo que se pretende conhecer. 
E para construir esse conhecimento, vamos à a Metodologia Científica. 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
 
 
Para se fazer Ciência e construir o conhecimento, é preciso Método. Para se aplicar o Método, 
desenvolveu-se a Metodologia Científica que: é o estudo sistemático e lógico dos métodos 
empregados nas ciências e sua relação com as teorias científicas. Em geral, o método científico 
compreende um conjunto de dados iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado 
para a formulação de conclusões, de acordo com certos 
objetivos predeterminados. Ou seja, é um conjunto de regras básicas que a Ciência (em todas 
as suas formas) desenvolve, à fim de coletar evidências, passíveis de observação e empíricas, de 
forma racional e lógica, objetivando a obtenção, organização, sistematização, correção e 
produção do conhecimento. 
Essa produção do conhecimento é marcada pela busca de evidências que comprovem hipóteses 
formuladas, como enfrentamento da complexidade do mundo real, visando detectar lhe as 
estruturas invisíveis através dos métodos. A Ciência somente progride com os métodos, posto 
que, por eles, ela encontra os próprios erros, que não são descobertos ao acaso, mas por meio 
da busca sistemática de melhores explicações para os fenômenos naturais e sociais. 
Não obstante, embora os procedimentos variem de uma área da ciência para outra, é possível 
determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos. Como? 
De início, os pesquisadores propõem hipóteses para explicar certos fenômenos e então, 
desenvolvem pesquisas e experimentos que confirmam ou refutam essas hipóteses. Se 
confirmadas, as hipóteses podem gerar teorias. 
Nesse interim, o cientista precisa ser imparcial na interpretação dos resultados, pois, o processo 
precisa ser objetivo. Além disso, o procedimento precisa ser documentado, tanto no que diz 
respeito aos dados como aos procedimentos, para que outros cientistas possam analisar e 
reproduzir o procedimento. Esta documentação deve obedecer a uma série de padrões para ser 
aceito pela comunidade científica. Esses padrões constam nas Normas Brasileiras (NBR) da 
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
 
 
Objetivos da Metodologia Científica 
A Ciência tem como princípio tornar o homem mais próximo dos fenômenos naturais e humanos 
através da compreensão e do domínio dos mecanismos que regem tais fenômenos. Essa 
aproximação não exige formulações prévias de nenhum tipo, pois os estímulos externos chegam 
ao homem por meio dos sentidos e o acúmulo de experiências sensoriais e intelectuais já 
permite um certo grau de conhecimento empírico em cada homem. 
Não obstante, a assimilação desordenada de percepções pode gerar lapsos de interpretação e 
captação errada ou insuficiente das informações recebidas. Por conta disso, a Ciência estabelece 
regras que auxiliam na classificação, registro e interpretação dos dados percebidos, o que 
permite e garante temporalmente, a economia de tempo e um sistema de transmissão do saber 
entre as gerações, de forma racional. 
Nesse sentido, o emprego da Metodologia Científica objetiva, pois, solucionar as questões 
relativas à classificação de dados, orientando as pesquisas futuras e facilitando o treinamento 
de Especialistas. 
Marconi e Lakatos (2004) nos oferecem um exemplo bem prático: saber que uma determinada 
planta precisa de uma quantidade “X” de água e que se não a receber de forma natural, deve 
ser irrigada, pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável, mas, nem por isso, científico. 
Para que esse conhecimento ocorra é necessário ir além: conhecer a natureza dos vegetais, sua 
composição, seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie da 
outra. 
Esse exemplo nos leva a crer que: 
1 – A ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade; 
2 – Um objeto ou fenômeno como uma planta ou uma comunidade ou ainda as relações entre 
chefes e subordinados pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para o 
homem comum. O que diferencia é a forma de observação e análise, bem como, os métodos 
utilizados. 
De modo geral, o método dedutivo parte-se do geral para chegar ao particular.O método 
indutivo, ao contrário, constrói modelos e leis a partir de casos particulares, pelo uso de 
mecanismos lógicos de generalização. O método analítico decompõe o objeto para formular 
problemas mais simples, ou seja, parte do complexo e mais geral para chegar ao simples e 
particular. 
O método sintético já é oposto a esse: reúne aspectos particulares indo do simples ao complexo. 
Outros métodos são: a definição rigorosa do objeto de estudo; os sistemas de classificação, com 
divisões e subdivisões; os instrumentos de medida e os sistemas de unidades; a variabilidade 
das condições que interferem sobre os fenômenos estudados na construção do conhecimento 
científico. Porém, como já dissemos, existem variados tipos de conhecimento. 
 
 
Os Tipos de Conhecimento 
Existem ainda outros dois tipos de conhecimento, além do científico e do popular ou empírico, 
que são o conhecimento filosófico e religioso. Todos eles explicados em detalhes na maioria dos 
livros que tem como objetivo discorrer sobre a Metodologia Científica (Marconi e Lakatos; 
Cervo, Bervian e Silva; Mattar e outros) utilizados como referência para esta apostila. 
Antes de explicarmos cada um deles, o quadro abaixo sistematiza as suas características. 
 
 
 
 
As ciências possuem: 
a) Um objetivo ou finalidade – preocupação em distinguir a característica comum ou as leis 
gerais que regem determinados eventos. 
b) Uma função – aperfeiçoamento, por meio do crescente acervo de conhecimentos, da relação 
do homem com seu mundo. 
c) Objetos que podem ser material (aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou 
verificar) ou formal (o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem o mesmo 
objeto material. 
Devido à complexidade do universo e a diversidade de fenômenos que nele se manifestam, 
aliadas à necessidade do homem de estudá-los para entendê-los e explicá-los, levaram ao 
surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas. A classificação pode ser pela 
complexidade, conteúdo, objeto ou tema. 
Marconi e Lakatos (2004) oferecem várias classificações, mas ressaltam ser mais pertinente a 
classificação de Bunge (1974) o qual divide as ciências em formais e factuais: 
Interessa-nos discorrer sobre as 17 características do conhecimento científico no âmbito das 
ciências factuais, a saber: 
1. Racional porque é constituído por conceitos, juízos e raciocínios e não por sensações, 
imagens, modelos de conduta, etc. Ele permite que as ideias que o compõem possam combinar- 
se segundo um conjunto de regras lógicas, com a finalidade de produzir novas ideias e essas 
ideias se organizam em novos sistemas. 
2. Objetivo à medida que procura concordar com seu objeto - isto é, buscar alcançar a verdade 
factual por intermédio dos meios de observação, investigação e experimentação existentes; e à 
medida que verifica a adequação das ideias (hipóteses) aos fatos - recorrendo, para tal, à 
observação e à experimentação, atividades que são controláveis e, até certo ponto, 
reproduzíveis. 
3. Factual porque parte dos fatos, pode interferir neles, mas sempre volta para eles. Capta ou 
recolhe os fatos, da mesma forma que se produzem ou se apresentam na natureza ou na 
sociedade, segundo quadros conceituais ou esquemas de referência. Por fim, utiliza como 
matéria-prima da ciência, os "dados empíricos" - isto é, enunciados factuais confirmados, 
obtidos com a ajuda de teorias, quadros conceituais e que realimentam a teoria. 
4. Transcendente aos fatos, ou seja, descarta fatos, produz novos fatos e os explica - ao contrário 
do conhecimento vulgar ou popular, que apenas registra a aparência dos fatos e se atém a ela, 
limitando-se, frequentemente, a um fato isolado sem esforçar-se em correlacioná-lo com outros 
ou explica-lo, a investigação científica não se limita aos fatos observados: tem como função 
 
 
explicá-las, descobrir suas relações com outros fatos e expressar essas relações; em outras 
palavras, trata de conhecer a realidade além de suas aparências. Seleciona os fatos considerados 
relevantes, controla-os e, sempre que possível, os reproduz - pode, inclusive, criar coisas novas: 
compostos químicos, novas variedades de Vírus ou bactérias, de vegetais e, inclusive, de 
animais. O conhecimento científico não se contenta em descrever as experiências, mas sintetiza- 
as e compara-as com o que já se conhece sobre outros fatos - descobre, assim, suas correlações 
com outros níveis e estruturas da realidade, tratando de explicá-las por meio de hipóteses. A 
comprovação da veracidade das hipóteses as transforma em enunciados de leis gerais e sistemas 
de hipóteses (teoria). Por último leva o conhecimento além dos fatos observados, inferindo o 
que pode haver por trás deles. 
5. Analítico porque ao abordar um fato, processo, situação ou fenômeno, decompõe o todo em 
suas partes componentes - (não necessariamente a menor parte que a divisão permite), com o 
propósito de descobrir os elementos constitutivos da totalidade, assim como as interligações 
que explicam sua integração em função do contexto global. O procedimento científico de 
“análise” conduz à “síntese” - se a investigação inicia-se decompondo seus objetos com a 
finalidade de descobrir o “mecanismo” interno responsável pelos fenômenos observados, 
segue-se o exame da interdependência das partes e, numa etapa final, a “síntese”, isto é, a 
reconstrução do todo em termos de suas partes inter-relacionadas. Assim, se o processo de 
análise leva à decomposição do todo em seus elementos ou componentes, o de síntese procede 
à recomposição “das consequências aos princípios, do produto ao produtor, dos efeitos às 
causas ou, ainda, por simples correlacionamento” (TRUJILLO, 1974, p.15). O processo de análise 
e a subsequente síntese são “a única maneira conhecida de descobrir, como se constituem, 
transformam e desaparecem determinados fenômenos, em seu todo” (Bunge, 1974, p. 20). Por 
este motivo, a ciência rechaça a síntese obtida sem a prévia realização da análise. 
6. Claro e preciso – o conhecimento científico ao contrário do popular, precisa que o cientista se 
esforce ao máximo para ser exato e claro. O problema deve ser formulado com clareza, partir 
de noções simples, que ao longo do estudo, complicam, modificam e, se necessário, repelem- 
se. 
7. Comunicável – sua linguagem deve poder informar a todos os seres humanos que tenham 
sido instruídos para entendê-la; deve ser formulada de tal forma que todos investigadores 
possam verificar seus dados e hipóteses e deve ser considerada propriedade de toda 
humanidade. 
8. Verificável – deve ser aceito como válido quando passa pela prova da experiência ou da 
demonstração. Só após sua comprovação torna-se válido. 
9. Dependente de investigação metódica – uma vez que é planejado, ou seja, o cientista não age 
por acaso, ele planeja seu trabalho, sabe o que procura e como deve proceder para encontrar o 
que almeja. É evidente que esse planejamento não exclui, totalmente, o imprevisto ou o acaso; 
entretanto, prevendo sua possibilidade, o cientista trata de aproveitar a interferência do acaso, 
quando este ocorre ou é deliberadamente provocado, com a finalidade de submetê-lo a 
controle; baseia-se em conhecimento anterior, particularmente em hipóteses já confirmadas, 
em leis e princípios já estabelecidos - dessa forma, o conhecimento científico não resulta das 
investigações isoladas de um cientista, mas do trabalho de inúmeros investigadores; obedece a 
um método preestabelecido, que determina, no processo de investigação, a aplicação de 
normas e técnicas, em etapas claramente definidas - Essas normas e técnicas podem ser 
continuamente aperfeiçoadas. 
10. Acumulativo - seu desenvolvimento é uma consequência de um contínuo selecionar de 
conhecimentos significativos e operacionais. Novos conhecimentos podem substituir os antigos, 
quando estes se revelam disfuncionais ou ultrapassados. O aparecimento de novos 
 
 
conhecimentos em seu processo de adição aosjá existentes, pode ter como resultado a criação 
ou apreensão de novas situações, condições ou realidades. 
11. Falível - não é definitivo, absoluto ou final - a própria racionalidade da ciência permite que, 
além da acumulação gradual de resultados, o progresso científico também se efetue por 
“revoluções”. 
12. Geral - em decorrência de situar os fatos singulares em modelos gerais, os enunciados 
particulares em esquemas amplos, procurar, na variedade e unicidade, a uniformidade e a 
generalidade e a descoberta de leis ou princípios gerais permite a elaboração de modelos ou 
sistemas mais amplos. 
13. Explicativo - em virtude de ter corno finalidade explicar os fatos em termos de leis e as leis 
em termos de princípios, além de inquirir como são as coisas, intenta responder ao porquê. 
14. Preditivo – baseia-se na investigação dos fatos, assim como no acúmulo das experiências, 
levando a ciência a atuar no plano do previsível. Fundamentando-se em leis já estabelecidas e 
em informações fidedignas sobre o estado ou o relacionamento das coisas, seres ou fenômenos, 
pode, pela indução probabilística, prever ocorrências. 
15. Aberto – o conhecimento científico não conhece barreiras que, a priori, limitem o 
conhecimento - a ciência não dispõe de axiomas evidentes: até os princípios mais gerais e 
seguros constituem postulados que podem ser mudados ou corrigidos; a Ciência não é um 
sistema dogmático e cerrado, mas controvertido e aberto - isto é, constitui um sistema aberto 
porque é falível e, em consequência, capaz de progredir: quando surge uma nova situação, na 
qual as leis existentes revelam-se inadequadas, a Ciência propõe-se a realizar novas 
investigações, cujos resultados induzirão à correção ou, até a total substituição das leis 
incompatíveis; dependendo dos instrumentos de investigação disponíveis e dos conhecimentos 
acumulados. Até certo ponto está ligado às circunstâncias de sua época. 
16. Útil – O conhecimento científico é útil em decorrência de sua objetividade e experimentação 
que lhe conferem um conhecimento adequado das coisas e em decorrência de manter uma 
conexão com a tecnologia (MARCONI e LAKATOS, 2004). 
17. Sistemático - é constituído por um sistema de ideias, logicamente correlacionadas - o inter- 
relacionamento das ideias, que compõem o corpo de uma teoria, pode qualificar-se de orgânico. 
Contém um sistema de referência, que são modelos fundamentais de definições construídas 
sobre a base de conceitos e que se inter-relacionam de modo ordenado e completo, seguindo 
uma diretriz lógica; teorias e hipóteses; fontes de informações; quadros que explicam as 
propriedades relacionais. Ou seja: é metódica. Portanto, para estudá-la é necessário: MÉTODO. 
 
 
O MÉTODO E A PESQUISA 
Vivemos tempos, nunca dantes vistos. A realidade transformou-se enormemente, provocando 
alterações nos mais variados campos da vida humana. Padrões políticos, econômicos, sociais e 
culturais da sociedade, cunhados ao longo da história da humanidade e vistos como verdades 
absolutas são agora postos na berlinda da dúvida, o que leva a crer que a humanidade renunciou 
às certezas garantidas por séculos de tradição, passando a adotar a insegurança das mudanças 
constantes, com enfoque diferenciado na construção do conhecimento. Esse é o perfil humano 
da pós-modernidade. 
Inserida neste contexto, a ciência e seus conceitos comumente aceitos passaram a examinar as 
posições das metodologias convencionais, principalmente o papel social da mesma, vista por 
muitos como uma forma de 
 
 
Nessa luta incansável pelo método seguro para a investigação científica, observam-se as tensões 
e contradições do modelo racional adotado pela ciência moderna a partir do século XVI. 
Daí, a questão: como produzir conhecimento através da utilização de um pensamento objetivo 
e crítico sem o recurso das construções mecânicas, bem amarradas e terrivelmente lógicas, em 
um tempo de grandes contradições paradigmáticas e de perda da confiança epistemológica nas 
ciências? Conforme Pooli (1998), “a pesquisa social não é uma „sala confortável ‟, e é possível 
trabalhar sem estar em paz com seu objeto de trabalho, e essa deve ser a férrea necessidade 
das investigações sobre a organização os homens e das mulheres”. (p. 99). 
Porém e, apesar destas questões que nos rodeiam, a feitura da ciência e do conhecimento se 
faz necessária, tendo em vista os objetivos das Especializações: demonstrar o conhecimento 
adquirido, mas, também, aquele produzido pelo pretendente ao título. Para tanto, utiliza-se do 
método. 
Nesse sentido, o que vem a ser o Método? 
 
 
Método 
Buscamos a resposta em diversos autores: Souza, Fialho e Otani (2007) o definem como técnicas 
e instrumentos que determinam o modo sistematizado da forma de proceder num processo de 
pesquisa. Já para Trujillo (1974) método é a forma de proceder ao longo de um caminho. 
Em sendo, pode-se concluir que na ciência, os métodos constituem os instrumentos básicos de 
ordenação do processo de pesquisa, ou seja, traçam de modo ordenado a forma de proceder do 
cientista, ao longo de um percurso, para alcançar um objetivo. 
É bem verdade que ao longo da história da humanidade, esses métodos vêm sofrendo 
transformações. Na Antiguidade Clássica, período contemporâneo dos grandes filósofos 
Pitágoras, Sócrates e Platão, bastava a palavra do mestre para que fosse aceito um teorema 
como verdadeiro. 
Embora cada um dos pioneiros acima tenha traçado os seus passos, achamos por bem 
exemplificar com Galileu, posto ser este, o precursor da ciência moderna e das técnicas de 
pesquisa a partir de métodos, ou seja, do uso da Metodologia Científica, no fazer da ciência e na 
construção do conhecimento. Os seus principais passos foram: 
1. Observação dos Fenômenos 
2. Análise das Partes, Estabelecendo Relações Quantitativas 
3. Indução de Hipóteses 
4. Verificação das Hipóteses – Experimento 
5. Generalização dos Resultados 
6. Confirmação das Hipóteses 
7. Estabelecimento de Leis Gerais 
Método científico é, portanto, o conjunto de processos ou operações mentais que se deve 
empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. 
Conforme Gil (1995), Marconi e Lakatos (2008), os métodos que fornecem as bases lógicas à 
investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. 
 
 
Podem-se classificar os métodos de acordo com diferentes critérios. Historicamente, no 
entanto, percebem-se duas grandes vertentes, que são respectivamente o método dedutivo e 
o método indutivo. 
Outros métodos existentes são o hipotético-dedutivo, o dialético, o fenomenológico e alguns 
métodos específicos das Ciências Sociais (histórico, comparativo, monográfico, estatístico, 
tipológico, funcionalista e estruturalista). 
O Método Dedutivo, proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz, pressupõe que 
só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo 
de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem 
descendente, de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão. Usa o silogismo da 
construção lógica para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente 
das duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1995; LAKATOS, MARCONI, 1993). 
O clássico exemplo de raciocínio dedutivo é: 
 
O Método Indutivo foi proposto pelos empiristas: Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Consideram 
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta princípios 
preestabelecidos. No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da 
realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL, 
1995; MARCONI; LAKATOS, 2004). 
Um clássico exemplo de raciocínio indutivo: 
 
Por meio de um raciocínio dedutivo, parte-se de premissas que julgamos verdadeiras, sobre as 
quais aplicamos regras fornecidas por alguma lógica, para concluir ou negardeterminada 
proposição. No raciocínio indutivo busca-se alguma generalização ou abstração capaz de 
descrever um conjunto de dados. Pelo raciocínio analógico são estabelecidas relações de 
correspondência entre elementos de dois sistemas distintos. Os problemas que enfrentamos em 
nosso dia-a-Dia são resolvidos pela combinação desses diferentes tipos de raciocínio. 
Raciocinar envolve, tipicamente, considerar evidências relativas a uma hipótese ou conclusão. 
Simplificando, pode-se dizer que o ato de raciocinar consiste em gerar ou calcular um 
argumento. 
A lógica formal distingue dois tipos de argumentos: 
• Argumentos dedutivos: é necessário, dado que as premissas sejam verdadeiras, que a 
conclusão seja verdadeira; 
• Argumentos indutivos: dado que as premissas sejam verdadeiras, é provável que a conclusão 
também o seja. 
Método Hipotético-dedutivo: Proposto por Popper, este método consiste na adoção da seguinte 
linha de raciocínio: quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são 
insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as 
 
 
dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses 
formuladas, deduzem-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa 
tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se 
procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, 
procuram-se evidências empíricas para derruba-la (GIL, 1995, p.30). 
Método dialético: Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se 
transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É um método 
de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. 
Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, 
econômico, etc. Muito aplicado em pesquisa qualitativa (SOUZA, FIALHO, OTANI, 2007). O 
método histórico consiste em investigar acontecimentos, processos e instituições do passado 
para verificar sua influência na sociedade de hoje, pois as instituições alcançaram sua forma 
atual por meio de alterações de suas partes componentes, ao longo do tempo, influenciadas 
pelo contexto cultural particular de cada época. 
O método comparativo empregado por Tylor, considera o estudo das semelhanças e diferenças 
entre diversos tipos de grupos, sociedades ou povos. Contribui na compreensão do 
comportamento humano. Ele realiza comparações com a finalidade de verificar similitudes e 
explicar divergências. É usado tanto para comparar grupos no presente como no passado, ou 
entre os existentes e os do passado, quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios 
de desenvolvimento. 
Esse método permite analisar o dado concreto, deduzindo do mesmo os elementos constantes, 
abstratos e gerais. Constitui numa verdadeira experimentação direta. Empregado em estudos 
de largo alcance (desenvolvimento da sociedade capitalista), e de setores concretos 
(comparação de tipos específicos de eleições), assim como estudos qualitativos (diferentes 
formas de governo) e quantitativos (taxa de escolarização de países em desenvolvimento e 
subdesenvolvimento) (MARCONI E LAKATOS, 2004). 
O método monográfico foi criado por Le Play que o empregou para estudar famílias operárias 
na Europa. Parte do princípio de que qualquer caso que se estude em profundidade pode ser 
considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes. Esse 
método consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, 
grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações. 
O método funcionalista utilizado por Malinowski, é a rigor, mais um método de interpretação 
do que de investigação. Levando-se em consideração que a sociedade é formada por partes 
componentes, diferenciadas, Inter-relacionadas e interdependentes, satisfazendo cada uma das 
funções essenciais da vida social, e que as partes são mais bem entendidas compreendendo-se 
as funções que desempenham no todo, o método funcionalista estuda a sociedade do ponto de 
vista da função de suas unidades, isto e, como um sistema organizado de atividades (MARCONI 
E LAKATOS, 2004). 
Como vimos, a Metodologia Científica trata de método e ciência. A atividade preponderante da 
metodologia é a pesquisa. O conhecimento humano caracteriza-se pela relação estabelecida 
entre o sujeito e o objeto, podendo-se dizer que essa são uma relação de apropriação. 
Desse modo, a metodologia resulta de um conjunto de procedimentos a serem utilizados pelo 
indivíduo na obtenção do conhecimento. É a aplicação do método, por meio de processos e 
técnicas, que garante a legitimidade do saber obtido. 
A busca da necessidade humana de conhecer leva o homem a pesquisar. Uma pesquisa é um 
processo de construção do conhecimento que tem como meta principal gerar novos 
 
 
conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento preexistente. Basicamente, é 
um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual 
está se desenvolve. 
Lembre-se: 
Curiosidade intelectual + entusiasmo + independência + capacidade de trabalho e ambição 
acadêmica ou profissional + paciência e muita determinação são requisitos básicos para se 
tornar um pesquisador, em tempo integral ou somente para realização de um único projeto. 
De todo modo, todos os trabalhos científicos podem adotar uma estrutura comum. Apesar de 
os trabalhos tratarem de temas diferentes e, com distintos propósitos, poderem variar 
materialmente, é possível a coincidência sequencial comum. 
Segundo Salvador (1982) a composição de um trabalho científico pode ser expressa da seguinte 
forma: antecipar o que se vai transmitir; transmitir o que se havia proposto e; declarar o que se 
transmitiu. Essa sequência compreende a introdução, o desenvolvimento do trabalho e a 
conclusão. 
Então, o que vem a ser pesquisa? 
A pesquisa pode ser então definida como um procedimento racional e sistemático que tem 
como objetivo procurar respostas aos problemas propostos. Portanto, a pesquisa científica 
desenvolve-se mediante utilização dos conhecimentos disponíveis, métodos, técnicas e outros 
procedimentos científicos, que vão desde a adequada formulação do problema até a satisfatória 
apresentação dos resultados. 
Santos (2000) classifica as pesquisas em dois níveis: acadêmico e de ponta. O primeiro tipo é de 
caráter pedagógico, que visa despertar o espírito de busca intelectual autônoma. Realizada no 
âmbito da academia (universidade, faculdade ou outra instituição de ensino superior) conduzida 
por professores universitários, alunos de graduação e pós-graduação. O resultado mais 
importante não é o conhecimento de respostas salvadoras para a humanidade, mas sim a 
aquisição do espírito e método para a indagação intencional. As pesquisas de ponta são 
desenvolvidas por pesquisadores experientes e consiste na pesquisa direcionada a lidar com a 
problematização, a solução e as necessidades que ainda permanecem, seja porque 
simplesmente não foram respondidas ou adequadamente trabalhadas. A pesquisa de ponta é 
tentativa de negação / superação científica e existencial. 
Existem várias outras classificações para os tipos de pesquisa não havendo um único esquema 
classificatório. 
 
 
Classificação das pesquisas quanto ao objetivo específico 
Quanto aos objetivos específicos, as pesquisas científicas podem ser classificadas em três 
modalidades: exploratória, descritiva e explicativa. Cada uma trata o problema de maneira 
peculiar. A pesquisa exploratória tem “como objetivo proporcionar maior familiaridade com o 
problema” (GIL, 1995, p. 45). A descritiva adota “como objetivo primordial a descrição das 
características de determinada população ou fenômeno” (GIL, 1995, p. 46). Já a pesquisa 
explicativa tem “como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que 
contribuem para a ocorrência dos fenômenos”(GIL, 1995, p. 46). 
A pesquisa exploratória foca na maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais 
explícito ou a facilitar a construção de hipóteses. Esse tipo de pesquisa tem como principal 
objetivo o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições, novas ideias. A pesquisa 
 
 
exploratória é extremamente flexível, de modo que quaisquer aspectos relativos ao fato 
estudado têm importância. Grande parte das pesquisas do tipo envolve levantamento 
bibliográfico, documental e entrevista ou questionário envolvendo pessoas que tiveram alguma 
experiência com o problema. Geralmente são de natureza qualitativa. 
A pesquisa descritiva objetiva a descrição de determinada população ou fenômeno ou o 
estabelecimento de relações entre variáveis. Esse tipo de estudo tem como característica mais 
significativa a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário 
e a observação sistemática. Segundo Malhotra (2001, p. 108), a pesquisa descritiva “tem como 
principal objetivo a descrição de algo”, um evento, um fenômeno ou um fato. Os termos 
descritivos, descrição e descrever referem-se ao fato de esse tipo de pesquisa apoiar-se na 
estatística descritiva para realizar as descrições da população (mediante amostra probabilística) 
ou do fenômeno, ou relacionar variáveis. Assim, a pesquisa descritiva pura tem natureza 
quantitativa, mas pode ser quantitativa e qualitativa ao mesmo tempo, se representar descrição 
de amostra não-probabilística. 
A pesquisa explicativa procura aprofundar o conhecimento da realidade, explicando a razão e o 
porquê das coisas. Tem como objetivo principal a identificação dos motivos que determinaram 
a ocorrência de um fenômeno ou contribuíram para tanto. Esse tipo de pesquisa é, na maioria 
das vezes, uma continuação da pesquisa exploratória ou da pesquisa descritiva. 
 
 
Classificação das pesquisas quanto ao delineamento 
O delineamento da pesquisa corresponde ao seu planejamento numa dimensão mais ampla; ou 
seja, nesse momento o investigador estabelece os meios técnicos da investigação. 
O elemento mais importante para a adequada identificação de um delineamento é o 
procedimento utilizado na coleta de dados. A classificação das pesquisas quanto ao 
delineamento pode compreender diversos tipos, sendo os mais conhecidos: a pesquisa 
documental, a pesquisa bibliográfica, o levantamento, a 
pesquisa experimental, a pesquisa ex-post-facto, o estudo de caso e a pesquisa-ação. Vale 
destacar que na proporção em que a pesquisa científica avança, novas formas de delineamento 
tendem a surgir. 
A principal característica da pesquisa documental está relacionada com a sua fonte, a qual 
restringe-se a documentos escritos ou não-escritos, sempre de fontes primárias. 
Classificação das pesquisas quanto à natureza 
Quanto à natureza, as pesquisas científicas podem ser classificadas em três modalidades: a 
qualitativa, a quantitativa e a quanti-quali. 
A pesquisa qualitativa se dedica à compreensão dos significados dos eventos, sem a necessidade 
de apoiar-se em informações estatísticas. 
Desde a década de 1970, a pesquisa qualitativa vem assumindo certo grau de importância no 
campo das ciências sociais. Esse tipo de pesquisa adota a fenomenologia como base científica 
para moldar a compreensão da pesquisa, respondendo a questões dos tipos “o quê?”, “por 
quê?” e “como?”. Geralmente, a pesquisa qualitativa analisa pequenas amostras não 
necessariamente representativas da população, procurando entender as coisas, em vez de 
mensurá-las. A pesquisa qualitativa é considerada essencialmente de campo, porquanto nas 
ciências sociais a maioria dos estudos está relacionada a fenômenos de grupos ou sociedades, 
razão pela qual o investigador deve atuar onde se desenvolve o objeto de estudo. 
 
 
Na pesquisa quantitativa, a base científica vem do Positivismo, que durante muito tempo foi 
sinônimo de Ciência, considerada como investigação objetiva que se baseava em variáveis 
mensuráveis e proposições prováveis. 
pesquisa quanti-quali compreende a utilização de ambas as naturezas, quantitativa e qualitativa, 
numa pesquisa científica. Estudos de natureza quanti-quali têm como base tanto o positivismo 
como a fenomenologia. 
 
 
Técnicas de coleta de dados 
Toda pesquisa, em especial a pesquisa descritiva, deve ser bem planejada se quiser oferecer 
resultados úteis e fidedignos. Esse planejamento envolve também a tarefa de coleta de dados, 
que corresponde a uma fase intermediária da pesquisa descritiva. 
A coleta de dados ocorre após a escolha e delimitação do tema, a revisão bibliográfica, a 
definição dos objetivos, a formulação do problema e das hipóteses ou pressupostos e a 
identificação das variáveis. 
A coleta de dados, tarefa importante na pesquisa, envolve diversos passos, como a 
determinação da população a ser estudada, a elaboração do instrumento de coleta, a 
programação da coleta e também o tipo de dados e de coleta. Há diversas formas de coleta de 
dados, todas com suas vantagens e desvantagens. Na decisão do uso de uma forma ou de outra, 
o pesquisador levará em conta a que menos desvantagens oferecer, respeitados os objetivos da 
pesquisa. 
Nessa fase podem ser empregadas diferentes técnicas, sendo mais utilizados a entrevista, o 
questionário e a observação, quando aplicadas a pessoas, e a documentação indireta 
documental e a documentação indireta bibliográfica, quando não aplicadas a indivíduos. 
Cervo; Bervian; Silva (2007) elencam alguns passos básicos que devem ser observados na 
elaboração das perguntas: 
• Identificar os dados ou as variáveis sobre os quais serão feitas as questões; 
• Selecionar o tipo de pergunta a ser utilizado diante das vantagens e desvantagens de 
cada tipo, com vistas ao tempo a ser consumido para obter os dados e a maneira de 
tabulá-los e analisá-los; 
• Elaborar uma ou mais perguntas referentes a cada dado a ser levantado; 
• Analisar as questões elaboradas quanto a clareza da redação, classificação e sua real 
necessidade; codificar as questões para a posterior tabulação e análise com a inclusão 
dos códigos no próprio instrumento; 
• Elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do instrumento; 
• Submeter as questões a outros técnicos para sanar possíveis deficiências; 
• Revisar o instrumento para dar ordem e sequência para as questões; 
• Submeter o instrumento a um pré-teste para detectar possíveis reformulações ou 
correções, antes de sua aplicação. 
Outros instrumentos usados em pesquisas descritivas, como a entrevista e a observação, 
embora não percorram rigorosamente os passos descritos, devem cercar-se das devidas 
precauções para evitar prejuízos à pesquisa decorrentes de falhas na coleta de dados. 
A entrevista não é uma simples conversa. É uma conversa orientada para um objetivo definido: 
recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para a pesquisa. 
Devem-se adotar os seguintes critérios para o preparo e a realização da entrevista: 
 
 
• Planejar a entrevista, delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; 
• Obter, sempre que possível, algum conhecimento prévio acerca do entrevistado; 
• Marcar com antecedência o local e o horário da entrevista; qualquer transtorno poderá 
comprometer os resultados da pesquisa; 
• Criar condições, isto é, uma situação discreta, para a entrevista, pois será mais fácil obter 
informações espontâneas e confidenciais de uma pessoa isolada do que de uma pessoa 
acompanhada ou em grupo; 
Escolher o entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto 
escolhido; 
• Fazer uma lista das questões, destacando as mais importantes; 
• Assegurar um número suficiente de entrevistados, o que dependerá da viabilidade da 
informação a ser obtida. 
Técnicas de análise de dados qualitativa 
Dentre as técnicas de análise de dados qualitativa, destacam-se a análise de conteúdo e a análise 
de discurso. 
A análise de conteúdo é utilizada no tratamentode dados que visa identificar o que vem sendo 
dito acerca de determinado tema (VERGARA, 2005). Ela compreende um conjunto de técnicas 
de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de 
descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a 
inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) 
dessas mensagens. 
As principais fontes da análise de conteúdo são materiais jornalísticos e documentos 
institucionais. 
A análise de discurso é definida por Vergara (2005) como um método que pretende não somente 
apreender como uma mensagem é transmitida, mas também explorar o seu sentido. A análise 
de discurso avalia quem enviou a mensagem, quem recebeu a mensagem e qual o contexto em 
que está inserida. 
 
 
O USO DAS TIC NA PESQUISA CIENTÍFICA 
Em apenas uma geração a humanidade vive transformações equivalentes a muitos séculos. 
Pode-se afirmar que vive um momento histórico especial, com uma presença generalizada dos 
meios eletrônicos de comunicação e informação permitidos pelas novas Tecnologias de 
Informação e comunicação (TIC): surgimento e evolução da Internet, da TV Interativa, dos 
computadores de última geração e muito mais velozes, do avanço dos celulares como 
verdadeiros minicomputadores, fazendo do desenvolvimento dessas tecnologias algo quase que 
incontrolável. 
Contemporaneamente, novos valores vão surgindo, colocando a modernidade em seu limite 
histórico. Uma nova ciência começa a ser criada, baseada em um outro logos, não mais 
operativo, mas que tem na globalidade, na interatividade e na integridade seus focos e vetores 
mais fundamentais. 
E é neste contexto que o sistema educacional encontra e tem razão de ser dentro da perspectiva 
de seus processos metodológicos e se justificativa levando em conta, em seus processos 
didático-pedagógicos, a natureza e as especificidades deste mundo de comunicação e 
informação. 
 
 
Atualmente, em meio ao crescimento e desenvolvimento exponencial das TIC e a tentativa de 
sua absorção pela educação, faz-se necessário o estudo desse fenômeno, suas consequências e 
sua expansão pelo mundo e, em especial, no Brasil, por ser este um país de dimensões 
continentais e que convive com uma histórica má distribuição de renda, geradora de desníveis 
de toda ordem, tornando a Educação de qualidade um artigo de luxo, raro e caro, restrito a um 
percentual mínimo da população mais abastada, haja vista que, as TIC já estão sendo utilizadas 
por esta parcela da população brasileira. Em sendo, Castells confirma o fato, advertindo que, 
“as elites aprendem fazendo e com isso modificam as aplicações da tecnologia, enquanto a 
maior parte das pessoas aprende usando e, assim permanecendo dentro dos limites do pacote 
da tecnologia”. (2007, p.55). 
A EAD se expande naquele percentual da população do país excluída do processo educativo 
tradicional e que, principalmente, reside longe dos grandes centros. Sendo assim, a EAD apoiada 
pelas TIC, resulta em um processo de inclusão social de dimensões ainda por desvendar, 
possibilitando uma revolução na oferta de oportunidades. 
Nessa perspectiva da EAD, a utilização das TIC perpassa pelo uso, até mesmo, de forma 
obrigatória (vide normas de formatação e estrutura da ABNT), de todas as ferramentas que elas 
oferecem, em especial o computador e a Internet. 
Nesse sentido, autores como José Manoel Moran (2011, in, http://www.usp.br) e Eduardo 
Galhardo (2011, in, http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm), oferecem diversas 
orientações de como utilizar esses mecanismos, principalmente a Internet, para a realização de 
pesquisas de toda ordem, que, no nosso caso, trata-se, especificamente da pesquisa 
bibliográfica ou revisional. 
 
 
O PLÁGIO E COMO EVITÁ-LO 
De acordo com o dicionário Aurélio (2008), plágio, é "assinar ou apresentar como sua, obra 
artística ou científica de outrem". Etimologicamente, a origem da palavra serve como ilustradora 
cabal desse conceito que ela carrega, posto que, vem do grego (através do latim) 'plágios', cujo 
significado seria 'obliquo ‟, 'trapaceiro'. 
Não obstante, não é apenas esse conceito que a palavra transporta. Pode-se dizer em uma 
versão moderna que, plagiar é uma atitude de quem não acredita em seu potencial, tampouco 
pretende contribuir para a sua própria formação acadêmica e profissional, posto que, perde a 
oportunidade de enriquecer seu conhecimento e seu currículo. Isso demonstra a total 
incompetência e incapacidade de fazer a sua própria obra. Nesse sentido, cabe aqui um 
acréscimo, haja vista, que o plágio revela desonestidade intelectual por ser ilegal, mesmo 
quando autorizado. 
Sendo assim, mesmo quando não vai parar nos tribunais, plagiar é uma atitude condenável. Mas, 
parece que isso não é evidente para todos, haja vista a sua incidência recorrente. 
Portanto, podemos considerar que plagiar, é: 
• Não informar a fonte de uma citação; 
• Não colocar a citação entre aspas, quando menores que 4 linhas; 
• Assinar trabalho de outra pessoa como se fosse seu; 
• Não dar crédito a quem de direito ao copiar as palavras ou ideias de 
alguém; 
• Copiar a estrutura da sentença (frase), mudando as palavras, sem dar crédito ao autor 
original; 
http://www.usp.br/
http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm)
 
 
• Fazer um ajuntamento de parágrafos de diversas autorias, criando um outro texto e 
assinando como texto original, tendo créditos ou não; 
• Apresentar como seu um trabalho que contem tantas palavras ou ideias de uma fonte 
que se torne a maior parte desse trabalho, dando crédito ou não. Porém, temos casos 
clássicos de plágios denominados: 
• o plágio direto, quando se cópia de uma fonte integral, palavra por palavra não 
indicando que é uma citação e sem fazer nenhuma referência ao autor; 
• o empréstimo, quando se toma emprestado o trabalho de outro estudante, sem a 
devida indicação do verdadeiro autor, tornando-se um plágio direto; 
• o mosaico, quando se utiliza um texto do outra autoria, mudando algumas palavras 
dos parágrafos originais, podendo ser classificados como paráfrases, portanto, sem 
apontar o autor original e sem dar-lhe os devidos créditos; 
• a bricolagem, quando se utiliza de vários trechos de diversos textos de autores 
diferentes, fazendo-se uma „costura ‟destes trechos, criando-se assim, um outro texto 
composto de partes destes. 
Evitando o plágio 
É possível evitar o plágio, para tanto, faça sempre uma síntese do que você leu, conhecida como 
Leitura Sintópica, pois, sua originalidade resultará dessa síntese da bibliografia consultada. 
Além disso, quando precisar consultar outras fontes bibliográficas, dê a si próprio tempo 
suficiente para digerir a pesquisa. Se você está trabalhando diretamente do livro fonte, você 
pode começar a fazer um plágio mosaico. Se você escrever uma primeira versão sem usar o 
material da fonte, e, então, consultar novamente a fonte e incorporar as citações que você 
precisa e indicar seus empréstimos, você poderá perceber que produziu um texto mais original. 
A originalidade resulta da síntese do que você leu. 
Algumas ferramentas podem ser utilizadas para que não se cometam pequenos plágios não 
intencionais, tais como: 
a) Ficha literária: sempre que você ler algum livro, artigo ou quaisquer outros 
documentos, anote os dados necessários para as devidas referências (Autor. Título. 
Edição. Local: editora, ano); 
b) Anotações: tome notas cuidadosamente durante a pesquisa, incluindo referências 
bibliográficas completas. Isso irá assegurar que você possa facilmente fazer referência à 
fonte quando estiver preparando a versão final. 
c) Parênteses: transforme num hábito colocar entre parêntesis referências para todas 
as fontes de onde você fez empréstimos em cada versão que você escreve. Isso irá lhe 
poupar tempo porque você não terá que revisitar os textos referidos quando estiver 
preparando a versão final. 
d) Tempo: reserve um tempo hábil e necessáriopara pesquisar, escrever e revisar o seu 
trabalho. Inicie a pesquisa suficientemente cedo para determinar se seu tópico é 
trabalhável. Estudantes que apresentam um trabalho sobre um tópico diferente do 
proposto ou daquele sobre o qual fizeram trabalhos preliminares são frequentemente 
suspeitos de plágio. Quando você não consegue encontrar o material que precisa e não 
tem tempo suficiente para começar um novo tópico, plagiar é uma grande tentação. 
e) Confiança: acredite no seu potencial e trabalhe arduamente. Até mesmo os melhores 
escritores, às vezes, não têm consciência de suas boas ideias e acham que não têm nada 
a dizer quando na verdade seus escritos dizem muito. Ideias originais resultam de se 
trabalhar estreitamente com ideias de outros, não de flashes de inspiração; 
f) Rotina: não se faz ciência sem uma rotina de trabalho e pesquisa; 
g) Normas Técnicas: contar sempre com um guia de documentação (manual do TCC) 
com as regras de como redigir referências bibliográficas; 
 
 
h) Ajuda: no Instituto IBE/FACEL a professora, autora dessa apostila é a responsável pela 
Metodologia Científica, mas, também, em auxiliá-lo na feitura do seu trabalho, estando 
ao seu dispor, diariamente, via e-mail ou telefone. Procure-nos para as devidas 
orientações, sempre que precisar. É necessário que se aprenda a expressar as suas ideias 
com a devida clareza e honestidade, caso contrário, será preocupante a perspectiva de 
que a qualidade e idoneidade do seu trabalho possam se limitar à qualidade e 
idoneidade do que está na Internet. 
 
Alguns Conceitos Importantes 
Bricolagem: ajuntamento de trechos, frases e parágrafos de diversas autorias, formando um 
outro texto. Alguns autores consideram que este é um modelo de pesquisa, porém, a 
comunidade científica refuta o mesmo e, caso o autor de alguns desses trechos queira, poderá 
processar o escritor do mesmo por plágio. 
Paráfrase: o autor do texto reescreve, com suas palavras, algo que sua fonte disse. O objetivo 
de se parafrasear, ao invés de citar, é escrever ou reescrever o assunto numa linguagem que o 
público leitor irá compreender ou identificar mais facilmente. 
Por exemplo: artigos em revistas populares de ciência, tais como, a Superinteressante, 
frequentemente parafraseiam artigos de periódicos científicos. Essa é uma atividade intelectual 
importante, pois, demonstra que se compreende aquilo que se leu e se é capaz de trabalhar com 
aquele material. Conquanto, uma paráfrase deve ser, impreterivelmente, referenciada, posto 
que, em não sendo, será um caso de plágio tanto quanto uma cópia integral sem referência da 
fonte. Quando se diz algo com suas próprias palavras não quer dizer que esse algo é seu. 
Resumo: parecido com a paráfrase, o resumo de uma fonte é feito com as próprias palavras de 
outrem, mas é de outra fonte, ou seja, obrigatoriamente deve ser referendado, ou acorrerá em 
plágio. 
Referência vaga ou incorreta: deve-se indicar, claramente, onde um empréstimo começa e 
termina. Para tanto, utiliza-se as aspas para destacar o que são do autor e o que é da fonte. 
Algumas vezes, o escritor de um texto faz referência a uma fonte uma vez, e o leitor presume 
que as sentenças anteriores ou parágrafos tenham sido parafraseados quando na verdade a 
maior parte do texto é uma paráfrase desta única fonte. O escritor do texto falhou na indicação 
clara dos seus empréstimos às suas fontes. Paráfrases e resumos devem ter seus limites 
indicados por referências (no começo com o nome do autor, no fim com referência entre 
parêntesis). O escritor deve sempre indicar quando uma paráfrase, resumo ou citação começa, 
termina ou é interrompida. 
Citação: copiar, integralmente, ou seja, palavra por palavra, um texto, frase ou palavra que 
alguém disse, escreveu ou criou. Em um texto, uma citação deve ser indicada e ressaltada por 
aspas no início e no fim da citação ou, quando a citação é longa, a mesma deve ser colocada em 
um parágrafo separado por dois espaços antes e depois do texto principal, em fonte com 
tamanho menor e recuado à direita 4,0 cm. A fonte da citação (autor, data e página) precisa, 
ainda, ser referenciada, seja no próprio texto (em chamada anterior ou posterior a ela) ou em 
nota de rodapé. 
Referência: referendar é identificar a fonte de uma citação, paráfrase ou resumo. A prática de 
referenciar em textos acadêmicos e profissionais requerem o nome do autor, o título do livro 
ou periódico em que ele apareceu, a data da publicação da obra e o número da página em nota 
de rodapé. Porém, os textos acadêmicos e profissionais exigem uma referência completa, 
dentro do texto (autor, data e página) e uma entrada bibliográfica em nota de rodapé ou 
completa numa lista de Trabalhos Referenciados (Referências). 
 
 
Plágio mosaico: esse é o tipo de plágio mais comum. O Escritor não faz uma cópia da fonte 
diretamente, mas muda umas poucas palavras em cada sentença, sem dar crédito ao autor 
original. Esses parágrafos ou sentenças não são citações, mas estão tão próximas de sê-las que 
eles deveriam ter sido citados ou, se eles foram modificados o bastante para serem classificados 
como paráfrases, deveria ter sido feita a referência à fonte. Plágio direto: copiar, integralmente, 
uma frase, parágrafo ou mesmo um conceito, de uma fonte sem indicar que é uma citação e 
sem fazer referência ao autor. 
Tomar emprestado o trabalho de outros estudantes: este é um plágio direto consentido. Não há 
nada de errado em se tomar informações ou recorrer a ajuda de terceiros. O que não pode é 
não se produzir o próprio conhecimento. 
Plágio integral: tomar de outro autor um texto completo e assiná-lo como sendo de sua autoria. 
Plágio parcial: tomar emprestado de outro autor, partes de um texto e incluí-las em um texto 
seu, sem as devidas citações e referências.

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