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Universidade Veiga de 
Almeida
AVA 2 – Trabalho da Disciplina
Ciência, tecnologia e sociedade
Camila Oliveira Pequeno Bomfim
Administração
2026
Ética e utilização das novas tecnologias
O avanço tecnológico modificou profundamente a maneira como as pessoas trabalham, estudam, se 
comunicam e tomam decisões. Recursos como inteligência artificial, redes sociais, sistemas de 
reconhecimento facial e plataformas digitais oferecem praticidade e novas possibilidades, mas 
também ampliam a responsabilidade sobre a forma como essas ferramentas são desenvolvidas e 
utilizadas. Nesse contexto, discutir ética e tecnologia significa compreender que nem tudo aquilo que 
pode ser tecnicamente realizado deve necessariamente ser realizado. O desenvolvimento tecnológico 
precisa considerar seus impactos sobre o indivíduo e sobre a sociedade.
Um dos principais desafios éticos está relacionado à privacidade e ao uso de dados pessoais. 
Aplicativos, redes sociais e diferentes serviços digitais coletam informações que podem ser utilizadas 
para personalizar experiências, oferecer serviços e apoiar decisões. Entretanto, quando essa coleta 
ocorre sem transparência ou sem que o indivíduo compreenda adequadamente sua finalidade, podem 
surgir situações de exposição, vigilância e perda de autonomia. No Brasil, essa preocupação também 
possui dimensão jurídica por meio da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que 
estabelece a proteção dos direitos fundamentais de liberdade e privacidade no tratamento de dados 
pessoais, inclusive nos meios digitais.
Outro ponto que merece atenção é a utilização de algoritmos e sistemas de inteligência artificial. 
Embora essas tecnologias possam contribuir para análises mais rápidas, automação de tarefas e apoio 
à tomada de decisões, elas não são necessariamente neutras. Os dados utilizados para treiná-las e os 
critérios definidos em seu desenvolvimento podem reproduzir determinados padrões e preconceitos 
existentes na sociedade. Rossetti e Angeluci destacam, nesse sentido, desafios relacionados à ética 
algorítmica, demonstrando que questões como transparência, responsabilidade, privacidade e 
possíveis formas de discriminação precisam ser consideradas no desenvolvimento tecnológico.
A preocupação torna-se ainda maior quando decisões automatizadas passam a interferir diretamente 
na vida das pessoas, como em processos de seleção profissional, concessão de crédito, publicidade, 
segurança e acesso a determinados serviços. Nesses casos, não basta saber se o sistema funciona 
tecnicamente; é necessário questionar quais critérios foram utilizados, quem pode ser prejudicado por 
seus resultados e quem será responsabilizado diante de um erro. A Recomendação sobre a Ética da 
Inteligência Artificial da UNESCO reforça justamente a necessidade de princípios como dignidade 
humana, direitos fundamentais, transparência, justiça, proteção de dados e supervisão humana.
Essa discussão se relaciona diretamente ao pensamento de Domingues, para quem ciência e 
tecnologia, embora sejam capazes de produzir conhecimentos e soluções, não conseguem determinar 
sozinhas os valores que devem orientar a ação humana. Portanto, a tecnologia pode oferecer meios 
para alcançar determinado objetivo, mas a decisão sobre se esse objetivo é desejável, justo ou 
socialmente responsável pertence ao campo da reflexão ética. Essa distinção é fundamental em uma 
sociedade na qual novas tecnologias surgem em velocidade superior à capacidade de adaptação das 
instituições e das próprias pessoas.
Além disso, estabelecer limites éticos não significa ser contrário à inovação. Pelo contrário, limites 
bem definidos podem contribuir para que o desenvolvimento tecnológico ocorra de maneira mais 
responsável e confiável. Freire e Batista mostram que a relação entre sociedade e tecnologia é 
dinâmica, pois as transformações tecnológicas também modificam relações sociais, profissionais e 
culturais. Dessa forma, acompanhar essas mudanças exige não apenas domínio técnico, mas também 
educação, pensamento crítico e capacidade de avaliar suas consequências.
Assim, os limites éticos da tecnologia devem estar relacionados à preservação da dignidade humana, 
da privacidade, da autonomia, da igualdade e do interesse coletivo. A inovação não deve ser avaliada 
somente pela capacidade de criar soluções mais rápidas ou eficientes, mas também pelos efeitos que 
essas soluções produzem na vida das pessoas. Como destaca Sichman, os avanços da inteligência 
artificial apresentam oportunidades relevantes, mas também riscos que precisam ser considerados pela 
sociedade. Portanto, o verdadeiro progresso tecnológico não está apenas em desenvolver aquilo que é 
possível, mas em utilizar esse conhecimento de forma consciente, responsável e compatível com os 
valores humanos.
Referências:
BRASIL ,Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 
Brasília, DF: Presidência da República, 2018.
DOMINGUES, Ivan. Ética, ciência e tecnologia. Kriterion: Revista de Filosofia, Belo Horizonte, v. 
45, n. 109, jan./jun. 2004.
FREIRE, Emerson; BATISTA, Sueli Soares dos Santos. Sociedade e tecnologia na era digital. São 
Paulo: Érica, 2014.
ROSSETTI, Regina; ANGELUCI, Alan. Ética algorítmica: questões e desafios éticos do avanço 
tecnológico da sociedade da informação. GALÁxIA: Revista Interdisciplinar de Comunicação e 
Cultura, n. 46, 2021.
SICHMAN, Jaime Simão. Inteligência artificial e sociedade: avanços e riscos. Estudos Avançados, 
São Paulo, v. 35, n. 101, 2021.
UNESCO. Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. Paris: UNESCO, 2022. 
Recomendação adotada em 23 nov. 2021

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