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ESTUDO DIRIGIDO Dinâmicas e Abordagens Grupais e Terapia Ocupacional Resumo didático + exemplos + questões para revisão 1. O que é grupo? Um grupo não é simplesmente várias pessoas reunidas. Ele se constitui a partir das relações entre os participantes e está inserido em um contexto social, histórico e cultural. Interação Comunicação Influência mútua Vínculos Papéis Objetivos ou tarefas Dinâmica própria PARA LEMBRAR: Grupo = pessoas + relações. Exemplo Cinco crianças estão em uma sala, cada uma brincando sozinha: pode haver apenas um agrupamento. Quando começam a trocar brinquedos, conversar, criar regras e brincar juntas, passa a existir uma dinâmica grupal. Por que o grupo não é apenas a soma dos indivíduos? Porque, quando as pessoas interagem, surge uma dinâmica que não existiria se cada uma estivesse isolada. A pessoa influencia o grupo e o grupo também influencia a pessoa. 2. Agrupamento, grupo, coletivo e equipe Conceito Pense em Exemplo Agrupamento Pessoas reunidas Pessoas numa sala de espera Grupo Relações e interação Grupo terapêutico Coletivo Ação/produção compartilhada Pessoas organizadas por acessibilidade Equipe Funções + objetivo organizado Equipe multiprofissional Importante: esses conceitos não formam uma escada evolutiva. São formas diferentes de organização das relações humanas e do fazer coletivo. AGRUPAMENTO = estar junto | GRUPO = relacionar-se | COLETIVO = agir/construir em comum | EQUIPE = organizar funções para uma finalidade 3. A atividade na Terapia Ocupacional A Terapia Ocupacional dialoga com conhecimentos de outras áreas, mas a atividade e o fazer ocupam um lugar central. O fazer pode ter efeito terapêutico e, no contexto grupal, possibilita experimentar novas formas de relacionamento e situações relativas ao fazer. Exemplo Em um grupo que faz cupcakes, o terapeuta não observa apenas se a pessoa consegue executar a receita. Também pode observar se pede ajuda, espera a vez, divide materiais, conversa, aceita sugestões e como reage às dificuldades. ATIVIDADE = não é apenas 'manter ocupado'; ela pode mediar relações e tornar visível a dinâmica do grupo. 4. História dos grupos 1905 - Joseph H. Pratt: classes coletivas com pacientes tuberculosos; marco das primeiras experiências clínicas de atendimento em grupo. Jacob Levy Moreno: psicodrama, espontaneidade, criatividade, vivência, papéis e relações; também desenvolveu o sociograma. Kurt Lewin: dinâmica dos grupos, totalidade dinâmica, campo de forças e interdependência. Wilfred Bion: dinâmica emocional dos grupos, grupo de trabalho e pressupostos básicos. Foulkes: compreensão do grupo como unidade social e atenção às relações entre os integrantes. Pichon-Rivière: grupo operativo, tarefa, vínculo e aprendizagem. LINHA DE MEMÓRIA: Pratt → Moreno → Lewin → Bion/Foulkes → Pichon → Terapia Ocupacional 5. Kurt Lewin e a dinâmica dos grupos Para Lewin, o grupo é uma totalidade dinâmica. Seus integrantes são interdependentes: mudanças em uma parte podem repercutir no conjunto. Campo de forças O grupo pode ser compreendido como um campo no qual diferentes forças aproximam ou afastam participantes, favorecem ou dificultam mudanças, participação, coesão e resistência. Interdependência Os integrantes influenciam-se mutuamente. Exemplo: uma participante que costuma liderar falta e o grupo fica mais silencioso ou se reorganiza. Uma alteração em uma parte repercutiu no conjunto. MACETE DE LEWIN: 'Mexeu em uma parte, pode mexer no todo.' Na Terapia Ocupacional, esse olhar ajuda o profissional a não reduzir uma dificuldade a um único indivíduo. Ele pode investigar o que, nas relações e no contexto grupal, está sustentando determinada forma de funcionamento. 6. Pichon-Rivière e o Grupo Operativo O grupo operativo é compreendido como uma estrutura dinâmica constituída pelas relações entre os integrantes e por uma tarefa comum. PICHON-RIVIÈRE = TAREFA + VÍNCULO + APRENDIZAGEM Tarefa explícita e tarefa implícita Tarefa explícita é aquilo que o grupo se propõe diretamente a fazer, como produzir um cartaz. A dimensão implícita ou latente envolve processos que precisam ser elaborados para que o grupo avance: ansiedades, resistências, conflitos, dificuldades de comunicação, expectativas e papéis cristalizados. Pré-tarefa → tarefa → projeto PRÉ-TAREFA: ansiedades e resistências diante do novo; o grupo encontra obstáculos para se colocar efetivamente em movimento. TAREFA: elaboração, aprendizagem e transformação das formas de relação e ação. PROJETO: possibilidade de utilizar o que foi aprendido para pensar novas ações e situações futuras. Essa sequência não é rígida. O processo grupal pode apresentar avanços, retrocessos, abertura e resistência. Vínculo O vínculo não é apenas a existência de contato entre duas pessoas. É uma estrutura relacional na qual o outro se torna significativo, influenciando formas de interação e conduta. Papéis no grupo Porta-voz: expressa algo que pode estar acontecendo no grupo. Líder: ocupa uma posição de liderança/direção em determinado momento. Bode expiatório: recebe tensões ou dificuldades projetadas pelo grupo. Sabotador: relaciona-se a movimentos de resistência que dificultam a tarefa ou a mudança. Os papéis devem ser compreendidos dentro da dinâmica grupal, e não como características fixas da personalidade. ECRO O material relaciona o Grupo Operativo ao ECRO - Esquema Conceitual, Referencial e Operativo -, utilizado como referência para compreender e operar sobre a realidade grupal. 7. Bion e os processos grupais Bion chama atenção para a dinâmica emocional dos grupos. O material trabalha o grupo de trabalho, a tarefa, a tolerância à ansiedade e três pressupostos básicos: Dependência: o grupo se comporta como se dependesse de alguém que o proteja, conduza ou resolva. Luta-fuga: o grupo se organiza como se houvesse algo contra o qual lutar ou do qual fugir. Acasalamento: aparece uma expectativa/esperança de que algo futuro trará solução. BION = dinâmica emocional + grupo de trabalho + pressupostos básicos. 8. Moreno e o Psicodrama Moreno desenvolveu o Psicodrama, valorizando vivência, espontaneidade, criatividade, papéis e dramatização. Seu interesse pelos grupos colocou a experiência social e as relações no centro da compreensão. MORENO = PSICODRAMA + ESPONTANEIDADE. 9. História dos grupos na Terapia Ocupacional Década de 1930 (EUA): utilização sistemática de atividades com grupos, inicialmente relacionada à socialização de pessoas com transtornos mentais. Década de 1950: maior foco no tratamento e controle dos sintomas. Década de 1960: influência de abordagens como Psicanálise, Cognitiva e Humanista. Fidler e Fidler: discussão do terapeuta ocupacional como líder do grupo e responsável pela atmosfera emocional; posteriormente aparecem grupos orientados para a tarefa. Década de 1970 - Mosey: grupo como unidade dinâmica; formas de organização como paralelo, projeto, egocêntrico, cooperativo e maduro. No Brasil A partir da década de 1980, os estudos sobre grupos em Terapia Ocupacional ganham maior ênfase. Entre os autores citados estão Benetton, Ferrari, Maximino, Tedesco, Ballarin e Samea. A discussão passa de apenas 'como fazer um grupo?' para questões como: o que caracteriza um grupo de TO? Como a atividade interfere na dinâmica? Como coordenar? Quais fenômenos aparecem quando as pessoas realizam atividades juntas? 10. Gênese e dinâmica dos grupos Agrupamento → Interdependência → Grupo → Vínculo → Tarefa/atividade → Pertencimento Agrupamento: pessoas reunidas/próximas. Interdependência: uma passa a influenciar a outra. Grupo: constitui-se uma dinâmica própria. Vínculo: relações tornam-se significativas. Tarefa/atividade: dá direção e sentido ao fazer grupal. Pertencimento: experiência de 'eu faço parte deste grupo'. Essa sequência é uma forma didática de organizar os conceitos, não uma regra rígida que todo grupo obrigatoriamente deve seguir. 11. Processo grupal Falar em processo grupal destaca que o grupo não é estático: ele se organiza, desorganiza e reorganizacontinuamente. Também é atravessado por condições sociais, históricas, institucionais, econômicas e ideológicas. GRUPO = movimento, relações e transformação. 12. Cartografia grupal Nos trechos recuperados dos materiais enviados, o conteúdo específico de Cartografia Grupal não apareceu integralmente. Assim, para não acrescentar conteúdo não confirmado pelos arquivos, este tópico fica registrado como parte obrigatória do estudo e deve ser complementado a partir do material específico da plataforma. Ideia usada apenas como orientação de estudo: observar e registrar o processo grupal em movimento, atentando às relações, acontecimentos, modos de participação e mudanças, sem reduzir o grupo a características fixas. 13. Associações-chave para memorizar Se aparecer... Pense em... Pessoas apenas reunidas Agrupamento Relações/interação Grupo Ação/produção compartilhada Coletivo Funções + finalidade organizada Equipe Campo de forças / interdependência Kurt Lewin Tarefa + vínculo + aprendizagem Pichon-Rivière Psicodrama / espontaneidade Moreno Dinâmica emocional / pressupostos básicos Bion Atividade/fazer como mediador Terapia Ocupacional Ansiedade e resistência Pré-tarefa Elaboração e aprendizagem Tarefa Novas possibilidades Projeto 14. Questões do estudo dirigido Por que várias pessoas reunidas no mesmo espaço não constituem necessariamente um grupo? Qual é a principal diferença entre agrupamento e grupo? Diferencie grupo, coletivo e equipe usando um exemplo de cada. Por que a atividade possui um lugar particular nos grupos de Terapia Ocupacional? Quem foi Joseph H. Pratt e por que aparece na história dos grupos terapêuticos? Qual conceito você associa imediatamente a Moreno? O que significa dizer, segundo Lewin, que o grupo é uma totalidade dinâmica? Explique interdependência usando um exemplo. O que é um campo de forças? Como Lewin ajuda o terapeuta a não culpabilizar individualmente um participante? Quais três palavras devem ser associadas a Pichon-Rivière? O que é um grupo operativo? Diferencie tarefa explícita e tarefa implícita. O que caracteriza a pré-tarefa? O que acontece quando o grupo entra na tarefa? O que significa projeto? Por que pré-tarefa, tarefa e projeto não são etapas rígidas? O que é vínculo? Explique porta-voz, líder, bode expiatório e sabotador. Por que os papéis grupais não devem ser vistos como características fixas? O que Bion chama atenção para observar nos grupos? Quais são os três pressupostos básicos trabalhados em Bion? Como os grupos começaram a ser utilizados sistematicamente pela TO nos EUA? O que Mosey acrescentou à compreensão dos grupos na TO? O que aconteceu no Brasil a partir da década de 1980? Por que Benetton, Ferrari, Maximino, Tedesco, Ballarin e Samea aparecem nessa história? O que significa falar em processo grupal? Qual é a relação entre atividade, relações e transformação na TO? O que significa pertencimento dentro de um grupo? Qual é a ideia central que você deve buscar no material de Cartografia Grupal? 15. Resumo do resumo GRUPO: não basta estar junto; é preciso olhar para as relações. LEWIN: campo de forças + interdependência. Uma mudança em uma parte pode repercutir no todo. PICHON-RIVIÈRE: tarefa + vínculo + aprendizagem. Pré-tarefa → tarefa → projeto. MORENO: psicodrama + espontaneidade. BION: dinâmica emocional + grupo de trabalho + pressupostos básicos. TO: a atividade não serve apenas para ocupar; ela pode mediar relações e favorecer experiências e transformações. AGRUPAMENTO = estar junto | GRUPO = relacionar-se | COLETIVO = agir em comum | EQUIPE = organizar funções para uma finalidade. Material organizado para revisão e estudo.