Prévia do material em texto
Bioética e Aspectos Legais da Profissão Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M.ª Vanda Maria Gimenes Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro Bioética Bioética • Compreender os fundamentos da bioética. Estimular a reflexão sobre temas como respeito à pessoa, privacidade e confidencialidade, vulnerabilidade, interdisciplinaridade e consen- timento informado no contexto da enfermagem. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Introdução; • Breve Histórico; • Bioética das Situações Emergentes e Bioética das Situações Persistentes; • Origem e Definição de Bioética; • Os Princípios da Bioética; • O Principialismo e o Cuidado na Enfermagem. UNIDADE Bioética Introdução A iluminação através do desenvolvimento do saber científico das diversas áreas per- mite a associação de ideias e definições teóricas, objetivos, linha de pensamento e o próprio conhecimento aplicado no dia a dia por meio das ações. Essa constância tam- bém pode ser encontrada na bioética, que é um estímulo ao pluralismo de opiniões juntamente com o respeito por elas, normas comportamentais que validam sua prática com base em diversas tendências e pressupostos. O surgimento do termo bioético inicia-se por volta dos anos 1970, nos Estados Unidos. A dispersão foi feita imediatamente para a Europa e, em seguida, para os outros locais do mundo. A questão da ética globalizada voltada para preocupações com a preservação do planeta parte de indagações de novas descobertas e suas utilidades para os benefícios humanos. Contudo, os efeitos que o desenvolvimento está causando na natureza são preocupantes, pois a biodiversidade está ameaçada devido aos males que o desenvolvimento econômico podem causar por meio da exploração desenfreada dos recursos naturais. O que é bioética, disponível em: https://bit.ly/2PowSpt Figura 1 Fonte: Getty Images Breve Histórico A bioética é mundialmente reconhecida por meios das discussões e estudos sobre o tema a partir de 1970. O cancerologista estadunidense Van Rensselaer Potter, em 1971, propôs o conceito da interligação da ciência da vida e a sabedoria prática, nomeando, assim, de bioética. 8 9 A palavra bioética já teria sido usada antes por outros autores, contudo, pela falta de teoria ou informações concretas sobre o assunto, o tema foi pouco comentado devido à sua imprecisão sobre o assunto. Assim, Van Rensselaer Potter pode ser considerado o precursor da bioética a partir de seu livro Bioética: Ponte para o Futuro. Outro estudioso sobre o assunto é o italiano Maurizio Mori, que associa a moralidade e ética aplicadas. Esse conceito introduz o tratamento dispensado aos animais ao norma- tivo da ética geral, gerando o aspecto mais aprofundado da reflexão cultural para a socie- dade como um todo. Assim: “Nesse sentido, os anos 70 parecem constituir um daqueles períodos históricos nos quais nasce alguma coisa de novo e a história se encontra diante de uma encruzilhada que pode levar a mudanças significativas”. (MORI, 1994). Os conceitos sobre a bioética médica podem ser encontrados na Encyclopedia of Bioethics, não apenas se limitando ao tema isolado, mas adicionando fatores além dos limites tradicionais já propostos em 1970 e 1971 – os problemas dentológicos recorren- tes pelos profissionais de saúde juntamente aos seus pacientes. A utilização e o aprimoramento dos conceitos da bioética e seu desenvolvimento evoluem com o tempo, definições vagas e superficiais sobre a moral do bem e do mal não satisfazem mais a essa ciência, o que passa a ser desenvolvido e transmitido pelas universidades por intermédio da realidade concreto, transformando o termo em currícu- lo das ciências biomédicas, jurídicas ou sociais. A partir desses fatos, a linha temporal histórica da bioética é dividida em quatro eta- pas denominadas: • 1° Etapa: está relacionada à fundação e surgimento do tema em 1970, ano em que os primeiros estudiosos e autores sobre o assunto esboçam suas análises e come- çam a compreender as bases conceituais sobre a ética; • 2° Etapa: refere-se à expansão e consolidação dos termos, relacionando-as com a década de 1980, devido à expansão européia e, depois, mundial, devido à publica- ção de livros, eventos e publicações científicas sobre o tema, principalmente após a denominação dos quatro princípios bioéticos básicos; • 3° Etapa: é denominada revisão crítica, compreendendo o período dos anos 1990 a 2005 com dois movimentos distintos: O primeiro movimento destaca-se pelas críticas ao “principialismo” da corrente de pensamento estadunidense, a qual se baseia em princípios universais com expansão de seu campo de atuação por intermédio de diferenças entre a sociedade em que ela for aplicada e questões econômicas, sociais, políticas e culturais. Nesse aspecto, locais onde surgem diversos movimentos como o feminismo ou a defesa de igualdade dos negros e homossexuais, o estudo e a aplicação da ética são fundamentais. O segundo movimento pode ser entendido pela necessidade de vanguarda do modo ético e concreto sobre as questões de saneamentos básicos, juntamente com o aces- so universal das pessoas aos benefícios científicos e tecnológicos. Essas questões da pluralização de informação ainda são atuais, pois a responsabilidade ética do Estado junto aos cidadãos prioriza a alocação, distribuição dos recursos para atenderem aos problemas encontrados no campo da saúde; 9 UNIDADE Bioética • 4° Etapa: caracteriza-se pela ampliação conceitual, através da homologação em 19 de outubro de 2005, em Paris, através da Declaração Universal de Bioética e Direi- tos Humanos da UNESCO, que afirma o caráter pluralista nas disciplinas em que a bioética atua. A ampliação do campo dessa nova disciplina define novas temáticas e usos para além da biomédica- biotecnológicos, incluindo também outros campos como os sociais e ambientais. A inserção da bioética em outros currículos aumenta a diversidade de valores. A res- ponsabilidade individual e em sociedade, associada à tolerância, que é um indicador imprescindível na abordagem sobre ética, deve seguir “os quatro pês” necessários a uma prática ética responsável (prevenção, proteção, precaução e prudência), que são neces- sários, porém, não suficientes para compreensão, desenvolvimento crítico e respeito mútuo de idéias. A relação do conteúdo é essencial para a junção com outros materiais para propor os critérios e princípios a serem seguidos. Nesse aspecto, os pesquisadores devem encarar as críticas como construtivas, já que o trabalho da bioética está com os pilares formados em quatro princípios: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Muitos são os estudos que norteiam o princípio dos quatro fundamentos, a teoria principialista, criada por Tom Beauchamp e James Childress, a partir do conhecido “Relatório Belmont” e explicitada no livro Principles of Biomedical Ethics, publicado inicialmente em 1979, consolidam esses fatores como base para toda a bioética, sendo aceitável por especialistas nesse conteúdo. A maximização da autonomia, hierarquia e as relações de perspectiva anglo-saxônica são a base dos princípios, o que auxilia para o desbravamento ético do indivíduo perante os impasses de aceitação das resoluções propostas. Isso contribui para desenvolver a visão individual sobre os conflitos éticos, o que nem sempre acontece na sociedade de maneira eficiente. Pode-se notar que em nações indígenas, por exemplo, ou até em culturas do oriente, a autonomia é desconhecida pela população, por isso alguns temas podem sufocar essas sociedades, por apresentarem conceitos novos e totalmente inversos dos que praticam. É indispensável para essas culturas, até mesmo por uma questão de sobrevivência, a di- visão de tarefas adotadas pelo coletivo. A luta contra a exclusão social e a busca pelo fim do individualismo exacerbado nesse cotidiano é vanguardista no combate as injustiças sociais, o que ainda é bastante evidenciada em nossa população. Há necessidadede constatar a existência das categorias ou referenciais, como já foi dito, a importância dos pilares, que são a libertação, a tolerância e a solidariedade, juntamente aos já citados “quatro pês” para o exercício de uma prática ética responsá- vel: prudência, precaução, proteção e prevenção. Esses conceitos buscam nas normas ampliar o interesse bioético nas universidades, o que produz o conhecimento científico e são constantemente renovados através de estudos que os avaliam e reinterpretam. A ética prática (ou ética aplicada) é o campo estudado com mais ênfase na filosofia, mesmo esta sendo bem contestada por eles. A base de sustentação para sua aplicação é a natureza da ética na busca de seu constante aperfeiçoamento. 10 11 Os grandes dilemas que a representação da coletividade enfrenta é a adaptação da vida social à coletividade no cotidiano. A medida de ações e decisões nos séculos pas- sados era mais lenta, contudo, atualmente, as velocidades das informações são instan- tâneas, o que obriga o cidadão a pensar e decidir-se concretamente com mais rapidez e eficiência, quando não é preciso fazê-la de imediato. Os temas tecnológicos mudam constantemente e evoluem à medida que a sociedade desenvolve-se. No passado, um tema como transplante de órgãos ou tecidos huma- nos era inimaginável, atualmente, são possíveis, respeitando a particularidade de cada situação. Os limites para o desenvolvimento da vida são muito íntimos a cada cidadão, contudo, a espécie humana desenvolve-se, a cada dia, voltada para a prosperidade e a manutenção da vida. Os avanços tecnológicos e científicos moldaram e ainda transformam com eficiência e rapidez as áreas do conhecimento com os temas provenientes do nascimento, vida e morte. Essa nova realidade vista pelo viés filosófico, por exemplo, propôs a evolução com agilidade para aprimorar e incorporar os conceitos desenvolvidos através da evolu- ção destes e suas descobertas. As mudanças constatadas no cotidiano das pessoas e suas coletividades propõem que os parâmetros morais, que estavam adormecidos por muito tempo, passaram a ser questionados e foram moldados para estabelecerem o suprimento das necessidades dos estabelecimentos por meio de novos referenciais éticos por ordenamentos jurídicos sobre a nova realidade. Através disso, a bioética objetiva-se ao facilitar o entendimento de questões éticas e morais que possam surgir na vida dos proposicionais da saúde. Os preceitos básicos guiam o cidadão para enfrentar seus conflitos internos e externos a fim de se posicionar de maneira ética e honrosa nas mais variadas situações. Assim, os conceitos e teoria devem ser pesquisados e esclarecidos para todos. Essa não é uma obrigação, nem ao menos imposição de regras para o comportamento em socie- dade, pois a sociedade conta com as leis para isso. Contudo, o subsídio que o desenvolvi- mento dessa ciência propõe às pessoas para que possam refletir e buscar o conhecimento em relação ao comportamento ético e moral é imprescindível, pois adquirir pensamentos sobre o comportamento em relação a diversas situações profissionais é fundamental para o desenvolvimento do profissional da área da saúde ao vivenciar os conflitos éticos que sua função possa exigir. Bioética das Situações Emergentes e Bioética das Situações Persistentes Através dos estudos propostos, a frequência dos conflitos surgidos pela prosperidade do biomédico e os direitos humanos são enxergados até mesmo com preocupações éti- cas pela frágil situação que essas duas vertentes se encontram. As distorções de conteú- do, como nas questões relacionadas com a mercantilização de óvulos, esperma e úteros, 11 UNIDADE Bioética nas fecundações assistidas, ou até mesmo com comercialização de órgãos humanos para transplantes, dividem opiniões, já que essas visões estão muito distantes de conse- guirem trilhar o mesmo caminho. Figura 2 Fonte: Getty Images Nesses tipos de casos específicos, pode-se constatar que o poder aquisitivo interfere diretamente, já que somente os detentores desse poder conseguem pagar por determi- nados tratamentos ou até mesmo órgãos. Pode-se prever que os cidadãos mais pobres se venderiam para conseguir dinheiro, transformando-se em estoquistas desses “produtos” e os mais ricos seriam seus clientes. Além disso, os exemplos que acontecem no campo da saúde pública na utilização dos recursos financeiros para financiar projetos que buscam aprimorar a saúde dos pacientes são eventualmente desviados – os casos de corrupção por políticos ou técnicos infelizmente são comuns no Brasil, o que prejudicam os pacientes pela falta de remédios e os profissionais que estão sobrecarregados e mal remunerados. Essas dificuldades devem ser enfrentadas por meio da ética e honestidade dos admi- nistradores da saúde diante da repartição, as virtudes e honra são fundamentais para que as verbas cheguem ao seu destino, sem desvios ou utilização por terceiros. Os casos e problemas gerados, até mesmo pela aplicação de tecnologias de ponta, são objetos de estudo da bioética, que amplia constantemente seu campo de atuação, influenciando os diversos cursos que reconhecem sua importância para a formação do profissional. Por meio do debate, as contribuições e desenvolvimento da bioética equilibram os conflitos atuais e moldam um futuro mais próspero, e as quedas de questões – por exem- plo, a questão da neutralidade da ciência – impulsionam a bioética por sua multidiscipli- nariedade em adentrar nas grades curriculares e contribuir para a pluralização de ideias – essas visões, apesar de complexas, estão se tornando mais concretas e seus requisitos procurados pelos empregadores. 12 13 Outro ponto a se destacar são os países do hemisfério sul do mundo, pois as críti- cas deles à proposta da bioética limitam sua aplicação por falta de desenvolvimento. As limitações conceituais sobre o tema são provenientes dos países de primeiro mundo, que já incorporaram esses preceitos no passado. Assim, as discussões encontradas nos países subdesenvolvidos não são iguais às discussões nos países de primeiro mundo, visto que as situações-limite de ocorrências e até mesmo o desenvolvimento tecnológico diferencial muito a aplicação diretas dos termos propostos. Os compromissos desse assunto demonstram a necessidade de aprimoramento da bioética, pois a avaliação de seu movimento pelo mundo é crescente. A incorporação dela como nova disciplina nos currículos acadêmicos promove situações para o discente avaliar com ética as situações problemáticas no dia a dia e, principalmente, nos está- gios, a aplicação desses estudos formam o profissional mais capacitado e humanizado, perante aos desafios constantes da profissão. A melhor compreensão da área de estudo e abrangência disciplinar, a Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília (até o ano 2004, denominada de Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética, ligado ao Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da UnB), desde 1995, organiza e desenvolve programas para pós- -graduação para seus alunos introduzindo a bioética em dois campos fundamentais de atuação: a bioética das situações emergentes e a bioética das situações persistentes. Entende-se por bioética das situações emergentes as descobertas e estudos recentes que debatem temas como o desenvolvimento biotecnocientífico experimentado. Os des- taques desses estudos são o projeto genoma humano e seus desdobramentos e avanços sobre a engenharia genética, com destaque para a medicina preditiva e a terapia gênica. As doações, transplante de órgãos e tecidos humanos ainda são desafios recorrentes pelos enfrentamentos e influências que denominam a vida e a morte das pessoas pela atuação moralizadora e controladora do Estado nas relações com a “lista de espera”. As questões sobre a saúde reprodutiva devem ser analisadas como um todo, inicial- mente pela fecundação assistida até o final onde há a necessidade do descarte de em- briões. Os avançosgenéticos não estão fora desse assunto, opõem-se como a escolha do sexo, características físicas, contratos de “mães de aluguel”, clonagem, entre outros, pois são questões desenvolvidas pela biossegurança que sofre constantemente mudan- ças pelas leis e até mesmo perseguições. A bioética das situações persistentes provém desde a antiguidade, debatendo sobre exclusão social, discriminações de gênero, raça, sexualidade e outras. Temas abrangentes como equidade, a universalização de tratamentos, o aborto, a eutanásia, a alocação e dis- tribuição dos recursos econômico na saúde pressupõe como parte democrática e constru- tiva dos direitos humanos sob a vida dos cidadãos e a própria manutenção da comunidade. Os temas do aborto e eutanásia podem ser situados por alguns autores como “emer- gentes” ou de “limites”, esses casos são persistentes no decorrer da história por divi- dir opiniões. Os casos expostos são dificilmente enquadrados em situações comuns do cotidiano e um agravante são as questões religiosas. 13 UNIDADE Bioética Figura 3 Fonte: opas.org.br A bioética está associada às questões de opiniões e dilemas dos profissionais da saúde ao envolver suas próprias crenças. Nesses temas complexos, enquadra-se o aborto, eutanásia, pesquisa com células-tronco, transgênicas e toda pesquisa que envolve a divi- são da opinião pública pela ética ou questões religiosas. Na enfermagem, o ato de cuidar tem significativos abrangentes com o ser humano ao suprir suas necessidades básicas na sociedade, contudo, na prática, os cuidados tomados com o cidadão dependem das relações estabelecidas pelas assistências, variando das rela- ções pré-estabelecidas. Através disso, o cuidado é indispensável para a sociedade e o pro- fissional que desenvolve suas funções com base na ética torna-se competente, pois colabora para o tratamento humanizado dos pacientes, que necessitam ser tratados com dignidade. De uma “Bioética de Princípios” A uma “Bioética Interventiva” – Crítica e Socialmente Com- prometida, disponível em: https://bit.ly/3rhwffJ Origem e Definição de Bioética As ações que desenvolveram a bioética iniciaram-se a partir dos avanços biológicos moleculares e da biotecnologia no junto à medicina. Contudo, esses feitos não foram simplificados e seguiram uma linha linear, as denúncias e os abusos feitos pela huma- nidade utilizando os próprios seres humanos como cobaias foram fatores marcantes no campo da saúde, por exemplo, nas guerras que utilizavam prisioneiros para os diversos experimentos sobre o corpo humano e suas capacitações. 14 15 O pluralismo de ideias e a troca de informações entre os povos do ocidente e oriente dividem-se devido às questões culturais, local geográfico, filosofia e conceito moral sobre os problemas da sociedade e questões relacionadas com os direitos humanos, pois, além dessas divergências, as instituições religiosas estão fortemente presentes na sociedade. As normas em sociedade seguem os poderes legislativos, podendo ser constituintes por país ou feitos por estados, como no caso dos Estados Unidos. Entretanto, é inegável que os poderes executivos se envolvem diretamente na vida e direitos dos cidadãos sobre a saúde, reprodução e morte. Por fim, ainda podem ser observados os posicionamentos dos organismos e entidades internacionais que auxiliam a preservação da vida em dife- rentes continentes. Através dessas questões, a bioética aplicada está na vanguarda da aquisição e utiliza- ção de novas tecnologias na área da saúde, estes novos métodos enfrentam dilemas mo- rais dependendo do tipo de trabalho a ser desenvolvido. Assim, este estudo inclui partes da filosofia moral e suas características. A bioética foi fundada nos Estados Unidos entre o final dos anos de 1960 e início dos anos 1970, na época, as mudanças históricas e culturais colaboraram para que a sociedade voltasse sua atenção para a ética aplicada. O precursor do termo bioética foi o médico oncologista Van Rensselaer Potter da Uni- versidade de Wisconsin, ao utilizar o termo na obra intitulada Bioethics a Bridje to the Future. Para o autor, essa ciência iria garantir a prosperidade e longevidade do planeta. Com o decorrer do tempo, a definição de bioética alcançou lugar na Enciclopédia de Bioética do Instituto kennedy, uma das mais importantes e influenciadoras de seu tempo. Seu estudo foi denominado como um sistema da conduta humana no âmbito das ciências da vida e saúde por meio de diversos tipos de métodos voltados à ética, as metodologias utilizadas contextualizam a inclusão interdisciplinar através do debate em diversas áreas da ciência pautadas em valores e princípios morais da humanidade. A bioética no campo da saúde está centrada nos pilares da ética médica, mas seu crescimento nos últimos anos mudou seu sentido tradicional e acoplou os problemas que possam surgir na relação médico e paciente. Assim, o conceito renova-se novamente, ampliando-o em quatro aspectos centrais: 1. Entender e compreender as relações referentes aos valores que surgem no desen- volvimento das funções no campo da saúde, inclusive referentes a outras profi ssões; 2. A aplicação dos conceitos biomédicos e seu comportamento são independen- tes. Incorpora-se às investigações a área de comportamento com ou sem infl u- ência terapêutica; 3. A abordagem referente às questões sociais relacionadas à área da saúde ocupacio- nal e internacional, baseando-se na ética de controle da natalidade, entre outros; 4. A compreensão dos conceitos da vida e saúde estende-se até os animais e plan- tas, por exemplo, os experimentos e descobertas são feitos também na área da saúde ambiental. 15 UNIDADE Bioética Os Princípios da Bioética A metodologia desenvolvida desde o surgimento da bioética, nos finais dos anos de 1960 e início dos anos 1970, estabeleceram métodos de análise para os casos que se tornaram concretos devidos aos problemas éticos dos profissionais de saúde. Estudio- sos sobre o novo tema, os norte americanos Tom L. Beauchamp e James F. Childress publicaram um livro chamado Principles of Biomedical Ethics, explicando as teorias fun- damentadas nos quatro princípios básicos de não maleficência, beneficência,autonomia e justiça, tornando esses conceitos fundamentos para o desenvolvimento da bioética, recebendo também a denominação de principalismo. Entende-se por principalismo as funções desempenhadas nas áreas de saúde que seguem regras morais a fim de capacitar os profissionais a resolverem problemas que surjam no seu dia a dia, principalmente relacionados aos pacientes. Este conceito que- brou os paradigmas da doutrinação unicamente através da ética e virtudes. Com base neles, pode citar Aristóteles ao supor que praticante da ação é capaz de estabelecer o bem do paciente e, com isso, moldar sua conduta moral de acordo com os valores aceitos pela sociedade, o que significa que, nas questões como diagnóstico, prognóstico, tratamento adequado e cuidados especiais, o profissional da saúde utiliza-se da cautela. As mudanças constatadas no decorrer do tempo para a utilização da ética baseada nas virtudes sofreram mudanças efetivas na sociedade contemporânea. Um exemplo disso é a mudança da figura do médico, que era considerado autoridade perante o trata- mento que ele havia proposto, podendo decidir pelo paciente. Porém, com o princípio de autonomia, o paciente é protegido pelo sistema jurídico, o que lhe dá a opção de aceitar ou não um devido tratamento e, apenas com sua autorização, o médico pode decidir sobre a opção a ser seguida. O Princípio da Autonomia O profissional com autonomia busca atender suas funções através do desenvolvimen- to de valores que o auxiliam a concluir determinado trabalho. Esse conceito é bastante amplo, porém, podem-se destacar a moral e a jurídica. A moral do indivíduo tem como pilar central o respeito e autoconhecimento de suas ações, o preito ao próximo é de- monstrado quando se realiza alguma atividade sem que resulte emdanos ou constrangi- mentos perante o outro ser humano. A dimensão jurista envolve-se no teor da intimidade, sua função baseia-se no livre arbítrio individual, muito desenvolvida na atualidade que tem esse direito reconhecido por lei. Esses princípios voltados para a área da saúde proporcionam ao paciente a opção de adquirir informações válidas e de diversos profissionais da saúde para que possa decidir o tipo de tratamento a ser seguido, e isso também evita que este seja coagido ou então enganado por outra pessoa, permitindo que sua escolha seja racional ao se submeter ou não a um determinado tratamento. 16 17 Por meio desse princípio, o profissional de saúde é obrigado a fornecer ao paciente informações completas sobre seu possível problema e mostrar os diversos caminhos que possam ser realizados para que ele se habilite novamente. O respeito pela autonomia do paciente incentiva-o a não ser dependente de terceiros, já que as informações cedidas à sua preferência por um devido tratamento será respeitada. O direito à informação promove e protege a autonomia do paciente, mas ela só é pos- sível quando existe a boa comunicação entre o profissional da saúde e o paciente. Dessa forma, é dever do enfermeiro prover a boa comunicação sem teor de sarcasmo ou igno- rância, levando as informações corretas para proporcionar a melhor escolha do paciente. O consentimento do enfermeiro deve surgir através de sua ética e virtudes, não sen- do forçada, mas sim genuína no momento em que revela as informações. É necessário que esse profissional escolha a melhor forma de informar ao paciente seu estado e suas opções, tendo consideração ao nível de sua capacitação e habilidade de compreender a mensagem que está sendo passada. O consentimento livre e informativo é o resultado do relacionamento do profissional de saúde com o conhecimento e habilidade em passá-lo adiante para seu paciente, ao indicar as opções, benefícios e riscos. O profissional que consegue realizar esse diálogo com sucesso, desenvolve seu papel ético perante o paciente, mas há casos graves em que a melhor opção é limitar algumas informações, como: • A incapacidade: devem ser limitadas as informações para crianças e adultos que, por algum motivo, tenha a diminuição do sensório ou da consciência, também abrangidas nas patologias neurológicas e psiquiátricas severas; • Em situações de urgência, por necessidade de agir, quando o cliente não pode res- ponder por ele; • Por obrigações definidas em lei perante a declaração de doença notificada compulsória; • Situações de risco grave para a saúde de outras pessoas, cuja identidade é conhecida:é dever do médico informá-la de uma possível contaminação, mesmo que o paciente não autorize; • Quando o paciente por vontade própria recusa-se a ser informado e opinar nas de- cisões a serem tomadas. O Princípio da Beneficiência Beauchamp e Childress definem beneficência como uma ação feita para beneficiar o outro. Esse princípio é resultado do uso das virtudes para ajudar outra pessoa, sem que receba algo material ou regalias em troca. Esse termo provém da medicina grega, por meio da expressão no juramento de Hipócrates: “Usarei o tratamento para ajudar os doen- tes, de acordo com minha habilidade e julgamento e nunca o utilizarei para prejudicá-lo”. Esse juramento ainda é válido para os dias atuais, pois a obrigação moral de agir para o benefício de outros é essencial para o profissional da saúde. Nessa vertente, é dever do profissional fazer o seu melhor para o benefício do paciente, e não somente isso, além da necessidade de assisti-lo tecnicamente, a atenção pessoal e ética é indispensável. O uso do conhecimento, habilidade profissional, preocupação com o estado clínico, 17 UNIDADE Bioética minimização dos riscos e maior desempenho voltados aos benefícios do paciente são os pilares da beneficência na saúde. O profissional da saúde necessita ter o princípio da beneficência e nunca praticar a “não maleficência” que seria o ato de prejudicar algum paciente intencionalmente, pois suas funções são o oposto disso, já que o enfermeiro contribui para a cura e bem estar dos pacientes por intermédio de ações como prevenções ou até mesmo para remover o dano causado por terceiros, como doenças transmissíveis, ou então a incapacidade de se cuidar sozinho. A saúde física, emocional e mental necessita de atenção constante- mente, pois no âmbito das ações positivas feitas pelos profissionais da saúde o paciente consegue se curar mais facilmente. O bom profissional da saúde consegue avaliar os seus atos voltados ao bem estar do paciente, já que ele pode desenvolver benefícios para avaliar os riscos/custos de cada ação tomada. Dessa forma, é dever do profissional de saúde propor e saber o quais são os pontos que produzem benefícios aos seus pacientes. Para utilizar esse princípio sabia- mente, é imprescindível atualização, estudo, preparo e competência do profissional, pois somente assim o profissional consegue decidir sabiamente quais os riscos e benefícios de uma determinada ação, sem que o paciente seja exposto pelas ações ou procedimentos que o profissional optou no momento. O uso da beneficência na prática da medicina ao longo dos séculos produz excelen- tes resultados, o destaque dessa atividade produziu conteúdos que foram denominados paternalismo médico. As expressões utilizadas foram concretizadas por atitudes prove- nientes da terapia, uma vez que se consegue notar a melhora do paciente ao incluí-lo nas ações de seu tratamento, respeitando sua liberdade de escolha. O Princípio da não Maleficiência Para explicar esse princípio, é necessário recorrer aos autores Kipper e Clotet (1998), pois eles alegam que esse novo princípio poderia ser interpretado como “a obrigação de não causar danos”, tal afirmativa nos alerta quanto ao uso da prudência diante das situações em que o profissional da saúde não terá meios para intervir, pois se deve levar em consideração que em alguns casos o ato “benéfico” poderia resultar em grandes prejuízos para o paciente em questão. A proposta dessa teoria foi fortemente propagada, pois ela explica com bastante clareza e objetividade os riscos ao lidar com tais situações, as quais são corriqueiras ao exercício da função dos profissionais da saúde e podem ter o efeito contrário, prejudi- cando o tratamento. A não maleficência é adotada por diversos estudiosos da aérea, enquanto um dos pila- res fundamentais dentro da tradição hipocrática da ética médica, pode-se evidenciar isso ao analisar uma de suas principais afirmativas acerca do princípio estudado em questão: “cria o hábito de duas coisas: socorrer (ajudar) ou, ao menos, não causar danos”. O que deve interpretar e adaptar nesse ponto é que ele coloca em voga a necessidade de o profissional adotar uma ética mínima, que, caso não seja devidamente cumprida, poderá 18 19 levar o profissional a uma situação qualificada como prática negligente no exercício da medicina ou todas as outras áreas biomédicas que ali estão atuando. Quanto à importância da não maleficência, deve-se ressaltar que ela é indispensável porque evita, na maioria das vezes, o risco de causar danos inseparáveis de uma ação ou procedimento que está moralmente indicado. É muito comum encontrar casos com essas situações dentro da área médica, já que é comum a quase todas as intervenções diagnosticadas ou terapêuticas serem permeadas por um risco de dano que podem ser até irreversíveis. Pode-se adotar como exemplo uma situação corriqueira tal qual uma simples retirada de sangue, em que, ao se realizar um teste diagnóstico, tem-se a chance do risco de causar hemorragia no local puncionado. Ao analisar a questão acima mencionada do ponto de vista ético, conclui-se que esse dano poderá ser justificado se o benefício esperado com o resultado do exame for maior que o risco de hemorragia, como descobrir uma determinada doença ou algum parasita que está causando danos aopaciente. Nesse sentido, o propósito do procedimento é beneficiar o paciente e não lhe proporcionar o sangramento. Porém, tal exemplo se refere a uma situação em que as consequências do dano são pequenas e certamente não haveria risco de vida, entretanto, caso o paciente tenha pro- blemas de hemostasia, o risco será aumentado. Assim, à medida que houver algum risco de causar dano, é dever do profissional da saúde estar ciente de seus atos e que o risco maior ao paciente pode ser justificado e deverá estar pautado pelo objetivo do procedi- mento, pois, dessa forma, estará justificado qualquer ato considerado eticamente correto. As afirmações que se referem às boas intenções do profissional da saúde para com o seu cliente não são justificativas plausíveis para explicar algum dano, faz-se necessário evitar qualquer situação que apresente riscos para o mesmo. Além disso, é de suma importância averiguar se o modo de agir não estará prejudicando o cliente individual ou coletivamente, e ainda se determinado procedimento não apresenta riscos, exposições e nem fere a autonomia do paciente e deve ser realizada a ação somente após verificar se existe outro modo de executá-la com menos riscos. O Princípio da Justiça O conceito de justiça neste contexto refere-se ao tratamento que os cidadãos esperam receber, como iguais ou em função de suas diferenças sociais, dentre os outros membros da coletividade e do ordenamento jurídico que regula as relações entre eles. Ao se analisar fundo o princípio da justiça, nota-se que ele está relacionado à distri- buição correta e adequada de deveres e benefícios entre as diversas camadas sociais e interligadas a determinada política, cultura, religião ou local geográfico. Seguindo essa linha de raciocínio, entende-se que os seres humanos possuem a mes- ma equivalência entre si, isso desde seu nascimento, o que lhes garante que não será negado qualquer tratamento ou assistência em função de nenhum tipo de discriminação, seja social, racial ou outro aspecto, estando pautado com a equidade na distribuição de bens e recursos considerados comuns, na tentativa de igualar as oportunidades de aces- so a tais bens. 19 UNIDADE Bioética Na atualidade, observamos o aumento do cuidado para com a saúde, porém, a sociedade se depara com um cenário em que há altos custos neste setor, o que faz com que questões acerca da justiça social sejam levadas em consideração ao se fazer uma distribuição justa de recursos da saúde entre as diferentes camadas sociais. Diante desse cenário, a ética, cumpre um papel público de proteger a vida e a integridade das pes- soas, com o intuito de evitar a discriminação, a marginalização e a segregação social. É direito, portanto, segundo o conceito de justiça que as pessoas tenham acesso aos recursos básicos necessários para garantir a sua saúde e bem-estar. Entre os fatores que asseguram esse direito a todos os cidadãos defendidos por lei, podem-se citar: equidade na distribuição de bens, riscos e benefícios, respeito às diferenças individuais e a busca de soluções para resolvê-las, liberdade de expressão e igualdade na consideração dos interesses envolvidos nas relações do sistema de saúde, dos profissionais e dos usuários. É importante ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que: “[...] toda pessoa tem direito a um nível de vida adequado que assegure para si e sua família, a saúde e o bem estar, e em especial a alimentação, a habitação, a assistência sanitária e os serviços sociais necessários.”. (BRASIL, 2018). Entende-se então que a justiça se faz necessária para assegurar a proteção dos cidadãos autônomos, porém, a solidariedade também ocupa um papel essencial neste âmbito, pois na mesma proporção em que a justiça garante igual direito e respeito para cada sujeito autônomo, a solidariedade faz com que a empatia e a preocupação pelo bem-estar do próximo estejam presentes. O Principialismo e o Cuidado na Enfermagem Quando se estuda a história da humanidade, nota-se que a mesma é repleta de ações sobre o cuidar, pois o ato de cuidar é uma das premissas necessárias à manutenção da vida humana, desde o seu nascimento até à sua morte. Contudo, apenas no século XIX essa prática do cuidado ganhou outra conotação, deixando de ser uma simples ação para se tornar uma necessidade defendida por lei e obrigatoriamente realizada pelo estado. Nesse contexto histórico, surgiu, na Inglaterra, a figura chamada Florence Nightingale que atuou nas guerras como enfermeira e ficou conhecida como a fundadora da enfer- magem moderna, sendo considerada a grande responsável por transformar os cuida- dos baseados em técnicas comuns em métodos e técnicas específicas, complemente diferente daquilo que fora praticado antes. A princípio, quando se falada origem da enfermagem, deve-se destacar que a mesma era praticada apenas por mulheres e sua função desenvolvia-se apenas no exercício da maternidade, muito diferente dos dias atuais. A partir do século XIX, Florence Nightingale 20 21 revolucionou esse cenário depois de ter trabalhado no cuidado de soldados durante a guerra da Crimeia. Com seu estudo embasado na técnica e na ciência, Florence criou e implantou aquilo que hoje conhecemos como prática de enfermagem, na qual era utiliza- da uma série de sequências de atividades para adiantar o cuidado como representações visuais de gráficos e, dessa forma, obter um melhor resultado no atendimento. O ato de inserir a enfermagem na sociedade impactou também no campo religioso, pois a religião foi perdendo espaço em prol da ciência iluminista que desmistificava os “milagres” à medida que pesquisadores se interessavam pela aplicação e desenvolvimen- to das ciências médicas. No passar do tempo, o campo da saúde exigiu gradativamente maior qualificação dos profissionais da enfermagem, não somente técnico como tam- bém ético. Nesse ponto, houve a necessidade de conciliar o campo técnico operacional com os aspectos éticos morais, o que está consolidado no desenvolvimento da bioética. A divisão do trabalho está pautada em princípios, se propor apenas o desenvolvimento do aspecto técnico, pode-se mecanizar muito o processo de cuidado e ignorar o lado humanitário da profissão, por outro lado, enaltecer somente os aspectos éticos e morais, pode-se atrapalhar o desenvolvimento científico e técnico que deveria ser aplicado para o bom resultado do paciente. Assim, o profissional da saúde necessita de habilidade para conciliar os dois aspectos tão distintos e necessários ao mesmo tempo. É necessário recorrer à bioética, pois a mesma abrange desde conhecimentos biológicos e humanos até as áreas que estudam a vida como um todo. A bioética toma por base os quatro princípios fundamentais, são eles:autonomia, não maleficência, benevolência e justiça. O papel da bioética é contribuir e tornar-se a ponte entre os aspectos biológicos e humanos dos pacientes. E nesse âmbito a enfermagem necessita dessa ponte, pois ela é uma profissão que exige por parte de quem a pratica o cuidado com o ser humano, seja individualmente, na família ou na comunidade, ao desenvolver atividades de promoção e prevenção de doenças; recuperação e reabilitação da saúde ao atuar em equipes e res- peitando as decisões do paciente quando ele tem condições físicas e mentais de fazê-la. Compete, portanto, à enfermagem o dever para com o cuidado pelo conforto, acolhi- mento e bem-estar dos pacientes, tanto ao prestar cuidado quanto ao prestar assistência e proporcionar autonomia para os pacientes através da educação sobre a saúde. Ao conciliar os deveres dos profissionais da enfermagem com aquilo que é proposto pela bioética, é possível chegar à conclusão de que ambos estão alinhados na busca do outro, ao olhar o outro como um ser integral e preocupar-se com as necessidades dele. Ambas as partes se preocupam em assegurar a garantia da dignidade, em situações nas quais o ser humano estaria fragilizado, respeitando o seudireito ao viver pleno, sau- dável em convivência com os outros, sem ameaça a sua condição de humano. É fato que a enfermagem aplica os princípios da bioética no seu cotidiano, princi- palmente quando pratica o respeito à individualidade do paciente, procurando atender às necessidades de cada um deles. A procura por oferecer assistência isenta de riscos e danos físicos ou morais vai além disso, deve-se informar a ação que será executada ao 21 UNIDADE Bioética paciente, para que ele escolha se vai aceitar ou não. Esse princípio é conhecido como autonomia do paciente. Por meio disso, o que se reivindica é a orientação para o profissional da saúde se dire- cionar através de sua prática voltada ao ‘compromisso ético do cuidado’ e pratique suas ações através de atitudes que não ultrapassem os limites da consciência profissional, es- tabelecendo assim um paralelo de confiabilidade entre: cuidado técnico e o cuidado-ético. Enquanto a consciência profissional busca o desenvolvimento do trabalhoefetivo para cumprir com as tarefas e os deveres, o compromisso de cuidar mobiliza-se no sentido de responsabilização radical para com a promoção da pessoa, respeitando e promovendo sua autonomia, cidadania, dignidade e saúde. Por fim, o que se propõe é a reflexão sobre as ações tomadas pelo enfermeiro, que elas sejam pensadas e discernidas e, acima de tudo, que os profissionais de enfermagem usem seus conhecimentos com responsabilidade. 22 23 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura A Bioética no Contexto da Enfermagem: Aspectos Éticos e Legais https://bit.ly/30aV15d Bioética e Enfermagem: Uma Revisão de Literatura https://bit.ly/3qksGUu Ética em pesquisa no sistema cep-conep brasileiro: Reflexões necessárias https://bit.ly/3rjIYhJ Os Enfermeiros Diante do Dilema Ético: Transfusão de Sangue em Testemunhas de Jeová https://bit.ly/3bivNIc 23 UNIDADE Bioética Referências BRASIL. Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Artigo 25°: Direito à saúde, bem estar e segurança. 2018. Disponível em: . Acesso em: 04/03/2021. OGUISSO, T.; SCHIMIDT, M. J. O exercício da enfermagem: uma abordagem éti- co-legal. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. PESSINI, L.; BARCHIFONTAINE, C. P. Problemas atuais de bioética. 10ª ed. São Paulo: Loyola, 2012. VEATCH, R. M. Bioética. 3. ed. São Paulo. Pearson Education do Brasil, 2014. 24