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DIREITO PENAL III 
4º Período 
Assunto: Crimes contra a pessoa 
Aborto - Arts. 124 a 128 
 
1.1. Bem Jurídico e objeto material 
Tutela-se a vida humana em formação. Nos casos de aborto provocado por terceiro, protege-se também a 
gestante. 
1.2. Sujeitos 
Sujeito ativo deste crime será a gestante no caso do autoaborto (crime de mão própria). Nos demais casos, 
será crime comum, podendo ser cometido por qualquer pessoa. Sujeito passivo será o produto da 
concepção. Nos casos de aborto realizado por terceiro, a mãe também será sujeito passivo, desde que o 
crime se dê sem o seu consentimento. OBS: gravidez de gêmeos. 
1.3. Adequação Típica 
a) Tipo objetivo: provocar (desencadear, dar causa) aborto (interrupção do curso fisiológico da vida 
intra-uterina). Sobre este ponto, A ADPF 54/DF, julgada em 2012 pelo STF (caso dos 
anecéfalos) 
OBS: Limites para a configuração = nidação (instalação do ovo no útero feminino, 
compreendendo um período de 14 dias) e início do parto. EM sentido contrário, conferir 
STF, 1ª Turma, HC 124306/RJ 
b) Tipo Subjetivo: vontade livre e consciente (dolo genérico, direto ou eventual) de interromper a 
gravidez. Não há especial fim de agir. 
OBS: crime preterdoloso e concurso de crimes 
➢ Agente que agride mulher grávida: se conhecia a gravidez e o dolo era voltado para 
o aborto, art. 125; se o resultado aborto lhe era previsível, art. 129, §2º, V. Se agiu 
com desígnios autônomos, concurso formal impróprio. 
 
➢ Havendo a morte da gestante: se o agente conhecia a gravidez, e seu dolo era de 
matar, haverá concurso entre o 121 e o 125 (formal impróprio em caso de desígnios 
autônomos, formal próprio, caso contrário). Se o agente não conhecia a condição 
gravídica, responderá apenas pelo homicídio. 
 
Aborto
autoaborto
aborto sem 
consentimento
aborto 
consentido
DIREITO PENAL III 
4º Período 
Assunto: Crimes contra a pessoa 
1.4. Consumação e Tentativa 
 O crime consuma-se com a morte do feto, sendo indiferente a sua expulsão do organismo materno. 
Possível a tentativa1, a desistência voluntária/arrependimento eficaz e o raciocínio do crime impossível. 
No autoaborto, havendo desistência voluntária/arrependimento eficaz, não restará conduta punível para a 
gestante. No aborto provocado por terceiro, este responderá pelos atos já praticados. Se provocado com 
consentimento da gestante e restaram lesões leves, estas podem ser afastadas pelo consentimento do 
ofendido. 
1.5. Qualificadora e causas de aumento 
a) Parágrafo único: Consentimento inválido ou “qualificadora indireta”. 
1. Casos em que o consentimento da gestante não é válido, provocando punição pelo artigo 
125 CP: vítima com 14 anos ou menos, alienada/débil mental, consentimento obtido por 
fraude/ameaça/violência. 
 
b) Art. 127: causa especial de aumento de pena: 
1. Lesão corporal de natureza grave, em decorrência do aborto ou dos meios empregados para 
sua consecução: aumento de 1/3 
2. Morte da gestante, por qualquer das causas anteriores: duplicação da pena. 
1.6. Concurso de pessoas 
Cuida-se de exceção à teoria monista (art. 29 CP). Podem acontecer os seguintes casos: 
a) A mãe consente que terceiro provoque em si o aborto: a mãe responde pelo art. 124 e o terceiro 
pelo art. 126. 
b) Possível também a participação (terceiro que instiga/induz/auxilia) em qualquer das modalidades. 
c) Ocorrem tratamentos diferentes quanto ao coautor e ao partícipe. Aquele que, v.g, instiga a mãe a 
abortar é partícipe e responde pelo art. 124. O terceiro que provoca o aborto com consentimento 
da mãe jamais será coautor do delito do art. 124. 
d) O terceiro que instiga a mãe a provocar aborto, e esta vem a óbito ou sofre lesões graves, não 
responderá com a pena aumentada do art. 127. 
1.7. Casos de aborto permitido 
Duas modalidades, previstas quando o aborto é praticado por médico: 
I. Se não há outro meio de salvar a vida da gestante – aborto terapêutico (curativo) ou profilático 
(preventivo) 
 
II. Gravidez decorrente de estupro, sendo o aborto consentido pela gestante ou seu representante 
legal, se incapaz – aborto sentimental, ético ou humanitário. 
 
OBS: a questão da enfermeira. 
 boa-fé do médico e erro de tipo. 
 
1 A mulher que, sabendo-se grávida, tenta suicídio, mas sobrevive e também não consegue matar o feto, responderá por 
tentativa de autoaborto. Sobrevivendo ela, mas não o feto, restará consumado o autoaborto, por força do dolo eventual. 
DIREITO PENAL III 
4º Período 
Assunto: Crimes contra a pessoa 
1.8. Pena, Ação Penal, Competência 
A pena cominada no auto aborto é de detenção, de 1 a 3 anos. No aborto provocado com o consentimento 
da gestante, a pena é de reclusão, de 1 a 4 anos. Não havendo o consentimento, a reclusão será de 3 a 10 
anos. No aborto consentido, a pena também será de 3 a 10 anos se a vítima é absolutamente incapaz ou o 
consentimento foi viciado. Nos dois casos de aborto provocado, a pena será majorada em caso de lesão 
corporal decorrente do aborto ou das manobras abortivas (um terço) ou em caso de morte, nas mesmas 
circunstâncias (duplicação da pena). A ação penal é pública incondicionada. A competência é do Tribunal 
do Júri. 
PROJETO DO NOVO CÓDIGO PENAL 
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento 
Art. 125. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque: 
Pena – prisão, de seis meses a dois anos. 
 
Aborto consensual provocado por terceiro 
Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da gestante: 
Pena – prisão, de seis meses a dois anos. 
 
Aborto provocado por terceiro 
Art. 127. Provocar aborto sem o consentimento da gestante: 
Pena – prisão, de quatro a dez anos. 
§1º Aumenta-se a pena de um a dois terços se, em consequência do aborto ou da tentativa de aborto, resultar má 
formação do feto sobrevivente. 
§2º A pena é aumentada na metade se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a 
gestante sofre lesão corporal grave; e até no dobro, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. 
 
Exclusão do crime 
Art. 128. Não há crime de aborto: 
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante; 
II – se a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução 
assistida; 
III – se comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida 
extrauterina, em ambos os casos atestado por dois médicos; ou 
IV – se por vontade da gestante, até a décima segunda semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar 
que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade. 
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II e III e da segunda parte do inciso I deste artigo, o aborto deve ser 
precedido de consentimento da gestante, ou, quando menor, incapaz ou impossibilitada de consentir, de seu 
representante legal, do cônjuge ou de seu companheiro.
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	Aborto - Arts. 124 a 128
	1.1. Bem Jurídico e objeto material
	1.2. Sujeitos
	1.3. Adequação Típica
	1.4. Consumação e Tentativa
	1.5. Qualificadora e causas de aumento
	1.6. Concurso de pessoas
	1.7. Casos de aborto permitido
	1.8. Pena, Ação Penal, Competência

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