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[studocu com] - Direito Constitucional - Estrutura e Elementos da CF - Concurso TJPR

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Direito Constitucional - Concurso TJPR
Direito Constitucional (Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu)
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1- Constituição (conceito, estrutura, elementos e classificação) 
Conceito: A constituição é o conjunto de normas fundamentais e supremas, 
que podem ser escritas ou não, responsáveis pela criação, estruturação e 
organização político-jurídica de um Estado. 
Estrutura: A Constituição pode ser dividida em 3 partes: preâmbulo, parte 
permanente (ou dogmática) e ADCT (Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias). 
O preâmbulo é a primeira parte da Constituição. Segundo o entendimento 
do STF, não é uma norma jurídica e nem uma norma constitucional. É como se 
fosse um “recado” do legislador constituinte ao povo, que é o destinatário da 
Constituição. Vem antes do texto constitucional, que resume as posições 
ideológicas (os valores e as intenções) do Poder Constituinte Originário (que é o 
poder que elabora a Constituição). Por isso, uma lei que violar o preâmbulo da CF 
não pode ser considerada inconstitucional, porque não é uma norma jurídica, sendo 
assim, não pode ser considerado uma norma constitucional. Logo, o preâmbulo não 
serve como parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade de uma lei. 
● Normas jurídicas são regras de conduta estabelecidas pelo Estado 
para regular as relações sociais. 
● Normas constitucionais: são um tipo específico de norma jurídica, 
com hierarquia superior e que estabelecem a estrutura fundamental do 
Estado, os direitos e deveres dos cidadãos e a relação entre os 
poderes constituídos. 
A parte permanente (dogmática) da CF representa o texto constitucional 
propriamente dito. São os artigos que organizam o Estado, estruturam os Poderes e 
estabelecem os direitos e as garantias fundamentais. Apesar do nome “permanente” 
os artigos podem sim ser alterados por meio das emendas constitucionais feitas 
pelo Poder Derivado Reformador. Esse nome só foi dado para diferenciar da parte 
transitória. 
A parte transitória da CF é chamada de ADCT (Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias) e seu objetivo é o de facilitar a passagem de uma 
ordem jurídica antiga para a nova. Facilita o processo de substituição de uma nova 
Constituição, garantindo a segurança jurídica e evitando o colapso entre um 
ordenamento jurídico e outro. Também pode ser modificada por reforma 
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constitucional e também pode servir como paradigma para o controle de 
constitucionalidade das leis. 
● Ordenamento jurídico: é um sistema de normas, princípios e regras 
que organiza e regula a vida em sociedade, estabelecendo um 
conjunto de leis e procedimentos que devem ser seguidos. É um 
conceito fundamental para entender como um país funciona 
legalmente, pois engloba a estrutura da justiça, as fontes do direito e a 
hierarquia entre as normas. 
Elementos: as normas constitucionais podem ser diferenciadas ou 
separadas em diversas categorias, levando em conta a sua estrutura normativa e 
conteúdo, sendo que essas categorias são chamadas de elementos. Os elementos 
da Constituição podem ser entendidos como as partes que a compõem e a 
estruturam. Cada um desses elementos desempenha um papel específico na 
organização e funcionamento do Estado e na garantia dos direitos e garantias 
fundamentais. São eles: 
● Elementos orgânicos: se referem à estrutura e organização do 
Estado e dos poderes, incluindo a estrutura da administração pública, 
a divisão de competências entre os poderes (Legislativo, Executivo e 
Judiciário) e a organização das forças armadas. 
● Elementos limitativos: são normas que restringem o poder estatal, 
como os direitos e as garantias fundamentais, que protegem os 
indivíduos contra abusos de poder. 
● Elementos socioideológicos: são aqueles que refletem os valores e 
princípios que norteiam a sociedade e o Estado, como os fundamentos 
da República (soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, 
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, pluralismo político), os 
objetivos fundamentais da República e os princípios que regem as 
relações internacionais. 
● Elementos da estabilização constitucional: esses elementos 
incluem mecanismos para garantir a supremacia da Constituição e a 
solução de conflitos constitucionais, como o controle de 
constitucionalidade e os procedimentos para revisão constitucional. 
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● Elementos formais da aplicabilidade: são as regras sobre a 
aplicação das normas constitucionais, como o preâmbulo, os ADCT e 
as espécies normativas (leis complementares, leis ordinárias, etc.). 
Classificação: existem diversas classificações de constituições. 
● Quanto à origem: divide as constituições em outorgadas e 
promulgadas. As outorgadas são aquelas que um ditador (ou um 
grupo detentor do poder) impõe, mediante regime autoritário. Já as 
promulgadas resultam de um processo em que o povo elege uma 
Assembleia Nacional Constituinte, estabelecendo uma nova ordem 
democrática. Nascem, portanto, da manifestação legítima popular. 
● Quanto à forma: são classificadas em escritas (ou instrumentais) e 
costumeiras (não escritas ou consuetudinárias). As escritas ou 
instrumentais são sistematizadas e organizadas em um único 
documento. E as costumeiras ou não escritas (consuetudinárias) 
são aquelas que têm como base os costumes, jurisprudências e 
convenções, resultando, portanto, de textos e documentos esparsos. 
● Quanto à extensão: divide as constituições em sintéticas (sumárias, 
concisas, breves, básicas) e analíticas (amplas, extensas, prolixas). A 
sintética são breves e versam apenas sobre os princípios estruturais 
do Estado, o que as faz possuir maior estabilidade. As analíticas são 
aquelas que esmiúçam todos os assuntos tratados pelos 
representantesmudanças em 
políticas públicas. 
 
6.2 - Poder Executivo 
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O poder executivo é responsável pela administração do país, considerando 
sempre as leis vigentes, executando-as, administrando os interesses públicos e 
propondo novos planos de ação. 
Na esfera federal, sua figura máxima é o Presidente da República. Na 
esfera estadual, são os Governadores e na esfera municipal são os Prefeitos. Além 
disso, todos estes são assessorados por ministérios e secretarias. E também tem os 
órgãos públicos, as autarquias, as agências reguladoras (como Anvisa, ANS, etc) e 
as empresas públicas costumam estar vinculadas ao poder executivo. 
 
6.3 - Poder Judiciário 
O poder judiciário é o responsável pela interpretação e execução das leis, 
devendo sempre observar os limites da legislação brasileira e obedecer o que é 
determinado pela CF. Além disso, é dever do judiciário mediar os conflitos entre 
cidadãos e entre os cidadãos e o Estado, além de procurar garantir o respeito aos 
direitos da população brasileira. 
Também desempenha um papel fundamental na garantia da saúde pública, 
porque atua como um mecanismo de proteção dos direitos individuais e coletivos 
dos cidadãos. 
Os Ministros, Juízes e Desembargadores são os representantes do poder 
judiciário. É composto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Superior Tribunal 
de Justiça (STJ) e pelas Justiças Estaduais. 
Muitas vezes é necessário que a sociedade procure o judiciário para 
intermediar e tomar decisões quando o direito é violado. Além disso, as pessoas 
também podem procurar as organizações como auxílio para compreender melhor 
algumas questões, situações ou causas das quais não possuem conhecimento 
suficiente para uma melhor tomada de decisão. 
 
6.4 - Funções Essenciais à Justiça 
São instituições que possuem o objetivo de disponibilizar a todos o direito 
de acesso à justiça, de maneira que toda a sociedade possa ter seus direitos 
assegurados. Os responsáveis por essas funções são o Ministério Público, a 
Advocacia (pública e privada) e a Defensoria Pública. E ao contrário do que muitos 
pensam, as funções essenciais à justiça não fazem parte do poder judiciário. 
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São instituições que desempenham o papel de, além de garantir o acesso à 
justiça, também garantem a proteção dos direitos individuais e coletivos e a busca 
pela igualdade e justiça no sistema jurídico. 
 
6.4.1 - Ministério Público 
É uma instituição permanente, possuindo os objetivos de assegurar a 
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e 
individuais indisponíveis. 
Sendo defensor da ordem jurídica, ele atua como um fiscal da lei, zelando 
pela observância e cumprimento das leis presentes no ordenamento jurídico 
brasileiro. Em relação à defesa do regime democrático, ele atua como um protetor 
do Estado Democrático de Direito, agindo em nome do coletivo, com o objetivo de 
proteger os interesses da sociedade como um todo. 
Em relação aos interesses individuais indisponíveis, que são direitos das 
pessoas que possuem importância para toda sociedade e são chamados de 
indisponíveis porque não podem ser ignorados, vendidos ou deixados de lado pelas 
pessoas, mesmo que elas queiram, o MP entra em ação para protegê-los quando 
esses direitos estão em risco ou não podem ser acessados. 
Exemplos desses direitos são o direito à vida, à liberdade, à saúde e à 
educação. O MP atua para garantir que todos tenham acesso a eles. É importante 
informar que o MP não faz parte de nenhum dos 3 poderes, apesar de estar 
relacionado a todos eles. Ele é autônomo e independente. 
Os princípios do MP são: 
● Unidade: dispõe que todos os seus membros integram apenas um 
órgão, sob a chefia de um Procurador-Geral. Assim, todas as 
ramificações do MPU, como o Ministério Público Federal e o Ministério 
Público do Trabalho, integram o Ministério Público da União, tendo 
como chefe o Procurador-Geral da República. A exceção é o Ministério 
Público Estadual, que possui sua própria estrutura em cada estado, 
tendo cada um o seu Procurador-Geral de Justiça. 
● Indivisibilidade: permite que um membro do MP possa substituir 
outro, em uma mesma função. Isso acontece em decorrência do 
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postulado da unidade, uma vez que a prática do ato é da instituição do 
MP e não do membro autor da ação. 
● Independência Funcional: garante a independência da atuação do 
membro dentro das suas atividades, não podendo sofrer interferência 
do seu chefe hierárquico durante o cumprimento das suas funções. 
Além desses princípios, tem também a autonomia financeira e 
administrativa do MP, permitindo que o órgão possa realizar sua própria proposta 
orçamentária, realizar concursos, criar e extinguir seus cargos, entre outros. 
O MP é formado pelo Ministério Público da União (MPU) e pelo Ministério 
Público dos Estados (MPE) (presente em cada um dos estados). Apesar de haver 
estruturas distintas, eles exercem as mesmas funções, diferenciando apenas o 
alcance da sua atuação. Não existe MP na esfera Municipal. 
O MPU é composto pelos: 
● Ministério Público Federal. 
● Ministério Público do Trabalho. 
● Ministério Público Militar. 
● Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. 
O chefe do MPU é o Procurador-Geral da República (PGR): 
● Ele é escolhido e nomeado pelo presidente. 
● Dentre os integrantes de carreira. 
● Acima de 35 anos. 
● Aprovado pelo Senado Federal. 
● Mandato de 2 anos, sendo permitida várias reeleições. 
O chefe do MPE e do MPDFT é o Procurador-Geral da Justiça (PGJ): 
● Escolhido e nomeado pelo governador através de lista tríplice. 
● Dentre integrantes de carreira. 
● Mandato de 2 anos, permitida uma reeleição. 
Os membros do MP possuem vitaliciedade após 2 anos de exercício, 
inamovibilidade, não podendo ser removidos de ofício da sua lotação, salvo 
mediante interesse público e irredutibilidade de seus subsídios. 
● Vitaliciedade: é uma prerrogativa que impede a perda do cargo por 
outros meios que não seja uma sentença judicial definitiva. 
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● Inamovibilidade: é o direito de um membro do MP não ser removido 
ou transferido para outro cargo ou localidade sem sua concordância, 
salvo em situações específicas de interesse público. 
● Irredutibilidade de subsídio: garante que os subsídios (vencimentos) 
não podem ser reduzidos, exceto em situações excepcionais previstas 
na CF, como crises econômicas graves. Tem o objetivo de assegurar a 
independência e a estabilidade financeira desses agentes, permitindo 
que exerçam suas funções de forma imparcial e livre de pressões 
externas. 
 
6.4.2 - Advocacia Pública 
A Advocacia-Geral da União é a instituição incumbida de representar a 
União, de maneira judicial e extrajudicial. Além disso, também tem a função de 
exercer as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do poder executivo, 
a AGU representa os 3 poderes em ações judiciais e extrajudiciais, mas os serviços 
de consultoria e assessoramento jurídico são apenas realizados para o poderexecutivo. 
O chefe é o Advogado-Geral da União: 
● De livre nomeação pelo presidente da república. 
● Maior que 35 anos de idade. 
● Com notável saber jurídico e reputação ilibada; 
● Não precisa ser aprovado pelo Senado Federal. 
● Equiparado a Ministro de Estado. 
Os membros da Advocacia Pública não possuem vitaliciedade, como os 
membros do MP, apenas a estabilidade após 3 anos de exercício. 
 
6.4.3 - Advocacia Privada 
O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo que ele é 
inviolável por seus atos e manifestações no exercício da sua profissão. Ele tem a 
função de orientar e defender os seus clientes em conflitos, de modo que proteja os 
direitos da pessoa, através dos seus conhecimentos sobre o ordenamento jurídico e 
normativo, como as leis. 
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Apesar da CF dizer expressamente que o advogado é indispensável à 
administração da justiça, há alguns momentos em que não é necessário a sua 
presença, como para entrar com um habeas corpus ou durante um Processo 
Administrativo Disciplinar (PAD) contra algum servidor público. 
 
6.4.4 - Defensoria Pública 
É uma instituição permanente, tendo como funções a orientação jurídica, a 
promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos, de 
forma integral e gratuita aos necessitados, em níveis judiciais e extrajudiciais. 
A Defensoria Pública exerce grande papel na garantia dos direitos dos 
cidadãos, uma vez que ela permite que pessoas em situações vulneráveis que não 
possuam recursos para contratar um advogado possam ter acesso à justiça, de 
forma gratuita, em todas as esferas. 
Assim como o MP, possui como princípios institucionais a unidade, 
indivisibilidade, e a independência funcional, além da autonomia administrativa e 
financeira, não sendo subordinado a nenhum dos poderes. Não tem defensoria 
pública no âmbito Municipal. 
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https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-constitucional-concurso-tjprdo povo, de modo a detalhar as regras que poderiam, 
de certo modo, ser tratadas por normas infraconstitucionais. 
● Quanto ao conteúdo: classifica as constituições em materiais e 
formais. As materiais tratam dos fundamentos e das normas 
estruturais do Estado, permitindo assim, a organização dos seus 
órgãos e da sociedade. As formais possuem a característica de terem 
como foco o seu processo de formação, em detrimento do seu 
conteúdo. 
● Quanto ao modo de elaboração: classifica também como 
dogmáticas (ou sistemáticas) e históricas. As dogmáticas 
caracterizam-se por serem escritas e por refletirem os dogmas 
políticos de uma nação, através de uma assembleia constituinte. As 
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históricas são instituídas ao longo do tempo por um processo de 
formação que reúne a história e a tradição de um povo. 
● Quanto à alterabilidade: são as constituições rígidas, flexíveis, 
semirrígidas, fixas, transitoriamente flexíveis, imutáveis e 
super-rígidas. As rígidas são aquelas que para sua alteração, 
precisam de um processo mais dificultoso que o das leis. As flexíveis 
são aquelas que admitem alteração de seu texto através de um 
processo mais simples, como o das leis. As semirrígidas são 
classificadas assim porque algumas de suas normas são rígidas e 
outras são flexíveis. As fixas são aquelas que somente podem ser 
alteradas pelo mesmo poder que as criou. As transitoriamente 
flexíveis admitem o mesmo rito de reforma que o das leis, mas 
apenas por um determinado período, sendo que, após encerrado esse 
período, o texto constitucional passa a ser considerado rígido. As 
imutáveis não admitem alteração. E as super-rígidas são aquelas 
que misturam normas rígidas e imutáveis em seu texto. 
● Classificação quanto à sistemática: se classificam em reduzidas 
(unitárias) e variadas. As reduzidas são aquelas que se constituem 
em um só código básico e sistemático. As variadas são aquelas que 
estão presentes em vários textos e documentos esparsos. 
● Classificação quanto à dogmática: divide as constituições em 
ortodoxa e eclética. A ortodoxa é aquela que se fundamente em 
apenas uma ideologia. E a eclética é aquela que se baseia em mais 
de uma ideologia, essencialmente conciliatórias. 
● Classificação quanto à correspondência com a realidade: são as 
constituições denominadas normativas, nominais ou semânticas. As 
normativas se caracterizam por estabelecer todo o regramento do 
ordenamento jurídico. Com isso, as constituições normativas possuem 
poder normativo suficiente para subordinar os agentes e as relações 
políticas do Estado. As nominais são aquelas que pretendem, mas 
não conseguem, de forma efetiva, regular as relações de poder em um 
Estado. Assim, embora tenham a intenção, as normas de tais 
constituições não regulam e nem limitam a polícia estatal. As 
semânticas são instrumentos que auxiliam na manutenção do poder, 
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ou seja, tais constituições são elaboradas apenas para conferir 
legitimidade formal à vontade da elite, em benefício destes. 
● Classificação quanto ao sistema: classifica as constituições em 
principiológicas ou preceituais. As principiológicas abarcam 
predominantemente os princípios estruturantes do Estado. As 
preceituais fazem prevalecer as regras individualizadas, com menor 
grau de abstração. 
● Classificação quanto à função: inclui as constituições provisórias e 
as definitivas. As provisórias (ou revolucionárias) estabelecem um 
conjunto de normas visando a estruturação do poder político bem 
como a eliminação do antigo regime. As definitivas são aquelas 
constituídas como produto final do processo constituinte. 
● Classificação quanto à origem de sua decretação: podem ser 
classificadas como heterônomas ou autônomas. As heterônomas são 
aquelas decretadas de fora do Estado ou por outros Estados ou, até 
mesmo, por organizações internacionais. As autônomas são assim 
denominadas por serem decretadas dentro do próprio Estado regente. 
● Constituições garantia, balanço e dirigente: as constituições podem 
ser classificadas como garantia, balanço e dirigentes. As garantias 
objetivam garantir a liberdade dos indivíduos, caracterizando-se, 
portanto, pelos limites que impõe ao poder. Os balanços representam 
os patamares alcançados no processo de evolução do socialismo. E 
as dirigentes são aquelas que definem um projeto de Estado, 
representando, assim, um ideal. Caracterizam por conter normas 
programáticas. 
● Constituições liberais (negativas) e sociais (dirigentes): podem ser 
classificadas como liberais e sociais. As liberais expressam direitos de 
1º geração, refletindo os ideais do liberalismo, especialmente a 
intervenção mínima estatal. Caracterizam-se por normas que 
exprimem direitos negativos. As sociais surgem da necessidade da 
intervenção do Estado para garantir condições mínimas de 
subsistência dos indivíduos. São os chamados direitos de 2º geração, 
os quais exigem a atuação positiva do Estado. 
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○ Direitos negativos: também conhecidos como direitos de 
defesa ou direitos de liberdade. São aqueles que protegem o 
indivíduo de interferências externas, especialmente do Estado e 
garantem a liberdade de ação em determinadas áreas. 
○ Direitos positivos: se refere ao conjunto de normas jurídicas 
estabelecidas por uma autoridade competente, como um 
governo ou legislatura, e que são aplicadas em uma 
determinada sociedade. 
● Classificação da Constituição Federal Brasileira: Promulgada, 
escrita, analítica, formal, dogmática, rígida, reduzida, eclética, 
normativa, principiológica, definitiva, autônoma, garantia/dirigente e 
social. 
 
2- Poder Constituinte 
O poder constituinte é o poder de definir uma nova Constituição ou de 
alterar uma que já existe. Ele possui poderes e cria normas de exercício de governo, 
bem como dos seus órgãos, os limites da sua ação e as bases do ordenamento 
econômico e social presentes. O titular do poder constituinte é o povo, representado 
por um órgão colegiado, como uma Assembleia Constituinte. 
● Poder constituinte é o poder de criar e reformar as Constituições e o 
poder constituído são os órgãos (poderes) criados para exercer as 
funções atribuídas ao Estado. 
 
2.1 - Poder Constituinte Originário 
O poder constituinte originário é aquele que rompe com a ordem jurídica 
anterior e determina uma nova constituição, originando um novo Estado. Tem como 
característica ter autonomia, porque será exercido de maneira soberana para a 
elaboração da nova Constituição, e ser ilimitado juridicamente, por não precisar se 
submeter aos princípios propostos na Constituição anterior. 
2.2 - Poder Constituinte Derivado 
O poder constituinte derivado é estabelecido pelo originário, tendo a 
obrigação de atender às exigências impostas por ele para a produção das normas 
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constitucionais, tornando-se limitado. Suas características são relacionadas a ele 
ser condicionado, secundário e limitado. Assim, derivam do originário o reformador, 
o decorrente e o revisor. 
● Poderconstituinte derivado reformador: tem a capacidade de 
modificar a Constituição por meio de um procedimento específico, 
estabelecido pelo poder originário, sem que haja uma verdadeira 
revolução. 
● Poder constituinte derivado decorrente: sua função é estruturar a 
Constituição dos Estados-Membros ou, se houver necessidade de 
adequação e reformulação, modificá-la. 
● Poder constituinte derivado revisor: é uma competência para de 
revisão para atualizar e adequar a Constituição às realidades que a 
sociedade apontasse como necessárias. 
 
2.3 - Poder Constituinte Difuso 
O poder difuso é um meio informal de alteração da Constituição, porque não 
deriva explicitamente da Constituição, mas é um poder de fato que se exterioriza 
pela mutação constitucional. É um processo informal de alteração da Constituição, 
onde o sentido e a interpretação das normas são modificados, sem que haja 
alteração no texto literal da Constituição. Ele se manifesta através de mudanças na 
prática jurídica, jurisprudência e doutrina, adaptando a Constituição à realidade 
social. 
 
2.4 - Poder Constituinte Supranacional 
O poder supranacional procura a sua validade na cidadania universal, no 
pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito 
remodelado de soberania. Se refere à capacidade de criar uma constituição que se 
aplica a múltiplos estados, onde cada um cede uma parte de sua soberania para 
uma estrutura jurídica comum. Resumindo, é a busca por uma ordem constitucional 
que transcenda as fronteiras nacionais, estabelecendo normas e princípios válidos 
para uma comunidade de nações. 
 
2.5 - Quem exerce o poder constituinte? 
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É exercido pelo povo, representado por um órgão colegiado. O poder 
constituinte representa a democracia de um Estado soberano, quando o povo faz 
suas escolhas de líderes e representantes por meio das eleições, pois é o 
Congresso Nacional que representa a nação. 
3- Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil 
Os princípios fundamentais são valores que orientaram a elaboração da 
Constituição. Servem como elementos de interpretação e integração do texto 
constitucional, contribuindo para a unidade da Constituição. São enumerados logo 
no início do texto constitucional, após o preâmbulo e estão previstos no Título I da 
Constituição em quatro artigos. O art. 1º trata dos fundamentos da República 
Federativa do Brasil. O art. 2º do princípio da separação de Poderes. O art. 3º dos 
objetivos fundamentais e o art. 4º dos princípios da República Federativa do Brasil 
nas relações internacionais. 
3.1 - Fundamentos da República Federativa do Brasil 
O primeiro fundamento é a soberania é um tributo do Estado brasileiro, que 
significa que ele não se subordina a nenhum outro. O segundo fundamento à 
cidadania demonstra o compromisso do legislador constituinte com o povo. Por 
meio desse fundamento, procura-se que a participação popular nas decisões 
políticas do Estado seja crescente, o que é garantido ao longo do texto 
constitucional por meio do voto, da iniciativa popular, das leis e de outros 
instrumentos. 
O terceiro fundamento é a dignidade da pessoa humana, que é a base de 
todos os direitos fundamentais. Através desse fundamento, o constituinte assegura 
ao ser humano um lugar central para o Estado brasileiro. A proteção às pessoas 
passa a ser um fim para o Estado. O quarto fundamento são os valores sociais do 
trabalho e da livre iniciativa, onde o constituinte reforça que o Estado é capitalista 
e que o trabalho é um valor de nossa sociedade. E o quinto fundamento é o 
pluralismo político, e esse princípio garante a inclusão dos diferentes grupos 
sociais no processo político nacional, outorgando aos cidadãos liberdade de 
convicção filosófica e política. É uma proteção contra o autoritarismo de qualquer 
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grupo que tente se valer da posição dominante para reprimir aqueles que 
discordarem. 
3.2 - Princípio da Separação dos Poderes 
A Constituição explicita que os 3 poderes são independentes e harmônicos. 
Independência é a ausência de subordinação, de hierarquia entre os poderes, ou 
seja, cada um deles é livre para se organizar e não pode intervir indevidamente (fora 
dos limites constitucionais) na atuação do outro. Enquanto a harmonia significa 
colaboração, cooperação e visa garantir que os poderes expressem uniformemente 
a vontade da União. 
A independência entre os poderes não é absoluta, ela é limitada pelo 
sistema de freios e contrapesos, de origem norte-americana. Esse sistema prevê a 
interferência legítima de um poder sobre o outro, nos limites estabelecidos 
constitucionalmente. 
 
3.3 - Objetivos Fundamentais 
São fins a serem seguidos pelo Estado brasileiro, são eles: 
● Construir uma sociedade livre, justa e solidária. 
● Garantir o desenvolvimento nacional. 
● Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades 
sociais e regionais. 
● Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
 
3.4 - Princípios da República Federativa do Brasil nas relações 
internacionais 
Esse artigo foi inspirado na Carta da ONU e no momento em que o 
documento foi criado, o maior desejo da humanidade era garantir a paz. Assim, fica 
fácil memorizar princípios como a igualdade entre os Estados, a defesa da paz, a 
solução pacífica dos conflitos, o repúdio ao terrorismo e ao racismo e a cooperação 
entre os povos para o progresso da humanidade. 
 
4- Direitos e Garantias Fundamentais 
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Os direitos e garantias fundamentais são instrumentos de proteção do 
indivíduo garantidos pela CF. Estão baseados no princípio da dignidade da pessoa 
humana e são potestativos, ou seja, garantem o mínimo necessário para que o 
indivíduo exista. 
Garantias fundamentais são os instrumentos que existem com o objetivo 
de assegurar que o texto constitucional (suas normas e direitos previstos) seja 
universalmente aplicado dentro do território do Estado. Os remédios constitucionais, 
por exemplo, podem ser utilizados como exemplos de garantias fundamentais, 
porque são ferramentas criadas pela própria CF, que têm como objetivo garantir a 
aplicação dos direitos previstos na mesma. 
Direitos fundamentais são disposições declaratórias, o que significa que 
são prerrogativas reconhecidas pelo Estado como válidas. Isso quer dizer que o 
direito fundamental é uma norma, com vantagens previstas no texto constitucional. 
Na CF o art. 5º que trata sobre os direitos e garantias e os direitos são: direito à 
vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. A inviolabilidade desses 
direitos é a garantia de que a relação entre o indivíduo e o Estado se mantém 
intacta, juntamente com o Estado Democrático de Direito. 
● Direito à vida: é o direito fundamental mais importante para a 
existência do indivíduo em sociedade. O direito à vida não leva em 
consideração apenas a garantia de que a pessoa tem direito sobre a 
própria vida e a sua existência, mas também leva em consideração a 
condição de viver de forma digna, preservando a integridade física e 
moral de cada pessoa que vive na nação. Além do direito à vida, 
práticas que possam humilhar fisicamentee psicologicamente a 
pessoa são vedadas. A coação e a tortura, por exemplo, são exemplos 
de práticas que violam diretamente o direito à vida e por isso são 
proibidas. 
● Direito à liberdade: o direito à liberdade não está limitado à liberdade 
física, de não ser preso ou detido sem motivo ou sem ter infringido a 
lei. O direito à liberdade engloba o direito de ir e vir, o direito de livre 
expressão e pensamento, de liberdade intelectual, filosófica e política, 
da liberdade à manifestação, entre outras. 
● Direito à igualdade: trata mais das questões envolvendo o direito de 
ser tratado como igual perante os demais membros da sociedade. 
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Questões relacionadas ao gênero, à classe, à etnia e raça, à crença 
religiosa e a demais questões são abordadas na CF com o objetivo de 
dar assistência protetiva legal à possibilidade das pessoas serem 
tratadas como iguais, tendo em mente as suas diferenças. 
Direito à segurança: dentro desse direito está a capacidade do 
Estado em punir aqueles que não respeitam as leis, além de oferecer 
segurança para que o indivíduo se defenda do Estado quando o 
mesmo age em desacordo com a CF. O inciso XXXIX do art. 5º, por 
exemplo, diz que nenhuma pessoa pode ser responsável por crimes 
que não estejam na lei e nem podem ser penalmente responsáveis 
sem um julgamento justo e legal. 
● Direito à propriedade: é um dos direitos mais importantes para 
garantir que todos tenham a possibilidade de morar e subsistir de 
forma digna. Esse direito garante que todos possam desfrutar de 
propriedades privadas, criando normas protetivas (registros para que a 
propriedade seja regularizada de forma legal), além de instituir modos 
de distribuir propriedade a pessoas que não possuem as condições de 
ter um lugar para moradia e subsistência. É um mecanismo para 
garantir o direito à propriedade a todos, além de determinar que a 
propriedade precisa possuir um uso que tenha uma finalidade social 
(moradia, trabalho, alimentação). 
 
4.1 - Direitos e Deveres individuais e Coletivos 
É tratado no artigo 5º, CF. 
● Inciso I: igualdade (isonomia). 
● Inciso II: princípio da legalidade (na visão do cidadão). 
● Inciso III: desdobramento da dignidade da pessoa humana. 
● Inciso IV: liberdade de expressão (manifestação de pensamento). 
● Inciso V: direito de resposta. 
● Inciso VI e VII: liberdade religiosa e filosófica. 
● Inciso VIII: escusa de consciência (imperativo de consciência). 
● Inciso IX: liberdade de expressão e a censura. 
● Inciso X: inviolabilidade de honra, imagem e vida privada. 
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● Inciso XI: inviolabilidade domiciliar. 
● Inciso XII: inviolabilidade das correspondências e da comunicação. 
● Inciso XIII: liberdade profissional. Trata-se de norma de eficácia 
contida, ou seja, se tiver uma lei que exija qualificações para exercer 
determinada profissão, as exigências deverão ser obedecidas 
(exemplo: médico). 
● Inciso XIV: direito de acesso à informação e o resguarda os 
jornalistas. 
● Inciso XV: direito de ir e vir. 
● Inciso XVI: direito de reunião. 
● Incisos XVII, XVIII, XIX, XX e XXI: direito de associação. 
● Incisos XXII e XXIII: direito de propriedade. 
● Inciso XXIV: desapropriação ordinária. 
● Inciso XXV: requisição administrativa da propriedade. 
● Inciso XXVI: pequena propriedade rural trabalhada pela família. 
● Inciso XXXI: herança. 
4.2 - Direitos Sociais 
São aqueles que têm o objetivo de diminuir as vulnerabilidades sociais, 
garantindo direitos mínimos à sociedade. Assim, é possível proporcionar uma vida 
digna para todos os cidadãos de um país. São um desdobramento dos direitos 
fundamentais, procurando garantir a liberdade individual, igualdade e a 
solidariedade social. Buscam proteger os cidadãos contra as desigualdades e 
injustiças sociais, assegurando condições mínimas para uma vida digna. Os direitos 
sociais se dividem em áreas como: educação, saúde, alimentação, trabalho, 
moradia, transporte, lazer, segurança, proteção à maternidade e à infância, 
assistência aos desamparados e previdência social. 
● Trabalho: é regulado pelo art. 7º e assegura aos trabalhadores direitos 
mínimos, como a proibição de despedida arbitrária ou sem justa 
causa, desde que haja indenização compensatória (inciso I). Também 
prevê o seguro desemprego (inciso II) e o fundo de garantia (inciso III), 
além da garantia de salário nunca inferior ao mínimo (inciso IV) e o 
décimo terceiro salário (inciso VII). 
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● Educação: a educação é essencial e indispensável para o exercício 
da cidadania. Assim, o Estado deve promover políticas de acesso à 
educação, a CF garante, por exemplo, que o ensino básico seja 
ofertado de forma gratuita em todo o território nacional. Para o ensino 
superior, fica expressamente proibida a cobrança de taxa de matrícula 
nas universidades públicas. 
● Saúde: é um direito humano e passou a ser um direito social de toda 
pessoa, independente de sua condição social ou econômica, crença 
religiosa ou política.A principal política pública de saúde no Brasil é o 
Sistema Único de Saúde (SUS), porque ele proporciona o direito ao 
acesso universal à saúde. Sua responsabilidade é dividida entre 
União, estados e municípios. 
● Moradia: é tratada como obrigação do Estado criar políticas públicas 
de moradia a quem necessita. Não é necessariamente direito a uma 
casa própria, mas sim a um teto, um abrigo em condições adequadas 
para preservar a intimidade pessoal dos membros da família. 
● Segurança: é uma garantia do exercício pleno dos outros direitos 
sociais, mas a CF não estabelece uma política nacional de segurança, 
por isso essa função fica sob responsabilidade dos estados e de 
criação de leis ordinárias. 
● Lazer: está relacionado com o direito ao descanso dos trabalhadores, 
ao resgate de energias para retomada das atividades. A lei assegura o 
descanso remunerado destinado ao descanso e lazer que seja 
preferencialmente aos domingos, não podendo ser vendido pelo 
empregado ao empregador. E férias remuneradas após um período de 
12 meses trabalhados,. 
● Proteção à maternidade e à infância: a intenção foi garantir que as 
mulheres pudessem combinar seus papéis de trabalhadoras e de 
mães e prevenir um tratamento desigual por parte do empregador em 
razão desse papel. As mulheres têm direito à assistência médica e 
sanitária, salário maternidade e licença maternidade durante 120 dias. 
● Previdência social: garante a assistência aos cidadãos em caso de 
impossibilidade de trabalhar por motivos de saúde. Também garante 
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assistência financeira por aposentadoria mediante contribuição 
comprovada pelos anos trabalhados. 
● Assistência aos desamparados: a CF estabelece que a assistência 
social será prestada aos necessitados, independentemente de 
contribuírem ou não com a previdência social. 
● Transporte: foi incluído como direito social através de uma emenda 
constitucional, mas não existem artigos adicionais que falem sobre o 
tema, assim, cabe ao legislador infraconstitucionalregulamentar sobre 
o tema. A sua regulamentação envolve a proteção ambiental, o 
funcionamento de cidades, o planejamento e gestão urbanas, a 
sustentabilidade e o bem-estar social e a qualidade de vida, 
coletivamente. 
4.3 - Nacionalidade 
É um vínculo jurídico-político que liga um indivíduo a determinado Estado, 
fazendo com que esse indivíduo passe a integrar o povo daquele Estado e, por 
consequência, desfrute de direitos e submeta-se a obrigações. A doutrina costuma 
distinguir a nacionalidade em duas espécies: primária ou originária (involuntária) e 
secundária ou adquirida (voluntária). A nacionalidade originária é imposta, de forma 
unilateral, independentemente da vontade do indivíduo, pelo Estado, no momento 
do nascimento. Isto é, a pessoa já nasce brasileira. 
Já a nacionalidade secundária é aquela que se adquire por vontade 
própria, depois do nascimento, normalmente pela naturalização. É uma 
nacionalidade que, uma vez preenchidos os requisitos exigidos pela CF, a parte 
deve manifestar seu interesse em adquirir a nacionalidade brasileira. Na CF 
brasileira admite-se apenas a naturalização secundária expressa e poderá ser 
ordinária, extraordinária, especial e provisória. 
Naturalização ordinária 
● Todos os estrangeiros, salvo se originários de países com língua 
portuguesa devem: 
○ I- Ter capacidade civil, segundo a lei brasileira. 
○ II- Ter residência em território nacional, pelo prazo mínimo de 4 
anos. 
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○ III- Comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as 
condições do naturalizando. 
○ IV- Não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos 
termos da lei. 
● Todos os originários de países com língua portuguesa: 
○ I- Residência no Brasil por, no mínimo, 1 ano ininterrupto. 
○ II- Ter idoneidade moral. 
■ Idoneidade moral: é a pessoa que age de acordo com 
princípios éticos e morais aceitos em seu contexto social. 
● Portugueses: 
○ I- Ter residência permanente no Brasil. 
○ II- Em Portugal o brasileiro deve ser tratado da mesma forma 
que aqui. 
Naturalização extraordinária: é concedida a pessoa de qualquer 
nacionalidade fixada no Brasil há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação 
penal, desde que requeira a nacionalidade brasileira. 
Naturalização especial: é concedida ao estrangeiro que se encontre em 
uma das seguintes situações: 
● I- Seja cônjuge ou companheiro, há mais de 5 anos, de integrante do 
Serviço Exterior Brasileiro em atividade ou de pessoa a serviço do 
Estado brasileiro no exterior. 
● II- Seja ou tenha sido empregado em missão diplomática ou em 
repartição consular do Brasil por mais de 10 anos ininterruptos. 
Naturalização provisória: poderá ser concedida ao migrante criança ou 
adolescentte que tenha fixado residência em território nacional antes de completar 
10 anos de idade e deverá ser requerida por intermédio de seu representante legal. 
Perda da nacionalidade: nos casos de cancelamento da naturalização por 
sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional e aquisição 
de outra nacionalidade. 
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4.4 - Direitos Políticos e Partidos Políticos 
São um conjunto de garantias que buscam assegurar aos cidadãos a 
participação no processo político de um país. Esses direitos incluem o voto, o de 
candidatar-se a cargos políticos, além da possibilidade de manifestar-se 
politicamente. 
Além disso, também estão assegurados os direitos de associação política, 
liberdade de expressão, organizar-se em partidos políticos e a permissão para que 
os cidadãos influenciem as decisões políticas do Estado, seja mediante plebiscitos, 
referendos, audiências públicas, etc. Dessa forma, os direitos políticos são 
importantes para o exercício pleno da cidadania e para a construção de sociedades 
democráticas e justas. 
Os regimes democráticos são classificados em 3 espécies: 
● Democracia direta: onde o povo exerce por si o poder, sem 
intermediário, sem representantes. 
● Democracia representativa: onde o povo, soberano, elege 
representantes, concedendo-lhe poderes, para que, em nome deles e 
para o povo, governem o país. 
● Democracia semidireta ou participativa: é uma democracia 
representativa, com peculiaridades e atributos da democracia direta, a 
qual, constitui um mecanismo capaz de propiciar, além da participação 
direta, concreta do cidadão na democracia representativa, controle 
popular sobre os atos estatais. 
Os direitos políticos costumam ser classificados da seguinte forma: 
● Direitos políticos positivos: são normas relacionadas à participação 
ativa dos cidadãos na política. 
● Direitos políticos negativos: são normas que limitam a participação 
do indivíduo na vida política. 
4.4.1- Direitos políticos positivos 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto 
e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I- plebiscito; 
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II- referendo; 
III- iniciativa popular. 
● Sufrágio é um direito público e subjetivo, ou seja, o direito de 
participar do pleito eleitoral. Enquanto o voto é o instrumento para 
exercer o sufrágio. 
● Plebiscito: a consulta é prévia, sendo convocado com anterioridade a 
ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar 
ou denegar o que lhe foi submetido. Ou seja, primeiro consulta-se o 
povo e só depois a decisão política será tomada. 
● Referendo: primeiro se tem o ato legislativo ou administrativo e só 
depois é submetido à apreciação do povo, que o ratifica (confirma) ou 
o rejeita (afasta). 
● Iniciativa popular: é o poder que o povo possui de levar uma 
proposta de lei para o poder legislativo. 
Os direitos políticos positivos se caracterizam tanto pela capacidade 
eleitoral ativa (direito de votar, capacidade de ser eleitor, alistabilidade) como pela 
capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado, elegibilidade). 
● Capacidade eleitoral ativa: significa se tornar eleitor (alistabilidade) e 
votar. É obrigatório para os adultos maiores de 18 anos e menores de 
70 anos. É facultativo para os analfabetos, maiores de 70 anos e 
maiores de 16 anos e menores de 18 anos. E vedados para os 
estrangeiros e os conscritos durante o período do serviço militar 
obrigatório. 
● Capacidade eleitoral passiva: é o direito a ser votado e se eleger a 
um cargo público (elegibilidade). São condições de elegibilidade: 
○ A nacionalidade brasileira; 
○ O pleno exercício dos direitos políticos; 
○ O alistamento eleitoral; 
○ O domicílio eleitoral na circunscrição; 
○ A filiação partidária; 
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○ A idade mínima é de 35 anos para Presidente e vice-presidente 
e senador, 30 anos para governador e vice-governador e 21 
para debutado federal, estadual ou distrital, prefeito, 
vice-prefeito e juiz de paz e 18 anos para vereador. E são 
inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. 
4.4.2 - Direitos políticos negativos 
Inelegibilidades: são as circunstâncias (constitucionais ou previstas em lei 
complementar) que impedem o cidadão do exercício total ou parcialda capacidade 
eleitoral passiva, ou seja, da capacidade de eleger-se. Portanto, restringem a 
elegibilidade do cidadão. 
Inelegibilidades absolutas: São absolutamente inelegíveis, ou seja, nao 
podem exercer a capacidade eleitoral passiva, em relação a qualquer cargo eletivo: 
● O inalistável (quem não pode ser eleito, não pode eleger-se). 
● Os estrangeiros. 
● Os conscritos (durante o serviço militar obrigatório não podem 
alistar-se como eleitores). 
● O analfabeto (tem direito à alistabilidade e, portanto, direito de votar, 
mas não pode ser eleito. 
Inelegibilidade relativa: em razão de algumas situações não pode elger-se 
para determinados cargos, podendo, porém, candidatar-se e eleger-se para outros, 
sob os quais não recaia a inelegibilidade. Nesses casos, a inelegibilidade dá-se 
conforme as regras constitucionais, em decorrência da função exercida, de 
parentesco, ou se o candidato for militar, bem como em virtude das situações 
previstas em lei complementar. 
Perdas dos direitos políticos 
● Cancelamento da naturalização por sentença transitada em 
julgado: em decorrência do cancelamento da naturalização, o 
indivíduo voltará à condição de estrangeiro, não podendo mais se 
alistar como eleitor nem se eleger, visto que deixa de ter a 
nacionalidade brasileira. 
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● Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação 
alternativa: ninguém será privado de direitos por motivo de crença 
religiosa ou de convicção filosófica ou política, porém, se as invocar 
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a 
cumprir a prestação alternativa fixada em lei, terá como punição a 
declaração da perda de seus direitos políticos. 
● Perda da nacionalidade brasileira em virtude de aquisição de 
outra: a nacionalidade brasileira é pressuposto para aquisição de 
direitos políticos, sendo assim, ao perder a nacionalidade brasileira e 
adquirindo outra, o ex-brasileiro passa a ser estrangeiro, sendo 
inalistáveis. 
Suspensão dos direitos políticos 
● Incapacidade civil absoluta: como só é possível suspender aquilo 
que já existia, tem que partir do pressuposto de que o indivíduo tinha 
direitos políticos e estes foram suspensos. Então só se pode falar de 
suspensão de direitos políticos em casos de interdição. 
● Condenação criminal transitada em julgado: os direitos políticos 
ficam suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação. 
● Exercício assegurado pela cláusula de reciprocidade: A utilização 
dos direitos políticos em Portugal por um brasileiro importará na 
suspensão do exercício dos mesmos direitos no Brasil. 
4.4.3 - Partidos Políticos 
O caput do artigo 17 da CF assegura a liberdade para a criação, fusão, 
incorporação e extinção de partidos políticos, desde que resguardados a soberania 
nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da 
pessoa humana. A CF não limitou a quantidade de partidos políticos, mas fixou uma 
limitação qualitativa e financeira. 
A limitação qualitativa diz respeito à conformidade ideológica das 
pretensões do partido com os princípios do Estado Democrático de Direito. E a 
limitação financeira exige a prestação de contas à Justiça Eleitoral e proíbe o 
recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de 
subordinação a estes. 
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A personalidade jurídica dos partidos políticos (direito privado) é adquirida 
quando do registro no cartório de Registro Civil. Depois de adquirirem a 
personalidade jurídica, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. O 
partido político é livre para fazer coligação nas eleições majoritárias (presidente, 
governador, prefeito e senador), mas é proibida a coligação nas eleições 
proporcionais (deputados e vereadores). 
● Sistema majoritário: é aplicado nas eleições para presidente, 
governador, prefeito e senador. É considerado mais simples, porque 
vence o candidato com a maioria dos votos. 
● Sistema proporcional: é utilizado para eleger deputados federais, 
estaduais, distritais e vereadores. Os votos não servem apenas para 
eleger o candidato, mas também para fortalecer o partido ou a 
coligação que ele pertence. Os votos são somados e a partir disso, as 
vagas são distribuídas proporcionalmente ao desempenho de cada 
partido nas urnas. Isso significa que na prática, não necessariamente 
vai ser eleito o vereador ou deputado que tiver mais votos, porque é 
feito uma equação e é juntado todo tipo de voto que o partido ou 
coligação teve e divide pelo número de vagas. Quer dizer que um 
candidato de outro partido, com menos votos do que o outro, pode ser 
eleito e o outro que teve mais votos, não. 
4.5 - Ações ou remédios constitucionais 
Os remédios constitucionais são garantias dos direitos e liberdades 
apresentados na CF. São meios colocados à disposição das pessoas para proteção 
de seus direitos. Tem como objetivos atacar atos ilegais ou abusivos praticados pelo 
Poder Público. 
 
4.5.1 - Habeas Corpus 
Tem como objetivo proteger o direito à liberdade locomoção. O habeas 
corpus é concedido sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer 
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade. Ou seja, o 
habeas corpus proíbe a prisão abusiva. 
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Além de ser gratuito, é o único remédio constitucional que não precisa de 
advogado para ser solicitado. 
● Legitimidade ativa: brasileiros ou estrangeiros, pessoa jurídica (em 
defesa de pessoa física) e o Ministério Público. A legitimidade passiva 
é a parte autora do processo. 
● Legitimidade passiva: autoridade pública e particulares. A 
legitimidade passiva é a parte ré de um processo, a pessoa acusada. 
4.5.2 - Habeas Data 
Tem como objetivo assegurar o conhecimento, a retificação ou a 
complementação de informações relativas à pessoa do requerente, incluídos em 
registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. 
Para ser solicitado, precisa ter prova de tentativa de acesso ou correção de 
dados de forma administrativa perante o órgão público. Além disso, essa ação é 
gratuita e precisa de advogado para ser ajuizada. 
● Legitimidade ativa: brasileiros ou estrangeiros e pessoas jurídicas 
desde que em nome próprio. A jurisprudência admite que seja 
proposta pelos herdeiros. 
● Legitimidade passiva: órgão ou entidade detentora da informação. 
4.5.3 - Mandado de Segurança 
Tem o objetivo de proteger um direito líquido e certo que está sob ameaça 
ou foi violado por uma autoridade ou órgão público. É subsidiário, ou seja, só será 
usado nos casos em que não for cabível habeas corpus ou habeas data. 
É utilizado sempre que um cidadão desejar combater um ato ilegal ou 
abusivo, que fira algum de seus direitos constitucionais, desde que não seja o direito 
de ir e vir (liberdade) e o acesso à informação. Além disso, ele pode ser dividido em 
individual e coletivo, sendo o individual referente aos direitos individuais e o coletivo 
referente aos direitos de determinadas entidades. 
Não é gratuito e para ser solicitado precisa ter um advogado. 
● Legitimidade ativa nos mandados individuais: brasileiros ou 
estrangeiros e pessoa jurídica. 
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https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=direito-constitucional-concurso-tjpr● Legitimidade ativa nos mandados coletivos: partido político com 
representação no Congresso Nacional e organização sindical, 
entidade de classe ou associação legalmente constituída e em 
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de 
seus membros ou associados. 
● Legitimidade passiva: autoridade pública e pessoa jurídica a ela 
vinculada, Ministério Público e partido político. 
4.5.4 - Mandado de Injunção 
Seu objetivo é fazer valer uma norma constitucional, quando não existir uma 
lei regulamentando o exercício de um determinado direito fundamental. Ou seja, é 
um instrumento para legitimar a aplicação da CF, como forma de tornar todos os 
direitos fundamentais exercíveis e acessíveis. 
Sendo assim, o mandado de injunção torna viável o exercício dos direitos e 
liberdades constitucionais e as prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania 
e à cidadania. Não é gratuito e precisa de advogado. 
● Legitimidade ativa: brasileiros e estrangeiros e pessoas jurídicas. 
● Legitimidade ativa mandado de injunção coletivo: Ministério 
Público, partido político com representação no Congresso Nacional, 
organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano e Defensoria 
Pública. 
● Legitimidade passiva: autoridades ou órgãos responsáveis pela 
elaboração da norma regulamentadora da CF. 
4.5.5 - Ação Popular 
É utilizado para proteger diferentes bens da sociedade, quando estes são 
objetos de algum ato lesivo da administração pública. Os bens e direitos amparados 
por essa lei são a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio 
histórico e cultural. 
É gratuito e precisa de advogado para ser ajuizado. 
● Legitimidade ativa: somente o cidadão. 
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● Legitimidade passiva: autoridade pública e pessoa jurídica de direito 
público a que pertencer a autoridade que praticou o ato combatido. 
4.5.6 - Ação Civil Pública 
Tem como objetivo proteger o direito do meio ambiente, do consumidor, do 
patrimônio cultural e outros direitos difusos e coletivos. Pode ser ajuizada somente 
por entidades indicadas em lei específica. 
 
5- Organização do Estado 
No Brasil tem-se a República como forma de governo. A República é 
marcada pela eleição dos representantes do povo, bem como a temporalidade 
destes no poder. Além disso, esses governantes podem ser responsabilizados por 
suas condutas contrárias ao ordenamento jurídico, à moral, etc. 
A República Federativa do Brasil constitui-se em um estado federado, ou 
seja, a forma de estado é a federação e por isso, o poder é descentralizado do 
território. O art. 18 da CF estabelece que a organização político-administrativa da 
República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios, todos autônomos. A união das diferentes regiões do país é o que 
dá origem ao federalismo. 
Cada estado tem o direito de se organizar político-administrativa, criando 
sua própria constituição. Além disso, os Estados podem fazer suas próprias leis, 
administrar seus próprios órgãos públicos e se governar. Porém, deve seguir as 
regras definidas pela CF. 
Os Municípios e o Distrito Federal também têm autonomia e se organizam 
por meio da lei orgânica. Além disso, não existe nenhuma relação de hierarquia ou 
de subordinação entre os entes federativos. São todos autônomos. Também é uma 
característica das federações a inadmissibilidade do direito de secessão, ou seja, os 
federativos não podem se desligar do território nacional para constituírem Estados 
soberanos e nem para integrarem outros países. 
 
5.1 - Organização político-administrativa 
A organização político-administrativa se refere à forma como um país se 
estrutura para administrar o território e o poder, envolvendo a relação entre o poder 
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central e as unidades regionais. No Brasil, essa organização é federativa, com a 
União, os estados, o Distrito Federal e os municípios como entes autônomos. 
Além disso, a autonomia se divide em 4 categorias: 
● Auto-organização: é a capacidade que os entes têm de se 
auto-organizar por meio de Constituições Estaduais ou Leis Orgânicas. 
● Autolegislação: é a capacidade que os entes têm para editarem sua 
própria legislação. 
● Autoadministração: é a capacidade que os entes têm para exercer 
suas atribuições de natureza administrativa, tributária e orçamentária. 
● Autogoverno: é a capacidade que os entes têm de eleger seus 
próprios representantes. 
A CF estabelece quais são as competência de cada ente, ou seja, quais 
assuntos cada um pode tratar e decidir. Os entes federados são: 
● União: representa o governo central, com poderes sobre todo o 
território nacional. 
● Estados: unidades autônomas que possuem seus próprios governos e 
leis, mas estão subordinados à CF. 
● Distrito Federal: unidade federativa que abriga a capital do país, com 
características tanto de estado quanto de município. 
● Município: unidades menores que também possuem autonomia 
administrativa, com seus próprios órgãos de governo e leis municipais. 
5.2 - União, Estados, Distrito Federal, Municípios e Territórios 
 
5.2.1 - União 
A União tem duas formas de atuação. Dentro do país ela funciona como 
uma pessoa jurídica com direitos e deveres legais, sendo parte da federação. Ela 
tem autonomia para fazer suas próprias leis, se organizar e administrar seus 
assuntos. 
Fora do país, a União representa todo o Brasil nas relações internacionais, 
ou seja, fala em nome de todos os Estados, Municípios e do Distrito Federal em 
assuntos com outros países.A União é o centro do poder que se forma quando 
todos os entes federativos se unem pelo Pacto Federativo. 
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O Poder Legislativo da União é exercido pelo Congresso Nacional, órgão 
bicameral constituído pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. E o 
Poder Executivo da União é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos 
Ministros de Estado. 
A União possui competências administrativas (materiais) e competências 
legislativas. As competências administrativa (materiais) definem o campo de 
atuação da União no âmbito da organização político-administrativa do Estado. São 
classificadas em exclusiva (assuntos sobre os quais a atuação/execução de tarefas 
somente a União realiza) e comum (assuntos cuja realização de atividades é feita 
pela União, pelos Estados, Distrito Federal e Municípios). A competência exclusiva 
da União é indelegável aos Estados. 
E as competências legislativas definem os assuntos sobre os quais as 
normas jurídicas regulamentares serão criadas pela União. São classificadas em 
privativa (matérias em que a legislação é feita pela União) e concorrente (matérias 
em que a União, os Estados e o Distrito Federal legislam). A competência privativa 
é delegável aos Estados, desde que mediante lei complementar e acerca de partes 
específicas. E na competência concorrente, a União fixa as normas gerais sobre 
um determinado assunto e os Estados e Distrito Federal cumprem as normas gerais 
e acrescentam as normas específicas. Se a União se omitir, os Estados e o DF 
exercerão a competência legislativa plena (criação de normas gerais e de normas 
específicas). 
 
5.2.2 - Estados 
Os estados-membrossão a segunda esfera de soberania na República 
Federativa do Brasil. Diferente da União, são apenas pessoas jurídicas de direito 
público interno, não possuindo representação no plano do direito internacional. 
Possui autonomia organizacional, de governo, legislativa e administrativa. 
Os estados membros têm o direito de se organizar de acordo com as suas 
próprias constituições, sempre dentro dos limites de competência estabelecidos pela 
CF. Os estados têm um governo próprio, que funciona de acordo com as 
necessidades e características específicas de cada um. 
Em relação à capacidade legislativa, os Estados têm capacidade 
legislativa residual. Assim, cabe aos Estados legislar sempre que não for vedada a 
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competência em relação ao assunto. Se for de competência exclusiva da União, por 
exemplo, não poderá legislar. 
Já a capacidade de administração diz respeito à autonomia do estado em 
gerir, sendo característico de sua própria natureza de ente federativo. 
O Poder Legislativo é unicameral e exercido pela Assembleia Legislativa, 
composta de representantes do povo (deputados estaduais). O Poder Executivo é 
exercido pelo Governador, auxiliado pelos Secretários de Estado. 
A competência não está enumerada na CF. São reservadas aos estados as 
competências que não forem da CF. 
Em relação a criação de novos estados, é prevista em nossa CF. Os 
novos estados podem se formar por: 
● Incorporação (fusão): acontece quando dois ou mais estados se 
unem para formar um só. 
● Subdivisão: ocorre quando um estado originário se divide em outros 
estados. 
● Desmembramento: ocorre quando uma parte do estado originário se 
divide, surgindo um novo estado, sem que elimine o original. 
Importante lembrar que a criação de novos estados depende de lei 
complementar após plebiscito perante a população interessada na mudança. 
 
5.2.3 - Municípios 
Os municípios estão, de certa forma, submetidos aos limites dos Estados ao 
qual pertencem, bem como à União, dentro de suas competências. 
Cabe aos municípios as competências de legislar sobre os assuntos de 
interesse local, suplementar a legislação federal e a estadual no que couber, 
organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os 
serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem 
caráter essencial e promover no que couber, adequado ordenamento territorial, 
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo 
urbano. 
O Poder Legislativo Municipal é unicameral, exercido pela Câmara 
Municipal, composta de representantes do povo (vereadores). O Poder Executivo 
Municipal é exercido pelo Prefeito, com o auxílio dos Secretários Municipais. 
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A criação de novos municípios tem um grande obstáculo à criação, visto que 
tem necessidade de promulgação de lei complementar federal para que se possa 
criar um município por desmembramento ou incorporação. 
 
5.2.4 - Distrito Federal 
O DF se comporta ora como Estado e ora como Município. Trata-se de uma 
pessoa jurídica de direito público interno, cujas autonomias se encontram previstas 
na CF. Em relação a autonomia organizacional, a autonomia do DF é parecida com 
a de um município, já que ambos têm suas próprias regras. Mas não é exatamente 
igual e isso fica claro no modo como é governado: quem comanda é um governador 
e vice-governador, que representam os Estados-Membros e não os Municípios. 
A autonomia de administração do DF é semelhante a dos demais entes 
federativos, cabendo a ele compreender quais são os organismos de gestão que 
melhor lhe caibam. Em relação à capacidade legislativa, o DF possui tanto as 
competências dos estados-membros como as dos municípios, já que tem natureza 
dúplice. 
Uma peculiaridade sobre o DF é que ele não se subdivide em municípios, 
sendo um ente único. Ou seja, não existem eleições municipais em Brasília, nem 
nas cidades satélites. As cidades satélites são meras divisões administrativas do DF 
e não entes federativos municipais. 
 
5.2.5 - Territórios Federais 
Não existe hoje, na prática, nenhum território federal, mas a CF não proíbe 
sua existência. Antes da CF de 1988 existiam 3 territórios federais no Brasil: Amapá, 
Roraima e Fernando de Noronha. Fernando de Noronha foi incorporado ao estado 
de Pernambuco e Amapá e Roraima tornaram-se estados autônomos. 
Os territórios federais não são entes federativos. Sua administração é 
vinculada à União e, por isso, não tem autonomia de governo. Sendo assim, o 
governante do território federal é escolhido pelo Presidente da República. 
 
5.3 - Repartição de Competência 
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As competências legislativas definem os assuntos sobre os quais cada ente 
federado poderá legislar, ou seja, diz respeito aos temas que a União, os Estados, o 
DF e os Municípios poderão criar normas jurídicas. 
● Competência Legislativa: determina quais entes podem criar leis 
sobre determinados assuntos. 
○ Privativas: a União tem exclusividade na legislação sobre 
certos temas. 
○ Concorrentes: a União estabelece normas gerais e os estados 
e o DF podem legislar suplementarmente. 
● Competência Administrativa (material): define as ações que cada 
ente pode executar. 
○ Exclusivas: a União é a única a realizar determinadas tarefas. 
○ Comuns: União, estados, DF e municípios podem realizar 
certas atividades. 
● Outras competências: 
○ Residual: estados têm competência sobre matérias que não 
são exclusivas da União ou dos municípios. 
○ Supletiva: os municípios podem suplementar a legislação 
estadual em áreas de interesse local. 
5.4 - Intervenção 
Refere-se à atuação de um ente federativo (União ou Estado) sobre outro 
(Estado ou Município, respectivamente) para garantir o cumprimento da CF, da lei 
ou da ordem judicial, ou para restabelecer a ordem pública. É uma medida 
excepcional e temporária, com objetivos específicos e sujeita a condições e limites. 
A intervenção, seja federal ou estadual, atua como um mecanismo para 
garantir o equilíbrio e a harmonia do sistema federativo. Quando um ente federativo 
não cumpre suas obrigações ou age em desacordo com a CF, a intervenção procura 
estabelecer a ordem e assegurar a continuidade da federação. 
É um instrumento importante para a organização e o funcionamento do 
Estado, mas seu uso deve ser criterioso e justificado, porque afeta a autonomia dos 
entes federados. É fundamental que a intervenção seja utilizada apenas em 
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situações extremas e com respeito aos princípios constitucionais que regem o 
sistema federativo brasileiro. 
 
5.4.1 - Intervenção Federal 
● A União pode intervir nos Estados e Municípios em casos previstos na 
CF (art. 34). 
● As hipóteses de intervenção federal são taxativas e incluem, entre 
outras, garantir a segurança nacional, a ordem pública, a execução de 
lei federal ou decisão judicial, a prestação de contas ou a aplicação do 
mínimo exigido em educação e saúde. 
● A intervenção federal é sempre decretada por ato do Presidente,com 
posterior apreciação pelo Congresso Nacional (controle Político) 
5.4.2 - Intervenção Estadual: 
● Um estado pode intervir em seus municípios, mas não em outros 
estados ou na União (art. 35). 
● As hipóteses de intervenção estadual são semelhantes às da 
intervenção federal, mas aplicáveis aos municípios. 
● O controle político da intervenção estadual é exercido pela Assembleia 
Legislativa do Estado. 
5.4.3 - Princípios da Intervenção 
● Excepcionalidade: a intervenção é medida extrema e só deve acontecer 
quando for estritamente necessária. 
● Taxatividade: as hipóteses de intervenção são limitadas e especificadas na 
CF. 
● Temporariedade: a intervenção deve ter duração limitada e cessar quando 
forem removidos os motivos que a justificaram. 
● Necessidade: a intervenção deve ser comprovadamente justificada por 
situações que comprometam a ordem constitucional ou a ordem pública. 
5.5 - Administração Pública 
Administração pública refere-se ao conjunto de atividades e órgãos 
responsáveis por gerir os serviços e políticas do Estado, com o objetivo de atender 
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às necessidades da sociedade e promover o bem-estar coletivo. Ela envolve o 
planejamento, execução e controle das ações governamentais, buscando a 
eficiência e a efetividade na prestação de serviços públicos. 
A administração pública engloba a estrutura e o funcionamento dos órgãos 
e entidades responsáveis pela prestação de serviços públicos e pela execução de 
políticas públicas. Servidores públicos e militares são categorias distintas de 
agentes públicos, com regimes jurídicos próprios, direitos e deveres específicos. 
A administração pública, em suas diversas esferas (federal, estadual e 
municipal), deve obedecer a princípios como legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência, conforme o art. 37. A administração pública 
pode ser direta, composta por órgãos integrados aos Poderes Executivo, Legislativo 
e Judiciário, ou indireta, formada por entidades como autarquias e fundações. 
● Administração Pública Direta: é exercida pelos próprios órgãos da 
administração centralizada, como ministérios e secretarias, sem 
personalidade jurídica própria. 
● Administração Pública Indireta: é exercida por entidades com 
personalidade jurídica própria, como autarquias, fundações públicas, 
empresas públicas e sociedades de economia mista. 
A administração pública é regida por diversos princípios, sendo estes: 
● Legalidade: a administração pública deve agir dentro dos limites da 
lei. 
● Impessoalidade: a administração pública deve tratar todos os 
cidadãos de forma igualitária, sem favorecimentos ou discriminações. 
● Moralidade: a administração pública deve agir com honestidade, 
probidade e ética. 
● Publicidade: a administração pública deve garantir a transparência de 
suas ações e decisões. 
● Eficiência: a administração pública deve buscar a melhor forma de 
utilizar os recursos públicos para atingir seus objetivos. 
● Proporcionalidade e Razoabilidade: as ações da administração 
pública devem ser proporcionais e adequadas aos fins que se 
pretende alcançar. 
● Ampla defesa e Contraditório: em processos administrativos deve 
ser garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório. 
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● Supremacia do interesse público: o interesse público deve 
prevalecer sobre o interesse privado. 
Os servidores públicos são pessoas físicas investidas em cargos públicos, 
sujeitos a um regime jurídico único estabelecido por cada ente federativo. Eles 
podem ser estatutários (ocupantes de cargos efetivos) ou temporários (contratados 
por tempo determinado). Servidores têm direitos como remuneração, férias, licenças 
e aposentadorias, mas também devem cumprir deveres como respeito à hierarquia, 
zelo pelo patrimônio público e obediência às normas. 
Os militares são servidores públicos com regime jurídico específico, 
organizados com base na hierarquia e disciplina. A eles se aplicam disposições 
específicas, como a proibição de sindicalização e greve, e restrições à filiação 
partidária enquanto em serviço. 
Em relação à responsabilidade, tanto servidores públicos quanto militares 
podem ser responsabilizados civil, penal e administrativamente por seus atos no 
exercício da função. A lei estabelece prazos de prescrição para ilícitos que causem 
prejuízos ao dinheiro público, e as pessoas jurídicas de direito público e privado 
prestadores de serviços públicos respondem pelos danos causados por seus 
agentes, com direito de regresso em casos de dolo ou culpa. 
 
6 - Organização dos Poderes 
Os poderes são divididos em Legislativo, Executivo e Judiciário. O poder em 
si é um só, mas ocorre uma divisão de atribuições e funções do Estado. O Estado 
precisa agir para estar presente na vida das pessoas, criando regras e garantindo 
que elas sejam cumpridas. Para evitar abusos e autoritarismo, essa divisão de 
funções é uma forma eficiente de exercer o poder. A independência entre os 
poderes, ou seja, o fato de um não poder interferir no outro de forma indevida, é o 
que garante o bom funcionamento e o equilíbrio do Estado. 
No exercício de suas atribuições e obedecendo os limites da lei, o poder 
legislativo, executivo e o judiciário devem procurar realizar a finalidade do Estado, 
que é: 
● A construção de uma sociedade livre, justa e solidária. 
● A garantia do desenvolvimento nacional. 
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● A erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das 
desigualdades sociais e regionais. 
● A promoção do bem de todos, afastando os preconceitos de origem, 
raça, sexo, cor idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
A CF adota o princípio da tripartição do poder e os poderes são harmônicos, 
mas independentes entre si, tendo autonomia para atuar. Eles possuem atribuições 
distintas, mas sua autonomia permite que eles limitem uns aos outros, impedindo 
que exista abuso de poder e garantindo o funcionamento harmônico da nação. 
Importante ressaltar que a divisão do poder do país é um critério de 
organização que não pode ser abolido, porque é considerado cláusula pétrea. 
● Cláusulas Pétreas: são dispositivos da CF que não podem ser 
alterados por emendas constitucionais, ou seja, são imutáveis. 
 
6.1 - Poder Legislativo 
A principal função do poder legislativo é legislar, ou seja, fazer a proposta de 
leis que tragam benefícios para a população. Além disso, também faz a supervisão 
das ações que são de responsabilidade do poder executivo. 
Estão presentes os Deputados Federais e Senadores no âmbito federal. Os 
Deputados Estaduais ou Distritais no âmbito federal e no âmbito municipal, os 
Vereadores. 
Os legisladores devem atuar como intermediários entre os cidadãos e o 
governo, exercendo sua função representativa. Isso significa que precisam ouvir 
atentamente seus eleitores, compreender as questões que mais lhes importam e 
agir de acordo com essas demandas para o bem-estar comum e os interesses da 
sociedade. 
Por esse motivo, o poder legislativo é o mais acessível para a sociedade 
civil, porque o parlamento é considerado a casa do povo. Lá é possível procurar 
seus representantes e pressioná-los por mudanças ou pedir auxílio e intervenção 
para uma causa específica, seja para provocar discussões ou mesmo

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