Prévia do material em texto
1 APOSTILA TÉCNICA APROFUNDADA Redes Industriais Tema 6 Aplicações em Redes Industriais Engenharia Elétrica - 8º semestre Resumo completo por módulos, com teoria, cálculos, diagramas e aplicação Módulos deste tema Módulo 1 - Inteligência artificial e computação em nuvem Módulo 2 - Redes sensíveis ao tempo (TSN) Módulo 3 - Redes industriais na Indústria 4.0 Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 2 Objetivos e mapa de estudo Propósito do material da faculdade Compreender a evolução nos sistemas industriais e como os profissionais da área técnica devem lidar com os avanços tecnológicos relacionados à inteligência artificial e à computação na nuvem, além de compreender a importância dos princípios das redes sensíveis ao tempo (TSN) para a implementação dos sistemas de troca de dados modernos. Objetivos • Reconhecer os conceitos de inteligência artificial e de computação em nuvem. • Identificar o conceito de redes sensíveis ao tempo (TSN). • Reconhecer o conceito de redes industriais na Indústria 4.0. O que você deve dominar ao terminar este tema • Explicar os conceitos com terminologia técnica correta e linguagem simples. • Interpretar o funcionamento e os diagramas associados. • Aplicar as equações dentro de suas hipóteses e unidades. • Comparar componentes, topologias e tecnologias. • Reconhecer limitações, falhas, riscos e critérios de seleção. Mapa progressivo dos módulos Módu lo Questão central Resultado esperado 1 Como compreender e aplicar inteligência artificial e computação em nuvem? Analisar, calcular quando aplicável e justificar uma decisão de engenharia. 2 Como compreender e aplicar redes sensíveis ao tempo (tsn)? Analisar, calcular quando aplicável e justificar uma decisão de engenharia. 3 Como compreender e aplicar redes industriais na indústria 4.0? Analisar, calcular quando aplicável e justificar uma decisão de engenharia. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 3 Módulo 1 - Inteligência artificial e computação em nuvem Fundamento → compreensão → funcionamento → análise → aplicação de engenharia 1. Visão geral O módulo trata de inteligência artificial e computação em nuvem. Sua finalidade é permitir que o estudante reconheça o fenômeno, equipamento ou arquitetura, modele seu comportamento e utilize os resultados em decisões de projeto, operação, diagnóstico e proteção. Dentro de Redes Industriais, esse conhecimento é importante porque facilita histórico e análise corporativa. Ele aparece em aplicações como: Problema: integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução: especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Dispositivo de campo → Quadro / mensagem → Meio e infraestrutura → Controlador / aplicação Figura conceitual - caminho funcional do assunto estudado. 2. Conceitos fundamentais Conceitos centrais explicados Conceito: Computação em nuvem Definição técnica: Recursos escaláveis de processamento e armazenamento acessados por rede. Explicação simples: Transfere parte da análise para serviços remotos. Importância: Facilita histórico e análise corporativa. Conceito: Edge computing Definição técnica: Processamento próximo ao processo. Explicação simples: Decide localmente e envia o necessário. Importância: Reduz latência e dependência do enlace. Conceito: IA industrial Definição técnica: Modelos que detectam padrões, estimam estados ou apoiam decisões. Explicação simples: Aprende relações a partir de dados. Importância: Suporta manutenção e otimização. Desenvolvimento dos subassuntos do material-base Os blocos abaixo reorganizam os pontos teóricos distribuídos nas páginas do módulo. Foram removidas chamadas de vídeo, alternativas de questões e repetições, mas preservado o desenvolvimento conceitual necessário ao estudo. Processamento de linguagem natural Relaciona-se com a compreensão e interpretação da linguagem natural (linguagem dos seres humanos), que é um dos grandes desafios da inteligência artificial. Como funciona a inteligência artificial Como funciona a inteligência artificial? Muitas vezes, o conceito de inteligência artificial no meio industrial é confundido com sistemas mais complexos de controle, ou com partes isoladas do complexo quebra-cabeça que envolve a inteligência artificial como um todo. A implementação de um sistema dotado de IA necessita de dispositivos específicos e programas especializados para escrever e treinar algoritmos tendo como foco o aprendizado de máquinas. Desse modo, não se deve confundir o conceito de inteligência artificial com um equipamento ou programa, embora diversas linguagens de programação sejam bastante populares no desenvolvimento de programas aplicados a IA, tais como Python, Java e R. Aprendizado O processo de aprendizagem se concentra na aquisição de dados e na criação de regras que permitam transformar esses dados em informações utilizáveis. Os algoritmos fazem com que o dispositivo seja capaz de Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 4 aprender e desenvolver instruções para a conclusão de uma tarefa específica. Qual é a importância da inteligência artificial Qual é a importância da inteligência artificial? A IA é capaz de fornecer às empresas informações sobre as quais estas, talvez, não tenham conhecimento, por meio da percepção de padrões e informações que podem passar despercebidas pelos operadores humanos. De maneira similar, a IA pode permitir a execução de tarefas de maneira mais apropriada e mais precisa (maior eficácia e eficiência) do que os seres humanos. Em atividades específicas - como a execução de tarefas repetitivas e detalhadas, a análise de um grande número de dados ou de documentos legais, para garantir que determinados campos relevantes sejam preenchidos corretamente -, as ferramentas derivadas da IA são capazes de concluir esses trabalhos rapidamente e com poucos erros, de maneira relativa. As vantagens e desvantagens da IA As redes neurais e as tecnologias de inteligência artificial vêm apresentando um processo evolutivo muito rápido. Isso se deve, em parte, à capacidade de processamento de dados da IA, muito maior do que a capacidade humana. Vantagens Desvantagens Excelente detalhamento das informações; Preço pouco acessível; necessidade de redução significativa de tempo na execução de profissionais altamente qualificados para o atividades, ainda que complexas ou com muitos desenvolvimento e atualização; limitações na dados; produção de resultados consistentes; e capacidade de aprendizagem; limitações na fácil disponibilidade dos agentes que utilizam capacidade de tomada de decisões. IA. Tipo 4 Autoconsciência: os sistemas de IA desse tipo possuiriam senso de identidade. A máquina apresentaria uma autoconsciência, entendendo sua própria essência. Esse tipo ainda não existe. Aplicativos de armazenamento de dados Bancos de dados No lugar de discos rígidos próprios ou dispositivos de armazenamento locais, o armazenamento de dados baseado em nuvem permite que estes sejam salvos em um banco de dados remoto. Desse modo, um dispositivo eletrônico que tenha acesso à rede de internet é capaz de acessar dados e executar programas. A computação em nuvem pode ser pública e privada A computação em nuvem pode ser pública e privada. Os serviços de nuvem pública fornecem seus serviços pela internet mediante o pagamento de uma taxa. Os serviços de nuvem privada, por outro lado, fornecem serviços apenas para um número de pessoas. Esses serviços são um sistema de redes que fornecem serviços hospedados. Há também uma opção híbrida, que combina elementos dos serviços públicos e privados. A computação em nuvem ainda é um serviço relativamente novo, mas está sendo usado por várias organizações diferentes, de grandes corporações a pequenas empresas, de organizações sem fins lucrativos a agências governamentais, e até por consumidores individuais. Infraestrutura como um serviço Também conhecido como infrastructure-as-a-service (IaaS), envolve um métodopara fornecer tudo, desde sistemas operacionais a servidores e armazenamento, por meio de conectividade baseada em IP como parte de um serviço sob demanda. Os clientes podem evitar a necessidade de comprar software ou servidores e, em vez disso, adquirir esses recursos em um serviço terceirizado e sob demanda. 3 Acesso à tecnologia de ponta Antes que a nuvem se tornasse uma alternativa viável, as empresas precisavam comprar, construir e manter tecnologia e infraestrutura de gerenciamento de informações caras. As empresas podem trocar os caros centros de servidores e departamentos de TI por conexões rápidas com a internet, em que os funcionários interagem com a nuvem on-line para concluir suas tarefas. 1 Segurança Com toda a velocidade, eficiência e inovações que vêm com a computação em nuvem, naturalmente há riscos. A segurança sempre foi uma grande preocupação com a nuvem, especialmente quando se trata de registros médicos e informações financeiras confidenciais. Embora os regulamentos obriguem os serviços de computação em nuvem a reforçar suas medidas de segurança e conformidade, isso continua sendo um problema contínuo. A criptografia protege informações vitais, no entanto, se essa chave de criptografia for perdida, os dados desaparecerão. 3. Funcionamento A sequência funcional deve ser lida do estímulo ou entrada até a resposta do sistema. Em cada etapa, o engenheiro observa as variáveis de estado, conversões, atrasos, perdas e condições de falha. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 5 1. O dispositivo produz dados do processo. 2. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. 3. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. 4. A aplicação interpreta o dado, atua e registra diagnóstico. 4. Equações e relações matemáticas latência E2E = aquisição + rede + processamento + retorno Variáveis e unidades: ms/s. Significado físico: Prazo total da aplicação. acurácia = acertos/total Variáveis e unidades: %. Significado físico: Métrica simples, insuficiente para classes desbalanceadas. Condições de validade • Unidades coerentes no SI. • Hipóteses e condições de contorno explicitadas. • Resultados validados contra limites do equipamento e do processo. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Elemento/equipamen to Função Princípio Características e limitações Edge gateway Coletar e pré-processar. Protocolos e computação local. Recursos e segurança. Plataforma de dados Armazenar e contextualizar. Banco, fila e processamento. Custos e governança. Modelo de IA Inferir condição. Treinamento e inferência. Drift e explicabilidade. A tabela resume a função principal. A seleção final deve considerar tensão, corrente, frequência, ambiente, tolerância, proteção, manutenção e vida útil conforme a natureza do elemento. 6. Aplicação prática Problema integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Funcionamento O dispositivo produz dados do processo. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. Resultado esperado Resultado tecnicamente verificável, dentro dos limites de desempenho, segurança e operação. 7. Exemplo de engenharia Orçamento de latência industrial Problema: Uma aplicação admite 20 ms; sensor usa 3 ms, controlador 5 ms e atuador 4 ms. Resolução passo a passo 1. Tempo local=3+5+4=12 ms. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 6 2. Resta 8 ms para rede, filas e margem. 3. O projeto deve medir o pior caso sob carga e durante recuperação de falha. Resultado: Orçamento bruto de rede=8 ms. Interpretação de engenharia: O prazo deve ser distribuído entre todos os elementos do caminho. 8. Pontos críticos e cuidados • Separar disponibilidade, latência média e pior caso. • Documentar endereços e mapa de dados. • Planejar segmentação e redundância. • Validar instalação contra EMI e ambiente. • Definir timeout, diagnóstico e estado seguro. Erros e modos de falha recorrentes Erro/modo de falha Consequência Prevenção ou verificação Rede plana Propagação de falhas e ataques Segmentar zonas e conduítes Timeout sem pior caso Paradas falsas ou reação lenta Medir latência e jitter sob carga Mapa de dados ambíguo Comando ou escala incorretos Documentar tipo, unidade, endianess e qualidade 9. Relação com outros assuntos • Automação e sistemas supervisórios. • Cibersegurança industrial. • Controle distribuído e instrumentação. A relação entre disciplinas é importante porque o comportamento elétrico, a instrumentação, o controle, a comunicação e a proteção formam um único sistema na aplicação real. 10. Complementos técnicos Complemento técnico: uma rede industrial deve ser validada pelo comportamento de pior caso e pela resposta a falhas; alta taxa nominal, isoladamente, não garante determinismo. Complemento: throughput médio não demonstra tempo real. O projeto precisa de pior latência, jitter, recuperação de redundância, qualidade do dado, segmentação e resposta segura à perda de comunicação. Normas e referências normativas relacionadas • IEC 62443 - segurança cibernética para sistemas de automação e controle industrial. Consultar a edição vigente e o escopo aplicável. 11. O que realmente precisa ser memorizado • Controle crítico deve tolerar perda de nuvem. • Edge reduz latência e volume. • Dados precisam de contexto e qualidade. • Modelo deve ser validado continuamente. • Cibersegurança cobre dispositivo, enlace e serviço. • latência E2E = aquisição + rede + processamento + retorno - Prazo total da aplicação. • acurácia = acertos/total - Métrica simples, insuficiente para classes desbalanceadas. 12. Resumo final do módulo • O assunto central é Inteligência artificial e computação em nuvem. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 7 • Computação em nuvem: Recursos escaláveis de processamento e armazenamento acessados por rede. • Edge computing: Processamento próximo ao processo. • IA industrial: Modelos que detectam padrões, estimam estados ou apoiam decisões. • Controle crítico deve tolerar perda de nuvem. • Edge reduz latência e volume. • Dados precisam de contexto e qualidade. • Modelo deve ser validado continuamente. • Cibersegurança cobre dispositivo, enlace e serviço. Checklist de domínio □ Consigo explicar, sem consultar o texto, o que é inteligência artificial e computação em nuvem e por que esse assunto é usado? □ Consigo diferenciar Computação em nuvem de Edge computing e dar uma aplicação de cada um? □ Consigo identificar as unidades, hipóteses e significado físico das equações principais? □ Consigo refazer o exemplo numérico e interpretar o sinal, a ordem de grandeza e o limite do resultado? □ Consigo reconhecer os três principais erros de projeto ou operação discutidos no módulo? Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 8 Módulo 2 - Redes sensíveis ao tempo (TSN) Fundamento → compreensão → funcionamento → análise → aplicação de engenharia 1. Visão geral O módulo trata de redes sensíveis ao tempo (tsn). Sua finalidade é permitir que o estudante reconheça o fenômeno, equipamento ou arquitetura, modele seu comportamento e utilize os resultados em decisões de projeto, operação, diagnóstico e proteção. Dentro de Redes Industriais, esse conhecimento é importante porque combina convergência e determinismo. Ele aparece em aplicações como: Problema: integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução: especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Dispositivo de campo → Quadro / mensagem → Meio e infraestrutura → Controlador / aplicação Figura conceitual - caminho funcional do assunto estudado. 2. Conceitos fundamentais Conceitos centrais explicados Conceito: TSN Definição técnica: Conjunto de extensões IEEE 802.1 para comunicação Ethernet previsível. Explicação simples: Agenda e prioriza tráfego crítico. Importância:Combina convergência e determinismo. Conceito: Sincronização temporal Definição técnica: Distribuição de relógio comum com alta precisão. Explicação simples: Dispositivos compartilham referência de tempo. Importância: Permite ações coordenadas. Conceito: Agendamento Definição técnica: Reserva de janelas para classes de tráfego. Explicação simples: Evita que tráfego comum atrase o crítico. Importância: Controla latência e jitter. Desenvolvimento dos subassuntos do material-base Os blocos abaixo reorganizam os pontos teóricos distribuídos nas páginas do módulo. Foram removidas chamadas de vídeo, alternativas de questões e repetições, mas preservado o desenvolvimento conceitual necessário ao estudo. A importância das redes sensíveis ao tempo Redes TSN Todas as tecnologias utilizadas no desenvolvimento e na modernização dos processos produtivos possuem os seus próprios requisitos e suas necessidades específicas. Entre esses requisitos, a sensibilidade ao tempo representa um desafio aos projetistas, uma vez que os sistemas apresentam a necessidade de transmissão de dados em redes compartilhadas. O que são as TSN O que são as TSN? Considere os sistemas de monitoramento e controle distribuídos que contemplam diversos dispositivos, como os chãos de fábrica das indústrias modernas, que contam com um grande número de periféricos conectados, mas que podem apresentar diferentes objetivos. Em alguns casos, as trocas de informações entre esses diversos dispositivos podem ser conflitantes, o que dificulta ou impossibilita a comunicação entre esses componentes da rede. Tecnologia da informação (TI) Tecnologia operacional (TO) É uma área que utiliza a computação como Consiste no uso de hardware e meio de produzir, transmitir, armazenar e software para controlar equipamentos usar diversas informações. industriais. No entanto, o padrão Ethernet não foi originalmente projetado para atender aos requisitos da automação industrial moderna, principalmente no que tange à estabilidade de comunicação e às atualizações em tempo real dos dados. Isso levou ao desenvolvimento de diversos padrões que evoluíram do Ethernet (utilizando esse Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 9 padrão apenas como nível físico) e que permitiram a implementação de variados protocolos proprietários em tempo real no topo da camada. Vários métodos de comunicação em tempo real - como Profibus ou Profinet IRT - foram especialmente desenvolvidos para fornecer tempos de ciclo garantidos. Embora sejam baseados em Ethernet convencional, eles não são compatíveis entre si. Essa incompatibilidade resultou em redes fragmentadas, o que contraria a ideia de integração necessária para os sistemas modernos. Na pirâmide, é possível identificar os diversos níveis de comunicação da automação industrial: Nível 2 É o nível em que se enquadram os equipamentos responsáveis pelo monitoramento e controle (centralizado ou distribuído) de todos os elementos e atividades da planta, tais como: controladores lógicos programáveis (CLPs), controladores digitais, controles numéricos computadorizados (CNCs) e SDCDs. Entre as redes de comunicação desse nível 2 com o nível 3, pode-se considerar: ControlNet, Ethernet IP, Profibus DP, Profinet, entre outras. A TI inclui a comunicação clássica de escritório com dispositivos finais típicos - como impressoras e computadores pessoais -, envolvendo principalmente os níveis 3, 4 e 5 da pirâmide. A TO é composta por sistemas, máquinas e programas utilizados para controle e automação de processos, que são encontrados, essencialmente, nos níveis 1 e 2 da pirâmide. Como resultado, cada nível usa um padrão de comunicação específico Como resultado, cada nível usa um padrão de comunicação específico. Embora o sistema de barramento Ethernet com TCP/IP tenha prevalecido amplamente no nível de TI, vários sistemas de barramento - também conhecidos como sistemas de barramento de campo -, que atendem particularmente aos requisitos de tempos de latência garantidos, são difundidos no nível de TO. Nesse processo de modernização, a automação industrial vem passando por uma fase de reestruturação baseada no estabelecimento de uma manufatura flexível e inteligente, muitas vezes descrita ou já implementada no contexto da Indústria 4.0 ou da internet das coisas (IoT). A produção inteligente inclui componentes, máquinas e fábricas que estão em constante comunicação entre si para otimizar e dar suporte aos processos de forma automatizada. Essas mudanças também estão afetando os modelos de automação vigentes. A estruturação de uma TSN Entre as vantagens de uma TSN em relação à Ethernet tradicional, pode-se citar: Tempos de latência são garantidos para dados críticos em tempo real em toda a rede. • O tráfego de dados críticos e não críticos pode ser transmitido por uma rede convergente (permitem a transmissão de dados de diferentes naturezas em uma única rede). • Camadas de protocolo de nível superior podem compartilhar uma infraestrutura de rede comum. • O controle em tempo real também pode ser aplicado fora da área operacional (TO). • Não há dependência de fornecedor, por adotarem protocolos abertos. Primeira abordagem A primeira abordagem é baseada no padrão IEEE 1588-2008-Protocolo de Tempo de Precisão e utiliza um algoritmo dentro da rede. O padrão IEEE 1588-2008 solicita o fornecimento do relógio com o horário mais preciso para ser designado como relógio de referência. Oito classes de tráfego já estabelecidas, conforme IEEE 802 1Q, são utilizadas para priorizar diferentes tipos de tráfego de dados. No entanto, a qualidade de serviço (QoS) definida pelo padrão não foi projetada para enviar tráfego de dados críticos e não críticos em paralelo. Devido aos mecanismos de buffer em switches utilizados na rede Ethernet, um pacote de dados Ethernet de baixa prioridade pode atrasar até mesmo os fluxos de dados com a prioridade mais alta ao longo do caminho de transmissão. IEEE 802.1Qav - Agendador com reconhecimento de tempo Esse mecanismo define a criação de um escalonador cuja função básica é criar períodos de tempo discretos iguais. Esses ciclos ou intervalos de tempo são então atribuídos às classes de tráfego. A modelagem com reconhecimento de tempo fornece um cronograma fixo para diferentes classes de tráfego de dados para predeterminar os horários de início e de chegada. Isso torna possível cumprir os tempos de transmissão definidos e sincronizar vários fluxos de dados. Como o agendador requer sincronização, todos os elementos incluídos na rede sabem quando e qual prioridade pode ser enviada e processada. Além da sincronização de tempo e vários mecanismos de modelagem e agendamento de tráfego, outros subpadrões estão atualmente em processo de desenvolvimento. São flexíveis, expansíveis e reprogramáveis Como alguns padrões TSN ainda estão sendo revisados e alterados, a possibilidade de expansão e reprogramação é um fator crítico na sua implementação. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 10 3. Funcionamento A sequência funcional deve ser lida do estímulo ou entrada até a resposta do sistema. Em cada etapa, o engenheiro observa as variáveis de estado, conversões, atrasos, perdas e condições de falha. 1. O dispositivo produz dados do processo. 2. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. 3. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. 4. A aplicação interpreta o dado, atua e registra diagnóstico. 4. Equações e relações matemáticas jitter = variação da latência Variáveis e unidades: s. Significado físico: Previsibilidade temporal. latência máxima ≤ prazo da aplicação Variáveis e unidades: s. Significado físico: Critério de tempo real. erro de sincronismo = |tlocal - treferência| Variáveis e unidades: s. Significado físico: Qualidade temporal. Condições de validade • Taxa nominal não equivale à taxa útil. • Latência deve ser avaliada no pior caso. • Timeout, redundância e estado seguro fazem parte do requisito. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Elemento/equipamento Função Princípio Características e limitações Grandmaster Fornecer referência temporal. Sincronização de relógios. Redundância e precisão. Switch TSN Aplicar filas e agenda. Shapers e gates. Configuração fim a fim. End station Produzir/consumir fluxo. Timestamp e agenda. Compatibilidade de perfil. A tabela resume a função principal. A seleção final deve considerar tensão, corrente, frequência, ambiente, tolerância, proteção, manutenção e vida útil conforme a natureza do elemento. 6. Aplicação prática Problema integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Funcionamento O dispositivo produz dados do processo. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. Resultado esperado Resultado tecnicamente verificável, dentro dos limites de desempenho, segurança e operação. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 11 7. Exemplo de engenharia Orçamento de latência TSN Problema: O controle admite 1 ms fim a fim; aquisição usa 150 µs, processamento 250 µs e atuação 150 µs. Resolução passo a passo 1. Tempo não pertencente à rede=150+250+150=550 µs. 2. Orçamento de rede=1000-550=450 µs. 3. Agenda, sincronismo e filas devem garantir latência máxima abaixo de 450 µs. Resultado: Orçamento máximo de rede=450 µs. Interpretação de engenharia: O valor médio não é suficiente; deve-se provar o pior caso e o jitter. 8. Pontos críticos e cuidados • Separar disponibilidade, latência média e pior caso. • Documentar endereços e mapa de dados. • Planejar segmentação e redundância. • Validar instalação contra EMI e ambiente. • Definir timeout, diagnóstico e estado seguro. Erros e modos de falha recorrentes Erro/modo de falha Consequência Prevenção ou verificação Rede plana Propagação de falhas e ataques Segmentar zonas e conduítes Timeout sem pior caso Paradas falsas ou reação lenta Medir latência e jitter sob carga Mapa de dados ambíguo Comando ou escala incorretos Documentar tipo, unidade, endianess e qualidade 9. Relação com outros assuntos • Automação e sistemas supervisórios. • Cibersegurança industrial. • Controle distribuído e instrumentação. A relação entre disciplinas é importante porque o comportamento elétrico, a instrumentação, o controle, a comunicação e a proteção formam um único sistema na aplicação real. 10. Complementos técnicos Complemento técnico: uma rede industrial deve ser validada pelo comportamento de pior caso e pela resposta a falhas; alta taxa nominal, isoladamente, não garante determinismo. Complemento: throughput médio não demonstra tempo real. O projeto precisa de pior latência, jitter, recuperação de redundância, qualidade do dado, segmentação e resposta segura à perda de comunicação. Normas e referências normativas relacionadas • IEC 62443 - segurança cibernética para sistemas de automação e controle industrial. Consultar a edição vigente e o escopo aplicável. • Família IEEE 802 - Ethernet, bridging, sincronização e extensões TSN conforme a função. Consultar a edição vigente e o escopo aplicável. 11. O que realmente precisa ser memorizado • TSN é um conjunto de padrões. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 12 • Sincronização e agenda são pilares. • Determinismo exige projeto fim a fim. • Jitter é tão importante quanto média. • Perfis de aplicação garantem interoperabilidade. • jitter = variação da latência - Previsibilidade temporal. • latência máxima ≤ prazo da aplicação - Critério de tempo real. • erro de sincronismo = |tlocal - treferência| - Qualidade temporal. 12. Resumo final do módulo • O assunto central é Redes sensíveis ao tempo (TSN). • TSN: Conjunto de extensões IEEE 802.1 para comunicação Ethernet previsível. • Sincronização temporal: Distribuição de relógio comum com alta precisão. • Agendamento: Reserva de janelas para classes de tráfego. • TSN é um conjunto de padrões. • Sincronização e agenda são pilares. • Determinismo exige projeto fim a fim. • Jitter é tão importante quanto média. • Perfis de aplicação garantem interoperabilidade. Checklist de domínio □ Consigo explicar, sem consultar o texto, o que é redes sensíveis ao tempo (tsn) e por que esse assunto é usado? □ Consigo diferenciar TSN de Sincronização temporal e dar uma aplicação de cada um? □ Consigo identificar as unidades, hipóteses e significado físico das equações principais? □ Consigo refazer o exemplo numérico e interpretar o sinal, a ordem de grandeza e o limite do resultado? □ Consigo reconhecer os três principais erros de projeto ou operação discutidos no módulo? Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 13 Módulo 3 - Redes industriais na Indústria 4.0 Fundamento → compreensão → funcionamento → análise → aplicação de engenharia 1. Visão geral O módulo trata de redes industriais na indústria 4.0. Sua finalidade é permitir que o estudante reconheça o fenômeno, equipamento ou arquitetura, modele seu comportamento e utilize os resultados em decisões de projeto, operação, diagnóstico e proteção. Dentro de Redes Industriais, esse conhecimento é importante porque melhora rastreabilidade e decisão. Ele aparece em aplicações como: Problema: integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução: especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Dispositivo de campo → Quadro / mensagem → Meio e infraestrutura → Controlador / aplicação Figura conceitual - caminho funcional do assunto estudado. 2. Conceitos fundamentais Conceitos centrais explicados Conceito: Integração vertical Definição técnica: Fluxo de dados do campo aos sistemas corporativos. Explicação simples: Conecta produção e gestão. Importância: Melhora rastreabilidade e decisão. Conceito: Integração horizontal Definição técnica: Conexão entre máquinas, linhas e cadeia de valor. Explicação simples: Coordena etapas e parceiros. Importância: Aumenta flexibilidade. Conceito: Interoperabilidade Definição técnica: Capacidade de sistemas trocar e interpretar dados. Explicação simples: Não basta conectar: é preciso entender o significado. Importância: Evita ilhas digitais. Desenvolvimento dos subassuntos do material-base Os blocos abaixo reorganizam os pontos teóricos distribuídos nas páginas do módulo. Foram removidas chamadas de vídeo, alternativas de questões e repetições, mas preservado o desenvolvimento conceitual necessário ao estudo. Os sistemas inteligentes - que incluem a internet das coisas, a computação na nuvem, a aprendizagem de máquinas, as novas redes de comunicação (TSN e SDN), entre outras inovações tecnológicas - formam a base da Indústria 4.0, materializados nas máquinas inteligentes, por exemplo. Esses periféricos usam sistemas de controle modernos, possuem programas embutidos (sistemas embarcados) e dispõem de comunicação com as redes de dados (intranet e internet) para se conectarem e serem endereçados via IoT (internet das coisas). Dessa forma, produtos e meios de produção se conectam em rede e podem estabelecer comunicações, possibilitando novas formas de produção, criação de valor e otimização dos processos em tempo real. Um processo de automatização mais intenso do que a Terceira Revolução Industrial. • Uma relação mais próxima entre os sistemas físicos e virtuais por meio de sistemas integrados, tais como a IoT industrial e a computação em nuvem. • Uma mudança de um sistema de controle industrial centralizado para um sistema inteligente e distribuído. Conceitos fundamentais A Indústria 4 Conceitos fundamentais A Indústria 4.0 pode ser vista como uma transformação intensa de informações da manufatura (e processos industriais relacionados) em um ambiente conectado de big data (grande quantidade de dados diversificados que chegam a velocidades cada vez mais intensas). Operadores, processos, serviços, sistemas e ativos industriais são habilitados para integrarem um ambiente moderno com geração,alavancagem Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 14 e utilização de dados e informações como uma forma e meios para concretizar o conceito de indústria inteligente. Computação na borda das redes Processamento, análise e armazenamento de dados mais perto de onde estão os periféricos dos quais são gerados e dentro de uma rede. Também é importante destacar as necessidades de modificações no meio gerencial e organizacional, uma vez que as mudanças nos meios produtivos levaram a uma nova realidade gerencial, provocada pelo aumento na quantidade de dados disponíveis, pelas possibilidades de acessos remotos e pela necessidade de interação com sistemas cada vez mais inteligentes e independentes da ação dos operadores. Esses recursos também possibilitam a adoção de novas ferramentas que permitem a personalização dos processos industriais, o desenvolvimento de novos sistemas de alertas, paradas de emergência e intervenções em tempo real, modelos de serviço inovadores, a melhoria na dinâmica do desenvolvimento de produtos, p aumento de produtividade, a redução no tempo de produção e um novo modelo de negócios. Sendo assim, é fácil observar que a Indústria 4 Sendo assim, é fácil observar que a Indústria 4.0 se baseia na troca contínua de dados, bem como no mapeamento e na análise dos dados trocados e armazenados em todo o ciclo de vida de um produto, de ponta a ponta. Todas as tecnologias da Indústria 4.0 precisam ser vistas na perspectiva de que a integração é fundamental. Resumindo Pode-se dizer que a convergência de TI, TO e seus backbones - redes e infraestrutura em que também é possível adicionar as tecnologias de comunicação - resume-se, essencialmente, a uma aplicação avançada e aprimorada da internet, das tecnologias de TI e da infraestrutura de TI impactadas por dados de IoT - infraestrutura de nuvem, infraestrutura de servidor, infraestrutura de armazenamento e de computação de borda etc. Primeira integração A primeira integração é conhecida como integração vertical Primeira integração A primeira integração é conhecida como integração vertical. É nela que todos os sistemas da pirâmide tradicional da automação tradicional são afetados, desde os níveis de campo e de controle até os níveis de produção, de operações e de planejamento empresarial. A tendência é a utilização, em larga escala, de novas plataformas de fabricação e outras plataformas verticais, que possibilitem a realização de várias tarefas nas mais diferentes camadas. Além disso, espera-se que essas plataformas sejam dotadas de cada vez mais recursos que possam ser combinados em uma abordagem interoperável (entre múltiplos sistemas), bem como por plataformas de transformação digital e aplicativos de negócios em que funcionalidades de IoT estejam integradas. Segunda integração A segunda integração é a integração horizontal Segunda integração A segunda integração é a integração horizontal. Ela não trata de uma visão hierárquica (camadas) de vários sistemas como na integração vertical, mas da referida cadeia de dados de ponta a ponta. Essa cadeia vai desde o fornecedor e os processos, passando pelos fluxos de informação e sistemas de TI na fase de desenvolvimento e produção do produto, até a logística, distribuição e, finalmente, o cliente. A Indústria 4 A Indústria 4.0 também tem um forte foco em segurança. Isso não significa apenas segurança no sentido de proteção e segurança dos trabalhadores, ativos industriais, infraestruturas críticas e segurança física. Também é fundamental a discussão em torno da segurança de dados e redes de comunicação, proteção de dados, incluindo proteção de dados pessoais - especialmente desde a chegada do Regulamento Geral de Proteção de Dados, o Regulamento de Privacidade Eletrônica e as regras vindouras em diversas áreas -, cibersegurança e segurança de sistemas de controle industrial. À medida que os ativos industriais e a infraestrutura crítica (fontes de energia, redes de dados e muito mais) se conectam nas redes de comunicação, os riscos de ataques nos ambientes industriais, tradicionalmente isolados, aumentam. Os perigos de vulnerabilidades e ataques são consideráveis na Indústria 4.0, exigindo uma abordagem de segurança, desde a concepção da matéria-prima até o atendimento ao cliente (ponta a ponta). Entre tais tecnologias, podemos citar Entre tais tecnologias, podemos citar: IoT, big data, TI, TO, as diversas tecnologias de segurança (cibersegurança industrial e monitoramento visual de instalações críticas), inteligência artificial, computação na nuvem, computação de borda, manufatura aditiva, impressão 3D, gêmeos digitais, realidade virtual, realidade aumentada, robótica avançada, robótica colaborativa (cobots), produção autônoma, desenvolvimento rápido de aplicativos, produção autônoma, engenharia consistente em toda a cadeia de valor, coleta e provisionamento completo de dados, integração de sistemas (integrações vertical e horizontal), além de uma vasta gama de Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 15 tecnologias de rede e comunicação, padrões de integração e conectividade/protocolos (maneiras de tornar vários protocolos de TI e OT interoperáveis), blockchain e outras. 3. Funcionamento A sequência funcional deve ser lida do estímulo ou entrada até a resposta do sistema. Em cada etapa, o engenheiro observa as variáveis de estado, conversões, atrasos, perdas e condições de falha. 1. O dispositivo produz dados do processo. 2. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. 3. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. 4. A aplicação interpreta o dado, atua e registra diagnóstico. 4. Equações e relações matemáticas OEE = disponibilidade·desempenho·qualidade Variáveis e unidades: Fatores adimensionais. Significado físico: Indicador de efetividade. latência ≤ requisito do processo Variáveis e unidades: s. Significado físico: Define onde processar dados. Condições de validade • Taxa nominal não equivale à taxa útil. • Latência deve ser avaliada no pior caso. • Timeout, redundância e estado seguro fazem parte do requisito. 5. Componentes, elementos ou equipamentos Elemento/equipamen to Função Princípio Características e limitações IIoT gateway Integrar ativos. Protocolos e edge. Segurança e legado. Modelo de informação Dar significado aos dados. Semântica e contexto. Governança. Digital twin Representar ativo/processo. Modelo atualizado por dados. Validade depende da qualidade do modelo. A tabela resume a função principal. A seleção final deve considerar tensão, corrente, frequência, ambiente, tolerância, proteção, manutenção e vida útil conforme a natureza do elemento. 6. Aplicação prática Problema integrar dispositivos industriais com prazo, disponibilidade e segurança. Solução especificar arquitetura, meio, protocolo, endereçamento, tempo de ciclo e modo de falha. Funcionamento O dispositivo produz dados do processo. O meio e o protocolo transportam quadros/mensagens. Equipamentos de rede encaminham e priorizam o tráfego. Resultado esperado Resultado tecnicamente verificável, dentro dos limites de desempenho, segurança e operação. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 16 7. Exemplo de engenharia Orçamento de latência industrial Problema: Uma aplicação admite 20 ms; sensor usa 3 ms, controlador 5 ms e atuador 4 ms. Resolução passo a passo 1. Tempo local=3+5+4=12 ms. 2. Resta 8 ms para rede, filas e margem. 3. O projeto deve medir o pior caso sob carga e durante recuperação de falha. Resultado: Orçamento bruto de rede=8 ms. Interpretação de engenharia: O prazo deve ser distribuído entre todos os elementos do caminho. 8. Pontos críticos e cuidados • Separar disponibilidade, latência média e pior caso. • Documentar endereços e mapa de dados. • Planejar segmentação e redundância. • Validar instalação contra EMI e ambiente. • Definir timeout, diagnóstico e estado seguro. Erros e modos de falha recorrentes Erro/modo de falha Consequência Prevenção ou verificação Rede plana Propagaçãode falhas e ataques Segmentar zonas e conduítes Timeout sem pior caso Paradas falsas ou reação lenta Medir latência e jitter sob carga Mapa de dados ambíguo Comando ou escala incorretos Documentar tipo, unidade, endianess e qualidade 9. Relação com outros assuntos • Automação e sistemas supervisórios. • Cibersegurança industrial. • Controle distribuído e instrumentação. A relação entre disciplinas é importante porque o comportamento elétrico, a instrumentação, o controle, a comunicação e a proteção formam um único sistema na aplicação real. 10. Complementos técnicos Complemento técnico: uma rede industrial deve ser validada pelo comportamento de pior caso e pela resposta a falhas; alta taxa nominal, isoladamente, não garante determinismo. Complemento: throughput médio não demonstra tempo real. O projeto precisa de pior latência, jitter, recuperação de redundância, qualidade do dado, segmentação e resposta segura à perda de comunicação. Normas e referências normativas relacionadas • IEC 62443 - segurança cibernética para sistemas de automação e controle industrial. Consultar a edição vigente e o escopo aplicável. 11. O que realmente precisa ser memorizado • Indústria 4.0 depende de integração e contexto. • Interoperabilidade inclui semântica. • OT e TI mantêm requisitos diferentes. Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 17 • Edge e nuvem são complementares. • Segurança deve acompanhar o ciclo de vida. • OEE = disponibilidade·desempenho·qualidade - Indicador de efetividade. • latência ≤ requisito do processo - Define onde processar dados. 12. Resumo final do módulo • O assunto central é Redes industriais na Indústria 4.0. • Integração vertical: Fluxo de dados do campo aos sistemas corporativos. • Integração horizontal: Conexão entre máquinas, linhas e cadeia de valor. • Interoperabilidade: Capacidade de sistemas trocar e interpretar dados. • Indústria 4.0 depende de integração e contexto. • Interoperabilidade inclui semântica. • OT e TI mantêm requisitos diferentes. • Edge e nuvem são complementares. • Segurança deve acompanhar o ciclo de vida. Checklist de domínio □ Consigo explicar, sem consultar o texto, o que é redes industriais na indústria 4.0 e por que esse assunto é usado? □ Consigo diferenciar Integração vertical de Integração horizontal e dar uma aplicação de cada um? □ Consigo identificar as unidades, hipóteses e significado físico das equações principais? □ Consigo refazer o exemplo numérico e interpretar o sinal, a ordem de grandeza e o limite do resultado? □ Consigo reconhecer os três principais erros de projeto ou operação discutidos no módulo? Redes Industriais Tema 6 - Aplicações em Redes Industriais 18 Referências e orientação de uso Fonte principal: PDF do tema fornecido pela Universidade Estácio de Sá. O texto foi reorganizado e complementado tecnicamente para estudo; chamadas interativas, alternativas de exercícios e repetições foram excluídas. Para projeto e operação reais, consultar as edições vigentes das normas, requisitos da concessionária/empresa, estudos do sistema e documentação dos fabricantes. A apostila não substitui procedimento de segurança, estudo executivo ou responsabilidade técnica. Referências apresentadas no material-fonte • BORGES NETO, J. B.; RIBEIRO NETO, P. F.; ANDRADE, R. M. C. Um protocolo de roteamento sensível ao tempo para redes de sensores sem fio. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES-SBrT, 27., Blumenau-SC, 2009. Anais […]. Blumenau-SC., 2009. • LEE, K-F. Inteligência artificial. Porto Alegre: Globo Livros, 2019. • NASCIMENTO JR, C. L.; YONEYAMA, T. Inteligência artificial em controle e automação. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2000. • PEDROSA, P. H. C.; NOGUEIRA, T. Computação em nuvem. Instituto de Computação, Unicamp, 2011. Consultado na internet em: 10 maio 2022. • PESSIS-PASTERNAK, G. Do caos à inteligência artificial. São Paulo: Unesp, 1993. • SOUZA, F. H. N. de. Rede sensível ao tempo: um estudo do mapeamento sistemático. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em ciência da computação) - Centro de Informática, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2019. Consultado na internet em: 10 maio 2022. • TAURION, C. Cloud computing - computação em nuvem. Rio de Janeiro: Brasport, 2009. • TEIXEIRA, J. O que é inteligência artificial. [S. l.]: E-Galáxia, 2019.