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E-Book - Apostila Esse arquivo é uma versão estática. Para melhor experiência, acesse esse conteúdo pela mídia interativa. Unidade 2 - CONTROLE DE TENSÃO NA REDE BÁSICA, CONTROLE DE TENSÃO NO SDAT, CONTROLE DE TENSÃO NO SDMT E CONTROLE DE TENSÃO NO SDBT E-Book - Apostila E-Book - Apostila 2 - 32 Introdução da unidade A qualidade de energia é um tópico importante para o sistema elétrico como um todo. Qualquer distúrbio nesse sentido pode comprometer o bom funcionamento de um equipamento eletroeletrônico e resultar em redução da sua vida útil, devido ao aquecimento de condutores, ao aumento da velocidade de rotação ou mesmo ao consumo extra e desnecessário de energia. Dois dos fatores mais comuns no que diz respeito a falhas no recebimento de energia elétrica são a frequência elétrica e a severidade de desvios. É uma necessidade garantir, tanto quanto possível, que um sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica seja efetivo e forneça, qualitativa e quantitativamente, a demanda exigida por seus consumidores. Em suma, um Sistema Elétrico de Potência (SEP) tem por função transmitir potência gerada em usinas, qualquer que seja a fonte primária, dos geradores até os consumidores, para que sejam atendidas as cargas demandadas. Essa função é subdividida em etapas: geração, transmissão e distribuição. Obviamente, uma empresa pode atuar em apenas um desses subsistemas, e, qualquer que seja o segmento, há necessidade de um órgão que coordene e controle a operação independente e particular a cada um, o Operador Nacional do Sistema (ONS). Além disso, o ONS garante a integração por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN), sob a fiscalização e a regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Planejar, monitorar e garantir a segurança do suprimento de energia no setor elétrico brasileiro é responsabilidade maior do Ministério de Minas e Energia. Para cumprimento dessas tarefas, são estabelecidos parâmetros regulatórios: regras, procedimentos e indicadores tanto para as empresas envolvidas na transmissão (qualidade na oferta), a partir da geração, quanto para as distribuidoras (qualidade no consumo) de energia elétrica. É consenso que a qualidade da energia elétrica está diretamente relacionada à qualidade da tensão. Neste material, serão abordados aspectos relativos a como é feito o controle de tensão com os principais critérios aplicáveis à rede básica: tensão de atendimento em regime permanente; flutuação de tensão; desequilíbrio de tensão; distorção harmônica de tensão e Variação de Tensão de Curta Duração (VTCD), por meio da apresentação dos indicadores e respectivo gerenciamento de cada um deles, de acordo com as normas vigentes, nos Sistemas de Distribuição em nível de Alta Tensão (SDAT), de Média Tensão (SDMT) e de Baixa Tensão (SDBT). Afinal, esse insumo é essencial e tem custo elevado, como se percebe, mensalmente, nas tarifas que chegam às nossas residências. Controle de tensão na rede básica E-Book - Apostila 3 - 32 Um Sistema Elétrico de Potência tem a função de suprir os consumidores, grandes ou pequenos, fornecendo-lhes, no instante desejado, a energia elétrica na quantidade demandada com a qualidade adequada. Em nosso país, o SEP é subdividido em três subsistemas, com as funções: gerar, transmitir e distribuir energia elétrica aos consumidores finais. Em particular, o sistema de transmissão é responsável pelo transporte da energia dos pontos de produção até os pontos de suprimento, e o sistema de distribuição transporta essa energia até os consumidores finais (ROBBA, 2020). O sistema de transmissão conecta uma rede de linhas que envolve todo o território nacional e compõe parte do Sistema Interligado Nacional. O SIN é composto por mais de 145 mil quilômetros de linhas de transmissão, com tensões que variam de 230 kV a 800 kV. Paralelamente, o subsistema de distribuição do país é dividido em média e baixa tensões. As redes de média tensão caracterizam-se por tensões entre 13,8 kV e 34,5 kV, em configuração radial. São redes trifásicas no tronco, mas também apresentam ramais bifásicos e monofásicos, tipicamente utilizados em zonas rurais (MÉFFE et al., 2002). Evidentemente, os três processos precisam ser coordenados e controlados concomitantemente. Em nosso país, as definições que garantem as condições operativas do SIN são responsabilidade do Operador Nacional do Sistema. Empresas atuantes nos três subsistemas do SEP estão sob a fiscalização e a regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica, cuja missão é proporcionar condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade (ANEEL, 2023). O ONS define uma sistemática, composta por indicadores de desempenho para a rede básica. São eles: tensão de atendimento em regime permanente; flutuação de tensão; desequilíbrio de tensão; Variação de Tensão de Curta Duração (VTCD); e distorção harmônica de tensão (ONS, 2017). Há valores limites de referência, para que se garanta a qualidade de energia elétrica. No que diz respeito à tensão, a avaliação é feita por meio da medição de valores no barramento, sob responsabilidade das concessionárias de transmissão. De acordo com a Resolução Normativa Aneel nº 67, de 2004, os critérios exigidos são aplicáveis a: Recurso Externo Recurso é melhor visualizado no formato interativo Tensão de atendimento em regime permanente E-Book - Apostila 4 - 32 No quesito tensão de atendimento em regime permanente, o objetivo é identificar, junto às concessionárias de transmissão, se o barramento está com desempenho adequado. Caso constate-se o contrário, são propostas ações de correção. A periodicidade de levantamento de valores é mensal, e tais dados são armazenados pelo ONS. Os indicadores utilizados nesse caso são: a Duração Relativa de Violação de Tensão Precária (DRP) e a Duração Relativa de Violação de Tensão Crítica (DRC). O cálculo desses indicadores em cada uma das fases do SEP é descrito pelas expressões nas equações a seguir. Após cálculo, a classificação da tensão de atendimento em regime permanente, em função da tensão nominal para barramentos sob responsabilidade de concessionárias de transmissão, deve seguir o estabelecido na tabela que se encontra na sequência. Em que: E-Book - Apostila 5 - 32 número de leituras da fase com tensão de atendimento precária, em base mensal; número de leituras da fase com tensão de atendimento crítica, em base mensal; número de leituras da fase, em base mensal. Tensão nominal do ponto de observação da tensão (kV) Classificação do desempenho da tensão de atendimento em regime permanente Adequado Precário Crítico TN ≥ 230 0,95 TC ≤ TL ≤ 1,05 TC 0,93 TC ≤ TL 1,07 TC 69 ≤ TN 1,07 TC 1 1,05 TC E-Book - Apostila 6 - 32 TABELA 1 - Classificação do desempenho da tensão Fonte: ONS, 2017 [Adaptada]. Nota: TC = Tensão contratada (kV); TL = Tensão de leitura (kV); TN = Tensão nominal (kV). Na fronteira da rede básica, TC = TN. Quando o desempenho da tensão é classificado como crítico, o ONS, juntamente com os responsáveis pelo controle do ponto de observação, deve analisar tanto as causas quantoos afetados. Se for detectada uma causa sistêmica, o ONS é o responsável para proposição de alternativas de solução, que podem incluir implantação de reforço ou ampliação das instalações de transmissão. Se a inadequação for pontual, o agente responsável deve ser identificado e notificado, para atender às recomendações estabelecidas pelo ONS. FIGURA 1 - Classificação da tensão de atendimento em regime permanente Fonte: ONS, 2017, on-line. Todo o histórico de causas, bem como ações e recomendações deliberadas, serão mantidos em base de dados junto ao ONS. E-Book - Apostila 7 - 32 Flutuação de tensão Para a operação adequada de um sistema, é necessário manter a frequência e a tensão da rede dentro de limites em torno de seus valores nominais. Para alguns países, a frequência de grandes redes elétricas é mantida em um intervalo menor que ± 0, 1% do valor nominal. A tensão pode variar em uma faixa que vai de ± 5% até ± 7% do valor nominal nos pontos de distribuição, dependendo do país. A flutuação de tensão é um fenômeno aleatório, que pode ser repetitivo ou esporádico, causado por alterações no valor eficaz da tensão. Todo alimentador possui uma carga que varia, ciclicamente, sua corrente e provoca uma alteração correspondente da tensão. Em uma rede de energia, não é possível manter a tensão em toda a extensão, pois a própria resistência do cabeamento elétrico causa queda de tensão progressiva desde o transformador. Portanto é um problema inerente à natureza de transportar e distribuir energia elétrica, conforme mostra a figura a seguir. FIGURA 1 - Queda de tensão em linha de transmissão Fonte: Elaboração da autora, 2023. E-Book - Apostila 8 - 32 Essa variação pode afetar o comportamento de cargas sensíveis ao valor eficaz da tensão de alimentação como ventiladores e lâmpadas incandescentes, aquecedores e fornos elétricos com controle automático de temperatura, aparelhos de solda elétrica, elevadores e outros. O efeito da flutuação de tensão é perceptível, historicamente, no desconforto causado pela variação da luminosidade de uma lâmpada. Denominado como cintilação luminosa ou flicker (em inglês), tal efeito pode provocar disfunções neurológicas ao observador, ainda que se considere lâmpadas incandescentes como banidas em uso comercial (DECKMANN; POMILIO, 2017). É possível e necessário quantificar o incômodo visual causado percebido pelas pessoas expostas ao fenômeno de cintilação por meio dos indicadores: (1) de Severidade de Cintilação de Curta Duração (Pst), que representa a severidade dos níveis de cintilação causados pela flutuação de tensão verificada num período contínuo de dez minutos e é calculado de acordo com a primeira equação a seguir; e (2) de Severidade de Cintilação de Longa Duração (Plt), que representa a severidade dos níveis de cintilação causados pela flutuação de tensão verificada num período contínuo de duas horas e é calculado conforme a segunda equação a seguir (ONS, 2017). E-Book - Apostila 9 - 32 Em que: nível de sensação de cintilação que foi ultrapassado durante i% do tempo, resultante do histograma de classificação por níveis, calculado conforme estabelecido na Publicação IEC-61000-4-15 (SİLSÜPÜR; TÜRKAY, 2015). Depois que os indicadores são calculados, devem ser comparados com o padrão exigido. Esse padrão é caracterizado por indicadores nacionais, denominados PstD95% e PltS95%. Os limites de aceitação (ou não) que precisam ser respeitados são aplicados ao Ponto de Acoplamento Comum (PAC). Tais limites são estabelecidos com a premissa de que o limite global inferior para as tensões secundárias nos sistemas de distribuição (220 V ou 127 V). O primeiro limite, denominado “global”, é de 1 pu. Esse valor é fixo, mas pode sofrer alterações, por determinação da Aneel. O segundo limite, denominado “individual”, é determinado por meio de cálculos específicos para cada instalação. Isso se deve ao fato de que cada uma possui equipamentos distintos com características não lineares responsáveis pelo efeito de flutuação na tensão. Os limites global e individual determinados pela Aneel são indicados na tabela que segue. Limite PstD95% PltS95% Limite global inferior Limite global superior TABELA 2 - Limites globais para flutuação de tensão E-Book - Apostila 10 - 32 Fonte: ONS, 2017, on-line. Nota: FT é o fator de transferência; idealmente, é medido em um ponto entre o barramento do sistema de transmissão e o barramento da rede secundária de distribuição eletricamente mais próximo. O cálculo do FT depende da relação entre o valor dos indicadores nacionais denominados PltS95% do barramento que está sob avaliação, e o valor do PltS95% do barramento da rede secundária de distribuição. Se a medição não for feita, os FT apresentados na tabela “Fatores de transferência, em função da tensão nominal de barramento” devem ser aplicados (ONS, 2017, on-line). PstD95% PltS95% TABELA 3 - Limites individuais para flutuação de tensão Fonte: ONS, 2017, on-line. A matemática é uma linguagem. Muitos problemas precisam ser modelados por meio de equações se quisermos simular respostas, fazer previsões, abstrações e até inferências em fenômenos observáveis. Isso só é possível quando somos capazes de entender os códigos envolvidos. Na engenharia elétrica, alguns conteúdos essenciais funcionam como códigos, tornando possível acesso a conhecimentos mais aprofundados. Esse é o caso dos números complexos, das leis da eletricidade e do Sistema por Unidade (pu). A indicação a seguir tratará sobre esse assunto. Confira! E-Book - Apostila 11 - 32 DICA Sistema por Unidade, mais conhecido pela sua abreviatura pu, é uma forma amplamente usada para expressar as grandezas elétricas em um circuito de maneira normalizada. Há vantagens na utilização desse sistema. Para conhecê-lo em detalhes, leia da página 106 à 114 da referência que segue, intitulada “Introdução a sistemas elétricos de potência”. Bons estudos! Para conferir a leitura, clique ou copie o link a seguir em seu navegador e acesse a Minha Biblioteca: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/bo oks/9788521217824/pageid/6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521217824/pageid/6 E-Book - Apostila 12 - 32 É essencial conhecer e operar bem usando esse sistema. Portanto é importante que o engenheiro eletricista em formação saiba como o sistema pu simplifica a análise e os cálculos em SEP. Desequilíbrio de tensão Com base em toda a conjuntura temática apresentada na unidade, convidamos você a assistir o vídeo a seguir, a fim de ampliar a esfera de conhecimentos sobre desequilíbrio de tensão. Vamos lá? Recurso Externo Recurso é melhor visualizado no formato interativo Fundamentando-se nos conhecimentos que o vídeo aprofundou, certamente o campo de estudos a respeito de desequilíbrio de tensão está mais coerente agora. Tente pensar nessas contribuições. Distorção harmônica de tensão Cargas elétricas controladas eletronicamente possuem, em sua essência, características intrínsecas de não linearidade, responsáveis pela possível geração de distorções harmônicas. Uma vez que causam picos de disparo (spikes), possuem a vantagem de não requererem corrente elétrica constantemente (MARCONCIN, 2009). Todavia a solicitação de tais “picos”, em determinados instantes, retira a linearidade do espectro e leva à degradação da qualidade de energia. As fontes geradoras de harmônicas presentes no SEP são bastantevariadas, advindas não apenas das concessionárias, mas também dos consumidores, principalmente industriais. E-Book - Apostila 13 - 32 É fato que as componentes harmônicas causam problemas de qualidade de energia e podem gerar problemas ao consumidor, pois, como são somadas à corrente fundamental, geram perdas de potência na rede e aumentam o nível de corrente e de tensão em aparelhos, o que pode resultar em redução de vida útil. Podem ser citados como possíveis efeitos da presença de distorções harmônicas: cargas de computadores, televisores, lâmpadas que economizam energia, ampla e progressivamente encontradas entre clientes domésticos e comerciais; rotação excessiva de motores e perda de sincronismo; sobreaquecimento, como no caso de núcleos ferromagnéticos e capacitores; ferrorressonância em transformadores, reatores e motores; ressonância em capacitores de tipo shunt com risco de explosão por falta de dissipação de calor; distorções de sinais como em aparelhos de som que degradam a qualidade do som e dos equipamentos que os geram (POMILIO, 2013). O desempenho da rede básica quanto a harmônicos é observável por indicadores associados à distorção harmônica de tensão e posterior comparação destes com os limites global e individual. O cálculo da Distorção Harmônica Individual (DTHI) é dado pela razão entre a tensão harmônica de ordem h e a tensão fundamental, conforme expressa a primeira equação a seguir; e a Distorção Harmônica Total (DTHT) corresponde ao valor obtido da raiz quadrada do somatório quadrático das DTHI de ordens 2 a 50, conforme a segunda equação a seguir. A avaliação da distorção utiliza os indicadores DTHI e DTHTS95%, obtido pela determinação do valor que foi superado em 5% dos registros obtidos no período de um dia, com valores integralizados em intervalos de dez minutos, durante sete dias consecutivos. O procedimento regulamentar sugere utilizar o maior valor dentre os valores de cada fase, em cada intervalo de integralização. Os limites globais e individuais são apresentados nas tabelas a seguir. E-Book - Apostila 14 - 32 Na tabela, são apresentados os limites globais inferiores para os indicadores DTHI e DTHTS95%. Os limites globais superiores são determinados pela multiplicação dos limites globais inferiores correspondentes, pelo fator 4/3. Para cada ordem harmônica h, a tensão harmônica resultante em qualquer ponto do sistema é obtida com a combinação dos efeitos provocados por diferentes agentes. V 1,40 TABELA 7 - Contabilização de elevações de tensão em função da amplitude e da duração do evento Fonte: ONS, 2017, on-line. E-Book - Apostila 17 - 32 É digno de nota que, apesar de tantos impactos negativos, os possíveis distúrbios de qualidade de energia são detectáveis. Medições por meio de equipamentos apropriados e registros frequentes de acompanhamento e diagnóstico podem compor o chamado “laudo analisador de energia”, levantamento em ambiente industrial ou empresarial que auxilia e previne situações ou problemas maiores, devido a faltas e falhas. Depois de identificados, distúrbios podem ser corrigidos — como exemplo, pode ser citada a aplicação de filtros, para evitar distorções harmônicas. Sem dúvida, a melhor forma de garantir a qualidade de energia é o correto dimensionamento de instalações elétricas, tanto em ambiente de fornecimento quanto de consumo. Isto é, a prevenção é sempre a melhor forma de proporcionar confiabilidade e produtividade a um sistema elétrico. Como toda falta ou falha na qualidade de atendimento do fornecimento de energia elétrica, pode causar um afundamento de tensão no meio industrial. Os equipamentos eletrônicos são cada vez mais utilizados no controle de processos, tais como Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) e Acionamentos de Velocidade Variável (ASDs), sendo vulneráveis a variaçõesde tensão. Portanto controlar e mitigar variações momentâneas de tensão são ações essenciais para a eficiência do processo produtivo. Para melhoria nesse tipo de falha, duas vertentes podem ser consideradas: a que considera a causa do problema, que implica alterar, reforçar e atuar diretamente na rede elétrica, e a que considera os principais afetados com o problema, isto é, abrandar a sensibilidade dos equipamentos. Dentre as medidas indicadas, podem ser citadas (USP, 2023): E-Book - Apostila 18 - 32 Sempre que se oferta um produto ou serviço, pode haver ocorrência de falha ou ineficiência. Para defesa do consumidor, existem regras e órgãos de proteção. Isso não é diferente no setor elétrico, para o qual também existe regulamentação quanto à qualidade e à quantidade na oferta da energia elétrica. cabos multiplexados (reduz taxa de ocorrência); impedâncias dos cabos (reduz amplitude); rede subterrânea (reduz taxa de ocorrência); maior potência de curto-circuito (reduz amplitude e duração); maior número de alimentadores, com alguns dedicados a cargas mais importantes (reduz amplitude) tempos de atuação e número de ciclos de abertura do religador; proteções digitais (reduz duração); programa periódico de poda de árvores; programa de limpeza de isoladores; programa de manutenção preventiva; programa de monitoramento das conexões elétricas da rede; especificação e fabricação de componentes com menor sensibilidade (ação a longo prazo); fabricação de equipamentos que incluam fontes internas para casos de contingências; instalação de Recuperadores Dinâmicos de Tensão (Dynamic Voltage Restore — DVR), justificáveis para cargas grandes e muito importantes, devido ao seu alto custo. E-Book - Apostila 19 - 32 REFLITA À medida que os benefícios da energia elétrica passam a fazer parte do dia a dia das pessoas, é natural que se inicie um processo de discussão quanto à qualidade desse produto. Numa análise inicial, a preocupação é com a continuidade do serviço, já que fica evidente que qualquer interrupção do fornecimento (ou da quantidade) implicará transtornos de toda ordem. Não tão evidente, no entanto, é a questão da qualidade da energia elétrica como um produto comercial, mesmo que não ocorram interrupções. Isso, normalmente, só é percebido de forma um pouco difusa, por meio de falhas de funcionamento em alguns equipamentos (MEHL, 2012). A partir desse texto, você percebe a necessidade da existência de uma metodologia de quantificação da qualidade de energia recebida? E-Book - Apostila 20 - 32 Em sua opinião, o que significa dizer que uma roupa tem “qualidade”? O que você considera como sendo alimentação de “qualidade”? Qual é o seu conceito sobre “qualidade” de vida? Para muitas questões, temos um código pessoal que indica se o produto ou o serviço prestado em nosso favor tem ou não “qualidade”. Mas o que dizer sobre a energia elétrica? Como medir a qualidade da energia que consumimos? Será que é suficiente pensar no número de vezes e na duração de tempo que ficamos privados dela? SAIBA MAIS Quer saber mais sobre a importância de um controle de qualidade nessa área? Assista ao vídeo indicado, ao menos do minuto 1m:30s ao 10m:30s. Para saber mais, clique ou copie o link a seguir e acesse o vídeo: https://youtu.be/MVx6YW9nXdU Qualidade de energia elétrica é um assunto em voga. Em diversos contextos, ela é sinônimo de qualidade de tensão, ou seja, trata dos desvios da tensão ideal. Uma perturbação na qualidade de energia pode não ser tão perceptível, devido à intensidade, ou óbvia, devido à ocorrência ocasional. No entanto, a longo prazo, pode causar sérios danos. Considerações finais Neste conteúdo, você teve a oportunidade de: https://youtu.be/MVx6YW9nXdU E-Book - Apostila 21 - 32 conhecer o conceito de Qualidade de Energia Elétrica (QEE); entender quais são os parâmetros que determinam a QEE; classificar o desempenho dos indicadores exigidos para a QEE. O que significa QEE em nossa sociedade? Será esse um conceito absoluto? A interrupção de suprimento em uma residência, por curto período de tempo, talvez imperceptível ou sem maiores consequências, é qualidade da energia elétrica? A situação seria análoga no interior de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)? Quão aceitáveis são as possíveis falhas na quantidade ou na qualidade de fornecimento nos diversos setores produtivos e de prestação de serviço? Certamente, esse é um conceito que envolve muitas variáveis aleatórias, e, para garantir suprimento e desempenho adequados, são necessários reflexão, gerenciamento, fiscalização contínua e estudos com proposição de modernização que viabilize e garanta confiabilidade ao sistema e ao consumidor final. Uma perturbação da qualidade de energia só é percebida quando causa problemas, tanto para o cliente quanto para o operador de rede elétrica. As falhas e as faltas, como quedas de tensão e harmônicos, são vistas como uma questão de qualidade de energia; no entanto tensão e variações não o são. A qualidade de energia é afetada por fenômenos como: variações de tensão de curta duração (interrupções, afundamentos e elevações de tensão); variações de tensão de longa duração (subtensões e sobretensões); harmônicos; desequilíbrios de tensão; e flutuação de tensão, que causa o fenômeno de cintilação luminosa (flicker). É necessário caracterizar tais fenômenos comparando-os com os limites, os valores de referência e a metodologia de medição exigidos pelos órgãos de regulação. O custo elevado da eletricidade exige que estratégias e indicadores sejam balizadores para garantir a QEE, essencial às empresas, especialmente no setor industrial. Existem diversas estratégias para medir a QEE como observância da variação de tensão, do desequilíbrio da tensão, da flutuação da tensão e das distorções harmônicas. A QEE é um pilar fundamental para a eficiência operacional da indústria. Estratégias acertadas podem reduzir custos, aumentar e garantir a confiabilidade da produtividade, bem como a segurança operacional dos sistemas elétricos. E-Book - Apostila 22 - 32 Agora que finalizamos este conteúdo, vamos testar seus conhecimentos com o quiz a seguir. QUIZ Leia o trecho a seguir: Oscilações e interrupções de tensão em uma rede elétrica podem causar danos que comprometem o funcionamento de equipamentos, até mesmo a sua queima ou redução de vida útil. Dentre outras possíveis consequências, podem ser citadas falhas em processos produtivos e dano irreversível a sistemas. Por isso, estudar os impactos e a mitigação, tanto quanto possível, das probabilidades de ocorrência dessas intercorrências deve ser preocupação constante em ambiente industrial. Os procedimentos necessários fazem parte do interesse em manter: a qualidade de energia elétrica na indústria.a E-Book - Apostila 23 - 32 Resposta Correta: Resposta correta. Estudos em qualidade de energia objetivam manter a conformidade da energia elétrica entregue aos usuários (incluindo o ambiente industrial), nos parâmetros estabelecidos por órgão de regulamentação, para que se garanta a qualidade na prestação do produto “energia elétrica”. Resposta Incorreta: Resposta incorreta. A eficiência energética é caracterizada pela utilização otimizada de energia recebida pelas distribuidoras. Consiste na relação quantitativa entre a empregada nas atividades da indústria e aquela disponibilizada para a sua realização. A redução de desperdício de energia é uma variável aleatória quantitativa, não qualitativa. A redução do desperdício está relacionada à eficiência energética da indústria. A produtividade de uma indústria representa a eficiência em relação à produção e à geração de produtos ou serviços da indústria. E os danos causados por oscilações de tensão não afetam apenas a vida útil de equipamentos em indústrias. Antes, causam também prejuízos por falhas em processos produtivos e, inclusive, possíveis danos irreversíveis ao sistema comoum todo. a eficiência energética na indústria.b a redução de desperdício de energia na indústria.c E-Book - Apostila 24 - 32 Resposta Incorreta: Resposta incorreta. A eficiência energética é caracterizada pela utilização otimizada de energia recebida pelas distribuidoras. Consiste na relação quantitativa entre a empregada nas atividades da indústria e aquela disponibilizada para a sua realização. A redução de desperdício de energia é uma variável aleatória quantitativa, não qualitativa. A redução do desperdício está relacionada à eficiência energética da indústria. A produtividade de uma indústria representa a eficiência em relação à produção e à geração de produtos ou serviços da indústria. E os danos causados por oscilações de tensão não afetam apenas a vida útil de equipamentos em indústrias. Antes, causam também prejuízos por falhas em processos produtivos e, inclusive, possíveis danos irreversíveis ao sistema como um todo. a produtividade na indústria.d E-Book - Apostila 25 - 32 Resposta Incorreta: Resposta incorreta. A eficiência energética é caracterizada pela utilização otimizada de energia recebida pelas distribuidoras. Consiste na relação quantitativa entre a empregada nas atividades da indústria e aquela disponibilizada para a sua realização. A redução de desperdício de energia é uma variável aleatória quantitativa, não qualitativa. A redução do desperdício está relacionada à eficiência energética da indústria. A produtividade de uma indústria representa a eficiência em relação à produção e à geração de produtos ou serviços da indústria. E os danos causados por oscilações de tensão não afetam apenas a vida útil de equipamentos em indústrias. Antes, causam também prejuízos por falhas em processos produtivos e, inclusive, possíveis danos irreversíveis ao sistema como um todo. a vida útil dos equipamentos.e E-Book - Apostila 26 - 32 Resposta Incorreta: Resposta incorreta. A eficiência energética é caracterizada pela utilização otimizada de energia recebida pelas distribuidoras. Consiste na relação quantitativa entre a empregada nas atividades da indústria e aquela disponibilizada para a sua realização. A redução de desperdício de energia é uma variável aleatória quantitativa, não qualitativa. A redução do desperdício está relacionada à eficiência energética da indústria. A produtividade de uma indústria representa a eficiência em relação à produção e à geração de produtos ou serviços da indústria. E os danos causados por oscilações de tensão não afetam apenas a vida útil de equipamentos em indústrias. Antes, causam também prejuízos por falhas em processos produtivos e, inclusive, possíveis danos irreversíveis ao sistema como um todo. Leia o trecho a seguir: O valor eficaz da tensão pode sofrer um desvio significativo, aleatoriamente. A esse evento dá-se o nome de Variação de Tensão de Curta Duração (VTCD). Suponha que a duração da VTCD foi igual ou superior a um ciclo e inferior ou igual a três segundos, e a amplitude, igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu. E-Book - Apostila 27 - 32 Então, pode-se afirmar que houve: Resposta Correta: Resposta correta. A duração da VTCD citada é superior a três segundos, inferior ou igual a um minuto, e a amplitude da VTCD é igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu, conforme determinado pelo ONS (2017). Resposta Incorreta: Resposta incorreta. No caso da Elevação Temporária de Tensão (ETT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 1,1 pu. No caso da Interrupção Momentânea de Tensão (IMT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 0,1 pu. No caso do Afundamento Momentâneo de Tensão (AMT), a amplitude da VTCD deveria ser igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu. E, no caso da Interrupção Temporária de Tensão (ITT), a amplitude da VTCD deveria ser inferior a 0,1 pu. Afundamento Temporário de Tensão (ATT).a Elevação Temporária de Tensão (ETT).b Interrupção Momentânea de Tensão (IMT).c E-Book - Apostila 28 - 32 Resposta Incorreta: Resposta incorreta. No caso da Elevação Temporária de Tensão (ETT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 1,1 pu. No caso da Interrupção Momentânea de Tensão (IMT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 0,1 pu. No caso do Afundamento Momentâneo de Tensão (AMT), a amplitude da VTCD deveria ser igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu. E, no caso da Interrupção Temporária de Tensão (ITT), a amplitude da VTCD deveria ser inferior a 0,1 pu. Resposta Incorreta: Resposta incorreta. No caso da Elevação Temporária de Tensão (ETT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 1,1 pu. No caso da Interrupção Momentânea de Tensão (IMT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 0,1 pu. No caso do Afundamento Momentâneo de Tensão (AMT), a amplitude da VTCD deveria ser igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu. E, no caso da Interrupção Temporária de Tensão (ITT), a amplitude da VTCD deveria ser inferior a 0,1 pu. Afundamento Momentâneo de Tensão (AMT).d Interrupção Temporária de Tensão (ITT).e E-Book - Apostila 29 - 32 Resposta Incorreta: Resposta incorreta. No caso da Elevação Temporária de Tensão (ETT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 1,1 pu. No caso da Interrupção Momentânea de Tensão (IMT), a amplitude da VTCD deveria ser superior a 0,1 pu. No caso do Afundamento Momentâneo de Tensão (AMT), a amplitude da VTCD deveria ser igual ou superior a 0,1 e inferior a 0,9 pu. E, no caso da Interrupção Temporária de Tensão (ITT), a amplitude da VTCD deveria ser inferior a 0,1 pu. Leia o trecho a seguir: No que diz respeito ao controle de tensão, enquanto possível sinônimo de qualidade de energia, destaca- se o critério da tensão de atendimento em regime permanente. Para gerenciamento desse quesito, a classificação do desempenho é composta pelos níveis: adequado; precário; crítico.a E-Book - Apostila 30 - 32 Resposta Correta: Alternativa correta. De acordo com normas estabelecidas pelo ONS, o desempenho da tensão em regime permanente pode ser classificado como sendo: adequado, precário ou crítico. Resposta Incorreta: Alternativa incorreta. Os níveis “aceitável”, “inaceitável”, “insuficiente” e “inconsistente” não constam na classificação. Resposta Incorreta: Alternativa incorreta. Os níveis “aceitável”, “inaceitável”, “insuficiente” e “inconsistente” não constam na classificação. Resposta Incorreta: Alternativa incorreta. Os níveis “aceitável”, “inaceitável”, “insuficiente” e “inconsistente” não constam na classificação. aceitável; precário; crítico.b adequado; precário; inaceitável.c adequado; insuficiente; crítico.d E-Book - Apostila 31 - 32 Resposta Incorreta: Alternativa incorreta. Os níveis “aceitável”, “inaceitável”, “insuficiente” e “inconsistente” não constam na classificação. Referências ANEEL — AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Institucional. Disponível em: https://www.gov.br/aneel/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/a-aneel. Acesso em: 27 mar. 2023. ANEEL — AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Resolução nº 67, de 8 de junho de 2004. Estabelece critérios para a composição da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional, e dá outras providências. Brasília, DF: ANEEL, 2004. Disponível em:https://www.legisweb.com.br/legislacao/? id=101119#:~:text=Estabelece%20crit%C3%A9rios%20para%20a%20composi%C 3%A7%C3%A3o,Nacional%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAnci as Acesso em: 27 mar. 2023. DECKMANN, S. M.; POMILIO, J. A. Avaliação da qualidade da energia elétrica, 2017. Disponível em: https://www.dsce.fee.unicamp.br/~antenor/pdffiles/qualidade/a4.pdf Acesso em: 14 maio 2023. IEEE — INSTITUTE OF ELECTRICAL AND ELETRONIC ENGINEERS. Organização. 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