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Reflexo Aprendido 
Conceito 
O condici͏onamento pavloviano͏, tamb͏ém chamado de condicionamento clássico, é um dos 
pilares da Psicologia Comportamental. Ele mostra como͏e͏stímulos podem moldar 
o͏c͏omportamento.͏I͏van Pavlov, estudando cães,͏d͏escobri͏u que um estímulo neutro qu͏a͏ndo 
mo͏strado repeti͏das vezes junto a um estímulo condicionado, pode criar uma resposta 
condicionada. 
A importância desse conceito está na sua capacidade͏d͏e ex͏plicar͏o͏s mecani͏smos͏d͏e 
apr͏endizagem, onde͏a͏s associaçõ͏es entre͏e͏s͏tímulo͏s são essenciais para entender o 
comportamento tanto de humanos quanto de animais. 
O condicionamento pavloviano é amplamente utilizado em diversas áreas, como terapia 
comportamental, educação e marketing, sendo uma ferramenta eficaz para modificar 
comportamentos. Compreender o aprendizado associativo é fundamental para a formação de 
hábitos e para as respostas emocionais, levantando questões sobre como o ambiente e as 
experiências sensoriais influenciam nossas interações. 
 
História de Pavlov 
Ivan Petr͏ov͏ich Pavlov na͏sce͏u em 14 de setembro de 1849, em Ry͏azan, na Rússia. No 
começo , ele͏ se dedicou ao es͏tudo da teologia, mas dep͏oi͏s͏ decidiu mudar de rumo e entrou na 
Faculdade de Me͏dicina da Universidade de São Pet͏ersburgo, onde se graduou em 1875. Foi 
duran͏te esse período que Pavlov desenvolveu se͏u interesse pela fi͏siologi͏a. ͏Depois͏d͏e acab͏ar 
seus estudos, ele ͏ começou a trabalh͏ar em laboratório͏s melhoran͏do͏ ͏ suas habili͏dades͏ 
na͏p͏esquisa͏. 
Em 19͏04, Pavlov recebeu o Prêmio Nobel de Fisiolo͏gia e Medicina por seu trabalho na 
digestão. Ele͏ estudou como os ͏sucos gástricos são liberados em reaç͏ão ͏à ingestão de͏a͏l͏imentos. 
Sua trajetória͏f͏oi͏ marc͏ada por͏u͏m comprom͏isso fiel com o método científic͏o. Seu͏ trabalho teve 
um͏ efe͏i͏t͏o forte em mui͏tas áreas, como ps͏icologia, ensino e comportamento. Ele faleceu no 27 ͏
de fevereiro de 1936,͏ mas seu leg͏ado ͏ ain͏da vive. influenciando diferentes disciplinas e 
demonstrando a relevância duradoura de suas descobertas sobre aprendizagem e 
comportamento. 
Experimentos Pavlovianos 
Resultados 
O famoso experimento de Pavlov sobre como aprendemos novos reflexos foi realizado com 
um cão como sujeito. Ele usou a comida, que era a cobaia, e o som de um sino como estímulos. 
No começo, a comida (o estímulo incondicionado) fazia o cão salivar naturalmente (a resposta 
incondicionada). Por outro lado, o sino (o estímulo neutro) não causava nenhuma reação. 
 
Com o tempo, Pavlov começou a tocar o sino sempre que ia oferecer a comida. E algo incrível 
aconteceu: o sino, que antes não tinha efeito, começou a fazer o cão salivar mesmo quando a 
comida não estava presente. Assim, o sino se transformou em um estímulo condicionado e a 
salivação ao ouvir o sino se tornou uma resposta condicionada. O reflexo de salivar, que antes 
era apenas uma reação natural à comida, agora estava aprendido e associado ao som do sino. 
Em resumo, o condicionamento pavloviano é um tipo de aprendizado em que um estímulo 
neutro passa a provocar uma resposta que antes era gerada por outro estímulo. 
Os principais elementos desse processo são: 
• Estímulo Incondicionado (EI): Um estímulo que naturalmente e automaticamente 
desencadeia uma resposta. No experimento de Pavlov, a comida era o EI, pois 
naturalmente causava salivação nos cães. 
• Resposta Incondicionada (RI): A resposta natural e não aprendida ao estímulo 
incondicionado. A salivação em resposta à comida era a RI. 
• Estímulo Neutro (EN): Um estímulo que inicialmente não provoca uma resposta 
específica. O sino era o EN antes do condicionamento. 
• Estímulo Condicionado (EC): O estímulo que, após repetida associação com o EI, 
passa a eliciar uma resposta. O sino se torna o EC após ser associado à comida. 
• Resposta Condicionada (RC): A resposta aprendida ao EC. A salivação em resposta 
ao sino (após o condicionamento) é a RC. 
O experimento clássico de Pavlov ilustra bem esse processo: 
1. Antes do condicionamento: A comida (EI) provoca salivação (RI). O sino (EN) não 
provoca salivação. 
2. Durante o condicionamento: O sino (EN) é apresentado imediatamente antes da 
comida (EI) repetidas vezes. 
3. Após o condicionamento: O sino (EC), apresentado sozinho, passa a provocar 
salivação (RC). 
Além do experimento clássico, o condicionamento pavloviano explica muitos outros 
comportamentos e fenômenos em nosso dia a dia, como: 
• Medos e fobias: Uma experiência negativa (EI) com um objeto ou situação neutra (EN) 
pode levar ao desenvolvimento de medo (RC) desse objeto ou situação (EC). 
• Respostas emocionais a marcas e propagandas: Associações repetidas de um 
produto (EN) com imagens ou músicas agradáveis (EI) podem gerar sentimentos 
positivos (RC) em relação ao produto (EC). 
• Antecipação e ansiedade: Sinais (EC) que precedem eventos importantes (EI) podem 
gerar respostas de ansiedade (RC). 
O experimento do pequeno Albert 
O experimento do Pequeno Albert, conduzido por John B. Watson e Rosalie Rayner em 1920, 
demonstrou o condicionamento pavloviano em humanos. Albert, um bebê, foi condicionado a 
sentir medo de um rato branco ao associar o animal a sons altos e assustadores, evidenciando 
como emoções podem ser aprendidas através de estímulos. 
Watson pegou um bebê (Albert de 10 meses + ou_) e partiu para a experimentação controlada, 
ou seja, buscou na prática suas respostas em ambiente controlado (no qual é possível ter 
domínio sobre as variáveis relevantes para o experimento), respostas sobre as suas dúvidas 
acerca do aprender a ter medo. 
 Um reflexo é condicionado a partir de outro existente, então Watson procurou primeiro no 
repertório comportamental do bebê um reflexo inato, apenas para efeito de teste. 
Watson identificou um reflexo conhecido – som estridente (estímulo) e susto ou medo 
(resposta), então ele posicionou perto da cabeça do bebê uma haste de metal e bateu nela com 
um martelo, produzindo um som alto e estridente. Após ouvir o som das marteladas o bebê 
contraiu os músculos do corpo e da face e começou a chorar. Com o barulho estridente Watson 
criou no bebê uma resposta incondicionada de medo, assim sucessivamente ele foi 
apresentando estímulos para Albert emparelhando o rato e o som estridente, gerando assim o 
sentimento de medo no bebê. 
Nesse experimento com Albert, Watson descobriu que a aprendizagem de um novo reflexo 
envolve respostas emocionais. Agora é possível compreender como algumas pessoas passam a 
ter algumas emoções (ou sensações), como ter medo de rato, barata, pena de cães ou ficar 
sexualmente excitadas com estímulos estranhos. 
Algumas técnicas pavlovianas 
Emparelhamento 
Pavlov investigou e começou a colocar o som de uma sirene junto com a apresentação da 
comida. Pouco tempo depois, bastava tocar a sirene para obter aumento da salivação sem 
apresentação do alimento. Foi então descoberto o emparelhamento de estímulos. 
Todos nós passamos por diferentes emparelhamentos de estímulos em nossa vida, e esse 
diferentes emparelhamentos produzem nosso jeito característico de sentir as emoções hoje. 
Alguém por exemplo, pode passar a sentir medo de dirigir após ter sofrido um acidente em um 
dia chuvoso, pois no dia do acidente houve um emparelhamento de estímulos incondicionados 
para a resposta medo – barulho, dor, impacto súbito – com um estímulo neutro para resposta 
de medo: dirigir na chuva. 
Generalização respondente 
Após o condicionamento, é possível que estímulos que se pareçam com o estímulo 
condicionado também provoquem a mesma resposta. Isso é conhecido como generalização 
respondente. Por exemplo, se um cão aprendeu a salivar ao ouvir um sino, ele também pode 
salivar ao ouvir um som semelhante, como um sino de bicicleta. 
A intensidade da resposta pode variar dependendo da aparência do novo estímulo em relação 
ao original. Essa variação na força da resposta, com base nassemelhanças entre os estímulos, 
é chamada de gradiente de generalização. Em outras palavras, quanto mais próximo o novo 
som para o sino original, mais forte será a resposta do cão. 
 
Extinção respondente 
Uma resposta reflexa condicionada pode desaparecer se o estímulo condicionado for 
apresentado várias vezes sem a presença do estímulo incondicionado. Isso acontece porque, 
com o tempo, o estímulo condicionado perde a capacidade de provocar uma resposta 
condicionada. Esse processo é conhecido como extinção respondente. 
Para que um reflexo condicionado perca sua força, o estímulo condicionado precisa ser 
apresentado sem ser acompanhado por novos estímulos condicionados. Por exemplo, se 
alguém aprendeu a ter medo de aves, essa pessoa pode desaprender esse medo se for exposta a 
aves de forma repetida e segura, sem experiências negativas associadas. 
 
 
Recuperação espontânea 
Após o processo de extinção respondente, em que um estímulo condicionado deixa de provocar 
uma resposta condicionada, pode acontecer algo interessante: esse estímulo pode recuperar sua 
capacidade de elicitar uma resposta novamente. Esse fenômeno é chamado de recuperação 
espontânea. 
Na recuperação espontânea, o medo ou a resposta de que havia sido extinto pode voltar a 
aparecer, mas geralmente com uma intensidade menor do que antes da extinção. Em outras 
palavras, mesmo que uma pessoa tenha desaprendido a resposta, ela pode sentir um resquício 
desse medo quando o estímulo condicionado é apresentado novamente. 
 
Dessensibilização sistemática 
Essa técnica é bastante eficaz para facilitar o processo de extinção de um reflexo, baseando-se 
na generalização respondente. Ela envolve a divisão do processo de extinção em etapas 
menores e mais gerenciáveis. 
A ideia é criar uma escala que classifique os estímulos de acordo com a intensidade da 
ansiedade que eles provocam. Por exemplo, se alguém tem medo de cães, pode-se começar 
com estímulos que geram menos medo, como tocar em um cão de pelúcia. Depois, a pessoa 
pode passar a observar cães de longa data, e, gradualmente, se aproximar e tocar em cães reais. 
Essa abordagem ajuda a suavizar a experiência e a reduzir a ansiedade de forma gradual. 
Contra condicionamento 
Como o próprio nome sugere, o contra condicionamento é uma técnica que visa criar uma 
resposta alternativa oposta que foi originalmente provocada pelo estímulo condicionado. 
Por exemplo, se um determinado estímulo condicionado provoca ansiedade, o contra 
condicionamento associa esse estímulo a algo que traga relaxamento e conforto, como ouvir 
uma música suave ou receber uma massagem. Dessa forma, uma pessoa pode aprender a reagir 
de maneira mais tranquila ao estímulo que antes causava ansiedade. 
 
Condicionamento pavloviano de ordem superior 
Esse processo envolve um estímulo que, inicialmente, é neutro, mas que passa a provocar uma 
resposta condicionada após ser associado a um estímulo condicionado que já provoca essa 
resposta. Em outras palavras, é um emparelhamento entre dois estímulos condicionados (CS-
CS). 
Por exemplo, imagine um casal que, ao ouvir uma música especial, começa a sentir emoções. 
Essa música pode ter sido associada a momentos românticos, como beijos e carícias do 
primeiro encontro. Com o tempo, a música se torna um estímulo condicionado que evoca as 
mesmas respostas emocionais que os beijos e carícias, trazendo de volta as lembranças e 
sentimentos positivos daquele momento. 
Referências Bibliográficas 
Bock Bahia, Mercês Ana; Furtado, Odair; Teixeira Trasse, Lourdes de Maria; 
PSICOLOGIAS, uma Introdução ao Estudo de Psicologia. V2, 2009, PP. 132 -149. 
 
Moutinho, Ricardo; A Experiência do Pequeno Albert, Disponível em: 
 
Schultz P. Duanne, Schultz Ellen Sydney.;. História da Psicologia Moderna. 
V11, 2020, PP. 204-249. 
 
Moreira, M. B. ; Medeiros, C. A. . Princípios básicos de análise do comportamento. 2. ed. 
Porto Alegre; Artmed, 2019. 
 
	Reflexo Aprendido
	Conceito
	História de Pavlov
	Experimentos Pavlovianos
	Resultados
	O experimento do pequeno Albert
	Algumas técnicas pavlovianas
	Emparelhamento
	Generalização respondente
	Extinção respondente
	Recuperação espontânea
	Dessensibilização sistemática
	Contra condicionamento
	Condicionamento pavloviano de ordem superior
	Referências Bibliográficas

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