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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA 
 
Curso: Ciências Contábeis 
 
 
 
 
 
 
 
Daniel Rodrigues Coelho 
 Matrícula: 1220106690 
 
 
 
 
 
 
 
A RELEVÂNCIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA A TOMADA DE 
DECISÃO NAS PMEs: UMA REVISÃO DE LITERATURA NACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2025 
 
 
 
 
Daniel Rodrigues Coelho 
 
 
 
 
 
 
A RELEVÂNCIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA A TOMADA DE 
DECISÃO NAS PMEs: UMA REVISÃO DE LITERATURA NACIONAL 
 
 
 
 
 
O TCC apresentado ao Curso de Graduação 
em Ciências Contábeis da universidade 
Veiga de Almeida como requisito parcial 
para obtenção do título de Bacharel em 
Ciências Contábeis. 
 
 
 
 
 
Orientador: Paulo Cesar de Souza 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2025
 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA 
Rio de Janeiro – RJ 
Tel.:(21)2574-8888 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Daniel Rodrigues Coelho 
 
 
A RELEVÂNCIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA A TOMADA DE 
DECISÃO NAS PMEs: UMA REVISÃO DE LITERATURA NACIONAL 
 
 
O TCC apresentado ao Curso de Graduação 
em Ciências Contábeis da universidade 
Veiga de Almeida como requisito parcial 
para obtenção do título de Bacharel em 
Ciências Contábeis 
 
 
 
Aprovado em de de 
BANCA EXAMINADORA 
 
Nome Titulação 
 
 
 
 
 
Nome Titulação 
 
 
 
 
 
Nome Titulação 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2025 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho, primeiramente, a Deus; à 
minha família; aos meus professores; e, de maneira 
especial, à minha esposa. 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente, a Deus, que esteve comigo em cada etapa desta 
graduação, sendo meu refúgio e sustentação. Sem Ele, eu não teria chegado até 
aqui. Agradeço também a toda minha família, em especial à minha querida mãe, in 
memoriam, que sempre foi minha maior incentivadora, e ao meu tio, também 
falecido, que de forma visionária tornou possível que eu arcasse integralmente com 
esta formação. Estendo meu agradecimento à minha esposa, que caminha ao meu 
lado em todos os momentos, me impulsionando, apoiando, e me fortalecendo na 
busca pelos meus objetivos. 
 
 
 
 
RESUMO 
As pequenas e médias empresas (PMEs) desempenham papel fundamental no 
desenvolvimento econômico e social do Brasil, contribuindo significativamente para a 
geração de empregos, para o fortalecimento do empreendedorismo e para a 
dinamização dos mercados locais. Entretanto, enfrentam elevados índices de 
mortalidade decorrentes de falhas de gestão, ausência de planejamento e dificuldade 
no acesso a informações contábeis estruturadas. Nesse contexto, este estudo tem 
como objetivo analisar a importância das demonstrações contábeis no processo 
decisório das PMEs, com base nos parâmetros estabelecidos pela NBC TG 1000. A 
pesquisa foi realizada por meio de revisão de literatura nacional, utilizando artigos, 
livros e publicações acadêmicas dos últimos quinze anos. Os resultados evidenciam 
que demonstrações como o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do 
Exercício, a Demonstração dos Fluxos de Caixa e as Notas Explicativas são 
essenciais para fornecer informações relevantes sobre a situação econômica, 
financeira e patrimonial das entidades, permitindo maior controle, redução de riscos e 
suporte ao processo decisório. Constatou-se, ainda, que a convergência da 
contabilidade brasileira às normas internacionais contribuiu para maior padronização, 
comparabilidade e transparência das informações contábeis divulgadas pelas PMEs. 
Conclui-se que a utilização adequada das demonstrações contábeis, conforme a NBC 
TG 1000, constitui instrumento estratégico indispensável para a sustentabilidade, 
competitividade e continuidade das pequenas e médias empresas no ambiente 
econômico nacional. 
Palavras-chave: Demonstrações contábeis. PMEs. Tomada de decisão. NBC TG 
1000. Contabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
Small and medium-sized enterprises (SMEs) play a crucial role in Brazil’s economic 
and social development by significantly contributing to job creation, entrepreneurship, 
and local market dynamism. However, they face high mortality rates due to 
management failures, lack of planning, and limited access to structured accounting 
information. In this context, this study aims to analyze the importance of financial 
statements in the decision-making process of SMEs, based on the guidelines 
established by NBC TG 1000. The research was conducted through a national 
literature review using articles, books, and academic publications from the last fifteen 
years. The results show that financial statements such as the Balance Sheet, the 
Income Statement, the Statement of Cash Flows, and the Notes to the Financial 
Statements are essential to providing relevant information on the economic, financial, 
and equity conditions of entities, enabling better control, risk reduction, and decision-
making support. Furthermore, the convergence of Brazilian accounting standards 
with international standards has contributed to greater standardization, comparability, 
and transparency of the accounting information disclosed by SMEs. It is concluded 
that the proper use of financial statements, in accordance with NBC TG 1000, is an 
indispensable strategic instrument for the sustainability, competitiveness, and 
continuity of small and medium-sized enterprises in the national economic 
environment. 
Keywords: Financial statements. SMEs. Decision-making. NBC TG 1000. 
Accounting. 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Classificação das empresas segundo a lei complementar nº 123/2006 
 .................................................................................................................................. 16 
Tabela 2 – Classificação das empresas segundo o IBGE (indústrias) ...................... 17 
Tabela 3 – Classificação das empresas segundo o IBGE (comércio e serviços) ...... 17 
Tabela 4 – Classificação das empresas segundo o BNDES com base na receita 
operacional ............................................................................................................... 17 
Tabela 5 – Classificação das empresas segundo o SEBRAE (indústria) .................. 18 
Tabela 6 – Classificação das empresas segundo o SEBRAE (comércio e serviços) 
 .................................................................................................................................. 18 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
• BACEN – Banco Central do Brasil 
• BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 
• BP – Balanço Patrimonial 
• CFC – Conselho Federal de Contabilidade 
• CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis 
• DFC – Demonstração dos Fluxos de Caixa 
• DMPL – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
• DRA – Demonstração do Resultado Abrangente 
• DRE – Demonstração do Resultado do Exercício 
• DVA – Demonstração do Valor Adicionado 
• IASB – International Accounting Standards Board 
• IASC – International Accounting Standards Committee 
• IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
• IFRS – International Financial Reporting Standards 
• MEI – Microempreendedor Individual 
• NBC TG 1000 – Norma Brasileira de Contabilidade – Técnica Geral 1000 
• NEs – Notas Explicativas 
• PME / PMEs – Pequena e Média Empresa / Pequenas e Médias Empresas 
• SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 
• SUSEP – Superintendência de Seguros Privados 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11 
1.1. Problematização ............................................................................................... 13 
1.2. Objetivo geral ...................................................................................................13 
1.3. Objetivo específico .......................................................................................... 13 
1.4. Justificativa ....................................................................................................... 13 
1.5. Metodologia ...................................................................................................... 14 
2. REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 15 
2.1. Conceito de PMEs ............................................................................................ 15 
2.2. Conceito de PMEs segundo a legislação e alguns órgãos ........................... 16 
3. PROCESSO DE CONVERGÊNCIA AOS PADRÕES INTERNACIONAIS ........... 19 
4. NBC TG 1000 ........................................................................................................ 21 
4.1. Demonstrações contábeis obrigatórias segundo a NBC TG 1000 ............... 22 
4.1.1. Balanço patrimonial (BP) ................................................................................. 23 
4.1.2. Demonstração do resultado do exercício (DRE) ............................................. 24 
4.1.3. Demonstração do resultado abrangente (DRA) .............................................. 25 
4.1.4. Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) .......................... 27 
4.1.5. Demonstração dos lucros e prejuízos acumulados (DLPA) ............................ 28 
4.1.6. Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) ....................................................... 29 
4.1.7. Notas explicativas (NEs) ................................................................................. 31 
5. A IMPORTÂNCIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS NO PROCESSO 
DECISÓRIO NAS PMEs .......................................................................................... 32 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 34 
7. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 36 
 
 
 
 
 
11 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
As pequenas e médias empresas (PMEs) exercem papel central no 
desenvolvimento econômico e social do Brasil, destacando-se pela geração de 
empregos, difusão do empreendedorismo e contribuição para a inovação e 
competitividade. Segundo Dornelas (2018), essas organizações são fundamentais 
para o dinamismo do mercado, constituindo-se como agentes relevantes na promoção 
do crescimento sustentável. 
Além da sua importância econômica, as PMEs possuem expressiva relevância 
social, visto que absorvem significativa parcela da mão de obra disponível, 
contribuindo para a redução do desemprego e para o equilíbrio social (LEONE, 1999). 
Essa característica reforça o papel das PMEs como instrumentos de inclusão e 
desenvolvimento, ao mesmo tempo em que fortalecem o tecido empresarial brasileiro. 
Os pequenos negócios também representam uma via de acesso ao 
empreendedorismo, uma vez que exigem menor investimento inicial, apresentam 
riscos financeiros mais reduzidos e permitem maior autonomia ao empresário. Nesse 
contexto, as micro e pequenas empresas favorecem o aprendizado prático e 
proporcionam aos gestores a possibilidade de experimentar todas as áreas do 
negócio, desde a gestão financeira até o atendimento ao cliente, sem a burocracia 
que comumente limita as grandes corporações (SEBRAE, 2023). 
Para dimensionar sua relevância, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e 
Pequenas Empresas (SEBRAE, 2023) aponta que, dos cerca de 22 milhões de 
pequenos negócios no país, 99% correspondem a micro e pequenas empresas, 
responsáveis por 55% dos empregos formais e por quase 30% do Produto Interno 
Bruto (PIB). Ademais, o levantamento da instituição indica que apenas no primeiro 
trimestre de 2025 foram abertos mais de 1,4 milhão de novos CNPJs, sendo 78% 
vinculados a microempreendedores individuais (MEIs), o que evidencia a vitalidade 
desse segmento no cenário nacional. 
Entretanto, apesar da relevância apresentada, parte significativa das PMEs 
enfrenta dificuldades relacionadas à gestão e ao acesso ao crédito, fatores que 
comprometem sua longevidade. Chiavenato (2012) observa que, embora atuem como 
motor da economia brasileira, tais empresas carecem de maior suporte técnico e 
12 
 
 
 
contábil para sustentar suas operações e alcançar perenidade. De acordo com o 
SEBRAE (2023), a taxa de mortalidade empresarial permanece elevada: 29% dos 
MEIs, 21,6% das microempresas e 17% das empresas de pequeno porte encerram 
suas atividades em até cinco anos de funcionamento. 
Diante desse cenário, destaca-se a relevância da contabilidade como 
ferramenta de gestão capaz de fornecer informações estratégicas e confiáveis. As 
demonstrações contábeis assumem papel essencial para subsidiar a tomada de 
decisão, reduzir riscos e promover a transparência. A convergência das normas 
brasileiras aos padrões internacionais, iniciada pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 
11.941/2009, fortaleceu esse processo, ao uniformizar os demonstrativos contábeis e 
ampliar sua comparabilidade no mercado global (ANTUNES et al., 2012). 
No caso das PMEs, a padronização contábil é ainda mais necessária, uma vez 
que essas organizações geralmente não dispõem de sofisticados instrumentos de 
gestão. Assim, a contabilidade constitui-se em uma das principais ferramentas de 
apoio às decisões gerenciais e de prestação de contas a terceiros (PADOVEZE, 
2015). Para atender às particularidades desse segmento, o Conselho Federal de 
Contabilidade (CFC) editou a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias 
Empresas, convergente ao padrão internacional emitido pelo International Accounting 
Standards Board (IASB). Essa norma busca simplificar a aplicação dos princípios 
contábeis sem comprometer a qualidade das informações prestadas (CFC, 2009). 
De acordo com Santos e Schmidt (2018), a NBC TG 1000 representa um 
avanço expressivo, pois reduz a complexidade e os custos de conformidade para as 
PMEs, ao mesmo tempo em que fortalece a comparabilidade e a utilidade das 
informações contábeis. Dessa forma, além de atender a exigências legais, as 
demonstrações contábeis elaboradas em conformidade com a norma assumem 
caráter estratégico, ampliando o acesso ao crédito, atraindo investidores e 
favorecendo a inserção dessas empresas nas cadeias produtivas globais. 
Assim, observa-se que as demonstrações contábeis, quando estruturadas de 
acordo com a NBC TG 1000, constituem-se não apenas em instrumento de 
conformidade regulatória, mas em recurso essencial para a sustentabilidade, 
competitividade e longevidade das pequenas e médias empresas no contexto da 
economia brasileira. 
 
 
13 
 
 
 
1.1. Problematização 
 
Diante do contexto apresentado, emerge a seguinte questão de pesquisa: de 
que maneira as demonstrações contábeis podem contribuir para prevenir a 
insolvência das pequenas e médias empresas (PMEs), que, como evidenciado, 
desempenham papel estratégico na economia nacional, tanto na geração de 
empregos quanto na composição majoritária do universo empresarial brasileiro? 
 
1.2. Objetivo geral 
 
O presente estudo tem como objetivo analisar as principais demonstrações 
contábeis utilizadas pelas PMEs para subsidiar a tomada de decisão empresarial, com 
atenção especial à NBC TG 1000, considerando sua relevância para a gestão eficiente 
e a sustentabilidade desses empreendimentos. 
 
1.3. Objetivo específico 
 
Os objetivos específicos deste trabalho consistem em contextualizar a 
relevância das pequenas e médias empresas (PMEs) no cenário econômico nacional, 
apresentando o conceito de PME sob diferentes perspectivas teóricas. Além disso, 
busca-se analisar quais são as demonstrações contábeis obrigatórias para essas 
entidades, conforme estabelece a NBC TG 1000, apresentando e discutindo cadauma 
delas. Por fim, pretende-se evidenciar a importância dessas demonstrações como 
instrumento essencial para a tomada de decisões gerenciais, contribuindo para a 
prevenção da insolvência e para a continuidade dessas empresas, que desempenham 
papel fundamental na economia brasileira. 
 
1.4. Justificativa 
 
As pequenas e médias empresas (PMEs) exercem papel essencial na 
economia brasileira, uma vez que representam a maior parcela das organizações em 
atividade no país, geram empregos e impulsionam o desenvolvimento econômico 
nacional. Entretanto, observa-se que muitas dessas empresas, por não disporem de 
uma estrutura contábil adequada, enfrentam dificuldades na gestão de seus recursos 
14 
 
 
 
financeiros, o que frequentemente resulta em altas taxas de encerramento. Diante 
dessa realidade, justifica-se a realização deste estudo pela necessidade de evidenciar 
a importância das demonstrações contábeis como instrumento de apoio à tomada de 
decisão, contribuindo para que as PMEs alcancem maior longevidade e mantenham 
sua saúde financeira, consolidando-se de forma sustentável no mercado. 
 
1.5. Metodologia 
 
Para a elaboração deste trabalho, adotou-se a abordagem de revisão de 
literatura nacional, fundamentada na análise de materiais acadêmicos e técnicos 
relacionados ao tema. Foram utilizados artigos científicos, livros, periódicos 
especializados e revistas acadêmicas, com o intuito de construir um panorama teórico 
consistente e atual sobre a temática. As fontes de pesquisa incluem o Google 
Acadêmico, a plataforma SciELO e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da 
USP, garantindo a abrangência e a confiabilidade das informações coletadas. Como 
critério de seleção, foram incluídos artigos de publicação nacional, em língua 
portuguesa, publicados nos últimos 15 anos, utilizando-se palavras-chave e títulos 
como “Demonstrações contábeis nas PMEs”, entre outros relacionados ao tema. A 
análise dos dados será realizada por meio de síntese temática, organizando os 
principais conceitos e discussões sobre a importância das demonstrações contábeis 
nas pequenas e médias empresas. 
 
 
 
15 
 
 
 
2. REFERENCIAL TEÓRICO 
 
As demonstrações contábeis assumem papel central na gestão das 
organizações, uma vez que possibilitam uma análise abrangente da situação 
patrimonial e financeira, além de permitir a avaliação do desempenho ao longo do 
tempo. De acordo com Marion (2015, p. 140), “o objetivo das demonstrações 
contábeis é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, o 
desempenho e as mudanças na posição financeira”. 
Reforçando essa perspectiva, Iudícibus et al. (2017, p. 847) complementam ao 
afirmar que “o objetivo das demonstrações contábeis é proporcionar informação 
acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da 
entidade”. Essa convergência de ideias evidencia a relevância dos demonstrativos 
não apenas para os gestores internos, mas também para credores, investidores e 
demais usuários externos, que dependem de dados confiáveis para embasar suas 
decisões. 
Ampliando esse entendimento, Padoveze (2010, p. 49) destaca que “a 
Contabilidade Gerencial é o segmento da Ciência Contábil especializado em atender 
às necessidades informacionais de todos os interessados na gestão das entidades”. 
Sua abordagem chama a atenção para o papel estratégico da contabilidade como 
instrumento de apoio à tomada de decisão, especialmente em contextos 
organizacionais com estruturas gerenciais menos robustas, como é comum em 
pequenas e médias empresas (PMEs). 
Dessa forma, observa-se uma clara convergência entre os principais autores 
da área contábil quanto à importância das demonstrações contábeis para a 
sustentabilidade e a longevidade das PMEs no cenário econômico nacional. 
 
2.1. Conceito de PMEs 
 
A classificação das pequenas e médias empresas no Brasil pode ser 
compreendida a partir de diferentes perspectivas teóricas. Para Oliveira (2008, p. 47), 
“a definição do porte empresarial deve levar em consideração, fundamentalmente, o 
número de empregados e a receita bruta anual, de acordo com o setor de atuação”, 
destacando, assim, um critério quantitativo e objetivo. 
 Em contrapartida, Chiavenato (2005) amplia a discussão ao enfatizar aspectos 
16 
 
 
 
estruturais e gerenciais, ao afirmar que as pequenas empresas possuem uma 
“estrutura simples, centralização das decisões e baixa divisão de tarefas”, enquanto 
as médias empresas já demonstram “maior formalização administrativa e certa 
descentralização do poder” (CHIAVENATO, 2005, p. 112). 
 Complementando essa visão, Marion (2012) adota um enfoque contábil-
financeiro, ressaltando que, embora as pequenas empresas apresentem controles 
informais e pouco rigorosos, as médias demandam maior nível de informação 
gerencial, sendo “necessário o uso de relatórios contábeis mais elaborados para 
subsidiar as decisões e atender às exigências externas” (MARION, 2012, p. 89). 
 Nota-se, portanto, que Oliveira privilegia critérios econômicos objetivos, 
Chiavenato analisa a estrutura organizacional e Marion destaca a relevância da 
contabilidade, o que evidencia que a classificação das PMEs no Brasil pode variar de 
acordo com o enfoque adotado, seja ele econômico, administrativo ou contábil. 
 
2.2. Conceito de PMEs segundo a legislação e alguns órgãos 
 
A classificação das micro, pequenas e médias empresas no Brasil não segue 
um critério único, variando conforme a instituição responsável e o objetivo da 
definição. A Lei Complementar nº 123/2006, que instituiu o Estatuto da Micro e 
Pequena Empresa e o regime do Simples Nacional, adota como parâmetro a receita 
bruta anual, conforme veremos na tabela a seguir: 
 
Tabela 1 – Classificação das empresas segundo a lei complementar nº 123/2006 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Receita 
Bruta 
Anual 
Até R$:360.000,00 
De R$:360.000,01 
até 
R$:4.800.000,00 
Não Classifica 
Fonte: Elaboração própria com dados da Lei Complementar nº 123/2006 
 
 
17 
 
 
 
 Já o IBGE utiliza como critério o número de empregados, distinguindo em setor 
industrial e de comércio e serviços. 
 
Tabela 2 - Classificação das empresas segundo o IBGE (indústrias) 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Número de 
Empregados 
 
Até 19 
 
20 a 99 100 a 499 
Fonte: IBGE (adaptado pelo autor, 2025) 
 
Tabela 3 – Classificação das empresas segundo o IBGE (comércio e serviços) 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Número de 
Empregados 
 
Até 9 
 
10 a 49 50 a 99 
Fonte: IBGE (adaptado pelo autor, 2025) 
 
 O BNDES, por sua vez, também emprega a receita operacional bruta anual, 
porém com valores expandidos: 
 
Tabela 4 - Classificação das empresas segundo o BNDES com base na receita operacional bruta 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Receita 
Operacional 
Bruta Anual 
Até R$:360.000,00 
De R$:360.000,01 
até 
R$: 4.800.000,00 
De R$:4.800.000,01 
até 
R$:300.000.000,00 
Fonte: BNDES (adaptado pelo autor, 2025) 
 
Esse critério é utilizado principalmente para fins de concessão de crédito. 
 
 
 
18 
 
 
 
Já o SEBRAE adota metodologia semelhante à do IBGE, baseada no número de 
empregados, com foco no apoio ao empreendedorismo: 
 
Tabela 5 - Classificação das empresas segundo o SEBRAE (indústria) 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Número de 
Empregados 
 
Até 19 
 
20 a 99 Não Classifica 
Fonte: SEBRAE (adaptada pelo autor, 2025). 
 
Tabela 6 - Classificação das empresas segundo o SEBRAE (comércio e serviços) 
 
CRITÉRIO MICROEMPRESA PEQUENA EMPRESA MÉDIA EMPRESA 
Número de 
Empregados 
 
Até 9 
 
10 a 49 Não Classifica 
Fonte: SEBRAE (adaptada pelo autor, 2025). 
 
 
19 
 
 
 
3. PROCESSO DE CONVERGÊNCIA AOS PADRÕES INTERNACIONAIS 
 
A Contabilidade,enquanto ciência social aplicada, tem como um de seus 
principais objetivos atender às necessidades informacionais de seus diversos 
usuários, refletindo de forma fidedigna a realidade econômica das entidades. Com o 
avanço da globalização e a crescente integração dos mercados financeiros, surgiu a 
necessidade de padronizar as informações contábeis em nível mundial, a fim de 
garantir maior comparabilidade e transparência nas demonstrações financeiras. 
Nesse contexto, em 1973 foi criado o International Accounting Standards Committee 
(IASC), com a missão de desenvolver e divulgar normas contábeis internacionalmente 
aceitas. Em 2001, suas funções foram assumidas pelo International Accounting 
Standards Board (IASB), órgão que passou a emitir as International Financial 
Reporting Standards (IFRS), com o propósito de uniformizar as práticas contábeis e 
permitir uma linguagem contábil comum entre os países (NIYAMA; SILVA, 2019). 
No Brasil, o processo de convergência às normas internacionais de 
contabilidade ganhou relevância a partir da promulgação das Leis nº 11.638/2007 e 
nº 11.941/2009, que modificaram a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976). 
Essas alterações tiveram como objetivo adequar a contabilidade brasileira às normas 
do IASB, buscando alinhar a apresentação das demonstrações contábeis nacionais 
aos padrões internacionais e, assim, aumentar a transparência e a comparabilidade 
das informações divulgadas pelas empresas (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 
2023). 
Com o intuito de viabilizar essa convergência, foi instituído em 2005 o Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis (CPC), responsável por emitir pronunciamentos 
técnicos alinhados aos padrões internacionais. O CPC atua em cooperação com o 
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 
o Banco Central do Brasil (BACEN) e a Superintendência de Seguros Privados 
(SUSEP), desempenhando papel fundamental na harmonização das práticas 
contábeis no país (MARION, 2022). Essa iniciativa buscou fortalecer a credibilidade 
da contabilidade brasileira e tornar o ambiente de negócios nacional mais confiável e 
atrativo aos investidores estrangeiros. 
Até então, o Brasil carecia de um padrão contábil específico voltado às 
pequenas e médias empresas (PMEs), sendo a contabilidade dessas entidades 
utilizada, em grande parte, apenas como instrumento de controle interno e apoio à 
20 
 
 
 
gestão operacional, sem atender plenamente às demandas externas de informação 
(PEREIRA; SILVA, 2006). Nesse sentido, a publicação do IFRS para PMEs em 2009, 
pelo IASB, representou um marco significativo. Esse conjunto de normas foi elaborado 
com o propósito de atender às necessidades e à capacidade técnica das PMEs, 
simplificando as exigências do IFRS completo, sem comprometer a qualidade e a 
utilidade das informações contábeis. 
No Brasil, o conteúdo desse padrão foi traduzido e incorporado por meio do 
Pronunciamento Técnico CPC PME, posteriormente adotado oficialmente como a 
NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, emitida pelo 
Conselho Federal de Contabilidade. Essa norma passou a estabelecer critérios e 
procedimentos específicos para o reconhecimento, mensuração e divulgação das 
demonstrações contábeis das PMEs, contribuindo para a melhoria da qualidade 
informacional e para o fortalecimento do processo decisório nessas entidades 
(IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2023). 
Assim, o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade 
representou um avanço essencial para o desenvolvimento da Contabilidade no Brasil, 
ampliando a transparência, a comparabilidade e a utilidade das demonstrações 
financeiras. Nesse contexto, a NBC TG 1000 consolida-se como um dos principais 
instrumentos voltados às pequenas e médias empresas, tema que será abordado com 
maior profundidade no tópico a seguir. 
 
 
 
 
21 
 
 
 
4. NBC TG 1000 
 
O ambiente contábil brasileiro tem passado por um amplo processo de 
convergência e harmonização com os padrões internacionais de contabilidade, 
estabelecidos pelo International Accounting Standards Board (IASB). Esse 
movimento, que visa uniformizar os procedimentos e aumentar a transparência das 
informações financeiras, tem promovido profundas transformações na prática contábil 
nacional (IUDÍCIBUS; MARION, 2018). Nesse contexto, as pequenas e médias 
empresas (PMEs) também passaram a integrar esse processo de adaptação 
normativa, dada sua significativa representatividade econômica e a necessidade de 
aprimorar a qualidade das informações utilizadas na tomada de decisões (RIBEIRO; 
SANTOS, 2019). 
A Resolução CFC nº 1.255/09, posteriormente alterada pela Resolução CFC nº 
1.329/11, aprovou a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias 
Empresas, norma que “trata da convergência e harmonização com as Normas 
Internacionais de Contabilidade emitidas pelo IASB e promove o uso dessas normas 
em demonstrações contábeis e outros relatórios financeiros” (CFC, 2009). Entre seus 
principais objetivos, destaca-se “melhorar a capacidade do usuário de tomar decisões 
econômicas eficientes”, reforçando o papel informativo da contabilidade como 
instrumento de apoio à gestão (FRANCO; MARRA, 2020). 
A convergência às normas internacionais não se restringe ao aspecto técnico, 
mas também à credibilidade e à comparabilidade das informações financeiras. 
Conforme destacam Marion (2018) e Iudícibus (2019), a harmonização contábil amplia 
a compreensão dos demonstrativos e confere maior segurança a investidores, 
inclusive estrangeiros, que passam a ter acesso a informações padronizadas e mais 
transparentes sobre as empresas brasileiras. 
No que se refere ao objetivo das demonstrações contábeis, a Seção 2 da NBC 
TG 1000 estabelece que: 
 
O objetivo das demonstrações contábeis de pequenas e médias empresas é 
oferecer informação sobre a posição financeira (balanço patrimonial), o 
desempenho (resultado e resultado abrangente) e fluxos de caixa da 
entidade, que é útil para a tomada de decisão por vasta gama de usuários 
que não está em posição de exigir relatórios feitos sob medida para atender 
suas necessidades particulares de informação (CFC, 2009, p. 12). 
 
Além disso, a norma acrescenta que as demonstrações contábeis também 
22 
 
 
 
evidenciam “os resultados da diligência da administração – a responsabilidade da 
administração pelos recursos confiados a ela” (CFC, 2009, p. 12), reforçando a função 
de prestação de contas e a transparência na gestão empresarial. 
Com a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e a emissão 
do Pronunciamento Técnico CPC-PME, baseado no International Financial Reporting 
Standard for Small and Medium-sized Entities (IFRS for SMEs), o Brasil consolidou 
sua adesão ao movimento internacional de harmonização contábil. A Resolução CFC 
nº 1.255/09, aprovada em dezembro de 2009, tornou obrigatória a aplicação da NBC 
TG 1000 a partir de 2010, fazendo do país um dos pioneiros na adoção integral das 
normas internacionais para PMEs (CFC, 2009). Esse avanço representa, conforme 
destacam Ribeiro e Santos (2019), um marco institucional que fortalece a credibilidade 
da contabilidade brasileira e amplia o acesso das empresas nacionais ao mercado 
global. 
 
4.1. Demonstrações contábeis obrigatórias segundo a NBC TG 1000 
 
A NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, aprovada 
pela Resolução CFC nº 1.255/09 e alterada pela Resolução CFC nº 1.329/11, define 
as demonstrações contábeis que devem ser obrigatoriamente elaboradas pelas 
entidades enquadradas como pequenas e médias empresas. Essas demonstrações 
constituem o produto final do processo contábil e visam apresentar, de forma 
fidedigna, a posição patrimonial, o desempenho e os fluxos de caixa da empresa 
(CFC, 2009). 
De acordo com a norma, as demonstrações contábeis exigidas são: o Balanço 
Patrimonial, a Demonstraçãodo Resultado do Exercício (DRE), a Demonstração do 
Resultado Abrangente, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 
ou, em alternativa, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a 
Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e as Notas Explicativas. Juntas, essas 
peças contábeis representam a síntese da situação econômica e financeira da 
entidade, servindo de base para a análise de sua continuidade e desempenho. 
Segundo Iudícibus e Marion (2018), a elaboração das demonstrações é um 
processo essencial à mensuração e comunicação das informações financeiras, sendo 
regido por princípios e normas que asseguram comparabilidade e confiabilidade. 
Franco e Marra (2020) reforçam que a observância às normas contábeis vigentes, 
23 
 
 
 
como a NBC TG 1000, garante uniformidade na apresentação das demonstrações e 
contribui para a credibilidade dos relatórios contábeis perante usuários internos e 
externos. 
Assim, a NBC TG 1000 delimita o conjunto mínimo de demonstrações 
contábeis que devem ser apresentadas pelas PMEs, assegurando que as informações 
financeiras sejam preparadas em conformidade com os padrões técnicos e legais 
aplicáveis. 
 
4.1.1. Balanço patrimonial (BP) 
 
O Balanço Patrimonial é uma das demonstrações contábeis fundamentais para 
a compreensão da situação econômica e financeira de uma entidade. Conforme 
explicam Neves e Viceconti (2009, p. 76), “é a demonstração que tem por objetivo 
expressar os elementos financeiros e patrimoniais de uma entidade, através da 
apresentação ordenada de suas aplicações de recursos (ativo) e das origens desses 
recursos (passivo)”. Essa definição evidencia a essência do Balanço como 
instrumento de síntese, no qual são apresentadas, de maneira estruturada, as origens 
e aplicações dos recursos controlados pela empresa. 
De acordo com Marion: 
 
 é a principal demonstração contábil. Reflete a posição financeira em 
determinado momento, normalmente no fim do ano ou de um período 
prefixado. É como se tirássemos uma foto da empresa e víssemos de uma 
só vez todos os bens, valores a receber e valores a pagar em determinada 
data (MARION, 2009, p. 44). 
 
Essa analogia reforça a função do Balanço como um retrato instantâneo da 
situação patrimonial da entidade, servindo de base para a análise financeira e para a 
tomada de decisões estratégicas. 
A origem da expressão “Balanço Patrimonial” está associada à ideia de 
equilíbrio, derivada do conceito de balança. Conforme observam Santos e Veiga 
(2014, p. 29), esse termo reflete “a ideia de equilíbrio e igualdade”, o que traduz 
adequadamente a função dessa demonstração, cuja estrutura busca confrontar de 
forma organizada as origens e aplicações dos recursos, assegurando que os valores 
do ativo correspondam à soma do passivo e do patrimônio líquido. 
24 
 
 
 
O Balanço Patrimonial é composto por três grandes grupos: Ativo, Passivo e 
Patrimônio Líquido. Segundo Marion: 
 
 o Balanço Patrimonial (BP) é constituído de duas colunas: a coluna do lado 
direito, denominada Passivo e Patrimônio Líquido, [e] a coluna do lado 
esquerdo, denominada Ativo. A razão de se atribuir o lado esquerdo para o 
Ativo e o direito para o Passivo e Patrimônio Líquido é mera convenção. Pela 
Lei das Sociedades por Ações o lado direito é denominado apenas Passivo 
(MARION, 2009, p. 45). 
 
Essa disposição, além de seguir convenções legais e contábeis, reflete a 
dualidade fundamental da contabilidade, em que todo recurso aplicado (ativo) deve 
ter uma origem correspondente (passivo ou patrimônio líquido), reafirmando o 
princípio do equilíbrio patrimonial. De acordo com Iudícibus (2018), o Balanço 
representa uma síntese da equação contábil básica — Ativo = Passivo + Patrimônio 
Líquido — e constitui a principal fonte de informação para análise da estrutura 
financeira e da capacidade de solvência da entidade. 
 
4.1.2. Demonstração do resultado do exercício (DRE) 
 
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) constitui uma das principais 
demonstrações contábeis previstas pela NBC TG 1000, sendo instrumento essencial 
para a avaliação do desempenho econômico e financeiro de uma entidade em 
determinado período. Por meio dela, é possível verificar se a empresa obteve lucro ou 
prejuízo, mediante a confrontação entre as receitas, custos e despesas apuradas 
segundo o regime de competência, ou seja, independentemente de os valores terem 
sido recebidos ou pagos. 
Conforme explica Assaf Neto (2012, p. 76): 
 
Visa fornecer, de maneira esquematizada, os resultados auferidos pela 
empresa em determinado exercício social, os quais são transferidos para 
contas do patrimônio líquido. O lucro (ou prejuízo) é resultante de receitas, 
custos e despesas incorridos pela empresa no período e apropriados 
segundo regime de competência, ou seja, independentemente de que tenham 
sido esses valores pagos ou recebidos (ASSAF NETO, 2012, p. 76). 
 
Nas micro e pequenas empresas (MPEs), a DRE pode ser elaborada de forma 
simplificada, considerando que essas entidades geralmente não necessitam de 
informações extremamente detalhadas para a tomada de decisões gerenciais. Assim, 
25 
 
 
 
é possível apresentar o total das despesas deduzido da receita, evidenciando o lucro 
ou prejuízo do período sem a necessidade de destacar todos os grupos de contas. 
Conforme Marion (2018), a simplificação das demonstrações contábeis é válida desde 
que não comprometa a transparência e a fidedignidade das informações, permitindo 
que os gestores compreendam a real situação econômica da empresa. 
No que se refere à sua estrutura formal, Ribeiro (2013, p. 389) complementa 
que: 
 
A DRE deve ser estruturada observando-se as disciplinas contidas no artigo 
187 da Lei nº 6.404/76. O citado dispositivo legal não fixa um modelo a ser 
observado por todas as empresas; porém estabelece as informações 
mínimas que devem conter na DRE, ficando portanto cada empresa livre para 
elaborar — observando essas informações mínimas — o modelo que melhor 
espelhe o resultado de suas atividades (RIBEIRO, 2013, p. 389). 
 
A DRE, portanto, representa um importante instrumento de análise do 
desempenho operacional e de apoio à tomada de decisão, especialmente no contexto 
das pequenas e médias empresas, onde o controle contábil costuma ser mais enxuto. 
Sua elaboração requer a coleta de dados do livro razão e o agrupamento das contas 
de resultado, podendo esse processo ser facilitado por um plano de contas bem 
estruturado. Segundo Iudícibus e Marion (2017), a utilização de uma adequada 
classificação contábil é indispensável para garantir que as demonstrações expressem 
de maneira fidedigna os resultados econômicos da entidade. 
 
4.1.3. Demonstração do resultado abrangente (DRA) 
 
A Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) representa uma extensão da 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), pois evidencia não apenas o 
resultado líquido do período, mas também outros resultados abrangentes que 
influenciam o patrimônio líquido da entidade, ainda que não decorram de transações 
com os proprietários. Essa demonstração complementa a análise do desempenho 
econômico, permitindo uma visão mais ampla das variações patrimoniais. 
Conforme explicam Santos e Veiga (2014, p. 72-73): 
 
 
26 
 
 
 
A demonstração do resultado abrangente do exercício (DRA) é elaborada a 
partir do resultado líquido da DRE com os outros resultados abrangentes, que 
correspondem à total modificação no patrimônio líquido, que não seja 
constituída pelas transações de capital entre a entidade e seus sócios, como, 
por exemplo, o aumento ou diminuição do capital social, a distribuição de 
lucros ou a compra e venda de ações e quotas próprias dos sócios (SANTOS 
E VEIGA, 2014, p. 72-73). 
 
De acordo com Iudícibus (2010, p. 482-483), os principais componentes dos 
resultados abrangentes incluem: 
 
a) variações na reserva de reavaliação quando permitidaslegalmente; 
b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido 
reconhecidos conforme item 93A da NBC, CPC 33, sobre Benefícios a 
Empregados; 
c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de 
operações no exterior; 
d) ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na 
remuneração de ativos financeiros disponíveis para venda; 
e) ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou 
perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (IUDÍCIBUS, 
2010, p. 482-483). 
 
Esses elementos refletem variações patrimoniais que não passam diretamente 
pelo resultado do exercício, mas impactam o patrimônio líquido e, consequentemente, 
a situação econômica e financeira da empresa. Como observam Iudícibus e Marion 
(2017), a correta evidenciação dos resultados abrangentes contribui para a 
transparência contábil e fornece informações mais completas aos usuários das 
demonstrações financeiras. 
No caso das micro e pequenas empresas, a NBC TG 1000 (item 3.18) permite 
a substituição da DRA pela Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados 
(DLPA), desde que as únicas alterações no patrimônio líquido durante o período 
estejam relacionadas ao resultado do exercício, à distribuição de lucros, à correção 
de erros de períodos anteriores ou à mudança de políticas contábeis. Tal flexibilização 
tem por objetivo simplificar as exigências contábeis para as PMEs, mantendo, 
contudo, a essência informacional e a comparabilidade das demonstrações (RIBEIRO, 
2013). 
Dessa forma, a DRA desempenha um papel relevante para a análise de 
desempenho e avaliação patrimonial, complementando a DRE e permitindo que as 
informações contábeis expressem de maneira mais ampla o efeito das operações e 
eventos sobre o patrimônio líquido. 
 
27 
 
 
 
4.1.4. Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) 
 
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é uma das 
demonstrações contábeis previstas pela NBC TG 1000, cuja finalidade é evidenciar 
as alterações ocorridas em todas as contas que compõem o patrimônio líquido da 
entidade ao longo de determinado período. Essa demonstração é essencial para 
compreender as variações que impactam o patrimônio líquido, especialmente aquelas 
não evidenciadas diretamente pela Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). 
De acordo com Santos e Veiga (2014, p. 80), “a DMPL é um demonstrativo 
contábil que visa evidenciar as variações ocorridas em todas as contas que 
compõem o patrimônio líquido da entidade em determinado período.” 
Matarazzo (2007, p. 47) destaca a função complementar da DMPL em relação 
às demais demonstrações: 
 
Enquanto a Demonstração do resultado evidencia como se chegou ao total 
do aumento ou diminuição do patrimônio líquido em decorrência de 
transações já efetuadas pela empresa, expurgando o inchaço causado pela 
inflação, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido mostra toda e 
qualquer variação em qualquer conta. Em vista disso, essa última serve muito 
mais como elemento complementar do que como peça através da qual pode-
se obter informação, no sentido em que foi definida informação no capítulo 1, 
ou seja, comunicação capaz de gerar reação em quem a recebe e possibilitar 
a tomada de decisões (MATARAZZO, 2007, p. 47). 
 
Conforme estabelece a NBC TG 1000 (CFC, 2023, item 6.3): 
 
(a) o resultado e os outros resultados abrangentes do período, demonstrando 
separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade 
controladora e a participação dos não controladores; (b) para cada 
componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou 
correção retrospectiva reconhecida de acordo com a Seção 10 Políticas 
Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; (c) para cada 
componente do patrimônio líquido, a conciliação entre o saldo no início e no 
final do período, evidenciando separadamente as alterações decorrentes: (i) 
do resultado do período; (ii) de cada item dos outros resultados abrangentes; 
(iii) dos valores de investimentos realizados pelos proprietários, e dividendos 
e outras distribuições para eles, demonstrando separadamente ações ou 
quotas emitidas, de transações com ações ou quotas em tesouraria, de 
dividendos e outras distribuições aos proprietários, e de alterações nas 
participações em controladas que não resultem em perda de controle. (CFC, 
2023, item 6.3, NBC TG 1000). 
 
A DMPL é considerada uma importante ferramenta de transparência e controle 
patrimonial, pois permite observar de forma detalhada todas as modificações 
ocorridas nas contas do patrimônio líquido, incluindo ajustes de avaliação patrimonial, 
28 
 
 
 
distribuição de lucros e alterações em participações societárias. Conforme Iudícibus e 
Marion (2017), a evidenciação adequada dessas variações contribui para a qualidade 
da informação contábil e possibilita uma melhor análise da estrutura de capital da 
empresa. 
No caso das micro e pequenas empresas (PMEs), a NBC TG 1000 (item 3.8) 
admite a substituição da DMPL pela Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA), desde que as únicas alterações no patrimônio líquido durante o 
período derivem do resultado do exercício, do pagamento de dividendos, de correções 
de erros de períodos anteriores ou de mudanças em políticas contábeis. Essa 
flexibilização busca simplificar as obrigações contábeis sem comprometer a 
confiabilidade das informações, sendo especialmente relevante no contexto das 
PMEs, que geralmente possuem estruturas administrativas mais enxutas (RIBEIRO, 
2013). 
Dessa forma, a DMPL apresenta-se como um demonstrativo essencial para o 
acompanhamento das transformações no patrimônio líquido, servindo como base para 
a avaliação da política de lucros e capitalização da entidade e para a tomada de 
decisões gerenciais e estratégicas. 
 
4.1.5. Demonstração dos lucros e prejuízos acumulados (DLPA) 
 
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) tem como 
principal objetivo evidenciar a movimentação ocorrida na conta de lucros ou prejuízos 
acumulados, possibilitando a análise das causas que influenciaram as variações do 
saldo dessa conta ao longo do período contábil. Conforme destacam Neves e 
Viceconti (2009, p. 377): “Demonstrar a movimentação da conta Lucros ou Prejuízos 
Acumulados, revelando os eventos que influenciaram as mutações do seu saldo. Essa 
demonstração deve, também, revelar o dividendo por ação do capital realizado e 
poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido.” 
De acordo com a NBC TG 1000, item 6.5, a DLPA deve conter: 
 
29 
 
 
 
(a) lucros ou prejuízos acumulados no início do período contábil; 
(b) dividendos ou outras formas de lucro declarados e pagos ou a pagar 
durante o período; 
(c) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de correção de erros 
de períodos anteriores; 
(d) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de mudanças de 
práticas contábeis; 
(e) lucros ou prejuízos acumulados no fim do período contábil. (CFC, 2009, 
item 6.5, NBC TG 1000). 
 
Ambas as demonstrações — a DLPA e a Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL) — contribuem para uma compreensão ampla das 
alterações no patrimônio líquido durante determinado período. No entanto, enquanto 
a DLPA trata exclusivamente de uma única conta do patrimônio líquido, a DMPL 
aborda todas as suas variações. Segundo Iudícibus (2007, p. 48): 
 
Ao contrário da DLPA (Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados) 
que fornece a movimentação, basicamente, de uma única conta do 
patrimônio líquido (lucros acumulados), a Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia a movimentação de diversas (todas) 
contas do PL ocorrida durante o exercício. Assim, como todo acréscimo e 
diminuição, bem como para a formação e utilização das reservas (inclusive 
aquelas não originadas por lucro).(IUDÍCIBUS, 2007, p. 48). 
 
4.1.6. Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) 
 
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) apresenta as movimentações 
ocorridas no grupo disponível da empresa entre dois exercícios sociais consecutivos, 
evidenciando as entradas e saídas de recursos de liquidez imediata. Neves e Viceconti 
(2009, p. 382) destacam que o grupo disponível corresponde aos recursos de liquidez 
imediata, ou seja, caixa, bancos e aplicações financeiras de liquidez imediata. 
De acordo com Marion (2010, p. 55): 
 
A Demonstração dos Fluxos de Caixa indica, no mínimo, as alterações 
ocorridas no exercício no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregadas 
em fluxos das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Essa 
demonstração será obtida de forma direta (a partir da movimentação do caixa 
e equivalentes de caixa) ou de forma indireta (com base no lucro/prejuízo do 
exercício). As práticas internacionais dispõem que essa demonstração seja 
segregada em três tipos de fluxo de caixa: os fluxos das atividades 
operacionais, das atividades de financiamento e das atividades de 
investimentos (MARION, 2010, p. 55). 
 
 
30 
 
 
 
A DFC reporta três tipos de atividades de fluxo de caixa: 
 
• Atividades operacionais: normalmente apresentadas em primeiro lugar 
na demonstração, seguidas das atividades de investimento e financiamento, 
representam a geração de caixa da atividade principal da empresa. Conforme 
Iudícibus (2010, p. 569): 
 
O montante dos fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais é 
um indicador de como a operação da empresa tem gerado suficientes fluxos 
de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da 
entidade, pagar dividendos e juros sobre o capital próprio e fazer novos 
investimentos sem recorrer às fontes externas de financiamento. Envolvem 
todas as atividades relacionadas com a produção e entrega de bens e 
serviços e os eventos que não sejam definidos como atividades de 
investimento e financiamento. Normalmente, relacionam-se com as 
transações que aparecem na Demonstração de Resultados (IUDÍCIBUS, 
2010, p. 569). 
 
• Atividades de investimento: tratam dos aumentos e diminuições 
ocorridos nos ativos de longo prazo, ou seja, no ativo não circulante. Conforme 
Iudícibus (2010, p. 573): “Os fluxos de caixa das atividades de investimento 
normalmente aumentam com a aquisição de ativos permanentes, como máquinas, 
equipamentos, imóveis e investimentos de longo prazo, e diminuem com a alienação 
desses ativos.” 
De forma complementar, Marion (2009, p. 56) explica: “Referem-se ao 
não circulante da empresa. Quando uma empresa compra máquinas, ações, 
prédios etc., reduz o caixa. Quando uma empresa vende esses itens, aumenta 
o caixa.” 
 
• Atividades de financiamento: envolvem a captação de recursos e a 
remuneração de capital. Segundo Marion (2009, p. 452): 
 
Além da capacitação de recursos provenientes dos proprietários da empresa 
(sócios ou acionistas) por meio do capital social, toda captação de 
empréstimos e outros recursos deverá ser incluída nesse grupo. A 
remuneração ao capital próprio em forma de distribuição de lucro (dividendos 
– juros de capital próprio) e a amortização dos empréstimos serão parcelas 
subtrativas nesse grupo (MARION, 2009, p. 452). 
 
Santos e Veiga (2014, p. 96) resumem a origem dos recursos de 
financiamento: 
31 
 
 
 
 
Os recursos totais provêm de duas fontes: capital próprio; capital de terceiros. 
O capital próprio é constituído pelos recursos dos sócios e acionistas, por 
meio da constituição ou aumento do capital social, enquanto o capital de 
terceiros é obtido através de empréstimos, financiamentos e outras formas de 
captação. As subtrações deste grupo incluem amortizações de dívida e 
distribuição de lucros aos proprietários (SANTOS E VEIGA, 2014, p. 96). 
 
4.1.7. Notas explicativas (NEs) 
 
As notas explicativas constituem parte integrante das demonstrações contábeis 
e têm como objetivo esclarecer medidas, métodos e práticas adotadas na sua 
elaboração, proporcionando informações adicionais que auxiliem os usuários na 
interpretação das demonstrações. Segundo a NBC TG 1000, seção 8, item 8.1: 
 
As notas explicativas fornecem descrições, narrativas e detalhes de itens 
apresentados nessas demonstrações e informações acerca de itens que não 
se qualificam para reconhecimento nessas demonstrações. Adicionalmente 
às exigências desta seção, quase todas as outras seções deste 
Pronunciamento exigem divulgações que são normalmente apresentadas nas 
notas explicativas (CFC, 2023, seção 8, item 8.1). 
 
O CPC PME complementa esta exigência, estabelecendo em seu item 8.2 que 
as notas explicativas devem: 
 
(a) apresentar informações acerca das bases de elaboração das 
demonstrações contábeis e das práticas contábeis específicas utilizadas, de 
acordo com os itens 8.5 e 8.7; 
(b) divulgar as informações exigidas por este Pronunciamento que não 
tenham sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis; e 
(c) prover informações que não tenham sido apresentadas em outras partes 
das demonstrações contábeis, mas que sejam relevantes para compreendê-
las (CPC PME, 2023, item 8.2). 
 
Dessa forma, as notas explicativas não apenas complementam os 
demonstrativos contábeis, mas também garantem transparência e confiabilidade na 
informação contábil, permitindo que gestores, investidores e demais usuários 
compreendam de maneira detalhada os critérios adotados pela empresa na 
elaboração de suas demonstrações. 
 
 
 
32 
 
 
 
5. A IMPORTÂNCIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS NO PROCESSO 
DECISÓRIO NAS PMEs 
 
As demonstrações contábeis representam o principal instrumento de 
comunicação entre a empresa e seus usuários internos e externos, pois traduzem de 
forma sistematizada os resultados e a posição patrimonial da entidade. Segundo 
Marion (2012, p. 25), “as demonstrações contábeis são relatórios formais que 
espelham a situação econômica e financeira da empresa, servindo de base para o 
processo decisório”. Dessa forma, constituem-se em ferramenta indispensável à 
gestão empresarial, especialmente nas pequenas e médias empresas (PMEs), que 
muitas vezes carecem de estrutura gerencial formal. 
As informações contidas nessas demonstrações permitem ao gestor avaliar o 
desempenho da entidade, identificar tendências e projetar cenários futuros, 
promovendo uma gestão orientada por dados. Para Iudícibus (2017, p. 39), “a 
contabilidade deve ser entendida como um sistema de informação e avaliação, que 
fornece aos seus usuários demonstrações e análises capazes de auxiliar na tomada 
de decisões econômicas”. Tal perspectiva evidencia o papel estratégico da 
contabilidade não apenas como obrigação legal, mas como instrumento de apoio à 
competitividade. 
Nas PMEs, a utilização das demonstrações contábeis assume relevância ainda 
maior, visto que essas entidades geralmente possuem recursos limitados e enfrentam 
ambientes de alta competitividade. Nesse contexto, as demonstrações apresentadas 
anteriormente fornecem bases concretas para decisões sobre investimentos, 
financiamentos e controle de custos. Conforme Padoveze (2010, p. 18), “a 
contabilidade gerencial tem como objetivo principal produzir informações que ajudem 
os administradores no processo de decisão, planejamento e controle das atividades 
da empresa”. 
Além disso, as demonstrações contábeis contribuem para a transparência e 
credibilidade da empresa perante o mercado, facilitando o acesso a crédito e atraindo 
potenciais investidores. Como destacam Santos e Veiga (2014, p. 112), “a informação 
contábil de qualidade é elemento essencial para a continuidade das pequenas e 
médias empresas, pois permite ao gestor identificar fragilidades, potencialidades e 
adotar medidas corretivas a tempo.” 
Portanto, a análise contábil adequada auxilia na antecipação de riscos e no 
33 
 
 
 
direcionamento eficientedos recursos financeiros, assegurando maior 
sustentabilidade à empresa. 
Em síntese, a importância das demonstrações contábeis nas PMEs transcende 
o mero cumprimento de exigências legais. Elas são instrumentos de gestão, 
planejamento e controle, permitindo ao empresário tomar decisões fundamentadas 
em evidências concretas. Assim, conforme Iudícibus (2017, p. 41), “a informação 
contábil só cumpre seu papel quando é utilizada efetivamente no processo decisório, 
contribuindo para a maximização dos resultados e perpetuação da entidade”. 
Desse modo, a contabilidade se consolida como base técnica e estratégica 
para a sobrevivência e o crescimento das PMEs, sendo suas demonstrações 
contábeis o alicerce do processo decisório moderno. 
 
 
 
34 
 
 
 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O presente estudo teve como objetivo analisar a importância das 
demonstrações contábeis no processo decisório das Pequenas e Médias Empresas 
(PMEs), com base na NBC TG 1000. A pesquisa permitiu concluir que as PMEs 
ocupam um papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do Brasil, 
sendo responsáveis por uma parcela expressiva da geração de empregos, da 
dinamização dos mercados locais e da promoção do empreendedorismo. 
Ao longo do trabalho, foram abordados os principais desafios enfrentados por 
essas empresas, especialmente no que se refere à limitação de recursos financeiros 
e estruturais, à carência de planejamento e à dificuldade no acesso ao crédito. Diante 
disso, evidenciou-se que a contabilidade não deve ser vista apenas como uma 
obrigação legal, mas como uma ferramenta estratégica que contribui diretamente para 
a tomada de decisão, o controle das operações e a sustentabilidade do negócio. 
A análise das demonstrações contábeis obrigatórias para PMEs — como o 
Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a 
Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e as Notas Explicativas — permitiu 
identificar que cada uma delas fornece informações relevantes e complementares 
sobre a situação econômica, financeira e patrimonial da entidade. A DFC, por 
exemplo, ao classificar os fluxos de caixa em atividades operacionais, de investimento 
e de financiamento, oferece uma visão clara da capacidade da empresa de gerar caixa 
e manter suas operações. Já as Notas Explicativas agregam valor às demonstrações 
ao descreverem os critérios contábeis utilizados, aumentando a transparência e a 
compreensão por parte dos usuários da informação contábil. 
O estudo também demonstrou que a convergência das normas contábeis 
brasileiras aos padrões internacionais, por meio da criação da NBC TG 1000, foi 
essencial para adequar a contabilidade à realidade das PMEs. A padronização e a 
simplificação proporcionadas por essa norma facilitam o entendimento das 
informações por parte dos gestores, investidores e credores, além de contribuir para 
a melhoria da qualidade das decisões empresariais. 
Dessa forma, conclui-se que as demonstrações contábeis são instrumentos 
indispensáveis para a gestão eficiente das PMEs. Ao utilizá-las de forma adequada, 
os empreendedores conseguem acompanhar o desempenho da empresa, identificar 
fragilidades e oportunidades, planejar ações futuras e reduzir riscos. Isso reforça a 
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ideia de que a contabilidade, além de uma exigência legal, é uma aliada estratégica 
da administração. 
Assim, o trabalho atinge seus objetivos ao demonstrar que a adoção das 
práticas contábeis previstas na NBC TG 1000 contribui significativamente para a 
melhoria da gestão das PMEs, promovendo maior controle, transparência e condições 
para o crescimento sustentável dessas entidades. Como destaca Padoveze (2010, p. 
23), a informação contábil permite "a análise dos resultados e a escolha racional das 
alternativas que conduzam à eficiência e à eficácia empresarial". Portanto, investir na 
contabilidade de forma consciente e estratégica é fundamental para a perenidade das 
Pequenas e Médias Empresas no cenário econômico brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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