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1 Nome dos acadêmicos 2 Nome do Professor regente Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI – Curso de Construção de Edifícios (Turma FLD6783424ENG) – Prática do Módulo I - 29/06/2026 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES DO CONCRETO A PARTIR DO ESTUDO DE DOSAGEM PELO MÉTODO ABCP PARA FCK DE 25 MPA André dos Santos Vilela Filho ¹ Rodrigo Leopoldo Mendes Coelho ² RESUMO O presente estudo aborda as propriedades do concreto a partir da realização de um estudo de dosagem pelo método da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para resistência característica à compressão de 25 MPa. A pesquisa teve como objetivo analisar as propriedades do concreto por meio da determinação do traço, considerando parâmetros relacionados à resistência, trabalhabilidade e consumo dos materiais constituintes. Metodologicamente, o trabalho caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de natureza bibliográfica e abordagem quantitativa, desenvolvida com base em livros, normas técnicas e artigos científicos consultados nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Google Acadêmico. A etapa prática envolveu a elaboração de uma planilha eletrônica para a determinação do traço de concreto com fck de 25 MPa pelo método ABCP, considerando parâmetros como relação água/cimento, consumo de cimento, agregados e resistência média de dosagem. Os resultados indicaram a obtenção de um traço compatível com os requisitos estabelecidos para o estudo, evidenciando a importância do correto proporcionamento dos materiais para o desempenho do concreto nos estados fresco e endurecido. Conclui-se que o método ABCP constitui uma ferramenta eficiente para a definição de traços, contribuindo para maior controle tecnológico e previsibilidade do comportamento do material. Palavras-chave: Concreto. Dosagem de concreto. Método ABCP. 1. INTRODUÇÃO A construção civil utiliza amplamente o concreto em edificações, obras de infraestrutura e diversos sistemas estruturais, fato associado à sua resistência, versatilidade e viabilidade econômica. A qualidade obtida após o endurecimento depende diretamente das características dos materiais empregados e dos procedimentos adotados em sua produção. Bauer (2019) destaca que a seleção adequada dos componentes e o controle das condições de preparo influenciam significativamente o comportamento do produto final, refletindo em aspectos relacionados à segurança e ao desempenho das estruturas. Em função da importância atribuída ao desempenho desse material, propriedades observadas nos estados fresco e endurecido merecem atenção especial na etapa de dosagem. Trabalhabilidade, resistência mecânica e durabilidade apresentam relação direta com as propor- ções utilizadas na mistura, especialmente no que se refere ao consumo de água, cimento e agregados. Neville (2016) explica que a relação água/cimento constitui um dos principais parâmetros responsáveis pelas características apresentadas pelo concreto. Ademais, Tutikian e Helene (2011) assinalam que os métodos de dosagem auxiliam na obtenção de misturas compatíveis com os requisitos estabelecidos para cada aplicação. Considerando a influência exercida pelos materiais constituintes, a definição inadequada das proporções empregadas pode comprometer propriedades físicas e mecânicas importantes. Mehta e Monteiro (2014) observam que pequenas alterações na composição da mistura são capazes de modificar significativamente o desempenho obtido após a cura. Santos e Polesello (2022) acrescentam que o controle dos parâmetros de produção favorece resultados mais consistentes e compatíveis com as exigências previstas para utilização estrutural. Diante disso, formula-se a seguinte questão de pesquisa: como a aplicação do método ABCP pode contribuir para a determinação de um traço de concreto com fck de 25 MPa, garantindo propriedades adequadas nos estados fresco e endurecido? Este estudo tem como objetivo analisar as propriedades do concreto a partir do estudo de dosagem pelo método ABCP para fck de 25 MPa. Para alcançar essa finalidade, buscou-se determinar a resistência média de dosagem necessária ao atendimento da resistência especificada, calcular o consumo dos materiais constituintes da mistura, incluindo água, cimento e agregados, bem como elaborar uma planilha destinada à obtenção do traço e à avaliação das características apresentadas pelo concreto nos estados fresco e endurecido. Para facilitar a compreensão do estudo, este artigo está organizado em seções que apresentam inicialmente a fundamentação teórica relacionada às propriedades do concreto e aos procedimentos de dosagem. Na sequência, são descritos os aspectos metodológicos adotados para a elaboração dos cálculos e da planilha de dosagem. Logo após, apresentam-se os resultados obtidos e as respectivas discussões, seguidos pelas considerações finais e pelas referências utilizadas na construção do trabalho. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O concreto é amplamente utilizado na construção civil em virtude de sua capacidade de atender diferentes exigências estruturais e construtivas. Sua aplicação está presente em edificações, pontes, pavimentos e obras de infraestrutura, demonstrando a importância desse material para o desenvolvimento do setor. Bauer (2019) explica que o desempenho apresentado pelo concreto depende da qualidade dos materiais empregados e do controle adotado ao longo de sua produção, fatores que influenciam diretamente suas propriedades e sua durabilidade. Dentre os componentes responsáveis pelas características da mistura, destacam-se cimento, água, agregado miúdo e agregado graúdo. Cada constituinte possui funções específicas e exerce influência sobre o comportamento do concreto nos estados fresco e endurecido. Mehta e Monteiro (2014) observam que a interação existente entre esses materiais determina propriedades relacionadas à resistência, à trabalhabilidade e à durabilidade, tornando indispensável a definição adequada das proporções utilizadas na composição do traço. No estado fresco, propriedades como consistência e trabalhabilidade assumem papel relevante para as operações de mistura, transporte, lançamento e adensamento. Quantidades inadequadas de água podem comprometer a execução dos elementos estruturais e alterar significativamente o desempenho da mistura. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2022) estabelece critérios para preparo e controle tecnológico do concreto, enquanto Neville (2016) esclarece que a relação água/cimento constitui um dos parâmetros mais importantes para o comportamento apresentado nessa etapa. Após o endurecimento, passam a predominar características associadas à resistência mecânica, à durabilidade e à capacidade de suportar esforços ao longo da vida útil da estrutura. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2023) estabelece requisitos para o projeto de estruturas de concreto, reforçando a necessidade de que os materiais empregados apresentem desempenho compatível com as condições previstas de utilização. Resultados satisfatórios dependem do correto proporcionamento dos materiais constituintes e da adequada execução dos procedimentos de produção. Santos e Polesello (2022) verificaram que alterações relacionadas à fabricação e à cura podem provocar diferenças significativas no desempenho final do concreto, evidenciando a necessidade de controle rigoroso em todas as etapas do processo. Recena (2015) argumenta que a dosagem consiste em uma das etapas mais importantes para a obtenção de concretos compatíveis com as exigências previstas em projeto. Por meio desse procedimento, são definidas as proporções adequadas dos materiais constituintes, considerando parâmetros relacionados à resistência requerida, à trabalhabilidade desejada e às características dosagregados. Em complemento, Tutikian e Helene (2011) afirmam que métodos de dosagem contribuem para a obtenção de misturas mais eficientes e compatíveis com as necessidades de utilização. A composição do concreto resulta da combinação de materiais que atuam de forma conjunta para atender aos requisitos de resistência, trabalhabilidade e durabilidade estabelecidos para cada aplicação. Mehta e Monteiro (2014) explicam que o comportamento da mistura está diretamente relacionado à proporção adotada para cimento, água e agregados, enquanto Bauer (2019) destaca que a participação relativa desses componentes influencia as propriedades observadas nos estados fresco e endurecido. Com o intuito de ilustrar a distribuição dos materiais empregados na dosagem desenvolvida neste estudo, o Gráfico 1 apresenta os consumos dos constituintes utilizados no traço calculado pelo método ABCP para fck de 25 MPa. Gráfico 1 – Consumo dos materiais constituintes do concreto dosado pelo método ABCP para fck de 25 MPa 0 200 400 600 800 1000 cimento Água Agregado miúdo (areia) Agregado graúdo (brita) Fonte: Elaborado pelo autor (2026). A distribuição apresentada no Gráfico 1 evidencia a predominância dos agregados na composição do concreto, característica compatível com os princípios de dosagem descritos por Mehta e Monteiro (2014). Os autores esclarecem que os agregados representam a maior parcela volumétrica da mistura, contribuindo para a estabilidade dimensional e para a redução do consumo de pasta cimentícia. Recena (2015) acrescenta que o adequado balanceamento desses materiais favorece a obtenção de concretos com desempenho satisfatório e utilização mais eficiente dos recursos empregados na produção. Baseado nesses fundamentos, o método ABCP apresenta-se como uma alternativa amplamente utilizada para a determinação de traços de concreto, pois considera propriedades dos materiais e requisitos de desempenho previamente estabelecidos. A aplicação dessa metodologia possibilita definir relações adequadas entre os constituintes da mistura, contribuindo para a obtenção de resultados consistentes. Ao abordarem a importância da trabalhabilidade para o concreto fresco, Tutikian e Helene (2011) apresentam a seguinte consideração: Todos os concretos requerem uma certa trabalhabilidade, adequada a cada situação específica. Os condicionantes vêm definidos pelos projetos arquitetônicos e estruturais (fôrmas, taxas de armadura, detalhes geométricos), pelos equipamentos a serem utilizados (bomba, carrinhos, giricas, caçambas, projeção, submerso, autoadensável), pelas necessidades de acabamento (sarrafeado, polido, lixado, aparente, desempenado) e pelas condições ambientais (temperatura, insolação, ventos, umidade relativa) (Tutikian; Helene, 2011, p. 2). Essa observação demonstra que a definição do traço não deve considerar apenas a resistência requerida, mas igualmente as condições de aplicação e execução do concreto. Fatores relacionados ao abatimento, à consistência e à relação água/cimento influenciam diretamente a facilidade de utilização da mistura em campo. Neville (2016) esclarece que o equilíbrio desses parâmetros favorece a obtenção de concretos capazes de apresentar desempenho satisfatório nos estados fresco e endurecido. Considerando a relevância da resistência à compressão para o desempenho estrutural, a definição adequada do traço constitui uma etapa indispensável para o atendimento das exigências de projeto. Conforme registrado por Tutikian e Helene (2011), "A resistência mecânica do concreto é o parâmetro mais frequentemente especificado" (Tutikian; Helene, 2011, p. 2). Esse entendimento reforça a importância dos cálculos realizados neste estudo, os quais resultaram em resistência média de dosagem de 34,08 MPa para atendimento ao fck de 25 MPa, valor compatível com os objetivos estabelecidos para a elaboração do traço pelo método ABCP. 3. METODOLOGIA A presente pesquisa caracteriza-se como aplicada, pois buscou empregar conhecimentos teóricos no desenvolvimento de um estudo de dosagem de concreto pelo método da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, elaborada a partir da consulta a livros, normas técnicas e artigos científicos relacionados às propriedades do concreto e aos métodos de dosagem. Gil (2022) afirma que a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em materiais já elaborados, possibilitando a construção do conhecimento por meio da análise crítica de fontes científicas. A abordagem adotada foi quantitativa, considerando que os resultados foram obtidos por meio de cálculos e parâmetros numéricos utilizados na definição do traço. Para a realização do levantamento bibliográfico, foram consultadas as bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Google Acadêmico. Na busca das publicações, utilizaram-se as palavras-chave “concreto”, “dosagem de concreto”, “método ABCP”, “propriedades do concreto”, “resistência à compressão” e “tecnologia do concreto”. Como critério temporal, foram priorizados estudos publicados entre 2014 e 2025, mantendo-se a utilização de obras clássicas reconhecidas na área em razão de sua relevância científica e técnica. Visando à obtenção dos resultados propostos, o procedimento aplicado compreendeu o desenvolvimento de uma planilha eletrônica voltada à determinação do traço de concreto com fck de 25 MPa, tendo como base o cimento CP II-32 e os parâmetros estabelecidos pelo método ABCP. Foram considerados o desvio-padrão de dosagem de 5,5 MPa, o abatimento de 80 mm, a dimensão máxima característica do agregado graúdo de 19 mm, as massas específicas dos materiais e a correção da umidade do agregado miúdo. Fundamentado nos procedimentos descritos por Recena (2015) e por Tutikian e Helene (2011), o estudo permitiu determinar a resistência média de dosagem, a relação água/cimento, os consumos de água, cimento e agregados, bem como o traço final da mistura, sendo os resultados apresentados por meio de cálculos, tabelas e representação gráfica. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES A aplicação do ABCP possibilitou a obtenção de um traço compatível com a resistência característica à compressão de 25 MPa definida para o estudo. Os resultados calculados encontram-se apresentados na Tabela 1, reunindo informações relacionadas à resistência média de dosagem, à relação água/cimento e aos consumos dos materiais constituintes. Recena (2015) argumenta que procedimentos de dosagem bem estruturados contribuem para maior previsibilidade do comportamento do concreto, enquanto Tutikian e Helene (2011) defendem que a correta proporção dos materiais favorece o atendimento dos requisitos estabelecidos em projeto. Tabela 1 – Resultados da dosagem do concreto pelo método ABCP para fck de 25 MPa PLANILHA DE DOSAGEM DO CONCRETO - MÉTODO ABCP (FCK 25 MPa) DADOS DE ENTRADA Parâmetro Símbolo Valor Unidade Resistência característica à compressão fck 25,00 MPa Desvio-padrão de dosagem sd 5,50 MPa Tipo de cimento - CP II-32 - Abatimento slump 80,00 mm Dimensão máxima do agregado graúdo Dmáx 19,00 mm Idade de controle j 28,00 dias Massa específica do cimento γc 3,10 kg/dm³ Massa específica da areia γa 2,65 kg/dm³ Massa específica da brita γb 2,70 kg/dm³ Peso unitário compactado da brita PUb 1500,00 kg/m³ Módulo de finura da areia MF 2,60 - Teor de ar aprisionado Ar 0,02 m³/m³ Umidade da areia h 3,00 % Coeficiente de inchamento da areia I 1,25 - Volume compactado adotado da brita Vcomp 0,62 m³/m³ Relação água/cimento adotada a/c 0,50 kg/kg Consumo de água aproximado Água 195,00 L/m³ MEMORIAL DE CÁLCULO Etapa Cálculo / Fórmula Resultado Unidade 1. Resistência média de dosagem fcmj = fck + 1,65x sd 34,08 MPa 2. Relação água/cimento a/c adotada para o estudo 0,50 kg/kg 3. Consumo aproximado de água Conforme slump de 80 mm e Dmáx de 19 mm 195,00 L/m³ 4. Consumo de cimento C = água / (a/c) 390,00 kg/m³ 5. Volume absoluto do cimento Vc = C / (γc x 1000) 0,13 m³ 6. Volume absoluto da água Va = água / 1000 0,20 m³ 7. Consumo de agregado graúdo Brita = Vcomp x PUb 930,00 kg/m³ 8. Volume absoluto da brita Vb = brita / (γb x 1000) 0,34 m³ 9. Volume do agregado miúdo Vareia = 1 - (Vc + Va + Vb + Ar) 0,31 m³ 10. Consumo de agregado miúdo Areia seca = Vareia x γa x 1000 834,09 kg/m³ 11. Correção da umidade da areia Areia úmida = areia seca x (1 + h/100) 859,11 kg/m³ 12. Água presente na areia Água na areia = areia seca x h/100 25,02 L/m³ 13. Água corrigida de amassamento Água corrigida = água total - água na areia 169,98 L/m³ 14. Correção pelo inchamento Volume aparente = (areia úmida/(γa x 1000)) x I 0,41 m³ 15. Traço unitário - areia Areia / cimento 2,14 - 16. Traço unitário - brita Brita / cimento 2,38 - 17. Traço unitário - água Água / cimento 0,50 - 18. Traço unitário final cimento : areia : brita : água 1 : 2,14 : 2,38 : 0,50 - RESULTADOS FINAIS DA DOSAGEM Parâmetro Resultado Unidade fck adotado 25,00 MPa fcmj calculado 34,08 MPa Relação água/cimento 0,50 kg/kg Consumo de água 195,00 L/m³ Consumo de cimento 390,00 kg/m³ Agregado miúdo seco 834,09 kg/m³ Agregado miúdo úmido corrigido 859,11 kg/m³ Agregado graúdo 930,00 kg/m³ Água corrigida de amassamento 169,98 L/m³ Volume aparente da areia corrigido 0,41 m³ Traço unitário final 1 : 2,14 : 2,38 : 0,50 - PROPRIEDADES DO CONCRETO Propriedade Resultado Concreto fresco Abatimento de 80 mm Concreto endurecido fck = 25 MPa; fcmj = 34,08 MPa Fonte: Elaborado pelo autor (2026). Os resultados apresentados na Tabela 1 apontam que a resistência média de dosagem calculada atingiu 34,08 MPa, valor superior ao fck especificado. Esse resultado revela coerência com os princípios do controle tecnológico, uma vez que a resistência média precisa superar a resistência característica para compensar variações inerentes ao processo produtivo. Neville (2016) esclarece que essa diferença representa uma medida de segurança necessária à confiabilidade do material, ao passo que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2022) estabelece critérios destinados à verificação da conformidade do concreto produzido. Verificou-se relação água/cimento correspondente a 0,50, valor compatível com os parâmetros normalmente adotados para concretos estruturais convencionais. Mehta e Monteiro (2014) explicam que esse índice influencia diretamente propriedades relacionadas à resistência e à durabilidade, enquanto Neville (2016) assinala que proporções equilibradas favorecem condições adequadas de lançamento e adensamento. A combinação observada no estudo indica compatibilidade entre desempenho mecânico e viabilidade executiva. O consumo de cimento correspondente a 390 kg/m³ demonstra adequação à resistência pretendida para a mistura desenvolvida. Recena (2015) sustenta que a definição dessa quantidade deve resultar de critérios técnicos associados ao desempenho esperado do concreto. Em complemento, Mehta e Monteiro (2014) argumentam que elevações excessivas no teor cimentício podem gerar custos adicionais sem proporcionar ganhos equivalentes de resistência, condição que reforça a importância de um proporcionamento racional. Observou-se predominância dos agregados na composição da mistura, com destaque para os consumos de agregado miúdo e agregado graúdo. Bauer (2019) explica que esses materiais representam a maior parcela volumétrica do concreto, contribuindo para a estabilidade física da massa endurecida. Em sentido semelhante, Mehta e Monteiro (2014) observam que a adequada distribuição granulométrica favorece a redução de vazios e contribui para o melhor aproveitamento da pasta cimentícia. Por sua vez, a aplicação do método ABCP demonstrou eficiência na definição dos parâmetros necessários à elaboração do traço. Os cálculos realizados permitiram integrar resistência desejada, abatimento especificado e características dos materiais empregados em uma única sequência de procedimentos. Tutikian e Helene (2011) consideram que metodologias de dosagem auxiliam na obtenção de concretos mais uniformes, enquanto Recena (2015) destaca a relevância da sistematização dos cálculos para reduzir incertezas relacionadas à produção. Quando confrontados com os referenciais consultados, os resultados obtidos apresentam convergência com valores normalmente associados a concretos destinados a aplicações estruturais correntes. Neville (2016) relaciona o desempenho do material ao equilíbrio existente entre relação água/cimento, teor cimentício e proporção dos agregados. De forma semelhante, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2022) enfatiza a necessidade de controle rigoroso dos materiais e dos procedimentos empregados na produção do concreto. A elaboração da planilha permitiu compreender de forma objetiva a influência exercida por cada variável nos resultados finais da dosagem. Alterações em parâmetros como resistência requerida, abatimento ou características dos agregados repercutem diretamente nos consumos calculados e na composição do traço. Recena (2015) argumenta que o entendimento dessas relações favorece decisões mais consistentes no processo de produção, enquanto Tutikian e Helene (2011) associam o domínio da dosagem à melhoria do controle tecnológico. Como contribuição para a formação acadêmica, o estudo proporcionou a articulação dos conhecimentos relacionados à tecnologia do concreto com procedimentos quantitativos aplicados à engenharia civil. Bauer (2019) ressalta que a compreensão das propriedades dos materiais constitui requisito indispensável para a especificação adequada das misturas cimentícias. Em complemento, Mehta e Monteiro (2014) indicam que o entendimento das interações existentes entre os constituintes favorece interpretações mais consistentes dos resultados obtidos. A experiência proporcionada pelo estudo ampliou a compreensão acerca dos critérios envolvidos na definição de traços de concreto e evidenciou a importância da utilização de métodos consolidados para a obtenção de misturas compatíveis com as exigências de projeto. Tutikian e Helene (2011) defendem que procedimentos de dosagem contribuem para maior previsibilidade do comportamento do concreto, enquanto Neville (2016) associa o controle das variáveis de produção à obtenção de materiais com desempenho satisfatório. Assim, o trabalho permitiu aproximar fundamentos teóricos de uma aplicação prática amplamente empregada na engenharia civil. 5. CONCLUSÃO O desenvolvimento deste trabalho possibilitou a realização de um estudo de dosagem de concreto pelo método da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), permitindo a aplicação prática dos conhecimentos relacionados às propriedades do concreto e ao controle dos materiais constituintes. A elaboração da planilha de cálculo favoreceu a determinação dos parâmetros necessários à definição do traço para fck de 25 MPa, resultando em valores compatíveis com os requisitos estabelecidos para a pesquisa. Dessa forma, o objetivo proposto foi alcançado, uma vez que foi possível determinar a resistência média de dosagem, a relação água/cimento e os consumos dos materiais empregados na mistura. Os resultados obtidos evidenciaram a importância da correta definição das proporções dos constituintes para o desempenho do concreto. A resistência média calculada, a relação água/cimento adotada e a distribuição dos agregados demonstraram coerência com os critérios técnicos utilizados na dosagem. A análise realizada permitiu compreender como pequenas alterações nos parâmetros de entrada podem influenciar significativamente os resultadosfinais, reforçando a necessidade de planejamento e controle em todas as etapas do processo. A experiência proporcionada pelo estudo contribuiu para ampliar a compreensão dos procedimentos empregados na tecnologia do concreto e para fortalecer a relação entre os conteúdos teóricos e sua aplicação prática. A utilização da planilha eletrônica favoreceu a visualização dos cálculos envolvidos na dosagem e possibilitou maior entendimento acerca das variáveis que interferem nas propriedades do material. Assim, o trabalho representou uma oportunidade de aprofundamento técnico e de consolidação dos conhecimentos relacionados à dosagem de concretos pelo método ABCP. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655: concreto de cimento Portland – preparo, controle, recebimento e aceitação. Rio de Janeiro: ABNT, 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: projeto de estruturas de concreto – procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2023. BAUER, L. A. Falcão. Materiais de construção. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. Barueri: Atlas, 2022. MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: microestrutura, propriedades e materiais. São Paulo: IBRACON, 2014. NEVILLE, Adam M. Propriedades do concreto. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016. RECENA, F. A. P. Dosagem e controle da qualidade de concretos convencionais de cimento Portland . Porto Alegre: EDIPUCRS, 2015. SANTOS, Rafael Venson dos; POLESELLO, Eduardo. Estudo das propriedades do concreto quando submetido a diferentes tipos de cura. Conjecturas, v. 22, n. 15, p. 487-498, 2022. TUTIKIAN, Bernardo F.; HELENE, Paulo. Dosagem dos concretos de cimento Portland. In: ISAIA, Geraldo Cechella (org.). Concreto: ciência e tecnologia. São Paulo: IBRACON, 201 APÊNDICE A Planilha de dosagem do concreto pelo método ABCP para fck de 25 Mpa