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RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LUANA TREVISAN Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 1. INTRODUÇÃO A recuperação de créditos tributários é um dos trabalhos dentro da área tributária que pode ser exercida por qualquer profissional qualificado, não necessariamente contador ou advogado, nesse último caso exceto quando houver demanda judicial, em que uma empresa busca identificar e reaver valores pagos indevidamente ou a mais em tributos. Isso pode ocorrer devido a interpretações equivocadas da legislação fiscal, erros no cálculo dos impostos ou mudanças nas leis que regem tais tributos. O objetivo é restituir ou compensar esses valores, proporcionando economia financeira para a empresa. Esse processo geralmente envolve análise minuciosa dos registros contábeis e tributários, além da aplicação de estratégias legais para recuperar os créditos de forma eficaz. Neste curso você aprenderá a executar de forma prática a recuperação de créditos tributários para empresas do Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, e poderá executar este trabalho antes mesmo de se formar, basta seguir o passo a passo e aplicar a metodologia ensinada. 2. SIMPLES NACIONAL A Recuperação de Créditos para empresas do Simples Nacional são oriundas basicamente de erro no enquadramento do Anexo de Tributação ou do Pis e Cofins monofásicos ou ainda do Fator “r” no Anexo V. Antes precisamos fixar alguns conceitos: 1º Alíquota nominal: é a alíquota que será utilizada para calcular a alíquota efetiva, que consta nos Anexos de enquadramento; 2º Parcela a deduzir: é um valor que consta nos Anexos e é utilizada na fórmula para o cálculo da alíquota efetiva; 3º Alíquota efetiva: é a alíquota que será aplicada sobre a receita bruta; 4º Anexo: são tabelas que definirão a tributação. São 5 anexos, a depender da atividade; 5º Receita Bruta: é o faturamento da empresa (venda de produtos, mercadorias, prestação de serviços, locação, transporte, etc, ou seja, é a receita do objeto social); 6º RBT12: é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração (sempre pelo regime de competência); 7º FS12: é a folha de salários acumulada dos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração (sempre Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN pelo regime de competência); 8º Folha de Salários: corresponde aos salários dos empregados, pró-labore, autônomos e seus respectivos encargos (CPP, FGTS); 9º Fator "r": é a relação entre a FS12 e a RBT12; 10º Período de apuração: é a competência de apuração do DAS (regime de competência ou caixa); 11º Regime de competência: serve para determinar a RBT12 e para as empresas que optam por tributar suas receitas mesmo sem recebê-las; 12º Regime de caixa: Serve para calcular o DAS sobre as receitas recebidas, para aquelas empresas que optaram por esse regime. 2.1 ANEXOS DE TRIBUTAÇÃO Primeiramente devemos entender como funciona a tributação no Simples Nacional, partindo do enquadramento da atividade em um dos 5 anexos de tributação. Para realizar o enquadramento corretamente, você deve seguir os seguintes passos: 1º Conhecer as atividades (inclusive aquelas que não foram atualizadas no contrato social); 2º No cartão do CNPJ você consegue visualizar as atividades pelo CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas); 3º Verificar se atividade consta na Lista de Atividades Impedidas ao Simples Nacional, listadas no Anexo VI da Resolução CGSN 140/2018; 4º Verificar se atividade consta na Lista de Atividades Concomitantes ao Simples Nacional, listadas no Anexo VII da Resolução CGSN 140/2018. 5º Definida a atividade, é hora de enquadrar nos Anexos de Tributação; 6º Consultar o enquadramento na Lei Complementar nº 123/2006, art. 18 ou em consultorias (ex. Econet Editora/ IOB/ Cenofisco, etc...); 7º No Portal do Simples Nacional é possível consultar "evolução histórica de atividades por Anexo", que pode ser útil para o enquadramento. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN O art. 18, §§4º, 5º-B, 5º-C, 5º-D e 5º-I da Lei Complementar 123/2006 dispõe sobre as atividades e seus respectivos enquadramentos: “Lei Complementar nº 123/2006 Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas, calculadas a partir das alíquotas nominais constantes das tabelas dos Anexos I a V desta Lei Complementar, sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o. (...) § 4o O contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento, as receitas decorrentes da: I - revenda de mercadorias, que serão tributadas na forma do Anexo I desta Lei Complementar; II - venda de mercadorias industrializadas pelo contribuinte, que serão tributadas na forma do Anexo II desta Lei Complementar; III - prestação de serviços de que trata o § 5o-B deste artigo e dos serviços vinculados à locação de bens imóveis e corretagem de imóveis desde que observado o disposto no inciso XV do art. 17, que serão tributados na forma do Anexo III desta Lei Complementar; IV - prestação de serviços de que tratam os §§ 5o-C a 5o-F e 5o-I deste artigo, que serão tributadas na forma prevista naqueles parágrafos; V - locação de bens móveis, que serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar, deduzida a parcela correspondente ao ISS; VI - atividade com incidência simultânea de IPI e de ISS, que serão tributadas na forma do Anexo II desta Lei Complementar, deduzida a parcela correspondente Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN ao ICMS e acrescida a parcela correspondente ao ISS prevista no Anexo III desta Lei Complementar; VII - comercialização de medicamentos e produtos magistrais produzidos por manipulação de fórmulas: a) sob encomenda para entrega posterior ao adquirente, em caráter pessoal, mediante prescrições de profissionais habilitados ou indicação pelo farmacêutico, produzidos no próprio estabelecimento após o atendimento inicial, que serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar; b) nos demais casos, quando serão tributadas na forma do Anexo I desta Lei Complementar. (...) § 5º-B Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I - creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5º-D deste artigo; II - agência terceirizada de correios; III - agência de viagem e turismo; IV - centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; V - agência lotérica; (...) IX - serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; (...) XIII - transporte municipal de passageiros; XIV - escritórios de serviços contábeis, observado o disposto nos §§ 22-B e 22-C deste artigo. XV - produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais. XVI - fisioterapia; XVII - corretagem de seguros. XVIII - arquitetura e urbanismo; XIX - medicina, inclusive laboratorial, e enfermagem; XX - odontologia e prótese dentária;e para facilitar o seu trabalho você receberá uma planilha bônus, elaborada com base na legislação vigente. Combustíveis e GLP: Lei 9.718/1998, arts. 4º e 5º; Farmacêuticos, higiene e toucador: Lei 10.147/2000, art, 1º; Autopeças e máquinas, implementos e veículos: Lei 10.485/2002, arts. 1º e 3º e Anexos I e II; Pneus e câmaras de ar: Lei 10.485/2002, art. 5º; Bebidas frias: Lei 13.097/2015, art. 14; Cigarros e Cigarrilhas (ST): Lei 9.715/1998, art. 5°; LC 70/1991, art. 3°; Lei 11.196/2005, art. 62; Lei 12.402/2011, art. 6°. PASSO A PASSO PARA EXECUTAR A RECUPERAÇÃO DE PIS E COFINS 1- Apurar os créditos através da EFD-Contribuições e XML das saídas; 2- Retificar a EFD-Contribuições e a DCTF; 3- Solicitar a restituição ou efetuar a compensação tributária. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - Registros a serem retificados: escrituração das receitas em F525 (Regime de caixa) ou F550 (Regime de competência); M200/M600 (Registros de Apuração); M400/M800 (Detalhamento Receitas Não Tributadas); 1300/1700 (Controle de retenções); 1900 (Detalhamento das receitas). - Necessário XML para enquadramento dos monofásicos; - Controle dos créditos em planilha auxiliar. - Controle dos pedidos de restituição/compensação em planilha auxiliar. Toda explicação operacional de como apurar o crédito e retificar o arquivo você encontrará na aula gravada. 14.3 Ressarcimento de IPI São passíveis de ressarcimento ou de compensação os saldos credores de IPI escriturados no trimestre- calendário de referência do pedido de ressarcimento relativos à entrada de matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), para industrialização. O pedido de ressarcimento ou a declaração de compensação serão recepcionados pela RFB somente depois da confirmação da transmissão da Escrituração Fiscal Digital (EFD- ICMS/IPI), na qual se encontre demonstrado o direito creditório, de acordo com o respectivo período de apuração. Cada pedido de ressarcimento deverá: a) corresponder a um único trimestre-calendário; e b) ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre- calendário, depois de efetuadas as deduções e transferências admitidas na legislação. O pedido de ressarcimento deverá ser efetuado no Per/Dcomp PGD, pois esse tipo de ressarcimento ainda não é possível realizar de forma eletrônica através do Per/Dcomp Web. Após o envio do Pedido de Ressarcimento será possível enviar a Declaração de Compensação através do Per/Dcomp Web (se o contribuinte optar por compensar outros tributos administrados pela RFB). ETAPAS DA APURAÇÃO DO CRÉDITO 1- Escrituração dos créditos extemporâneos de IPI; 2- Envio do PER com o detalhamento dos créditos apurados em cada mês do referido trimestre; 3- Lançamento de baixa dos créditos no SPED ICMS/IPI no mês do PER; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 4- Apresentação da Dcomp (Opcional); 5- Aguardar ressarcimento ou homologação da Dcomp. Toda explicação operacional de como apurar o crédito e retificar o arquivo você encontrará na aula gravada. 15. LUCRO REAL A recuperação de créditos tributários para empresas tributadas pelo Lucro Real pode ser oriunda de qualquer erro na apuração dos tributos, todavia detalharemos aquelas mais recorrentes: - Pis e Cofins não cumulativos; - Reintegra (Pis e Cofins); - JCP (Juros sobre o capital próprio); - Lei do Bem (IRPJ/CSLL). 15.1 Pis e Cofins não cumulativos No Lucro Real, o Pis e a Cofins seguem a sistemática não cumulativa, onde as alíquotas são maiores (1,65% Pis e 7,60% Cofins), todavia é permitido apropriar créditos sobre algumas aquisições, custos e despesas. A base de cálculo consiste no faturamento e todas as outras receitas auferidas pela empresa, diferentemente do regime cumulativo. Algumas atividades e/ou receitas sujeitam-se ao regime cumulativo e estão previstas no art. 10 da Lei 10.833/2003, que por sua vez é a legislação base da Cofins não cumulativa. Então quando estiver analisando uma empresa tributada pelo Lucro Real, antes de apurar qualquer crédito, verifique se ela não entra em alguma das exceções do art. 10 da Lei 10.833/2003, pois nesse caso seguirá a sistemática cumulativa, onde não é permitida a apuração de créditos. A Recuperação de Créditos para o regime não cumulativo consiste basicamente na identificação de créditos não apropriados, tendo em vista que alguns conceitos ainda são amplamente discutidos, é o caso dos insumos. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Sendo assim, quais são as linhas de crédito previstas na Lei 10.833/2003? “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei (Substituição Tributária); e b) nos §§ 1o e 1o-A do art. 2o desta Lei (Monofásicos); II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.” Em 2018, através do RE 1.221.170 – PR, o STJ: - Declarou a ilegalidade das IN´s 247/2002 e 404/2004, tendo em vista a evidente restrição imposta; - O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; - O insumo direto (consumido ou aplicado ou empregado no processo de industrialização ou prestação de serviços) e o insumo indireto(aquele que não é consumido no processo industrial mas que é necessário para a produção ou prestação de serviço), desde que tributados na etapa anterior, geram direito ao crédito. Sendo assim, para a análise se um referido insumo gera crédito, o STJ firmou: - Análise casuística (estudo de produto a produto, serviço a serviço); - Essencialidade (Imprescindibilidade) do bem ou serviço para a produção do produto ou prestação de serviço: o produto ou serviço deve depender intrínseca e fundamentalmente deste insumo, constituindo elemento estrutural e inseparável, ou, quando da sua falta, o produto ou o serviço perca qualidade, quantidade ou suficiência; - Relevância (Importância) do bem ou serviço para a produção do produto ou prestação de serviço: embora não sendo um elemento estrutural e inseparável, é necessário seja pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Diante dessa decisão do STJ, a RFB publicou o Parecer Normativo nº 5/2018 e posteriormente a IN 2.121/2022, atualizando as possibilidades de crédito: - Utilizados no processo produtivo; - Combustíveis e lubrificantes; - Essenciais ou relevantes; - Embalagens de apresentação; - Peças de reposição em ativos (vida útil até 1 ano, caso contrário deve ser imobilizado); - Equipamentos de proteção individual; - Transporte de insumos e produtos em elaboração; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - Materiais de limpeza, desinfecção e dedetização; - Subcontratação de mão de obra; - Frete e seguro na aquisição e importação; - Testes de qualidade; - Vale transporte e fretado para funcionários. PASSO A PASSO - O insumo deve estar atrelado à atividade INDUSTRIAL ou PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: não há como alargar o dispositivo legal (II, art. 3º da Lei 10.833/2003); - Verificar a atividade (estudar o processo produtivo ou o serviço prestado) – Análise casuística; - Analisar a essencialidade (imprescindibilidade) do bem ou serviço no processo produtivo ou prestação de serviço; - Analisar a relevância (importância) do bem ou serviço no processo produtivo ou prestação de serviço; Isso inclui gastos após o processo produtivo ou prestação de serviços, caso exigido em função da singularidade da atividade ou por imposição legal; - Categorizar os créditos por risco (para isso uma análise dos entendimentos da Cosit, Carf, e demais tribunais são necessárias); - Em caso de dúvida é prudente efetuar um processo de consulta nos termos da IN 2.058/2021; - Caso negado pelo fisco, requerer o direito ao crédito judicialmente; - Reunir provas da essencialidade e relevância, caso a empresa seja fiscalizada ou tenha que provar a utilização. ETAPAS DA RECUPERAÇÃO TRIBUTÁRIA 1- Levantamento dos Créditos (Sped Fiscal e Balancetes); 2- Retificação da EFD-Contribuições; 3- Retificação da DCTF (Se pagamento indevido ou a maior); 4- Apresentação do Per/Dcomp; 5- Aguardar a restituição ou homologação da Dcomp. Nem sempre o reflexo da retificação da EFD-Contribuições será pagamento a maior, tendo em vista que existem empresas com histórico de saldo credor, nesse caso é importante analisar se a empresa se enquadra Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN nas hipóteses de ressarcimento, caso contrário o saldo credor poderá ser utilizado apenas na apuração mensal do Pis e da Cofins. HIPÓTESES DE RESSARCIMENTO Ao final de cada trimestre, o saldo credor de Pis e Cofins poderá ser ressarcido, desde que vinculado (IN 2.055/2021): - às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, da prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas, e das vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; - às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. O pedido de ressarcimento e a declaração de compensação, no caso de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, poderão ser entregues somente depois de transmitida a EFD-Contribuições, na qual esteja demonstrado o direito creditório, de acordo com o período de apuração. REGISTROS 1100 E 1500 DA EFD-CONTRIBUIÇÕES Nos registros acima é possível verificar os tipos de crédito que o contribuinte possui. Os códigos passíveis de ressarcimento são os iniciados em 2 ou 3, conforme tabela 4.3.6 da EFD-Contribuições: Toda explicação operacional de como apurar o crédito e retificar o arquivo você encontrará na aula gravada. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 15.2 Reintegra O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) tem por objetivo devolver, parcial ou integralmente, a título da contribuição para o PIS-Pasep e da Cofins, o resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de bens exportados. A base de cálculo do crédito é obtida mediante a aplicação do percentual de 0,1% sobre a receita auferida com exportação. E sobre esse valor, calcular os seguintes percentuais: a) 17,84% serão devolvidos a título da contribuição para o PIS-Pasep; e b) 82,16% serão devolvidos a título da Cofins. A apuração de crédito, nos termos do Reintegra, será permitida na exportação de bem que, cumulativamente: a) tenha sido industrializado no País; b) esteja classificado em código da TIPI e relacionado no Anexo ao Decreto nº 8.415/2015; e c) tenha custo total de insumos importados não superior a limite percentual do preço de exportação, limite este estabelecido no Anexo ao Decreto nº 8.415/2015 . (Lei nº 13.043/2014 , art. 23 , caput e incisos; Decreto nº 8.415/2015 , art. 5º , caput e incisos) O crédito apurado no Reintegra somente poderá ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) ou ressarcido em espécie. O pedido de ressarcimento relativo aos créditos apurados no âmbito do Reintegra será formalizado pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, por meio do programa PER/DCOMP PGD. O pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo valor total do crédito apurado no período. Se o contribuinte optar pela compensação tributária, deverá obrigatoriamente apresentar o Pedido de Ressarcimento antes, para depois apresentar a Dcomp através do Per/Dcomp Web. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN PASSO A PASSO DA OPERACIONALIZAÇÃO DO REINTEGRA 1- Levantamento dos créditos (Exportações via EFD-Contribuições); 2- Geração dos arquivos para importação no Per/Dcomp PGD; 3- Apresentação do Per pelo Per/Dcomp PGD; 4 – Apresentação da Dcomp (opcional) pelo Per/Dcomp Web; 5- Aguardar o ressarcimento ou homologação da Dcomp. Toda explicação operacional de como apurar o crédito e retificar o arquivo você encontrará na aula gravada. 15.3 Juros sobre o capital próprio O Juros sobre o capital próprio pode ser conceituado como uma espécie de remuneração aos sócios que difere do pró-labore e dos lucros, tendo em vista que o seu cálculo ocorre sobre algumas contas do patrimônio líquido da empresa. Além de remunerar os sócios, essa despesa é dedutível na apuração do Lucro Real, por isso é uma oportunidade que você não pode deixar de analisar em uma empresa que possui esse regime tributário. A RFB não aceita que se calcule o JCP de forma retroativa, portanto, se você é conservador, não aconselho retroagir os últimos 5 anos. A previsão legal para a dedutibilidade do JCP está prevista no art. 9º da Lei 9.249/1995: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, paraefeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN I - antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II - tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, serão consideradas exclusivamente as seguintes contas do patrimônio líquido: I - capital social integralizado; II - reservas de capital de que tratam o § 2º do art. 13 e o parágrafo único do art. 14 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; III - reservas de lucros, exceto a reserva de incentivo fiscal de que trata o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; IV - ações em tesouraria; e V - lucros ou prejuízos acumulados. § 8º-A. Para fins de apuração da base de cálculo dos juros sobre capital próprio: I - não serão consideradas as variações positivas no patrimônio líquido decorrentes de atos societários entre partes dependentes que não envolvam efetivo ingresso de ativos à pessoa jurídica, com aumento patrimonial em caráter definitivo, independentemente do disposto nas normas contábeis; e II - deverão ser considerados, salvo os casos em que for aplicado o disposto no inciso I deste parágrafo: a) eventuais lançamentos contábeis redutores efetuados em rubricas de patrimônio líquido que não estiverem previstas no § 8º deste artigo, quando decorrerem dos mesmos fatos que deram origem a lançamentos contábeis positivos efetuados em rubricas previstas no referido parágrafo; e Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN b) valores negativos registrados em conta de ajuste de avaliação patrimonial decorrentes de atos societários entre partes dependentes. § 8º-B. Para fins do disposto no § 8º-A deste artigo, aplicar-se-á a definição de parte dependente prevista nos incisos I e II do caput do art. 25 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. § 8º-C. O disposto nos §§ 8º, 8º-A e 8º-B deste artigo aplicar-se-á ao cômputo da base de cálculo dos juros sobre capital próprio a partir de 1º de janeiro de 2024. § 11. O disposto neste artigo aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. § 12. Para fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, a conta capital social, prevista no inciso I do § 8o deste artigo, inclui todas as espécies de ações previstas no art. 15 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, ainda que classificadas em contas de passivo na escrituração comercial.” PASSO A PASSO PARA O CÁLCULO DO JCP 1- Identifique as contas do Patrimônio Líquido que podem compor a base de cálculo do JCP; 2- Identifique a TJLP do período no site: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao- tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/taxa-de-juros-de-longo-prazo-tjlp 3- Aplique a alíquota sobre a base de cálculo; 4- Verifique se o valor do lucro do período ou dos lucros acumulados é igual ou superior ao valor do JCP calculado; 5- Calcule os limites do JCP (poderá ser utilizado dos dois o maior): - 50% do lucro líquido do exercício antes da dedução dos juros, caso estes sejam contabilizados como despesa; - 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros. 6- Efetue a retenção de 15% na data do pagamento ou crédito ao beneficiário; 7- Calcule o IR/CS com a dedução do JCP contabilizado como despesa; 8- Informe o JCP na ECF (Escrituração Contábil Fiscal). Na aula gravada você terá acesso ao cálculo do JCP bem como a uma planilha de cálculo. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/taxa-de-juros-de-longo-prazo-tjlp https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/taxa-de-juros-de-longo-prazo-tjlp LUANA TREVISAN 15.4 Lei do Bem A Lei 11.196/2005 (Lei do Bem), como ficou conhecida, traz uma série de benefícios fiscais para empresas que investem em desenvolvimento e inovação, quer seja em seus produtos ou processos. Em relação ao IRPJ/CSLL, temos os seguintes benefícios no Lucro Real: 1- Dedução como despesa operacional dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica: 60% regra geral; 60% a 70% aumento de até 5% no nº de empregados pesquisadores; 70% a 80% aumento em mais de 5% no nº de empregados pesquisadores. 2- Redução de 50% do IPI incidente sobre máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico; 3- Depreciação integral dos ativos destinados à utilização em pesquisas ou desenvolvimento tecnológico; 4- Amortização acelerada para intangíveis. ETAPAS DA LEI DO BEM 1- Levantar a despesa com pesquisadores e insumos; 2- Dedução na apuração do IR/CS; 3- Elaboração dos formulários a serem enviados ao MCTI; 4- Informação na ECF (Escrituração Contábil Fiscal); 5- Se gerou pagto a maior (Retificar DCTF); 6- Aguardar a restituição ou homologação da Dcomp. 16. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS E A REFORMA TRIBUTÁRIA Todos os Regimes Tributários serão impactados, uns mais, outros menos, por isso a demanda por recuperação de créditos deve crescer até 2033. - Lucro Real: será o mais impactado pela CBS, principalmente quando estiver no inicio ou no meio da cadeia, isso por causa da não cumulatividade plena, com certeza haverá discussões quanto à nova regra; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - Lucro Presumido: como a grande maioria são prestadores de serviço, espera-se que sejam as empresas mais impactadas negativamente, já que a maior parte do custo é com mão de obra (não gera direito ao crédito), mas essa análise precisará ser realizada caso a caso; - Simples Nacional: migração de empresas para o Simples Nacional (será necessário analisar o contexto geral, e se não haverão mudanças no regime simplificado). As empresas do Simples Nacional poderão recolher a CBS e o IBS por fora, e com isso se beneficiar da não cumulatividade plena, principalmente sob a ótica de fornecedor deprodutos/mercadorias. 17. ENCERRAMENTO Neste módulo você aprendeu como operacionalizar a recuperação de créditos para empresas do Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, um dos serviços mais lucrativos da área tributária.Qualquer dúvida pode ser encaminhada na área do aluno, mas lembre-se, você precisa praticar para ficar muito bom naquilo que faz. Portanto, dificuldades serão encontradas pelo caminho, mas é completamente normal e acontece com todos. Não desista, supere-se a cada dia, estude e pratique todos os dias, pois não existe atalho. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235XXI - psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN § 5º-C Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: I - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; (...) VI - serviço de vigilância, limpeza ou conservação. VII - serviços advocatícios. § 5o-D. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar: I - administração e locação de imóveis de terceiros; II - academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; III - academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; IV - elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; V - licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; VI - planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; (...) IX - empresas montadoras de estandes para feiras; (...) XII - laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; XIII - serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; XIV - serviços de prótese em geral. (...) § 5o-I. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: (...) II - medicina veterinária; (...) V - serviços de comissaria, de despachantes, de tradução e de interpretação; (...) Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN VI - engenharia, medição, cartografia, topografia, geologia, geodésia, testes, suporte e análises técnicas e tecnológicas, pesquisa, design, desenho e agronomia; VII - representação comercial e demais atividades de intermediação de negócios e serviços de terceiros; VIII - perícia, leilão e avaliação; IX - auditoria, economia, consultoria, gestão, organização, controle e administração; X - jornalismo e publicidade; XI - agenciamento, exceto de mão de obra; (...) XII - outras atividades do setor de serviços que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, desde que não sujeitas à tributação na forma dos Anexos III ou IV desta Lei Complementar.” Cada anexo possui 6 faixas de enquadramento, e serve para calcular o valor da alíquota efetiva que incidirá sobre a receita bruta em cada mês. Anexo I (Comércio): A alíquota que a aparece na tabela é a alíquota nominal, que servirá para calcular a alíquota efetiva, bem como o valor da parcela a deduzir, ou seja, não é possível calcular o DAS apenas com esses dados da tabela, é preciso calcular a alíquota efetiva através de uma fórmula, como veremos adiante. 3. CÁLCULO DOS TRIBUTOS NO SIMPLES NACIONAL Agora que você já sabe como enquadrar corretamente uma atividade nos anexos de tributação, chegou a hora de saber calcular os tributos devidos por uma empresa do Simples Nacional, que são recolhidos através do DAS (Documento de arrecadação do Simples Nacional). Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN O DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) é composto pelos seguintes tributos e contribuições: I – IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica; II – CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; III – PIS/Pasep – Programa de Integração Social; IV – COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; V – ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias; VI – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados; VI – ISS – Imposto sobre Serviços; VII – CPP – Contribuição Previdenciária Patronal (Exceto atividades enquadradas no Anexo IV). O prazo de recolhimento é até o dia 20 do mês seguinte ao faturamento, sendo que se cair em dia não útil, seu vencimento é prorrogado para o primeiro dia útil seguinte. 3.1 Tributos recolhidos fora do DAS Deverão ser recolhidos os seguintes tributos além do DAS, (conforme o caso): I - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF); II - Imposto sobre a Importação de Produtos Estrangeiros (II); III - Imposto sobre Exportação, para o Exterior, de Produtos Nacionais ou Nacionalizados (IE); IV - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); V - Imposto de Renda relativo: a) aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável; b) aos ganhos de capital auferidos na alienação de bens do ativo permanente; c) aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica a pessoas físicas; VI - Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); VII - Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN VIII - Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual; IX - Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins e IPI incidentes na importação de bens e serviços. Esses tributos serão recolhidos a depender da operação como por exemplo: importações, ICMS ST, Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, dentre outros. 3.2 Conceitos Para dominar o cálculo no Simples Nacional, é importante frisar alguns conceitos: 1º Alíquota nominal: é a alíquota que será utilizada para calcular a alíquota efetiva, que consta nos Anexos de enquadramento; 2º Parcela a deduzir: é um valor que consta nos Anexos e é utilizado na fórmula para o cálculo da alíquota efetiva; 3º Alíquota efetiva: é a alíquota que será aplicada sobre a receita bruta; 4º Receita Bruta: é o faturamento da empresa (venda de produtos, mercadorias, prestação de serviços, locação, transporte, etc, ou seja, é a receita do objeto social); 5º RBT12: é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração (sempre pelo regime de competência); 6º FS12: é a folha de salários acumulada dos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração (sempre pelo regime de competência); 7º Folha de Salários: corresponde aos salários dos empregados, pró-labore, autônomos e seus respectivos encargos (CPP, FGTS); 8º Fator "r": é a relação entre a FS12 e a RBT12; 9º Período de apuração: é a competência de apuração do DAS (regime de competência ou caixa); Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 10º Regime de competência: serve para determinar a RBT12 e para as empresas que optam por tributar suas receitas mesmo sem recebê-las; 11º Regime de caixa: Serve para calcular o DAS sobre as receitas recebidas, para aquelas empresas que optaram por esse regime. 3.3 Particularidades Ainda, é necessário entender algumas regras que impactam diretamente no cálculo: Sobreas receitas de exportação: não incide ICMS, PIS, Cofins, ISS e IPI; As devoluções e vendas canceladas devem ser deduzidas da Receita Bruta do mês; Os benefícios de ICMS/ISS além de constar na legislação do Ente, devem ser amparadas na LC 123/2006, exemplo: isenções, reduções, benefícios em produtos de cesta básica, dentre outros; Sobre a locação de bens móveis: não incide ISS; Serviços sujeitos ao ICMS: os tributos federais são calculados pelo Anexo III e o ICMS é calculado pelo Anexo I; ISS: A alíquota efetiva de ISS deve ser no máximo de 5%. O excesso deve ser distribuído entre os tributos federais; ISS e ICMS 6ª faixa: Devem ser calculados na 5ª faixa; Excesso ao sublimite estadual: Enquanto o excesso for em até 20%, a alíquota do ISS/ICMS sobre o excedente ao sublimite será calculada na 5ª faixa, considerando a RBT12 de R$3.6 milhões; Excesso ao limite nacional: Enquanto o excesso for em até 20%, a alíquota dos tributos federais sobre o excedente ao limite nacional será calculada considerando a RBT12 de R$4.8 milhões. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 3.4 Alíquota efetiva A alíquota efetiva é aquela que será aplicada sobre o valor da receita bruta mensal. A alíquota efetiva total é composta por todos os tributos incidentes sobre a receita: IRPJ, CSLL, Pis, Cofins, ICMS, IPI, ISS e CPP. Para se encontrar a alíquota efetiva deve-se utilizar a seguinte fórmula: RBT12: é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração (sempre pelo regime de competência); Alíquota nominal: é a alíquota que será utilizada para calcular a alíquota efetiva, que consta nos Anexos de enquadramento; Parcela a deduzir: é um valor que consta nos Anexos e é utilizado na fórmula para o cálculo da alíquota efetiva. 3.5 Empresas em início de atividades No primeiro mês o cálculo para se determinar a receita bruta “estimada” dos últimos 12 meses (RBT12) é proporcional, devendo-se aplicar a seguinte fórmula: Receita do 1º mês x 12 Primeiro mês: considerar a data da constituição do CNPJ. EXEMPLO: Competência do cálculo: 08/2023 Data constituição: 10/08/2023 Receita Bruta em 08/2023: R$100.000,00 RBT12 1º mês: R$1.200.000,00 Nos 11 meses seguintes o cálculo para se determinar a receita bruta “estimada” dos últimos 12 meses (RBT12) é proporcional, devendo-se aplicar a seguinte fórmula: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN (Soma das receitas anteriores ao PA/ nº de meses anteriores ao PA) x 12 TRATA-SE DA MÉDIA ARITMÉTICA DOS MESES ANTERIORES PA: PERÍODO DE APURAÇÃO EXEMPLO: Competência do cálculo: 10/2023 Data constituição: 10/08/2023 Receita Bruta em 08/2023: R$100.000,00 Receita Bruta em 09/2023: R$300.000,00 RBT12 3º mês: ((R$100.000,00 + R$300.000,00)/2) x 12 = R$2.400.000,00. Exercício de fixação: EXEMPLO: ANEXO I - COMÉRCIO Competência do cálculo: 10/2023 Data constituição: 10/08/2023 Receita Bruta em 08/2023: R$100.000,00 Receita Bruta em 09/2023: R$300.000,00 RBT12p 3º mês: calcule a RBT12 proporcional para a competência 10/2023 Alíquota efetiva: calcule a alíquota efetiva utilizando a RBT12p. Tabela Anexo I 3.6 Segregação das receitas Se a empresa aufere receitas no mercado interno e também efetua exportações (mercadorias ou serviços) terá que apurar separadamente: - RBT12 Mercado Interno; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - RBT12 Mercado Externo; - Alíquota Efetiva Mercado Interno; - Alíquota Efetiva Mercado Externo. Segregar as receitas no PGDAS-D para que o cálculo seja realizado separadamente e, ao gerar o DAS, os valores por tributo serão unificados. Sobre as receitas de exportação não incide ICMS, PIS, Cofins, ISS e IPI. OBS: Considera-se exportação de serviços para o exterior a prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, exceto quanto aos serviços desenvolvidos no Brasil cujo resultado aqui se verifique. Quando a empresa possui diversas receitas tributas por Anexos diferentes, as mesmas devem ser segregadas para serem tributadas de acordo com cada Anexo de tributação. Inclusive quando há devolução a mesma deve ser segregada, de acordo com a natureza da venda. 3.7 Substituto tributário O ICMS retido por Substituição Tributária é uma modalidade de antecipação do imposto devido na cadeia seguinte. É devido pelo SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO e constitui-se como regime de tributação que assegura arrecadação mais eficiente e possibilita racionalizar a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. OBS: As empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL também estão sujeitas ao recolhimento do ICMS ST, quando aplicável. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN O Substituto Tributário é o contribuinte responsável pelo recolhimento do ICMS que seria devido na cadeia seguinte pelo Substituído Tributário. São SUBSTITUTOS Tributários: a indústria e o importador ou aquele o qual a legislação equiparar. 3.8 Substituído tributário O Substituído Tributário é o contribuinte que recebe a mercadoria objeto de substituição tributária com o respectivo ICMS já recolhido por antecipação. Em regras gerais, na saída (venda da mercadoria), não recolherá ICMS novamente, uma vez que já foi recolhido anteriormente. De acordo com o §8º do art. 25 da Resolução CGSN nº 140/2018 dispõe que em relação ao ICMS: I - o substituído tributário, assim entendido o contribuinte que teve o imposto retido, e o contribuinte obrigado à antecipação com encerramento de tributação deverão segregar a receita correspondente como "sujeita à substituição tributária ou ao recolhimento antecipado do ICMS", quando então será desconsiderado, no cálculo do valor devido no âmbito do Simples Nacional, o percentual do ICMS; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 3.9 Produtos monofásicos A venda de produtos monofásicos por pessoa jurídica optante do Simples Nacional na condição de indústria/ importador sujeita a empresa ao recolhimento das contribuições sociais conforme às alíquotas próprias desses regimes de tributação, aplicáveis às demais empresas. OBS (01.01.2009): Na condição de comércio as vendas ficam reduzidas a alíquota zero de PIS e COFINS (devem ser segregadas as receitas para a exclusão desses percentuais no cálculo do Simples Nacional). (Solução de Consulta Cosit nº 4, de 18/06/2013 e Solução de Divergência Cosit, nº 4, de 28/04/2014) 3.10 Benefícios concedidos pela União, Estados e DF Como regra geral, não serão consideradas quaisquer alterações em bases de cálculo, alíquotas e percentuais ou outros fatores que alterem o valor de imposto ou contribuição apurado na forma do Simples Nacional, estabelecidas pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, exceto as previstas ou autorizadas nesta Lei Complementar. OBS: ANTES NÃO TINHA QUE ESTAR PREVISTO NA LEI COMPLEMENTAR. A União, os Estados e o Distrito Federal poderão, em lei específica destinada à ME ou EPP optante pelo Simples Nacional, estabelecer isenção ou redução de COFINS, Contribuição para o PIS/PASEP e ICMS para produtos da cesta básica, discriminando a abrangência da sua concessão. OBS: Ainda não há previsão legal para a isenção, alíquota zero ou redução de PIS e COFINS para empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL, exceto para vendas com incidência monofásica. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN3.11 Cancelamento e Devoluções Na hipótese de CANCELAMENTO de documento fiscal, nas situações autorizadas pelo respectivo ente federado, o valor do documento cancelado deverá ser deduzido no período de apuração no qual tenha havido a tributação originária, quando o cancelamento se der em período posterior. 1. Para a optante pelo Simples Nacional tributada com base no critério de apuração de receitas pelo Regime de Caixa, o valor a ser deduzido limita-se ao valor efetivamente devolvido ao adquirente ou tomador. 2. Na hipótese de nova emissão de documento fiscal em substituição ao cancelado, o valor correspondente deve ser oferecido à tributação no período de apuração relativo ao da operação ou prestação originária. Na hipótese de DEVOLUÇÃO de mercadoria vendida por ME ou EPP optante pelo Simples Nacional, em período de apuração posterior ao da venda, deverá ser observado o seguinte: I - o valor da mercadoria devolvida deve ser deduzido da receita bruta total, no período de apuração do mês da devolução, segregada pelas regras vigentes no Simples Nacional nesse mês; - Devolução de venda com ST das receitas com ST - Devolução de venda monofásica das receitas monofásicas - Devolução de exportação com receitas de exportação II - caso o valor da mercadoria devolvida seja superior ao da receita bruta total ou das receitas segregadas relativas ao mês da devolução, o saldo remanescente deverá ser deduzido nos meses subsequentes, até ser integralmente deduzido. 4. EXEMPLOS DE CÁLCULO 4.1 Anexo I (Comércio) Venda de mercadorias sem ST: R$ 54.000,00 Venda de mercadorias com ST: R$ 32.000,00 Total receita da competência: R$ 86.000,00 Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 1.780.000,00 Calcule: Alíquota Efetiva com ICMS: Alíquota Efetiva sem ICMS: Valor do DAS: Utilize as tabelas abaixo para efetuar os cálculos: Percentuais de repartição da alíquota efetiva (Anexo I): 4.2 Anexo II (Indústria) Venda de mercadorias sem ST: R$ 748.000,00 Total receita da competência: R$ 748.000,00 Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 3.200.000,00 Calcule: Alíquota Efetiva: Valor do DAS: Utilize as tabelas abaixo para efetuar os cálculos: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Percentuais de repartição da alíquota efetiva (Anexo II): 4.3 Anexo III (Serviços) Prestação de serviços: R$ 295.000,00 Total receita da competência: R$ 295.000,00 Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 2.400.000,00 Calcule: Alíquota Efetiva: Valor do DAS: Utilize as tabelas abaixo para efetuar os cálculos: Percentuais de repartição da alíquota efetiva (Anexo III): Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 4.4 Anexo IV (Serviços) Prestação de serviços: R$ 450.000,00 Total receita da competência: R$ 450.000,00 Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 3.400.000,00 Calcule: Alíquota Efetiva: Valor do DAS: Utilize as tabelas abaixo para efetuar os cálculos: Percentuais de repartição da alíquota efetiva (Anexo IV): Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 4.5 Anexo V (Serviços) Prestação de serviços: R$ 56.450,00 Total receita da competência: R$ 56.450,00 Folha dos últimos 12 meses: R$130.000,00 Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 670.590,00 Calcule: Alíquota Efetiva: Valor do DAS: Utilize as tabelas abaixo para efetuar os cálculos: Percentuais de repartição da alíquota efetiva (Anexo V): 5. TIPOS DE DOCUMENTOS FISCAIS Para apurar os créditos a recuperar, é necessário entender os tipos e as características dos documentos fiscais do cliente. Os modelos mais comuns de documentos fiscais são: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - NF-e (modelo 55): emitido em vendas interestaduais; de Pessoa Jurídica para outra Pessoa Jurídica; e nos casos permitidos ou obrigados pela legislação, a empresa deverá ou poderá emitir para consumidor Pessoa Física dentro da UF; (arquivo XML) - CF-e (Modelos 59 e 60): a maioria dos Estados exige a emissão da NFC-e, mas é comum se deparar com cupons fiscais de períodos mais antigos. (arquivo XML) - NFC-e (modelo 65): emitido nas vendas presenciais ao consumidor final; (arquivo XML) COMO RECUPERAR ESSES DOCUMENTOS DOS ÚLTIMOS 60 MESES? Existem algumas formas: 1) Solicitando ao cliente; 2) Solicitando para a Sefaz (mas geralmente o processo é dificultado e nem sempre é possível recuperar todo esse período); 3) Por meio de sistemas de recuperação de NF (todavia esses sistemas recuperam apenas a NF-e modelo 55); Sieg; Arquivei; Sysconv; Conexão NFE; etc... 4) Capturando em pastas do cliente através de robôs desses sistemas (o cliente dá o aceite). As únicas opções gratuitas são a primeira e a segunda. 5.1 Características dos documentos fiscais Não adianta ter o arquivo em mãos se você não souber analisa-lo, por isso é importante entender alguns conceitos. CFOP: é o código fiscal da operação, ele indica a natureza da operação (venda; transferência; remessas; devoluções; dentre outras); NCM: é a nomenclatura comum do Mercosul que deve constar em todas as notas fiscais de produtos/mercadorias (você encontra essa lista na TIPI - Tabela do IPI); CSOSN: é o código da situação da operação (ICMS) para empresas optantes pelo Simples Nacional, esse código definirá se quem está vendendo é o substituído tributário por exemplo. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN CST ICMS: é o código fiscal da situação tributária (ICMS), onde vai determinar se a venda é tributada, isenta, suspensa, diferida, dentre outras; CEST: é o código especificador da substituição tributária, e deve ser informado na NF sempre que alguma mercadoria listada no Convênio ICMS 142/2018 for comercializada, sujeita ou não a ST; CST Pis/Cofins e IPI: assim como o CST de ICMS, serve para indicar a tributação para aquela determinada operação. 5.2 XML XML é o arquivo eletrônico da nota fiscal, é no XML que você vai encontrar todas as informações da nota, tais como: - Dados do emitente e do destinatário; - Tributação de ICMS/ICMS-ST, IPI (caso houver), Pis e Cofins; - CST´s de ICMS, IPI, Pis e Cofins ou CSOSN; - CFOP; NCM; CEST; Dentre outras informações de interesse do contribuinte e do Fisco, tais como dados adicionais. O XML é gerado no momento em que a Nota Fiscal está sendo transmitida para a SEFAZ, e é assinado eletronicamente. De acordo com o art. 195 do CTN, o XML deve ser arquivado até que ocorra a prescrição dos créditos tributários vinculados, ou seja, de no mínimo 5 anos c/c o art. 66 da Resolução CGSN 140/2018. Não manter a guarda é crime contra a ordem tributária, podendo gerar de 2 a 5 anos de prisão e multa (Lei 8.137/1990, art. 1º). Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 6. RISCOS DA RCT A Recuperação de Créditos Tributários é um trabalho sério que exige muita responsabilidade. Por isso não faça nada se tiver dúvidas, ou procure alguém que já tenha mais experiência para lhe supervisionar. 6.1 Restabelecimento do valor do tributo e penalidades Além do restabelecimento do débito com multa e juros de mora, o contribuinte estará sujeito às seguintes penalidades por lançamento de ofício, quando o fisco determina um passivo tributário (Resolução CGSN 140/2018, art. 96): Simples (não derivadas de sonegação, fraude ou conluio) - 75% podendo ser aumentada para 112,5% caso não atenda o prazo na intimação do fisco; Agravada (derivada de sonegação, fraude ouconluio) - 150% podendo ser aumentada para 225% caso não atenda o prazo na intimação do fisco. Mas o que é sonegação, fraude e conluio? Qual é a relação com a RCT? Lei 4.502/1964, art. 71 SONEGAÇÃO: ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na RCT não devemos focar apenas no crédito, fechando os olhos para os erros (dolosos ou não) que você sabe que o cliente está cometendo, tais como: não emitir nota fiscal, não receber suas receitas na conta da Pessoa Jurídica, emitindo notas frias, dentre outras. Para resolver isso, elabore uma cláusula específica sobre isso em seu contrato de prestação de serviços, e sempre mantenha uma comunicação muito clara com o cliente caso você encontre contingências/riscos tributários. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Lei 4.502/1964, art. 72 FRAUDE: é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Aqui entra a tal da reclassificação de NCM, que provoca a redução da tributação de forma indevida, muito cuidado com isso! Falaremos melhor sobre esse tema nas aulas práticas. CONLUIO: é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Exemplo clássico de quando o "tributarista" e o cliente combinam fraudar ou sonegar, provocando o aumento do valor a restituir de forma indevida! Além das multas, existem implicadores penais. Mas como o fisco pode te meter em uma "cilada"? Simplesmente porque ele tem o maior sistema de auditoria do mundo! Inclusive o Brasil é copiado por outros países quando o assunto é fiscalização. Exemplos de cruzamentos para empresas do Simples Nacional: - Valores declarados mensalmente no PGDAS-D x Notas Emitidas x Recebimentos por meio de cartões/Pix/outros meios eletrônicos; - Itens das Notas Emitidas x Segregação no PGDAS-D; - Defis (Declaração Anual) x Declaração mensal PGDAS-D; - SPED´s (Aquisições x Vendas); - Dentre inúmeros outros cruzamentos. Portanto, além de buscar o crédito, esteja atento às inconsistências, efetue os cruzamentos acima e nunca deixe de falar para o seu cliente dos riscos envolvidos. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Nada melhor do que ser imparcial e trabalhar com ética e segurança. Além de todas as cláusulas do contrato que trarão um respaldo legal, você demonstrará que não estará em conluio com o cliente. 6.2 Responsabilidade Penal e Civil CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA (LEI 8.137/1990, arts. 1º e 2º) O art. 1º dispõe sobre os crimes: I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; V - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Já o art. 2º dispõe sobre os crimes "menos" graves: I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. ONDE VOCÊ ENTRA NISSO TUDO? Art. 11 da Lei 8.137/1990: "Art. 11. Quem, de qualquer modo, inclusive por meio de pessoa jurídica, concorre para os crimes definidos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade." Significado de Concorre. Concorre vem do verbo concorrer. O mesmo que: aflui, compete, contribui, converge, coopera, disputa, pleiteia, rivaliza. A responsabilidade civil ocorre quando o seu cliente executa o contrato alegando que o serviço não foi prestado da forma estabelecida no mesmo, conforme prevê o art. 20 do CDC. Portanto, estabelecer responsabilidades das partes, como o serviço será executado, se haverá garantia, prazos, limitações, etc, são elementos indispensáveis em um contrato. O cliente tem que estar ciente da classificação de risco dos créditos apresentados, e além disso, tomar a decisão final sobre o uso ou não desses créditos, assumindo qualquer responsabilidade em caso de glosa ou fiscalização, afinal de contas, nós apenas apresentamos o crédito (líquido e certo e aquele que por ventura possa ser discutido pelo fisco). 7. OPORTUNIDADES DE RCT Além da Recuperação de Créditos de ICMS, Pis e Cofins, existem outras oportunidades, tendo em vista que o crédito pode nascer de várias formas, mas principalmente por erro na apuração dos valores devidos. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 7.1 RCT por erro de enquadramento de Anexo Várias atividades possuem particularidades em sua tributação ou determinação da receita bruta, portanto, podem estar recolhendo tributos de forma indevida. Nesse caso cabe a retificação do PGDAS-D e solicitação da restituição ou compensação, conforme o caso. Vamos analisar essas particularidades? 7.1.1 Gestão imobiliária x corretagem no aluguel de imóveis O CNAE 6822-6/00 - GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO DA PROPRIEDADE IMOBILIARIA, possui enquadramento no Anexo V e será tributada pelo Anexo III caso o fator r for igual ou superior a 28% e compreende: as atividades das administradoras de imóveis que combinam os serviços de natureza imobiliária com serviços de gerência operacional e administrativa e as atividades de administradoras de shopping centers. O CNAE 6821-8/02 - CORRETAGEM NO ALUGUEL DE IMÓVEIS, é tributada no Anexo III, desde 01.01.2015. Essa atividade compreende: a atividade de intermediação no aluguel de imóveis de terceiros e os serviços de assessoramento em questões relativas a aluguel de imóveis de terceiros. 7.1.2 Construção Civil Os serviços de construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores são tributados de acordo com o art. 18, §5º-C, I (ANEXOIV) da Lei Complementar nº 123/2006. Neste anexo a CPP (Contribuição Previdenciária Patronal) é recolhida em separado, ou seja, não estará incluída no DAS, conforme prevê a Lei Complementar nº 123/2006, art. 13, VI. Para que o serviço seja tributado pelo Anexo IV, precisa estar amparado por um contrato de construção civil, seja na forma total ou de subempreitada. Alguns serviços auxiliares, quando prestados isoladamente, serão tributados pelo Anexo III, porém, se forem integrantes de um contrato de construção civil, deverão ser tributados juntamente com a obra (Anexo IV), é o que dispõe o ADI nº 8/2013: Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN ADI nº 8/2013 “Art. 1º Os serviços de pintura predial, instalação, manutenção e reparação hidráulica, elétrica, sanitária, de gás, de sistemas contra incêndio, de elevadores, de escadas e esteiras rolantes exercidos por microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP) optante pelo Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, são tributados pelo Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006, e não estão sujeitos à retenção da contribuição previdenciária prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. Parágrafo único. Caso a ME ou EPP seja contratada para construir imóvel ou executar obra de engenharia em que os serviços de pintura predial e instalação hidráulica, elétrica, sanitária, de gás, de sistemas contra incêndio, de elevadores, de escadas e esteiras rolantes façam parte do respectivo contrato, sua tributação ocorrerá juntamente com a obra, na forma do Anexo IV da Lei Complementar nº 123, de 2006.” Quando a atividade de construção era impeditiva ao Simples Nacional, a COSIT emitiu um ADN para dispor sobre os serviços auxiliares da construção vedados á opção pelo Simples Nacional: Ato declaratório normativo cosit nº 30, de 13 de outubro de 1999 “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: I - a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II - sondagens, fundações e escavações; III - construção de estradas e logradouros públicos; IV - construção de pontes, viadutos e monumentos; V - terraplenagem e pavimentação; VI - pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII - quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo.” Atualmente, estas atividades não são impedidas, porém, há de se observar que quando essas atividades forem integrantes de um contrato de construção civil deverão ser tributadas pelo Anexo IV do Simples Nacional. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Nos serviços listados nos códigos 7.02 e 7.05 da LC 116/2003 é permitida da dedução da Base de Cálculo do ISS o valor dos materiais fornecidos pelo prestador do serviço. No caso dos materiais produzidos pelo prestador dos serviços no local da prestação de serviços será tributado de acordo com o Anexo III ou Anexo IV, conforme o caso. No caso das mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços fora do local da prestação dos serviços será tributado de acordo com o Anexo II. 7.1.3 Pragas agrícolas x urbanas Pragas agrícolas - O serviço de controle de pragas agrícolas, objeto do CNAE 0161-0/01 consiste propriamente no serviço de controle de pragas e não no serviço de dedetização, desratização, descupinização e similares, portanto a tributação ocorrerá no Anexo III, conforme prevê o art. 18, §5º-F da Lei Complementar nº 123/2006. Este CNAE compreende também o serviço de pulverização aérea sob contrato, onde neste caso é necessário que a atividade seja exercida por três categorias profissionais regulamentadas, ensejando a tributação pelo Anexo V. (Solução de Consulta COSIT nº 064/2015 e Solução de Consulta 92/2009) Pragas urbanas – O serviço de controle de pragas urbanas, objeto do CNAE 8122-2/00, está diretamente ligado com serviço de limpeza, conforme disposto nas Soluções de Consulta COSIT nº 186 e 275 de 2014, além da Solução de Consulta Interna COSIT nº 13/2012, portanto a tributação ocorrerá no Anexo IV, conforme prevê o art. 18, §5º-C, VI da Lei Complementar nº 123/2006. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 7.1.4 Locação de bens móveis A atividade de locação de bens móveis, serão tributadas na forma prevista no Anexo III, deduzida a parcela correspondente ao ISS (LC 123/2006, art. 18, §4º, V); OBS: TRATANDO-SE DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS COM MOTORISTA, HAVERÁ INCIDÊNCIA DE ISS. 7.1.5 Incidência Simultânea de IPI e ISS A atividade com incidência simultânea de IPI e de ISS, será tributada na forma prevista no Anexo II, deduzida a parcela correspondente ao ICMS e acrescida a parcela correspondente ao ISS prevista no Anexo III (LC 123/2006, art. 18, §4º, VI); 7.1.6 Transporte intermunicipal e interestadual e comunicação Prestação de serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicação serão tributados com base no Anexo III, desconsiderando-se o percentual relativo ao ISS e adicionando-se o percentual relativo ao ICMS previsto na tabela do Anexo I (LC 123/2006, art. 18, §5º-E). Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 7.1.7 Agência de viagem e turismo A receita auferida por agência de viagem e turismo: (CGSN 140/2018, art. 25, §15) I - corresponderá à comissão ou ao adicional percebido, quando houver somente a intermediação de serviços turísticos prestados por conta e em nome de terceiros; e É o caso onde a agência faz todas as reservas em nome do cliente e apenas recebe uma comissão para isso. II - incluirá a totalidade dos valores auferidos, nos demais casos. É o caso da venda de pacotes fechados, onde a agência que determina os valores e serem cobrados pela estadia, passagens, etc... Ela pode aproveitar para comprar na baixa temporada e vender mais caro ao cliente final. 7.1.8 Venda de veículos usados A receita auferida na venda de veículos em consignação: (CGSN 140/2018, art. 25, §16) I - mediante contrato de comissão previsto nos arts. 693 a 709 do Código Civil corresponderá à comissão e será tributada na forma prevista no Anexo III; II – compra e venda mediante contrato estimatório previsto nos arts. 534 a 537 do Código Civil corresponderá ao produto da venda e será tributada na forma prevista no Anexo I; III - prestação de serviços de intermediação na compra e venda de veículos usados, corresponderá à comissão e será tributada na forma prevista no Anexo V. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 7.1.9 Farmácias de manipulação Na comercialização de medicamentos e produtos magistrais produzidos por fórmulas, observar-se-á (art. 25, §2º, I e II da Resolução CGSN nº 140/2018): Produzidos por encomenda mediante prescrição – Anexo III: quando o cliente solicita a manipulação de uma fórmula prescrita por um médico/especialista; Demais casos (comércio) – Anexo I: produtos que a própria farmácia revende ou manipula, sem solicitação prévia por parte do cliente. 7.1.10 Serviços técnicos em informática x computação Tributadas pelo Anexo III, as atividades de: reparação e manutenção de computadores e equipamentos periféricos. Tributadas pelo Anexo III (sujeitas ao fator r), as atividades de: desenvolvimento e licenciamento de programas de computador, serviços de hospedagem na internet, planejamento,confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas. Eram vedadas até 31 de dezembro de 2014, mas a partir de 1º de janeiro de 2015 não constituem vedação aos optantes pelo Simples Nacional e são tributadas pelo Anexo V (sujeitas ao fator r), as atividades de: suporte técnico em informática, manutenção em tecnologia da informação, tratamento de dados e provedores de serviços de aplicação. (Solução de Consulta COSIT nº 086/2015) 7.1.11 Salão de beleza em contrato de parceria A receita obtida pelo salão-parceiro e pelo profissional-parceiro de que trata a Lei n° 12.592/2012, deverá ser tributada: Anexo III: quanto aos serviços e produtos neles empregados; e Anexo I: quanto aos produtos e mercadorias comercializados. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Cada parceiro tributa sua receita, ou seja, o salão pode descontar da base de cálculo tributável os valores repassados ao profissional parceiro. O profissional parceiro não deve ser CLT. Para maiores detalhes sobre o contrato de parceria vide a Lei acima e a Resolução CGSN 140/2018. 7.2 RCT fator “r” Para fins de determinação do fator “r”, folha de salários corresponde ao montante pago, incluídos encargos, nos 12 (doze) meses anteriores ao do período de apuração, a título de remunerações a pessoas físicas decorrentes do trabalho, incluídas retiradas de pró-labore, acrescidos do montante efetivamente recolhido a título de contribuição patronal previdenciária e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. OBS 1: Deverão ser considerados os salários informados na GFIP. OBS 2: Não devem ser considerados os valores pagos a título de aluguéis e de distribuição de lucros. No caso de parcelamento da contribuição para a Seguridade Social destinada à Previdência Social (CPP), esta somente será considerada no cálculo do Fator "r" à medida em que as parcelas forem recolhidas. Consideram-se salários o valor da base de cálculo da contribuição prevista nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, agregando-se o valor do décimo terceiro salário na competência da incidência da referida contribuição, na forma do caput e dos §§ 1º e 2º do art. 7º da Lei nº 8.620/1993. "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, o valor da compensação pecuniária a ser paga no âmbito do Programa de Proteção ao Emprego - PPE, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Portanto, além do valor pago aos funcionários e retiradas de pró-labore, integra o cômputo da folha de salários os valores pagos a autônomos, tendo em vista o dispositivo acima exposto, bem como devem ser consideradas as importâncias pagas no mês, conforme prevê o §24 do art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006. 8. ANÁLISE DO PGDAS-D O Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional - Declaratório (PGDAS-D) é um sistema eletrônico para a realização do cálculo do Simples Nacional para os períodos de apuração (PA) a partir de janeiro de 2018, conforme determinam a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (e alterações) e Resolução CGSN nº 140, de 22 de maio de 2018. As informações do PGDAS-D têm caráter declaratório, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos, e deverão ser fornecidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o vencimento do prazo para pagamento dos tributos devidos no Simples Nacional em cada mês, relativamente aos fatos geradores ocorridos no mês anterior. O PGDAS-D está disponível no portal do Simples Nacional na internet, não necessitando ser instalado ou atualizado no computador do usuário. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 8.1 Multa pelo atraso na entrega A ME ou EPP que deixar de prestar mensalmente à RFB as informações no PGDAS-D, no prazo previsto na legislação, ou que as prestar com incorreções ou omissões, estará sujeita às seguintes multas, para cada mês de referência: - 2% ao mês-calendário ou fração, a partir do primeiro dia do quarto mês do ano seguinte à ocorrência dos fatos geradores, incidentes sobre o montante dos impostos e contribuições decorrentes das informações prestadas no PGDAS-D, ainda que integralmente pago, no caso de ausência de prestação de informações ou sua efetuação após o prazo, limitada a 20%, observada a multa mínima de R$ 50,00 para cada mês de referência; - R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. As multas serão reduzidas (observada a aplicação da multa mínima): - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; - a 75% (setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. 8.2 ICMS ST COMO FUNCIONA O ICMS? O ICMS é plurifásico, ou seja, incide sobre cada etapa da cadeia comercial. OBS: No Simples Nacional a alíquota é menor, e podem existir UF´s que concedem isenção para ME´s (faturamento até 360mil) ou reduções para EPP´s (faturam acima de 360 até 4.8mi). Na Substituição Tributária o esquema se inverte, pois a indústria ou importador recolhe pelo restante da cadeia, cobrando esse ICMS no valor total da NF. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN E QUANDO NÃO SE APLICA O ICMS-ST? - Transferências entre estabelecimentos da mesma empresa: inclusive interestadual, desde que não seja varejista; - Venda para industrialização: adquirente vai utilizar em seu processo produtivo; - O destinatário possui regime para recolher o ICMS ST na entrada; - Venda interestadual para substituto da mesma mercadoria. ONDE ENCONTRAR OS PRODUTOS SUJEITOS AO ICMS ST Existe um Convênio geral, que determina quais são as mercadorias que os Estados podem tratar como Substituição Tributária. Qualquer mercadoria fora desse Convênio, não deve estar na lista de ST do Estado. Estamos falando do Convênio ICMS 142/2018. Esse Convênio traz os segmentos que podem estar sujeitos ao ICMS ST, cabendo ao Estado adotar ou não. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN ANEXO I SEGMENTOS DE MERCADORIAS 8.3 Pis e Cofins Mono COMO FUNCIONA O PIS E A COFINS? Assim como o ICMS, são contribuições plurifásicas, ou seja, incide sobre cada etapa da cadeia comercial. OBS: No Simples Nacional a alíquota é menor, e diferentemente do ICMS não existe isenção ou redução concedida pela LC 123/2006. COMO FUNCIONA O PIS E A COFINS NA SISTEMÁTICA MONOFÁSICA OU "MONOFASIA"? Na monofasia o esquema se inverte, pois a indústria ou importador recolhem pelo restante da cadeia. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 8.4 Segregação das receitas A previsão legal para segregar (separar) asreceitas monofásicas e ICMS ST consta na LC 128/2008 e Resolução CGSN 140/2018: LC 128/2008 "Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas, calculadas a partir das alíquotas nominais constantes das tabelas dos Anexos I a V desta Lei Complementar, sobre a base de cálculo de que trata o §3º deste artigo, observado o disposto no §1 5º do art. 3º. (...) §4º O contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento, as receitas decorrentes da: IV – as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação;" Resolução CGSN 140/2018 “Art. 25. O valor devido mensalmente pela ME ou EPP optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas calculadas na forma prevista nos arts. 21, 22 e 24 sobre a base de cálculo de que tratam os arts. 16 a 19. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 3°, § 15, art. 18) (...) § 6° A ME ou EPP que proceda à importação, à industrialização ou à comercialização de produto sujeito à tributação concentrada ou à substituição tributária para efeitos de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve segregar a receita decorrente de sua venda e indicar a existência de tributação concentrada ou Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN substituição tributária para as referidas contribuições, de forma que serão desconsiderados, no cálculo do valor devido no âmbito do Simples Nacional, os percentuais a elas correspondentes. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 2°, inciso I e § 6°; art. 18, § 4°-A, inciso I, § 12) (...) § 8º Em relação ao ICMS: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º; art. 13, § 6º, inciso I; art. 18, § 4º-A, inciso I) I - o substituído tributário, assim entendido o contribuinte que teve o imposto retido, e o contribuinte obrigado à antecipação com encerramento de tributação deverão segregar a receita correspondente como “sujeita à substituição tributária ou ao recolhimento antecipado do ICMS”, quando então será desconsiderado, no cálculo do valor devido no âmbito do Simples Nacional, o percentual do ICMS;” 9. APURAÇÃO DO CRÉDITO Documentos que você vai precisar (últimos 60 meses): - Extrato do PGDAS-D; - XML (NF modelo 55 ou NFC-e modelo 65); - Sintegra: Registros 54 e 75 (Cupom fiscal não eletrônico). Utilize a "Calculadora de Recuperação" disponibilizada como bônus para essa aula. Você vai basicamente verificar quanto o contribuinte recolheu de ICMS, Pis e Cofins e quanto ele realmente deveria ter recolhido, fazendo o recálculo desses tributos e fazendo a revisão dos produtos, afim de verificar se houve alguma tributação indevida. Siga esse passo a passo: 1 – Planilhe o PGDAS-D no excel informando os seguintes dados: receitas declaradas por espécie (comércio ou serviços) e por tipo (tributadas, monofásicas, ICMS ST). 2 – Transforme os XML´s das notas recebidas em excel e extraia as informações dos produtos: descrição, NCM, valor da venda; 3 – Analise cuidadosamente os itens vendidos, para classifica-los com incidência monofásica e/ou ICMS ST; 4 – Some as receitas de acordo com a classificação efetuada no item 3 por tipo de receita; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN 5 – Reapure os valores devidos de ICMS, Pis e Cofins; 6 – Apure o crédito mediante a equação: valor recolhido – valor devido. 10. RETIFICAÇÃO DO PGDAS-D A retificação do PGDAS-D é necessária para praticamente qualquer RCT, exceto para aquelas que visam recuperar tributos arrecadados fora do DAS, pagos indevidamente ou a maior. No manual do PGDAS-D que está disponível nesta aula, você encontra várias orientações sobre a retificação. 1 - Planilhar os valores originais devidos; 2 - Retificar o PGDAS-D; 3 - Controlar as retificações em uma planilha (Bônus). 11. RESTITUIÇÃO X COMPENSAÇÃO Quando é possível restituir o DAS pago indevidamente ou a maior? Pagamento indevido: quando a totalidade do valor que foi recolhido não era devido. Pagamento a maior: quando parte do valor que foi recolhido não era devido. Desde 30 de junho/2017 a Receita Federal disponibilizou uma sistemática simplificada de restituição para contribuintes do Simples Nacional. O processo de restituição poderá ser efetuado diretamente no Portal do Simples Nacional. (Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 atualmente revogada pela Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021) 11.1 Restituição Na restituição o cliente recebe o valor pago indevidamente ou a maior na conta corrente indicada no prazo médio de até 60 dias. Os lotes para pagamento são programados para o dia 20 de cada mês ou dia útil seguinte. Depois que o pedido é efetuado, será analisado pela RFB: - Deferido Total: o direito creditório foi reconhecido e encontra-se aguardando pagamento; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - Restituído: o processo foi concluído e a restituição creditada na conta informada pelo contribuinte; ou ocorreu a compensação de ofício com débito do contribuinte, após notificação; - Cancelado: processo de restituição cancelado a pedido do contribuinte ou de ofício. Pontos importantes sobre o Pedido de Restituição: - Deve ser efetuado dentro do prazo de 5 anos contados da data do pagamento; - O aplicativo tem um atraso de 4 meses, contando com o mês do pedido. Portanto é possível retificar, mas deve aguardar para solicitar a restituição; - Pode ser cancelado pelo aplicativo (desde que não tenha sido deferido); - Deve ser informado uma conta corrente sempre vinculada ao CNPJ Matriz (final 0001); - É possível solicitar a restituição para CNPJ baixado, sendo necessário informar uma conta da PJ e depois comparecer na RFB com o distrato para alterar para a conta dos sócios. 11.2 Compensação Quando é possível compensar o DAS pago indevidamente ou a maior? Através do aplicativo “compensação a pedido”, disponível no portal do Simples Nacional, é possível solicitar a compensação de pagamento indevido ou a maior com débitos abrangidos pelo DAS. É necessário esperar o processamento do crédito e do débito, ou seja, o débito precisa estar vencido e constante no extrato de pendências do Simples Nacional. (Resolução CGSN nº 140/2018, art. 131) Compensação: o cliente utiliza o valor pago indevidamente ou a maior na compensação de débitos do próprio DAS. Pontos importantes da Declaração de Compensação: - O crédito poderá ser compensado apenas com débitos do mesmo ente e referentes ao mesmo tributo (IR com IR, CS com CS, Pis com Pis, Cofins com Cofins, etc); - Empresas não mais optantes que possuam débitos e créditos apurados no DAS pode solicitar a compensação; - Tanto o crédito quanto o débito são atualizados; Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN - O saldo devedor após a compensação deve ser recolhido normalmente. 12. EFEITOS CONTÁBEIS E TRIBUTÁRIOS Toda recuperação de créditos deve ser contabilizada. Por isso é muito importante que você tenha todo controle dos créditos, pedidos de restituição ou compensação para apresentar a contabilidade da empresa. É por meio desses pedidos de restituição ou declarações de compensação que será possível contabilizar. Mas em qual momento o crédito deve ser reconhecido? De acordo com a norma contábil, uma receita deve ser reconhecida quando (CPC PME, item 2.27): For mensurada: ou seja, é possível determinar o seu valor (o crédito); For provável que vá gerar benefícios econômicos:ou seja, será restituído ou compensado. Portanto, é no momento da apuração do crédito e previsibilidade de uso que a receita deve ser reconhecida. A atualização pela Selic deve ser contabilizada a partir do momento em que o crédito for reconhecido. A classificação se dá como Outras Receitas. Sugestão de contabilização: Pelo reconhecimento do crédito: D - Pis a recuperar (AC) D - Cofins a recuperar (AC) D - ICMS a recuperar (AC) D - Qualquer outro crédito apurado a recuperar (AC) C - Outras receitas (Resultado) Pela Selic mensal (até a Restituição ou apresentação da Declaração de Compensação): D - Pis a recuperar (AC) D - Cofins a recuperar (AC) C - Receita financeira (Resultado) As empresas tributadas pelo Simples Nacional não devem oferecer outras receitas à tributação. Apenas a receita bruta, deve ser oferecida à tributação. Portanto, o acréscimo no resultado não será tributado, mesmo que impacte no resultado da empresa. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Isso é bom para os negócios, para os investidores e para os sócios. 13. ORGANIZAÇÃO E GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO Você deve manter todos os documentos de trabalho organizados em pastas e subpastas, nomeando seus arquivos de forma que você consiga identificar exatamente onde está a informação. Essa documentação deve ser guardada pelo prazo prescricional (5 anos) contados do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Recomenda-se fazer um backup em nuvem (google drive, icloud, dentre outros). Esse período deve ser cumprido independentemente do uso do crédito (restituição ou compensação). O Dossiê é o conjunto de documentos que você deve entregar ao cliente ao final da sua prestação de serviço. O objetivo é reunir toda a documentação que serviu como base para a determinação do crédito, tais como: - Relatório final de conclusão dos trabalhos: com detalhamento da metodologia de trabalho, créditos apurados, limitações encontradas e outras observações que resguardem o seu trabalho; - Planilha de levantamento: dos créditos apurados, detalhamento de enquadramento monofásico e ICMS ST por item; - Planilhas de controles: retificações PGDAS-D, Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação. 14. LUCRO PRESUMIDO A recuperação de créditos tributários para empresas tributadas pelo Lucro Presumido pode ser oriunda de qualquer erro na apuração dos tributos, todavia detalharemos aquelas mais recorrentes: • Exclusão do ICMS da Base de Cálculo do Pis e da Cofins; • Pis e Cofins monofásicos; • Ressarcimento IPI. 14.1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins A Constituição Federal prevê no art. 195, I, "b" que a base de cálculo é a receita ou o faturamento. O questionamento gira em torno do conceito da base de cálculo e se o ICMS destacado na NF constitui receita ou faturamento da empresa. Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN Regime cumulativo (Lei nº 9.718/1998): "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei..” PORTANTO, um contribuinte discutiu judicialmente a exclusão do ICMS da BC do PIS e da COFINS, tendo em vista que, apesar de estar incluso no preço da mercadoria: 1- O valor é repassado ao governo (quando saldo devedor); 2- Não corresponde receita da empresa, portanto não pode ser considerado receita bruta. CRIOU-SE UMA SUPER DEMANDA Contribuintes do Brasil inteiro começaram a ter decisões favoráveis, gerando uma grande demanda ao judiciário. STF (Supremo Tribunal Federal) A Tese chegou no STF através do RE 574.706, que por sua vez classificou o tema 69 como repercussão geral, ou seja, uma vez julgado pelo STF, todas as instâncias inferiores devem julgar com o mesmo entendimento. A modulação dos efeitos é a data que o STF fixou para o início da produção dos efeitos do acórdão, que no caso é 16.03.2017. A quem se aplica? 1- Empresas tributadas pelo Lucro Presumido ou Real; 2- Contribuintes do ICMS; 3- Saídas tributadas pelo Pis/Cofins (CST 01, 02 ou 05) e pelo ICMS; 4- Empresas com saldo devedor ou credor (regime não cumulativo). Qual ICMS deve ser excluído? Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN De acordo com o Guia Prático da EFD-Contribuições, versão 1.35, seção 12, o ICMS destacado na nota fiscal deve ser excluído da base de cálculo do Pis e da Cofins: Vejamos um exemplo na Nota Fiscal abaixo: O ICMS circulado em vermelho, seria o valor a ser excluído da base de cálculo do Pis e da Cofins, desde que o produto também seja tributado pelo Pis e Cofins. Justamente por isso existem algumas operações controversas, onde não é possível determinar o ICMS a ser excluído, tais como: faturamento antecipado e venda para entrega futura, ICMS para o Fundo de Combate a Pobreza, ICMS partilha Consumidor Final, ICMS ST que compõe o custo da mercadoria (vide Tema 1125 do STJ) e qualquer outro ICMS recolhido antecipadamente por imposição legal. PERÍODOS DE APURAÇÃO O acórdão inicial do RE 574.706 é de 15.03.2017 e a modulação dos efeitos é a data que o STF fixou para o início da produção dos efeitos, que no caso é 16.03.2017. A partir de 18/06/2021 (data em que a RFB publicou orientações no Guia Prático da EFD-Contribuições), pode fazer a exclusão direto na NF. PORTANTO, é possível recuperar de forma ADM desde a competência 03/2017 (respeitado os últimos 5 anos). Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN PASSO A PASSO PARA EFETUAR A EXCLUSÃO DE FORMA ADMINISTRATIVA 1- Levantar os créditos através da EFD-Contribuições e XML das saídas; 2- Retificar a EFD-Contribuições e a DCTF (quando pagamento a maior); 3- Solicitar a restituição ou compensação (quando pagamento a maior). A RFB exige que a retificação da EFD-Contribuições seja realizada, inclusive orienta em qual campo a exclusão do ICMS deve ser realizada, conforme dispõe no Guia Prático da EFD-Contribuições, versão 1.35, seção 12: DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA Para executar essa RCT você precisará dos seguintes documentos dos últimos 5 anos: 1- Procuração eletrônica ou certificado digital; 2- EFD-Contribuições e SPED Fiscal (fazer o download pelo Receitanet Bx); 3- Cópia da DCTF (obtida através do eCAC). - Registros a serem retificados: escrituração das receitas em F525 (Regime de caixa) ou F550 (Regime de competência); M200/M600 (Registros de Apuração); 1300/1700 (Controle de retenções); 1900 Patricia de Souza Timoteo - fiscal@suzantur.com.br - IP: 177.188.182.235 LUANA TREVISAN (Detalhamento das receitas). - Como não há o detalhamento por Item será necessário utilizar o SPED Fiscal (para recuperar o valor do ICMS). - Controle dos créditos em planilha auxiliar. - Controle dos pedidos de restituição/compensação em planilha auxiliar. Toda explicação operacional de como apurar o crédito e retificar o arquivo você encontrará na aula gravada. 14.2 Pis e Cofins monofásicos A incidência monofásica é uma sistemática de tributação e arrecadação do Pis e da Cofins que ocorre de forma concentrada pela indústria ou pelo importador, para alguns produtos específicos. Com isso, os demais contribuintes da cadeia (atacadistas e varejistas) não recolhem o Pis e a Cofins. O fato é que muitos contribuintes acabam recolhendo o Pis e a Cofins indevidamente sobre esses produtos, é nesse momento que surge a recuperação tributária. ONDE ENCONTRAR OS PRODUTOS SUJEITOS A INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DE PIS E COFINS Até existe a lista da RFB (lá no portal do SPED), mas eu indico mapear a legislação que trata dos produtos monofásicos,