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www.estetus.com.br 
 
 Farmácia Hospitalar 
SUMÁRIO 
 
FARMACOECONOMIA ........................................................................................................................... 3 
CUSTOS ............................................................................................................................................... 4 
ANÁLISE FARMACOECONÔMICA ........................................................................................................... 5 
Análise de custo-benefício .................................................................................................................... 5 
Análise de custo-efetividade ................................................................................................................. 6 
Análises de custo-utilidade.................................................................................................................... 6 
Avaliação da qualidade de vida associada à saúde .................................................................................. 7 
FARMACOVIGILÂNCIA........................................................................................................................... 8 
ESTUDOS DE FARMACOVIGILÂNCIA ....................................................................................................... 9 
Caso Controle....................................................................................................................................... 9 
Coorte ................................................................................................................................................10 
Ecológicos ...........................................................................................................................................10 
Transversais ........................................................................................................................................10 
PROJETO HOSPITAL SENTINELA ............................................................................................................10 
CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) ....................................................................11 
CENTROS DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS NO BRASIL ............................................................15 
COMISSÃO DE PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS .............................................................................19 
FORMULÁRIO FARMACÊUTICO.............................................................................................................21 
REALIZAÇÃO DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS......................................................................................24 
Definição do problema, dos objetivos e identificação das alternativas ....................................................25 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTO PARA REDUZIR CUSTOS COM ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA .......................28 
INFECÇÕES HOSPITALARES E COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES (CCIH) .................30 
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS NÃO ESTÉREIS ..............................................................................32 
Algumas observações na manipulação de medicamentos não estéreis ...................................................34 
QUIMIOTERAPIA E AS ATRIBUIÇÕES DO FARMACÊUTICO ONCOLÓGICO .................................................34 
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA AO PACIENTE ONCOLÓGICO ....................................................................46 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................47 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
 
FARMACOECONOMIA 
 
 
 
Até o início do século XX, a disponibilidade de medicamentos era limitada a pouco mais de 
duas centenas, o acesso aos medicamentos era restrito a poucas pessoas por motivos geográficos e 
socioeconômicos e havia uma quantidade relativamente pequena de informações conhecidas sobre 
cada um deles. Já, a partir da década de 1940, verificou-se grande descoberta de novos fármacos e de 
informações relevantes sobre o uso, aumentando rapidamente a complexidade do exercício da 
terapêutica medicamentosa. Além disso, mudanças na estrutura das sociedades e a cultura de massas 
forçaram importantes alterações no papel de governos e de instituições privadas quanto ao 
provimento de artigos e serviços de saúde. Na medida em que a cultura se desenvolveu, as exigências 
sociais se ampliaram tanto no aspecto da demanda quali-quatitativa por medicamentos e serviços 
adequados quanto pelas exigências de eficácia e segurança de produtos farmacêuticos. 
No final da década de 1960, alguns países como a Suécia, a Islândia, a Finlândia e a Noruega, 
pressionados pela existência de um grande número de produtos farmacêuticos de eficácia 
duvidosa e custo elevado, iniciaram movimentos no sentido de racionalizar a terapêutica 
farmacológica, reduzindo a oferta abundante de medicamentos para aqueles que eram realmente 
indispensáveis, usando critérios de análise comparativa entre custos e avaliação de qualidade de 
produtos. Para ser aceito, um produto farmacêutico precisava demonstrar que poderia ser mais 
eficaz e menos dispendioso. No entanto, a experiência acumulada por meio do tempo mostrou 
que critérios para a avaliação do binômio custo-qualidade tinham de ser muito mais abrangentes 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
do que a simples comparação de preço com eficácia, sob o risco de estar perdendo uma visão ética 
e humanística da prática clínica. 
Os estudos de farmacoeconomia surgiram em 1978, porém, este termo 
“farmacoeconomia” foi utilizado pela primeira vez apenas em 1986. A farmacoeconomia pode ser 
definida como a descrição, a análise e a comparação dos custos e das consequências das terapias 
medicamentosas para os pacientes, os sistemas de saúde e a sociedade, com o objetivo de 
identificar produtos e serviços farmacêuticos cujas características possam conciliar as 
necessidades terapêuticas com as possibilidades de custeio. 
A análise econômica da saúde deve considerar: 
 
▪ Custos da preparação administração e controle dos resultados; 
▪ Tratamento dos efeitos secundários e indesejáveis; 
▪ Características clínicas e farmacológicas dos medicamentos; 
▪ Benefícios na prática clínica real comparada aos seus custos. 
 
A avaliação econômica dos medicamentos aborda metodologias utilizadas à avaliação 
clínica, por meio das análises de custo-benefício e custo-efetividade, aplicadas aos problemas de 
saúde, promovendo segurança e qualidade dos tratamentos, pela comparação entre dois ou mais 
medicamentos ou tratamentos, buscando menor dispêndio de recursos. 
 
CUSTOS 
 
É um complexo, que engloba elementos mensuráveis tanto qualitativa quanto 
quantitativamente, e aos quais podem ser atribuídos valores financeiros, podendo ser dividido 
como veremos a seguir. 
 
Custos diretos 
 
São aqueles pagamentos que implicam em uma retirada financeira real e imediata, como 
o uso de materiais e medicamentos, salários (horas trabalhadas), exames realizados, despesas 
administrativas e outros eventos. 
Custos indiretos 
 
 
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São representados por ganhos não realizados, fatos sempre presentes na maioria das 
situações de doença e que envolvem o próprio paciente e seus acompanhantes (perda temporária 
ou definitiva da capacidade de trabalho). 
 
Custos intangíveis 
 
São representados por dor, sofrimento, incapacidade e perda da qualidade de vida. O 
sentido dado à palavra custo, neste caso, tem a ver com o ônus psicológico que esses fatores 
representam, mas não podem ser avaliados em valores monetários. No entanto, podem ser 
englobados em avaliações de consequências e mostram importância no processoÁrea de limpeza do material a ser utilizado 
Este espaço destina-se ao armazenamento de limpeza de todo material utilizado na 
manipulação. 
Esta sala é composta por duas áreas separadas por um banco corrido ou por uma porta. 
Na primeira parte, são deixadas as vestes, sapatos, joias e outros acompanhamentos de uso 
pessoal. Na segunda área, o trabalhador faz a antissepsia das mãos com água e sabão neutro 
e se equipa com os equipamentos de proteção. 
 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
❖ Sala contendo a câmara de segurança biológica 
Nesta área, além da câmara de segurança biológica classe II tipo B2, instalam-se as 
bancadas onde são colocados os materiais necessários às atividades de manipulação 
farmacêutica (Figura 9). São também colocadas nas bancadas as soluções já preparadas para 
processar a rotulagem. As paredes devem ser laváveis, com as bordas arredondadas e pelo 
menos uma das divisórias deve ser de vidro para manter contato visual com a área externa. O 
ar de dentro da sala deve ser filtrado. 
 
❖ Área de transferência 
Após a limpeza, o material é colocado nesta área de onde é transferido para a sala de 
manipulação e para receber dessas as soluções já preparadas para serem conduzidas às 
clínicas. Na divisória de vidro que separa as duas salas há uma janela com sistema corrediço 
por onde é feita a transferência dos produtos. É uma sala que impede a formação de correntes 
de ar que irão influenciar decisivamente na estabilidade do fluxo de ar da câmara. Esta sala 
tem contato com a sala de limpeza por meio de uma porta. 
 
Deve ainda fazer parte do planejamento de implantação e reestruturação das centrais 
de manipulação de antineoplásicos, um espaço destinado a recepção, cálculos e análises das 
prescrições. Nesta área, devem-se localizar as estantes com as fichas dos pacientes 
oncológicos, o registro com a lista dos agentes desativadores de cada antineoplásico, as 
normas e procedimentos adotados em caso de acidentes, cópia dos certificados de 
manutenção da câmara e fichas contendo os dados de cada trabalhador, tais como dados 
pessoais e exames do programa de controle médico e saúde ocupacional (PCMSO), cadastro 
de cada paciente e um terminal de computador para processamento de dados. 
 
Câmara de segurança biológica 
 
As câmaras de segurança biológica (CSB) classe II B 2, são sistemas eletromecânicos, 
com pressão negativa de exaustão e filtragem absoluta do ar descendente e ou ascendente 
capazes de criar ambiente de fluxo laminar vertical, em pequenas áreas de trabalho, 
independentemente das condições do meio. As câmaras de ar classe II são as que possuem 
fluxo laminar vertical. 
 
 
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As CSBs são desenhadas especificamente para o trabalho com agentes de risco 
biológico e adaptadas para o manuseio de agentes antineoplásicos. Portanto, é de suma 
importância a obediência rigorosa de técnicas de manipulação, a fim de minimizar os riscos 
de exposição a esses agentes. 
A ventilação, a temperatura do ambiente e o controle microbiológico, dentro da área 
de manipulação da câmara, devem ser rigorosamente monitorados. Para limpeza dos 
equipamentos devem-se utilizar agentes adequados e em intervalos regulares de tempo, 
observando-se as técnicas de procedimentos recomendadas pelo fabricante. Os desinfetantes 
devem ser trocados periodicamente para não devolver formas de microrganismos resistentes. 
A limpeza da câmara deve ser feita por pessoal devidamente treinado e conhecedor 
do risco a que está expondo seguindo as instruções do fabricante. O certificado contendo o 
laudo de manutenção da câmara deve ser fornecido por empresa idônea. A câmara deve 
ser instalada em uma área sem turbulência e sem frequente tráfego de pessoas. 
A movimentação excessiva das mãos, o excesso de materiais, ou objetos de grandes 
volumes distribuídos no espaço destinado à manipulação dos fármacos, dificulta a circulação 
do ar e gera um ambiente de ventilação instável, que prejudica a eficiência da câmara. 
 
 
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS PARA MANIPULAÇÃO DE ANTINEOPLÁSICOS 
 
Os antineoplásicos para uso oral não são prescritos com muita frequência, e muito 
embora os fármacos nesta apresentação já estejam prontos para a dispensação, são 
necessários alguns cuidados ao manuseá-los. A operação mecânica de fracionamento dos 
comprimidos ou individualização das cápsulas para dispensação faz liberar pó, cuja 
composição é semelhante a das formas farmacêuticas que lhes deram origem. Quando o 
fracionamento requer ajuste da dose, a operação farmacêutica envolve atividades minuciosas, 
como pulverização, pesagem e/ou dissolução de fármaco. É conveniente que se tenha um 
local exclusivo, com ventilação natural adequada para esta operação, dotado de um sistema 
exaustão de tal forma que as partículas não contaminem o ambiente de trabalho. É 
indispensável que o trabalhador esteja equipado com o EPI adequado. 
Na execução das atividades de manipulação de quimioterapia é aconselhável que o 
farmacêutico tenha auxiliares, tendo como atribuições: 
 
 
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❖ Ligar e preparar CSB; 
❖ Separar o material; 
❖ Suprir a sala de manipulação com todos os materiais necessários ao preparo 
das soluções, rotulá-las e acondicioná-las adequadamente; 
❖ Limpar e desligar a câmara; 
❖ Adicionar adequadamente todos os resíduos de antineoplásicos. 
Essas atribuições possibilitam maior segurança ao manipulador, uma vez que este não 
precisa se levantar ou se movimentar muito enquanto manipula podendo desenvolver sua 
atividade com destreza e a rapidez que a técnica exige. Além disso, viabiliza um trabalho mais 
racional, evitando erros, desperdícios e diminuindo custos. 
São necessárias algumas precauções para minimizar a formação de aerossol no 
ambiente de trabalho, tais como: a diluição deve ser rápida, cuidadosa e com rigorosa técnica 
asséptica; deve-se ter cuidado de não deixar ar dentro da seringa, colocando o bisel em 
contato com o líquido de dentro do frasco-ampola; afim de não aspirar o ar existente; a seringa 
deve ser selecionada de acordo com o volume a aspirar. 
A sequência para a manipulação dos antineoplásicos segue, em linhas gerais, os 
seguintes passos: 
❖ Análise das prescrições, realização dos cálculos e confecção dos rótulos; 
❖ Separação e limpeza do fármaco e da bolsa de diluente. Conduzi-los à sala de 
transferência e desta à sala de manipulação; 
❖ Após se desfazer de todos os adornos pessoais, faz-se a antissepsia das mãos 
e antebraços. Segue-se a paramentação com os EPIs; 
❖ Cubra a bancada com um campo de plástico e, sobre este, outro campo de 
papel absorvente, ambos estéreis; 
❖ O auxiliar vai distribuindo o material sobre a bancada à medida que forem 
sendo desenvolvidas as atividades de manipulação; 
❖ Posicionar-se junto à câmara e calçar as luvas cirúrgicas; 
❖ Proceder à reconstituição do fármaco e à sua diluição de acordo com as 
técnicas de manipulação farmacêutica, observando a dose prescrita pelo médico; 
❖ Conectar o equipo e verificar a ocorrência de vazamento; 
❖ Entregar ao auxiliar para a rotulagem; 
❖ A utilização de gazes estéreis é sempre recomendada para dar mais 
 
 
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segurança, no momento de quebrar a ampola, aspirar a solução do frasco- ampola e ao 
adicionar o medicamento reconstituído à bolsa de sistema fechado, contendo soro fisiológico, 
glicosado ou outro diluente. 
 
SEGURANÇA NA MANIPULAÇÃO DE QUIMIOTERAPIA 
 
Diante da evidência do risco de exposição ocupacional em que ocorre a possibilidade 
dos antineoplásicos causarem mutação e câncer em trabalhadores expostos, muitos países 
têm elaborado recomendações para a manipulação segura destes agentes. 
Alguns trabalhadores se expõem desnecessariamente a essesagentes, porque não são 
devidamente treinados e educados para trabalhar com agentes potencialmente tóxicos. 
Técnicas perfeitas de manipulação são muito difíceis de serem executadas, os 
equipamentos de manipulação não são absolutamente infalíveis. Por isso, é muito importante 
que seja adotado um programa bem estruturado para a proteção do meio ambiente e do 
trabalhador que manuseia antineoplásicos. 
Os agentes antineoplásicos devem ser preparados em CSB classe II, tipo B2, de uso 
exclusivo, obtida de empresa idônea, instalada por pessoal devidamente habilitado e treinado. 
Deve ser instalada em uma área sem turbulência, com ar filtrado, devendo ser ligada de 15 a 30 
minutos antes de iniciar os trabalhos e desligada de 15 a 30 minutos após terminá-los, ou 
conforme orientação do fabricante. 
Deve-se incluir na manutenção da câmara a troca de pré-filtro e do filtro HEPA, 
seguindo rigorosamente as orientações do fabricante, de forma a garantir a eficiência 
operacional e a integridade dos processos eletromecânicos. O tempo de duração dos filtros 
de alta eficiência (HEPAs) é, em média, de três anos, dependendo dos cuidados utilizados na 
técnica de manipulação dos produtos. 
A limpeza da área crítica deve ser feita com produto apropriado, antes do trabalho e 
após o término das atividades, em concordância com as boas práticas da Farmácia. A parte 
externa da câmara deve ser limpa com detergente suave e a parte interna com álcool 70%, 
lembrando que este produto em excesso pode danificar as borrachas de vedação. O 
trabalhador deve utilizar capote de tyvec com gorro e botas, fechado na frente, com mangas 
longas e punhos. Deve usar ainda luvas cirúrgicas, óculos panorâmico de segurança e 
respirador classe P3. 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
As soluções preparadas devem ser colocadas em recipientes impermeáveis rígidos, 
com tampa, e transportados até o local de administração em carrinhos, de modo a prevenir 
quebra e/ou vazamentos. O trabalhador deve estar adequadamente equipado. 
O lixo contendo antineoplásicos deve ser coletado em lixos resistentes à perfuração e 
a vazamentos de líquidos ou vapores, os quais são colocados em sacos de plástico grosso, 
identificados como lixo tóxico e conduzidos à incineração. O lixo contaminado com esses 
agentes não deve ser misturado com outro material a ser descartado. 
A desativação química do material contendo resíduos de antineoplásicos só deve ser 
feita por pessoal habilitado e devidamente treinado. A estocagem deve ser feita em 
prateleiras com proteção frontal, desenhadas especificamente para produtos perigosos, para 
prevenir quebras e vazamentos. Os agentes termolábeis devem ser guardados em geladeira, 
separados dos demais medicamentos e devidamente identificados. 
As normas escritas de manipulação e procedimentos técnicos de segurança devem ser 
colocadas em local de fácil acesso aos trabalhadores de antineoplásicos e sempre que houver 
dúvidas, as mesmas devem ser dirimidas. 
Deve-se desenvolver uma política de aderência dos trabalhadores ao programa de 
segurança do trabalho. 
A farmácia deve possuir documentos que contenham informações sobre a toxicidade 
aguda, tratamento em caso de exposição acidental, inativadores químicos e características 
fisioquímicas dos antineoplásicos manuseados. 
É preciso desenvolver atividades de treinamento e educação de todos os trabalhadores 
envolvidos com antineoplásicos. 
Os trabalhadores expostos devem relatar, em fichas individuais, os acidentes de 
trabalho, nomeando os antineoplásicos envolvidos e a forma de exposição. 
 
CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO DOS ANTINEOPLÁSICOS 
 
Agentes químicos usados no tratamento do câncer para inibir o crescimento celular, 
atuando sobre as moléculas que controlam a divisão e o desenvolvimento das células. 
O grupo farmacológico dos antineoplásicos inclui diversos agentes que atuam por 
mecanismos complexos, por meio de interações desses com o ácido desoxirribonucleico 
(DNA), ácido ribonucleico (RNA) e proteínas. Apesar do processo de interação não estar bem 
 
 
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esclarecido, sabe-se que os agentes antineoplásicos atuam de forma semelhante à irradiação 
ionizante. Eles não destroem diretamente as células cancerígenas, porém, impedem e/ou 
diminuem a habilidade de replicação do DNA, não possuindo ação seletiva sobre os tecidos 
neoplásicos e apresentando efeitos cumulativos. 
O efeito antineoplásico é dependente da ação citotóxica, afetando indistintamente 
tanto as células normais quanto às células alteradas, especialmente aquelas que se dividem 
rapidamente, como as da medula óssea, epitélio gastrointestinal, pele folículo piloso, epitélio 
germinativo das gônadas e as estruturas embrionárias. Os pacientes terapeuticamente 
expostos a esses agentes podem apresentar reações adversas, como náuseas, vômitos, 
alopecia, hiperpigmentação, reações cutâneas e efeitos tóxicos em diversos órgãos: coração, 
rins e pulmões. 
A classificação dos antineoplásicos é feita de forma empírica, com base no mecanismo 
de ação sobre o ciclo de reprodução celular. 
Estão distribuídos entre os grupos: 
 
❖ Agentes Alquilantes 
Constituem um grupo de várias substâncias químicas, cuja característica comum é a 
alquilação do DNA. As células expostas a um agente alquilante têm átomos de hidrogênio 
substituídos por um radical alquil, resultando em ligação cruzada e formação de bases 
anormais nas moléculas de ácido desoxirribonucleico (DNA). Entre esses estão mostarda 
nitrogenada, ciclofosfamida, ifosfamida, bussulfano, carmustina, estreptozocin, dacarbazina. 
Todos os antineoplásicos da classe dos alquilantes apresentam reações adversas sobre 
o sistema reprodutivo, causando amenorreia muitas vezes permanente, particularmente em 
mulheres com idade próxima à menopausa e, no homem, pode causar azospemia irreversível 
e oligospermia. Podem causar efeitos irritantes por contato direto com a pele e, dependendo 
da intensidade da lesão, podem produzir efeitos sistêmicos. São agentes de atuação 
inespecífica, isto é, atuam em qualquer fase do ciclo de reprodução celular. 
 
❖ Agentes antimetabólicos 
Constituído por fármacos que interferem em diversos processos metabólicos celulares, 
resultando em interrupção da síntese de ácidos nucleicos. 
Podem agir por duas maneiras: por incorporação do fármaco em substituição a um 
 
 
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constituinte normal da célula; ou por inibição de uma enzima do metabolismo celular. 
Os efeitos tóxicos originados da ação dos antimetabólitos se manifestam por meio de 
náuseas, mielossupressão grave, estomatite e alopecia moderada. 
Entre os agentes antimetabólicos estão o metotrexate, 5-fluorouracil, citarabina, 
tioguanina, mercaptopurina. 
Estes agentes são tóxicos para todas as células normais, especialmente as que se 
dividem rapidamente, com potencial teratogênico e mutagênico, e quando administrados por 
tempo prolongado pode levar à cirrose e a fibrose hepática. 
 
❖ Antineoplásicos naturais 
O grupo dos antineoplásicos naturais é formado por alcaloides derivados da vinca, 
etoposido e teniposido, antibióticos e paclitáxel. 
Estas substâncias são agentes ciclocelulares específicos que bloqueiam as células em 
mitose. As atividades biológicas desses fármacos estão na capacidade de ligar-se tubulina, 
interferindo no funcionamento dado pelo sistema de microtúbulos, que é um dos componentes 
do fuso mitótico. Por meio da destruição dos microtúbulos, a divisão celular é detida na 
metástase. A ação tóxica mais importante é a mielossupressão e toxicidade neurológica. O 
etoposido e o teniposido estão classificados dentro do grupo dos agentes antineoplásicos 
naturais, por serem fármacos semissintéticos derivados da podofilotoxina. Esses agentes ligam-
se à tubulina emlocais diferentes daqueles usados para interação com os alcaloides da vinca. 
Seu mecanismo de ação parece estar relacionado com a ruptura da alça dupla do DNA. Seu 
efeito principal ocorre na fase terminal S e inicial G2 do ciclo de reprodução celular. Foram 
observadas duas diferentes respostas em função da dose: 
▪ Em altas concentrações – foi observado lise das células entrando em mitose; 
▪ Em baixas concentrações – foi observado que as células são inibidas ao iniciar 
a fase de prófase. 
O etoposido e o teniposido têm a sua ação citotóxica manifestada por leucopenia, 
trombocitopenia, neurotoxicidade, toxicidade hepática, febre, flebite, dermatite e reações 
alérgicas. 
Os antineoplásicos classificados como antibióticos resultaram da triagem de produtos 
antimicrobianos, que levaram à descoberta de diversos inibidores de crescimento celular, os 
quais se mostraram úteis no tratamento do câncer. Todos os antibióticos antineoplásicos, 
 
 
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clinicamente úteis, são produtos semissintéticos, derivados de várias cepas, do fungo 
streptomyces. 
Os antibióticos antineoplásicos dactininicina-D, daunorrubicina, doxorrubicina, 
bleomicina e mitomicina se ligam fortemente à dupla hélice do DNA, por meio da intercalação 
entre as bases púricas e pirimidínicas, interrompendo o prolongamento da cadeia de DNA e 
causando graves distorções cromossômicas. Essas distorções bloqueiam a síntese de novo 
RNA, do DNA ou ambos, provocando a ruptura das fitas de DNA e impedindo a duplicação 
celular. Os efeitos tóxicos são imunossupressão, cardiotoxicidade (aguda e acumulativa) e 
alopecia; e são vesicantes ao entrar em contato direto com a pele. Outros efeitos adversos 
são náuseas, estomatite e nefrotoxicidade. 
O paclitaxel promove formação e agrupamento anormal e a instabilização dos 
microtúbulos formados. Liga-se à subunidade beta-tubulina antagonizando a desmontagem 
dessa proteína, fazendo com que estruturas aberrantes apareçam nas células. Segue-se a parada 
da mitose podendo ocorrer morte celular. A ação citotóxica é manifestada por reações de 
hipersensibilidade ao fármaco, como rubor, dispneia, hipotensão, taquicardia, neurotoxicidade, 
cardiotoxicidade e hepatixicidade. 
 
❖ Agentes diversos 
O grupo de agentes diversos é composto pelos antineoplásticos cisplatina, 
carboplatina, hidroxiureia, procarbazina, dacarbazina e mitutano, L-asparaginási. Esses 
compostos possuem um mecanismo de ação variado e pouco elucidado, agindo em fase 
inespecífica do ciclo celular. Interferem na duplicação do DNA, inibindo a multiplicação das 
células por meio de alterações cromossômicas em tecidos neoplásicos e em tecidos normais. 
Podem causar toxicidade neurológica, com efeitos cumulativos, como formigamento e 
entorpecimento das extremidades, náuseas, vômitos, anorexia, hiperuricemia, 
granulocitopenia, nefrotoxicidade, desequilíbrio eletrolítico e neutropenia. Inclui ainda 
leucopenia e trombocitopenia e imunossupressão. A procarbazina é altamente carcinogênica, 
mutagênica e teratogênica. Tem sido relacionada também infertilidade, particularmente em 
homens. O agente antineoplástico L-asparaginasi é uma enzima que, ao catalisar a hidrólise 
da asparagina circulante, priva essas células da asparagina necessária à síntese de proteína, 
podendo levar à morte celular. Os efeitos tóxicos mais significantes são de hipersensibilidade, 
hiperglicemia, anormalidades de coagulação e supressão da função imune. 
 
 
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ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA AO PACIENTE ONCOLÓGICO 
 
A eficácia dos fármacos antineoplásicos é alcançada mediante o seu potencial 
citotóxico, indicando que pequenas variações nas doses podem gerar graves danos ao 
paciente. Se forem preparadas doses ligeiramente menores do que as prescritas, poderão 
não produzir o efeito esperado e, se as doses forem ligeiramente maiores, poderão gerar 
um quadro de toxicidade, que pode ser letal. As doses prescritas devem ser rigorosamente 
atendidas. Deve-se ainda considerar que os doentes portadores de câncer são 
imunossuprimidos, quer pela doença de base, quer pelo fármaco que lhe está sendo 
administrado. É necessário, portanto, a utilização de uma técnica rigorosamente asséptica 
para o preparo das soluções parenterais, contribuindo dessa maneira para evitar quadros 
de infecção e septicemia. 
O farmacêutico que atende ao paciente oncológico ajuda na detecção de sintomas 
indicativos de sobreposição de toxicidades. É aconselhável que o farmacêutico sugira a 
diminuição das doses de pelo menos um dos componentes do esquema terapêutico. É 
também aconselhável que o farmacêutico em qualquer situação acompanhe a evolução clínica 
do paciente se inteirando das reações colaterais significantes, verificar se o medicamento está 
sendo administrado no tempo prescrito pelo médico e a forma como está sendo 
acondicionado na clínica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Portaria nº 3.616/MS/GM, de 30 de outubro de 1998. Aprova a Política Nacional de 
Medicamentos. 
Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Institui normas para licitações e contratos de 
administração pública. 
Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui a modalidade de licitação denominada pregão, 
para a aquisição de bens e serviços comuns. 
GOODMAN & GILMAN. As bases farmacológicas da Terapêutica. Rio de Janeiro: Mcgraw-Hill 
Interamericana, 2007. 
GOMES, M. J. V. M.; REIS, A. M. M. Ciências farmacêuticas: uma abordagem em farmácia 
hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2006. 
NETO, J. F. M. Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde. São Paulo: RX, 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Farmácia Hospitalarde decisão entre 
condutas diferentes. 
 
ANÁLISE FARMACOECONÔMICA 
 
A análise farmacoeconômica atualmente se faz imprescindível tanto ao sistema público de 
saúde como no particular. Esta análise busca comparar opções diferentes de conduta em saúde, 
posto que quando se faz a comparação entre dois ou mais medicamentos (ou outros 
procedimentos), serão verificadas diferenças nas consequências para a saúde. 
Essas consequências são os resultados do tratamento que podem ser mensuradas por meio 
de resultados clínicos (por exemplo, porcentagens de curas obtidas, complicações evitadas, 
número de vidas salvas, melhorias em parâmetros vitais e outros), econômicos (lucros ou 
prejuízos) ou humanísticos (mudanças na qualidade de vida dos pacientes). De acordo com o tipo 
de consequência analisada, as análises farmacoeconômicas podem ser classificadas como: 
❖ Análise de custo-benefício – quando uma opção terapêutica é avaliada em termos 
de suas vantagens ou desvantagens econômicas; 
❖ Análise de custo-efetividade – quando a opção terapêutica é avaliada em termos 
dos resultados clínicos obtidos; 
❖ Análise de custo-utilidade – quando a opção terapêutica é avaliada em termos do 
aumento ou redução dos indicadores de qualidade de vida dos usuários. 
Análise de custo-benefício 
 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
Nas análises do tipo custo-benefício, o que se procura é identificar a opção de tratamento 
que permite reduzir custos ou aumentar lucros, especificamente olhando a resposta financeira 
obtida por cada opção. Para a sua utilização, é necessário levar em conta que as alternativas sob 
estudo não trazem em si riscos éticos insuportáveis. 
Apenas se admitiria a adoção de uma alternativa mais barata, com potencial danoso, se 
fosse a única opção ou em caso de decisões em prol de uma maioria de indivíduos que poderia ser 
prejudicada pela adoção de uma alternativa mais cara. 
Uma avaliação de custo-benefício parte do levantamento de custos de uma opção. Em 
seguida, devem ser levantados os benefícios econômicos obtidos pela opção, como a quantidade 
de recursos financeiros que podem ser reduzidos pela adoção da alternativa, por exemplo. 
 
Análise de custo-efetividade 
 
As análises de custo-efetividade têm por objetivo identificar a opção terapêutica que 
consegue obter o melhor resultado clínico por unidade monetária aplicada. 
Os resultados clínicos são levantados por meio de ensaios clínicos (de preferência 
controlados, randomizados e duplo-cegos), estudos de coorte ou estudos observacionais; podem 
provir de publicações científicas ou, simplesmente, de reuniões com comitês de especialistas 
(embora esta forma seja altamente passível de desvios e imprecisões). 
TABELA - ANÁLISE DE CUSTO-EFETIVIDADE 
Medicamentos Custo para tratar 100 
pacientes 
Número de vidas 
salvas/100 pacientes 
Razão custo/efetividade 
(custo/vida salva) 
A R$ 30.000 10 R$ 3.000 
B R$ 20.000 4 R$ 5.000 
C R$ 18.000 18 R$ 1.000 
FONTE: Adaptado de Neto, J. F. M. 
Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde pública, 2005. 
 
Análises de custo-utilidade 
 
 
 
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O profissional de saúde, em particular o 
médico, possui a tendência de se deixar dominar 
pelos aspectos concretos e objetivos da ciência. 
Resultados obtidos por ensaios clínicos 
controlados, mensurados por meio de ferramentas 
estatísticas, frequentemente se sobrepõem à 
satisfação dos pacientes como um fator de escolha, 
pressupondo que o mesmo só está interessado na cura e, quando essa é obtida, sua satisfação 
será máxima. 
No entanto, nem sempre um paciente estará disposto ou satisfeito em usar um produto 
cujas características envolvam qualquer grau de sacrifício e mal- estar, muitas vezes o 
prolongamento do tempo de vida e os custos adicionais associados à opção por um determinado 
tratamento não se justificam pelo nível de sofrimento do paciente. 
Por esse motivo vêm sendo desenvolvidas ferramentas de análise que obtêm e quantificam 
a satisfação do paciente com relação ao tratamento empregado, traduzindo-se estes dados como 
a mensuração da qualidade de vida associada à saúde. 
 
Avaliação da qualidade de vida associada à saúde 
 
A qualidade de vida é um conceito muito mais amplo e envolve não apenas a saúde, mas 
também a percepção global do paciente de um determinado número de dimensões-chaves, com 
ênfase nos seguintes itens: 
❖ Características físicas, biológicas, anatômicas e hereditárias; 
❖ Estado funcional e capacidade de desempenhar as atividades do cotidiano; 
❖ Estado mental, incluindo a autopercepção da saúde e do estado de ânimo; 
❖ Potencial de vida individual, que inclui a longevidade e o prognóstico dos eventuais 
estados mórbidos; 
❖ Fatores ambientais, que incluem a situação socioeconômica, a educação, os hábitos 
de higiene, a alimentação e o meio ambiente, entre outros. 
A avaliação da qualidade de vida associada à saúde é feita por meio de questionários 
cuidadosamente elaborados para captar o grau de satisfação de um indivíduo com o seu estado 
atual. Os resultados obtidos são valores quantitativos que representam escores de qualidade de 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
vida (comumente chamados valores de QOL – Quality Of Life). 
Os indicadores QOL podem ser também usados em associação com o tempo de vida de um 
paciente portador de uma enfermidade, obtendo-se os valores de QUALY (Quality of Life Years 
Gained), ou AVAQ (Anos de Vida Ajustados pela Qualidade), que expressam a utilidade percebida 
pelo paciente no tempo de vida em tratamento ao qual foi submetido, dados esses utilizados em 
estudos de custo-utilidade. 
 
TABELA - ANÁLISE DE CUSTO UTILIDADE 
 
Item Antidepressivo A Antidepressivo 
B 
Custo/dia de tratamento R$ 1,30 R$ 1,50 
Escore de QOL 0,5 0,8 
Extensão de vida 20 anos 30 anos 
Índice AVAQ 10 AVAQ 24 AVAQ 
Custo anual do tratamento R$ 474,00 R$ 912,50 
Relação custo/utilidade R$ 47,40/AVAQ R$ 38,02/AVAQ 
FONTE: Adaptado de Neto, J. F. M. 
Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde pública, 2005. 
 
FARMACOVIGILÂNCIA 
 
A tragédia da Talidomida, no início da década de 1960, modificou radicalmente o processo 
de novos fármacos no mundo. Em vários países, os governos e as autoridades sanitárias criaram 
ou aprimoraram suas legislações relativas ao registro de medicamentos. O reconhecimento de 
limitações dos ensaios clínicos, principalmente de fase III, estimulou os pesquisadores e clínicos a 
buscarem métodos que permitissem a identificação precoce de reações adversas raras, graves e 
fatais, na pós-comercialização. Nascia assim a farmacovigilância. 
Segundo a OMS, farmacovigilância é o conjunto de métodos que tem por objetivo a 
identificação e a avaliação dos efeitos do uso agudo e crônico, dos tratamentos farmacológicos no 
conjunto da população ou em subgrupos de pacientes expostos a tratamentos específicos. Esse 
campo de atividade tem se expandindo e, recentemente, incluiu novos elementos de observação 
 
 
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e estudo, como: plantas medicinais; medicinas tradicional e complementar; produtos derivados de 
sangue; produtos biológicos; produtos médico-farmacêuticos; vacinas. 
 
Além das reações adversas a medicamentos, são questões relevantes para a 
farmacovigilância: 
• Desvios da qualidade de produtos farmacêuticos; 
• Erros de administração de medicamento; 
• Notificações de perda da eficácia; 
• Uso de fármacos para indicações não aprovadas, que não possuem base 
científica adequada; 
• Notificação de casos de intoxicação aguda ou crônica por produtos 
farmacêuticos; 
• Avaliação de mortalidade; 
• Abuso e uso errôneo de produtos; 
• Interações, com efeitos adversos, de fármacos com substâncias químicas, 
outros fármacos e alimentos.ESTUDOS DE FARMACOVIGILÂNCIA 
Para auxiliar os estudos de fase IV, ou farmacovigilância, foram desenvolvidos alguns 
desenhos metodológicos. 
 
Caso Controle 
 
Trata-se de um estudo que parte do efeito para chegar às causas. É uma investigação na 
qual, pessoas com uma dada reação adversa são comparadas com outras sem essa condição, de 
 
 
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modo a identificar, no passado, se estiveram expostas a um determinado medicamento que 
poderia explicar a ocorrência do agravo estudado. Utiliza-se o odds-ratio. 
 
Coorte 
 
É um estudo que parte da causa para observar os efeitos. Um grupo de pessoas que utiliza 
e outro que não utiliza determinado medicamento são seguidos no tempo com o intuito de 
determinar quais de seus componentes desenvolveram reações adversas e se a exposição prévia 
ao medicamento está relacionada à ocorrência do agravo estudado. Utiliza-se o risco relativo. 
 
Ecológicos 
 
O efeito de um medicamento na ocorrência de um evento relativo ao seu uso é comparado 
pelo menos duas vezes, antes e depois de sua retirada do mercado. O objetivo é avaliar se a 
disponibilidade do fármaco afeta, de alguma forma, a ocorrência de algum tipo de efeito. 
Transversais 
 
Neste estudo, causa e efeitos são detectados simultaneamente, sendo os dados coletados 
de uma população de pacientes em um mesmo ponto no tempo, independentemente da 
exposição ou estado da doença. É um corte no fluxo histórico da doença, evidenciando as 
características apresentadas por ela naquele momento. Desfecho e exposição acontecem num 
mesmo ponto no tempo. 
 
PROJETO HOSPITAL SENTINELA 
 
Criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o projeto Hospital Sentinela 
constitui uma rede nacional de hospitais, cuja finalidade é a notificação ativa e qualificada de 
queixas técnicas e efeitos adversos relacionados a produtos de saúde: materiais médico-
hospitalares, equipamentos eletroeletrônicos, medicamentos, sangue e hemoderivados, 
saneantes, kits diagnósticos. 
As notificações podem ser classificadas como: 
❖ Notificação voluntária; 
 
 
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▪ Profissionais de saúde – médicos, farmacêuticos, enfermeiros, odontólogos e 
representantes da indústria farmacêutica; 
▪ Usuários; 
❖ Notificação compulsória; 
▪ Profissionais de saúde. 
Essas notificações podem ser feitas a partir do preenchimento do formulário de 
notificações de reações adversas que pode ser enviado via internet, correio ou fax aos hospitais 
que compõem esta rede. 
CENTRO DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM) 
 
 O papel mais importante no sistema de saúde é 
ocupado pelos medicamentos, pois esses salvam vidas e 
melhoram a saúde. O amplo emprego dos medicamentos, 
os altos custos que estes representam na assistência à 
saúde, a elevada incidência de morbimortalidade atribuída 
aos medicamentos, a possibilidade de que boa parte possa 
ser prevenida ou amenizada a partir da difusão e do uso de 
informação e de uma assistência farmacêutica de 
qualidade, tornam o uso racional de medicamentos um dos grandes desafios para a saúde pública. 
Com o avanço das ciências em geral, tem aumentado exponencialmente a quantidade de 
informação disponível. Na área farmacêutica, a partir da década de 1940, também tem havido a 
introdução de novos medicamentos em grande escala. A essa quantidade de informação se 
convencionou chamar de “explosão de informação” ou “avalanche de informação”. Apesar da 
quantidade, essa informação nem sempre é de boa qualidade e imparcial; além disso, este volume 
de informação não é difundido de forma eficiente e ágil, de modo que os profissionais da saúde 
têm dificuldade em se manter atualizados. 
Este contexto dá origem a estudos que relatam cinco fatores causadores de problemas na 
farmacoterapia de um hospital: 
✓ Sistemas deficientes de distribuição e de administração de 
medicamentos; 
✓ Aplicação inadequada da informação do produto no que se refere a sua 
preparação e administração; 
 
 
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✓ Informação inadequada do médico prescritor; 
✓ Falta de conhecimento sobre as características farmacocinéticas dos 
medicamentos; 
✓ Falta de interesse e de preocupação no que se refere ao conhecimento e à 
notificação de reações adversas aos medicamentos. 
 
Os quatro primeiros fatores estão fundamentalmente ligados à falta de conhecimento e de 
informação sobre os medicamentos. Nesse caso, o problema não é a inexistência da informação, 
mas a dificuldade de acesso e de uso da mesma. Em nosso país, o problema é mais grave, já que a 
informação, em geral, não está disponível por causa dos altos custos que envolvem a aquisição e 
a manutenção da mesma e, também, por existir poucas publicações em português. 
Um estudo americano cita que estima 7 mil mortes anuais, nos EUA, entre pacientes 
ambulatoriais e hospitalares devido a erros de uso de medicamentos. No Brasil, o SUS registrou, 
em 1999, 275 milhões de consultas médicas e 12 milhões de internações hospitalares. 
Estes dados permitem estimar a importância dos medicamentos nestes procedimentos. 
A diretora-geral da OMS, em 1999, publica artigo onde expressa que: 
✓ De 25% a 75% dos antibióticos são prescritos inapropriadamente, mesmo em 
hospitais universitários; 
✓ Estudos realizados em farmácias de países em desenvolvimento demonstraram que 
90% dos consumidores compram antibióticos para três dias de tratamento ou 
menos; 50% compram somente para o tratamento de um dia; 
✓ Em média, 50% dos pacientes do mundo não tomam os medicamentos 
corretamente, resultando em mortalidade excessiva por infecções comuns, 
resistência a medicamentos e tratamento inadequado de doenças crônicas, como 
a hipertensão. 
Uma das propostas para solução desses problemas é a formação de farmacêuticos, 
clinicamente treinados como disseminadores de informação sobre medicamentos, serviço que esses 
profissionais, tanto comunitários como hospitalares, tradicionalmente vêm prestando de modo 
informal. Nos EUA, os farmacêuticos são os profissionais que mais atuam nos Centros de Informação 
sobre Medicamentos, o que também se observa no Brasil, uma vez que, como categoria profissional, 
são eles que têm a formação mais abrangente sobre medicamentos. 
Em 1962, foi criado o primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos do mundo, no 
 
 
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Centro Médico da Universidade de Kentucky, nos EUA. O termo “informação sobre 
medicamentos” foi proposto nesta época, usado em conjunto com as palavras Centro e 
Especialista. O sucesso da experiência resultou na abertura de novos CIMs pelos EUA, depois no 
Canadá e, hoje, existem mais de 200 centros no mundo. 
A necessidade de serviços de informação sobre medicamentos é mais evidente quando se 
considera que a documentação que frequentemente está ao alcance dos profissionais da saúde é 
aquela proporcionada pela indústria farmacêutica e, portanto, o enfoque tem um alto 
componente publicitário e comercial. Além disso, a entrega de amostras grátis para os médicos, 
as quais geralmente acompanham a publicidade dos medicamentos, influi de forma quase 
compulsiva na prescrição médica, evitando a análise objetiva e científica que se requer na 
consideração das alternativas de tratamento. 
O Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) é uma alternativa para facilitar o 
acesso e a disponibilidade da informação, diminuindo os custos hospitalares pela racionalização 
do uso dos medicamentos. 
 
A UTILIZAÇÃO E A PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS PELO CIM 
 
A informação sobre medicamentos é a base para o desenvolvimento dos instrumentos 
imprescindíveis para sua prescrição e uso racional. Entre esses, podemos citar: formulários; guias 
de tratamentos padronizados; einformação para consumidores, os quais só poderão ser 
desenvolvidos com informação confiável. 
As atividades de um Centro de Informação sobre Medicamentos costumam estar divididas 
em dois grandes grupos: 
 
❖ Informação reativa (também denominada de passiva) 
Aquela que é oferecida em resposta à pergunta de um solicitante. O farmacêutico 
informador espera passivamente que o interessado lhe faça a pergunta. Desencadear a 
comunicação é iniciativa do solicitante. Esta é considerada a principal atividade de um CIM. 
 
❖ Informação proativa (também denominada de ativa) 
É aquela em que a iniciativa da comunicação é do farmacêutico informador, que analisa 
qual tipo de informação seus possíveis usuários podem necessitar (médicos, farmacêuticos, 
 
 
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odontólogos, enfermeiros, pacientes, outros) e encontra uma via de comunicação para suprir essas 
necessidades. Estas atividades dão mais visibilidade e causam maior impacto junto aos usuários. 
 
Dentre estas atividades, deve-se notar que: 
❖ Não existe Centro de Informação sobre Medicamentos sem a primeira atividade – 
responder perguntas. Ou seja, um CIM pode desenvolver todas as atividades descritas, mas não 
será um CIM o lugar que desenvolver todas as atividades menos a primeira; 
❖ Responder perguntas deve representar a maior parte dos trabalhos prestados pelo 
CIM. Esta deve ser a atividade principal. 
A produção de informação em um CIM obedece a um protocolo que abrange desde a 
pesquisa em fontes bibliográficas para responder perguntas até a escolha dos temas a serem 
abordados em boletins, formulários, revisão de uso de medicamentos, farmacovigilância etc. A 
informação reativa deverá ser utilizada como “termômetro”, mostrando quais as principais dúvidas 
dos solicitantes do serviço que poderão servir de orientação para a elaboração de material 
informativo escrito – artigos, boletins, folders etc. – ou sugestão para programas de educação 
continuada. 
Levando-se em consideração as vantagens e as limitações das fontes de informação sobre 
medicamentos, em um CIM, na informação reativa, sugere-se que a sequência de busca de dados 
obedeça a seguinte ordem: terciárias, secundárias e primárias. As fontes terciárias são as mais 
utilizadas na atividade de informação reativa por uma série de fatores, tais como: disponibilidade, 
facilidade de manuseio, agilidade no uso, objetividade, variedade de informações que, porém, 
podem estar desatualizadas. Dependendo da complexidade e da natureza da pergunta, por 
exemplo, em novidades terapêuticas, será necessária a utilização das fontes secundárias e 
primárias. A avaliação crítica do farmacêutico especialista em informação sobre medicamentos 
deverá ser utilizada neste momento para fornecer a informação mais atual de forma objetiva e 
ágil. 
Os CIMs podem ser solicitados por telefone, pessoalmente, fax, correspondência, 
correio eletrônico, dependendo do caso. É necessário que o usuário identifique-se e forneça seu 
endereço, número do telefone etc., a fim de estabelecer uma via de comunicação que será 
utilizada na resposta, se essa não for imediata, ou caso um novo contato seja necessário. Quando 
estiver envolvido um paciente, é de grande importância fornecer os dados adequados, de tal 
forma que a resposta seja apropriada às necessidades e características particulares de cada um. 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
Na informação reativa, uma das características dos CIMs é o fornecimento gratuito,
 significando dizer que as consultas feitas não serão cobradas. Excepcionalmente, 
trabalhos específicos poderão ser cobrados, a critério de cada CIM. Como exemplo, a
 seguir constam algumas categorias de perguntas respondidas pelos CIMs: 
❖ Identificação de fármacos e medicamentos nacionais e estrangeiros, de uso 
comum ou em investigação, sua disponibilidade e/ou equivalência no mercado nacional e 
internacional; 
❖ Mecanismo de ação, usos clínicos, eficácia, reações adversas e toxicidade; 
❖ Posologia, duração e uso correto dos medicamentos, em especial para pacientes 
pediátricos, idosos, diabéticos, cardiopatas, nefropatias etc.; 
❖ Liberação, absorção, distribuição, metabolismo e excreção; 
❖ Possíveis interações dos medicamentos com o álcool, alimentos e outros fármacos; 
❖ Interferência dos medicamentos com exames de análises clínicas; 
❖ Uso de medicamentos durante a gravidez e a lactação; 
❖ Conservação dos medicamentos, principalmente quando se requer condições 
especiais; 
❖ Compatibilidade de misturas parenterais. 
 
Sabe-se que a principal atividade de um CIM é a informação reativa. Por outro lado, a 
informação proativa pode ser aquela que cause maior impacto ou reconhecimento do serviço 
junto à comunidade, seja essa de profissionais da saúde ou pacientes. Entretanto, existe uma 
estreita relação entre estes dois tipos de atividades e somente a experiência acumulada no 
exercício do dia a dia do CIM poderá determinar o equilíbrio das mesmas, ou seja, qual o tempo 
que será dedicado a cada uma delas. 
Um aspecto de destaque dentro da atividade proativa é a publicação de um boletim. Seu 
papel básico é a disseminação de informação imparcial, científica e avaliada sobre o uso de 
medicamentos, seja de novidades terapêuticas, novos usos, alertas sobre reações adversas, 
perguntas e respostas fornecidas na informação reativa que possam ter interesse geral, entre 
outras. O boletim é importante veículo de divulgação do CIM; por isso mesmo, deve ter qualidade, 
periodicidade (pelo menos quatro por ano) e ser bem difundido. 
 
CENTROS DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS NO BRASIL 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
 
Em 1992, iniciou-se a “sistematização 
de esforços para o desenvolvimento dos 
Centros de Informação sobre Medicamentos 
no Brasil”, quando o Conselho Federal de 
Farmácia, em parceria com a Organização 
Pan-Americana da Saúde, inicia a 
implantação do Centro Brasileiro de 
Informação sobre Medicamentos (CEBRIM) e, mais tarde, a partir deste, o Sistema Brasileiro de 
Informação sobre medicamentos, constituído atualmente por diversos CIMs. 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula seus membros para que estabeleçam e 
apliquem uma política direcionada aos medicamentos, desde suas especificações técnicas até as 
condições propícias para seu uso racional. No Brasil, a Política Nacional de Medicamentos (PNM) 
obrigatoriamente deve ser implementada pela Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) em todas 
as unidades hospitalares, para isso, é essencial a elaboração de uma padronização de medicamentos. 
Padronização de medicamentos pode ser entendida como a constituição de uma relação 
básica de medicamentos, que deve constituir os estoques das farmácias hospitalares, objetivando 
o atendimento médico-hospitalar, de acordo com suas necessidades e peculiaridades locais, 
acarretando na sua utilização racional. 
O processo de seleção de medicamentos deve assegurar o cumprimento de uma 
terapêutica racional e de baixo custo. Para garantir o uso racional de medicamentos, é necessário 
elaborar a lista de medicamentos padronizados e desenvolver, com muita intensidade e 
continuidade, um processo de educação farmacológica dos profissionais de saúde do hospital, 
induzindo uma reflexão crítica sobre a escolha e a utilização dos fármacos. 
 
O PROCESSO DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
A Seleção de medicamentos é um processo dinâmico, contínuo, multidisciplinar e 
participativo. Tem o intuito de assegurar ao hospital acesso aos medicamentos mais necessários, 
adotando critérios de eficácia, segurança, qualidade e custo. Promove a utilização racional dos 
 
 
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medicamentos. 
A seleção de medicamentos é um processo complexo. É importante queseja realizado 
considerando a contribuição das seguintes ciências: 
❖ Farmacoeconomia; 
❖ Farmacoepidemiologia; 
❖ Farmacologia e Terapêutica Clínica; 
❖ Farmacovigilância; 
❖ Biofarmacotécnica; 
❖ Farmacocinética. 
Este enfoque multidisciplinar colabora para que os diversos elementos que interferem na 
utilização dos medicamentos sejam contemplados na escolha do arsenal terapêutico. 
 
VANTAGENS DA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
A realização da seleção de medicamentos reduz custos e melhora a qualidade da 
farmacoterapia desenvolvida na instituição hospitalar. As vantagens da seleção de medicamentos 
são: 
❖ Reduzir o custo da terapêutica, sem prejuízos para a segurança e efetividade do 
tratamento; 
❖ Racionalizar o número de medicamentos e produtos correlatos, com consequente 
redução de custos com a aquisição; 
❖ Facilitar as atividades de planejamento, aquisição, armazenamento, distribuição e 
controle, com redução dos custos operacionais; 
❖ Disciplinar o receituário médico-hospitalar e uniformizar a terapêutica, 
colaborando como instrumento de ensino na área de saúde; 
❖ Aumentar a qualidade da farmacoterapia e facilitar a vigilância farmacológica, o que 
pode ser incentivado por meio da adoção do Programa de Farmacovigilância do Ministério da Saúde. 
 
ETAPAS DA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
Na implantação de um processo de seleção de medicamentos, é 
recomendável seguir as seguintes etapas: 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
❖ Conscientização da equipe de saúde por meio de reuniões e informativos; 
❖ Designação da comissão de seleção de medicamentos pelo diretor clínico; 
❖ Levantamento do perfil dos problemas de saúde atendidos pela unidade 
hospitalar; 
❖ Análise do padrão de utilização de medicamentos; 
❖ Definição dos critérios de seleção a serem adotados; 
❖ Seleção dos medicamentos, definindo a estratégia de desenvolvimento do 
formulário e os métodos a serem empregados; 
❖ Edição e divulgação do formulário farmacêutico; 
❖ Atualização periódica do formulário farmacêutico, que deve ser 
revisado no mínimo a cada dois anos. 
 
CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
A seleção de medicamentos depende de vários fatores, destacando-se o perfil das doenças 
prevalentes, a infraestrutura para o tratamento, o treinamento e a experiência da equipe 
disponível. Portanto, devem ser empregados no processo de seleção de medicamentos os 
seguintes critérios: 
❖ Selecionar medicamentos com evidência de eficácia clínica – estas informações 
devem ser obtidas através de ensaios clínicos; 
❖ Eleger entre os medicamentos da mesma indicação e eficácia, aquele de menor 
toxicidade e maior comodidade posológica; 
❖ Padronizar medicamentos cujo custo do tratamento/dia e o custo da duração do 
tratamento sejam pequenos, preocupando-se sempre com a eficácia do produto; 
❖ Padronizar medicamentos que possuam estudos sobre biodisponibilidade e 
parâmetros farmacocinéticos; 
❖ Escolher, sempre que possível, entre os medicamentos de mesma ação 
farmacológica, um representante de cada categoria química ou com característica farmacocinética 
diferente, ou que possua característica farmacológica que represente vantagem no uso 
terapêutico; 
❖ Evitar a inclusão de associações fixas, exceto quando os ensaios clínicos 
justificarem o uso concomitante e o efeito terapêutico da associação for maior do que a soma dos 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
efeitos dos produtos individuais (por exemplo, no uso da associação entre sulfametoxazol e 
trimetropima); 
❖ Priorizar formas farmacêuticas que proporcionem maior possibilidade de 
fracionamento e adequação à faixa etária, principalmente em unidades hospitalares que atendem 
o público pediátrico; 
❖ Padronizar, preferentemente, medicamentos encontrados comercialmente e 
formas farmacêuticas acondicionadas em dose unitária; 
❖ Realizar a seleção de antimicrobianos em conjunto com a Comissão de Controle 
de Infecção Hospitalar (CCIH), verificando os s prevalentes, padrões de sensibilidade e 
selecionando aqueles antimicrobianos que permitam suprir as necessidades terapêuticas; 
❖ Reservar novos antimicrobianos para o tratamento de infecções por 
microrganismos resistentes a antimicrobianos padrões ou para infecções em que o novo produto 
seja superior aos anteriores, fundamentado em ensaios clínicos comparativos; 
❖ Padronizar medicamentos pelo nome do princípio ativo adotando a denominação 
comum brasileira (DCB) e, na falta desta, a denominação comum internacional (DCI). 
 
COMISSÃO DE PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
Há duas comissões hospitalares responsáveis pela seleção de medicamentos: a Comissão 
de Farmácia e Terapêutica (CFT) e a Comissão de Padronização de Medicamentos (CPM). As duas 
comissões têm o mesmo objetivo, mas as atividades que desenvolvem são diferentes. O ideal é 
que as CPMs se transformem em CFTs. 
A CPM é a junta deliberativa designada pela diretoria clínica com a finalidade de 
regulamentar a padronização de medicamentos utilizados no receituário hospitalar. 
As atribuições da CPM são: 
❖ Padronizar os medicamentos para uso no hospital; 
❖ Publicar a padronização de medicamentos e mantê-la atualizada; 
❖ Divulgar informações sobre medicamentos. 
 
COMISSÃO DE FARMÁCIA E TERAPÊUTICA 
 
A responsabilidade pelo desenvolvimento e supervisão de todas as políticas e práticas de 
 
 
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utilização de medicamentos na unidade hospitalar com intuito de assegurar resultados clínicos 
ótimos e um risco potencial mínimo é da CFT. 
A CFT assessora a diretoria clínica nos assuntos relacionados a medicamentos e terapêutica 
e serve como uma ligação entre a farmácia e a equipe de saúde. Essa é a comissão hospitalar mais 
importante para a farmácia, pois promove ações educativas, assessoria técnica e divulgação sobre 
medicamentos devendo executar as seguintes atividades no hospital: 
❖ Estabelecer normas e procedimentos relacionados à seleção, à distribuição, à 
produção, à utilização e à administração de fármacos e agentes diagnósticos; 
❖ Padronizar, promover e avaliar o uso seguro e racional dos 
medicamentos prescritos no hospital; 
❖ Elaborar um guia farmacoterápico ou formulário farmacêutico; 
❖ Avaliar periodicamente o arsenal terapêutico disponível, promovendo inclusões ou 
exclusões segundo critérios de eficácia, eficiência clínica e custo; 
❖ Normalizar procedimentos farmacoclínicos que se relacionam com a terapêutica 
medicamentosa; 
❖ Coordenar avaliações clínicas e estudos de consumo de medicamentos em 
pesquisa ou recém-lançados; 
❖ Sugerir medidas que possibilitem a disponibilidade de recursos 
materiais e humanos, assegurando a viabilidade da política de 
medicamentos dentro da instituição; 
❖ Disciplinar a ação dos representantes da indústria farmacêutica dentro do hospital; 
❖ Estudar medicamentos sob o ponto de vista clínico, biofarmacêutico e químico, 
emitindo parecer técnico sob sua eficácia terapêutica como critério fundamental de escolha; 
❖ Divulgar informações relacionadas a estudos clínicos relativos aos medicamentos 
incluídos e excluídos do formulário farmacêutico; 
❖ Fazer estudos e/ou revisões bibliográficas sobre medicamentos; 
❖ Elaborar programas de notificação e acompanhamento de reações adversas. 
 
 
ESTRUTURA DAS COMISSÕES DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
As comissões de padronização e de farmácia e terapêutica têm a mesma estrutura básica, 
 
 
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garantindo um caráter multidisciplinar e dinâmico ao processo de seleção de medicamentos. 
Devem ser compostas de: 
✓ Um médico que atuará como presidente; 
✓ Um médico de cada especialidade (Clínica Médica, Clínica Pediátrica, Clínica 
Cirúrgica e/ou outras clínicas de acordo com as características do hospital); 
✓ Um membroda Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH); 
✓ Um farmacêutico; 
✓ Um enfermeiro 
 
O farmacêutico deve ser o secretário da comissão, os demais membros não devem ser 
escolhidos em função de motivação e experiência na área de terapêutica e farmacológica. Torna-se 
bastante interessante ter como membro permanente desta comissão, um representante da 
comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH). 
A equipe de saúde deve ser rotineiramente comunicada das decisões da CFT por meio de 
reuniões ou informativos. É recomendável que a CFT se reúna pelo menos seis vezes ao ano. 
 
FORMULÁRIO FARMACÊUTICO 
 
O Formulário Farmacêutico é uma publicação, geralmente em forma de manual, que traz a 
relação atualizada de medicamentos selecionados para uso no hospital e informações essenciais 
sobre medicamentos. O formulário deve ser completo e de fácil consulta, e sua revisão deve ser 
periódica. 
O sistema de formulário é um processo contínuo por meio do qual a farmácia e a equipe 
de saúde em conjunto com a CFT ou equivalente avalia e seleciona os medicamentos necessários 
para assistência aos pacientes. Os produtos selecionados devem estar disponíveis na farmácia. 
O objetivo primário da CFT é garantir o uso racional de medicamentos e reduzir os custos 
sociais e institucionais, ao se implementar o sistema de formulário. Estes dois objetivos 
aparentemente conflitantes representam um desafio para o sucesso da implementação do sistema 
de formulário. 
A atuação do farmacêutico, sugerindo ao médico substituição terapêutica ou farmacêutica 
e prescrição de medicamentos incluídos no formulário, implementa o sistema e reduz custos. 
A capacidade dos membros da CFT para escolher os melhores fármacos e conscientizar os 
 
 
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médicos sobre a relevância da seleção é importante para o êxito da implementação do formulário. 
Os profissionais da equipe de saúde devem ser incentivados a participar do processo de seleção 
de medicamentos. A ampla divulgação da revisão do formulário é importante para permitir que os 
profissionais do hospital enviem sugestões. As sugestões devem ser encaminhadas por meio do 
formulário de inclusão e exclusão de medicamentos à secretaria da CFT (Figura 6), que pode ser 
realizada a qualquer tempo, fato que pode trazer a necessidade de mais uma reunião da comissão 
para rever a padronização realizada. 
TABELA - ALTERNATIVAS E TIPOS DE SUBSTITUIÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
Definição de Alternativas e Tipos de Substituição de Medicamentos 
Alternativa Farmacêutica: medicamentos que contêm o mesmo fármaco, a mesma dosagem e diferem 
em relação ao sal, éster, forma farmacêutica ou via de administração. 
Alternativa Terapêutica: medicamentos que contêm diferentes fármacos, mas que pertencem à mesma 
classe farmacológica. Apresentam os mesmos efeitos terapêuticos quando administrados em doses 
terapeuticamente equivalentes. 
Substituição Farmacêutica: ato de fornecer uma alternativa farmacêutica no lugar do medicamento 
prescrito. 
Ex.: Estolato de eritromicina por estearato de eritromicina. Sulfato de codeína por fosfato de codeína. 
Ampicilina suspensão por ampicilina cápsula. 
Substituição Terapêutica: ato de fornecer uma alternativa no lugar do medicamento prescrito. 
Ex.: Enoxiparina por Fraxiparina, Omeprazol por Pantoprazol 
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em 
Farmácia Hospitalar, 2006. 
 
O uso de medicamentos não incluídos no formulário (conhecidos como medicamentos não 
padrão) deve ser controlado pela CFT. Estes medicamentos só devem ser liberados para utilização, 
após a solicitação contendo justificativa avaliada e aprovada pela CFT. Essas medidas visam inibir 
o uso de medicamentos não incluídos no formulário e incentivar o uso de padronizados, com 
intuito de controlar a prescrição médica e reduzir custos. 
O farmacêutico que atua na dispensação de medicamentos do hospital deve estar 
consciente do importante papel da padronização de medicamentos devendo estar capacitado e 
disposto a interagir com os médicos em um esforço de evitar a utilização de medicamentos não 
padronizados. As decisões da CFT devem confirmar a prática clínica da instituição para o sistema 
 
 
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de formulário ser efetivo. Contato direto com os médicos, distribuição de boletins e informações 
ajudam a motivar os médicos a prescreverem apenas medicamentos padronizados. 
 
FORMULÁRIO DE PADRONIZAÇÃO OU DESPADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS À LISTA DE 
MEDICAMENTOS PADRONIZADOS 
 
 
 
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REALIZAÇÃO DE SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
SELEÇÃO QUALITATIVA DE MEDICAMENTOS: REVISÃO DE CLASSE TERAPÊUTICA 
 
O método de revisão de classe terapêutica consiste na avaliação comparativa de 
fármacos de uma determinada classe terapêutica. O farmacêutico, com o suporte do Centro 
de Informações de Medicamentos (CIM), elabora uma monografia dos fármacos da classe 
terapêutica em análise. Os aspectos mais relevantes a serem abordados na monografia estão 
dispostos na Tabela 6. A monografia deve ser realizada com base em uma ampla revisão da 
literatura. Um informativo técnico sintético deve ser encaminhado à CFT visando subsidiar as 
deliberações. Neste informativo, é recomendável incluir tabelas para facilitar a comparação e 
dar enfoque, principalmente, às indicações, eficácia clínica, posologia reações adversas, 
ensaios clínicos, níveis de evidência do uso terapêutico e custo. 
O método de revisão de classe terapêutica pode ser empregado tanto nas revisões 
como na elaboração inicial da padronização. A maior vantagem deste método é propiciar 
avaliação sistemática de cada classe terapêutica organizando o processo de seleção e 
assegurando uma análise adequada dos fármacos disponíveis para o arsenal terapêutico do 
hospital. 
Os métodos qualitativos, como a revisão de classe terapêutica em situações que 
envolvem fármacos com características muito semelhantes, muitas vezes, não permitem uma 
escolha adequada. 
TABELA - ASPECTOS IMPORTANTES PARA AVALIAÇÃO DE MEDICAMENTOS 
Informações Importantes para Avaliação de Medicamentos 
Identificação do medicamento: denominação comum brasileira e/ou denominação comum internacional 
especialidades farmacêuticas formas farmacêuticas fornecedores 
Classe farmacológica (o ideal é empregar a classificação anatômico- terapêutica clínica — ATC) 
Indicações terapêuticas do medicamento autorizadas no país e outras indicações do medicamento aprovadas 
em outro país de referência (geralmente são utilizadas como referência as autorizações do FDA) 
Farmacologia clínica 
Farmacocinética 
 
 
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Reações adversas 
Cuidados, precauções e contraindicações 
Esquemas posológicos, inclusive em situações especiais: neonatologia, pediatria, geriatria gestação, 
insuficiência renal ou hepática e outras 
Ensaios clínicos publicados na literatura e, se disponíveis, metanálises 
Comparação com alternativas terapêuticas incluídas na padronização 
Custo do tratamento e análise do impacto econômico na instituição 
FONTE: Adaptado de Gomes, M. J. V. M. Ciências Farmacêuticas: Uma Abordagem em 
Farmácia Hospitalar, 2006. 
 
MÉTODO QUANTITATIVO PARA A SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
 
Os medicamentos novos, frequentemente, oferecem poucas vantagens em relação aos 
antigos, mas podem diferir em segurança, esquema de administração e custo. Em 
consequência dessa homogeneidade das características dos fármacos, a seleção de 
medicamentos pode se tornar subjetiva. Na seleção de medicamentos é necessário um 
método objetivo e quantitativo que abranja todas as variáveis que influenciam na seleção do 
fármaco adequado, como por exemplo, a análise de decisão clínica, um método que auxilia atomada de decisões definindo o modo mais efetivo de lidar com problemas específicos. 
A seleção de medicamentos empregando o método de análise de decisão envolve as 
etapas detalhadas a seguir. 
 
Definição do problema, dos objetivos e identificação das alternativas 
 
O primeiro passo deve ser a definição do problema em questão, o objetivo pretendido 
e a partir disto identificar as alternativas, isto é, os possíveis fármacos para o tratamento 
pretendido, como exposto no exemplo abaixo: 
 
Problema — seleção de um inibidor da bomba de prótons. 
Objetivo — escolher o fármaco inibidor da bomba de prótons de maior eficácia, 
segurança e de baixo custo para o tratamento de úlcera. 
Alternativas — omeprazol e pantoprazol. 
 
 
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Definição dos critérios de avaliação 
 
O segundo passo é definir critérios com o objetivo de quantificar a eficácia, a segurança 
e o custo de tratamento com os fármacos em estudo. Os critérios são definidos 
especificamente para um determinado problema. 
Por exemplo, na seleção de um inibidor de bomba de prótons da histamina podem ser 
adotados os seguintes critérios: 
❖ Eficácia em úlcera duodenal; 
❖ Eficácia X custo; 
❖ Farmacocinética; 
❖ Interação medicamentosa; 
❖ Reações adversas; 
❖ Ensaios clínicos com o fármaco e outros. 
 
Caracterização das informações necessárias à análise de decisão 
 
Os critérios de avaliação recebem certo peso e então são classificados em ordem 
crescente do peso. Em seguida, um grupo de médicos e farmacêuticos escolhidos pela CFT 
estabelece o valor utilitário de cada critério. O valor utilitário é a expressão quantitativa do 
valor relativo do critério. É definido também o valor probabilístico do fármaco que é uma 
estimativa numérica de como o fármaco preenche o critério de avaliação. A próxima etapa é 
a multiplicação do valor utilitário de cada critério pelo respectivo valor probabilístico e a 
realização da soma dos critérios. O fármaco com a maior pontuação final é o selecionado. 
O que pode ser aplicado ao nosso caso: omeprazol X pantoprazol. A partir da 
determinação dos pesos de cada critério a ser analisado, são dados os valores referentes a 
cada fármaco baseado em evidências científicas e somados os pontos, um dos fármacos pode 
então ser selecionado como o mais adequado, dentre os critérios priorizados pela CFT desta 
unidade hospitalar em particular. 
 
 
 
 
 
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Análise de decisão 
 
Podem ser introduzidos na avaliação alguns erros, pois determinados valores 
numéricos, especialmente os utilitários, podem ser subjetivos. Portanto, é necessário realizar 
uma análise estatística empregando análise de sensibilidade. A análise de sensibilidade avalia 
a estabilidade das conclusões em relação a uma faixa de valores plausíveis para o valor 
probabilístico e o utilitário. Ausência de alteração significativa da conclusão em função das 
variações dos valores indica que a alternativa de maior valor preenche melhor os critérios de 
avaliação. 
Os resultados de uma análise de decisão são aplicáveis apenas no hospital onde foi 
realizada. As conclusões de análise de decisão variam de uma instituição para outra, 
principalmente devido às diferenças na definição dos critérios e na definição da importância. 
A importância da análise de decisão consiste em forçar os membros da CFT a 
considerar os critérios e as alternativas objetivamente antes de chegar a uma decisão. A 
quantificação de todos os atributos dos fármacos permite um processo de seleção lógico e 
racional, evitando longas discussões e minimizando erros pessoais. 
 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS REALIZADA POR SISTEMA DE ANÁLISE DE AVALIAÇÃO 
POR OBJETIVO – SYSTEM OF OBJECTIFIED JUDGMENT ANALYSIS (SOJA) 
 
A Seleção racional de medicamentos é um fator essencial na elaboração do formulário 
farmacêutico. Além dos critérios racionais de seleção de medicamentos (eficácia clínica, custo, 
tolerância, esquema de administração etc.), fatores emocionais, financeiros e relacionados ao 
marketing farmacêutico interferem na seleção de medicamentos. O processo de tomada de 
decisão é uma alternativa para excluir a interferência desses fatores. 
O Sistema de Análise de Avaliação por Objetivo (SOJA) é um método de tomada de 
decisão para seleção de medicamentos. Este método consiste na definição prospectiva de 
critérios de avaliação para uma determinada classe terapêutica. A extensão com que cada 
fármaco preenche o critério é analisada. A cada critério é atribuído um peso relativo; quanto 
maior a relevância do critério, maior o peso. Um painel de especialistas escolhidos pela CFT 
estabelece o peso relativo de cada critério e o valor relativo para o fármaco frente ao critério. 
No método SOJA os seguintes critérios de avaliação do fármaco devem ser incluídos: 
 
 
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A pontuação total do SOJA é de no máximo mil pontos, que são divididos entre os 
critérios considerados relevantes para classe terapêutica em estudo. A principal vantagem do 
SOJA é selecionar os medicamentos empregando exclusivamente critérios racionais. O 
método subsidia as decisões da CFT tornando o processo de tomada de decisão mais concreto. 
Esse método tem limitação de ser tempo-dependente, pois sofre alteração em virtude 
das publicações de ensaios clínicos, estudos de farmacovigilância e do registro e do tempo de 
comercialização. Para superar essa limitação, o método deve ser atualizado periodicamente, 
daí a necessidade de reunião da CFT. 
 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTO PARA REDUZIR CUSTOS COM ASSISTÊNCIA 
FARMACÊUTICA 
 
A CFT possui uma meta em especial, reduzir as despesas com medicamentos, evitando 
gastos que resultam em elevação desnecessária do custo do tratamento, sem contribuir com 
retorno à saúde do paciente. A CFT para atingir esta meta deve adotar as seguintes estratégias: 
❖ garantir, por meio de medidas educativas e programas de estudo de utilização 
de medicamentos (EUM), que os medicamentos selecionados estão sendo adequadamente 
prescritos; 
❖ incentivar o uso do medicamento de baixo custo quando a eficácia e a 
segurança não foram alterados; 
❖ elaborar revisões periódicas das diversas classes de fármacos, fazendo 
alterações visando garantir que os medicamentos usados no hospital irão refletir a terapêutica 
mais econômica; 
❖ promover a utilização eficiente dos medicamentos, adotando mecanismos de 
restrição de fármacos para serviços específicos, situações clínicas determinadas e 
credenciamento de médicos autorizados a prescrever. 
Nos últimos anos, administradores hospitalares e farmacêuticos têm observado que 
uma grande parte da elevação das despesas dos hospitais nos últimos anos é devida às 
farmácias. Entretanto, muitas das causas são por fatores externos e a CFT é vista como um 
instrumento com capacidade para controlar os fatores internos. O sistema de formulário 
oferece excelente controle dos fármacos utilizados no tratamento dos pacientes. O 
reconhecimento deste controle pelos administradores frequentemente resulta em pressão 
para CFT priorizar a redução de custos devido aos enormes gastos com medicamentos. Mas a 
 
 
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CFT deve conscientizar os administradores que a redução dos gastos não pode ocorrer em 
detrimento da qualidade da farmacoterapia prestada ao paciente. 
Tradicionalmente, a CFT tem avaliado a inclusão de medicamentos nos formulários 
com base na eficácia, segurança e custos de aquisição. A utilização de informações de análise 
farmacoeconômica nos processos de tomada de decisão sobre os medicamentos a serem 
incluídos ou excluídos do formulário irá auxiliar a CFT a garantir a redução de custos e a seleção 
de medicamentos eficazes. A farmacoeconomia é uma área em desenvolvimentodentro das 
ciências farmacêuticas de grande importância, que pode ser também realizada pela própria 
unidade hospitalar com seus próprios dados e, por isto, as CFTs e as CPMs devem se 
conscientizar da importância da farmacoeconomia e capacitar profissionais para atuar nessa 
área nos hospitais. 
Podemos concluir após a exposição deste tema que o processo de seleção de 
medicamentos visa: 
❖ Facilitar a escolha de fármacos seguros, eficazes e baratos; 
❖ Promover a utilização racional de medicamentos; 
❖ Custo do medicamento; 
❖ Eficácia clínica; 
❖ Incidência e intensidade de efeitos adversos; 
❖ Esquema posológico; 
❖ Interações medicamentosas; 
❖ Estudos clínicos, indicações aprovadas; 
❖ Tempo de comercialização; 
❖ Farmacocinética; 
❖ Aspectos farmacêuticos; 
❖ Reduzir o custo da assistência farmacêutica 
Portanto, a padronização de medicamentos de um hospital é um instrumento facilitador 
da implementação de um programa de uso racional de medicamentos e por este motivo o 
serviço de farmácia hospitalar deve incentivar a implantação de uma comissão de seleção de 
medicamentos atuante. 
E quaisquer que sejam os critérios empregados, a forma de planejar este trabalho, a 
divulgação, o formato, a denominação, a facilidade em se encontrar as informações de forma 
rápida e objetiva, nada será válido se não for utilizado efetivamente e se os resultados desta 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
tarefa não forem revertidos de forma satisfatória para trazer benefícios ao elemento mais 
importante de todo este processo: o paciente. 
 
INFECÇÕES HOSPITALARES E COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES 
(CCIH) 
 
As infecções hospitalares é problema antigo, havendo relatos desde 325 d. C., quando 
foram criados hospitais nas catedrais, confinando os doentes em ambientes restritivos que 
propiciavam a transmissão das moléstias da época. 
Com a descoberta da penicilina, no início do século XX, houve uma redução significativa 
das infecções. Para tanto, a partir dos anos 50, começaram a aparecer bactérias resistentes e 
as infecções hospitalares passaram a despertar maior interesse e atenção. 
Embora existam centros de excelência em controle de infecção hospitalar, uma grande 
parte dos hospitais brasileiros ainda não possui uma comissão ou serviço de controle de 
infecção hospitalar funcionando de maneira efetiva, indicando a necessidade de reavaliação 
da política de controle de infecções hospitalares. 
As infecções hospitalares são geralmente associadas aos diversos procedimentos 
invasivos, como os cirúrgicos, os cateterismos, a ventilação mecânica, entre outros. 
De acordo com os critérios gerais, as infecções hospitalares são definidas e descritas 
da seguinte forma: 
❖ Quando na mesma topografia em que for diagnosticada infecção comunitária, 
for isolado um germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente; 
❖ Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não 
internação, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica que se apresentar a 
partir de 72 horas após a admissão; 
❖ Quando se manifestam antes de 72 horas de internação, sendo associadas a 
procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos realizados durante este período; 
❖ Em recém-nascidos, com exceção das transmitidas de forma transplacentária 
e aquelas associadas à bolsa rota superiores a 24 horas; 
❖ Os pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção 
são considerados portadores de infecção hospitalar do hospital de origem. 
 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
As principais causas das infecções hospitalares são: 
❖ Condição clínica do paciente; 
❖ Falta de vigilância epidemiológica adequada; 
❖ Uso irracional de antimicrobianos; 
❖ Utilização excessiva de procedimentos invasivos; 
❖ Métodos de proteção anti-infecciosa, ineficazes ou inexistentes; 
 
As características do programa de controle de infecções hospitalares são: 
❖ Possuir vigilância epidemiológica ativa, sistemática e contínua das infecções, 
buscando ações oportunas de prevenção e controle; 
❖ Racionalizar o uso dos antimicrobianos e de outros medicamentos que possam 
favorecer o desenvolvimento de infecções hospitalares; 
❖ Monitorar e controlar os procedimentos invasivos; 
❖ Utilizar métodos de proteção anti-infecciosa efetivos; 
Promover a educação continuada sobre o controle de infecções hospitalares; 
 
COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (CCIH) 
 
A portaria 196, de 24 de junho de 1983, foi a primeira legislação sobre infecções 
hospitalares no Brasil que estabeleceu conceitos e parâmetros para o controle de infecção nos 
hospitais. Esta portaria determinou que todos os hospitais do país, independentemente da 
natureza da entidade mantenedora, deveriam possuir uma Comissão de Controle de Infecções 
hospitalares (CCIH). 
Em 1992, foi publicada a portaria 930, que determinou a constituição, em todos os 
hospitais do país, dos Serviços de Controle de Infecções (SCIH), mantendo a exigência de existir 
também a CCIH. 
A CCIH é um órgão colegiado obrigatório, subordinado à Diretoria Clínica, com papel 
deliberativo. Já o SCIH apresenta papel executivo das tarefas emanadas pela CCIH. 
Todas as reuniões e providências tomadas pela CCIH/SCIH devem ter seu registro feito 
de forma adequada e estes documentos devem ficar arquivados para posterior verificação 
pela fiscalização ou possível utilização se houver algum processo judicial. 
A participação do farmacêutico nas comissões de controle de infecção é importante 
 
 
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não somente no aspecto técnico, como está prevista legalmente no Brasil, por meio da 
portaria 2.616/1998, do Ministério da Saúde, que define o farmacêutico como membro 
consultor e executor da CCIH. Segundo a portaria 2.616/1998, a farmácia tem participação 
importante no controle de infecções hospitalares: 
 
✓ Promovendo o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais 
médico-hospitalares; 
✓ Definindo políticas de utilização de antimicrobianos, germicidas e materiais 
médico-hospitalares; 
✓ Cooperando com o setor de treinamento ou responsabilizar-se pelo 
treinamento de funcionários e profissionais no que diz respeito ao CCIH.(MINISTÉRIO DA 
SAÚDE, 1998) 
 
Funções da CCIH 
- Revisão da padronização do elenco de antibióticos; 
- Elaboração de protocolos clínicos para tratamento de infecções; 
- Elaboração de relatórios com perfil de utilização, demanda e custos dos 
tratamentos; 
- Monitoramento de pacientes em uso de antimicrobianos, por meio das 
fichas de controle; 
- Definir critérios para seleção e aquisição de desinfetante s , 
antissépticos, saneantes, produtos para saúde e medicamentos. 
 
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS NÃO ESTÉREIS 
 
Dentro das ciências farmacêuticas, a manipulação em hospital é uma atividade 
especial. Envolve áreas da farmácia que não são comuns em estabelecimentos de 
atendimento ao público. 
A manipulação de medicamentos não estéreis é um serviço que propicia grande 
economia para a instituição, disponibilizando medicamentos e soluções que o mercado não 
possui ou que têm alto custo, em diferentes concentrações, quantidades e volumes. 
O hospital leva a vantagem de poder controlar precisamente a administração de 
 
 
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medicamentos preparados exclusivamente para um paciente, por possuir laboratórios de 
manipulação especializados. 
 
A importância da manipulação de medicamentos não estéreis é vista nas seguintes 
ocasiões: 
❖ É de extrema importância para o Sistema de Distribuição de Doses Unitárias 
(SDDU), podendo ser considerada uma área pré-requisito para Dose Unitária; 
❖ Proporciona a qualquer momento medicamentos com qualidade aceitável, 
adaptados à necessidade dapopulação que atende; 
❖ Permite fracionar ou reenvasar medicamentos a fim de racionalizar sua 
administração e distribuição. 
❖ Permite preparar, diluir ou “reenvasar” germicidas necessários para 
realização de antissepsia, limpeza, desinfecção e esterilização. 
 
FORMAS FARMACÊUTICAS NÃO ESTÉREIS DE IMPORTÂNCIA NA MANIPULAÇÃO 
HOSPITALAR 
 
Há algumas formas farmacêuticas não estéreis que podem ser produzidas na farmácia 
hospitalar como: 
❖ Comprimidos; 
❖ Cápsulas; 
❖ Papéis; 
❖ Soluções; 
❖ Xaropes; 
❖ Suspensões. 
E algumas que são obtidas no mercado farmacêutico, já manufaturadas, que podem 
ser submetidas ao fracionamento na farmácia hospitalar, como: 
❖ Comprimidos; 
❖ Líquidos orais (soluções, xaropes e suspensões). 
O número de farmácias onde existe a manipulação de medicamentos não estéreis vem 
crescendo significativamente por apresentar inúmeras vantagens, como: 
❖ Medicamento personalizado satisfazendo às necessidades do paciente; 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
❖ Associações benéficas; 
❖ Vínculo entre paciente / médico / farmacêutico fortalecido; 
❖ Custo reduzido. 
 
Algumas observações na manipulação de medicamentos não estéreis 
que devem ser levadas em consideração: 
❖ Os equipamentos a serem utilizados na manipulação devem estar 
devidamente calibrados e aferidos; 
❖ Vidrarias e materiais de porcelana devem estar íntegros; 
❖ Deve haver um termostato nos refrigeradores
 permitindo monitoramento da temperatura; 
❖ Os insumos devem ser armazenados de acordo com as orientações do 
fabricante; 
❖ A embalagem deve garantir a estabilidade do produto. 
 
ESTRUTURA FÍSICA LABORATORIAL PARA MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS NÃO 
ESTÉREIS 
 
 
❖ Sala de paramentação com lavatório. 
❖ Interior subdividindo os laboratórios de líquidos, semissólidos, sólidos e 
controle de qualidade, com acesso independente para evitar a contaminação cruzada. 
 
❖ Piso liso e lavável, cantos e rodapés arredondados, paredes lisas pintadas de cor 
clara com tinta acrílica ou epóxido, sistema de circulação de ar. 
❖ Sistema de circulação de ar composto pó: ventilador insuflador de ar e 
exaustor. Presença de pré-filtros HEPA para proporcionar ambiente classe 100 mil, com 20 
trocas de ar por hora. 
❖ Bancadas com tampo de material liso e lavável, pia de aço inoxidável, fonte de 
água potável e de água purificada, box de pesagem com balança eletrônica, armários para 
estoque de vidrarias e utensílios de manipulação. 
 
QUIMIOTERAPIA E AS ATRIBUIÇÕES DO FARMACÊUTICO ONCOLÓGICO 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
 
Nos Estados Unidos, depois da doença cardíaca, o câncer constitui a principal causa de 
morte. Aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo desenvolvido poderá morrer 
de câncer nas próximas décadas. 
De acordo com estatísticas apresentadas em todo mundo, o aumento crescente da 
incidência do câncer é consequência do crescimento demográfico, da longevidade e 
provavelmente da entrada de novos fatores cancerígenos causais ou concausais cuja natureza 
é pouco conhecida. 
O câncer é um distúrbio celular caracterizado por alterações no processo de duplicação 
do DNA, resultado em proliferação celular alterada, de forma desordenada. 
A terapia oncológica consiste no tratamento dos pacientes portadores de câncer, por 
meio de qualquer das modalidades disponíveis à prática médica. Atualmente, o recurso mais 
empregado é o da quimioterapia, o qual utiliza os medicamentos antineoplásicos, por 
intermédio de protocolos de um ou mais medicamentos, dependendo do tipo e do estágio do 
tumor. 
ATENDIMENTO ÀS PRESCRIÇÕES MÉDICAS 
 
Conjunto de solicitações escritas pelo médico ao farmacêutico, para a preparação e 
entrega de um ou mais medicamentos, a prescrição ou receituário médico é redigida contendo 
informações direcionadas ao farmacêutico, visando ao atendimento do doente. Um 
receituário médico contém partes imprescindíveis, que o torna personificado e específico para 
cada paciente: 
❖ Nome do paciente; 
❖ Fármacos; 
❖ Vias de administração; 
❖ Forma farmacêutica; 
❖ Indicações de uso; 
❖ Forma de administração do medicamento. 
O farmacêutico ao receber uma prescrição deve se certificar de que todas as 
informações, necessárias a dispensação do medicamento, estão claras e de acordo com o 
protocolo predefinido pelo médico. Os fármacos devem ser prescritos pelo médico em letra 
legível de forma explícita, indicando as concentrações desejadas para o tratamento. Cabe ao 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
farmacêutico conferir as doses prescritas de acordo com a superfície corporal do paciente. 
Caso as doses estejam aparentemente elevadas, o médico deverá sublinhar a dose desejada, 
demonstrando consistência do fato. Em se tratando de agentes antineoplásicos, estes dados 
devem ser cuidadosamente avaliados devido às suas características citotóxicas. 
O atendimento da prescrição médica inclui a confecção de rótulo, o qual deve conter 
todas as informações necessárias à identificação do paciente, características referentes à 
reformulação preparada à orientação para a enfermagem na assistência ao paciente. 
Seguindo o protocolo de cada paciente, o esquema posológico deve estar claro na 
prescrição médica. Formulado pelo médico, o protocolo quimioterápico combina diversos 
medicamentos antineoplásicos destinados ao paciente oncológico e enviados ao farmacêutico 
para execução das diluições. 
O tratamento é repetido a um dado intervalo de tempo, denominado ciclo, de acordo 
com a evolução do paciente. 
O protocolo deve expressar com clareza: 
❖ Os fármacos; 
❖ O veículo; 
❖ A concentração; 
❖ A posologia; 
❖ Via de administração; 
❖ Tempo de infusão; 
❖ Informações sobre sequência e duração do tratamento; 
❖ Periodicidade dos ciclos; 
❖ Altura; 
❖ Peso; 
❖ Superfície corporal; 
❖ Diagnóstico do paciente. 
Para os esquemas de altas doses, é importante que o farmacêutico certifique-se junto 
ao médico de que a dose prescrita é a desejada. 
A via endovenosa é a mais utilizada, no entanto, outras vias podem ser utilizadas, como 
tópica, oral, muscular, intratecal, intraperitoneal, intrapleural, intravesical e intrarretal. 
 
CENTRAL DE MANIPULAÇÃO DE ANTINEOPLÁSICOS 
 
 
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 Farmácia Hospitalar 
 
Setor onde são realizadas todas as atividades envolvendo a operação farmacêutica de 
preparo das soluções parenterais destinadas ao tratamento do câncer. As soluções são 
manipuladas de acordo com a prescrição médica destinada a cada paciente, de forma 
individual e personalizada. 
São extremamente complexas as técnicas empregadas para diluir os antineoplásicos, 
tornando-se aconselhável a centralização das atividades de manipulação desses fármacos. 
A manipulação centralizada apresenta as seguintes vantagens: 
❖ Melhor controle dos riscos decorrentes da exposição dos trabalhadores 
envolvidos com agentes antineoplásicos e meio ambiente; 
❖ Garantia de qualidade das soluções parenterais e dos serviços prestados aos 
pacientes oncológicos; 
❖ Redução dos cistos com recursos humanos, fármacos e material utilizado na 
manipulação dos antineoplásicos; 
❖ Melhor gerenciamento do setor, visando a alcançar eficácia, eficiência e 
efetividade nos serviços prestados. 
É necessária a elaboração de um projeto claro, conciso e coerente com a realidade de 
cada hospital ou clínica, para a implementação de uma Central de Manipulação de 
Antineoplásicos. Cada parte do projeto deve ser explicada com argumentos técnicos para 
justificar os equipamentos, a área física e os recursos humanos apresentados. 
A central de manipulação deve ser bem planejada, buscando atender a característica 
de cada hospital e visando a proporcionar segurança ao trabalhador. 
Em linhas gerais, deve possuir os seguintes espaços físicos: 
 
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