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Disciplina 2026.2 6ºPeriodo ÉTICA PROFISSIONAL - CGR0040106NMA Curso de Direito Prof. Fortunato 18/09/2026 RELAÇÃO ADVOGADO E CLIENTE: CONTRATOS DE HONORÁRIOS, DEVER DE INFORMAÇÃO E CONFLITO DE INTERESSES NA ERA DIGITAL. AULA ESTRUTURADA: A RELAÇÃO ADVOGADO-CLIENTE NA ERA DIGITAL Tema: Contratos de honorários, dever de informação e conflito de interesses na era digital. Objetivo: Analisar e refletir criticamente sobre as implicações jurídicas, éticas e tecnológicas na prestação de serviços advocatícios contemporânea, fundamentada na legislação civil e estatutária brasileira. Introdução: O Novo Ecossistema da Advocacia Digital A transformação digital alterou profundamente o mercado jurídico. Atualmente, a contratação de serviços e a comunicação ocorrem, em grande parte, por meios virtuais (e-mails, aplicativos de mensagens, reuniões por vídeo e plataformas de LegalTech). Esse cenário, embora traga eficiência e celeridade, expõe a relação advogado-cliente a novos riscos relacionados à transparência contratual, à segurança das informações e à integridade ética. CONTRATOS DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NA ERA DIGITAL O contrato de honorários é o ato negocial que formaliza a relação de trabalho e estabelece a contraprestação financeira do advogado. Na era digital, sua formalização e execução exigem cuidados redobrados. Requisitos e Forma Eletrônica Validade do Contrato Eletrônico: Os contratos celebrados por meio digital são plenamente válidos, desde que assegurada a autoria e a integridade das partes por meio de assinaturas eletrônicas (ICP-Brasil ou formas aceitas pelas partes, conforme o art. 10 da Lei nº 14.063/2020 e o Código Civil). Previsão Expressa de Serviços Digitais: É recomendável que o instrumento delimite claramente o escopo da atuação digital (por exemplo, se abrange o monitoramento de processos em tribunais eletrônicos, peticionamento virtual ou atendimento por canais de mensagens instantâneas). FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E ESTATUTÁRIA Código de Ética e Disciplina da OAB (CED): O art. 35 do CED estabelece que os honorários devem ser estipulados com moderação, atendendo aos elementos de relevância, complexidade e o tempo exigido para o serviço. Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): O Art. 22 garante o direito do advogado aos honorários convencionados, aos de sucumbência e aos fixados por arbitramento judicial. O Art. 23 estabelece que os honorários de sucumbência pertencem ao advogado, ressaltando a autonomia dessa verba. O ART. 22 DA LEI Nº 8.906/1994 (ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB) TRATA DO DIREITO DO ADVOGADO AOS HONORÁRIOS. Em linguagem simples O dispositivo assegura que o advogado tem direito de receber remuneração pelo trabalho realizado, que pode ocorrer de três formas principais: Honorários convencionados São aqueles combinados entre advogado e cliente, normalmente por meio de contrato de honorários. Exemplo: advogado e cliente combinam R$ 10.000,00 para acompanhar determinada ação. Honorários de sucumbência São aqueles pagos pela parte que perde a causa ao advogado da parte vencedora, conforme determinado judicialmente. Eles não se confundem com os honorários contratados entre advogado e cliente. Honorários fixados por arbitramento judicial Ocorrem quando é necessário que o juiz fixe o valor dos honorários, considerando o trabalho realizado pelo advogado e os critérios legais. Exemplo: não houve contrato escrito de honorários e é necessário determinar judicialmente quanto é devido ao advogado. O DEVER DE INFORMAÇÃO E TRANSPARÊNCIA TECNOLÓGICA O dever de informação é uma vertente da boa-fé objetiva (art. 422 do Código Civil) e ganha contornos complexos quando mediado por tecnologias da informação e inteligência artificial. TRANSPARÊNCIA SOBRE O USO DE FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Inteligência Artificial e Automação: Caso o escritório utilize softwares de jurimetria, redação assistida por IA ou algoritmos de triagem, o cliente deve ser informado, garantindo-se o sigilo profissional (art. 34, VII, do Estatuto da OAB). Riscos Cibernéticos: O advogado tem o dever de informar o cliente sobre os riscos inerentes à comunicação digital (vazamento de dados, interceptação de mensagens) e adotar padrões rigorosos de segurança da informação, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD - Lei nº 13.709/2018). DEVERES PRÉVIOS E CONTÍNUOS Clareza de Custos: O art. 36 do Código de Ética da OAB veda o aviltamento de honorários e exige que o advogado preste contas de forma clara ao cliente, detalhando despesas, taxas e eventuais custos operacionais digitais vinculados à demanda. Conflito de Interesses na Sociedade da Informação O avanço das plataformas digitais, a expansão dos escritórios virtuais e a atuação em redes nacionais e transnacionais ampliam exponencialmente o risco de conflito de interesses. MAPEAMENTO AUTOMATIZADO DE CLIENTES Sistemas de Gestão (CRMs e Softwares Jurídicos): Os escritórios utilizam bancos de dados digitais para cadastro de clientes e partes contrárias. A falha na atualização ou no cruzamento desses dados pode gerar conflitos ocultos graves. Fundamentação Ética: O Art. 20 do Código de Ética e Disciplina da OAB determina que o advogado deve abster-se de patrocinar causa contrária a interesse de cliente anterior, resguardando o sigilo profissional e evitando a colisão de interesses, mesmo em ambiente virtual. Portais de Atendimento e Plataformas de LegalTech O uso de plataformas terceirizadas de captação de clientes ou prestação de serviços jurídicos em massa deve ser rigorosamente auditado para evitar o agenciamento de causas vedado pelo art. 34, IV, do Estatuto da OAB, bem como para blindar o sigilo das informações trocadas com o cliente. OBRIGADO image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png