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JORDANA BEATRIZ-MED7 1 1 INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES-MEDCURSO INTRODUÇÃO: ▪ Principal motivo de atendimento nas emergências pediátricas. ▪ A maior parte das vezes é uma doença benigna e autolimitada. ▪ É um importante causa de óbito. ▪ Vários fatores pelos quais essas doenças são tão frequentes: o Baixa cobertura vacinal; o Baixo peso ao nascer; o Desmame precoce; o Dificuldade de acesso à assistência médica. INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES A grande dificuldade é que o quadro clínico inicial é muito semelhante entre si. RESFRIADO COMUM CONCEITO INICIAL: infecção respiratória mais comum da infância. ▪ Tem risco de complicações bacterianas. ▪ Duas principais complicações bacterinas: o Otite média aguda → mais comum. o Sinusite bacteriana aguda. ▪ Pode durar até 7 dias. DIFERENÇA DE RESFRIADO COMUM X GRIPE: ✓ Resfriado comum: infecção viral que acomete a mucosa nasal e mucosa dos seios paranasais. ✓ Gripe: fala especificamente sobre infecção do vírus influenza, tem manifestações respiratórias + acometimento de toda árvore respiratória. Tipicamente, tem outras manifestações sistêmicas como febre alta de início súbito. ➢ ETIOLOGIA: o Rinovírus: é o vírus mais comum que causa resfriado. ▪ Criança no primeiro de vida pode ter de 6 à 8 quadro de resfriado comum ao ano. ▪ Esse grande número de resfriado comum durante o ano se atribui aos sorotipos do rinovírus. ▪ A partir do momento que a criança é contaminada com o sorotipo do rinovírus ela ‘aprende’ como combater esse sorotipo, criando uma resistência permanente. o Coronavírus; o Vírus sincicial respiratório; o Adenovírus. o Influenza; o Parainfluenza; ➢ PATOGÊNESE: Em geral, a contaminação ocorre pelo contato direto. O vírus entra no organismo pela mucosa nasal, e ao chegar, começa a replicar e tem o estabelecimento de um processo inflamatório. ➢ MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: o Coriza: ▪ Comum: hialina; ▪ A coloração pode ir mudando de cor com o passar dos dias→ não significa infecção bacteriana. ▪ A partir do 3º dia: coriza se torna esverdeada com aspecto mucopurulento. o Obstrução nasal. ▪ = 2 anos ATB ATB ATB ou observação ATB ou observação Sintomas graves: aparência tóxica, otalgia > 48hrs, febre >= 39º nas últimas 48hrs, acompanhamento duvidoso. ✓ USO OBRIGATÓRIO DE ATB: o Menores de 6 meses; o Presença de otorreia; o Presença de sinais de gravidade; o OMA bilateral em✓ Quadro grave: o Febre alta >=39ºC e coriza purulenta; o Por >= 3 dias consecutivos. ✓ Quadro que piora: o Evolução bifásica (criança estava com resfriado comum, que apresenta uma melhora, porém, tem piora súbita. ➢ AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR/DIAGNÓSTICO: Radiografia de seios da face: ▪ Pode encontrar algumas alterações como: o Espessamento mucoso > 4mm. o Opacificação do seio (comparar com o seio contralateral); o Nível hidroaéreo. ▪ Não deve pedir RX de seios da face, por mais que encontre alguma dessas alterações, não consegue definir se é quadro viral ou bacteriano. ➔ DIAGNÓSTICO DE SINUSITE: CLÍNICO. ➢ TRATAMENTO: o Amoxicilina 50mg/kg/dia- primeira escolha. ▪ Manter por mais sete dias após a melhora clínica. JORDANA BEATRIZ-MED7 4 4 INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES-MEDCURSO FARINGITE AGUDA Tem como queixa principal dor de garganta. ➢ ETIOLOGIA: o Rinovírus; o Adenovírus; o Epstein-baar; o VSR o Enterovírus; o Coronavírus; Existe vários agentes etiológicos, e a maioria das vezes a faringite é viral → benigna, autolimitada. FARINGITE VIRAL ➢ FEBRE FARINGOCONJUNTIVAL: o Agente: adenovírus; o MC: faringite + conjuntivite. ➢ ERPANGINA: o Agente: coxsackie A. o MC: febre altíssima, não come, presença de ulceras na cavidade oral- posterior a orofaringe. o Diagnóstico: CLÍNICO; o Tratamento: sintomático + internação. ➢ MONONUCLEOSE INFECCIOSA: o Agente: Epstein-baar. o MC: Faringite exsudativa + adenomegalia generalizada ▪ Esplenomegalia. o Diagnóstico: hemograma → atipia linfocitária. FARINGITE BACTERIANA ➢ ETIOLOGIA: Até que se prove o contrário, a faringite bacteriana é causada pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A- S. pyogenes. Essa bactéria pode causar grandes complicações como: febre reumática. ➢ MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: o Mais comum entre 5-15 anos. o Manifestações inespecíficas: dor abdominal e vômito. o Febre alta- desde o início. o Dor de garganta; o EF: Exsudato amigdaliano (pode estar presente ou não), petéquias no palato (mais especifica). o Linfadenopatia cervical ou submandibular. o Não tem tosse, nem nariz escorrendo e nem rouquidão. ➢ AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR: ▪ Cultura de orofaringe→ padrão ouro. o Mais sensível. o Positivo: tratamento; o Negativo: acompanhamento. ▪ Testes rápido: muito específico, porém, sensibilidade menor. o Se vier positivo: realizar tratamento; o Se vier negativo: pode ser falso negativo→ solicita a cultura de orofaringe. ➢ TRATAMENTO: Tem vários objetivos, e um deles é ser a profilaxia primária para febre reumática. 1. Penicilina benzatina- dose única- IM- escolha. a. NÃO EXISTE RESISTÊNCIA. 2. Amoxicilina VO- 10 dias. 3. Macrolídeos- azitromicina→ não deve ser a primeira escolha. a. Pode ser feito por menos dias, mas existe muita resistência. 4. Se pct com alergia a penicilina: usa-se cefalosporina. O ATB previve a Febre reumática se utilizada nos primeiros nove dia após o início do quadro. O ATB previne o surgimento de complicações supurativas. O ATB não previne o surgimento da glomerulonefrite pós estreptocócica- GNPE. ➢ COMPLICAÇÕES: ABSCESSO RETROFARÍNGEO: Ocorre a infecção dos gânglios que estão no espaço retrofaríngeo (espaço entre a região posterior da faringe e a fáscia pré-vertebral). Comum em crianças menores de 5 anos. MC: ▪ Criança apresenta febre alta e irritabilidade, e começa ter dificuldade para engolir- disfagia. ▪ Rigidez cervical/ torcicolo. JORDANA BEATRIZ-MED7 5 5 INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES-MEDCURSO DIAGNÓSTICO: ▪ Exame de imagem → tendo a confirmação → internação. TRATAMENTO: ▪ Internação + ATB parenteral. ▪ Sem melhora do abscesso: drenagem. ABSCESSO PERIAMIGDALIANO É uma complicação extremamente frequente; MC: ▪ Intensificação da dor de garganta; ▪ Disfagia. ▪ Trismo: dificuldade abrir a boca. ▪ Úvula desviada. TRATAMENTO: Internação + ATB parenteral + drenagem. Quando tem doença que causa inflamação da laringe e da traqueia, pode cursar com sinal semiológico muito peculiar: ESTRIDOR → ruido que surge quando o ar passa por uma via de condução obstruída. A laringe é a região periglótica: a inflamação nessa região → estridor inspiratório. Quando aparecer estridor pode ser duas possibilidades diagnósticas: Epiglotite e laringotraqueíte viral. EPIGLOTITE AGUDA Quadro raro. Infecção bacteriana que causa inflamação na mucosa que reveste a epiglote. ➢ ETIOLOGIA: o Haemophilus influenzae tipo B. ▪ Existe a vacina, por isso, é um quadro raro. ➢ MC: o Início agudo, evolução rápida (em horas). o Febre alta e toxemia. o Dor de garganta; o Disfagia o Sialorreia: marcador grave da disfagia. o Dificuldade respiratória → estridor. o Posição do tripé: para tentar melhorar a dificuldade respiratória. ➢ DIAGNÓSTICO: o Visualização de uma epiglote vermelho-cereja. o RX cervical: sinal do polegar. ▪ Não solicita exame, pois a qualquer momento pode evoluir com obstrução respiratória. ➢ TRATAMENTO: 1. Estabelecer uma via aérea pérvia- artificial. 2. ATB parenteral: 7-10 dias. 3. Adrenalina e corticoide são ineficazes. LARINGOTRAQUEÍTE VIRAL (CRUPE VIRAL) ➢ ETIOLOGIA: o Vírus parainfluenza tipo 1, 2, 3. ➢ MC: o Maior incidência entre 3 meses a 5 anos. o Começa com quadro de resfriado comum. o Conforme o agente desce, chega na laringe: tosse ladrante ou metálica. o Rouquidão. o EF: estridor inspiratório JORDANA BEATRIZ-MED7 6 6 INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES-MEDCURSO As 3 manifestações associadas: tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório → CRUPE. ➢ AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR: o RX de pescoço: sinal da torre ou ponta do lápis. ▪ Não é obrigatório solicitar, apenas se tiver dúvida. o DIAGNÓSTICO= CLÍNICO. ➢ TRATAMENTO: o Depende da sintomatologia apresentada. QUADRO GRAVE: ▪ Pct apresenta estridor em repouso → NEBULIZAÇÃO COM ADRENALINA (melhora o sintoma no momento) + ▪ Corticosteroide: DEXAMETASONA VO/IM→ melhora processo inflamatório. ▪ Observação na emergência, pelo menos 2 hrs após a utilização da adrenalina. ➢ DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: TRAQUEÍTE BACTERIANA É uma forma de GRUPE membranoso. ▪ Criança tem um resfriado com isso, começa a ter uma piora importante. ▪ Ocorre a formação de placas/ membranas de pus aderida na traqueia do pct. ▪ Agente: Staphylococcus áureos. ▪ Não responde a nebulização com adrenalina. Tratamento: ATB.