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Processos culturais: 
difusão cultural, aculturação
e endoculturação.
DISCIPLINA: DIVERSIDADE HUMANA
PROFª: SOULIANE OLIVEIRA
O que são os processos culturais?
Não se pode definir rapidamente o que é o índio, pois
essa definição só irá corresponder a uma perspectiva
temporal, parcial e determinada. Atualmente, muitos
povos indígenas não vivem mais isolados, e, mesmo
morando longe dos grandes centros urbanos, alguns
têm, em suas aldeias, televisão, celular, computador,
etc. Por isso, é preciso considerar que as culturas são
dinâmicas e os processos culturais pelos quais cada
uma vivencia e constrói sua história na humanidade.
Processos culturais, conforme Marconi e Presotto (2010), são
mudanças pelas quais as culturas passam, assimilando ou
abandonando certos aspectos, traços ou padrões culturais que
identificam esta ou aquela cultura. Ou seja, os acúmulos de
modificações ocorridas nas culturas são percebidos como
processos que especificam as suas próprias culturas.
❖Esses processos culturais podem ocorrer por meio de fatores internos (de forma endógena) ou 
fatores externos (de forma exógena) das próprias culturas.
❖Para Marconi e Presotto (2010), a configuração processual é modificada quando: aperfeiçoam-se
elementos através de invenções e descobertas, copiam-se elementos culturais de outras sociedades,
abandonam-se aspectos culturais considerados inadequados ao novo contexto e esquece-se de traços
culturais aprendidos por meio de transmissão de gerações.
❖Nesse sentido, o contato cultural entre uma pessoa e outra, ou mesmo entre uma sociedade e outra,
permite trocas culturais que, consciente ou inconscientemente, impactam o modo de vida dos entes
envolvidos.
Os processos culturais de nossa 
sociedade
Diante da multiplicidade dos processos
culturais existentes, e que podem
acontecer de modo concomitante ou não,
destaca-se aqueles processos mais
abrangentes e que impactam na
sociedade. Eles são resultantes das
interferências que as sociedades causam
umas nas outras e, por isso, tornam-se
objeto de estudo dos cientistas sociais.
❑ Difusão cultural
❖Difundir remete a ideia de propagar-se. Logo, podemos dizer que difusão cultural é “um
fenômeno que explica como um padrão cultural ou uma invenção são transmitidos de uma
sociedade a outra, mesmo não havendo o contato direto entre elas” (COSTA, 2010, p. 227).
❖Esse conceito busca compreender como um elemento cultural se difunde através das culturas
ainda que não haja proximidade constante e direta entre elas. Ou seja, ao longo dos tempos,
algumas sociedades podem se aproximar e se afastar de outros povos, carregando os elementos
culturais trocados adiante, ainda que depois se afastem em definitivo.
Exemplo: Uso do fogo, o ato de cozer os alimentos, a utilização de ferramentas semelhantes, o culto às entidades entre outras atividades e
manipulação de objetos que são recorrentes em diversas culturas.
❑ Aculturação
❖O intercâmbio dos elementos culturais intenso entre sociedades próximas e íntimas podem resultar em
uma nova cultura. Logo, consideramos que a aculturação “é fusão de duas culturas diferentes que,
entrando em contato contínuo, originam mudanças nos padrões de cultura de ambos os grupos”
(MARCONI, PRESOTTO, 2010, p. 45).
❖Nesse sentido, a interferência de hábitos e elementos culturais pode transformar a cultura receptora,
uma vez que se sugere a modificação de certos padrões culturais, como língua, valores e
comportamentos, a partir desse contato.
❖Essa troca pode ser recíproca, mas não necessariamente. Ela também pode variar de acordo com a
intensidade, pois pode absorver somente parte dos traços culturais ou absorvê-los totalmente, como
vamos ver adiante nas especificidades dos processos de aculturação.
❑ Endoculturação
❖Quando você nasce, a cultura já está disponível para vivenciá-la. E é nesse sentido que você vai
aprendendo, absorvendo e, por conseguinte, disseminando cultura. Para analisar esse processo, vamos
nos valer do conceito de endoculturação. Segundo Marconi e Presotto (2010, p. 47):
O processo de “aprendizagem e educação em uma cultura desde a infância” é chamado
endoculturação tanto por Feliz Keesing quanto por Hoebel e Frost. Herskovits emprega
o termo endoculturação para conceituar a mesma coisa, significando, além disso, o
processo que estrutura o condicionamento da conduta, dando estabilidade à cultura.
❖Ou seja, trata-se do processo educativo no qual os indivíduos aprendem, formal ou informalmente, a se
portar no mundo em que vivem. Esse processo acontece continuamente de modo consciente ou
inconsciente, enquanto os indivíduos imitam o que veem, percebem ou sentem na cultura em que estão.
Globalização cultural no mundo
contemporâneo
Duas correntes de pensamento defendem posições
diferentes sobre esse processo de globalização
cultural. Há quem entenda que se caminhe para uma
homogeinização cultural, uma vez que a maior
proximidade e convivência entre elementos culturais
de sociedades distintas permite a produção de um
mundo mais semelhante culturalmente; e há quem
defenda que se caminhe para uma heterogeinização
cultural, já que o maior contato entre as culturas pode
criar novos nichos culturais ampliando a diversidade
existente.
Desse modo, elementos
culturais frutos da identidade
cultural de um determinado
território podem ser
transmitidos a outras sociedades
que estão em base territorial
diferente, e vice-versa. Muitas
vezes, esse processo não se dá
de modo pacífico, pois o que é
veiculado, em meio a
globalização, pode competir
com o aspecto cultural local, e é
nessa disputa que determina o
que é característico de cada
sociedade.
Universalismo, relativismo
e multiculturalismo
DISCIPLINA: DIVERSIDADE HUMANA
PROFª: SOULIANE OLIVEIRA
A relação entre as culturas
❖Somos etnocêntricos, ou seja, entendemos que o nosso modo de vida é o certo, correto,
adequado, já que, para nós, é a nossa cultura e o que faz sentido nela é o que está no centro do
nosso entendimento. Assim, a referência do que é certo e errado é dada pela cultura na qual
nascemos.
❖Então, podemos dizer que nascemos etnocêntricos e, com o passar do tempo, podemos aprender
a relativizar o que temos como referência. Nesse sentido, o comportamento etnocêntrico pode até
ser depreciativo em relação aos padrões culturais diferentes dos seus, julgando-os como imorais,
aberrações ou equívocos.
Universalismo, relativismo e 
multiculturalismo
Temos algumas correntes de pensamento que elucidam possibilidades de
encontrar acordos universais, e outras que entendem que esses acordos devem
considerar as diferenças culturais. Vamos tentar entender o que propaga cada uma
delas e como podemos nos apropriar de suas discussões, para pensarmos a
relação entre as culturas.
➢ Universalismo
Em um cenário pós-segunda guerra, depois das crueldades
cometidas pelo nazismo, o Movimento do Direito Internacional
dos Direitos Humanos se organizou para instituir alguns
parâmetros éticos da ordem internacional. Coube, assim,
evidenciar alguns direitos considerados universais que
perpassassem a condição geral da pessoa humana, independente
de especificidades culturais. Desse modo, a Declaração
Universal dos Direitos do Homem, de 1948, foi o documento
adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que
reconheceu a dignidade humana de todos os seres humanos, sem
levar em consideração as diferenças entre as culturas.
❖A partir deste contexto histórico, o universalismo ganhou adeptos, principalmente, através de um discurso de
proteção do homem, como diz Silva e Pereira (2013, p. 500):
Com a universalização, portanto, buscou-se proteger o indivíduo simplesmente por ser um ser
humano, independe de seu país, de sua cultura. Apenas a condição de ser humano é que interessa
ao universalismo cultural, já que tais direitos decorrem inescusavelmente da própria dignidade
humana, entendida como valor indissociável da condição de ser humano.
É delicado o tema de adoção deprincípios universalistas para que não seja tomada de forma radical, impondo que
alguns países possam decidir pelos outros o que é considerado universal ou não. Ainda mais em um contexto de
imperialismo, de globalização e de disputa por hegemonia econômica o argumento universalista pode ser utilizado
como um pretexto para interferência nas práticas culturais diversas visando a dominação e até a aculturação dos
povos.
➢ Relativismo
O relativismo cultural aposta na manutenção das
diferenças culturais, preservando as identidades e a
diversidade das inúmeras sociedades existentes. Neste
pensamento, cabe considerar como parâmetro o
respeito à autonomia de cada nação ou povo para
definir sua forma de vida, conforme seus valores e
crenças. E assim, opõe-se a criação de um parâmetro
do universalismo, porque entendem que, se defini-lo
como tal, pode buscar se sobrepor aos princípios e
fundamentos de sociedades que não consideram esse
parâmetro como legítimo.
A intepretação de Silva e Pereira (2013, p. 506) sobre os relativistas é que, para
eles:
[...] assim como há diversas culturais, há diversos sistemas morais,
pelo que restaria impossível o estabelecimento de princípios morais
de validade universal que comprometam todas as pessoas de uma
mesma forma (PIOVESAN, 2006, p. 45). Ou seja, os que aderem a
esta posição, a cultura é a única fonte válida do direito e da moral,
capaz de produzir seu próprio e particular entendimento sobre os
direitos fundamentais.
Logo, não haveria como propor um princípio universal entre os povos e
sociedades existentes. A cultura torna-se preponderante para acessar, conhecer e
até questionar práticas culturais consideradas absurdas.
➢ Multiculturalismo
Para sair dessas correntes de
pensamentos dicotômicos, uma
nova proposta se apresenta: o
multiculturalismo. Esse conceito
entende que deve haver
harmonia na convivência da
pluralidade cultural.
Boaventura de Sousa Santos (1997, p.19) propõe uma definição mais aprofundada:
O multiculturalismo, tal como eu entendo, é pré-condição de uma relação equilibrada
e mutuamente potenciadora entre a competência global e a legitimidade local, que
constituem os dois atributos de uma política contra-hegemônica de direitos humanos
no nosso tempo.
Deste modo, deve-se levar em consideração os princípios de igualdade e o reconhecimento das
diferenças, para pensar em uma concepção de direitos humanos aglutinadora, híbrida e agregadora.
Assim, não se deseja opor universalismo e relativismo, mas compor um diálogo entre essas teorias para
defesa dos direitos humanos, sem descaracterizar as particularidades das diversas culturas.
Referências
Barroso, Priscila Farfan. Antropologia e cultura / Priscila Farfan Barroso, Wilian Junior Bonete, 
Ronaldo Queiroz de Morais Queiroz ; [revisão técnica: Guilherme Marin]. – Porto Alegre: SAGAH, 
2017. 218 p. : il ; 22,5
	Slide 1: Processos culturais: difusão cultural, aculturação e endoculturação.
	Slide 2: O que são os processos culturais?
	Slide 3
	Slide 4
	Slide 5: Os processos culturais de nossa sociedade
	Slide 6: Difusão cultural
	Slide 7: Aculturação
	Slide 8: Endoculturação
	Slide 9: Globalização cultural no mundo contemporâneo
	Slide 10
	Slide 11: Universalismo, relativismo e multiculturalismo
	Slide 12: A relação entre as culturas
	Slide 13
	Slide 14: Universalismo, relativismo e multiculturalismo
	Slide 15: Universalismo
	Slide 16
	Slide 17: Relativismo
	Slide 18
	Slide 19: Multiculturalismo
	Slide 20
	Slide 21: Referências

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