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Parto normal
JUAZEIRO DO NORTE – CE
2024
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA VETERINÁRIA
PROF. DR. LUCAS SANTIAGO GOMES BRASILEIRO
Trabalho de parto
• Processo fisiológico -> o feto e seus
envoltórios fetais são expulsos do útero.
• Há a dilatação e o desencadeamento das
contrações uterinas e abdominais que
culminam com o nascimento.
• Parto normal engloba a interação de
inúmeros fatores que acarretam na gestante,
modificações de ordens morfológica,
bioquímica, biofísica e de fisiologia muscular.
Desencadeamento do parto
• O feto, e não a mãe, domina o mecanismo de estímulo ao parto
• A atividade da musculatura uterina é fundamental no trabalho de
parto
• Liberação do miométrio de seu estado de quiescência para a
aquisição da capacidade contrátil
• Os eventos endócrinos: maturação fetoplacentária e, ao mesmo
tempo, promovem a preparação da glândula mamária para a
amamentação, a involução uterina pós-parto e o reinício da
função ovariana
Desencadeamento do parto
• Aumento significativo na concentração plasmática de cortisol fetal
devido a estímulos no eixo hipotálamo-hipófise
• O hipotálamo fetal passa a responder aos efeitos de hormônios
placentários como estrógeno, progesterona, prostaglandina E
(PGE) ou aos fatores de liberação de corticotrofinas
• Associado a isso, fatores estressantes fetais como hipoxia,
mudanças na pressão sanguínea e na disponibilidade de glicose
levariam a um aumento na secreção de cortisol pela adrenal do
feto.
Desencadeamento do parto
Desencadeamento do parto
• Esquema da metabolização da progesterona
em estrógeno que ocorre na placenta de
ruminantes por meio de estímulo da elevação
do cortisol fetal.
• Os elevados níveis de estrógeno têm uma ação
direta sobre o miométrio, aumentando sua
responsividade à ocitocina.
• Atuam produzindo o relaxamento da cérvix por
meio da alteração da estrutura das fibras de
colágeno e sobre o complexo útero-placenta,
estimulando a produção e a liberação de
prostaglandinas.
Desencadeamento do parto
Espécies cuja gestação depende da progesterona placentária | Ovelha, égua, gata
Ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fetal:
• O início do parto está relacionado à ativação do eixo
• A elevação do cortisol fetal desempenha um papel crucial.
Produção de corticoides fetais:
• Antes dos 120 dias de gestação na ovelha, a maior parte do
cortisol é de origem materna, via transferência
transplacentária.
• O córtex adrenal fetal se torna mais sensível ao ACTH (hormônio
adrenocorticotrófico) com a proximidade do parto.
Desencadeamento do parto
Espécies cuja gestação depende da progesterona placentária | Ovelha, égua, gata
Transformação de progesterona em estrógeno:
• O aumento da produção de corticoide fetal ativa enzimas
placentárias que convertem progesterona em estrógeno.
• Isso aumenta a responsividade do útero à ocitocina,
desencadeando contrações miometriais.
Lise do corpo lúteo e produção de prostaglandinas:
• O cortisol fetal estimula a produção de PGF2a, levando à lise
do corpo lúteo e reduzindo a produção de progesterona.
• A PGF2a também aumenta a contratilidade uterina e auxilia no
relaxamento da cérvix.
Desencadeamento do parto
Espécies cuja gestação depende da progesterona placentária | Ovelha, égua, gata
Relaxina e seus efeitos:
• A relaxina, produzida principalmente pelo corpo lúteo, induz ao
relaxamento da sínfise púbica, ligamentos pélvicos e cérvix.
• Diminui a frequência e amplitude das contrações uterinas.
Desencadeamento do parto
Espécies cuja gestação depende da progesterona placentária | Ovelha, égua, gata
Desencadeamento do parto
Papel do corpo lúteo:
• A progesterona é produzida pelo corpo lúteo durante toda a
gestação.
• Sua regressão desempenha um papel crucial no
desencadeamento do parto.
Transformação de progesterona em estrógeno:
• Glicocorticoides fetais promovem a transformação da
progesterona em estrógeno pela placenta.
• O estrógeno resultante atua na lise do corpo lúteo através da
indução de PGF2a.
Espécies cuja gestação depende da progesterona ovariana | Vaca, cabra, cadela
Desencadeamento do parto
Contrações miometriais coordenadas:
• Aumento da sensibilidade à ocitocina e produção de PGF2a levam a
contrações miometriais coordenadas.
• O relaxamento da cérvix e dos ligamentos pélvicos ocorre juntamente
com a expansão do canal de nascimento.
Produção de relaxina:
• A relaxina, produzida pelo corpo lúteo e, nos bovinos, também pela
placenta, induz à dilatação cervical e ao aumento da área pélvica.
• A relaxina também afeta o miométrio, reduzindo a frequência e
amplitude das contrações uterinas.
Espécies cuja gestação depende da progesterona ovariana | Vaca, cabra, cadela
Desencadeamento do parto
Espécies cuja gestação depende da progesterona ovariana | Vaca, cabra, cadela
Via de expulsão fetal
• É formada pelos ossos ílio, ísquio, púbis, sacro e primeiras vértebras
coccigianas, constituindo a pelve.
• Nos equinos, a pelve é curta e sua abertura, praticamente circular,
com parede ventral plana; não dificulta o parto, que é rápido
nestes animais.
Via fetal óssea
Via de expulsão fetal
• Nos bovinos, a abertura pélvica é mais comprida lateralmente,
com forma ovalada e assoalho côncavo mais elevado
caudalmente. Esta disposição anatômica dificulta o parto, que é
mais demorado nesta espécie.
• Nos pequenos ruminantes, nos suínos e nos carnívoros, a pelve tem
forma tendendo a circular e, em geral, sua disposição anatômica
não dificulta o parto.
Via fetal óssea
Via de expulsão fetal
• É constituída por cérvix, vagina, vestíbulo, vulva e ligamentos
sacroisquiáticos.
• A via fetal mole apresenta 3 pontos críticos, que no momento do
parto constituem obstáculos à passagem do feto, podendo
dificultar a parição.
• Estes pontos são: a vulva, o anel himenal e a cérvix.
Via fetal mole
Fases do parto
• Nas proximidades do parto a fêmea gestante apresenta
modificações morfofuncionais, que permitem avaliar o momento
da parturição.
• A porca e a cadela têm o hábito de construir um ninho para os
animais que vão nascer.
• À medida que o momento do parto se aproxima, as fêmeas de
todas as espécies começam a apresentar inapetência, ansiedade
e agitação, procurando se isolar dos demais animais.
• Este comportamento deve ser respeitado e, sempre que possível, o
acompanhante humano deve fornecer condições para que ele
aconteça.
Fase prodrômica ou de preparação do parto
Fases do parto
• O início das contrações uterinas pode provocar agitação.
• As éguas podem andar de um lado para o outro, algumas vezes em
círculo, patear, deitar e levantar e até rolar, simulando um distúrbio do
aparelho digestório.
• Neste momento, iniciam-se também modificações estruturais e
bioquímicas na cérvix.
Estas modificações são caracterizadas por dispersão das fibras de
colágeno causada pela colagenase e aumento do nível de ácido
hialurônico, que leva a liquefação do tampão mucoso e dilatação da
cérvix.
Fase prodrômica ou de preparação do parto
Fases do parto
• tem início concomitantemente com as contrações uterinas e
prolonga-se até o rompimento das membranas fetais.
• Sua duração é variável nas diferentes espécies. Desenvolve-se de 6
a 16 h nos bovinos, e nos equinos leva somente 2 h.
• A dilatação da cérvix inicia-se em uma fase latente do parto ->
relaxamento das fibras musculares lisas de cérvix, útero e vagina, o
útero é impulsionado no sentido cranioventral do abdome e
aumenta a dilatação da cérvix, a qual continua com o
aparecimento das contrações uterinas.
Fase de dilatação da via fetal
Fases do parto
• Na fase de dilatação não se observam manifestações evidentes de
contrações musculares da parede abdominal.
• muitas vezes esta fase só é reconhecida quando as bolsas fetais já são
visíveis na vulva.
• Na égua, os sinais clínicos do animal nesse momento se assemelham aos
observados em casos de cólica.
• Este estágio inclui relaxamento e dilatação da cérvix e início das
contrações uterinas,as quais causam dor.
• A pressão causada pelo útero empurra o alantocório para o interior da
cérvix e esta normalmente se rompe durante a passagem.
• O extravasamento do líquido é importante para a lubrificação do canal
do parto.
Fase de dilatação da via fetal
Fases do parto
• Inicia-se com o rompimento das bolsas fetais e completa-se com o
nascimento do feto ou fetos.
• O feto no interior da via fetal mole estimula receptores nervosos
localizados na porção dorsal da vagina, cujos neurônios levam o
estímulo aos centros motores da medula espinal, formando-se o
reflexo de contração da musculatura abdominal.
• Associam-se, deste modo, na fase de expulsão, duas forças: as
contrações uterinas e as abdominais.
Fase de expulsão do produto
Fases do parto
• Esquema do reflexo de Ferguson ou
de expulsão fetal.
• Por intermédio da compressão do
nervo pudendo realizada pela
presença das bolsas fetais e/ou do
feto no canal vaginal se estabelece
um estímulo na medula espinal, que
resulta na ocorrência dos esforços
expulsivos por meio das contrações
abdominais.
Fase de expulsão do produto
Fases do parto
• Égua: o parto dura normalmente,
cerca de 30 min e a expulsão da
placenta ocorre dentro de 15 min a
2 h após o nascimento do produto.
• Vaca: a expulsão normal do bezerro
dura de 1 a 3 h, podendo chegar a
6 h durante a primeira parição.
Nesta espécie, a liberação da
placenta ocorre entre 30 min até 8 h
após o nascimento do bezerro.
Fase de expulsão do produto
Fases do parto
• Cadelas: cada cãozinho pode ser expulso
com ou sem a ruptura das membranas
fetais e 40% dos fetos nascem com
apresentação posterior. O intervalo entre
os nascimentos pode ser de 15 min a 3 h,
dependendo do tamanho da mãe e do
número de fetos.
• Gatas: Normalmente o parto demora de 2
a 6 h, podendo se estender por até 12 h.
Fase de expulsão do produto
Maturação do feto: 
• No momento do parto, a separação da placenta priva o neonato
do suprimento de oxigênio e glicose ao qual este estava
acostumado.
• Em circunstâncias normais a respiração se inicia segundos após o
nascimento e está totalmente estabelecida após alguns minutos.
• A glicose é rapidamente liberada das reservas de carboidratos,
particularmente dos estoques de glicogênio no fígado e no
músculo cardíaco.
Maturação do feto: 
• A fonte de glicose termina em poucas horas e a gordura se torna a
principal fonte de metabólicos.
• Mesmo as reservas de gordura podem sustentar o feto somente por
um período limitado que, no entanto, normalmente é suficiente até
que se inicie a amamentação.
• O sucesso da transição da vida intrauterina para a extrauterina é
totalmente dependente dos eventos que antecedem o parto, ou
seja, maturação pulmonar, formação das reservas de carboidratos
e gordura e início da lactação.
Puerpério: 
• Modificações fisiológicas que ocorrem no útero, na fase
imediatamente após o parto, quando este órgão se recupera das
transformações que sofreu durante a gestação, preparando-se
para uma nova prenhez.
• No desenvolvimento do puerpério fisiológico, evidenciam-se duas
fases:
- Na primeira acontece a eliminação das secundinas ou
delivramento;
- A segunda fase caracteriza-se, principalmente, pela involução
uterina e preparação do útero para uma nova gestação, sendo
normalmente denominada fase de involução uterina.
Parto normal
JUAZEIRO DO NORTE – CE
2024
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA VETERINÁRIA
PROF. DR. LUCAS SANTIAGO GOMES BRASILEIRO

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