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PROCEDIMENTOS FALIMENTARES APRESENTAÇÃO DE APOIO É Juiz titular da 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo desde 2011. Presidente e fundador do Fórum Nacional dos Juízes de Competência Empresarial - FONAJEM. Atualmente é juiz auxiliar da Presidência do Superior Tribunal de Justiça -STJ. Possui graduação em Direito pela USP (1997), e mestrado pela FADISP (2008). Doutor (2013) em direitos difusos e coletivos na PUC/SP, mestre em direito comparado pela Cumberland School of Law - Samford University nos Estados Unidos da América. Estágio pós-doutoral em Direito na Universidade de Paris 1 - Panthéon/Sorbonne. Atualmente é professor de direito empresarial da PUC/SP e Professor Permanente do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito na UNINOVE; Membro efetivo do Núcleo de Estudos de Direito da Empresa e Arbitragem - NDEA da FGV - Direito Rio. Membro do Grupo de Trabalho de Recuperação Judicial e Falência criado pelo Ministério da Fazenda pela Portaria 467/2016. Membro do Grupo de Trabalho para modernização de Falências e Recuperações Judiciais do Conselho Nacional de Justiça (Portarias CNJ 162/2018 e 199/2020). Membro do Conselho Científico do International Journal of Insolvency Law. Membro do Judicial Insolvency Network (JIN). É Juiz de Direito (Tribunal de Justiça de São Paulo) desde 1998. DANIEL CARNIO COSTA Professor Convidado ANA CLÁUDIA REDECKER Professora PUCRS Professora de Direito na graduação e pós-graduação lato sensu da Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutoranda em Ciências Jurídico Econômicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL). Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (2000), Especialista em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (1995) e bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (1993). Advogada especialista em Direito Empresarial e Direito Digital. Professores Aspectos e princípios fundamentais da falência. Efeitos da decretação da falência. Particularidades da restituição de bens e em dinheiro e a correlação com os embargos de terceiro. Especificação das hipóteses de ineficácia dos atos praticados pelo falido. Análise da ação revocatória. Identificação dos aspectos comuns à ineficácia e à revogação. Verificação dos requisitos e efeitos do encerramento da falência e da extinção das obrigações do falido. Ementa da disciplina Como se realiza a dissolução regular de uma empresa? TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. PRESCRIÇÃO. (...) III - Na hipótese de processo falimentar, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu no sentido de que a falência não equivale a dissolução irregular da empresa e que somente quando esgotados os bens da sociedade empresária falida é que a execução pode ser redirecionada para o patrimônio dos sócios gerentes, caso comprovada a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. (...) (AgInt no REsp 1648735 / RS; DJE 06/03/2018) O Fisco possui legitimidade ativa para requerer a falência? Art. 97. Podem requerer a falência do devedor: I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei; II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante; III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da sociedade; IV – qualquer credor. “(...) FAZENDA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE LEGITIMAÇÃO PARA REQUERER A FALÊNCIA DO COMERCIANTE CONTRIBUINTE. MEIO PRÓPRIO PARA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEI DE EXECUÇÕES FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE DE SUBMISSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AO REGIME DE CONCURSO UNIVERSAL PRÓPRIO DA FALÊNCIA. ARTS. 186 E 187 DO CTN. (...) IV - Afigura-se impróprio o requerimento de falência do contribuinte comerciante pela Fazenda Pública, na medida em que esta dispõe de instrumento específico para cobrança do crédito tributário. V - Ademais, revela-se ilógico o pedido de quebra, seguido de sua decretação, para logo após informar-se ao Juízo que o crédito tributário não se submete ao concurso falimentar, consoante dicção do art. 187 do CTN. VI - O pedido de falência não pode servir de instrumento de coação moral para satisfação de crédito tributário. (...).” (REsp 287824 / MG. STJ. DjE 20/02/2006) TRIBUTÁRIO E COMERCIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FAZENDA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA REQUERER A FALÊNCIA DE EMPRESA. 1. A controvérsia versa sobre a legitimidade de a Fazenda Pública requerer falência de empresa. (...) 4. O princípio da conservação da empresa pressupõe que a quebra não é um fenômeno econômico que interessa apenas aos credores, mas sim, uma manifestação jurídico-econômica na qual o Estado tem interesse preponderante. 5. Nesse caso, o interesse público não se confunde com o interesse da Fazenda, pois o Estado passa a valorizar a importância da iniciativa empresarial para a saúde econômica de um país. Nada mais certo, na medida em que quanto maior a iniciativa privada em determinada localidade, maior o progresso econômico, diante do aquecimento da economia causado a partir da geração de empregos. 6. Raciocínio diverso, isto é, legitimar a Fazenda Pública a requerer falência das empresas inviabilizaria a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, não permitindo a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores, tampouco dos interesses dos credores, desestimulando a atividade econômico- capitalista. Dessarte, a Fazenda poder requerer a quebra da empresa implica incompatibilidade com a ratio essendi da Lei de Falências, mormente o princípio da conservação da empresa, embasador da norma falimentar. Recurso especial improvido. (Resp. 363206, Dje 21/05/2012) “FALÊNCIA. PEDIDO FORMULADO PELA UNIÃO FEDERAL. SENTENÇA QUE INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL E JULGOU EXTINTO O FEITO, SEM JULGAMENTO DO MÉRITO, POR FALTA DE INTERESSE DE AGIR DA FAZENDA PÚBLICA. HIPÓTESE DE ANULAÇÃO. PEDIDO DE FALÊNCIA COM BASE NO ART. 94, II, DA LEI Nº 11.101/05. Caso concreto em que restou frustrada a execução fiscal. Esgotamento dos meios disponíveis à União para satisfação do crédito. INTERESSE DE AGIR. Hipótese que não configura violação aos princípios da impessoalidade e da preservação da empresa. Efeitos de eventual decretação de falência relevantes para a preservação da livre concorrência, em combate aos agentes econômicos nocivos ao mercado. Fazenda Pública que se submete ao concurso material de credores, e, portanto, também tem interesse no pedido de quebra. Apelação provida para anular a sentença.” (Agravo de Instrumento nº 1001975-61.2019.8.26.0491. TJSP. Data de publicação: 31/07/2020) Convolação da Recuperação Judicial (art. 73 – alterado pela Lei 14.112/20) (...) V - por descumprimento dos parcelamentos referidos no art. 68 desta Lei ou da transação prevista no art. 10-C da Lei nº 10.522, de 19 julho de 2002; e VI - quando identificado o esvaziamento patrimonial da devedora que implique liquidação substancial da empresa, em prejuízo de credores não sujeitos à recuperação judicial, inclusive as Fazendas Públicas – ou seja, evitar que os credores extraconcursais sejam prejudicados em posterior falência (§ 3º, art. 73). Quais os principais efeitos da convolação da recuperação judicial em falência para os credores? PROCESSO DE VERIFICAÇÃO DE CRÉDITOS “ Processo de verificação de créditos - habilitações de crédito - Artigos 7º a 20 Habilitações Tempestivas (art. 7º) Habilitações Retardatárias (art. 10) – Consequências - “pouco retardatárias” - apresentadas antes da homologação do QGC - recebidas como impugnação e processadas na forma dos arts. 13 a 15 desta Lei. - “muito retardatárias” - após a homologação do QGC - procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil. ❖ Prazo para habilitação ou de reserva de crédito - no máximo, 3 (três) anos contados da data de publicação da sentença quedecretar a falência, sob pena de decadência (§ 10, Art. 10 – incluído pela Lei 14.112/20. “ ✓ A Lei 14.112/20 incluiu o art. 7º-A - Incidente de classificação de crédito público Fazenda Pública credora – intimação eletrônica 30 (trinta) dias – para apresentar diretamente ao administrador judicial ou em juízo relação completa de seus créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos cálculos, da classificação e das informações sobre a situação atual. 15 (quinze) dias - para o falido, os demais credores e o administrador judicial manifestar objeções, limitadamente, sobre os cálculos e a classificação 10 (dez) dias – para a Fazenda Pública prestar eventuais esclarecimentos Os créditos incontroversos, desde que exigíveis, serão imediatamente incluídos no quadro-geral de credores, observada a sua classificação. “ a decisão sobre os cálculos e a classificação dos créditos para os fins do disposto nesta Lei, bem como sobre a arrecadação dos bens, a realização do ativo e o pagamento aos credores, competirá ao juízo falimentar; a decisão sobre a existência, a exigibilidade e o valor do crédito, bem como sobre o eventual prosseguimento da cobrança contra os corresponsáveis, competirá ao juízo da execução fiscal; as execuções fiscais permanecerão suspensas até o encerramento da falência, sem prejuízo da possibilidade de prosseguimento contra os corresponsáveis; DA CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS (ART. 83 c/c o ART. 84) E DO PAGAMENTO DOS CREDORES – (ART. 149 a 153) Dos créditos extraconcursais e do pagamento dos credores - às quantias referidas nos arts. 150 e 151 desta Lei; - ao valor efetivamente entregue ao devedor em recuperação judicial pelo financiador, em conformidade com o disposto na Seção IV-A do Capítulo III desta Lei; - aos créditos em dinheiro objeto de restituição (art. 86); - às remunerações devidas ao administrador judicial e aos seus auxiliares, aos reembolsos devidos a membros do Comitê de Credores, e aos créditos derivados da legislação trabalhista ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência; - às obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência; - às quantias fornecidas à massa falida pelos credores; - às despesas com arrecadação, administração, realização do ativo, distribuição do seu produto e custas do processo de falência; - às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida; - os tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. “São créditos extraconcursais os honorários de advogado resultantes de trabalhos prestados à massa falida, depois do decreto de falência, nos termos dos arts. 84 e 149 da Lei 11.101/2005. De início, cumpre ressaltar que os credores da falida não se confundem com os credores da massa falida. Os credores da falida são titulares de valores de origem anterior à quebra, que devem ser habilitados no quadro geral de créditos concursais pela regência da nova lei (art. 83 da Lei 11.101/2005). As dívidas da massa falida, por sua vez, são créditos relacionados ao próprio processo de falência, nascidos, portanto, depois da quebra, e pelo atual sistema legal devem ser pagos antes dos créditos concursais (art. 84 da Lei 11.101/2005), (...). Em outras palavras, os serviços prestados à massa falida após a decretação da falência são créditos extraconcursais (arts. 84 e 149 da Lei 11.101/2005), que devem ser satisfeitos antes, inclusive, dos trabalhistas, à exceção do que dispõe o art. 151.” (Resp. 1.152.218-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 7/5/2014) Créditos concursais - ART. 83 - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho; - os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado; - os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias; - os créditos quirografários, a saber: (a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo; (b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; e (c) os saldos dos créditos derivados da legislação trabalhista que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo; - as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as multas tributárias; - os créditos subordinados, a saber: (a) os previstos em lei ou em contrato; e (b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício cuja contratação não tenha observado as condições estritamente comutativas e as práticas de mercado; - os juros vencidos após a decretação da falência, conforme previsto no art. 124 desta Lei. “Os créditos resultantes de honorários advocatícios, sucumbenciais ou contratuais, têm natureza alimentar e equiparam-se aos trabalhistas para efeito de habilitação em falência, (...) observado o limite de valor previsto no art. 83, I, do referido diploma legal. (...). Da interpretação desses dispositivos, entende-se que os créditos decorrentes de honorários advocatícios, contratuais ou sucumbenciais, equiparam-se a créditos trabalhistas para a habilitação em processo falimentar. Vale destacar que, por força da equiparação, haverá o limite de valor para o recebimento - tal como ocorre com os credores trabalhistas -, na forma preconizada pelo art. 83, I, da Lei de Recuperação Judicial e Falência. Esse fator inibe qualquer possibilidade de o crédito de honorários obter mais privilégio que o trabalhista, afastando também suposta alegação de prejuízo aos direitos dos obreiros. (...)”. (Resp 1.152.218-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 7/5/2014.) ADMINISTRADOR JUDICIAL (Art. 21) Remuneração (art. 24): O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador judicial, observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes. ✓ não excederá 5% (cinco por cento) do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos bens na falência. ✓ limite de 2% (dois por cento), no caso de microempresas, empresas de pequeno porte e produtor rural. “ Obrigações do Administrador Judicial acrescentadas pela Lei 14.112/2020 no Art. 22 - estimular, sempre que possível, a conciliação, a mediação e outros métodos alternativos de solução de conflitos; - manter endereço eletrônico na internet, com informações atualizadas sobre os processos de falência; - manter endereço eletrônico específico para o recebimento de pedidos de habilitação ou a apresentação de divergências, ambos em âmbito administrativo, com modelos que poderão ser utilizados pelos credores; - relacionar os processos e assumir a representação judicial e extrajudicial, incluídos os processos arbitrais, da massa falida; - proceder à venda de todos os bens da massa falida no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da juntada do auto de arrecadação, sob pena de destituição, salvo por impossibilidade fundamentada, reconhecida por decisão judicial; - arrecadar os valores dos depósitos realizados em processos administrativos ou judiciais nos quais o falido figure como parte, oriundos de penhoras, de bloqueios, de apreensões, de leilões, de alienação judicial e de outras hipóteses de constrição judicial. Quais os efeitos da sentença decretatória em relação ao sócios e/ou administradores de uma Ltda. ou S/A decretada falida? “ ➢ Art. 102 – INABILITAÇÃO – sócios ilimitadamente responsáveis: art. 81 c/c art. 190 O STJ no Recurso Especial 1.372.243/SE assentou que “a mera decretação da quebra não implica extinção da personalidade jurídicado estabelecimento empresarial. Ademais, a massa falida tem exclusivamente personalidade judiciária, sucedendo a empresa em todos os seus direitos e obrigações”. ➢ Direitos – § único, art. 103 X Deveres – art. 104 com alterações da Lei 14.112/20: • Altera falido para representantes legais do falido; • Estabelece prazo não superior a 15 dias para assinar termo nos autos. “ ➢Ação de responsabilidade: art. 82 “A responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada, dos controladores e dos administradores da sociedade falida, estabelecida nas respectivas leis, será apurada no próprio juízo da falência, independentemente da realização do ativo e da prova da sua insuficiência para cobrir o passivo, observado o procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil”. X Artigo 6º-C: “É vedada atribuição de responsabilidade a terceiros em decorrência do mero inadimplemento de obrigações do devedor falido ou em recuperação judicial, ressalvadas as garantias reais e fidejussórias, bem como as demais hipóteses reguladas por esta Lei”. “ Vedação da Extensão da Falência ou de seus Efeitos aos sócios de responsabilidade limitada, aos controladores e aos administradores da sociedade falida Art. 82-A e parágrafo único: É vedada a extensão da falência ou de seus efeitos, no todo ou em parte, aos sócios de responsabilidade limitada, aos controladores e aos administradores da sociedade falida, admitida, contudo, a desconsideração da personalidade jurídica. ➢ A desconsideração da personalidade jurídica da sociedade falida, para fins de responsabilização de terceiros, grupo, sócio ou administrador por obrigação desta, somente pode ser decretada pelo juízo falimentar com a observância do art. 50, CC e dos arts. 133 a 137, do CPC. “ “(...) Ação de responsabilidade civil e tutela cautelar antecedente proposta pela Administradora Judicial – Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada (LREF, art. 22) – Preliminar de ilegitimidade passiva infundada – (...) LREF, art. 82 – Sentença de procedência – Presença de nexo causal nas condutas praticadas pela sócia-administradora e consultores, conduzindo as empresas à falência e lesando a Massa Subjetiva – Razões recursais que não infirmam as práticas incontestes e bem demonstradas – Má gestão, violação a princípios da paridade e transparência – Configurado o ato ilícito, nexo de causalidade e prejuízos – Decisão mantida. (...)” (Apelação Cível, Nº 1011565-42.2017.8.26.0100, TJSP, Relator: Ricardo Negrão, Julgado em: 29/03/2022) “ DAS AÇÕES EM QUE OS SÓCIOS SÃO INCLUÍDOS NO PÓLO PASSIVO EM RAZÃO DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA FALIDA “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Ação de cobrança. Cumprimento de sentença. Falência da devedora decretada. Execução suspensa. Pedido de prosseguimento em relação aos sócios, incluídos na execução em razão de desconsideração da personalidade jurídica anteriormente decretada. Cabimento. Sócios não solidários, não atingidos pela falência. Indisponibilidade de bens que, se eventualmente decretada, não impede a alienação judicial para satisfazer o credor, pois o que se impede, com este gravame, é o devedor, livremente, dispor de seus bens. Recurso provido, com observação”. (Agravo de Instrumento nº 2100803- 98.2016.8.26.0000. TJ/SP. J. Em 04/08/2016) “ (...) JUÍZO TRABALHISTA E JUÍZO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. (...) 1. Não caracteriza conflito de competência a determinação feita pelo Juízo do Trabalho de instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica da empresa em recuperação judicial ou falida, direcionando os atos de execução provisória para os sócios da suscitante. Isso porque, em princípio, salvo decisão do Juízo universal em sentido contrário, os bens dos sócios ou de outras sociedades do mesmo grupo econômico da devedora não estão sujeitos à recuperação judicial ou à falência. (...) (gInt nos EDcl no CC 172193 / MT. SJT. Dje 14/04/2021) “ EFEITOS DA SENTENÇA DECRETATÓRIA EM RELAÇÃO AOS CONTRATOS DO FALIDO Regra Geral: Art. 117 - Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. Regras Específicas: Artigos 119, 120, 121, 122 e 123 Qual(is) a(s) vantagens do pedido de restituição e o que ela difere da habilitação de crédito? Qual a diferença dos Embargos de 3º? “ “Apelação. Falência. Pedido de restituição. Contribuição previdenciária retida na fonte pela falida e não repassada ao INSS. Irrelevância da inexistência de arrecadação de valores pela falida. Súmula 417 do STF. Precedentes das Câmaras Reservadas de Direito Empresarial. Restituição do valor principal devida. Juros moratórios e honorários sucumbenciais que não se submetem ao regime da restituição, devendo ser incluídos no quadro geral de credores de acordo com a sua classificação. Recurso parcialmente provido”. (Apelação nº 0032594-44.2012.8.26.0100. TJ/SP. Data do julgamento: 04/07/2018) “ “Falência - Pedido de restituição e de habilitação de crédito fiscal - Decisão que extinguiu a pretensão, sem exame do mérito (art. 485, VI, do CPC) - Inconformismo do credor - Acolhimento - A Fazenda pode optar pela satisfação de seu crédito via execução fiscal ou habilitá-lo na falência - A opção da Fazenda por uma das vias não importa renúncia da outra - Precedentes do C. STJ - Enunciado XI, do Grupo de Câmaras Reservadas de Direito Empresarial, deste E. Tribunal - Exame do mérito, para reconhecer o pedido de restituição do valor principal, com habilitação dos juros como crédito fiscal e da multa tributária como quirografário - Decisão reformada - Recurso provido”. (Agravo de Instrumento nº 2286058-56.2021.8.26.0000. TJ/SP. Data da publicação: 08/03/2022) “ EMBARGOS DE TERCEIRO – ART. 86, caput c/c § Único, ART.91 COMERCIAL. FALÊNCIA. AÇÃO REVOCATÓRIA. EMBARGOS DE TERCEIROS. ADQUIRENTES DE IMÓVEL ANTES DA DECLARAÇÃO DA QUEBRA. BOA-FÉ. EFEITOS. SÚMULA N. 84-STJ. I. Não se submetem aos efeitos da ação revocatória movida pela massa falida exclusivamente contra a empresa compradora de prédio arrecadado, os terceiros de boa-fé que adquiriram os apartamentos antes da declaração da quebra da vendedora originária. II. "É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro." - Súmula n. 84 do STJ. III. Recurso especial não conhecido. (REsp 533656 / RJ. STJ. Dje 01/02/2011) “ DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIROS. FALÊNCIA. (...) 2- Controvérsia que se cinge em definir se a metade ideal do imóvel que serve de residência aos recorrentes, doado por seu genitor, se submete aos efeitos da falência. (...) 5- A despeito da viabilidade de se impor restrições à proteção conferida ao bem de família em hipóteses nas quais se constata a ocorrência de fraude, é certo que os débitos imputados a um dos cônjuges somente tem força para afastar a proteção legal quando, além de a dívida correlata figurar no rol das exceções legais à regra da impenhorabilidade, com ela haja anuído o consorte ou, ainda, tenha ela sido realizada em prol do grupo familiar, circunstâncias não verificadas no particular. 6- A proteção instituída pela Lei 8.009/1990, quando reconhecida sobre metade de imóvel relativa à meação, deve ser estendida a totalidade do bem. A lei objetiva tutelar a entidade familiar como um todo, evitando o desaparecimento material do lar que abriga seus integrantes, e não apenas a pessoa do devedor. 7- Recurso especial provido. (REsp 1405191 / SP. STJ. 03/06/2014) Quais as diferenças da declaração de ineficácia de atos praticados pelo falido antes da decretação da falência (art. 129) e a ação revocatória (art. 130)? “ DA INEFICÁCIA: independe do conhecimento do contratante do estado de criseeconômico- financeira do devedor e da intenção de fraudar credores. ❖ A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo. AÇÃO REVOCATÓRIA: sempre deve ser provado o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro e o efetivo prejuízo sofrido pela MASSA. PRAZO PARA PROPOSITURA DA AÇÃO: 3 (três) anos a contar da decretação da falência – ART.132 Exceção: Os atos grifados em branco não serão declarados ineficazes ou revogados os atos caso tenham sido previstos e realizados na forma definida no plano de recuperação judicial ou extrajudicial (art. 131) Artigo 129, LREF I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título; II – o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por qualquer forma que não seja a prevista pelo contrato; “Dação em pagamento de bem imóvel, pela falida, ao réu, durante o período suspeito (visando a quitação de débito trabalhista) – Decreto de procedência – Alienação ineficaz perante a massa falida – (...) - Sentença mantida – Recurso improvido.” (Apelação nº 0037728-80.2007.8.26.0309, TJ/SP, data do julgamento: 21/09/2017) Segundo o Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, no julgamento do Recurso Especial 299.111/GO pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, “a fixação do termo legal é de fundamental importância no processo falimentar, por servir de marco para se determinar a partir de quando o procedimento incorreto do devedor falido passou a perturbar seus negócios. Serve para determinar desde quando o devedor falido passa a ser atingido pelos efeitos da falência”. III – a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal, tratando- se de dívida contraída anteriormente; se os bens dados em hipoteca forem objeto de outras posteriores, a massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da hipoteca revogada; IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação da falência; V – a renúncia à herança ou a legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência; VI – a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados, judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos; “Falência. Recurso da falida contra r. decisão que declarou ineficaz, com fundamento no inciso VI do art. 129 da Lei nº 11.101/2005, as alienações de veículos ocorridas dentro do termo legal. Termo legal fixado, no caso dos autos, em 90 (noventa) dias do primeiro protesto. (...) Se a atividade empresarial outrora desempenhada pela falida era de transporte de carga em geral, os veículos que serviam para tal finalidade e assim estão classificados pelo órgão de trânsito não podem ser considerados como meros bens integrantes do ativo imobilizado, mas componentes do estabelecimento empresarial, de modo que a sua alienação durante o período suspeito importa em desmonte do estabelecimento empresarial. Declaração de ineficácia acertada. Recurso desprovido, revogado o efeito suspensivo.” (AI nº 2083275-46.2019.8.26.0000. TJ/SP. Data do julgamento: 29/05/2020) VII – os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência, salvo se tiver havido prenotação anterior. “ (...) 5. A respeito da ação revocatória, cabe ponderar que o próprio legislador cuidou em não estabelecer hipóteses taxativas para propositura da demanda, tendo em vista que a fraude pode ocorrer de diversas formas. Assim, o cabimento da demanda varia conforme a prova constituída, relativamente à intenção do devedor e de terceiro em prejudicar os credores (...) Dado parcial provimento ao apelo. (Apelação Cível Nº 70075786731, TJ/RS, Julgado em 28/03/2018) Capinhas Material de apoio 29.04.2022 Capinhas