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Livro O Que é Leitura de Maria Helena Martins
46 pág.

Livro O Que é Leitura de Maria Helena Martins

Redação Faculdade Dom Pedro IIFaculdade Dom Pedro II

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## Resumo sobre o conceito ampliado de leituraO texto apresenta uma reflexão profunda e multifacetada sobre o ato de ler, desafiando a visão tradicional que o associa exclusivamente à decodificação de textos escritos. Inicialmente, destaca-se que a leitura vai muito além da simples interpretação de palavras; ela envolve a percepção e a atribuição de sentido a gestos, situações, objetos e até mesmo ao tempo e ao espaço. A autora exemplifica isso com situações cotidianas, como a leitura de um gesto ou a redescoberta de um objeto comum, que passa a ter significado e beleza quando observado com atenção e sensibilidade. Essa ampliação da noção de leitura inclui a interação dos sentidos, das emoções e da razão, mostrando que ler é um processo complexo e dinâmico, que envolve o diálogo entre o leitor e o mundo ao seu redor.A aprendizagem da leitura é apresentada como um processo natural e contínuo, que começa desde os primeiros contatos do ser humano com o ambiente, por meio dos sentidos e das emoções. A autora cita exemplos literários, como a experiência fictícia de Tarzan e o relato autobiográfico de Sartre, para ilustrar como a curiosidade e a necessidade pessoal impulsionam o aprendizado da leitura, que não depende apenas do conhecimento formal da língua escrita. A leitura é, portanto, uma construção que se dá na interação entre o indivíduo e seu contexto social, cultural e histórico, e não apenas um ato mecânico de decodificação. Além disso, o texto aborda as barreiras sociais e econômicas que limitam o acesso à leitura, ressaltando que o analfabetismo e a exclusão cultural são fatores que impedem muitas pessoas de usufruir plenamente desse processo.Outro ponto central do texto é a crítica à visão restrita da leitura, especialmente no contexto educacional, onde o ato de ler é frequentemente reduzido à decodificação de textos escolares, muitas vezes descontextualizados e desinteressantes para os alunos. A autora denuncia a "crise de leitura" como um fenômeno que não se resume à falta de acesso a livros, mas que está profundamente ligado às condições sociais, econômicas e culturais que moldam a experiência do leitor. Ela defende a necessidade de ampliar a concepção de leitura para incluir diferentes formas de expressão e comunicação, como imagens, sons, gestos e situações cotidianas, valorizando a diversidade cultural e as múltiplas linguagens presentes na vida das pessoas. Essa ampliação implica uma transformação na visão de cultura, que deve deixar de ser elitista e vinculada apenas à produção escrita para reconhecer as expressões culturais populares e originárias.### O ato de ler: sentidos, emoções e razãoO texto propõe uma abordagem tripartite do ato de ler, que envolve três níveis básicos: sensorial, emocional e racional. A leitura sensorial é a mais elementar, ligada aos sentidos — visão, tato, audição, olfato e paladar — e está presente desde os primeiros momentos de contato do ser humano com o mundo. Essa forma de leitura é imediata e está relacionada ao prazer e à rejeição do que agrada ou desagrada aos sentidos, sendo fundamental para a descoberta do ambiente e para o desenvolvimento da comunicação. A leitura emocional envolve as reações afetivas e subjetivas do leitor diante do objeto lido, enquanto a leitura racional diz respeito à compreensão, análise e reflexão crítica sobre o conteúdo. Esses níveis não são estanques, mas inter-relacionados e dinâmicos, variando conforme as experiências, necessidades e contextos do leitor.A autora exemplifica a leitura sensorial com a experiência da criança que, antes mesmo de saber ler, interage com o livro como objeto — sentindo sua textura, observando suas cores e imagens, folheando suas páginas — e que encontra nesse contato um prazer singular e uma motivação para o aprendizado da leitura escrita. Essa experiência inicial é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da capacidade comunicativa. O texto também destaca que a leitura não se limita ao texto escrito, mas se estende a diferentes linguagens e formas de expressão, como imagens, sons e gestos, configurando um diálogo entre o leitor e o objeto lido, mediado por suas expectativas, interesses e contexto.### Implicações e conclusõesA reflexão apresentada no texto aponta para a necessidade de repensar a prática educativa e a concepção social da leitura. Ensinar a ler não deve ser entendido como um ato de transmissão unilateral de conhecimento, mas como a criação de condições para que o educando desenvolva sua própria aprendizagem, conforme seus interesses e necessidades. A leitura deve ser vista como um instrumento de libertação e autonomia, capaz de ampliar horizontes e possibilitar a transformação da realidade, e não como um privilégio restrito a uma elite letrada. Para isso, é fundamental superar a visão formalista e mecanicista da alfabetização, valorizando a diversidade cultural e as múltiplas formas de leitura presentes na vida cotidiana.Além disso, o texto alerta para as barreiras sociais e econômicas que dificultam o acesso à leitura e ao conhecimento, ressaltando que a solução para a "crise de leitura" passa por mudanças estruturais no sistema político, econômico e cultural. A ampliação da noção de leitura para além do texto escrito e da escola é um passo importante para democratizar o acesso à cultura e ao saber, reconhecendo a riqueza das expressões populares e das experiências individuais. Por fim, o texto enfatiza que a leitura é uma experiência individual e histórica, que envolve sentidos, emoções e razão, e que seu significado e impacto variam conforme o contexto e o momento em que ocorre.---### Destaques- A leitura vai além da decodificação de textos escritos, envolvendo sentidos, emoções e razão, e se manifesta na atribuição de sentido a gestos, objetos e situações cotidianas.- O aprendizado da leitura é um processo natural e contínuo, que depende da interação entre o indivíduo e seu contexto social, cultural e histórico, não se limitando ao conhecimento formal da língua escrita.- A "crise de leitura" está relacionada a fatores sociais, econômicos e culturais, e não apenas à falta de acesso a livros ou à alfabetização formal.- A leitura deve ser entendida como um processo amplo, que inclui diferentes linguagens e formas de expressão, valorizando a diversidade cultural e promovendo a democratização do acesso ao saber.- O ato de ler envolve níveis sensorial, emocional e racional, que se inter-relacionam e variam conforme as experiências e contextos do leitor, configurando uma experiência individual e dinâmica.

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