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1
DESIGUALDADE SOCIAL
Prof. Me. Thiago Henrique Sampaio
2
DESIGUALDADE SOCIAL
PROF. ME. THIAGO HENRIQUE SAMPAIO
3
 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério
 Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira
 Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Esp. Imperatriz da Penha Matos
 Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Fabiana Miraz De Freitas Grecco
 Revisão técnica: Profª. Gislaine Dias
 
 Revisão/Diagramação/Estruturação: Clarice Virgilio Gomes
 Prof. Esp. Guilherme Prado
 Lorena Oliveira Silva Portugal 
 
 Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva 
 Daniel Guadalupe Reis
 Élen Cristina Teixeira Oliveira 
 Maria Eliza P. Campos 
© 2023, Faculdade Única.
 
Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza-
ção escrita do Editor.
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920.
4
DESIGUALDADE SOCIAL
1° edição
Ipatinga, MG
Faculdade Única
2023
5
 Doutorando em História pela 
Universidade Estadual Paulista Jú-
lio de Mesquita Filho, Mestre em His-
tória (2018), Mestre em Letras (2021) 
pelos Programas de Pós-Graduação 
da Faculdade de Ciências e Letras 
da Universidade Estadual Paulista 
Júlio de Mesquita Filho. Especialista 
em Formação Didático-Pedagógica 
para Cursos na Modalidade a Distân-
cia (2021) peça Universidade Virtual 
de São Paulo. Graduado em Letras 
(2018) e História (2014) pela Universi-
dade Estadual Paulista Júlio de Mes-
quita Filho. Atua como pesquisador e 
possui experiência na área de Histó-
ria Africana, História Contemporânea 
e Teoria Política, com foco em temas 
de colonialismo, imperialismo, ne-
ocolonialismo, imprensa em África, 
assimilação, discurso político e colo-
nial.
THIAGO HENRIQUE 
SAMPAIO
Para saber mais sobre a autora desta obra e suas qua-
lificações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link :
http://lattes.cnpq.br/6253591482952915
Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado.
6
LEGENDA DE
Ícones
Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes 
nas quais você precisa ficar atento.
Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão 
do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar 
ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para 
determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, 
mostradas a seguir:
São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca 
virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro.
Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, 
associando-os a suas ações.
Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos 
conteúdos abordados no livro.
Apresentação dos significados de um determinado termo ou 
palavras mostradas no decorrer do livro.
 
 
 
FIQUE ATENTO
BUSQUE POR MAIS
VAMOS PENSAR?
FIXANDO O CONTEÚDO
GLOSSÁRIO
7
UNIDADE 1
UNIDADE 2
UNIDADE 3
UNIDADE 4
SUMÁRIO
1.1 Introdução ..............................................................................................................................................................................................................................................................................................10
1.2 Origens .....................................................................................................................................................................................................................................................................................................10
1.3 O Aparecimento da Desigualdade Social ......................................................................................................................................................................................................................12
1.4 Formas de Manifestação da Desigualdade Social ..................................................................................................................................................................................................14
FIXANDO O CONTEÚDO .........................................................................................................................................................................................................................................................................15
2.1 Introdução ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................20
2.2 Reis-Filósofos ....................................................................................................................................................................................................................................................................................20
2.3 O Mito dos Nascidos da Terra ................................................................................................................................................................................................................................................21
2.4 A Teoria da Alma de Platão ....................................................................................................................................................................................................................................................23
2.5 As Mulheres e os Escravos Para Platão ..........................................................................................................................................................................................................................24
FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................26
3.1 Introdução ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................30
3.2 Estado de Natureza e Estado Civilizado ........................................................................................................................................................................................................................30
3.3 Desigualdade Natural e Desigualdade Convencional .......................................................................................................................................................................................33
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................36
O QUE É DESIGUALDADE SOCIAL?
PLATÃO E O MITO DOS NASCIDOS DA TERRA
A DESIGUALDADE SOCIAL EM ROUSSEAU
4.1 Introdução ............................................................................................................................................................................................................................................................................................41
4.2 A Análise de Émile Durkheim ..................................................................................................................................................................................................................................................41partir da teoria contratualista de Rousseau, assinale a alternativa que representa 
aquilo que o filósofo de Genebra pretende defender na obra.
a) Que a desigualdade social é permitida pela lei natural e, portanto, o Estado não é 
responsável pelo conflito social.
b) Que a desigualdade social é autorizada pela lei natural, ou seja, que a natureza não 
se encontra submetida à lei.
c) Que no estado natural existe apenas o direito de propriedade.
d) Que a desigualdade moral ou política é uma continuidade daquilo que já está 
presente no estado natural.
e) Que há, na espécie humana, duas espécies de desigualdade: a primeira, natural, e a 
segunda, moral ou política.
2. (ENEM). “O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado 
um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente 
simples para acreditá-lo”.
Levando em conta a principal ideia que Rousseau quer transmitir com essa afirmação, 
assinale a alternativa verdadeira.
a) A propriedade privada, já existente antes da sociedade civil, trouxe a possibilidade de 
melhor organização entre os indivíduos e, consequentemente, facilitou sua convivência.
b) A propriedade privada é um direito natural fundado no trabalho.
c) A propriedade privada é um direito natural fundado no trabalho.
d) A sociedade civil tem sua origem na propriedade privada que, junto consigo, trouxe 
os principais problemas entre os homens.
e) O fundador da sociedade civil era um pensador grego que tinha grande capacidade 
de persuasão.
3. (UFU). A obra mais conhecida de Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social ou os 
Princípios do Direito Político, marca uma mudança radical na concepção de soberania. 
Sobre isso, leia o trecho abaixo e assinale a alternativa correta. Essa pessoa pública, que 
37
se forma, desse modo, pela união de todas as outras, tomava antigamente o nome de 
cidade e, hoje, o de república ou de corpo político, […]. Quanto aos associados, recebem 
eles, coletivamente, o nome de povo e se chamam, em particular, cidadãos, enquanto 
partícipes da autoridade soberana, e súditos enquanto submetidos às leis do Estado.
ROUSSEAU, J. J. Do Contrato Social. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
a) O povo é, ao mesmo tempo, cidadão e súdito; o primeiro quando é ativo, o segundo 
quando é passivo.
b) Pelo texto acima, fica claro que, para Rousseau, a autoridade soberana pertence ao 
Estado e não ao povo.
c) O povo obedecerá às leis feitas pelo Governo, pois ao Governo pertence a autoridade 
soberana.
d) Para Rousseau, o corpo político é formado pelos cidadãos, e exclui os súditos.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
4. (PUC-PR). A obra de Jean-Jacques Rousseau, Discurso sobre a origem e os 
fundamentos da desigualdade entre os homens, tem como questão central discutir 
se a desigualdade entre os homens civilizados tem uma origem (e, portanto, uma 
legitimidade) natural.
Quanto à conclusão do autor, que se apresenta como tese principal da obra, é CORRETO 
afirmar que:
I. A desigualdade social não tem nenhuma legitimidade natural.
II. A desigualdade natural legitima a desigualdade social, já que os mais fortes se 
apropriaram legitimamente dos bens da natureza a seu favor.
III. A desigualdade econômica e social surge da propriedade privada, que corrompe os 
costumes e cria uma falsa associação política.
IV. A desigualdade seria parte do estado de natureza do ser humano e constituiria 
legitimamente a sua essência.
a) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
b) Apenas a assertiva I e IV estão correta.
c) Apenas as assertivas I e III estão corretas.
d) Todas as assertivas estão corretas.
e) Apenas a assertiva IV está correta.
5. (UNIT-SE). O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer isto é meu 
e encontrou gente bastante simples para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da 
sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassinatos, quantas misérias e horrores 
teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas e cobrindo o fosso, 
tivesse gritado a seus semelhantes: “Não escutem a esse impostor! Estarão perdidos se 
esquecerem que os frutos são de todos e a terra é de ninguém”.
A texto é representativo do pensamento de
38
a) Voltaire. 
b) John Locke. 
c) Montesquieu. 
d) Jacques Bossuet. 
e) Jean-Jacques Rousseau.
6. (PUC-PR). Rousseau, no texto Sobre a origem e os fundamentos da desigualdade 
entre os homens (1755), estabelece que
a) a invenção da propriedade privada, das sociedades e das leis foram acontecimentos 
que deram origem, diversificaram e aprofundaram as formas de desigualdade.
b) a desigualdade natural entre os homens é a principal razão da desigualdade social 
e política.
c) a desigualdade econômica se deve, sobretudo, à inteligência mais aguçada dos 
ricos.
d) a invenção da sociedade e das leis nasceu para garantir os direitos naturais da vida 
e da propriedade.
e) a invenção da política marcou o fim da desigualdade entre senhores e escravos.
7. (SEDUC-RJ). Jean-Jacques Rousseau, ao analisar as origens da desigualdade socia, 
imputa esse fato ao surgimento da propriedade privada. Com base nesse pensamento, 
pode-se afirmar que:
a) a desigualdade social é natural.
b) a desigualdade social é fundada nas diferenças de habilidade entre os homens.
c) a desigualdade social se funda na desigualdade natural.
d) a desigualdade social se funda nas conveniências convencionadas pela sociedade.
e) a desigualdade social é resultado da evolução humana.
8. (PUC-PR). Leia e analise as afirmativas a seguir:
I. O processo de desigualdade consolidou-se com o estabelecimento da lei e do direito 
da propriedade.
II. O processo de desigualdade surgiu como resultado do medo constante da violência 
existente no estado de natureza, em que há apenas o direito daqueles mais fortes.
III. Em sua teoria contratualista, o processo de desigualdade consolidou-se com a 
transformação do poder legítimo em poder arbitrário.
IV. O homem por natureza é bom. Contudo, é a sociedade que o corrompe.
V. Realiza um elogio ao processo de socialização, uma vez que este foi responsável por 
ter corrompido o ser humano, tornando-o egoísta.
Segundo Rousseau, estão CORRETAS apenas as alternativas:
 
a) II, III e V. 
b) I, III e IV. 
c) I, III e V. 
39
d) I, II e III. 
e) II, IV e V.
40
ESTRATIFICAÇÃO 
SOCIAL E CLASSES 
41
 No século XIX, com o aparecimento das Ciências Sociais, tivemos importantes 
contribuições de diversos sociólogos sobre as diferenças sociais, existentes em suas 
análises. Neste capítulo, debruçar-nos-emos sobre o pensamento de três importantes 
pensadores da Sociologia: Durkheim, Weber e Marx. Os três analisaram as questões da 
estratificação social e como ela resulta nas diferenças sociais.
4.1 INTRODUÇÃO
 Émile Durkheim foi um dos primeiros pensadores a delimitar os métodos da 
ciência sociológica. Para teorizar o campo ele desenvolveu o conceito de fato social e 
sua própria concepção da divisão do trabalho. Durkheim acreditava que a sociedade 
não era apenas a somatória dos indivíduos, nem os indivíduos mais as instituições 
sociais (escola, governo, Igreja etc.). Para ele, a sociedade era um fato social que agiria 
no indivíduo de forma única, e é exterior a todos os indivíduos. Desta forma, a sociedade 
é sui generis porque ela é maior que a quantidade de indivíduos que a compõe e está 
totalmente exterior a eles. 
 Ele defendia que as normas e padronizações existentes na sociedade 
determinavam as condutas que cada pessoa teria. Assim, cada sociedade teria suas 
normas e padronizações únicas. Em sua teoria sociológica, ele estabelece que existiriam 
dois tipos de socialização na sociedade: a solidariedade mecânica e a solidariedade 
orgânica. Durkheim defendia que as primeias sociedades existentes tiveram a 
solidariedade mecânica. Nestas sociedades, a divisão do trabalho teria sido menor e 
a distinção entre os indivíduos quase não havia, pois existia uma maior consciência 
coletiva, valores rígidos e crenças importantes para aquelasociedade.
4.2 A ANÁLISE DE ÉMILE DURKHEIM
Figura 3: Émile Durkheim
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3sESiwN. Acesso em: 19 de jan. 2021.
 Na solidariedade mecânica, os indivíduos teriam os tratamentos parecidos entre 
si e isso refletiria nos valores e crenças existentes que resultaria em uma autoridade 
moral coletiva. 
42
 Já nas sociedades que têm a solidariedade orgânica haveria o desenvolvimento 
da diferenciação social e isso criaria o adensamento social. O adensamento social faria 
com que as partes que compõem a sociedade dependeriam uma das outras em razão 
da intensificação das trocas existentes entre os indivíduos. Entretanto, os laços que 
unem essa sociedade são diferentes, pois ocorreu um enfraquecimento comparado 
com a solidariedade mecânica. A consciência coletiva seria mais enfraquecida e a 
interdependência funcional seria uma marca dessa sociedade.
 O elemento que distinguiria esses dois tipos de sociedades seria a divisão social do 
trabalho. Durkheim buscava entender o desenvolvimento das sociedades anteriores ao 
capitalismo e os princípios de desenvolvimento dessas sociedades até o capitalismo. De 
acordo com Durkheim, a sociedade mecânica se estruturou dentro de um adensamento 
populacional ao tornar-se mais condensada, assim ocorreu o crescimento econômico 
que derivou a divisão social do trabalho.
 Durkheim acreditava que os grupos funcionais e profissionais eram o principal 
aparecimento da divisão social do trabalho. Assim, as classes sociais existiriam segundo 
suas funcionalidades na sociedade. Os trabalhadores e os capitalistas se diferenciariam 
entre si por cumprirem funções e papéis distintos dentro da sociedade capitalista. 
 A especialização profissional era vista como algo positivo para a sociedade de 
acordo com Durkheim. Entretanto, de acordo com Reis (2000, p. 73):
Durkheim viu a desigualdade moderna substancial-
mente como diferença resultante da especialização. 
Essa última, por sua vez, constituía para ele a chave da 
complementaridade destinada a cimentar solidarieda-
de social. Era exatamente porque as pessoas não eram 
iguais que elas dependiam uma das outras e, portanto, 
se integravam a um todo social. Ressalvadas distorções 
temporárias inevitáveis, acreditava que uma socieda-
de de desiguais interdependentes tornava a todos mo-
ralmente iguais, posto que igualmente dependentes do 
todo social.
A divisão social do trabalho está diretamente ligada com a solidariedade e está relacio-
nada com os grupos profissionais que nela orbitam. 
FIQUE ATENTO
 Weber acreditava que devido às diferenças existentes na sociedade existiriam 
diferentes tipos de conflitos sociais. Desta forma, devemos entender que as desigualdades 
sociais são resultadas destes conflitos.
 Na sociedade, de acordo com Weber, os indivíduos teriam diferentes oportunidades 
econômicas e poderes políticos. Assim, as esferas econômicas, políticas e sociais 
seriam independentes, mas não distintas. Cada uma dessas esferas seria constituídas 
por relações. Cada situação existente em diferentes esferas possui diferentes conceitos 
criados por Weber.
4.3 CLASSE, ESTAMENTO E PARTIDO EM MAX WEBER
43
 A obra de Weber, organizada por Cohn (1999, p. 105-106) define tipos ideais da 
seguinte forma:
 De acordo com Weber, a propriedade e as oportunidades seriam as características 
para determinar uma situação de classe. Assim, se existe diferentes tipos de propriedades, 
rendimentos e bens, os indivíduos poderiam fazer parte de diferentes estratos. Weber 
acreditava que a classe social está diretamente ligada à condição econômica ou 
material.
 Weber assinala que a situação de classe seria a forma:
Quando do pensamento reúne determinadas relações 
e acontecimentos da vida história para formar um cos-
mos não contraditório de relações pensadas. Pelo seu 
conteúdo, essa construção reveste-se do caráter de 
uma utopia, obtida mediante a acentuação mental de 
determinados elementos da realidade. [...] Obtém-se 
um tipo ideal mediante a acentuação unilateral de um 
ou vários pontos de vista, e mediante o encadeamen-
to de grande quantidade de fenômenos isoladamente 
dados, difusos e discretos, que se podem dar em maior 
ou menor números ou mesmo faltar por completo, e 
que se ordem segundo os pontos de vista unilateral-
mente acentuados, a fim de se formar um quadro ho-
mogêneo de pensamento. Torna-se impossível encon-
trar empiricamente na realidade esse quadro.
Que podemos expressar mais sucintamente como a 
oportunidade típica de uma oferta de bens, de condi-
 Em sua teoria de estratificação social, Weber criou os conceitos de situação 
de classe, status e partido. Cada um deles está relacionado ao pertencimento a 
determinados estratos sociais diferentes conforme o estamento, o partido e a classe. 
Assim, tais conceitos seriam tipos ideais de diferenciação social e eles não representariam 
propriamente a realidade social, mas serviriam de subsídios para entendê-la. 
Figura 4: Max Weber
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3mZ99ZP. Acesso em: 19 jan. 2021.
44
 A estratificação por status seria resultado da posição social, estilo de vida e 
instrução formal dos indivíduos. Diferente da estratificação por classe, pois a classe 
de bens e propriedade não seria suficiente para garantir uma posição de prestígio. 
Indivíduos com o mesmo status formariam um estamento. 
 Sobre a ordem social e econômica:
 Os grupos de status constituem comunidades, pois reuniriam pessoas com os 
mesmos modos de vida, hábitos, valores crenças e costumes. Assim, a visão e sua relação 
com o mundo seria as mesmas dentro das pessoas dessa comunidade. Em diversas 
sociedades, os estamentos considerados privilegiados buscavam a preservação desses 
privilégios monopolizando as oportunidades e as vantagens existentes na sociedade. 
Weber assinala que nos estamentos 
ções de vida exteriores e experiências pessoais de vida, 
e na medida em que essa oportunidade é determinada 
pelo volume e tipo de poder, ou falta deles, de dispor 
de bens ou habilidades em benefício de renda de uma 
determinada ordem econômica. A palavra classe refe-
re-se a qualquer grupo de pessoas que se encontram 
na mesma situação de classe. [...] Simplificando, pode-
ríamos dizer, assim, que as classes se estratificam de 
acordo com suas relações com a produção e aquisição 
de bens; ao passo que os estamentos se estratificam 
de acordo com os princípios de seu consumo de bens, 
representado por estilos de vida especiais (WEBER; GER-
TH; MILLS, 1974, p. 212).
A forma pela qual as honras sociais são distribuídas 
numa comunidade, entre grupos típicos que partici-
pam nessa distribuição, pode ser chamada de ‘ordem 
social’. Ela e a ordem econômica estão, decerto, rela-
cionadas da mesma forma com a ‘ordem jurídica’. Não 
são, porém, idênticas. A ordem social é, para nós, sim-
plesmente a forma pela qual os bens e serviços eco-
nômicos são distribuídos e usados. A ordem social é, 
decerto, condicionada em alto grau pela ordem eco-
nômica, e por sua vez influi nela (WEBER; GERTH; MILLS, 
1974, p. 212).
O sentimento de dignidade que caracteriza os esta-
mentos positivamente privilegiados relaciona-se, na-
turalmente, com seu ‘ser’ que não transcende a si mes-
mo, isto é, relaciona-se com sua ‘beleza e excelência’. 
Seu reino é ‘deste mundo’. Vivem para o presente e 
Para Weber, classe seria qualquer grupo de pessoas que pertenceria à mesma situação 
econômica, social e política.
FIQUE ATENTO
45
 Já o partido seria uma forma de estratificação cuja distribuição de poder ocorreu 
devido às capacidades de controle de uma organização. Elas influenciam e acabam 
sendo influenciadas pela ordem política. O partido buscaria orientar sua ação social 
buscando mais poder. 
 De acordo com Max Weber, o partido poderia incorporar interesses de esferas 
sociais diferentes. Como exemplo, poderíamos pensar em grupos políticos existentes 
em qualquer instituição que teria uma finalidade e busca própria de poder, mas os 
aspectos de ordem econômicae social são distintos entre seus componentes. Dessa 
forma, podemos perceber que os partidos podem ser estruturas efêmeras ou duradouras 
e podem utilizar diferentes meios para alcançar seus objetivos, que seria o poder. 
O capital é uma forma de propriedade privada que não 
pode deixar de se expandir. Diferente da propriedade 
explorando seu grande passado. O senso de dignida-
de das camadas negativamente privilegiados natural-
mente se refere a um futuro que está além do presente, 
seja desta vida ou de outra. Em outras palavras, deve 
ser nutrido pela crença numa ‘missão’ providencial e 
por uma crença numa honra específica perante Deus. 
(WEBER; GERTH; MILLS, 1974, p. 222).
Partido para Weber não significa partido político necessariamente. Partidos podem existir 
dentro de clubes, escolas, igrejas e outras instituições. O que os caracterizam são suas 
finalidades determinadas. 
FIQUE ATENTO
Se as classes sociais formavam a ordem econômica, os grupos de status formam uma 
ordem social, o partido formaria uma ordem política. 
VAMOS PENSAR?
 Marx e Engels (1977) iniciaram suas análises sobre o capitalismo buscando 
entender os meios de produção e a caracterização das classes sociais que compõem 
a sociedade capitalista. Para ele, a divisão entre burguesia e proletariado é a primeira 
forma de divisão social existente, que seria a divisão social do trabalho. Essa divisão 
estaria delimitada de forma que existiriam os que produzem (proletariado) e os donos 
dos meios de produção (burguesia).
 Marx e Engels (1977)) em suas análises perceberam que as dinâmicas do 
capitalismo estão centradas na propriedade privada e no capital. O capital se 
reproduziria:
4.4 AS CLASSES SOCIAIS DE ACORDO COM KARL MARX
46
 Com base na propriedade privada haveria as constituições das classes sociais e 
todas as relações de trocas. De um lado existiria o proletariado que precisaria vender 
sua força de trabalho para a sobrevivência. Já, do lado contrário, existiria os donos dos 
meios de produção, a burguesia, que compram a força de trabalho do proletariado. 
Dessa forma, percebemos que a explicação de Marx a respeito dos modos de produção 
é dialético. Ele buscou mostrar que em todos os modos de produção haveria explorados 
e exploradores. 
 A dialética seria um instrumento analítico que permitiria perceber as camadas 
sociais que não conseguimos observar facilmente. Através do método dialético, poder-
se-ia ir além das aparências sociais existentes e descobrir as causas profundas dos 
problemas do sistema capitalista na sociedade contemporânea. A dialética permitia 
explicar as contradições existentes entre os que precisam vender sua força de trabalho 
(proletariado) e aqueles que detêm os meios de produção (burguesia).
 Para Marx e Engels (1977), a sociedade se organiza devido aos interesses das 
classes dominantes. No caso do sistema capitalista, ela se organiza pelos interesses da 
burguesia. Desta forma, Marx e Engels (1977) acreditavam que a relação de igualdade 
jurídica seria uma contradição, pois indivíduos que compram e indivíduos que vendem 
mercadorias têm condições completamente desiguais. 
 Através do método dialético, seria possível perceber essas relações e contradições 
dentro do sistema capitalista. Nas relações sociais, os interesses da classe dominante 
seriam impostos como modo de vida de toda a realidade social. Ao longo da História 
sempre teria existido essas relações de produção:
feudal, ou da propriedade de escravos, que poderia 
permanecer por séculos sem alterações significativas, 
o capital é uma forma de riqueza que apenas pode 
existir se servir para fazer negócios cada vez mais lu-
crativos (LESSA, 1999, p. 30).
Figura 5: Karl Marx
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3n15Z83. Acesso em: 19 jan. 2021.
47
 Marx, diferentemente de Weber, acreditava que as classes sociais vão além da 
ordem econômica. As classes sociais seriam definidas por suas lutas, a chamada luta 
de classes, que expressaria o interesse de classes antagônicas. Assim, as dinâmicas 
sociais são movidas pela luta de classes. De acordo com Marx e Engels (1998, p. 7):
 Marx acreditava que os interesses sociais opostos constituíram a transformação 
histórica e social. As relações antagônicas criadas em cada época constituíram novas 
formas de sociabilidade. No sistema capitalista teríamos como exemplo, a burguesia 
que seria a classe capitalista por excelência que procuraria ampliar sua lucratividade e, 
por outro lado, a classe trabalhadora (o proletariado) que tentaria resistir às dominações 
da classe capitalista, buscando melhorar de vida, melhorar as condições de trabalho e 
ampliar seus direitos sociais.
 Na teoria marxista, as lutas entre as classes sociais são a base de seus conceitos. 
Marx procurou analisar a sociedade capitalista e mostrar as relações de exploração e 
dominação que nela existiria. Desta forma, perceberemos que para Marx, as classes 
sociais existem como forma de forças sociais, culturais, políticas e econômicas que 
lutam pelos seus interesses dentro do sistema existente. 
Na produção social da sua existência, os homens en-
tram em relações determinadas, necessária, inde-
pendente da sua vontade, relações de produção que 
correspondem a um grau de desenvolvimento deter-
minado das suas forças produtivas materiais. O con-
junto destas relações de produção constitui a estrutura 
econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual 
se eleva uma superestrutura jurídica e política e a qual 
correspondem formas de consciência social determi-
nadas. O modo de produção da vida material condi-
ciona o processo de vida social, política e intelectual 
em geral... Em determinado estádio do seu desenvol-
vimento, as forças produtivas materiais da sociedade 
entram em contradição com as relações de produção 
existentes, ou, o que não passa da sua expressão jurídi-
ca, com as relações de propriedade em cujo seio elas 
tinham existido até então... Inicia-se então uma época 
de revolução social. A modificação na base econômica 
subverte mais ou menos rapidamente toda a enorme 
superestrutura... Uma formação social não desapare-
ce nunca antes de terem desenvolvido todas as forças 
produtivas que ela tem capacidade para conter (MARX; 
ENGELS, 1977, p. 28-29).
A história de todas as sociedades, até hoje, tem sido a 
história da luta de classes. Homem livre e escravo, pa-
trício e plebeu, barão e servo, membro especializado 
das corporações e aprendiz, em suma: opressores e 
oprimidos estiveram em permanente oposição; trava-
ram uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, 
que terminou sempre com a transformação revolucio-
nária da sociedade inteira ou com o declínio conjunto 
das classes em conflito.
48
• O filme “O jovem Karl Marx” foi lançado em 2017, se passa em Paris no ano de 
1844. O cenário de censura, repressão e tumultos políticos retrata a realidade 
do nascimento da classe trabalhadora britânica e o movimento operário em 
meio a era moderna. Disponível em: https://bit.ly/3swvizJ. Acesso em: 18 mar. 
2021. 
• A obra “10 lições sobre Marx” escrita por Magalhães (2015) introduz o leitor nos 
pensamentos de Marx, suas interpretações, contradições, filosofia política e 
social. Disponível em: https://bit.ly/3anRDJE. Acesso em: 18 mar. 2021. 
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49
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (UDESC). Cada uma das frases corresponde a uma síntese das concepções de 
sociedade dos seguintes autores: Karl Marx, Max Weber, Émile Durkheim.
Relacione o pensador à síntese das concepções de sociedade.
1) A sociedade é, em suma, laços morais. 
2) A sociedade não é um bloco, é uma teia. 
3) A história da humanidade é a história da relação dos homens com a natureza e dos 
homens entre si.
( ) Max Weber.
( ) Émile Durkhein.
( ) Karl Marx.
Assinale a alternativa que relaciona corretamente as afirmações aos pensadores, na 
sequência.
a) 1 - 3 – 2.
b) 2 - 3 – 1.
c) 2 - 1 – 3.
d) 3 - 2 – 1.
e) 1 - 2 - 3.
2. (UDESC) Assinale a alternativa correta com relação às ideias de Marx e Engels.a) Marx e Engels foram autores críticos do desenvolvimento das forças produtivas 
promovido pela civilização industrial.
b) O materialismo histórico foi uma reação contrária ao Iluminismo, uma vez que 
desacreditava no potencial de emancipação social e humana da ciência moderna.
c) A educação emancipadora é um dos temas centrais da obra de Marx e Engels, 
fundamental para articulação do conjunto de ideias destes autores.
d) A superação da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual é um dos 
elementos centrais da utopia marxista.
e) O marxismo é essencialmente analítico, focado na análise da realidade tal como 
ela é, prescindindo de uma dimensão normativa, que se dedica à reflexão de como a 
sociedade deveria ser.
3. (UDESC). Assinale a alternativa que melhor corresponde ao conceito de estratificação 
social.
a) É a forma pela qual a sociedade hierarquiza no interior de suas instituições formais 
os seus indivíduos e grupos sociais.
50
b) É a colocação em diferentes níveis, dos indivíduos que compõem um dado sistema 
social e seu tratamento como superior ou inferior com relação uns aos outros em certos 
aspectos socialmente importantes.
c) É a estruturação da sociedade em classes sociais.
d) É a forma como a sociedade distribui desigualmente recursos econômicos e privilégios 
sociais entre os seus membros, gerando desigualdades sociais e econômicas.
e) É a estruturação do sistema de distinções simbólicas de uma dada sociedade.
4. (Sedu-ES). [...] O eixo central do trabalho de Bourdieu é o estudo das relações entre 
classe e grupos de status − que na obra de ...... são tratados separadamente −, baseado 
no argumento de que a análise das relações econômicas (classe) requer um estudo 
simultâneo das relações simbólicas (status).
Adaptado de: MEDEIROS, M. As Teorias da Estratificação da Sociedade e o Estudo dos Ricos, BIB, n. 57, 2004.
Preenche corretamente a lacuna do exceto:
a) Marx.
b) Weber.
c) Durkheim.
d) Giddens.
e) Touraine.
5. (SEDU-ES) Sobre a centralidade da classe trabalhadora no modo de produção 
capitalista, segundo Karl Marx, é correto afirmar que:
a) A classe trabalhadora é decisiva pelo papel fundamental que exerce no processo de 
criação de valores.
b) a importância dos trabalhadores diminui na mesma proporção em que são cada vez 
mais intensivamente explorados.
c) a nova divisão sexual do trabalho impôs uma diminuição do número total de 
trabalhadores.
d) o uso de máquinas informatizadas substitui a força de trabalho dos operários, o que 
resulta em seu descarte na esfera produtiva.
e) a substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto mantém inalteradas as relações 
entre trabalho e capital.
6. De acordo com a teoria de Marx, a desigualdade social se explica:
a) Pela distribuição da riqueza de acordo com o esforço de cada um no desempenho 
de seu trabalho.
b) Pela divisão da sociedade em classes sociais, decorrente da separação entre 
proprietários e não-proprietários dos meios de produção.
c) Pelas diferenças de inteligência e habilidade inatas dos indivíduos, determinadas 
biologicamente.
d) Pela apropriação das condições de trabalho pelos homens mais capazes em 
contextos históricos, marcados pela igualdade de oportunidades.
51
e) nenhuma das respostas anteriores
7. (Descomplica) O conceito de classe social, elaborado por Marx e por Weber, é útil 
para evidenciar que a sociedade tem divisões e diferenças internas, ou seja, que nem 
todos os indivíduos têm a mesma posição na sociedade.
Considerando o conceito de classe social formulado por Marx e por Weber, assinale a 
alternativa incorreta.
a) Para Weber, a relação entre as classes proprietárias e o proletariado moderno é de 
exploração.
b) Para Marx, classe social significa a posição dos indivíduos nas relações de produção 
e o “motor da história” é a luta travada entre as classes sociais.
c) Para Weber, classe social significa a posição dos indivíduos em uma escala de 
estratificação social, cuja medida é dada pelo montante de bens e salários, oportunidades 
de renda e capacidade de compra de produtos e no mercado de trabalho.
d) Para Marx, a relação entre a burguesia e o proletariado é de conflito. 
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
8. (UENP). “A pobreza e a desigualdade são construções sociais que se desenvolvem 
e consolidam a partir de estruturas, agentes e processos que lhes dão forma histórica 
concreta. Os países e regiões da América Latina moldaram, desde os tempos coloniais 
até nossos dias, expressões desses fenômenos sociais que, embora apresentem as 
peculiaridades próprias de cada contexto histórico e geográfico, compartilham um 
traço em comum: altíssimos níveis de pobreza e desigualdade que condicionam a vida 
política, econômica, social e cultural. O conceito de construção é praticamente similar 
ao de produção, sendo utilizado aqui para enfatizar que a pobreza é o resultado da 
ação concreta de agentes e processos que atuam em contextos estruturais históricos 
de longo prazo.”
Produção de pobreza e desigualdade na América Latina. Antonio David Cattani, Alberto D. Cimadamore 
(orgs.); tradução: Ernani Ssó. — Porto Alegre: Tomo Editorial/Clacso, 2007, p. 07.
 
De acordo com o texto é correto afirmar: 
a) A pobreza sempre existiu e é da natureza das sociedades organizadas que ela ocorra.
b) A pobreza não pode ser considerada característica presente em toda a América 
Latina.
c) A desigualdade social não condiciona a vida política, econômica, social ou cultural.
d) A pobreza não pode ser considerada fruto da desigualdade.
e) A pobreza e a desigualdade são construções sociais que se desenvolvem na história 
e por isso são absolutamente reversíveis.
52
DESIGUALDADE SOCIAL 
NO BRASIL 
53
 Antigamente, no Brasil, falava-se muito da persistente pobreza existente, hoje, já 
é difícil ouvirmos falar dessa pobreza. O que mais aparece na atualidade é que o Brasil 
é um país de extrema desigualdade social e de má distribuição de renda. Desta forma, 
a renda no país acaba concentrada nas mãos de poucos. 
 Como falamos anteriormente, a desigualdade social pode agir em vários campos, 
além do econômico. Assim, percebemos que tratar da desigualdade é um assunto 
de extrema complexidade. Desta forma, percebemos que as desigualdades são um 
conjunto de fatores e experiências que favorecem alguns em detrimento de outros. 
 Existem diversos exemplos que podemos utilizar para dizer que determinados 
grupos são mais favorecidos socialmente do que outros. Por exemplo, alguns grupos 
possuem mais acesso a direitos sociais que outros, esses direitos que estamos 
assinalando são moradia, saúde e educação, por exemplo. 
5.1 INTRODUÇÃO
 Em alguns países ocidentais da Europa e da América do Norte, na segunda metade 
do século XX, ocorreu a prática de adoção de novos modos políticos e econômicos 
destinados a melhorar as condições sociais e oportunidades para sua população. Isso 
ficou conhecido como Estado de Bem-Estar Social.
 A partir deste modelo, a saúde, educação e a previdência social começaram a 
se estender para os diversos setores da sociedade, e se pretendia oferecer a todos os 
cidadãos direitos sociais que estavam concentrados por muito tempo nas mãos de 
poucos. O Estado de Bem-Estar Social trabalhava com a ideia de promover a igualdade 
de oportunidade e acesso a toda a população de uma país, e um dos seus principais 
pilares era uma educação pública e de qualidade.
 Acreditava-se que se todos tivessem acesso à educação gratuita, aqueles que 
apresentavam melhores resultados poderiam ocupar melhores empregos futuramente. 
Pensava-se que esse quesito seria justo para pessoas de todas as classes sociais, pois 
todos teriam acesso aos mesmos direitos. Assim, acreditava que, ao final da conclusão 
dos estudos e formação, no mercado de trabalho todos poderiam concorrer no mesmo 
nível de igualdade com os demais. Desta forma, acreditou-se que o mérito de cada 
um faria a pessoa colher frutos ao final do processo de formação. Esse discurso ficou 
conhecido como meritocracia. De acordocom Lívia Barbosa, a meritocracia era
 No século XVIII, com a Revolução Francesa, a meritocracia era vista como um 
critério de combate à discriminação e desigualdade social. Entretanto, apenas com o 
5.2 PODE-SE FALAR DE MESMAS OPORTUNIDADES?
Um conjunto de valores que rejeita toda e qualquer for-
ma de privilégio hereditário e corporativo e que valoriza 
e avalia as pessoas independentemente de suas traje-
tórias e biografias sociais. [...] a meritocracia não atribui 
importância a variáveis sociais como origem, posição 
social, econômica e poder político no momento em que 
estamos pleiteando ou competindo por uma posição 
ou direito (BARBOSA, 1999, p. 22).
54
Estado de Bem-Estar Social e a expansão de estruturas sociais, a meritocracia tornou-
se uma questão de valor cultural das sociedades atuais.
 Grande parte da população conseguiu conquistar direitos através do Estado de 
Bem-Estar Social, mas ele não acabou com a desigualdade social como se planejava. 
Para garantir estruturas educacionais, de saúde, moradias e outros bens básicos para a 
população, necessita-se de investimentos, e isso, muitas vezes, não ocorria. Desta forma, 
mesmo com a criação das estruturas sociais, as desigualdades sociais permaneceram.
 No caso específico do Brasil, as desigualdades são variadas e persistentes na 
história do país. Diversas pesquisas sobre as questões de gênero, étnico-racial e 
distribuição de renda ocorrem no campo das ciências sociais para entender como a 
desigualdade se manifesta em nosso país.
O Estado de Bem-Estar Social considerava a criação das estruturas sociais para a popu-
lação para combater as desigualdades sociais existentes em cada país. Mas, será que 
foram oferecidas oportunidades iguais para todos e em condições de competirem igual-
mente na sociedade? A partir deste questionamento, precisamos começar a refletir sobre 
porque o Brasil é considerado um dos países mais desiguais da atualidade.
VAMOS PENSAR?
 Como vimos anteriormente, no discurso meritocrático afirmava-se que todos, ao 
terem acesso à educação, conseguiriam uma oportunidade no mercado de trabalho 
que seria igual para todos. Entretanto, na prática, não é isso que acontece. No caso 
das mulheres, as diferenças salariais em comparação com os homens podem variar 
de 30% a 40%. Muitas vezes, no caso de pessoas negras, não conseguem competir no 
mercado de trabalho.
 Para sabermos informações detalhadas sobre os estudos das mulheres e questões 
étnico-raciais no Brasil, o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística possibilita-
nos um acesso de diversas tabelas e dados a respeito desse setor da população 
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2021). 
 De acordo com as tabelas disponíveis no Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística, percebemos que as mulheres no Brasil não conseguem competir das 
mesmas formas em oportunidades com os homens. Podemos pensar que um dos 
motivos dessa falta de competitividade é a sociedade brasileira acabar dividindo 
determinadas ocupações apenas para homens e outras apenas para mulheres.
 No caso do mercado de trabalho, as mulheres mesmo ocupando as mesmas 
funções que outros homens acabam ganhando muito menos. Entretanto, essa 
desigualdade não se reflete apenas no mundo do trabalho, mas no lar. Em diversas 
casas, as mulheres acabam tendo mais obrigações que os homens para cuidarem do 
lar. 
 Existe no Brasil uma cultura que acaba afirmando que o homem teria o papel 
de chefe de família, ou seja, aquele que deveria prover o lar. Mas, esse quadro vem 
se alterando nos últimos anos e pelos números que o Instituto Brasileiro de Geografia 
5.3 AS MULHERES NO BRASIL
55
 No caso do Brasil, existe um fenômeno que se chama discriminação racial, que 
seria a desigualdade social devido à sua questão étnica. As questões raciais no Brasil 
foram temas de diversos estudos na área das Ciências Sociais. 
 A respeito dos estudos sobre as questões raciais no Brasil, temos como pioneiro 
o sociólogo Gilberto Freyre. Ele defendia a ideia de que no Brasil não havia uma divisão 
social a respeito das questões étnicas raciais, pois o Brasil teria sido um país construído 
pela miscigenação. De acordo com ele, no país, as diferentes raças teriam se fundido 
harmonicamente em apenas uma e vivia-se em comunidade. Criava-se, a partir dos 
estudos de Gilberto Freyre, o mito da Democracia Racial no Brasil.
 Já, para outros, como Fernandes (1978), o preconceito racial tinha suas 
consequências para a população negra e parda devido às consequências da escravidão. 
Ele completa ainda a respeito do Negro no pós-abolição em São Paulo que:
5.4 A DISCRIMINAÇÃO RACIAL
e Estatística vem apresentando em cada levantamento estatístico, existe um número 
cada vez maior de mulheres como chefes de família. 
A palavra gênero não era utilizada nos primeiros estudos sociológicos. Mas esse conceito 
vem aparecendo nas últimas décadas com mais força nas áreas de Ciências Sociais. An-
tes, quando se falava do sexo de alguém, a referência denotava-se na Biologia. Entretan-
to, percebe-se, com os avanços dos estudos, que as construções do que é ser feminino e 
masculino na sociedade são arbitrárias e não vêm com a natureza.
FIQUE ATENTO
São Paulo constituía [...] uma das cidades brasileiras 
menos propícias à absorção imediata do elemento 
recém-egresso da escravidão. [...] São Paulo aparecia 
como primeiro centro urbano especificamente burguês. 
Não só prevalecia entre os homens uma mentalidade 
marcadamente mercantil, com seus corolários carac-
terísticos – o afã do lucro e a ambição do poder pela 
riqueza; pensava-se que o "trabalho livre", a "iniciativa 
individual" e o "liberalismo econômico" eram os ingre-
dientes do "Progresso", a chave que iria permitir superar 
o "atraso do País" e propiciar a conquista dos foros de 
"Nação civilizada" pelo Brasil. Nesse clima o negro en-
contrava boa acolhida: enquanto "escravo insubmisso", 
que fugia da senzala e se rebelava contra a escravidão 
(no período final de desagregação do regime servil); 
enquanto se abrigava como "protegido", "dependente" 
ou "cria da família", sob o manto das relações paterna-
listas. [...] Fora e acima disso, surgia como uma pessoa 
deslocada e aberrante no cenário tumultuoso que se 
forjava graças à "febre do café". Mesmo quando con-
seguia inserir-se no sistema citadino de ocupações, 
56
ele não se polarizava na direção do futuro e, assim, não 
"engrenava". Faltava-lhe coragem para enfrentar ocu-
pações degradantes, como os italianos que engraxa-
vam sapatos, vendiam peixes e jornais etc.; não era su-
ficientemente "industrioso" para fomentar a poupança, 
montando-a sobre uma miríade de privações aparen-
temente indecorosas, e para fazer dela um trampolim 
para o enriquecimento e o "sucesso"; carecia de meios 
para lançar-se às pequenas ou às grandes especu-
lações, que movimentavam os negócios comerciais, 
bancários, imobiliários e industriais; e, principalmente, 
não sentia o ferrete da ânsia de poder voltado para a 
acumulação da riqueza. [...] Doutro lado, as deforma-
ções introduzidas em suas pessoas pela escravidão li-
mitavam sua capacidade de ajustamento à vida urba-
na, sob regime capitalista, impedindo-os de tirar algum 
proveito relevante e duradouro, em escala grupal, das 
oportunidades novas (FERNANDES, 1978, p. 19-20).
 A partir dessas afirmações, percebemos que em Fernandes a discriminação racial 
tinha suas origens nas questões econômicas e políticas do país e não cultural. Para ele, 
resolvendo o problema da condição social do negro, estariam resolvidos os problemas 
de discriminação.
 Nos anos de 1970, apareceram novos estudos sobre os problemas de discriminação 
racial no país. Um dos pesquisadores que destacamos é Carlos Hasenbalg, que publicou 
a obra Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Para o sociólogo, a questão 
étnica se sobressaia quando aconteciam situações de escolha de indivíduos de origens 
étnicas diferentes em diferentes planos sociais. 
 Claramente, seus escritosirão discordar do mito da democracia racial desenvolvido 
por Gilberto Freyre, e é contrário à ideia que a miscigenação teria resultado na harmonia 
das raças. Ele acreditava que as situações discriminatórias apareceriam em situações 
concretas da realidade.
 Além disso, nesse livro, Hasenbalg (2005) não acredita que as questões raciais no 
Brasil possam ser reduzidas apenas a problemas econômicos e de classes, mas busca 
entender que o racismo deva ser compreendido a partir de uma perspectiva que não 
aquela da consequência do passado escravocrata do país. 
 Outro importante sociólogo que buscou entender as questões de preconceitos 
raciais existentes no Brasil foi Nogueira, que desenvolveu seus estudos comparando 
as sociedades brasileiras e norte-americana. Nogueira conhecia os estudos anteriores 
aos seus sobre as questões étnico-raciais no Brasil, mas para desenvolver seus 
estudos partiu da perspectiva de buscar entender as relações entre brancos e negros 
independente do grau de miscigenação que acontecia na sociedade brasileira.
 Assim, ele buscou estabelecer comparações com a sociedade dos Estados Unidos. 
Para ele, chamava a atenção as noções de preconceito existentes em todos os estudos 
sobre questões étnico-raciais desenvolvidos. Dessa forma, ele vai perceber que sempre 
que se falava em questão étnico-racial em qualquer estudo que foi realizado até então, 
mencionava-se as noções de preconceito.
 No caso dos Estados Unidos, as relações inter-raciais chegaram a extremos. Até 
57
[...] De certa forma, viemos à capital da nação para 
descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa 
república escrevam as magníficas palavras da Cons-
tituição e da Declaração da Independência (Sim), eles 
estavam assinando uma nota promissória da qual to-
dos os americanos seriam herdeiros. A nota era uma 
promessa de que todos os homens, sim, negros e bran-
cos igualmente, teriam garantidos os ‘direitos inaliená-
veis à vida, à liberdade e à busca da felicidade’. É óbvio 
neste momento que, no que diz respeito a seus cida-
dãos de cor, a América não pagou essa promessa. Em 
vez de honrar a sagrada obrigação, a América entre-
gou à população negra um cheque ruim, um cheque 
que voltou com carimbo de ‘sem fundos’.
No entanto, recusamos a acreditar que o banco da jus-
tiça esteja falido. Recusamos a acreditar que não haja 
fundos suficientes nos grandes cofres de oportunidade 
desta nação. E, assim, viemos descontar esse cheque, 
um cheque que nos garantirá, sob demanda, as rique-
zas da liberdade e da segurança da justiça. (LUTHER 
KING JR; CARSON, 2003, p. 73).
Considera-se como preconceito racial uma disposição 
(ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, 
em relação aos membros de uma população, aos quais 
se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, 
seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que 
se lhes atribui ou reconhece. Quando o preconceito de 
raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando 
toma por pretexto para as suas manifestações os tra-
ços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sota-
metade do século XX, os negros eram proibidos de frequentar determinados lugares 
que eram exclusividade da população branca norte-americana como, por exemplo, 
escolas ou transportes públicos. Os negros eram tratados pela sociedade americana 
como cidadãos de segunda classe devido às legislações vigentes em alguns estados 
norte-americanos.
 Nos anos de 1950 e 1960, a sociedade americana passou por fortes agitações 
sociais contrárias às legislações de discriminação racial existentes nos Estados Unidos. 
Uma das principais lideranças contrárias às discriminações raciais que ocorriam foi 
Marthin Luther King Jr. Em agosto de 1963, ele fez seu mais conhecido discurso, no qual 
acreditava em uma sociedade onde brancos e negros pudessem ter igualdade:
 Nos Estados Unidos, percebemos que as questões raciais movimentaram muito a 
sociedade nas décadas de 1950 e 1960. 
 Oracy Nogueira percebeu que mesmo existindo nas duas sociedades, Brasil e 
Estados Unidos, o preconceito racial se manifestava de formas diferentes. Para ele, na 
sociedade americana as formas de manifestações eram consideradas mais duras 
e segregacionistas. Em seus estudos Oracy Nogueira buscou demonstrar os tipos de 
preconceitos a respeito da discriminação racial:
58
que, diz-se que é de marca: quando basta a suposição 
de que o indivíduo descende de certo grupo étnico para 
que sofra as consequências do preconceito, diz-se que 
é de origem (NOGUEIRA, 2006, p. 291-292).
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes re-
sultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, 
etnia, religião ou procedência nacional. [...]
Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devida-
mente habilitado, a qualquer cargo da administração 
direta ou indireta, bem como das concessionárias de 
serviços públicos. Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) 
anos. [...]
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou 
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedên-
cia nacional. Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e 
multa (BRASIL, 1989).
 Outro importante estudioso das questões étnico-raciais foi Kabengele Munanga 
que nasceu na República Democrática do Congo e mudou-se para o Brasil em 1975. 
Ele afirmava que, no caso do Brasil, ocorreu um processo de desejo de branqueamento 
da população, assim, não seria fácil definir quem era negro ou não. De acordo com ele, 
os conceitos de negro e de branco “têm um fundamento etnossemântico, político e 
ideológico, mas não um conteúdo biológico” (MUNANGA, 2004, p. 52).
 Nas últimas décadas, diversos estudos sobre questões étnico-raciais já eram 
amplamente debatidos na sociedade brasileira. Com o pós-Segunda Guerra Mundial, o 
Brasil começou a ser visto como um país da mestiçagem, e as questões sobre identidade 
nacional estavam em pauta na problemática racial. Muitas vezes, o Brasil era descrito 
como um país sem conflitos raciais. A Unesco chegou a considerar o Brasil como um 
caso de luta contra o racismo.
 Apesar deste aparente cenário, em 1951 foi feita a Lei n. 1390 que condenava pela 
primeira vez as práticas de racismo na sociedade. A lei ficou conhecida como Afonso 
Arinos e mostrou que havia conflitos corriqueiros na sociedade brasileira a respeito 
das questões étnicas. As penas previstas nessa lei eram brandas (multas), pois ela 
caracterizava a discriminação racial como contravenção e não crime. Essa legislação 
não sofreu alteração até a Constituição de 1988.
 Durante os anos de 1980, houve um crescimento do movimento negro e das 
denúncias de racismo e desigualdades raciais existentes na sociedade brasileira e ficou 
evidente que necessitava de uma reformulação e amparo legal em nossa constituição 
para garantir instrumentos de combate ao racismo. Na Constituição de (1988), em 
seu art. 5 foi descrito que todos seriam iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza e “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a 
pena de reclusão, nos termos da lei”.
 Em 5 de janeiro de 1980, foi sancionada uma lei que buscava combater os crimes 
de preconceito racial:
 Apesar de uma legislação que criminalizava o racismo, sabemos que na 
sociedade brasileira acaba acontecendo diversas práticas discriminatórias que estão 
ainda presentes no nosso cotidiano.
59
• Assista ao documentário “Guerras do Brasil” que busca demonstrar as pro-
blemáticas históricas existentes no país. O primeiro episódio foca na Guerra 
de Conquista, chamada por muito tempo de Descobrimento, e fala da popu-
lação indígena, já o segundo episódio fala sobre a Guerra contra o Quilom-
bo dos Palmares e a população negra do Brasil. Link: https://bit.ly/3dAUXmV. 
Acesso em: 19 mar. 2021. 
• Caso queira aprofundar seus estudos sobre o racismo no Brasil, a obra “Re-
lações raciais e desigualdade no Brasi” de Geovanilda Santos (2009) expõe 
a influência das relações raciais e desigualdes até os dias de hoje. Disponível 
em: https://bit.ly/3dtYaEr.Acesso em: 19 mar. 2021. 
BUSQUE POR MAIS
60
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (IF-PB) Na tentativa de superar as mazelas sociais e promover a inclusão e a justiça, 
a partir dos anos 1990 o Brasil tem sido alvo em potencial dos programas de ações 
afirmativas que visam reconhecer e corrigir situações de direitos negados socialmente 
ao longo da história, visto que nos propósitos capitalistas que vigoram no Brasil 
há mais de 400 anos se insere a exploração do povo afrodescendente como mera 
ferramenta de utilidade material, força de trabalho e bem comercializável, sem o 
devido reconhecimento do desmantelamento de centenas de milhares de etnias que 
compunham o território do continente africano e que dispersaram por todo o mundo 
ocidental na constituição do capitalismo em suas múltiplas contradições sociais. Sobre 
o tema, analise as afirmativas a seguir.
I. As ações afirmativas vêm sofrendo críticas de uma pequena parcela da sociedade 
brasileira (a elite), que há muito tempo vem acumulando riquezas e oportunidades.
II. Diferenciar inclusão social de exclusividade e privilégios sociais. A exclusividade é 
busca da afirmação de direitos que há muito tempo vêm sendo negados, enquanto 
inclusão social é marca registrada de um grupo ou segmento social que tem amplo 
acesso aos bens, riquezas e oportunidades produzidas em termos sociais, visto que 
uma ou outra parcela muito grande da população tem restrições ou é barrada por 
completo da participação sociocultural e do exercício da dignidade e da cidadania.
III. O que o negro e os outros segmentos excluídos da participação e usufruto dos bens, 
riquezas e oportunidades querem é o direito à cidadania, à cultura, à educação, ao 
trabalho digno e à participação das políticas públicas de caráter social.
IV. Os programas de ações afirmativas são, na verdade, políticas de correção de 
desigualdades sociais e formas de efetivação de direitos. Portanto, defender as 
ações afirmativas é de fato se posicionar contra o mito da democracia racial e a 
exclusão social existente no Brasil.
Assinale a alternativa correta:
a) Se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
b) Se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas.
c)Se somente as afirmativas III e IV estiverem corretas.
d) Se somente as afirmativas I, III e IV estiverem corretas.
e) Se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 
2. (Prefeitura de Macapá-AP) O Brasil registrou queda nos índices de mortes de 
crianças menores de 5 anos, no ano de 2015, 73% menor que no ano de 1990. Porém, a 
taxa de mortalidade infantil ainda é elevada, principalmente em lugares de extrema 
pobreza e alta vulnerabilidade social, destacando-se as regiões Nordeste e Norte do 
país. Promovem a mortalidade infantil:
a) Políticas públicas efetivas na saúde e na educação além do aumento de emprego, 
61
principalmente para os jovens.
b) Áreas de lazer, diversão e campanhas midiáticas que apresentam informações 
importantes para a população.
c) Assistência hospitalar adequada, orientação à comunidade de forma objetiva e 
elevação da renda da população.
d) Amamentação nas primeiras horas de vida do recém-nascido, contato com a mãe 
e boa nutrição.
e) Saneamento básico inadequado ou ausente, desnutrição, falta de assistência às 
gestantes e ausência de acompanhamento médico aos bebês.
3. (IFB) No Brasil, a grande desigualdade da distribuição de renda torna relevante 
uma abordagem analítica que põe em relevo a possibilidade de lógicas familiares 
alternativas conforme as condições de vida. Cláudia Fonseca e Andreia Cardarello (2010), 
enfocando a relação entre condições materiais e vida familiar, levantam a hipótese de 
que existem dinâmicas familiares distintas conforme a classe social. Não obstante a 
riqueza dessas abordagens, pesquisas subsequentes demonstraram as limitações de 
modelos calcados exclusivamente no fator de classe.
I. Assinale a alternativa que indica os fatores apontados pelas autoras que 
demonstraram as limitações de modelos calcados exclusivamente no fator de 
classe.
II. Não existe uma correspondência mecânica entre renda e valor familiar.
III. Em certos aspectos, as famílias das classes altas, com sua lógica corporativista, antes 
de exibir um arranjo moderno, parecem se aproximar mais da lógica hierárquica tida 
como típica das classes populares.
IV. Em relação à divisão sexual de trabalho doméstico, observa-se que o casal igualitário 
das camadas médias é bem diferente de seus vizinhos conservadores. Prova disso, 
é que as mulheres das camadas médias não se ocupam dos afazeres domésticos 
tampouco são as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos, já que estas tarefas 
são realizadas pelas empregadas domésticas.
V. Diferenças entre regiões apontam para a importância de fatores como religião e 
tradição cultural, que podem se sobrepor às diferenças de classe.
Assinale a alternativa que apresenta apenas sentenças CORRETAS.
a) I, II e III.
b) II, III e IV.
c) I e II.
d) I e IV.
e) I, II e IV.
4. (Fundação Carlos Chagas) Dados do IBGE para o ano de 2009 mostram que, enquanto 
a taxa de analfabetismo entre os brancos é de 5,9%, ela é de 13,3% entre os pretos e de 
13,4% entre os pardos. Quanto ao analfabetismo funcional, as taxas são de 25,4% para 
os pretos, 25,7% para os pardos e 15,0% para os brancos. Estes dados evidenciam:
62
a) A democratização do ensino no Brasil, que garante altos níveis de escolarização.
b) A importância da educação como mecanismo de ascensão social.
c) O combate à desigualdade social, que amplia o acesso de pretos e pardos ao sistema 
escolar.
d) A desigualdade social, que hierarquiza brancos, pardos e pretos na sociedade 
brasileira.
e) Nenhuma das respostas anteriores.
5. (Fundação Carlos Chagas). Dados do IBGE referentes às condições de vida da 
população brasileira no ano de 2009 mostram que, na região sudeste, 4,0% de crianças 
de 0 a 14 anos vivem em domicílios sem abastecimento de água, esgotamento sanitário 
ou coleta de lixo. No estado de Minas Gerais, essa taxa é de 10,9%, idêntica à do Brasil, 
mas bastante superior às de São Paulo (0,8%) e Rio de Janeiro (0,9%). Com base nesses 
dados, está correto afirmar que:
a) A desigualdade existente em uma mesma região brasileira não pode ser apreendida 
apenas do dado geral.
b) As diferenças existentes entre a região sudeste e as outras regiões brasileiras devem 
ser destacadas.
c) O estado de Minas Gerais apresenta índices significativos de saneamento básico 
quando comparado com as outras regiões brasileiras.
d) Os dados não são significativos para mostrar as diferentes realidades de uma região.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
6. (IF-TO) As desigualdades sociais no Brasil são motivos de estudos de diversos autores 
sociais e instituições de pesquisa. Com relação às razões que proporcionaram as raízes 
essas desigualdades, julgue os itens abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Entre o final do século XIX e o começo do século XX houve uma política de imigração 
europeia dos governos brasileiros, pois imaginava-se, assim, branquear o Brasil.
II. A formação da população brasileira é resultado de decisões políticas tomadas 
em vários momentos da história. Em muitos casos essas decisões legitimaram o 
extermínio de indígenas, a escravidão negra, o incentivo à imigração europeia 
baseado em teorias de evolução social e de hierarquia racial.
III. À medida que a sociedade brasileira se industrializou e urbanizou desenvolveu no 
País um grande esforço de inclusão social, pois as políticas desenvolvimentistas, 
traduzido no Plano de Metas, popularmente conhecido como “50 anos em 5” produziu 
mudanças estruturais, sobretudo para os mais pobres.
IV. O coronelismo vinculado à grande propriedade rural, principalmente no Nordeste, 
serviu como base de sustentação de uma estrutura agrária concentradora de renda 
e ausência de educação.
a) Os itens I, II e IV estão corretos.
b) Os itens I, II e III estão corretos.
c) Os itens II, III e IV estão corretos.
d) Somente o item IV estácorreto.
e) Todos os itens estão corretos.
63
7. (Fundação Carlos Chagas) O processo que superaria a divisão da nação em raças e 
promoveria alguma democracia social é chamado por Gilberto Freyre de:
a) Democracia racial.
b) Resgate da cidadania.
c) Mestiçagem.
d) Antirracismo.
e) Nenhuma das anteriores
8. (IDECAN) Leia o fragmento textual abaixo:
Sobre o racismo no Brasil, analises as afirmativas a seguir:
I. Depois de 1888, após a abolição da escravidão, em resposta à falta de uma política 
de inserção dos afrodescendentes na sociedade, surgiram organizações de protesto.
II. Já havia, anteriormente à Constituição de 1988, leis que proibiam a discriminação 
racial e já previam punição para quem a manifestasse.
III. A tomada de posição mais firme por parte das pessoas que se sentem discriminadas 
tem trazido resultados mais efetivos em relação ao racismo.
Está (ão) correta(s) a (s) afirmativa (s):
a) I, II e III.
b) I, apenas.
c) II, apenas.
d) III, apenas.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
64
BRASIL: FOME, SEGREGAÇÃO 
RESIDENCIAL E VIOLÊNCIA 
65
 Como falado no capítulo anterior, percebemos que o Brasil é um país de extremas 
riquezas naturais, mas isso não responde as demandas sociais de sua população devido 
às questões étnicas, de gêneros e classes.
 A partir das considerações assinaladas anteriormente, começaremos a debater 
três grandes problemas vindouros na sociedade brasileira: fome, segregação residencial 
e violência. Acreditamos que esses problemas são as maiores consequências da 
desigualdade social existente entre nossa população. 
 A fome é considerada um dos grandes problemas existentes no Brasil. Uma 
questão presente há décadas na sociedade brasileira em suas campanhas políticas, 
jornais e em programas sociais. Entretanto, precisamos entender que esse destaque da 
fome nem sempre foi assim.
 Em 1946, foi lançado o livro Geografia da fome do médico, sociólogo e geógrafo 
Josué de Castro que mudou os pensamentos sobre as questões relacionadas com 
a fome no país. Até então, a fome era vista como algo natural e acreditava-se ser 
impossível de se resolver. Acreditava-se que devido ao clima e à falta de aptidão dos 
habitantes de algumas regiões do país, no caso o Nordeste, a fome se manifestava 
como um dos maiores empecilhos em algumas regiões para seu desenvolvimento.
 Josué de Castro viajou pelo país e o dividiu em cinco regiões conforme suas 
características alimentares: Amazônia, Nordeste Açucareiro, Sertão Nordestino, Centro-
Oeste e Sul. 
6.1 INTRODUÇÃO
6.2 FOME NO PAÍS
Figura 6: Mapa da divisão proposta por Castro (1983)
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3gi1TqG. Acesso em: 20 fev. 2021.
66
 Nessa divisão foi analisada a forma de colonização de cada área, como os 
alimentos eram produzidos e o aparecimento de enfermidades em suas populações. 
Castro (1983) propôs a ideia de que não existia apenas uma forma de fome no Brasil, 
mas as fomes individuais e coletivas. As fomes totais e parciais. As fomes específicas e 
ocultas.
 Castro (1983), propunha que a Sociologia deveria estudar as fomes coletivas 
(aquelas que afetavam grandes quantidades populacionais). Elas poderiam ser 
divididas em grupos de: endêmicas (permanentes), epidêmicas (temporárias), totais 
(inanição), ocultas e parciais. Essas duas últimas, Castro (1983) considerava as mais 
perigosas, pois mesmo se alimentando todos os dias, as vítimas desse processo se 
alimentavam mal devido à falta de nutrientes em suas refeições, ou sejam, comiam, 
mas não se alimentavam com o necessário para o desenvolvimento e sobrevivência. 
 Essa fome em que suas vítimas comiam e não se nutriam era vista pelo autor 
como uma das mais perigosas, por ser silenciosa e pouco a pouco poderia dizimar 
populações. Castro (1983, p. 89) concluiu, ao perceber as causas e consequências da 
fome, que ela seria resultado da “expressão biológica dos males sociológicos” ou “o 
flagelo fabricado pelos homens contra outros homens”. 
 Castro (1983) tornou-se uma das vozes que denunciou as causas da má 
alimentação no país e assinalava que era um problema social e político, que era 
resultado de um longo processo da exploração econômica de diversas camadas 
populacionais iniciada na época Colonial. Desta forma, a fome era desmarcada como 
um dos grandes problemas da falta de investimentos públicos e do subdesenvolvimento 
do país, mostrava as desigualdades sociais existentes entre as diversas regiões que 
compunham o Brasil.
 A Reforma Agrária era vista por Castro (1983) como uma solução para resolver o 
problema da fome no Brasil. Ele defendia que a concentração de terras levava à miséria 
de grandes parcelas populacionais. Assim, o fim da fome aconteceria como resultado 
de uma reestruturação no sistema produtivo nacional.
 Após essa obra, a fome passou a ser objeto de estudos no país nas áreas de 
Ciências Sociais e começou a ser abordada em escolas, universidades e encaradas 
como um problema da desigualdade social no país. Em 1988, com a Constituição 
Cidadã, o acesso à alimentação começou a ser considerado um direito humano.
Além de Castro (1983) quando falamos de fome no Brasil é impossível não falar da atu-
ação do sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho. Ele ficou fortemente conhecido pela 
sua militância e engajou-se na luta contra a Ditadura Militar, virando um dos grandes 
símbolos da abertura política na década de 1980. Ele foi defensor da Reforma Agrária e 
acreditava que a concentração de terras era um dos obstáculos do Brasil pois desenca-
deava a fome e a miséria entre seus habitantes. 
FIQUE ATENTO
67
 Sabemos que as faltas de moradias são um problema presente na realidade 
social brasileira. Para entendermos as questões da falta de moradia ou problemas de 
desigualdade desencadeados por ela, no Brasil, precisamos compreender o que seria a 
segregação residencial. De acordo com Torres (2004, p. 42) é:
 De acordo com Torres (2004) existem elementos que demonstram e evidenciam 
que a segregação residencial pode colaborar com o aumento da pobreza:
• Má qualidade residencial, riscos ambientais e para a saúde: as famílias de menores 
rendas lidam com disputa de espaço urbano e de terras e tem a ver com a busca 
Figura 7: Herbert José de Souza, o Betinho
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3xh1ElV. Acesso em: 20 jan. 2021
Como pudemos perceber ao longo das nossas unidades, a desigualdade social pode ser 
vista como causa e consequência da discriminação social, dos problemas de miséria e 
distribuição de renda do país. Muitas políticas públicas e instituições visam a inclusão e os 
combates das misérias sociais existentes no país, principalmente a fome e a desnutrição. 
Diante disso, como podemos analisar a atuação do Estado Brasileiro frente aos desafios 
da sua população nessas primeiras décadas do século XXI?
VAMOS PENSAR?
6.3 SEGREGAÇÃO RESIDENCIAL
O grau de aglomeração de um determinado grupo so-
cial/étnico em uma dada área. Nesse sentido, a forma-
ção de condomínios fechados de alta renda – como os 
da Barra (Rio de Janeiro) ou os de Alphaville (São Paulo) 
– poderia ser considerada uma forma de autossegre-
gação. [...] processos por meio do qual uma determi-
nada população é forçada de modo involuntário a se 
agrupar em uma dada área. Entre os componentes que 
induziriam essa aglomeração forçada estariam tanto 
mecanismos de mercado – que induzem à valorização 
ou à desvalorização imobiliária de determinadas áre-
as – como instrumentos institucionais (taxação, inves-
timentos públicos, remoção de favelas etc.) e práticas 
efetivas de discriminação (por exemplo, por parte de 
agentes imobiliários).
68
de residências em locais desvalorizados e muitas vezes com falta de infraestrutura 
urbana, onde é possível haver riscos para a vida dessa população;
• Custos de moradia desproporcionais: muitas famílias de baixa renda tendem a gastar 
mais com moradia do que as famílias de classe média e alta. Isso desencadeia a 
diminuição de renda para o consumo e outros bens, tornando-se proporcionalmentemenor do que de outras classes e favorecendo o empobrecimento dessa família;
• Efeitos da vizinhança: várias pesquisam demonstraram que o crescimento de pessoas 
em bairros de extrema pobreza tem efeitos negativos em questões educacionais, 
emprego, criminal e gravidez na adolescência. Esses efeitos negativos permitem que 
a pobreza seja perpetuada naquela localidade;
• Distância entre moradia e emprego: em certas localidades acontece uma baixa 
frequência de empregos, principalmente em locais de moradia de baixa renda. Isso 
gera aumento dos gastos dessa população com transporte e locomoção até os 
locais de seus trabalhos, isso impacta a renda da população e não permite acesso 
à informação sobre outros postos de trabalho;
• Moradia em situação irregular: a construção de moradias em terra irregular, favelas 
ou loteamentos clandestinos faz com que essas populações não consigam ter acesso 
a serviços e bens públicos. Normalmente, os serviços públicos nessas localidades 
tendem a ser problemáticos e de difícil acesso e isso pode trazer consequências 
gravíssimas para a população;
• Moradia como fator de geração de renda: a moradia pode ser entendida como 
um fator de geração de renda para seus ocupantes como, por exemplo, cômodos 
que podem ser alugados, materiais estocados, produções artesanais e ponto de 
venda. Mas, essas possibilidades de uso da moradia como fonte de renda são mais 
improváveis em locais com muita segregação devido à fragilidade existente no 
mercado local e precariedade das residências em seu entorno.
 Na obra, “Vigiar e Punir”, Foucault (1999) mostra interesse pelos temas que envolvem 
violência e disciplina. O filósofo buscava compreender de que formas as diferentes 
sociedades estabelecerem regras sobre o que as pessoas deveriam fazer e o que era 
visto como inapropriado. Ele buscou entender por que determinados comportamentos 
considerados como corretos podem ser, posteriormente ao longo do tempo repudiados. 
Outro questionamento que aparece em sua obra é como em determinados casos a 
violência é vista como algo legitimo e em outros como abominável.
 Foucault (1999) demonstrou que, por muito tempo, a violência era vista como a 
única forma de se buscar justiça. As torturas e crueldades eram formas de restabelecer 
a ordem social em momentos de crise. No século XVIII, as torturas e humilhações são 
substituídas pela punição humanitária. As penas corporais passam a ser consideradas 
socialmente inaceitáveis e busca-se maneiras de resgatar o homem que havia por 
trás do criminoso. O objetivo social não era mais condenar quem cometeu o crime, mas 
compreender os motivos que o levaram a cometer infrações (FOUCAULT, 1999).
 De acordo com Foucault (1999), ao longo dos últimos dois séculos a sociedade 
começou a criar o processo de humanização dos processos penais. A justiça parou 
de ser executada em praça para ser realizada em ambientes como os tribunais. Os 
6.4 VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE
69
criminosos antes tratados como objetos passaram a ter direitos. O judiciário tornou-se 
mais racionalizado. 
 Como sabemos, a violência no Brasil é algo constante em nossa sociedade. 
Mas diversos cientistas sociais começaram a pesquisar para compreender o porquê 
dessa violência e o que a geraria. Nos anos de 1980, a região da Cidade de Deus ficou 
nacionalmente conhecida como a localidade mais violenta do país. A mídia passou 
a noticiar a população dessa área como bandida e perigosa. Foi devido a isso, que 
a pesquisadora Alba Zaluar começou uma pesquisa buscando entender a violência 
urbana. A obra “A máquina e a revolta”, baseada em um extenso trabalho de campo 
desenvolvido pela antropóloga, na Cidade de Deus, separou conceitos do senso comum 
que por muito tempo estavam relacionados: pobreza e violência (ZALUAR, 1994). 
 A noção que a pobreza geraria a violência era constantemente difundida em nossa 
sociedade e apresentava a seguinte ideia: as pessoas são violentas porque são pobres, 
os pobres não têm acesso à educação e outros serviços públicos e não possuindo isso, 
não sabem exigir seus direitos. A criminalidade aparecia como consequência desse ciclo 
vicioso. Zaluar (1994) defendia que devemos interromper esse ciclo para entendermos 
a violência. A criminalidade não está diretamente ligada à pobreza. Pois, se esse ciclo 
fosse verdadeiro, todo pobre seria criminoso e isso está longe de ser considerado 
verdadeiro.
 A pesquisadora acreditava que muitos jovens pobres acabam entrando em redes 
criminosas devido ao prestígio e ao poder. Esse poder está relacionado com a cultura 
da masculinidade que se operaria numa lógica de conflito. Essa rede aspiraria a uma 
vida em que ganha destaque a cultura consumista, e que esses jovens e sua família 
poderiam conseguir. A autora ressalta que o acesso a esses itens de consumo pode 
trazer grandes consequências aos jovens que adentravam a criminalidade, como as 
prisões e o risco de mota. 
 Em sua obra, Zaluar (1994) mostra uma sociedade que vivia em um esquema 
dual: trabalhadores e bandidos. Os bandidos viam os trabalhadores como otários 
que ganhavam pouco em busca de determinados bens. Essa concepção ela concluiu 
devido às entrevistas com as pessoas que viviam na Cidade de Deus. 
 Em sua obra, percebemos que a população não enxergava a criminalidade da 
mesma forma que as classes médias e altas enxergavam. Era considerado crime roubar 
pessoas em condições iguais: marginalizados, pobres e negros. A polícia chegar e atirar 
em qualquer indivíduo dentro da comunidade era considerado um crime, sem levar em 
conta se o indivíduo atingido era bandido ou não. 
 Outras obras começaram a se debruçar sobre as questões da violência e 
segurança pública depois da publicação do livro de Zaluar. Devemos entender que a 
sociedade também se alterou. De acordo com Adorno (2002, p. 22), o aparecimento 
do narcotráfico fez com que houvesse a “desorganização das formas tradicionais 
de socialidade entre as classes populares urbanas, estimulando o medo das classes 
médias e altas e enfraquecendo a capacidade do poder público em aplicar lei e ordem”. 
 Em outro posicionamento, Silva (2004) acreditava que o narcotráfico não deveria 
ser entendido como um Estado dentro do Estado e nem de um problema do Estado 
ausente, mas encarar essa questão como a ligação entre uma ordem legal e uma cujo 
princípio norteador seria a violência. Essa sociabilidade seria regida pela violência e 
impactava o corpo social.
70
Diferentemente de outras formas de sociabilidade, a sociabilidade violenta tinha como 
característica essencial a transformação pela força para obter-se interesses próprios. 
Esse tipo de sociabilidade seria fragmentado e regido por uma lógica do “cada um por 
si” (SILVA, 2004). Assim, os líderes do narcotráfico conseguem se manter com poder 
devido a negociações e não pelo uso da força. A violência torna-se uma marca tanto 
de quem pertence ao grupo quanto de quem não pertence.
• A Cidade de Deus já foi retratada em vários filmes, mostrando seu cotidiano, 
violência e opressão. Um dos mais conhecidos é o filme “Cidade de Deus” de 
2002, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund. O trailer está disponível em: 
https://bit.ly/3sxfg8L. Acesso em: 20 mar. 2021. 
• Para aprofundar suas reflexões sobre a violência e a segurança pública, a 
obra de Lima e de Paula (2006), “Segurança Pública e Violência: o Estado está 
cumprindo seu papel?”, expõe as múltiplas esferas de poder e violência no 
país. Disponível em: https://bit.ly/3dvzJ9O. Acesso em: 20 mar. 2021. 
BUSQUE POR MAIS
71
1. (ENEM). A tabela refere-se a um estudo realizado entre 1994 e 1999 sobre violência 
sexual com pessoas do sexo feminino no Brasil.
A partir dos dados da tabela e para o grupo feminino estudado, são feitas as seguintes 
afirmações:
I. A mulher não é poupada da violência sexual doméstica em nenhuma das faixas 
etárias indicadas.
II. A maior parte das mulheres adultas é agredida por parentes consanguíneos.
III. As adolescentes são vítimas de quase todos ostipos de agressores.
IV. Os pais, biológicos, adotivos e padrastos, são autores de mais de 1/3 dos casos de 
violência sexual envolvendo crianças.
É verdadeiro apenas o que se afirma em:
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
2. (ENEM - Adaptado). “Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada pelos 
inquisidores para a sodomia. Nefandus: o que não pode ser dito. A Assembleia de clérigos 
reunida em Salvador, em 1707, considerou a sodomia “tão péssimo e horrendo crime”, 
tão contrário à lei da natureza, que “era indigno de ser nomeado” e, por isso mesmo, 
nefando. 
O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o recorde histórico em 2009. 
De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT - Lésbicas, 
Gays, Bissexuais e Travestis), nesse ano foram registrados 195 mortos por motivação 
homofóbica no País. 
FIXANDO O CONTEÚDO
72
A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do outro e, muitas vezes, 
expressa-se sob a forma de comportamentos violentos. Os textos indicam que as 
condenações públicas, perseguições e assassinatos de homossexuais no país estão 
associadas.
a) À baixa representatividade política de grupos organizados que defendem os direitos 
de cidadania dos homossexuais.
b) À falência da democracia no país, que torna impeditiva a divulgação de estatísticas 
relacionadas à violência contra homossexuais.
c) À Constituição de 1988, que exclui do tecido social os homossexuais, além de impedi-
los de exercer seus direitos políticos.
d) A um passado histórico marcado pela demonização do corpo e por formas recorrentes 
de tabus e intolerância.
e) A uma política eugênica desenvolvida pelo Estado, justificada a partir dos 
posicionamentos de correntes filosófico-científicas.
3. (ENEM) Embora o Brasil seja signatário das convenções e tratados internacionais 
contra a tortura e tenha incorporado em seu ordenamento jurídico uma lei tipificando 
o crime, ele continua a ocorrer em larga escala. Mesmo que a lei que tipifica a tortura 
esteja vigente desde 1997, até o ano 2000 não se conhece nenhum caso de condenação 
de torturadores julgado em última instância, embora tenham sido registrados nesse 
período centenas de casos, além de numerosos outros presumíveis, mas não registrados.
O texto destaca a questão da tortura no país, apontando que:
a) A justiça brasileira, por meio de tratados e leis, tem conseguido inibir e, inclusive, 
extinguir a prática da tortura.
b) A existência da lei não basta como garantia de justiça para as vítimas e testemunhas 
dos casos de tortura.
c) As denúncias anônimas dificultam a ação da justiça, impedindo que torturadores 
sejam reconhecidos e identificados pelo crime cometido.
d) A falta de registro da tortura por parte das autoridades policiais, em razão do 
desconhecimento da tortura como crime, legitima a impunidade.
e) A justiça tem esbarrado na precária existência de jurisprudência a respeito da tortura, 
o que a impede de atuar nesses casos.
4. (ENEM) Um volume imenso de pesquisas tem sido produzido para tentar avaliar os 
efeitos dos programas de televisão. A maioria desses estudos diz respeito às crianças — 
o que é bastante compreensível pela quantidade de tempo que elas passam em frente 
ao aparelho e pelas possíveis implicações desse comportamento para a socialização. 
Dois dos tópicos mais pesquisados são o impacto da televisão no âmbito do crime e da 
violência e a natureza das notícias exibidas na televisão.
GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.
O texto indica que existe uma significativa produção científica sobre os impactos 
socioculturais da televisão na vida do ser humano. E as crianças, em particular, são as 
mais vulneráveis a essas influências, porque:
73
a) Codificam informações transmitidas nos programas infantis por meio da observação.
b) Adquirem conhecimentos variados que incentivam o processo de interação social.
c) Interiorizam padrões de comportamento e papéis sociais com menor visão crítica.
d) Observam formas de convivência social baseadas na tolerância e no respeito.
e) Apreendem modelos de sociedade pautados na observância das leis.
5. (ENEM) Analise o cartum abaixo:
O cartum evidencia um desafio que o tema da inclusão social impõe às democracias 
contemporâneas. Esse desafio exige a combinação entre:
a) Participação política e formação profissional diferenciada.
b) Exercício da cidadania e políticas de transferência de renda.
c) Modernização das leis e ampliação do mercado de trabalho.
d) Universalização de direitos e reconhecimento das diferenças.
e) Crescimento econômico e flexibilização dos processos seletivos.
6. (VUNESP). Embora o Brasil não viva uma situação de guerra civil ou de atentados 
terroristas, a violência tem sido um dos temas mais frequentes no noticiário nacional, uma 
preocupação política e um tormento para o brasileiro comum, independentemente de 
sua classe social, de seu nível de instrução, de sua religião ou de sua inclinação política. 
Vive-se atualmente um clima de medo e insegurança generalizado. Essa sensação 
é confirmada pelas estatísticas que revelam o aumento crescente da criminalidade 
e, ao lado dela, da mortalidade por violência em nosso país, sendo o jovem a vítima 
preferencial.
BRYM, Robert [et al.] Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Thomson 
Learning, 2006. Adaptado.
Assinale a alternativa que apresenta as causas estruturais da violência nas áreas 
urbanas.
a) A violência urbana é fruto do consumo de drogas que conduz os usuários à formação 
de guetos e à fuga do mercado de trabalho.
74
b) A ausência de uma política de assistência social que ampare os pobres para que se 
mantenham distantes do crime organizado.
c) A falta de investimento público no sistema prisional, que pela falta de vagas, antecipa 
a liberdade condicional aos condenados.
d) A exclusão social, provocada pelo desemprego estrutural e pela ausência de 
perspectivas, fornece a base social para a criminalidade urbana.
e) A violência urbana no Brasil se encontra restrita as gangues juvenis que atuam nas 
áreas urbanas pela ausência de políticas públicas voltadas para a orientação social da 
juventude.
7. Sobre as causas da violência, é correto afirmar, segundo o consenso dos estudiosos, 
que:
a) as pessoas agem de forma violenta porque tem índole má, a qual pode ser revertida 
se elas forem condenadas a longas penas de prisão.
b) a principal causa da violência é a pobreza, o que se comprova pelo fato de que a 
maioria das pessoas que estão presas por crime violento são pobres.
c) não existe uma única causa para a violência e a punição de quem age com violência 
não é suficiente para resolver o problema.
d) a violência é causada pela pouca firmeza na educação dos filhos, provocada 
especialmente pela proibição do uso, pelos pais, de castigos físicos e surras para corrigi-
los.
e) a tolerância com as diferenças entre as pessoas e com os diferentes modos de 
pensar e agir causa a violência porque faz desaparecer da sociedade a noção do que 
é certo ou errado.
8. (FCC – Educador Social Penitenciário) Se o conceito de violência estrutural inclui 
a ideia de que se trata de uma “violência gerada por estruturas organizadas e 
institucionalizadas, naturalizada e oculta em estruturas sociais”, então é correto concluir 
que:
a) A desorganização social enfraquece as instituições e contribui para que a violência 
estrutural revele os verdadeiros interesses que a geram.
b) A origem da violência estrutural encontra-se na natureza humana, onde a violência 
se oculta em sua estrutura mais profunda.
c) A violência se torna estrutural na medida em que é praticada de forma escondida 
pelo crime organizado contra as instituições sociais.
d) A violência estrutural deve ser combatida por instituições policiais e judiciais bem 
organizadas e estruturadas.
e) O senso comum nem sempre considera ou compreende a violência estrutural como 
expressão de violência.
75
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO
UNIDADE 1
UNIDADE4.3 Classe, Estamento e Partido em Max Weber .............................................................................................................................................................................................................42
4.4 As Classes Sociais de Acordo com Karl Marx ...........................................................................................................................................................................................................45
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................49
ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL E CLASSES
5.1 Introdução ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................53
5.2 Pode-Se Falar de Mesmas Oportunidades? ..............................................................................................................................................................................................................53
5.3 As Mulheres no Brasil ..................................................................................................................................................................................................................................................................54 
5.4 A Discriminação Racial .............................................................................................................................................................................................................................................................55
FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................60
DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL
UNIDADE 5
6.1 Introdução ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................65
6.2 Fome no País ....................................................................................................................................................................................................................................................................................65
6.3 Segregação Residencial ..........................................................................................................................................................................................................................................................67
6.4 Violência e Criminalidade ......................................................................................................................................................................................................................................................68
FIXANDO O CONTEÚDO..........................................................................................................................................................................................................................................................................71
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................................................................................75
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................................................................................................76
BRASIL: FOME, SEGREGAÇÃO RESIDENCIAL E VIOLÊNCIA 
UNIDADE 6
8
UNIDADE 1
A primeira unidade busca discutir contextualizar as desigualdade social e as origens 
do seu significado. As desigualdades sociais tem origens múltiplas e diversas, que 
extrapolam apenas um causa social. Diante disso, apresentaremos algumas das 
possíveis desigualdades sociais existentes.
UNIDADE 2
A segunda unidade busca apresentar o conceito de desigualdade em Platão e o 
mito dos nascidos da terra. Através desse mito, Platão justificaria a desigualdade 
social como algo natural
UNIDADE 3
A terceira unidade busca apresentar o conceito de desigualdade social e 
desigualdade convencional existente no pensamento filosófico de Rousseau. Esse 
pensador acreditava que a desigualdade social era derivado das ações do Estado.
UNIDADE 4
Na quarta unidade, discutiremos as questões de estratificação social e classes 
existente no pensamento sociológico de Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx.
UNIDADE 5
Na penúltima unidade, analisaremos as questões de desigualdade social no Brasil e 
nos debruçaremos sobre as desigualdade raciais e de gênero existentes em nosso 
país.
UNIDADE 6
Na última unidade, continuaremos as discussões sobre a desigual-dade social no 
Brasil e suas principais consequências que são a fome, a segregação residencial e 
a violência.
C
O
NF
IR
A 
NO
 LI
VR
O
9
O QUE É DESIGUALDADE 
SOCIAL?
10
1.1 INTRODUÇÃO
1.2 ORIGENS
 Os estudos sobre as desigualdades sociais começaram a ganhar maior atenção 
dos meios acadêmicos e universitários nas últimas décadas. Esse interesse despertou 
devido aumento das diferenças sociais entre as nações e as classes sociais existentes 
em um mesmo país. Existem países que as desigualdades sociais são muito acentuadas 
e que permitem pouca mobilidade para a sua população.
 Para Novo (2017, online), o conceito de desigualdade é:
 Diversos estudos apontam que a desigualdade social surgiu com o aparecimento 
do sistema capitalista no século XVII. O capitalismo prega a ideia de acumulação de 
capital e valorização da propriedade privada. Diante disso, muitos indivíduos acabariam 
construindo suas riquezas ao longo de sua vida a partir da exploração de outros 
trabalhadores. 
 Para compreendermos essas mudanças é necessário remontarmos ao final da 
Idade Média e o aparecimento do Estado Democrático de Direito para começarmos a 
debater as origens da desigualdade social.
 Na Europa, no final da Idade Média, é um período de intensas transformações 
sociais que influenciaram o mundo atual e sua forma de organização. O continente 
europeu, durante a Idade Média, pautava-se pelo modo de produção feudal. Nesse 
sistema, suas características principais eram uma economia extremamente ruralidade, 
não existência de divisão de trabalho, pouca mobilidade social, produção voltava-se 
para as necessidades familiares e da comunidade, poder político descentralizado, 
poder de decisões nas mãos dos senhores feudais e uma sociedade marcadamente 
pela influência religiosa (OLIVEIRA JÚNIOR, 2017).
 Em finais do século XIII, profundas transformações começaram a ocorrer na 
organização da sociedade europeia. Ocorreu o encerramento de invasões de povos 
considerados bárbaros, novas mercadorias começam a circular oriundas das 
Cruzadas e começou ocorrer maiores desenvolvimento a produção agrícola, criando 
um excedente que poderia ser comercializado. Nesse ambiente de transformações, 
apareceu a intensificação das relações comerciais e uma maior circulação de moedas. 
Além disso, diversos trabalhadores feudais marginalizados começaram a mudar-se 
para porções urbanas conhecidas como burgos, esses trabalhadores passarem a ser 
 Em muitas sociedades pelo mundo, a população vive sem perceber que em 
seu país existe uma diferença entre suas classes sociais gritantes e não percebe as 
diferenças que cada cidadão vive ou as reais3
UNIDADE 5
UNIDADE 2
UNIDADE 4
UNIDADE 6
QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 B
QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 C
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 C
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 D
QUESTÃO 4 E
QUESTÃO 5 C
QUESTÃO 6 C
QUESTÃO 7 A
QUESTÃO 8 B
QUESTÃO 1 E
QUESTÃO 2 D
QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 E
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 B
QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 D
QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 B
QUESTÃO 5 A
QUESTÃO 6 B
QUESTÃO 7 A
QUESTÃO 8 E
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 A
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 A
QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 D
QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 E
76
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79
graduacaoead.faculdadeunica.com.brcondições de cada pessoa em seu entorno.
O conceito de desigualdade social é um guarda-chu-
va que compreende diversos tipos de desigualdades, 
desde desigualdade de oportunidade, resultado, etc., 
até desigualdade de escolaridade, de renda, de gêne-
ro, etc. De modo geral, a desigualdade econômica – a 
mais conhecida – é chamada imprecisamente de de-
sigualdade social dada pela distribuição desigual de 
renda.
11
conhecidos como uma nova classe econômica chamada burguesia (OLIVEIRA JÚNIOR, 
2017).
 A reestruturação dos espaços urbanos e o surgimento da burguesia permitiu 
a intensificação das mudanças econômicas e sociais nesse momento. A burguesia 
passou a questionar cada vez mais as relações existentes no sistema feudal (OLIVEIRA 
JÚNIOR, 2017).
 De acordo com Anderson (1989), a burguesia foi fundamental para a estruturação 
e aparecimento dos Estados Absolutistas. Nessa nova organização, a figura central era 
o rei que possuía apoio da nobreza. A nobreza buscava na figura do rei uma forma 
de manterem os seus poderes e privilégios herdados da época feudal. Já a burguesia 
via com simpatia a existência de regras para a circulação de moedas e tributações 
padronizadas nas relações comerciais existentes no Estado Absolutista. Dessa forma, a 
nobreza dava apoio político e a burguesia apoio econômico ao rei para a manutenção 
desta nova estrutura de Estado que se diferenciava em muito nos aspectos do feudalismo. 
Para Oliveira Júnior (2017), o Estado Absolutista foi um dos primeiros passos do projeto 
de expansão da classe burguesa. Nesse momento transitório começa a ocorrer 
disputas entre a nobreza e a burguesia, que se transformaria na classe dominante do 
sistema capitalista. Esses conflitos chamados de Revoluções Burgueses (Revolução 
Inglesa, Revolução Francesa, Revolução Industrial e o Iluminismo), devem-se a busca 
por ideais de cidadania e conquista de direitos individuais que seriam os pilares dos 
ideais burgueses no século XVIII.
 Com o aparecimento do capitalismo, ele pautou-se em conceitos fundamentais 
para os valores burgueses como a defesa das liberdades individuais, a meritocracia, 
a justiça, a possibilidade de ascensão social, direito entre os cidadãos, o trabalho 
assalariado e a livre concorrência (OLIVEIRA JÚNIOR, 2017).
 No sistema capitalista existem duas classes principais: a burguesia, donas dos 
meios de produção, e o proletariado, aquele que vende a sua força de trabalho para 
poder sobreviver. Essas duas classes são antagônicas e uma precisa da outra para a 
sua existência. Marx assinala sobre a divisão da classes sociais no capitalismo que “ 
Natureza não produz de um lado possuidores de dinheiro e de mercadorias e, de outro, 
meros possuidores das próprias forças de trabalho” (MARX, 2013, p. 140) .
 Outros pensadores, assim como Marx, tentaram explicar a divisão de classes 
existentes no sistema capitalista e a exploração dessas classes. Smith (2012) acreditava 
que nos homens existiria uma incapacidade natural para que cada ser humano haja 
individualmente, o que seria motivado por interesses particulares e isso originaria a 
divisão do trabalho. Esses interesses particulares gerariam uma competição e resultaria 
na produção de bens necessários para a existência da sociedade, por preços que 
poderiam ser acessíveis para a população. Entretanto, na prática isso não acontece.
Partindo desses conceitos, entendemos que o homem sempre buscou a oportunidade 
de maximizar e rentabilizar seus ganhos por meio sobretudo de trocas. Entretanto, 
com o advento do capitalismo e a exploração do proletariado em benefício do lucro 
da burguesia isso se acentuou, criando-se o espaço necessário para perpetuação 
de diferenças sociais existente entre as classes que compõe a sociedade atual. O 
capitalismo permitiu que as diferenças históricas existentes entre as classes sociais 
fossem acentuadas com a exploração do trabalhador. 
12
O processo de desigualdade social existe em diversas sociedades pelo mundo. Estando 
presente em diversos tipos de relações sociais que determinam processos de desigual-
dade, elas podem ser motivadas por questões econômicas, religiosas, crença, gênero ou 
étnicos. 
FIQUE ATENTO
A desigualdade social acaba muitas vezes sendo associada apenas a questões econô-
micas. Mas, como veremos, elas são motivadas por vários fatores. Na sua localidade que 
motivações de desigualdade social vocês percebem? Além disso, na sociedade brasileira 
as desigualdades sociais são oriundas de que fatores percebidas por você?
VAMOS PENSAR?
1.3 O APARECIMENTO DA DESIGUALDADE SOCIAL
 Como falado anteriormente, a desigualdade social se aprofundou com o sistema 
capitalista e a exploração da classe trabalhadora. A desigualdade social acaba fazendo 
com que as pessoas percam acessos a direitos considerados básicos como por exemplo 
uma saúde e educação de qualidade ou o próprio direito ao trabalho digno ou uma 
moradia.
 Em desigualdade social se manifesta nas sociedades devido falta de acessos 
a direitos básicos de várias camadas populacionais. Como veremos posteriormente, 
alguns filósofos como, por exemplo, Rousseau (2010) acreditavam que a desigualdade 
poderia se acumulando em determinados grupos com o passar do tempo. 
 Ao estudarmos as desigualdades sociais perceberemos que determinadas 
classes sociais ou grupos de pessoas acabam tendo maiores acessos a serviços de 
boa qualidade motivadas por questões meramente econômicas. Esses grupos sociais 
acabam tendo acesso a boas escolas, hospitais, faculdades e serviços de transportes 
bons. Dessa forma, percebemos que determinados grupos crescem e se desenvolvem 
em um meio social favorável a uma qualidade de vida ao contrário de outros setores 
existentes na sociedade.
 É interessante refletirmos que dentro da sociedade capitalista os grupos 
privilegiados buscam manter seus privilégios sobre as demais classes sociais e 
perpetuar as desigualdades existentes através da exploração econômica.
 Algumas camadas populacionais dentro do sistema capitalista acabam sendo 
marginalizadas e não conseguem ter acesso as oportunidades de vida, crescimento 
profissional ou aos estudos da mesma forma que outros grupos. Dessa forma, podemos 
considerar que pessoas oriundas de uma família pobre tem menos possibilidade de 
acesso a uma educação ou saúde de qualidade e muitas vezes acabam tendo uma 
baixa escolaridade. Isso posteriormente acabará refletindo nas oportunidades do 
mercado de trabalho, onde acabarão conseguindo empregos com pouco prestígio social 
e com uma remuneração baixa. Já nas classes mais altas, como dito anteriormente, 
percebemos que alguns privilégios acabam sendo perpetuados de geração a geração 
13
Na Sociologia, o conceito de classe social significa grupos de pessoas que possuem cri-
térios similares entre si, principalmente condições econômicas iguais. Muitas vezes essas 
condições econômicas fazem com que elas possuam posições sociais, econômicas, reli-
giosas e políticas parecidas.
FIQUE ATENTO
As classes sociais são conceitos surgidos nos estudos de Karl Marx e Friedrich Engels a res-
peito do capitalismo na sociedade moderna. Entretanto, percebemos grandes mudanças 
sociais desde o século XIX quando aconteceu os primeiros estudos desses filósofos. Atu-
almente, podemos considerar os conceitos de classes sociais para explicar a sociedade 
contemporânea? Você acredita que aconteceu muitas mudanças desses conceitos ao 
longo das últimas décadas?
VAMOS PENSAR?
devido a suas possibilidades econômicas. 
 No século XIX, o sistema capitalista criou o mito da meritocracia, no qual acredita 
que todas as pessoas com os mesmos esforços conseguiriam alcançar os mesmos 
objetivos. Esse mito não leva em conta os contextos particularidades de cada indivíduo e 
as oportunidades que cada um poderão ter ao longo da vida. Dessa forma, percebemos 
que as questões dos méritos não são iguais a todos no contexto capitalista.
 É importante frisarmos que diversos teóricos e especialista assinalam que a 
desigualdade socialé oriunda da má distribuição de renda, ou seja, ela acaba sendo fruto 
de um longo de processo de concentração de dinheiro por uma parte muito pequena 
da sociedade. Outras causas que podemos considerar como causas da desigualdade 
social são:
• Concentração de poderes de determinados grupos sociais;
• Falta de distribuição de recursos públicos de forma igualitária;
• A acumulação de lucros no sistema capitalista que cada vez mais explora os 
trabalhadores;
• Falta de investimentos em áreas sociais como saúde e educação;
• Falta de assistência as populações mais carentes;
• A não existência de trabalhos mais dignos para a maioria da população, isso 
acaba fazendo que muitos aceitem qualquer forma de trabalho para sua própria 
sobrevivência.
• Um importante documentário chamado “Inequality for all” retrata como é a 
situação da desigualdade nos Estados Unidos em um momento de crise eco-
nômica como o país viveu nos últimos anos. Esse documentário é dirigido por 
Jacob Kornbluth, possui cerca de 85 min de duração. No Brasil ele recebeu 
o nome de “Desigualdade para Todos”. Disponível em: https://bit.ly/3svcy3C. 
Acesso em: 14 mar. 2021. 
BUSQUE POR MAIS
14
1.4 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL
 Nos estudos sociológicos, a desigualdade social pode ocorrer de diversas formas, 
a mais conhecida é a econômica, mas não é a única. Entre as mais estudadas temos:
• Desigualdade racial: ao longo da História perceberemos que o racismo é uma 
das principais causas das desigualdades de classes existentes. No caso do Brasil, 
percebemos que o racismo acabou prejudicando a população negra ao acesso a 
direitos básicos. Perceberemos que no caso de nosso país, a desigualdade racial é 
uma herança do período da escravidão.
• Desigualdade de gênero: em várias sociedades percebemos que sua estrutura se 
dá de forma patriarcal, impossibilitando as mulheres terem os mesmos tratamentos 
que os homens. Em algumas sociedades, mulheres com o mesmo grau de ensino 
e que possuem as mesmas atribuições dos homens recebem salários mais baixos. 
Além das formas salariais, em muitas sociedades contemporâneas as mulheres 
acabam tendo pouco espaço de representatividade na esfera de poder político. 
• Desigualdade em pessoas com deficiência: em muitas sociedades percebemos que 
pessoas com deficiências ou determinados graus de deficiências acabam perdendo 
o acesso de oportunidade em diversas esferas públicas ou privadas. Além disso, 
o preconceito para essas pessoas fazem com que elas não sejam consideradas 
“normais” devido a cultura de padronização existente sobre o conceito de “normal” 
dentro da sociedade contemporânea.
• Desigualdade por questão da sexualidade: em muitas sociedades notaremos 
que pessoas que não são heterossexuais acabam perdendo as oportunidades de 
acesso a empregos e oportunidades devido a sua sexualidade. Muitos gays, lésbicas, 
bissexuais e pessoas trans acabam passando por determinados preconceitos devido 
a sua sexualidade, impossibilitando que muitas vezes alcance vagas de empregos 
ou que possam concluir os estudos ou terem atendimentos de saúde dignos.
 Essas são algumas desigualdades que podemos elencar. Entretanto, dependendo 
do autor, perceberemos que ele poderá pautar outros tipos de desigualdades que 
poderão ser oriundas da escolaridade, da religião, da renda das pessoas, da profissão. 
Ao longo da disciplina, perceberemos que as desigualdades foram analisadas por 
diversos autores e cada um possui uma interpretação sobre as suas causas. Além 
disso, perceberemos que as desigualdades sociais são um problema intensificados 
pelo contexto do sistema capitalista não apenas no Brasil, mas no mundo. Assim, a 
desigualdade social possui uma causa sistémica. 
• Além disso, indicamos a leitura da obra “Desigualdades de gênero, raça e et-
nia” de Carvalho et al. (2012), disponível no seguinte link: https://bit.ly/3suOWMF. 
Acesso em: 05 abr. 2021. 
15
1. (UFPB 2008 - Adaptado). A figura representa a pobreza e a exclusão social na cidade 
de Daca, Bangladesh. Sobre as desigualdades sociais no mundo, identifique a(s) 
afirmativa(s) verdadeira(s).
COELHO, Marcos Amorim Coelho; TERRA, Lygia. Geografia geral: o espaço natural e 
sócioecômico. São Paulo: Moderna, 2001, p. 216.
I. Uma maior concentração de riqueza pelos países desenvolvidos pode ser observada 
atualmente. Isso se dá, principalmente, pela redução das tarifas de importação, o 
que beneficia ainda mais os produtos exportados por esses países.
II. Os países mais pobres, quando exportam seus produtos agrícolas, enfrentam 
a concorrência desleal dos países mais ricos, pois estes subsidiam sua própria 
produção.
III. Os custos sociais da globalização, para os países pobres, são muito altos, mesmo 
assim, nos últimos anos, a taxa de desemprego nesses países manteve-se estável, 
bem como o número de excluídos.
IV. A mão de obra menos qualificada é descartada e adota-se a prática da terceirização 
do trabalho, que, mesmo mantendo todos os direitos dos trabalhadores, ainda é 
mais viável economicamente.
V. A economia informal ganhou espaço, tornando-se a única opção para muitos 
desempregados, para os quais faltam escolas e assistência social.
a) Apenas a afirmativa I é verdadeira.
b) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas I, II e V são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
e) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
2. (UECE 2018.1 - 1ª Fase). Sobre a desigualdade geográfica do desenvolvimento humano, 
é correto afirmar que:
a) no que diz respeito aos problemas sociais que crescem no mundo, a noção de 
FIXANDO O CONTEÚDO
16
segregação, associada ao fenômeno de exclusão de direitos por parte de algumas 
pessoas, ainda não atingiu a população residente nos países europeus.
b) mesmo nos países considerados muito ricos, tais como Estados Unidos e Inglaterra, em 
suas grandes cidades existem áreas ou bairros onde reinam a violência, a delinquência, 
a economia informal e atividades ilícitas, e a população residente nesses locais é 
desprovida de serviços públicos de qualidade.
c) as disparidades do binômio riqueza-pobreza ainda são marcantes entre certos 
grupos de países no mundo; porém, o mesmo não se observa no interior do território 
de cada país, geralmente marcado por homogeneidade no que tange ao bem-estar 
social da população.
d) as desigualdades sociais entre zonas rurais e urbanas — um dos contrastes 
geográficos mais flagrantes já sentidos pela humanidade — foram superadas com o 
advento da biotecnologia voltada à produção de alimentos.
e) nenhuma está correta.
3. (UFUB). De acordo com a teoria de Marx, a desigualdade social explica-se
a) pela distribuição da riqueza de acordo com o esforço de cada um no desempenho 
de seu trabalho.
b) pela divisão da sociedade em classes sociais, decorrente da separação entre 
proprietários e não proprietários dos meios de produção.
c) pelas diferenças de inteligência e habilidade inatas dos indivíduos, determinadas 
biologicamente.
d) pela apropriação das condições de trabalho pelos homens mais capazes em 
contextos históricos, marcados pela igualdade de oportunidades.
e) todas estão corretas.
4. Os estamentos foram a forma de organização social de um grande número de 
civilizações no mundo antigo. As divisões que compunham o sistema de estamentos 
visto no Feudalismo europeu eram
a) o rei, a nobreza e os servos.
b) o rei, o clero e os servos.
c) a nobreza, o clero e os servos.
d) os escravos, o clero e a nobreza.
e) nenhuma das anteriores.
5. (Prefeitura de Betim – MG) Quanto às características fundamentais das diversas 
formas de estratificação e desigualdades sociais, assinale a alternativa correta.
a) A sociedade de castas da Índia regula, oficialmente, a vida de milhões de pessoas. 
Esse sistema se constitui como uma referência cultural e política para toda sociedade 
hinduísta, impedindo o contato daqueles que pertencem a uma casta inferior com 
grupos superiores.
b) A sociologiareconhece que o enfrentamento das desigualdades sociais deve ser 
feito utilizando apenas critérios econômicos, pois os fatores historicamente relevantes 
17
foram superados a partir das conquistas civis.
c) As manifestações culturais de origem cotidiana e popular não representaram a 
cultura institucional de um povo.
d) A PEC das domésticas é uma importante conquista trabalhista que busca romper 
com o discurso escravagista de exploração, principalmente das mulheres negras na 
sociedade brasileira.
e) Para o sociólogo Charles Wright Mills, mesmo quando uma grande parcela da 
população se encontra desempregada e em condições de vulnerabilidade, as soluções 
podem ser individualizadas para garantir o estilo de vida dos indivíduos.
6. (Prefeitura de São João da Boa Vista – SP). Julgue as assertivas abaixo que tratam 
do tema da desigualdade social:
I. A questão fundamental acerca da permanência das condições sociais que 
reproduzem a desigualdade social e a pobreza impedindo uma substantiva 
emancipação humana está na esfera da produção e não da distribuição, isto é, 
no momento em que se defrontam trabalhadores e capitalistas – vendedores e 
compradores da força de trabalho - enquanto proprietários privados de mercadorias.
II. A relação de compra e venda da força de trabalho reflete a desigualdade social e real 
a qual estão submetidos os homens sob a ordem burguesa, contudo, esta relação 
tende a ser mistificada sob um discurso de igualdade formal entre o contratante e o 
contratado; 
III. Considerando a reprodução do capital, a desigualdade social torna-se ineliminável, 
posto que esta reprodução é assentada na acumulação, ou seja, a necessidade de 
acumular e concentrar capital determina a exploração da força de trabalho.
Dos itens acima:
a) Apenas um item está correto.
b) Apenas dois itens estão corretos.
c) Os três itens estão corretos.
d) Nenhum item está correto.
e) Nenhuma está correta
7. (UEPA). As desigualdades sociais são, em grande medida, produtos das relações de 
mercado. O sistema político intervém de diversas formas para regulamentar, regular 
e corrigir o funcionamento dos mercados. Os investimentos em educação pública são 
um exemplo disso. Sobre o tema é correto afirmar que:
a) pessoas sem aptidão para os estudos formais têm poucas chances de mobilidade 
social, tendem a viver na pobreza.
b) a origem social determina as condições de desigualdade das famílias, impossibilitando 
a mobilidade social.
c) a renda e o status social são estatisticamente dependentes da origem social e do 
nível de instrução, de forma moderada.
d) a estratificação social por renda determina o nível de instrução e, consequentemente, 
18
descreve as possibilidades de mobilidade social.
e) nenhuma das anteriores.
8. (Prefeitura de São Paulo – SP). Analise a imagem a seguir:
A imagem representa uma situação social comum no Brasil, indicativa:
a) da existência de uma visão etnocêntrica do mundo, que valoriza a cultura de consumo 
disseminada no mundo ocidental.
b) da diversidade social do povo brasileiro, já que os indivíduos são apenas diferentes e 
não superiores e inferiores.
c) da desigualdade social, pois as condições sociais e econômicas dos indivíduos são 
díspares.
d) do choque cultural estabelecido pelo contato entre indivíduos de culturas diferentes, 
no qual ambos se estranham.
e) da valorização do diálogo intercultural, em que é reconhecido o direito à diferença e 
a luta contra as formas de discriminação e desigualdade social.
19
PLATÃO E O MITO DOS 
NASCIDOS DA TERRA
20
 Platão viveu no período de 427 – 347 a.C, em Atenas, pertenceu a uma das classes 
nobres da cidade. Seu verdadeiro nome foi Arístocles, mas devido seu porte físico ficou 
conhecido como Platão, termo em grego que significava pessoas que tinham ombros 
largos.
 Platão era discípulo de Sócrates, o quem ele considerava como “o mais sábio e 
justo dos homens” (PLATÃO, 1972, p. 120). Após a morte de Sócrates, Platão viajou inúmeras 
vezes por um período longo e isso possibilitou que ele amplia-se seus horizontes 
culturais e amadurece-se suas reflexões filosóficas. Em 387 a.C, retornou a Atenas, onde 
fundaria sua própria escola de pensamento filosófico que levou o nome de Academia, 
em homenagem ao local que foi construído que era de seu amigo Academus.
 Platão, durante a juventude, defendia o ideal de participação política em Atenas. 
Entretanto, tornou-se desiludido com a democracia ateniense:
 Platão devido as injustiças cometidas em Atenas, elaborou uma doutrina política 
 Muito do que conhecemos hoje sobre Platão foi transmitida por intermédio da 
fala de Sócrates nos diálogos socráticos, escritos por Platão. De acordo com Pereira 
(2012, p. 489), os escritos de Platão são “diálogos ou dramas filosóficos. A modalidade 
descende dos Sofistas e de Sócrates, e parece ter sido praticado por todas as escolas 
socráticas, mas foi Platão que a elevou a gênero literário”. A influência de Platão para o 
pensamento ocidental é extremamente vasta e valiosa até os dias de hoje. 
2.1 INTRODUÇÃO
2.2 REIS-FILÓSOFOS
Figura 1: Platão
Fonte: Disponível em https://bit.ly/32pvk1V. Acesso em: 11 jan. 2021.
Deixei levar-me por ilusões que nada tinham de espan-
tosas por causa de minha juventude. Imaginava que, 
de fato, governariam a cidade reconduzindo-a dos ca-
minhos da injustiça para os da justiça. [...] Fui então ir-
resistivelmente levado a louvar a verdadeira filosofia e 
a proclamar que somente à sua luz se pode reconhecer 
onde está a justiça na vida pública e na vida privada 
(VALVERDE, 1987, p. 58).
21
 Durante o período de Platão, século V a.C, Atenas era uma cidade-Estado grega 
com muita desigualdade social. Platão, em seus escritos, usou uma fábula para explicar 
as desigualdades existentes na sociedade ateniense. Para ele, a fábula era uma mentira, 
mas uma mentira que seria necessária para a conservação da situação política da 
cidade (PLATÃO, 2006).
 O mito que o Platão utiliza para explicar a sociedade ateniense é o do nascidos da 
Terra, nele os gregos e suas armas teriam sido feito a partir do interior da Terra e está 
como sua criadora, teria feitos nascerem. Assim, deles deveriam cuidar do lugar onde 
vivem como um filho cuidaria da sua mãe. E nessa narrativa é explicado a função que 
cada um deveria ter:
2.3 O MITO DOS NASCIDOS DA TERRA
Todos vós que estais na cidade sois irmãos, [...] mas ao 
plasmar-vos, o deus, no momento da geração, em to-
dos os que eram capazes de comandar misturou ouro, 
e por isso são valiosos, e em todos os que eram auxi-
liares daqueles misturou prata, mas fer ro e bronze nos 
agricultores e outros artesãos. Já que todos vós sois da 
mesma estirpe, no mais das vezes geraríeis filhos mui-
to semelhantes a vós mesmos, mas, às vezes, do ouro 
seria gerado um filho de prata e, da prata, um de ouro, 
segundo a qual somente os filósofos poderia ter condições de libertar-se das ilusões 
do mundo real e atingir o mundo da sabedoria. Em sua obra, “A República”, Platão 
imaginou uma sociedade ideal, justa e sem desigualdade que seria governada pelos 
reis-filósofos. Eles seriam pessoas capacitadas e que atingiram o mais alto grau de do 
mundo das ideias, que consistiriam no ideal do bem. 
Trazemos aqui um trecho da obra de Schuler (1985, p. 79), “Literatura Grega”, onde é pos-
sível compreender melhor a visão platônica sobre o famoso mito da caverna de Platão.
“Boa ilustração do sistema platônico vê-se no ‘mito da caverna’. Imaginem-se escravos 
algemados desde sempre com o rosto voltado para o fundo da caverna. O sol que brilha 
fora projeta sobre a superfície rochosa as sombras dos que passam pela abertura. Os 
escravos, por não terem tido outro contato com a realidade senão as sombras moventes, 
não admitem a existência de outros seres além destes. Ocorre que um dos escravos se 
liberta e busca a luminosidade exterior. 
No primeiro instante, os raios do sol o cegam. Habituando-se, porém, à luz, percebe o 
mundo verdadeiro de quem apenas conhecia as sombras, tidascomo reais. A alegria da 
descoberta o faz retornar à prisão para denunciar o mundo de ilusões em que todos vi-
vem. Os companheiros, tomando-o como insolente, o matam ofendidos.
Na alegoria platônica, a caverna sombria é o nosso mundo cotidiano percebido pelos 
sentidos. O sol é a luz da verdade a iluminar essências eternas (as ideias) de que apenas 
percebemos sombras móveis. Libertar-nos das impressões sensoriais, para vermos as 
coisas como realmente são, é tarefa dos filósofos. A turba ignara e revoltada, preferindo a 
ilusão dos sentidos à luz da verdade, silencia os arautos da suprema sabedoria.
A imagem do homem comum não poderia ser mais negra.”
FIQUE ATENTO
22
 Atenas mesmo tendo o sistema democrático, era uma sociedade escravista e 
o direito à cidadania restringia-se a uma parcela pífia da sociedade. Só era cidadão 
quem era do sexo masculino, adultos e livres. Esse “sistema democrático” exclui da 
participação as mulheres, escravos e os estrangeiros.
 Nas funções existentes da democracia ateniense, existe uma organização 
das atribuições existentes na cidade-Estado: a primeira e sendo uma minoria, a dos 
magistrados, formada pelos governantes, tinham como responsabilidade fazer as leis 
e executá-las; existe a classe econômica de trabalhadores que poderiam ser livres 
ou escravizados e era a classe mais numerosa existente em Atenas; e por fim, a de 
guerreiros, que tinham como dever a proteção da cidade.
 A partir da fábula dos nascidos da terra, Platão (2006) justificava que os 
magistrados deveriam cuidar mais da cidade e do relacionamento entre a população 
mostrando-se possuidores de uma alma de ouro e que não precisariam acumular 
riqueza, pois sua riqueza maior encontraria no seu interior. Desta forma, Atenas poderia 
ser governada por pessoas que não seriam movidas por práticas injustiça e corruptíveis.
Platão defendia que a desigualdade social existente na cidade não era um problema, 
desde que cada pessoa nascida em Atenas entende-se sua função conforme a sua 
natureza social. Platão acreditava que cada um nasce preparado para exercer um 
determinado tipo de função na sociedade. Para ele, a cidade justa é aquela que seria 
organizada em justa medida, ou seja, aquela que cada indivíduo ocupa o seu lugar de 
designado desde o nascimento. 
 Platão entendia que uma cidade é “justa pelo fato de que cada uma das três 
ordens que a constituem cumpre sua função” (PLATÃO, 2006, p. 167). De acordo com o 
filósofo, se isso prevalecer a cidade terá prosperidade e ordem. Assim “é justo que aquele 
que, por natureza, é sapateiro fabrique sapatos e nada mais faça, que o construtor 
construa e, quanto aos outros também seja assim”. (PLATÃO, 2006, p. 170). Essas são as 
considerações platônicas sobre um ordenamento de sua cidade ideal.
e assim com todas as combinações de um metal com 
outro. Aos chefes, como exigência primeira e maior, 
ordenou o deus que de nada mais fossem tão bons 
guardiões quanto de sua prole, nem nada guardassem 
com tanto rigor, procurando saber que mistura havia 
na alma deles e que, se um filho tivesse dentro de si 
um pouco de bronze ou de ferro, de forma alguma se 
compadecesse dele, mas que o relegasse, atribuindo-
-lhe o valor adequado à natureza, ao grupo dos artífi-
ces e agricultores. Mas, em compensação, se um deles 
tivesse em si um pouco de ouro ou prata, reconhecen-
do-lhe o valor, fizesse que uns ascendessem à função 
de guardião e outros à de auxiliares, porque havia um 
oráculo que previa que a cidade pereceria quando um 
guardião de ferro ou bronze estivesse em função (PLA-
TÃO, 2006, p. 129).
23
I. Parte concupiscente ou apetitiva situada na região 
do baixo-ventre e seria a parte da alma responsável 
pelos desejos sensuais (bebida, comida, sexo e pra-
zeres) e de bens materiais. Seria uma parte mortal 
e irracional; 
II. Parte colérica ou irascível localizada na região do 
peito, sua função seria a defesa do corpo contra o 
que poderia ameaçar a segurança do indivíduo. Se-
ria também moral e irracional;
III. Parte racional seria situada na cabeça e responsá-
vel pelo conhecimento e sabedoria dos indivíduos. 
Seria a única parte imortal e seria uma função su-
perior da alma (PLATÃO, 2006, p. 24-29).
 É preciso frisar que entender a Teoria da Alma de Platão é uma forma de 
complementar a visão do filósofo sobre a ideia de cidade justa, no qual cada grupo 
social teria sua função naquela sociedade. Da mesma forma que a cidade teria três 
divisões, a alma humana possuiria uma divisão que seria:
 Para Platão, um homem para possuir virtudes, ou seja, ser um homem virtuoso 
deveria que cada parte de sua alma tenha uma medida justa (sem excessos ou faltas) 
a função que lhe caberia, sendo controlado pela parte racional. A parte racional seria 
responsável pelo controle das outras.
 A parte racional controlando as demais partes traria virtudes para o homem como 
a temperança, a coragem, a prudência e o conhecimento. O homem virtuoso possuiria 
todas essas qualidades. Mas, o que aconteceria ser a parte racional não conseguisse 
controlar nenhuma parte?
 Caso a parte racional não consiga controlar as demais partes, elas não realizariam 
suas funções e nesse caso aconteceria a desordem, a violência, o caos e o conflito entre 
as partes. Criaria assim o homem vicioso.
 De acordo com Platão, assim como a alma a divisão da sociedade possuiria essas 
características. Na classe dos magistrados, eles seriam regidos pela parte racional da 
alma, por isso o bom funcionamento da cidade. Na classe dos guerreiros predominaria 
a colérica que aprecia a fama e os combates. Caso a sociedade fosse governada 
pelos guerreiros, ela estaria em constantes combates e guerras. Já a classe econômica 
seria regida pela parte da alma concupiscente que buscaria riqueza e prazeres. Caso 
a sociedade seja administrada pela classe econômica ela estaria em constante crises 
econômicas e aprofundaria as desigualdades já existentes. 
 Desta forma, Platão acredita que o homem justo é aquele que a razão sobressai a 
cólera e os prazeres, assim os magistrados seriam a classe que se sobressaia perante 
as demais. Entretanto caberia a educação para que cada indivíduo entende-se a 
função e as virtudes de sua classe correspondente. A classe dos magistrados deveria 
ser educada para a prudência; a dos militares para a coragem; e a classe econômica 
para a temperança.
 A combinação da temperança, prudência e coragem faria surgir uma nova 
virtude: a justiça. A cidade justa seria aquela que cada classe cumprira sua função de 
2.4 A TEORIA DA ALMA DE PLATÃO
24
 A respeito da escravidão, é importante ressaltar que na Antiguidade era uma 
prática comum para os povos. Os vencedores da guerra costumava escravizar os povos 
vencidos, havia uma lógica de preservar a vida da pessoa em troca da sua liberdade.
Platão (2006) não é contra a prática da escravidão. Mas recomendava que a prática 
acontece-se apenas aos povos estrangeiros inimigos e não fosse feita entre os gregos. 
Essa ressalva, deve-se porque as cidades-Estados gregas viviam em constantes 
conflitos entre elas. 
 Sobre o papel das mulheres, Platão defendia que as mulheres de militares e 
magistrados recebem-se a mesma educação que o homem e exercer as mesmas 
funções. É interessante essa defesa visto que na sociedade ateniense as mulheres não 
eram consideradas cidadãs. 
 Platão acreditava que as diferenças entre homens e mulheres eram acidentais e 
não essenciais. Assim, nas palavras do filósofo:
2.5 AS MULHERES E OS ESCRAVOS PARA PLATÃO
forma harmônica e que cada indivíduo exercendo o que ele cumpre a natureza, todos 
colaboraria para a realização da justiça. Desta forma, percebemos que Platão busca 
legitimar a desigualdade entre as classes atenienses, mostrando que ela seria uma 
expressão da justiça e para o bem coletivo. 
É importante refletirmos que a concepção platônica de cidade justa serviria para justificar 
uma estrutura social idealizada por ele como ideal. Assim, o governante administraria com 
sabedoria, osmilitares cuidariam da defesa e os produtores responsável pelo abasteci-
mento da cidade. Entretanto, vale frisarmos que nessa visão de Platão sobre as classes so-
ciais ocorreria uma certa naturalização das desigualdades sociais e para ele, as diferenças 
poderiam justificar a existência de desigualdades. 
VAMOS PENSAR?
• Caso você queira se aprofundar seus conhecimentos sobre conceitos pla-
tônicos, recomendamos essa videoaula do canal “Casa do Saber” sobre a 
República de Platão, ele encontra-se online aqui: https://bit.ly/3v1zLvV. Acesso 
em: 16 mar. 2021. 
• A obra “A República” de Platão (2018) continua bastante atual nos dias atu-
ais. Aprofunde seus conhecimentos acerca do pensamento platônico e faça 
leitura dessa obra clássica através do link: https://bit.ly/2Q6A4XN. Acesso em: 
16 mar. 2021. 
BUSQUE POR MAIS
Ah! Meu amigo, entre as ocupações da administração 
da cidade, nenhuma cabe à mulher porque ela é mu-
lher, nem ao homem porque ele é homem, mas as qua-
lidades naturais estão igualmente disseminadas nos 
dois sexos e, por natureza, a mulher participa de todas 
25
 Nessa última citação, percebemos que o pensamento do Platão está condicionado 
aos valores dominantes de sua época. Pois a ideia de que a mulher poderia ser 
considerada mais fraca que o homem é inaceitável aos valores contemporâneos e 
revela os limites do pensamento platônico.
ocupações e de todas também o homem, mas em to-
das elas a mulher é mais fraca que o homem.
[...]
Então, para que uma mulher se torne guardiã, não ha-
verá entre nós uma educação para os homens e outra 
para as mulheres, principalmente porque ela irá cuidar 
de uma mesma natureza (PLATÃO, 2006, p. 184-186).
26
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (ENEM-2015). “Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos 
presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu 
entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas 
a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de 
invenções humanas.” 
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, 
sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de
a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
2. (UEPA) Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de 
suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus 
amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor 
reflexão e do menor rigor.
Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo 
opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante 
bem o seu caráter insuficiente. 
CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17.
Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à
a) Oligarquia.
b) República.
c) Democracia.
d) Monarquia.
e) Plutocracia.
3. (UEG) O mundo grego no século IV a. C. era marcado por uma estrutura de Cidades-
Estado dispersas pelo território helênico. Essa fragmentação política levou os filósofos 
a procurarem estabelecer uma ideia sobre as formas de governo que fossem as mais 
adequadas. Entre essas ideias, pode-se destacar
a) a democracia racional, defendida por Demócrito.
b) a oligarquia comercial, defendida por Sócrates.
c) a aristocracia rural, defendida por Heráclito.
d) o governo de filósofos, defendido por Platão.
e) nenhuma das anteriores.
27
4. (Unespar) A República de Platão é uma das obras mais lidas e reconhecidas da 
História da humanidade. Seu tema principal é:
a) a construção de uma cidade ideal, que Platão implanta de fato em uma terra distante 
de Atenas, como nos narra depois em sua Carta Sétima.
b) o conceito de verdade construído na Alegoria da Caverna, o que demonstra que 
toda a construção da cidade não passa de uma metáfora e que o tema que interessa 
realmente a Platão não é política, e sim conhecimento.
c) a arte e sua necessária submissão à ciência, como fica claro nos livro III e X em que 
Platão argumenta não ser a arte uma atividade racional.
d) a ética e a política, embora Platão argumente que a cidade ideal não pudesse ser 
construída. Ela precisava ser pensada a fim de iluminar os governantes.
e) uma política que deve ser submetida não aos desígnios das vontades subjetivas 
mas a um governo estabelecido em bases racionais.
5. (Unespar) Platão, em sua obra, A República, fala de uma ética teleológica, isto é, 
uma ética cujo princípio não é o que realmente se faz, mas o que se deveria fazer. Esta 
postura de Platão está baseada naquilo que ficou conhecido como Teoria das Ideais, 
sobre a qual é correto afirmar que:
a) é a teoria em que Platão, através da imagem da expulsão dos poetas da República, 
define que devemos nos concentrar no mundo sensível, para conhecer corretamente a 
realidade.
b) é a teoria em que Platão separa o conhecimento em dois tipos: o estético e moral.
c) é a teoria em que Platão define o conhecimento como uma passagem a uma intuição 
intelectual totalmente diferente do conhecimento dado no mundo sensível.
d) é a teoria em que Platão define as Ideias como entidades imateriais inacessíveis ao 
intelecto humano.
e) é a teoria atribuída a Platão erroneamente, pela tradição Cristã, na Idade Média, uma 
vez que Platão nunca pensou as ideias como entidades com existência real.
6. (UENP) Platão foi um dos filósofos que mais influenciaram a cultura ocidental. Para 
ele, a filosofia tem um fim prático e é capaz de resolver os grandes problemas da vida. 
Considera a alma humana prisioneira do corpo, vivendo como se fosse um peregrino 
em busca do caminho de casa. Para tanto, deveria transpor os limites do corpo e 
contemplar o inteligível. 
Assinale a alternativa correta.
a) A teoria das ideias não pode ser considerada uma chave de leitura aplicável a todo 
pensamento platônico.
b) Como Sócrates, Platão desenvolveu uma ética racionalista que desconsiderava a 
vontade como elemento fundamental entre os motivadores da ação. Ele acreditava 
que o conhecimento do bem era suficiente para motivar a conduta de acordo com 
essa ideia (agir bem).
c) Platão propõe um modelo de organização política da sociedade que pode ser 
considerado estamental e antidemocrático. Para ele, o governo não deveria se pautar 
28
pelo princípio da maioria. As almas têm natureza diversa, de acordo com sua composição, 
isso faz com que os homens devam ser distribuídos de acordo com essa natureza, 
divididos em grupos encarregados do governo, do controle e do abastecimento da polis.
d) Platão chamava o conhecimento da verdade de doxa e o contrapõe a uma outra 
forma de conhecimento (inferior) denominada episteme.
e) Para Platão, a essência das coisas é dada a partir da análise de suas causas material 
e final.
7. (UEL) No pensamento ético-político de Platão, a organização no Estado Ideal reflete 
a justiça concebida como a disposição das faculdades da alma que faz com que 
cada uma delas cumpra a função que lhe é própria. No Livro V de A República, Platão 
apresentou o Estado Ideal como governo dos melhores selecionados. Para garantir que 
a raça dos guardiões se mantivesse pura, o filósofo escreveu: 
“É preciso que os homens superiores se encontrem com as mulheres superiores o maior 
número de vezes possível, e inversamente, os inferiores com as inferiores, e que se crie a 
descendência daqueles, e a destes não, se queremos que o rebanho se eleve às alturas.” 
Adaptado de: PLATÃO. A República. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993, p.227-228.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamentoético-político de Platão 
é correto afirmar:
a) no Estado Ideal, a escolha dos mais aptos para governar a sociedade expressa uma 
exigência que está de acordo com a natureza.
b) o Estado Ideal prospera melhor com uma massa humana difusamente misturada, 
em que os homens e mulheres livremente se escolhem.
c) o reconhecimento da honra como fundamento da organização do Estado Ideal torna 
legítima a supremacia dos melhores sobre as classes inferiores.
d) a condição necessária para que se realize o Estado Ideal é que as ocupações próprias 
de homens e mulheres sejam atribuídas por suas qualidades distintas.
e) o Estado Ideal apresenta-se como a tentativa de organizar a sociedade dos melhores 
fundada na riqueza como valor supremo.
8. (Fundação Carlos Chagas). Considerado um dos principais filósofos da humanidade, 
Platão teorizou, em suas obras, acerca da política, desenvolvendo reflexões sobre temas 
como
a) o papel imprescindível do Estado no estabelecimento de um contrato social que 
garantisse os direitos de todos os cidadãos e decisões consensuais.
b) a ética necessária na conduta dos governantes, de forma a atender aos interesses 
coletivos e não individuais.
c) a divisão necessária do governo em três poderes (executivo, legislativo e judiciário) 
de modo que houvesse uma autorregulação dos mesmos.
d) a liberdade de expressão na imprensa e a tolerância religiosa no espaço público, 
elementos por ele considerados fundamentais para a manutenção da democracia.
e) o uso justificado dos mais variados meios para se atingir um fim nobre e garantir a 
permanência do governante no poder.
29
A DESIGUALDADE SOCIAL 
EM ROUSSEAU
30
 O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), era natural da Suíça, nasceu em 
Genebra. Posteriormente mudou-se para França, período que escreveu boa parte de 
suas principais obras. Um de seus escritos mais conhecidos é a obra Do Contrato Social, 
onde expõe sua ideia de que um soberano deveria conduzir o Estado de acordo com a 
vontade geral do povo em vista do bem comum. Esse Estado teria bases democráticas 
e teria condições para oferecer ao seu povo um regime igualitário.
 De acordo com Jacques Rousseau, no Estado de Natureza, as pessoas viveriam 
em equilíbrio devido suas poucas necessidades que visavam sua sobrevivência. Isso 
teria pendurado até o surgimento da propriedade privada e mudaria a realidade social 
das pessoas. Alguns passariam a trabalhar para outros, onde haveria o surgimento da 
escravidão e da miséria.
 Outro importante escrito do filósofo é a obra “Discurso sobre a origem da 
desigualdade entre os homens”. Rousseau criticaria fortemente a corrupção, os vícios e 
as mazelas da sociedade dita civilizada e glorificaria valores da vida natural. Nessa obra, 
existe a oposição entre o homem no estado natural e o “homem civilizado” e foi a partir 
dela que surgiu o mito do bom selvagem. Seus ideais foram fortemente utilizados em 
períodos posteriores na história da França como, por exemplo, a Revolução Francesa.
 Vale frisar, que Rousseau mesmo tendo uma vasta produção filosófica em 
diversos campos como ciências, línguas, artes e educação, ele não se enquadrava 
completamente nas características do movimento do Iluminismo. Mesmo sendo um 
defensor da liberdade e os vícios sociais, ele não renegava sua origem cristã e chegou a 
criticar os excessos de racionalidade do seu contato, assim ele é visto como um filósofo 
de transição do Iluminismo. 
3.1 INTRODUÇÃO
3.2 ESTADO DE NATUREZA E ESTADO CIVILIZADO
Figura 2: Jean-Jacques Rousseau
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3dwvdYQ. Acesso em: 11 jan. 2021.
O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro 
que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto 
é meu [...] Quantos crimes, guerras, assassínios, misé-
rias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele 
31
 Assim, Rousseau criou a ideia que o homem antes de socializar-se teria vivido em 
paz até ser criada a desigualdade social que o corromperia. Ele daria o nome para esse 
homem de ‘bom selvagem’. 
 Rousseau vai assinalar que a origem da propriedade privada seria um falso 
pacto social que colocaria milhares de pessoas sob sua vontade. Entretanto, haveria 
a possibilidade de outros contratos sociais que poderia ser considerado verdadeiro e 
legítimo, pelo qual prevaleceria a vontade geral da população.
 O contrato social, de acordo com Rousseau, dependeria da vontade unânime da 
população e os associados a esse contrato se alienaria totalmente em vontade do bem 
comum da comunidade. O indivíduo ao abdicar de sua liberdade pelo contrato social, 
ele não estaria desamparado, mas ele é uma parte importante da existência desse 
acordo por ser uma parte integrante e ativa da sua comunidade. Dessa forma, Rousseau 
acredita que com o contrato social, a população não perderia sua autonomia, pois o 
Estado resultado desse contrato social deveria garantir as liberdades da sua população 
e protegê-la.
 Ao contrário dos pensadores absolutistas de séculos anteriores de Rousseau, a 
noção de contrato social atribui ao povo a vontade soberana e inalienável. Dessa forma, 
o governo é instituído pelo povo e esse último não deve ser submetido as vontades e 
 Para Rousseau, a propriedade privada foi a base de surgimento da sociedade 
civil. Além disso, de acordo com Paixão (2015, p. 58) que:
que arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tives-
se gritado a seus semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir 
esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os 
frutos são de todos e que a terra não pertence a nin-
guém!’ (ROUSSEAU, 1973, p. 259).
A não intervenção dos homens que perceberam essa 
decisão do ‘meu’ sobre o que era até então de todos, 
defendendo o estado natural em que viviam, facilitou 
a reprodução de uma prática apropriadora individual, 
que gerou as misérias sociais que assolariam a huma-
nidade. Mas esse relato, como é alertado pelo próprio 
autor, não ocorreu de forma abrupta, de uma hora para 
outra, mas ao contrário, se deu numa sucessão tem-
poral incalculável e em forma de estágios. Assim, Rou-
sseau ‘salta multidões de séculos’, após falar algumas 
linhas sobre o homem não gregário e sua passagem 
das respostas animalescas às que possibilitavam ati-
vidades próprias, ou seja, embriões de práticas sociais 
propiciada pelas necessidades primárias, que na sua 
complexificação favoreceu o ‘esclarecimento do es-
pírito e o aperfeiçoamento da indústria’. A partir desse 
salto, recomeça esse autor do ponto em que o homem 
já possui conhecimento suficiente da natureza para 
produzir ferramentas como o machado, que por sua 
vez possibilitava o alcance de novas faculdades como 
construir habitações, após longo de período de pousos 
em cavernas ou árvores. 
32
caprichos do soberano. Assim, os depositários que seriam responsáveis por preserva 
a vontade do povo poderia ser destituído conforme a conveniência da população em 
geral. De acordo com Rousseau (1973, p. 42)
 Para Rousseau, a vontade geral e o contrato social dentro de aspectos 
democráticos defendidos pelo filósofo deveriam ser a base do sistema social. Rousseau 
(1973, p. 45) assinala que:
 Assim, para o Rousseau (1973, p. 49-50) o soberano ou o governante seria aquele 
que:
 Com essa afirmação, Rousseau é um dos teóricos que preconiza a vontade popular 
e a participação da população nas deliberações legislativas que seriam aplicadas na 
sociedade. Para Rousseau, haveria dois tipos de participação na sociedade: quando o 
povo é ativo nas deliberações ele se tornaria cidadão e quando sua soberania se torna 
passiva ele exerce a qualidade de um súdito. Dessa forma, percebemos que Rousseau 
distinguiria a existência da pessoa pública (súdito e cidadão) e pessoa privada. A 
pessoa privada seria aquela que sua vontade individual visa a um interesse egoísta e 
a interesses particulares na administração. Já a pessoa pública seria aquele individuo 
particular que pertenceria a um espaço público e participaria de um corpo coletivo 
(comunidade/sociedade) que os interessescomuns devem prevalecer pela vontade 
geral da população.
 Vale frisar que nem sempre o interesse da pessoa privada coincidiria com a 
pessoa pública, como por exemplo a acumulação de riquezas e propriedades que 
desencadearia a desigualdade social. Dessa forma, podemos assinalar que muitos 
interesses da pessoa privada poderiam ser prejudiciais à vontade coletiva.
Aquele que recusar obedecer à vontade geral a tanto 
será constrangido por todo um corpo, o que não signifi-
ca senão que o forçarão a ser livre, pois é essa a condi-
ção que, entregando cada cidadão à pátria, o garante 
contra qualquer dependência pessoal.
Por uma observação que deverá servir de base a todo o 
sistema social: o pacto fundamental, em lugar de des-
truir a igualdade natural, pelo contrário substituir por 
uma igualdade moral e legítima aquilo que a natureza 
poderia trazer de desigualdade física entre os homens, 
que, podendo ser desiguais na força ou no gênio todos 
se tornam iguais por convenção e direito.
A soberania, não sendo senão o exercício da vontade 
geral, jamais pode alienar-se, e que o soberano, que 
nada é senão um ser coletivo, só pode ser representado 
por si mesmo. O poder pode transmitir-se não, porém, 
a vontade.
Rousseau ficou conhecido como sendo do grupo de filósofos conhecidos como contratu-
alistas, porque acreditava que o Estado era derivado de um contrato social.
FIQUE ATENTO
33
Concebo na espécie humana duas espécies de desi-
gualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque 
é estabelecida pela natureza, e que consiste na dife-
rença das idades, da saúda, das forças do corpo e das 
qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode 
chamar de desigualdade moral ou política, porque de-
pende de uma espécie de convenção, e que é estabe-
lecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento 
dos homens. Esta consiste nos diferentes privilégios que 
foram alguns com prejuízos dos outros, como ser mais 
ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros, 
ou mesmo fazerem-se obedecer por eles (ROUSSEAU, 
2010, p. 165).
A obra de Rousseau (1973), “Contrato Social”, foi originalmente publicada na dé-
cada de setenta e é essencial para compreender o ser humano e sua relação 
com poder, política e o meio que está inserido. Disponível através do link: https://
bit.ly/3dx41sK. Acesso em: 18 mar. 2021. 
BUSQUE POR MAIS
A partir da perspectiva que estudamos de Rousseau, podemos assinalar que as desigual-
dades sociais acabam sendo resultados das administrações e mazelas existentes no Es-
tado. A partir disso, é possível imaginarmos uma administração estatal sem nenhuma de-
sigualdade?
VAMOS PENSAR?
 Na França, em 1753, na Academia de Dijon, foi feito um concurso no qual os 
participantes deveria tentar responder as seguintes questões: Qual era a origem da 
desigualdade entre os homens e se ela seria autorizada pela lei natural?
 Jacques Rousseau, já havia participado anteriormente de outros concursos 
semelhantes produzidos pela Academia como, por exemplo, um sobre o tema Se 
o progresso das ciências e das artes tinha contribuído para corromper ou apurar 
costumes. Ele participou desse novo concurso com sua obra Discurso sobre a origem 
da desigualdade entre os homens. 
 No seu escrito, Rousseau distingue dois tipos de desigualdades existente na 
sociedade: a primeira que teria sido instituída pela natureza e a outra produzida pelos 
homens. Segundo ele:
De acordo com Rousseau, a fonte da desigualdade natural seria em decorrência 
da natureza. Assim, o autor busca se dedicar a investigar as origens da chamada 
desigualdade moral ou política, assim ele vai notar que a desigualdade social é instituída 
3.3 DESIGUALDADE NATURAL E DESIGUALDADE CONVENCIONAL
34
pelos homens desde os temais mais antigos até os dias atuais. 
 A respeito dos métodos adotados pelo filósofo para entender seu pensamento. 
Rousseau (2010, p. 52-53) afirmava que “não se deve tomar as pesquisas que podemos 
realizar sobre este tema por verdades históricas, mas somente por raciocínios hipotéticos 
e condicionais”. Mesmo sendo cristão, ele não considerou as explicações religiosas, que 
nessa perspectiva a desigualdade seria resultado de uma vontade de Deus. 
 A partir dessa afirmação, percebemos que Rousseau não queria recorrer aos 
conhecimentos da época sobre as mudanças e anatomia do homem, por ser um 
assunto que ele apenas poderia conjecturar. Dessa forma, ele preferiu averiguar o 
homem como ele era, andando com dois pés e servindo-se com as próprias mãos. 
 Percebemos nesse escrito, que Rousseau buscou demonstrar a diferença existente 
entre desigualdade natural e desigualdade convencional. Para ele, a primeira ele 
utilizaria raciocínios hipotéticos e por isso suas conclusões não poderiam ser tomadas 
como verdades inquestionáveis. Já a segunda, ele trabalhou ao longo de sua obra.
 Vale ressaltar que mesmo sendo um homem com formação cristão, em sua 
metodologia ele abandonou completamente as explicações religiosas que existiam 
sobre a desigualdade entre os homens. Assim, suas reflexões a respeito da desigualdade 
social deveria ser compreendidas a partir da razão e isso demonstraria que ele estaria 
em sintonia com sua época (Iluminismo). 
 Ainda sobre as considerações de Rousseau sobre a sociedade humana ele 
ressalta que:
 Para Rousseau, a primeira etapa da instituição da desigualdade na sociedade 
teria acontecido após a instauração da propriedade privada. De acordo com o filósofo:
Considerando a sociedade humana de modo calmo 
e desinteressado, a princípio ela só aparece mostrar a 
violência dos homens poderosos e a opressão dos fra-
cos; o espírito se revolta contra a natureza de uns ou é 
levado a deplorar a cegueira dos outros e – como nada 
é menos estável entre os homens do que essas relações 
exteriores produzidas mais frequentemente pelo acaso 
do que pela sabedoria, e que chamam de fraqueza ou 
poder, riqueza ou pobreza – os estabelecimentos hu-
manos parecem à primeira vista fundamentados em 
montões de areia movediça; só quando a examinamos 
de perto, só quando removemos o pó e a areia que co-
brem o edifício, percebemos a sólida base sobre a qual 
se ergue e se aprende a respeitar os seus fundamentos 
(ROUSSEAU, 2010, p. 163).
A primeira etapa das desigualdades coincide com o 
estabelecimento da propriedade, atinge-se o seu pon-
to culminante com a implantação do poder arbitrário 
e pelo domínio do escravo pelo senhor: se seguirmos 
o processo da desigualdade nessas diferentes revolu-
ções, verificaremos ter constituído seu primeiro termo 
o estabelecimento da lei e do direito da propriedade; a 
instituição da magistratura, o segundo; sendo o terceiro 
e último a transformação do poder legítimo em poder 
35
 Em nenhum momento em sua obra, percebemos que ele quer falar sobre a 
evolução biológica do homem, mas compreender traços da natureza humana e os 
caminhos de transformação humana entre o estado de natureza e o estado social que 
resultaram nas desigualdades.
arbitrário. Assim o estado de rico e de pobre foi auto-
rizado pela primeira época; o de poderoso e de fraco 
pela segunda; e pela terceira, o de senhor e escravo, 
que é o último grau da desigualdade e o termo em to-
dos os outros se resolvem, até que novas revoluções 
dissolvam completamente o Governo ou o aproximem 
da instituição legítima (ROUSSEAU, 2010, p. 263).
36
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (ENEM). Leia o fragmento a seguir, extraído do Discurso sobre a origem e os fundamentos 
da desigualdade entre os homens, de Rousseau:
“É do homem que devo falar, e a questão que examino me indica que vou falar a 
homens, pois não se propõem questões semelhantes quando se teme honrar a verdade. 
Defenderei, pois, com confiança a causa da humanidade perante os sábios que a isso 
me convidam e não ficarei descontente comigo mesmo se me tornar digno de meu 
assunto e de meus juízes”.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade 
entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p.159.
A

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