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EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE 
_________________________________________________________________________ - - - 
 
01. REABILITAÇÃO 
 
Benefício que tem por finalidade restituir o condenado (sentenciado) à situação 
anterior à condenação, tirando anotações do seu boletim de antecedentes. A Reabilitação é 
um benefício para que ele possa se reintegrar na sociedade. 
Conceito de Mirabete: “é a declaração judicial de que estão cumpridas ou extintas as 
penas impostas ao sentenciado que assegura o sigilo dos registros sobre o processo e atinge 
outros efeitos da condenação” 
➔ É um direito do condenado, decorrente da presunção de aptidão social, exigida em 
seu favor, no momento em que o Estado, através do juiz, admite o seu contato com a 
sociedade. 
 
- Cabimento 
 
A reabilitação, como já visto, suspende alguns efeitos da condenação portanto, só 
cabe a reabilitação em existindo sentença condenatória com trânsito em julgado, cuja pena 
tenha sido executada ou esteja extinta 
Disso resulta que não é possível falar em reabilitação em processo do qual decorra 
sentença absolutória; nas hipóteses de prescrição da pretensão punitiva, uma vez que extinta 
a própria ação, não há que se falar em pena, quanto mais em efeitos penais da condenação. 
 
- Consequências 
 
(i) sigilo sobre o processo e a condenação: é assegurado o sigilo dos registros criminais do 
reabilitado, que não serão mais objeto de folhas de antecedentes ou certidões dos cartórios. 
Tal providência é inútil, já que o art, 202 da LEP assegura esse sigilo a partir da extinção da 
pena. 
 
 
 
⁃ Ressalte-se que o sigilo não é absoluto, pois as condenações anteriores deverão ser 
mencionadas quando requisitadas as informações pelo juiz criminal (CPP, art. 748). Assim, 
apesar da exclusão das anotações do Instituto, mantém-se nos arquivos do Poder Judiciário. 
 
(i). suspensão dos efeitos extrapenais específicos: é suspensa a perda do cargo ou função 
pública, a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela e a inabilitação 
para dirigir veículo. A lei, contudo, veda a recondução ao cargo e a recuperação do pátrio 
poder, ficando a consequência da reabilitação limitada à volta da habilitação para dirigir 
veículo. 
 
- Pressupostos 
 
Requisitos para que o condenado possa se reabilitar. (de acordo com o art. 94) 
 
(i) decurso de 2 anos da extinção da pena, ou da audiência admonitória, no caso de sursis ou 
livramento condicional. 
 
➔ Observa-se que, no caso de extinção da pena pela ocorrência da sua prescrição, o 
prazo para requerimento de reabilitação há que ser contado do dia em que, 
efetivamente, ocorreu a prescrição da pena, e não do ato de sua formal declaração. 
 
No caso de condenação à pena de multa, conta-se o prazo a partir do pagamento desta. 
 
Na hipótese de pluralidade de condenações, o pedido de reabilitação não pode ser feito com 
relação a uma só delas se ainda não foram cumpridas todas as penas. É da índole e da 
finalidade do instituto ser de efeitos totais, gerais, para total reintegração social do 
condenado. 
 
 
 
 
 
(ii) bom comportamento público e privado durante esses 2 anos; (provar ao juiz) 
(iii) domicílio no país durante esses 2 anos; 
(iv) reparação do dano, salvo absoluta impossibilidade de fazê-lo ou renúncia comprovada 
da vítima. 
 
—Vale registrar que a insolvência deve ficar completamente provada para que o condenado 
se livre da exigência de reparação do dano, não bastando mera presunção de insolvência. 
 
—Se já se operou a prescrição da dívida no âmbito civil, dispensa-se o requisito da reparação 
do dano. 
 
—Os pressupostos elencados acima são cumulativos, ressalvando-se que o preenchimento 
das letras “iii” e “iv” torna prescindível o cumprimento da letra “v”, desde que o condenado 
demonstre a impossibilidade de fazê-lo ou que exista documento comprobatório de renúncia 
da vítima ou novação da dívida. 
 
 
Anotações da aula: 
● Efeitos da condenação 
 – Primário: Pena 
 – Secundário: - Penal (perde a primariedade - reincidência) 
 - Extrapenal (obrigação de indenizar a vítima, perde o emprego…) 
 
 
__________________________________________________________ —--- 
 
02. MEDIDA DE SEGURANÇA 
★ Causa de absolvição 
 → Não é uma pena, mas tem uma carga de condenação. 
★ Sanção penal imposta pelo juiz, na execução de uma sentença, cuja finalidade é 
exclusivamente preventiva, no sentido de evitar que o autor de uma infração penal 
tenha demonstrado periculosidade volte a delinquir. 
Art. 386 CPP: 
 
 
 
 
Visando tratar o inimputável e o semi-imputável que demonstraram pela prática delitiva 
potencialidade para novas ações danosas. 
 → Finalidade: Tratamento psicológico 
Art. 42: O Ministério Público não poderá desistir da ação penal. 
★ PRESSUPOSTOS PARA MEDIDA DE SEGURANÇA: 
1. Prática de crime: Quando a gente fala nisso, falamos em conduta típica antijurídica e 
culpável. 
2. Potencialidade para novas infrações danosas: que chamamos de periculosidade. 
 
★ NÃO SE APLICA EM MEDIDA DE SEGURANÇA: 
 
 
1. Se não houver prova da autoria. 
 • Exemplo: estou sendo acusado de um crime, sou inimputável e descobrem que sou 
autor do crime — Nesse caso, será absolvido. 
2. Se não houver prova do fato. 
 • Um inimputável está respondendo a um processo criminal, no final será absolvido 
porque é inimputável. 
3. Se estiver presente causa de exclusão de ilicitude do art. 23 CP. 
• Se sou inimputável e mato alguém em legítima defesa, mando para o hospital ou 
para casa? Para casa, pois foi excludente de ilicitude. 
4. Se o crime for impossível 
O inimputável não responde. → Crime impossível é quando o meio utilizado não 
funciona. 
Inter criminis é o caminho que o criminoso percorre 
 — 4 momentos: cogitação, atos preparatórios, ato de execução e consumação. 
5. Se ocorrer a prescrição ou outra causa extintiva de punibilidade 
Ex: uma menina pratica um aborto em casa, eu preciso comunicar o que houve para a 
polícia e depois de um tempo deixou de ser crime. 
 
★ PERICULOSIDADE 
- É a potencialidade para praticar ações lesivas, revelasse pelo fato de um agente ser 
portador de doença mental. 
- Na inimputabilidade, a periculosidade é presumida. Basta o laudo apontar a 
perturbação mental para que a medida de segurança seja obrigatoriamente imposta. 
- Quando falamos em perícia criminal, o perito criminal pode apontar o fato que 
ocorreu e dar uma conclusão da morte. Há um ponto em que a perícia pode fazer 
uma análise preventiva, por exemplo, olha o laudo. 
 
★ ESPÉCIE DE MEDIDA DE SEGURANÇA 
 
 
1. Detentiva; internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. 
2. Restritiva; sujeição a tratamento ambulatorial. 
- Envolvem como pressuposto pena de reclusão e detenção. Tem como receber 
reclusão e ser internado. 
- Duas opções: Tratamento psiquiátrico e tratamento ambulatório. 
- Características: obrigatória, quando a pena imposta for a de reclusão, conforme o 
artigo 97 do CP. Entretanto, o STJ não aplica esse artigo de forma absoluta. 
__________________________________________________— 
03. AÇÃO PENAL 
É o direito de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo ao caso 
concreto. 
É também o direito público subjetivo do Estado-Administração, único titular do 
poder-dever de punir, de pleitear ao Estado a aplicação do Direito Penal objetivo, com 
consequente satisfação da pretensão punitiva. 
 
Espécies de ação penal no direito brasileiro 
As ações penais serão públicas ou privadas, conforme sejam promovidas pelo Ministério 
Público ou pela vítima e seu representante legal, respectivamente. 
É o que diz o art. 100, caput, do Código Penal: "a ação penal pública, salvo quando a lei, 
expressamente, a declara privativa do ofendido". 
 
- Dentro dos casos de açãopenal pública (exclusiva do Ministério Público), ainda há 
outra subdivisão, em ação penal pública Incondicionada e condicionada. 
 
 
- No primeiro caso, o Ministério Público promoverá ação independentemente da 
vontade ou interferência de quem quer que seja, bastando, para tanto, que concorra 
às condições da ação e os pressupostos processuais. 
 
- Na segundo, a sua atividade fica condicionada também à manifestação de vontade 
do ofendido ou do seu representante legal 
 
Ação penal pública incondicionada: titularidade e princípios 
Adotando declaradamente o sistema acusatório de persecução penal, cuja principal 
característica é a nítida separação das funções de acusar, julgar e defender, 
colocando-se, assim, em franca oposição à concepção que informava as legislações 
processuais anteriores, a atual Constituição da República atribui ao Ministério 
Público, com exclusividade, a propositura da ação penal pública, seja ela 
incondicionada ou condicionada. 
- Mais ainda: sem a permissão da vítima, nem sequer poderá ser instaurado inquérito 
policial. 
- Todavia, uma vez Iniciada a ação penal, o Ministério Público a assume 
incondicionalmente, passando a ser informada pelo princípio da indisponibilidade 
do objeto do processo, sendo irrelevante qualquer tentativa de retratação. 
 
Ação penal no crime de violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei n. 11.340/2006) 
A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, ao ampliar a proteção da mulher vítima de 
violência doméstica e familiar, vedou a incidência da Lei dos Juizados Especiais Criminais 
nessas situações. Isso porque, com o advento da referida lei, o crime de lesão corporal 
dolosa, quando praticado no contexto de violência doméstica, previsto no art. 129, § 9º, do 
 
 
Código Penal, deixou de ser considerado infração de menor potencial ofensivo, em razão da 
majoração do limite máximo da pena, que passou a ser de três anos. 
- Os crimes de lesão corporal leve, praticados contra a mulher, envolvendo violência 
doméstica, são de ação penal pública Incondicionada 
- 
Prazo da representação 
“Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá do 
direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 (seis) meses, 
contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia 
em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia” (CPP, art. 38). No mesmo 
sentido, o art. 103 do Código Penal” 
‣ Trata-se, como se vê, de prazo decadencial. 
Ver art. 100 - IMPORTANTE PARA A PROVA: PRAZO DECADENCIAL. 
Exceção de queixa substitutiva. Queixa substitutiva. 
 
Forma da representação 
A representação não tem forma especial. O Código de Processo Penal, todavia, estabelece 
alguns preceitos a seu respeito (art. 39, caput e §§ 1º e 2º), mas a falta de um ou de outro não 
será, em geral, suficiente para invalidá-la. 
Desse modo, a representação prescinde de rigor formal, bastando a demonstração 
inequívoca do interesse do ofendido ou de seu representante legal. 
 
 
 
Destinatário da representação 
A representação pode ser dirigida ao juiz, ao representante do Ministério Público ou à 
autoridade policial (art. 39, caput, do CPP). 
A representação é irretratável após o oferecimento da denúncia (CPP, art. 25, e CP, art. 102). 
A retratação só pode ser feita antes de oferecida a denúncia, pela mesma pessoa que a 
representou. 
O Tribunal de Justiça de São Paulo tem admitido a retratação da retratação, desde que 
realizada dentro do prazo decadencial previsto em lei. 
 
Anotação da aula: a representação tem 6 meses para fazer na ação penal pública e/ou 
retratada, se não ocorrer a detração. 
- Importante: o que decadência, retratação, representação pública ou condicionada 
decadência prazo de 6 meses pode mudar de ideia ate o oferecimento da denúncia pq 
é uma ação penal pública 
- Retratação da retratação- pode ser retratado de nova no prazo de 6 meses - se não 
fazer isso ocorre a decadência daquele inquérito 
__________________________________________________ 
04. EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE 
Conceito e efeitos da extinção da punibilidade 
São aquelas que extinguem o direito de punir do Estado. As causas extintivas da 
punibilidade são mencionadas no art. 107 do CP. 
Esse rol legal não é taxativo, pois outras causas existem no CP e em legislação especial. 
Cita-se como exemplo o ressarcimento do dano, que, antes do trânsito em julgado da 
sentença, no delito de peculato culposo, extingue a punibilidade (CP, art. 312, § 3º). 
 
 
EFEITOS DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
Com relação aos seus efeitos, temos duas opções: 
Se a extinção da punibilidade se der antes do trânsito em julgado da sentença 
condenatória, impedirá todos os efeitos decorrentes da condenação criminal, penais e 
extrapenais, já que extingue o jus puniendi do Estado; 
Se ocorrer depois do trânsito em julgado, em regra, não afasta a condenação criminal, 
eliminando somente o efeito principal da condenação, qual seja, a imposição de pena ou 
medida de segurança. 
 
MORTE DO AGENTE 
● A extinção da punibilidade no caso de morte do agente decorre de dois princípios 
básicos: 
○ a morte tudo apaga 
○ nenhuma pena passará da pessoa do delinquente 
● Agente significa indiciado, réu ou sentenciado, uma vez que essa causa extintiva 
pode ocorrer em qualquer momento da persecução penal, desde a instauração do 
inquérito até o término da execução da pena. 
 
 OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE MORTE DO AGENTE 
Trata-se de causa personalíssima, que não se comunica aos partícipes e coautores (só 
extingue a punibilidade do falecido). 
Extingue todos os efeitos penais da sentença condenatória, principais e secundários. 
A morte somente pode ser provada mediante certidão de óbito, uma vez que o art. 155, 
parágrafo único, do CPP exige as mesmas formalidades da lei civil para as provas 
relacionadas ao estado das pessoas (nascimento, morte, casamento, parentesco etc.). 
 
 
OBSERVAÇÃO DO SLIDE (sua anotação) 
● “Nesse slide, pesquisar o que acontece quando a pessoa ‘morreu’, ocorrendo a 
extinção da punibilidade, se ele vive, isso porque ele forjou a morte. O que acontece 
quando ele volta? O que acontece com o processo?” 
 
📌 ANISTIA, GRAÇA E INDULTO 
- São espécies de indulgência, clemência soberana ou graça em sentido amplo. 
- Trata-se da renúncia do Estado ao direito de punir. 
ANISTIA 
Lei penal com efeito retroativo que retira as consequências de crimes já praticados, 
promovendo seu “esquecimento jurídico”. 
É uma forma de o Estado renunciar ao jus puniendi. 
Competência 
● Exclusiva da União (CF, art. 21, XVII) 
● Privativa do Congresso Nacional (CF, art. 48, VIII), com sanção do Presidente 
● Só pode ser concedida por lei federal 
● Atenção: o instrumento normativo da anistia é a lei. 
 
EFEITOS DA ANISTIA 
Retira todos os efeitos penais (principais e secundários) mas não retira efeitos extrapenais 
A sentença condenatória definitiva, mesmo em face da anistia, pode ser executada no juízo 
cível, pois constitui título executivo judicial. 
● ❗ Crimes insuscetíveis de anistia: 
○ Hediondos 
○ Tortura 
 
 
○ Tráfico de drogas 
○ Terrorismo 
 
INDULTO E GRAÇA 
● Graça → Benefício individual, depende de pedido do interessado 
● Indulto → caráter coletivo e Concedido de forma espontânea. 
COMPETÊNCIA (INDULTO E GRAÇA) 
● Competência privativa do Presidente da República (CF, art. 84, XII). Pode delegar a 
ministros de Estado, ao procurador-geral da República ou advogado-geral da União. 
Atenção: o instrumento normativo do indulto e da graça é o decreto presidencial. 
- EFEITOS 
● Atingem apenas o efeito principal da condenação (pena), substituindo todos os 
efeitos secundários penais e extrapenais. 
INDULTO CONDICIONAL 
O indulto pode ser submetido ao cumprimento de condições ou exigências futuras por parte 
do indultado, tais como boa conduta social, obtençãode ocupação lícita e o exercício de 
atividade benéfica à comunidade durante determinado prazo. 
Caso a condição seja descumprida, deixa de subsistir o favor, devendo o juiz determinar o 
reinício da execução da pena. 
 
Procedimento do indulto coletivo 
O indulto coletivo é concedido espontaneamente por decreto presidencial. 
 
 
 
Segundo Mirabete, "ele abrange sempre um grupo de sentenciados e normalmente inclui os 
beneficiários tendo em vista a duração das penas que lhe foram aplicadas, embora se exija 
certos requisitos subjetivos (primariedade etc.) e objetivos (cumprimento de parte da pena, 
exclusão dos autores da prática de algumas espécies de crimes etc.)" 
_______________________________________________________________ 
 
Lei posterior que deixa de considerar o fato criminoso (abolitio criminis) 
 
A lei penal retroage, atingindo fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor, sempre que 
beneficiar o agente de qualquer modo (CF, art. 5º, XL). 
 
Anotação da aula: competência do abolitio criminis (PESQUISAR O QUE É) 
Só juiz arquiva inquérito policial quem é competente para arquivar o inquérito? o juiz. juiz 
arquiva processo criminal. 
 
 
 
· Renúncia ao direito de queixa (queixa é pra juiz) 
- Abdicação do direito de promover a ação penal privada, pelo ofendido ou seu 
representante legal. 
 
- Oportunidade; só antes de iniciada a ação penal privada, ou seja, antes de oferecida a 
queixa-crime. 
 
Cabimento 
- Só cabe na ação penal exclusivamente privada, sendo inaceitável na ação privada 
subsidiária da pública, pois esta tem natureza de ação pública. 
 
Anotação aula: renúncia é um ato unilateral. A renúncia é sempre antes e se fizer isso não 
pode voltar atrás. Renúncia é ação penal privada, retratação ação penal pública 
condicionada. 
 
 
Formas - São duas: 
 
- expressa: declaração escrita assinada pelo ofendido ou por seu representante legal ou, 
ainda, por procurador com poderes especiais (CPP, art. 50); 
 
- tácita: prática de ato incompatível com a vontade de dar início à ação penal privada (por 
exemplo, o ofendido vai jantar na casa de seu ofensor, após a ofensa). 
 
 
 
Queixa oferecida contra um dos ofensores 
o Ministério Público não pode aditar a queixa para nela incluir os demais ofensores, sob o 
pretexto de zelar pela indivisibilidade da ação, por lhe faltar legitimidade (se não pode 
propor a ação penal privada, não pode incluir nenhum querelado). 
 
Nos termos do art. 48 do CPP, a queixa deve ser oferecida contra todos os autores do crime, 
em face do princípio da indivisibilidade da ação penal privada. 
 
- Se oferecer a queixa contra um dos ofensores, significa renúncia tácita com relação aos 
demais. 
 
Crimes de dupla subjetividade passiva 
 
 - São crimes que, por sua natureza, possuem dois sujeitos passivos. Nesses crimes, a 
renúncia de uma das vítimas não impede o oferecimento da queixa pela outra. 
 
 
Morte do ofendido 
 
No caso de morte do ofendido, o direito de promover a queixa-crime passa a seu cônjuge, 
descendente, ascendente ou irmão, sendo que a renúncia de um não impede os demais de 
dar início à ação. 
 
Perdão do ofendido (Perdão bilateral - o outro não precisa aceitar o perdão.) 
 
É a manifestação de vontade, expressa ou tácita, do ofendido ou de seu representante legal, 
no sentido de desistir da ação penal privada já iniciada, ou seja, é a desistência manifestada 
após o oferecimento da queixa. 
 
Distinção entre perdão e renúncia (ato unilateral) 
A renúncia é anterior e o perdão é posterior à propositura da ação penal privada. 
 
Oportunidade 
Só é possível depois de iniciada a ação penal privada, com o oferecimento da queixa e até o 
trânsito em julgado da sentença. 
 
Cabimento 
Só cabe na ação penal exclusivamente privada, sendo inadmissível na ação penal privada 
subsidiária da pública, já que esta mantém sua natureza de ação pública. 
 
Formas 
 
 
- processual: concedido nos autos da ação penal (é sempre expresso); 
- extraprocessual: concedido fora dos autos da ação penal (pode ser expresso ou tácito); 
- expresso: declaração escrita, assinada pelo ofendido, seu representante legal ou procurador 
com poderes especiais; 
- tácito: resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação penal 
(sempre extraprocessual). 
 
Da aceitação do perdão 
O perdão do ofendido é ato jurídico bilateral, pois não produz efeito quando recusado pelo 
ofensor. 
 
Isso em razão do interesse do querelado em provar sua inocência. 
 
 
Formas de aceitação do perdão 
- expressa: declaração escrita, assinada pelo querelado, dizendo que aceita o perdão 
(pode ser processual ou extraprocessual); 
- tácita: prática de ato incompatível com a vontade de recusar o perdão (pode ser 
processual ou extraprocessual); 
- processual: nos autos do processo; 
- extraprocessual: fora dos autos do processo. 
 
Efeitos do perdão aceito 
- Extinção da punibilidade, com o afastamento de todos os efeitos da condenação, 
principais e secundários. 
- No caso de concurso de agentes, alcança a todos os querelados, exceto o que tiver 
renunciado. 
 
 
Perempção 
Causa de extinção da punibilidade, consistente em uma sanção processual ao querelante 
desidioso, que deixa de dar andamento normal à ação penal exclusivamente privada. 
 
Cabimento 
Só é cabível na ação penal exclusivamente privada, sendo inadmissível na ação penal 
privada subsidiária da pública, pois esta conserva sua natureza de pública. 
 
Hipóteses 
Querelante que deixa de dar andamento ao processo durante 30 dias seguidos: só haverá a 
perempção se o querelante tiver sido previamente notificado para agir. 
 
 
 
- querelante que deixa de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do 
processo a que deva estar presente: o querelante está obrigado a comparecer aos atos 
em que sua presença seja absolutamente indispensável. 
- 
- querelante que deixa de formular pedido de condenação nas alegações finais: a 
jurisprudência tem entendido que não há necessidade de dizer expressamente "peço 
a condenação"; basta que o pedido decorra do desenvolvimento normal das razões. 
- 
- morte ou incapacidade do querelante, sem comparecimento, no prazo de 60 dias, de 
seu cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, ou qualquer pessoa que deva fazê-lo; 
 
Retratação do agente 
Retratar-se é desdizer-se, retirar o que se disse. 
 
Casos em que a lei a permite 
● art. 143 do CP: a retratação é admitida nos crimes contra a honra, mas apenas nos 
casos de calúnia e difamação, sendo inadmissível na injúria; 
● art. 342, § 2º, do CP: o fato deixa de ser punível se o agente (testemunha, perito, 
tradutor ou intérprete) se retratar ou declarar a verdade. 
 
Perdão judicial 
Causa extintiva da punibilidade consistente em uma faculdade do juiz de, nos casos 
previstos em lei, deixar de aplicar a pena, em face de justificadas circunstâncias 
excepcionais. 
 
Faculdade do juiz 
O juiz deve analisar discriminatoriamente se as circunstâncias excepcionais estão ou não 
presentes. Caso entenda que sim, não pode recusar a aplicação do perdão judicial, pois, 
nesse caso, o agente terá direito público subjetivo ao benefício. 
 
Natureza jurídica da sentença concessiva 
- condenatória: a sentença que concede o perdão judicial é condenatória, uma vez que 
só se perdoa a quem errou. 
 
- O juiz deve, antes de conceder o perdão judicial, verificar se há prova do fato e da 
autoria, se há causa excludente da ilicitude e da culpabilidade, para, só então, 
condenar o réu e deixar de aplicar a pena concedendo o perdão. 
 
- É a orientação seguida pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
 
 
- Declaratória da extinção da punibilidade: a sentença que concede o perdão judicial é 
meramente declaratória da extinção da punibilidade, não surtindo nenhum efeito 
penal ou extrapenal. 
 
- Essa é a posição do Superior Tribunal de Justiça: Súmula 18. Como não se trata de 
questão de ordem constitucional, essa posição tende a se firmar como pacífica.Decadência 
- É a perda do direito de promover a ação penal exclusivamente privada e a ação penal 
privada subsidiária da pública e do direito de manifestação da vontade de que o ofensor seja 
processado, por meio da ação penal pública condicionada à representação, em face da 
inércia do ofendido ou de seu representante legal, durante determinado tempo fixado por 
lei. 
 
Característica da não interrupção 
O prazo decadencial não se interrompe pela instauração de inquérito policial nem pelo 
pedido de explicações em juízo. 
 
Efeito 
A decadência está elencada como causa de extinção da punibilidade, mas, na verdade, o que 
ela extingue é o direito de dar início à persecução penal em juízo. 
 
Prazo decadencial 
 
- O ofendido, ou seu representante legal, decairá do direito de queixa ou representação 
se não o exercer dentro do prazo de 6 meses, contado do dia em que vier a saber 
quem é o autor do crime. 
 
- O prazo decadencial cessa na data do oferecimento da queixa e não na data de seu 
recebimento.

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