Prévia do material em texto
Aula do dia 27/07 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 1) Abordagem Histórica: ➔ Constituição de 1824: Constituição do Império (Reinado de D. Pedro I). - Não há noção de “pessoa” nesta constituição. - Não há qualquer referência à crianças e adolescentes, salvo no que diz respeito à regência no caso de menoridade do imperador. Crianças e adolescentes não possuíam direitos e deveres. - Ideia de “discernimento” presente no código criminal (14 anos).Menores de 14 anos poderiam ser punidos por infrações cometidas, já que possuíam discernimento. ➔ Constituição de 1891: - Não há nenhuma menção à crianças e à infância. - Em 1927 entra em vigor o primeiro código de menores → menores abandonados (os que não possuíam família), menores delinquentes, maioridade aos 18 anos, menor de 14 anos é inimputável, 16 até 18 cabe internação. - O Código de menores não protegia todas as crianças, apenas as consideradas abandonadas e delinquentes. ➔ Constituição de 1934: - Inclui um capítulo sobre família. - Educação é prevista pela primeira vez como direito constitucional. ➔ Constituição de 1937: - O direito à educação é formulado a partir da ideia de “dever da nação, dos estados e dos municípios”. Constituição do Estado Novo de Getúlio Vargas. ➔ Constituição de 1967: Período da ditadura militar. - Código de menores → 1979 (diferenças sociais, regular e irregular). - Aplicado a jovens de até 18 anos em situação irregular, ou até 21 anos em casos previstos em lei. - Situação Irregular: Crianças e adolescentes pobres, abandonados, vítimas de maus-tratos ou autores de atos infracionais ➔ Constituição de 1988: - Estado democrático de direito. - Art. 227 à 229 → ordem social. - Proibição do trabalho infantil. - procedimento para apuração de ato infracional e imposição de medidas de privação de liberdade. - Reconhecimento como sujeito de deveres. - ECA → políticas públicas. Aula do dia 05/08 ● PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE: 1. Princípio da Dignidade da Pessoa em Desprovimento: - Crianças e adolescentes enquanto categoria política. 2. Princípio da Proteção Integral: - Compreender como é atribuído direitos e deveres. - Qualidade de sujeito de deveres (segurança, saúde, educação, liberdade de ir e vir). 3. Princípio da Prioridade Absoluta: Criar políticas públicas para crianças e adolescentes. - Formulação de políticas e destinação de recursos. 4. Princípio do Interesse Superior ou Melhor Interesse: - Decorre da interpretação harmônica do sistema jurídico. O porquê foi criado o Eca. 5. Princípio da Municipalização: Políticas públicas de segurança para crianças. Políticas de atendimento destinadas às crianças dentro de todos os municípios, como conselho tutelar, assistente social. - Determina políticas de atendimento a crianças e adolescentes. - Art. 100, parágrafo único, III, ECA. ● A CF/88 E O ECA: ➢ Artigo 227, CF: direitos fundamentais individuais, sociais, econômicos e culturais. Artigo mais importante da CF. Grifar. ➢ Artigo 228, CF: imputabilidade. ➢ Art. 229, CF: dever dos pais/representantes. ● CRITÉRIO LEGAL PARA DEFINIÇÃO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE: - Art. 2°, ECA. PARTE GERAL - ECA ➢ Artigos 1° ao 6° do ECA: - Regras que estruturam os direitos das crianças e adolescentes, decorrente de seu reconhecimento enquanto sujeito de direitos. ➢ Artigos 3°, 4° e 5° do ECA: - Direito à propriedade absoluta e formulação legal aos direitos civis e políticos (art. 227, parágrafo 4°, CF - punição para violência social). ➢ Artigos 7°, 8° e 9° do ECA: - Direito à vida e à saúde. - (Art. 227, parágrafo 1°, I e II da CF). ➢ Artigos 15 à 18 do ECA: - Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade. - Lei Menino Bernardo - Lei 13.010/2014 (inseriu artigos 18A e 18B). Menino Bernardo foi vítima de infanticídio. Proíbe castigo físico “apanhar”. - Código Civil art. 1638. - Código Penal art. 136 - maus tratos. Aula do dia 19/08 O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR COMUNITÁRIA 1. Conceitos Introdutórios: ➢ Poder Familiar: Direito e função dos pais/responsáveis, correspondente ao complexo de deveres pessoais e patrimoniais com relação ao filho menor, não emancipado, e que deve ser exercido no melhor interesse deste. - Art. 22, ECA. “Pátrio, Poder → Poder familiar”. Art. 21, ECA. Pensão não é determinada pelo salário do genitor, e sim pelo que a criança precisa para sobreviver, o que ela gasta. ➢ Espécies de Família: 1. Família Natural: - Art. 25, ECA. - Corresponde ao parentesco biológico. 2. Família Extensa: - Art. 25, parágrafo único, ECA. - Aquela ampliada → Parentes próximos com convivência e vínculo. CAUSAS DE PERDA DO PODER FAMILIAR CONFORME A LEI 13.715/2018 - Art. 23, parágrafo 2°, ECA. - Art. 1638, parágrafo único, CC. - Art. 92, II, CP. ➢ O acolhimento institucional: - Precisa ser determinado judicialmente. - Medida excepcional e provisória. - Prazo máximo de 18 meses, salvo comprovada necessidade (art. 19, parágrafo 2°, ECA). - Avaliação semestral - reintegração familiar ou colocação em famílias substitutas (art. 19, parágrafo 1°, ECA). - Art. 19B - apadrinhamento. ➢ Colocação em família substituta: guarda tutela e adoção: 1. Família Substituta: - Substitui a família natural em excepcional necessidade. - Art. 28, ECA. A) GUARDA: - Art. 33, ECA. - Prestação de assistência moral, material e educacional. - Pode ser revogada - art. 35, ECA. B) TUTELA: - Arts. 36 à 38 do ECA. - Arts. 1718 à 1734 do CC. 1) Conceito: - Consiste no poder conferido a uma pessoa capaz para reger um incapaz (menor de 18 anos) e administrar seus bens à falta dos pais. - É subsidiária ao poder familiar, podendo ser decretada judicialmente nas hipóteses de falecimento dos pais e suspensão do poder familiar. C) ADOÇÃO: - Arts. 39 à 52 do ECA. 1) Conceito: - Relação jurídica análoga a do parentesco biológico, inclusive para fins sucessórios. - Os laços de parentesco estabelecidos pela adoção não se rompem com a morte dos pais adotivos e em nenhuma hipótese se restabelece o poder familiar dos pais naturais. - Trata-se de medida irrevogável, embora seja cabível a suspensão ou revogação do poder familiar. ➢ Direito à educação, à cultura ao esporte e ao lazer: - Art. 6°, CF → cláusula pétrea. - Art. 205 ao 214, CF. - Arts. 53 à 59, ECA. - Art. 16, ECA. ➢ Lei Pelé - Lei n° 9.615/98: ➢ Direito à profissionalização e a proteção no trabalho: - Leva em conta a condição de pessoa em desenvolvimento. - Art. 69, ECA. - Proibição do trabalho infantil, mas autorizado o trabalho do adolescente. - Art. 60, ECA. - Art. 7°, XXXIII, CF. - Art. 402 e 403, CLT. FAIXA ETÁRIA TIPO DE TRABALHO PERMITIDO criados pelo governo com o objetivo de amparar as crianças e adolescentes. São norteadores para saber o que será feito. b) Rede de Atendimento: - É responsável pela execução das medidas protetivas e socioeducativas, divide-se em entidades governamentais e não governamentais. - Art. 90, ECA = orientação, apoio sócio-familiar e apoio sócio-educativo em meio atrito; colocação familiar; acolhimento institucional; prestação de serviços à comunidade; liberdade assistida; semiliberdade; internação. - Fiscalização é realizada pelo poder judiciário, pelo MP e pelos conselhos tutelares - art. 95, ECA. c) Conselho Tutelar: - Art. 131, ECA. - Não pode ser extinto, renovando-se somente apenas seus integrantes. - Não exerce jurisdição. Seus atos/decisões somente podem ser revistas pelo juiz da infância e juventude - art. 137, ECA. - Composto por 5 membros eleitos com mandato de 4 anos - art. 132 e 133, ECA. - Art. 147, ECA = competência territorial. - Art. 136, ECA = atribuições do conselho tutelar. - Precisa ter um grau mínimo de estudo para trabalhar no conselho tutelar d) Acesso à Justiça: - Artigos 141 à 143, ECA, - Participação do MP. É obrigatório a participação do MP - Vara Especializada. Não são todos os fóruns que possuem, mas em regra, é especializada. - Representante legal/curador especial representa a criança. e) Justiça da Infância e Juventude: - Artigos 146 à 148, ECA. - Autoridade específica. - Competência, em regra, no domicílio dos pais/responsáveis (se os não tiverem domicílio, a regra será o domicílio de onde a criança está). - Competência exclusiva. f) Ministério Público: - Art. 127, CF. - Artigos 176 à 178, CPC. - Artigo 201, ECA. g) O Advogado e a Defensoria: - Art. 133, CF. - Art. 1°, Estatuto da Advocacia. - Art. 206, ECA = advogado representa individualmente os interesses judiciais de uma criança ou adolescente. - Art. 134, CF = defensoria pública. - O prazo da defensoria pública é em dobro, porém, aqui, não se enquadra por se tratar de criança (prioridade). 2. Medidas Cabíveis no Caso de Violação de Direitos: - É assegurada por medidas destinadas à proteção de crianças e adolescentes em risco. - Situação de risco (art. 98, ECA). Situação de risco é estar em vulnerabilidade, quando os direitos da criança são violados. Estado de necessidade. a) Medidas Específicas de Proteção: - Situação de risco. - Autoras de ato infracional (art. 105, ECA). Atos ilegais praticados por crianças. - Artigos 99 e 100, ECA. - Medidas específicas de proteção = art. 101, ECA. b) Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsáveis: - Artigos 129 e 130, ECA. 3. A natureza jurídica do ato infracional: - Imputabilidade penal = 18 anos. - A prática de um crime ou de um ato infracional têm consequências jurídicas distintas. ➢ Ato Infracional: é o termo que designa a prática, por pessoa menor de 18 anos, de uma conduta prevista como “ilícito penal”, ou seja, descrita como crime no código penal ou pela legislação penal especial. Menor não comete crime, comete ato infracional. Todo ato ilícito praticado por menor deve ser descrito como “ilícito penal equiparado com o crime”. a) Fato típico: descrição da conduta à prática proibida pela lei. b) Ilícito: praticado sem autorização legal. c) Pessoa culpável: aquela imputável, consciente da conduta criminosa. - O fato infracional é fato típico e ilícito praticado por inimputável = art. 103, ECA. - Fato típico, ilícito e praticado por pessoa culpável = CRIME. - Fato típico, ilícito e praticado por inimputável = ATO INFRACIONAL. - Ato infracional não é sinônimo de crime, dessa forma, utiliza-se o termo “equiparado” para descrever a conduta. - Art. 104, ECA = inimputabilidade. 3.1. Criança e o Ato Infracional: - Art. 105, ECA = aplicação das medidas de proteção. 3.2. Adolescente e o Ato Infracional: - “Adolescente em conflito com a lei”: menor infrator. - Medidas sócio educativas: correspondem à sanção jurídica imposta como consequência da prática do ato infracional por adolescente. ECA + Lei do Sistema Nacional Socioeducativa (SINAPSE). 3.3. Os Direitos Individuais: - Arts. 106 ao 109 do ECA: direitos individuais aos adolescentes submetidos a procedimento para apuração de ato infracional. 3.4. Garantias Processuais: - Arts. 110 e 111 do ECA. 3.5. Processo de Apuração de Ato Infracional: - Somente pode ser instaurado em face do adolescente. - Medidas de proteção são/serão aplicadas às crianças. I. Etapa Policial. II. Etapa do MP. III. Etapa Judicial. I. Etapa Policial (arts. 171 à 178 do ECA): - Ingresso do adolescente no sistema de justiça juvenil. → Ordem judicial (171, ECA). → Prisão em Flagrante (172, ECA). → Indícios de participação em crimes investigados.