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RESUMO COMPLETO — DIREITO E NOVAS TECNOLOGIAS Apostila 1 — Roteiro da professora Este resumo acompanha a organização e os conteúdos da primeira apostila. Os significados dos termos jurídicos e tecnológicos foram incluídos para facilitar a compreensão. O tema deepfake fica em documento separado. 1. Sociedade da Informação Significado: período em que o conhecimento e a informação assumem papel fundamental nas dinâmicas econômicas, sociais e culturais, impulsionados pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). TDIC significa Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação: ferramentas tecnológicas que permitem criar, compartilhar e divulgar informações em formato digital. Antes, a informação era cara e centralizada, principalmente em universidades, governos e grandes corporações. Com a expansão da computação e da internet, tornou-se mais acessível e descentralizada. Isso democratizou o acesso ao conhecimento e transformou as interações humanas e os subsistemas econômico, jurídico, político e educacional. Desafios: desinformação e necessidade de avaliar criticamente a grande quantidade de informações disponíveis. 2. Capitalismo Informacional Significado: contexto em que a informação se torna um dos principais ativos econômicos e a inovação tecnológica é essencial para o desenvolvimento. Ativo econômico é algo que tem valor e pode contribuir para a atividade econômica. Empresas baseadas em dados, modelos de negócios digitais e economia do conhecimento redefinem relações de trabalho e produção. 3. Sociedade em Rede — Manuel Castells Significado: sociedade organizada por sistemas de comunicação mediados por tecnologias. Sociedade: sistema de interações humanas culturalmente padronizadas. Rede: conjunto de elementos interligados. Na sociedade em rede, as interações ocorrem também em ambiente virtual, com rapidez e facilidade. Interconectividade global: redes digitais permitem a troca de informações entre diferentes lugares. Impacto nos subsistemas sociais: as redes influenciam política, economia, cultura e relações interpessoais. Flexibilidade e inovação: facilidade de adaptação e criação de modelos de negócios, trabalho e educação. Conectar-se e desconectar-se: as pessoas podem participar das redes conforme desejo ou necessidade, sem depender tanto do espaço físico e do tempo. Vantagens: autonomia e personalização. Desafios: fragmentação das relações e bolhas informacionais. Bolhas informacionais são ambientes em que a pessoa recebe principalmente conteúdos que reforçam suas próprias opiniões. Conclusão: a sociedade em rede não é apenas um fenômeno tecnológico; é um modelo de organização que transforma as interações e a construção do conhecimento. 4. Internet das Coisas (IoT) Significado: IoT vem de Internet of Things, ou Internet das Coisas. É a conexão de objetos físicos à internet para que coletem, processem e troquem dados automaticamente. M2M significa máquina a máquina: dispositivos que se comunicam e transmitem dados sem intervenção humana, para monitorar, medir ou controlar equipamentos, ambientes ou sistemas. Exemplos: casas inteligentes (geladeiras, lâmpadas, Alexa e Google Home); smartwatches que monitoram batimentos cardíacos; máquinas conectadas na Indústria 4.0; semáforos e sensores em cidades inteligentes. Desafios: segurança digital, privacidade dos dados e dependência tecnológica. 5. Marco Civil da Internet (MCI) Significado: a Lei nº 12.965/2014 estabelece princípios, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. Princípio é uma diretriz geral que orienta a interpretação e aplicação das normas. Liberdade de expressão: possibilidade de manifestar pensamentos e opiniões, respeitando a lei e os direitos de outras pessoas. Privacidade: proteção da vida privada e das informações pessoais. Neutralidade da rede: tratamento igualitário dos dados na internet, sem discriminação ou priorização indevida. Acesso à internet: promoção da inclusão digital e do acesso universal. O art. 7º considera o acesso à internet essencial ao exercício da cidadania. 6. Neutralidade da rede Significado: os dados devem ser tratados de maneira igual pelos provedores, sem diferenças indevidas conforme o conteúdo ou serviço acessado. Objetivos: evitar tráfego privilegiado, coibir práticas abusivas, buscar tratamento igualitário entre consumidores e estimular a competitividade. Exceções indicadas na apostila: manutenção da estabilidade e funcionalidade da rede, tráfego de serviços de emergência e situações relacionadas à segurança, integridade ou risco. 7. Proteção da privacidade Significado: autonomia da pessoa para controlar informações sobre sua vida doméstica, familiar e afetiva, hábitos, escolhas e segredos, sem ficar sujeita à curiosidade alheia. A apostila atribui essa definição a Nathalia Masson. MCI, art. 8º: a garantia da privacidade e da liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do acesso à internet. MCI, art. 2º: o respeito à liberdade de expressão é fundamento da disciplina do uso da internet no Brasil. Art. 3º, I: garante a liberdade de expressão, comunicação e manifestação do pensamento, nos termos da Constituição. 8. Liberdade de expressão — Constituição, art. 5º, IV e V Significado: direito de expressar pensamentos, opiniões e ideias, além de atividades intelectuais, artísticas, científicas e de comunicação, sem censura prévia, respeitando a lei e os direitos alheios. Art. 5º, IV: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Anonimato significa ocultar a própria identidade. Art. 5º, V: assegura direito de resposta proporcional ao agravo e indenização por dano material, moral ou à imagem. Agravo é a ofensa ou prejuízo causado. 9. Responsabilidade dos provedores — MCI, arts. 18, 19 e 21 Provedor de conexão: serviço que permite ao usuário conectar-se à internet. Provedor de aplicações: plataforma ou serviço acessado pela internet. Art. 18: o provedor de conexão não será responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. Art. 19: conforme o texto da apostila, o provedor de aplicações pode ser responsabilizado se, após ordem judicial específica, não tomar providências para tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, dentro dos limites técnicos e do prazo indicado, ressalvadas disposições legais em contrário. Art. 21: o provedor de aplicações pode responder subsidiariamente por violação da intimidade decorrente da divulgação não autorizada de imagens, vídeos ou materiais com nudez ou atos sexuais privados quando, após notificação do participante ou representante legal, não retirar diligentemente o conteúdo. Significados: ordem judicial é determinação emitida pelo Poder Judiciário; responsabilização civil é o dever de reparar um dano; subsidiariamente significa de forma secundária, nas condições previstas; notificação é uma comunicação formal; indisponibilizar é tornar inacessível; diligentemente significa agir com cuidado e rapidez adequados. 10. ECA — arts. 240, 241-A e 241-B ECA significa Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8.069/1990. Art. 240 — produzir ou registrar Criminaliza produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Pena indicada na apostila: reclusão de 4 a 8 anos e multa. O material também inclui condutas como agenciar, facilitar, recrutar, coagir, intermediar e exibir/transmitir em tempo real. Art. 241-A — divulgar ou transmitir Trata de oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar registro com cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Pena: reclusão de 3 a 6 anos e multa. Art. 241-B — adquirir, possuir ou armazenar Trata de adquirir, possuir ou armazenar esse tipo de registro. Pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa. Memorização: 240 = produzir/registrar; 241-A = divulgar/transmitir; 241-B = adquirir/possuir/armazenar. 11. Responsabilidade dos buscadores Buscador ou provedor de pesquisa é o serviço que localizapáginas e conteúdos a partir de palavras digitadas pelo usuário. Segundo a jurisprudência do STJ reproduzida na apostila, em regra não se pode obrigar o buscador a eliminar todos os resultados de uma palavra ou todos os links que apontem para conteúdo específico, independentemente da indicação da URL. URL é o endereço eletrônico de uma página. A exibição de resultados em forma de índice não causa, por si só, dano moral. Excepcionalmente, pode haver obrigação de eliminar resultados incorretos ou inadequados, especialmente quando não existe pertinência entre o resultado e o termo pesquisado. Pertinência significa relação ou conexão relevante. 12. Desindexação Significado: desvincular um resultado dos mecanismos de pesquisa. A apostila explica que o Judiciário pode determinar que o Google desvincule o nome de uma pessoa, pesquisado sem outro termo, de um fato desabonador. Desabonador significa algo que prejudica a reputação. Desindexação não significa necessariamente apagar o conteúdo original da internet. 13. Direito ao esquecimento — STF, Tema 786 É a pretensão de impedir que um fato verdadeiro do passado seja divulgado ao público por causa do sofrimento ou transtorno que pode provocar. No RE nº 1.010.606/RJ, Tema 786, o STF fixou que é incompatível com a Constituição um direito ao esquecimento entendido como poder de impedir, pela passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados. Apostila: eventuais excessos devem ser analisados caso a caso, considerando honra, imagem, privacidade, direitos da personalidade e normas civis e penais. Diferença: desindexação trata do vínculo entre nome e resultado de pesquisa; direito ao esquecimento trata da pretensão de impedir a divulgação de fato passado pelo simples decurso do tempo, na forma rejeitada pelo STF. 14. Biografias — STF, ADI 4815 Biografia é relato da vida de uma pessoa. Conforme a ADI 4815, não é necessária autorização prévia da pessoa biografada, de outras pessoas retratadas ou de familiares. Exigir autorização prévia seria censura incompatível com a liberdade de expressão. Se houver violação de direitos, pode haver reparação posterior, como indenização, ressalva, edição corrigida ou direito de resposta. Reparação é a medida para compensar ou corrigir um dano. 15. Sigilo das comunicações pela internet Significado: proteção contra acesso ou divulgação indevida de comunicações privadas. MCI, art. 3º, II: proteção da privacidade. Art. 7º: assegura inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sigilo do fluxo das comunicações pela internet (salvo ordem judicial) e sigilo das comunicações privadas armazenadas (salvo ordem judicial). Art. 10: registros de conexão, registros de acesso a aplicações, dados pessoais e conteúdo de comunicações privadas devem ser guardados e disponibilizados de modo a preservar intimidade, vida privada, honra e imagem. Conforme a apostila, a disponibilização depende de ordem judicial nas hipóteses legais. Constituição, art. 5º, X: protege intimidade, vida privada, honra e imagem e assegura indenização por dano. Art. 5º, XII: protege o sigilo das comunicações nos termos constitucionais e legais. Requisitos da ordem judicial indicados na apostila: indício de ocorrência de ilícito; justificativa motivada; utilidade da prova para processo civil ou penal. Indício é sinal ou elemento que aponta para possível ocorrência; justificativa motivada é uma explicação fundamentada; utilidade da prova significa que ela pode ajudar a esclarecer o processo. 16. WhatsApp: acesso policial a celular apreendido STJ, RHC 51.531-RO (2016): conforme o julgado reproduzido na apostila, são ilícitas as provas obtidas pela extração de dados e conversas de WhatsApp de celular apreendido pela polícia sem prévia autorização judicial, ainda que o aparelho tenha sido apreendido em flagrante. Prova ilícita é a obtida em violação às regras legais ou constitucionais. A apreensão do aparelho não significa, por si só, autorização para acessar o conteúdo das conversas. 17. Espelhamento do WhatsApp Web em investigação STJ, AgRg no AREsp 2.318.334-MG (2024): a apostila informa que o espelhamento do WhatsApp Web do suspeito pode ser utilizado em investigação encoberta/controlada virtual ou com agente infiltrado no ambiente cibernético, desde que haja autorização judicial e sejam respeitadas proporcionalidade, subsidiariedade e legalidade. Espelhamento é reproduzir ou acompanhar as mensagens em outro dispositivo. Proporcionalidade significa medida adequada e equilibrada; subsidiariedade, uso necessário considerando alternativas menos invasivas; legalidade, atuação conforme a lei. 18. Divulgação de conversas privadas por terceiros A apostila afirma que terceiros só podem acessar conversas de WhatsApp com consentimento dos participantes ou autorização judicial. A divulgação ilícita pode gerar dever de indenizar por violar a privacidade e a expectativa de que as mensagens permaneceriam restritas aos participantes. A simples gravação por um dos interlocutores, sem ciência do outro, não é por si só ilícita, assim como a mera preservação das mensagens. A divulgação pública pode violar a privacidade. Exceção indicada: a ilicitude pode ser afastada quando a exposição busca resguardar direito próprio do receptor, dependendo das circunstâncias. Interlocutor é uma das pessoas que participa da conversa. Consentimento é autorização. Dever de indenizar é obrigação de reparar o dano. 19. Governança da Internet Significado: conjunto de regras, políticas, padrões e práticas que orientam o uso e a evolução da internet. A apostila aponta o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) como responsável pela governança no Brasil. O modelo é democrático e multissetorial. Multissetorial significa que diferentes setores da sociedade participam do processo. Princípios listados: liberdade, privacidade e direitos humanos; governança democrática e colaborativa; universalidade; diversidade; inovação. 20. CDC — direito de arrependimento, art. 49 CDC significa Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990. O art. 49 permite desistir do contrato no prazo de 7 dias, contados da assinatura ou do recebimento do produto ou serviço, quando a contratação ocorre fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. O parágrafo único prevê devolução imediata e monetariamente atualizada dos valores pagos durante o prazo de reflexão. Prazo de reflexão é o período dado ao consumidor para decidir se mantém a contratação. 21. Sites estrangeiros e LINDB, art. 9º A apostila orienta que a aplicação do CDC a compras em sites internacionais deve ser vista com ressalvas e destaca verificar se o fornecedor possui representante no Brasil. LINDB significa Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. O art. 9º estabelece, conforme o material, que para qualificar e reger obrigações aplica-se a lei do país em que se constituírem. O roteiro também menciona regras para obrigações a serem executadas no Brasil e considera constituída a obrigação contratual no lugar de residência do proponente. Esquema da apostila: fornecedor com representante no Brasil — possível aplicação do CDC; sem representante no Brasil — segundo o esquema do roteiro, o CDC não se aplicaria da mesma forma, podendo o comprador ficar sujeito às regras do país estrangeiro. Estude essa parte como está esquematizada no material fornecido. QUADRO RÁPIDO DE MEMORIZAÇÃO MCI, art. 7º: acesso à internet é essencial à cidadania; privacidade e sigilo. MCI, art. 18: provedor de conexão não responde civilmente por conteúdo de terceiros. MCI, art. 19: provedor de aplicações; ordem judicial específica, conforme a apostila. MCI, art. 21: conteúdo íntimo privado; notificação e retirada diligente. ECA, art. 240: produzir/registrar — pena de 4 a 8 anos e multa. ECA, art. 241-A: divulgar/transmitir — pena de 3 a 6 anos e multa. ECA, art. 241-B: adquirir/possuir/armazenar — pena de 1 a 4 anos e multa. STJ, RHC 51.531-RO: extração de WhatsApp sem autorização judicial prévia — prova ilícita, conforme o julgado.STJ, AREsp 2.318.334-MG: espelhamento sujeito à autorização judicial e aos parâmetros legais. STF, Tema 786: tese geral do direito ao esquecimento incompatível com a Constituição. STF, ADI 4815: biografia sem autorização prévia; possível reparação posterior. CDC, art. 49: arrependimento em 7 dias nas condições legais. LINDB, art. 9º: lei do país em que a obrigação se constitui, conforme o roteiro.