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3ª AULA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 Contratos Bancários 2 ATIVIDADE BANCÁRIA A atividade típica de banco é a intermediação de recursos monetários, ou seja, dinheiro. Ela surge junto com a moeda, na Antiguidade. Estudos de arqueologia revelam que em antigas civilizações, como na babilônica ou fenícia, pessoas já se dedicavam a essa atividade intermediadora. (COELHO, p. 126, 2009). 3 2. Instituições financeiras A Lei n. 4.595/64, em seu artigo 17, assim estabelece: Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros 4 3. Ações próprias das Instituições financeiras Coleta; Intermediação; Aplicação de recursos financeiros; Custódia de valor de propriedade de terceiro. 5 3. Conceito de Contrato Bancário Negócio Jurídico em que uma das partes é uma empresa autorizada a exercer atividades próprias de banco. (DINIZ, p. 838, 1998). 6 4 Depósito Bancário O depósito bancário é o contrato pelo qual uma pessoa (depositante) entrega valores monetários ao banco, que se obriga a restituí-los quando solicitados. É o mais comum dos contratos bancários. (COELHO, p. 129, 2009). 7 4.1 Modalidades de depósito bancário Três são as modalidades: a) à vista, em que, solicitada pelo depositante a restituição, total ou parcial, dos recursos depositados, deve o banco providenciá-la de imediato; b) a pré-aviso, em que, feita a solicitação de restituição, deve o banco providenciá-la num determinado prazo fixado entre as partes; 8 c) a prazo fixo, em que o depositante pode solicitar a restituição dos recursos somente após uma determinada data. Os desta última categoria geralmente são remunerados, como, por exemplo, as cadernetas de poupança. (COELHO, p. 131, 2009). 9 5. Mútuo bancário O mútuo bancário é o contrato pelo qual o banco empresta certa quantia de dinheiro ao cliente, que se obriga a pagá-la, com os acréscimos remuneratórios, no prazo contratado. O matiz dessa figura contratual, evidentemente, é o mútuo civil, empréstimo de coisa fungível (CC, art. 586). (COELHO, p. 131, 2009). 10 5.1 Diferença entre mútuo civil e bancário A diferença entre o mútuo civil e o bancário diz respeito aos juros. No civil, as partes não podem contratá-los superiores à taxa SELIC para negociação dos títulos da dívida pública federal, ao passo que no mútuo bancário não existem limites legais. (COELHO, p. 131, 2009). 11 5.1 Conceito de Juros É o custo que se tem para “deslocar” o dinheiro no tempo. Assim, para emprestar a um cliente, no momento presente, certa quantia que ele só teria no futuro e depois de poupar por algum tempo, as instituições financeiras vão cobrar o pagamento não só da quantia emprestada, mas também um valor adicional. Esse valor adicional são os juros. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2015). 12 5.1 Juros abusivos e o STJ O STJ entende que são abusivos os juros apenas quando a taxa de juros cobrada em caso concreto supere enormemente a média praticada no mercado. (IOB, 2013). 13 6. Outros contratos bancários Como qualquer outro empresário, o banco deve renovar e aprimorar seus “produtos” para atrair mais clientela e ampliar lucros. Por isso, constantemente surgem, para atender às demandas de crédito, modalidades contratuais novas ou renomeadas, reguladas pelas autoridades monetárias ou insertas na estreita margem de liberdade de iniciativa das instituições financeiras; com igual frequência, desaparecem também. (COELHO, p. 136, 2009). 14 6.1 Desconto bancário O desconto bancário é o contrato em que o banco (descontador) antecipa ao cliente (descontário) o valor de crédito que este titulariza perante terceiro, em geral não vencido, e o recebe em cessão. O banco, ao pagar pelo crédito descontado, deduz do seu valor a importância relativa a despesas e juros correspondentes ao lapso temporal entre a data da antecipação e a do vencimento. (COELHO, p. 136, 2009). 15 6.2 Contrato de depósito em caderneta de poupança Configura-se em um contrato de adesão, com renovação mensal, em face dos critérios adotados pelas autoridades monetárias. É a aplicação mais simples e tradicional, sendo uma das poucas em que se pode aplicar pequenas somas e ter liquidez, apesar da perda de rentabilidade para saques fora das datas de aniversário da aplicação. (IOB, 2013). 16 6.2.1 Características da caderneta de poupança Os valores depositados em poupança são remunerados com base na Taxa Referencial (TR), acrescida de juros de 0,5% (zero vírgula cinco por cento) ao mês. A TR utilizada é aquela do dia do depósito; Os valores depositados e mantidos em depósito por prazo inferior a 1 (um) mês não recebem nenhuma remuneração; 17 Os depósitos são corrigidos mensalmente com base na data do depósito sem incidência de Imposto de Renda para a Pessoa Física. Para a pessoa jurídica, o crédito de rendimentos é trimestral com incidência de IR. Os depósitos realizados nos dias 29, 30 e 31 são considerados para efeito de correção no dia 1º; 18 A Taxa Referencial (TR) é um índice criado pelo governo, para complementar os juros pagos na poupança e é calculado a partir da Taxa Selic e da média das taxas de CDB, pré-fixado, de 30 (trinta) dias. (IOB, 2013). 19 6.3 Certificado de Depósito Bancário – CDB É um título, como um cheque, emitido por bancos e colocado à disposição dos clientes como uma opção de investimento. O cliente entrega ao banco certa quantia em dinheiro, e o banco emite um certificado desse depósito, com o compromisso de devolver ao cliente o valor acrescido de juros, após determinado tempo. 20 24 Tempo de Permanência Alíquota Até 180 dias 22,5% De 181 à 360 dias 20,0% De 361 à 720 dias 17,5% Acima de 720 dias 15,0% 6.3.1 Imposto de Renda sobre o CDB Quanto maior o tempo que seus recursos ficarem aplicados, menor será a alíquota do IR cobrada sobre os rendimentos no vencimento ou resgate do CDB, de acordo com a tabela: 6.3.2 Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o CDB Cobrado sobre o rendimento nos resgates ocorridos nos primeiros 29 dias a partir da data da aplicação. Para resgates efetuados após os 29 primeiros dias não há incidência de IOF. 25 Dias IOF Dias IOF Dias IOF Dias IOF Dias IOF Dias IOF 1º 96% 6º 80% 11º 63% 16º 46% 21º 30% 26º 13% 2º 93% 7º 76% 12º 60% 17º 43% 22º 26% 27º 10% 3º 90% 8º 73% 13º 56% 18º 40% 23º 23% 28º 6% 4º 86% 9º 70% 14º 53% 19º 36% 24º 20% 29º 3% 5º 83% 10º 66% 15º 50% 20º 33% 25º 16% 30º 0% 6.4 Fundos de investimento Fundo de investimento é uma comunhão de recursos, captados de pessoas físicas ou jurídicas, com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aplicação em títulos e valores mobiliários. (IOB, 2013). 26 6.5.1 Modalidades de Fundos de investimento Os fundos de investimento podem ser classificados da seguinte forma: Fundo de Curto Prazo; Fundo Referenciado; Fundo de Renda Fixa; Fundo de Ações; Fundo Cambial; Fundo de Dívida Externa; e Fundo Multimercado. 27 7. Fundo Garantidor de Crédito O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é uma associação civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado. Foi regulamentado pela Resolução BC nº 2.211 em 16/11/1995 e pela Circular nº 3.270/2004. 28 7.1 Características do FGC O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante até R$ 250.000,00 do total de créditos elegíveis contra o banco recebedor do investimento e/ou instituições do mesmo conglomerado financeiro. O FGC é mantido por bancos associados, que recolhem 0,01% do total de depósitos elegíveis à cobertura do seguro. 29 A garantia é concedida por CPF/CNPJ e, no caso de contas ou investimentos conjuntos, o valor é dividido entre correntistas ou investidores. A relação de créditos elegíveis com cobertura do FGC encontra-se no Anexo II, Art. 2º, da Resolução 4.222/13do Conselho Monetário Nacional. 30 Art. 2º São objeto da garantia ordinária proporcionada pelo FGC os seguintes créditos: I - depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio; II - depósitos de poupança; III - depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado; 31 IV - depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques, destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares; V - letras de câmbio; VI - letras imobiliárias; VII - letras hipotecárias; 32 VIII- letras de crédito imobiliário; IX - letras de crédito do agronegócio; X - operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa ligada. 33 Referências BANCO CENTRAL DO BRASIL. Disponível em http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.aspx. Acesso em 03/11/2015. COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 26ª edição, 2014. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1ª edição, 1998. INSTITUTO IOB. Direito do Consumidor - 2ª edição / Obra organizada pelo Instituto IOB - São Paulo: Editora IOB, 2013. 35 image1.png image2.png image3.png image4.png