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VISITA DOMICILIAR 1. O que é a visita domiciliar? A visita domiciliar (VD) é uma estratégia de cuidado realizada no domicílio do usuário, permitindo que a equipe de saúde conheça não apenas a condição clínica, mas também o contexto familiar, social, ambiental e funcional em que aquela pessoa vive. Na fisioterapia, isso é muito importante porque conseguimos observar o paciente no ambiente real em que realiza suas atividades, identificando dificuldades de mobilidade, riscos de quedas, barreiras arquitetônicas, necessidade de adaptações e limitações nas atividades de vida diária. A visita deve ser baseada em: acolhimento → avaliação → identificação das necessidades → intervenção/orientação → acompanhamento. 2. COMO COMEÇAR A SIMULAÇÃO Imagine que você chegou à casa da paciente. Antes de entrar Você deve: ● cumprimentar; ● apresentar-se; ● identificar-se como acadêmica/profissional; ● explicar o motivo da visita; ● confirmar a identidade da paciente; ● solicitar autorização para entrar; ● manter postura ética e respeitosa. Você pode falar: “Bom dia, meu nome é Aline, sou acadêmica de Fisioterapia. Nós estamos realizando uma visita domiciliar para conhecer melhor a sua condição de saúde e verificar se existe alguma dificuldade ou necessidade em relação à sua funcionalidade. Posso entrar e conversar um pouco com a senhora?” Isso demonstra educação, vínculo, consentimento e humanização. 3. ACOLHIMENTO Depois de entrar, não comece imediatamente a mexer na paciente. Primeiro estabeleça vínculo. Pergunte: “Como a senhora está hoje?” “Como tem se sentido nos últimos dias?” “Tem sentido alguma dor ou desconforto?” “Existe alguma coisa que esteja dificultando sua rotina?” Observe também: ● estado geral; ● nível de consciência; ● comunicação; ● humor; ● postura; ● respiração; ● presença de dor; ● mobilidade espontânea. 4. ANAMNESE Aqui você precisa descobrir quem é o paciente e qual é a sua principal necessidade. 🩺 Perguntas importantes Identificação ● Nome? ● Idade? ● Com quem mora? ● Quem é o cuidador, se houver? História atual “O que aconteceu para a senhora precisar desse acompanhamento?” “Quando começou?” “Houve alguma piora recentemente?” Doenças “A senhora possui alguma doença?” Pergunte sobre: ● hipertensão; ● diabetes; ● doenças cardíacas; ● doenças respiratórias; ● doenças neurológicas; ● doenças musculoesqueléticas. Medicamentos “A senhora faz uso de algum medicamento?” Se possível: “Sabe me dizer quais medicamentos e os horários?” Dor Se houver: ● localização; ● intensidade; ● início; ● duração; ● fatores que pioram; ● fatores que aliviam. Uma pergunta simples: “De 0 a 10, quanto está sua dor agora?” 5. PERGUNTAS FUNCIONAIS Aqui você demonstra que não está apenas investigando a doença, mas a funcionalidade da pessoa. Pergunte: “A senhora consegue levantar da cama sozinha?” “Consegue sentar sem ajuda?” “Consegue levantar da cadeira?” “Consegue caminhar sozinha?” “Precisa utilizar bengala, andador ou outro dispositivo?” “Consegue tomar banho sozinha?” “Consegue se vestir?” “Consegue ir ao banheiro sozinha?” “Consegue preparar sua alimentação?” “Já caiu alguma vez?” “Tem medo de cair?” Essas perguntas ajudam a identificar limitações nas atividades de vida diária (AVDs). 6. OBSERVAÇÃO DO DOMICÍLIO Essa é uma das partes que pode diferenciar uma boa prova de uma excelente. Não avalie apenas o paciente. Avalie o ambiente. Observe: Risco de queda ● tapetes soltos; ● fios espalhados; ● piso escorregadio; ● objetos no caminho; ● iluminação insuficiente; ● degraus; ● ausência de corrimão; ● banheiro sem barras de apoio. Quarto Observe: ● altura da cama; ● espaço para circulação; ● facilidade para entrar e sair da cama; ● posicionamento dos móveis. Banheiro Observe: ● barras de apoio; ● piso antiderrapante; ● altura do vaso; ● espaço para movimentação; ● necessidade de cadeira de banho. Sala/cozinha Observe: ● altura das cadeiras; ● espaço para caminhar; ● disposição dos móveis; ● acesso aos objetos utilizados diariamente. 7. SINAIS VITAIS Dependendo do caso e do que for solicitado na prova, você pode verificar: ● pressão arterial; ● frequência cardíaca; ● frequência respiratória; ● SpO₂; ● temperatura. Antes de realizar uma atividade física ou transferência, é interessante verificar se o paciente está clinicamente estável para realizar a atividade. Você pode verbalizar: “Antes de realizarmos a transferência, vou verificar seus sinais vitais para garantir que a senhora está bem e segura para realizarmos o procedimento.” 8. SE A PROFESSORA PEDIR A TRANSFERÊNCIA DE DEITADO → SENTADO Essa provavelmente será uma parte muito importante da sua simulação. Primeiro: explique para a paciente Nunca simplesmente pegue a paciente. Fale: “Agora vamos realizar a transferência da senhora de deitada para sentada. Vou explicar cada etapa e vou ajudá-la durante todo o movimento. Se sentir dor, tontura ou qualquer desconforto, me avise imediatamente, combinado?” Antes do movimento Verifique: ● se a paciente está orientada; ● se apresenta dor; ● se possui alguma restrição de movimento; ● se está usando dispositivos; ● se o ambiente está seguro; ● se a cama está estável; ● se há espaço suficiente. 9. TRANSFERÊNCIA DE DECÚBITO PARA SENTADO Uma sequência possível é: 1. Aproximar a paciente da lateral da cama. 2. Posicionar os membros inferiores adequadamente. 3. Solicitar que ela flexione os joelhos, se possível. 4. Orientar a paciente a virar-se para o lado. 5. Auxiliar a passagem das pernas para fora da cama. 6. Simultaneamente, auxiliar o tronco a subir. 7. Sentar a paciente na borda da cama. 8. Esperar alguns segundos e verificar tontura, palidez, náusea ou instabilidade. 9. Avaliar se ela está equilibrada antes de prosseguir. Você pode dizer durante o procedimento: “Vamos devagar.” “Vire para o seu lado.” “Coloque as pernas para fora da cama.” “Agora vou ajudá-la a elevar o tronco.” “Fique sentada um momento para verificarmos se está tudo bem.” 10. CUIDADO COM A HIPOTENSÃO POSTURAL Isso pode ser uma pegadinha da prova. Quando o paciente passa rapidamente de deitado → sentado → em pé, pode ocorrer uma queda da pressão arterial, principalmente em idosos ou pessoas que utilizam determinados medicamentos. Por isso, depois de sentar: NÃO levante imediatamente. Pergunte: “Está sentindo tontura?” “Está sentindo fraqueza?” “Está enxergando normalmente?” “Está sentindo algum mal-estar?” Se apresentar sintomas, interrompa a progressão da transferência e mantenha a paciente segura. 11. O QUE VOCÊ DEVE DEMONSTRAR DURANTE TODA A PROVA A professora provavelmente não estará avaliando somente se você sabe fazer a transferência. Ela também observará: ● Comunicação Você explica o que vai fazer? ● Humanização Você respeita a paciente? ● Ética Você preserva privacidade e dignidade? ● Segurança Você verifica riscos antes de movimentá-la? ● Raciocínio clínico Você adapta sua conduta às condições apresentadas? ● Postura profissional Você demonstra segurança sem ser brusca? 12. FRASES Se ficar nervosa, lembre destas: Antes de tocar: “Vou explicar o procedimento antes de realizarmos.” Antes de movimentar: “A senhora sente alguma dor neste momento?” Durante: “Vamos realizar o movimento de forma lenta e segura.” Durante a transferência: “Se sentir dor, tontura ou qualquer desconforto, me avise.” Depois de sentar: “Vamos permanecer nessa posição por alguns instantes para verificar como a senhora está se sentindo.” Ao finalizar: “A senhora está confortável nessa posição?” Perguntas sobre a queixa principal “O que trouxe a senhora até o atendimento?” “O que mais está incomodando a senhora atualmente?” “Quandoesse problema começou?” “Foi de início súbito ou foi acontecendo aos poucos?” “A senhora percebeu alguma piora recentemente?” “Existe alguma atividade que piora esse problema?” “Existe algo que melhora?” “Isso interfere na sua rotina?” Perguntas sobre dor “A senhora está sentindo alguma dor agora?” “Onde dói?” “De 0 a 10, quanto está essa dor?” “A dor é contínua ou aparece em alguns momentos?” “A dor piora quando a senhora se movimenta?” “A dor atrapalha o sono ou suas atividades?” “A senhora utiliza algum medicamento para a dor?” Perguntas sobre mobilidade e funcionalidade Essas são muito importantes para a fisioterapia: “A senhora consegue se virar na cama sozinha?” “Consegue sentar na cama sem ajuda?” “Consegue levantar da cama sozinha?” “Consegue levantar de uma cadeira?” “Consegue caminhar dentro de casa?” “Consegue caminhar fora de casa?” “Precisa de alguém para acompanhá-la?” “Utiliza bengala, andador ou outro dispositivo?” “Há quanto tempo utiliza?” “Tem dificuldade para subir ou descer escadas?” “Consegue tomar banho sozinha?” “Consegue se vestir sozinha?” “Consegue calçar os próprios sapatos?” “Consegue ir ao banheiro sem ajuda?” “Consegue preparar sua própria alimentação?” “Consegue realizar as tarefas domésticas?” Perguntas sobre quedas Essa parte pode ser muito explorada: “A senhora já caiu alguma vez?” “Quando foi a última queda?” “Quantas vezes caiu recentemente?” “O que aconteceu antes da queda?” “Caiu dentro ou fora de casa?” “Teve alguma lesão depois da queda?” “Precisou procurar atendimento?” “A senhora sente medo de cair novamente?” “Evita alguma atividade por medo de cair?” Perguntas sobre tontura e equilíbrio Principalmente se você for realizar uma transferência: “A senhora sente tontura quando se levanta?” “Já sentiu que iria desmaiar ao levantar?” “Sente desequilíbrio ao caminhar?” “Tem dificuldade para ficar em pé parada?” “Tem dificuldade para andar em lugares com pouca iluminação?” “Sente insegurança ao andar sozinha?” Perguntas sobre sono “Como está seu sono?” “Consegue dormir durante a noite?” “A dor ou falta de ar atrapalha seu sono?” “Precisa acordar durante a noite para ir ao banheiro?” Perguntas sobre alimentação e hidratação “Como está sua alimentação?” “Está conseguindo se alimentar normalmente?” “Quantas refeições costuma fazer por dia?” “Bebe bastante água durante o dia?” “Tem alguma dificuldade para mastigar ou engolir?” Perguntas sobre eliminações Sem precisar ser invasiva, mas adequando ao caso: “Está urinando normalmente?” “Tem alguma dificuldade para ir ao banheiro?” “Seu intestino está funcionando normalmente?” “Precisa de ajuda para utilizar o banheiro?” Perguntas sobre medicamentos e tratamento “Quais medicamentos a senhora utiliza?” “Consegue tomar os medicamentos nos horários corretos?” “Alguém ajuda a senhora com os medicamentos?” “Está fazendo algum outro tratamento?” “Já fez fisioterapia anteriormente?” “Como foi sua experiência?” Perguntas sobre rede de apoio Essas são muito importantes em uma visita domiciliar: “Com quem a senhora mora?” “Quem costuma ajudá-la quando precisa?” “Tem alguém que acompanha a senhora nas consultas?” “Possui cuidador?” “Quando precisa de ajuda, quem a senhora procura?” “A senhora consegue realizar suas atividades quando está sozinha em casa?” Perguntas sobre o ambiente Você pode fazer enquanto observa a casa: “A senhora costuma utilizar esse caminho para chegar ao banheiro?” “Tem dificuldade para passar por esse espaço?” “Já tropeçou nesses tapetes?” “O banheiro costuma ficar molhado?” “Tem alguma dificuldade para entrar e sair do banheiro?” “A senhora consegue entrar e sair da cama com facilidade?” “Precisa se apoiar em algum móvel para andar pela casa?” Perguntas específicas antes da transferência Antes de mexer na paciente, eu faria obrigatoriamente: > “A senhora está sentindo alguma dor agora?” > “Tem alguma parte do corpo que não posso movimentar?” > “A senhora consegue movimentar as pernas e os braços?” > “Sente tontura quando muda de posição?” > “A senhora consegue virar para o lado sozinha?” > “Já teve alguma dificuldade ou queda ao sair da cama?” > “Está se sentindo bem para realizarmos o movimento?” E durante a transferência: > “Está confortável?” > “Está sentindo alguma dor?” > “Está sentindo tontura?” > “Está tudo bem para continuarmos?” Uma dica para a prova Você não precisa fazer todas essas perguntas. O ideal é escolher as perguntas de acordo com o caso apresentado. Pense sempre em: 1. O que ela tem? → doença/queixa 2. O que ela sente? → sintomas/dor 3. O que ela consegue fazer? → funcionalidade 4. O que ela não consegue fazer? → limitações 5. Ela corre algum risco? → quedas/ambiente 6. Quem ajuda? → família/cuidador 7. O que eu posso fazer? → conduta fisioterapêutica Isso demonstra raciocínio clínico, que é muito mais importante na simulação do que simplesmente decorar uma lista de perguntas.