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André Henrique Rosa Leonardo Fernandes Fraceto Viviane Moschini-Carlos Organizadores M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-407-0197-7 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- Carlos, Viviane. CDU 502-022.316 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 112 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) Figura 5.5 Séries históricas de chuvas médias mensais (1961-1990). (escoamento) para todas as bacias hidro- gráficas brasileiras. Analisando-se a Figura 5.6, verifica-se que a região Amazônica apresenta uma rela- ção de 52% de evapotranspiração e 48% de escoamento em relação ao total de chuva. Isso significa que, nessa bacia, quase 52% do que choveu no período considerado foram transformados em evapotranspiração. Por outro lado, na bacia do Atlântico Nordeste Oriental, a precipitação foi quase na sua to- talidade transformada em perdas por evapo- transpiração 93% e apenas 7% em escoa- mento. Comparando-se os resultados ante- riores, nota-se que na região Amazônica existem condições favoráveis para que ocor- ra uma grande disponibilidade de água, por outro lado, na bacia do Atlântico Nordeste Oriental, observa-se o contrário, razão pela qual a disponibilidade de recursos hídricos reflete a condição de escassez crônica e mui- tas vezes absoluta segundo a classificação de Beeckman (1999). Daí a importância das po- líticas de gerenciamento de recursos hídricos para tentar equacionar os problemas exis- tentes e tentar resolvê-los. INDICADORES HIDROLÓGICOS A determinação da quantidade de água em uma determinada bacia hidrográfica de- pende inicialmente da área considerada, do clima e das condições de uso e cobertura da terra que influenciam de forma direta o comportamento sazonal dos fluxos de água dentro da área analisada. Dessa forma, quando analisamos a dis ponibilidade de recursos hídricos para uma bacia hidrográfica, a estimativa de va- lores de referência se faz necessária. O com- portamento destes é aleatório, o que torna a Meio ambiente e sustentabilidade 113 sua análise mais complexa. Dessa forma, o tratamento desses valores é realizado consi- derando-se intervalos de curto e de longo prazo. Quando existem condições de medida dos valores com instrumentação em tempo real, tem-se a análise de curto prazo. Ou seja, a bacia hidrográfica possui equipamen- tos que permitem acompanhar os eventos como a chuva, o que permitirá utilizar um modelo de previsão na estimativa do com- portamento da geração de vazão com base na chuva real. Por outro lado, na estimativa de valo- res de longo prazo, é necessária a utilização de valores que possuam séries históricas adequadas para determinar uma estimativa das probabilidades com que um evento po de ocorrer. Como aplicação dessas metodologias, podem-se citar as determinações das vazões máximas e mínimas que utilizam ajustes es- tatísticos de séries históricas. Indicadores hidrológicos como vazão natural, vazão específica, vazão média, vazão de estiagem, vazão máxima e vazão mínima serão comentados a seguir. Vazão natural Inicialmente, temos que considerar que os valores de vazão gerados em uma bacia hi- drográfica deveriam representar condições de vazão natural, que é entendida como aquela que ocorre como resultado final da interação de todos os processos do ciclo hi- drológico em uma bacia hidrográfica, e que QUADRO 5.2 Balanço hídrico de massa EVAPO- BACIAS ÁREA PRECIPITAÇÃO VAZÃO TRANSPIRAÇÃO HIDROGRÁFICAS (Km2) (mm) (mm) (mm) Amazônica 3.869.953 2.239 1076 1.163 Tocantins-Araguaia 921.921 1.837 472 1.365 Atlântico Nordeste Ocidental 274.301 1.790 308 1.482 Parnaíba 333.056 1.117 72 1.045 Atlântico Nordeste Oriental 286.802 1.218 86 1.132 São Francisco 638.576 1.037 141 896 Atlântico Leste 388.16 1.058 121 937 Atlântico Sudeste 214.629 1.349 467 882 Atlântico Sul 187.522 1.568 702 866 Paraná 174.533 1.511 410 1.101 Uruguai 879.873 1.785 745 1.040 Paraguai 363.446 1.398 205 1.193 Brasil 8.532.772 1.492 400 1.092 Fonte: Adaptado da ANA (2007a) 114 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) não sofreu interferência antrópica de ne- nhum tipo como barragens, bombeamen- tos, derivações, transposições de água. Todas essas interferências antrópicas in- fluenciam, em menor ou maior grau, a dis- ponibilidade dos recursos hídricos regio- nais ou locais de forma quantitativa e quali- tativa. Vazão média Um valor muito usado como referência é a vazão média que pode ser estimada na esca- la diária, mensal ou anual. Pode-se conside- rar que a vazão média anual é obtida com base nos valores observados somente na- quele período de anos estudados ou consi- Figura 5.6 Balanço hídrico de massa para as bacias hidrográficas do Brasil. Fonte: ANA (2007a). Meio ambiente e sustentabilidade 115 derar a estimativa da vazão média do mês de fevereiro como aquela em que são consi- derados somente os valores dos meses de fe- vereiro do período escolhido. A vazão média assume um valor im- portante na hora da análise final da disponi- bilidade hídrica em uma determinada área. A estimativa da vazão média pode ser determinada através da equação abaixo: Qx Qt n t n = = ∑ 1 (3) Onde: Qx– é a vazão média; Qt é a vazão no intervalo t; n é número de intervalos em t. Dessa forma, podem-se considerar vá- rias situações, a vazão média anual de um determinado local é a média diária de todos os valores do ano. Por outro lado, a vazão média de longo período é a média dos valo- res das vazões médias anuais ou a média das médias. Ainda, a vazão média de longo pe- ríodo é a maior vazão que pode ser regula- rizada em uma bacia hidrográfica. A Figura 5.7 apresenta os valores de vazão média para uma série histórica de 42 anos. Vazão de permanência A necessidade de gerir a disponibilidade de recursos hídricos fez com que leis fossem promulgadas para tentar resolver o proble- ma. Em nosso país, existe uma legislação que determina os valores de referência da vazão de permanência, com o objetivo de gerenciar os recursos hídricos através do instrumento da Outorga de água, Lei 9.433/97. As vazões de permanência ou estia- gem (Q90, Q95, Q7,10) foram determina- das através da análise de séries históricas nas diferentes regiões, escolhendo-se os dados de uma determinada estação fluvio- métrica de referência em uma seção do rio da bacia hidrográfica analisada. Dessa ma- neira, adotou-se o valor de permanência de Q95%, ou seja, a vazão média que pode ser excedida ou igualada em 95% do tempo e, portanto, que representa a disponibilidade hídrica em condições de estiagem. Este valor ainda pode ser utilizado como refe- rência em relação ao potencial de energia firme de instalações hidrelétricas. Por isso a importância da distribuição da disponibili- dade de recursos hídricos em bacias hidro- gráficas, cada condição particular precisará Figura 5.7 Vazão média anual (---- vazão média). 116 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) QUADRO 5.3 Valores-referência das vazões de outorga de água superficial ÓRGÃO VAZÃO MÁXIMA LEGISLAÇÃO LIMITES MÁXIMOS GESTOR OUTORGÁVEL VIGENTE OUTORGADOS Fonte: Adaptado de ANA (2007b). ANA DAEE (SP) SRH (BA) SUDERHSA (PR) SEMAR (PI) SEMARH (GO) 70% da Q95 podendo variar em função das peculiaridades de cada região. 20% para cada usuário individual. 50% da Q7,10 por bacia. Individualmente, nunca ultrapassa 20% da Q7,10. 80% da Q90 20% para cada usuário Individual 50% da Q95 80% da Q95 (Rios) e 80% da Q90reg (Açudes) 70% da Q95 Não existe, em função das peculiaridades do País, podendo variar o critério. Não existe legislação específica.Decreto Estadual 6.296/97 Decreto Estadual 4646/2001 Não existe legislação específica. Não possui legislação específica. 1,0 L/s 5,0m³/dia (águas subterrâneas 0,5 L/s 1,0 m³/h (0,3 L/s) Não estão ainda definidos Não estão ainda definidos de um critério específico para poder con- trolar e fiscalizar a outorga desses recursos. O Quadro 5.3 apresenta os critérios de Ou- torga de Água para alguns Estados, ANA (2009). Vazão específica A vazão específica é a relação entre a vazão e a área da bacia hidrográfica. Serve como um indicador direto que permite comparar o nível da produção de água entre bacias hi- drográficas. A estimativa da vazão específi- ca pode ser determinada por meio da equa- ção abaixo: Qe Qm Ai = *1000 (4) Onde: Qe é a vazão específica média de longa duração; Qm é a vazão média anual; Ai é a área da bacia hidrográfica. A Figura 5.8 mostra a distribuição da vazão específica para as bacias hidrográficas brasileiras. Nota-se que as regiões que apre- sentam um balanço hídrico com excedente de água indicam os maiores volumes de Meio ambiente e sustentabilidade 117 vazão específica, observa-se claramente que a região Norte e grande parte da região Sul possuem valores acima de 15 l/s.km2. Por outro lado, a região Nordeste e parte da bacia do Paraguai apresentam valores abai- xo de 10 l/s.km2. O Quadro 5.4 apresenta os valores da vazão média, vazão de permanência e vazão específica para as bacias hidrográficas bra- sileiras, segundo a divisão da ANA. Análise estatística de dados hidrológicos Como já comentado anteriormente, os eventos hidrológicos de forma geral são ale- atórios, o que torna importante a necessi- dade de aumentar a instrumentação das ba- cias hidrográficas para poder formar um banco de dados cada vez mais completo, com medidas diárias e cobrindo uma maior Figura 5.8 Vazões específicas das bacias brasileiras. Fonte: ANA (2009). Vazão específica (l/s/km2) Contribuição intermediária 30,0 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.