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Resumo da matéria degradação É a deterioração do meio, processo pelo qual o meio ambiente natural é comprometido, por meio do esgotamento de recursos. A Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres (em inglês: United Nations International Strategy for Disaster Reduction) define a degradação ambiental como a capacidade reduzida do meio ambiente de atender a necessidades e objetivos sociais e ecológicos. No Brasil, a Lei nº 6938/81, nomeada como Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), define degradação ambiental como qualquer alteração adversa das características do meio ambiente. Dessa forma, a lei engloba a degradação ambiental em diversas condições, como prejuízo à saúde, ao bem-estar das pessoas, às atividades sociais e econômicas, à biosfera, entre outros. A degradação ambiental é um declínio negativo no estado de qualquer componente do meio ambiente, ou seja, é o esgotamento ou destruição de um recurso potencialmente renovável, como ar, água ou vida selvagem, usando-o em uma taxa mais rápida do que pode ser renovado naturalmente. Sistemas degradados são ecossistemas cuja diversidade, produtividade e habitabilidade foram consideravelmente reduzidas. Os ecossistemas terrestres degradados são caracterizados pela perda de vegetação e solo e os ecossistemas aquáticos são frequentemente caracterizados por águas poluídas onde poucas espécies são capazes de tolerar. Especificamente, terras degradadas são aquelas cuja produtividade e diversidade é reduzida de tal forma que é improvável que retornem ao seu estado original, a menos que sejam aplicadas medidas especiais de reparação. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao instituir a Instrução Normativa IN nº 4/2011, que estabelece procedimentos para elaboração de Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD), em seu Capítulo II, define área degradada como: “área impossibilitada de retornar por uma trajetória natural, a um ecossistema que se assemelhe a um estado conhecido antes, ou para outro estado que poderia ser esperado” (BRASIL, 2011). A definição mais conhecida de degradação do solo é a utilizada pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação nos Países Afetados por Seca Grave e/ou Desertificação (UN, 1994), degradação do solo significa redução ou perda da produtividade biológica ou econômica e complexidade de terras cultivadas de sequeiro, terras irrigadas de cultivo, ou pastagem, floresta e bosques resultantes de usos da terra ou de um processo ou combinação de processos, incluindo processos decorrentes de atividades humanas e habitações, como: · Erosão do solo causada pelo vento e/ou água. · Deterioração das propriedades físicas, químicas e biológicas ou econômicas do solo. · Perda em longo prazo da vegetação natural. Do ponto de vista da biologia e da pedologia, a degradação do solo é o rebaixamento das superfícies terrestres por erosão. Em vista disso, áreas degradadas são aquelas reconhecidas por solos esgotados e erodidos, com desequilíbrio hidrológico, perda de biodiversidade, e reduzida produção primária. Esgotamento dos recursos naturais O aumento do uso de recursos naturais pelo rápido crescimento populacional resultou na superexploração dos recursos. As consequências de tal exploração são claramente vistas na erosão do solo, perda de biodiversidade e poluição da terra, ar e corpos d'água. A degradação do meio ambiente pela superexploração atingiu um nível que está ameaçando o bem-estar e a sobrevivência humana. A imagem a seguir apresenta uma mina de mármore no estado do Piauí para a construção civil. Na região foram constatados efeitos da degradação pela atividade, como erosões, desmoronamentos, alteração e diminuição das áreas de vegetação, assoreamentos, entulhamentos etc. Poluição É um problema mundial e tem impacto adverso na saúde das populações humanas e no meio ambiente, sendo debatida mundialmente como problema de saúde pública, que deve ser examinado sob várias perspectivas, como sistemas sociais, econômicos, legislativos e de engenharia ambiental, bem como hábitos de vida que ajudam na promoção da saúde e conservação ambiental. As fontes tradicionais de poluição são as emissões industriais, a falta de saneamento, o gerenciamento insuficiente de resíduos, o abastecimento de água poluída e as exposições à poluição do ar por combustíveis. Recentemente, surgiram poluentes modernos associados ao congestionamento do tráfego e ao uso de produtos químicos modernos em casa, nos alimentos, no tratamento de água e no controle de pragas. Perda de biodiversidade É a diminuição do número de espécies que já estiveram presentes em um determinado hábitat e pode ser o resultado da poluição do solo, água e atmosfera, a destruição e redução de habitats naturais, mudanças climáticas, aquecimento global, caça e pesca indiscriminada, tráfico de fauna e flora silvestres, expansão desenfreada da agropecuária dentro de áreas nativas e introdução de espécies exóticas. Desertificação É definida como a degradação dos solos em zonas áridas, semiáridas e sub-húmidas secas, resultante de fatores de origem climática e de atividades antrópicas como o desmatamento, o sobrepastoreio, a expansão de áreas agrícolas para áreas frágeis e a sobre-exploração da vegetação. Esse processo pelo qual as terras ficam mais secas está aumentando em todo o mundo e tem como principais causas a degradação da cobertura vegetal, erosão hídrica, erosão eólica, salinização, redução da matéria orgânica do solo, formação de crostas e compactação do solo e acúmulo de substâncias tóxicas para os seres vivos. Dessas, as quatro primeiras são consideradas processos primários de desertificação, uma vez que seus efeitos são amplos e têm um impacto muito significativo na produção da terra, e as três últimas são consideradas processos secundários. Aquecimento global A principal causa das mudanças climáticas é o acúmulo de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Esses gases afetam o equilíbrio radiativo da Terra, a população de várias espécies de animais e plantas e a concentração dos raios ultravioleta para a superfície da Terra. Quando esses gases são emitidos para a atmosfera, eles se acumulam formando uma camada de manta que absorve os raios infravermelhos do sol e também protege a Terra de irradiar seu calor. O resultado de tudo isso é um aumento nas temperaturas do planeta, uma condição conhecida como aquecimento global e amplamente experimentada em muitas partes do mundo. Além do derretimento das geleiras, houve aumento das temperaturas nos oceanos e declínio do gelo marinho do Ártico. A maior concentração de GEE é o dióxido de carbono na natureza, onde o CO2 é continuamente trocado por meio do processo de fotossíntese, respiração e decomposição entre a atmosfera e os organismos vivos. Além disso, é circulado entre a atmosfera e o oceano por meio de trocas gasosas, enquanto uma pequena porcentagem é liberada por meio de erupções vulcânicas. No entanto, a principal causa do efeito estufa é resultado das atividades humanas como a industrialização, que libera óxido de nitrogênio e o metano, a combustão de combustíveis fósseis que contêm muitos compostos de carbono que formam CO2 na combustão, e a mudança da paisagem. Outra causa principal de deterioração ambiental e mudança climática, inclui a superpopulação, poluição ambiental e desmatamento. O desmatamento leva indiretamente ao aumento do CO2 atmosférico, além disso, ele afeta a fertilidade do solo, pois as árvores impedem a erosão da camada superficial do solo pelo vento e pela água e agrava a poluição. As mudanças climáticas e os impactos futuros na natureza, variam de região para região, mas contribuem com o aumento das temperaturas globais, aumento do nível do mar, desmatamento, condições climáticas desequilibradas, mudanças na precipitação e expansão dos desertos. Os conceitos envolvidos na recuperação do ecossistema Na literatura especializada, encontramos três termos comumente usados para se referir a atividades relacionadasà recuperação de ecossistemas: restauração, reabilitação e recuperação (ou substituição). Embora muitas das definições incorporem a ideia de reverter ou redirecionar o desenvolvimento de um ecossistema para uma condição mais favorável por meio da intervenção humana ativa, o significado desses termos não é exatamente o mesmo. A imagem a seguir apresenta um esquema que ajuda a entender os objetivos básicos dessas três ações. A palavra restaurar é definida como recuperar, reparar, renovar ou colocar algo de volta no estado ou pressuposto que tinha antes. Restaurar implica, então, retornar algo a um estado ou posição anterior, ou seja, retornar a um estado original. Essa ideia permeou historicamente a definição de restauração ecológica e influenciou sua prática. A restauração ecológica é definida como o retorno de um local degradado à exata condição ecológica que exibia antes do distúrbio, com ênfase especial nos atributos funcionais e estruturais do ecossistema. A partir dessa perspectiva, o objetivo da restauração ecológica é concebido como a criação de um ecossistema com a mesma composição de espécies e características funcionais do sistema que existia anteriormente. Em geral, dependendo do grau de intervenção realizada no sistema, restauração ecológica pode ser de dois tipos. Vamos conhecê-los! Restauração passiva É o processo pelo qual os ecossistemas se recuperam por conta própria quando não há estressores ou as barreiras que impedem sua regeneração são removidas em um processo conhecido como restauração passiva ou sucessão natural. Portanto, uma das primeiras ações para recuperar um ecossistema é remover aqueles fatores que impedem ou dificultam sua regeneração natural. Essa sucessão natural ou recuperação por si só pode ocorrer quando não há circunstâncias (agentes estressantes) como incêndios, erosão, queimadas, pecuária extensiva, introdução de espécies exóticas de fauna e flora, cultivos para uso ilícito, entre outros, que impedem sua regeneração. A ferramenta de gestão utilizada nesse caso é o isolamento ou vedação, que consiste no encerramento parcial ou total de uma propriedade cujo processo de recuperação decorre de forma natural e não requer intervenção humana. Restauração ativa É o processo que consegue resgatar as funções naturais dos ecossistemas por meio da intervenção humana e promover o desenvolvimento de processos de recuperação naquelas áreas que perderam seus mecanismos naturais de recuperação quando foram alteradas ou destruídas. Dessa forma, eles podem superar as barreiras que impedem sua regeneração natural. A restauração ativa permite melhorar e acelerar os processos de regeneração natural em áreas degradadas, quando os ecossistemas estão severamente degradados ou destruídos, perderam seus mecanismos de regeneração e, consequentemente, precisam de ajuda e assistência em sua recuperação, diz-se que são necessárias ações de restauração ativa ou assistida. Isso implica que a ajuda humana é necessária para permitir o desenvolvimento de processos de recuperação dos ecossistemas e superar as circunstâncias que impedem a regeneração. A restauração pode ser demonstrada por meio da plantação de espécies nativas para regeneração da vegetação originária, em conformidade com as normas do Código Florestal. Reabilitação É tida por muitos autores como sinônimo de restauração, embora originalmente existam diferenças entre os dois procedimentos. A reabilitação não implica retorno a um estado original. A reabilitação pode então ser entendida como qualquer ato de melhoria do ecossistema de um estado degradado, que permite a recuperação da estrutura e das funções básicas do ecossistema, particularmente a produtividade. Também é possível que a função do ecossistema se recupere sem recuperar completamente sua estrutura, caso em que estamos falando de uma reabilitação da função do ecossistema, muitas vezes até com substituição de espécies. Portanto, um ecossistema reabilitado não é o mesmo que o original ou restaurado, mas sim um ecossistema que recuperou algumas funções. Um exemplo de reabilitação é a construção de um parque ecológico em uma antiga área de exploração de areia. A reabilitação é realizada em locais severamente degradados nos quais um componente precisa ser recuperado para que o ecossistema possa ser restaurado. A reabilitação consiste em várias ações, desde as mais simples e imediatas, como a remoção ou controle de estressores e a adição de espécies e materiais, até as mais complexas, como regular a velocidade dos processos do ecossistema e a entrada de energia. Nesse sentido, plantar árvores nativas ou espécies pioneiras dominantes de importância ecológica pode iniciar a reabilitação. Recuperação É o retorno a um estado de utilidade do ecossistema, sem ter como referência o estado original ou pré-distúrbio. A recuperação então busca gerar um ecossistema funcional, cuja composição e estrutura não tentam refletir aquelas do ecossistema pré-distúrbio. Geralmente, implica em ações para estabilizar uma paisagem e aumentar a utilidade ou valor econômico de um local, permitindo o estabelecimento de algum tipo de vegetação. A recuperação é muitas vezes realizada em locais onde as atividades industriais ou de mineração causaram degradação severa e/ou alto grau de contaminação. Ações tendentes à construção de topografia, solo e condições são então realizadas para facilitar o estabelecimento de plantas após a perturbação, permitindo que a terra degradada funcione adequadamente no ecossistema do qual fez e faz parte. O resultado então é que a terra é adequada para um novo uso, por exemplo, pastagens ou campos para recreação. A restauração ecológica pode ser descrita como o processo de assistência à recuperação de ecossistemas danificados, degradados ou destruídos. Tradicionalmente, a restauração tem sido vista principalmente como um meio para redefinir o equilíbrio ecológico e devolver um ecossistema a algum estado passado, muitas vezes o que estava lá antes de uma perturbação ou danos. Outras atividades que visam reparar danos, mas não necessariamente devolver o ecossistema histórico, foram denominadas reabilitação ou, quando um sistema alternativo ou o uso da terra a que se destina, recuperação. Há um reconhecimento crescente de que, para muitas formas de reparação, são necessárias atividades que cubram uma variedade de objetivos, incluindo a restauração de funções e serviços ecossistêmicos, bem como conjuntos particulares de espécies. Assim, o restauro abrange uma vasta gama de atividades, que vão desde a perspectiva purista, que procura devolver uma cópia exata do ecossistema preexistente e todas as suas espécies a uma área degradada, a metas menos ambiciosas, mas não menos dignas, de devolver a uma área degradada algum tipo de funcionamento do ecossistema, a objetivos básicos de devolver algum tipo de vegetação para controle de erosão ou alimentação e produção de fibras. Há milhares de anos, a marca deixada pelos seres humanos no espaço natural que habitavam era absolutamente insignificante. Os recursos naturais disponíveis eram suficientes para satisfazer às suas necessidades vitais. Eram nômades, situação que permitiu a regeneração natural dos solos que eles deixavam para trás. Mas com o surgimento da agricultura, a domesticação de animais, o aperfeiçoamento dos métodos de caça e pesca, não precisavam mais emigrar o tempo todo. Além disso, progressivamente eles foram criando as condições ideais para a vida: uma família, comida e um teto para se abrigar. Ainda assim, os efeitos negativos que eles causavam à natureza ainda eram irrelevantes, comparados com os acontecimentos políticos, sociais e culturais que fazem parte da história e que, na maioria dos casos, significaram o início de todos os problemas ambientais que enfrentamos hoje e que são conhecidos como a crise ambiental global. A Revolução Industrial causou profundas transformações no mundo por meio do desenvolvimento científico e das mudanças tecnológicas e socioculturais, modificando a relação do homem com a natureza,graças à descoberta, uso e exploração de combustíveis fósseis, bem como a exploração intensiva dos recursos minerais do planeta. A partir de então, aumentou a degradação e destruição progressiva da natureza e a qualidade de seus recursos naturais. Em relação aos processos produtivos, isso significou a demanda por mão de obra barata, situação que causou a emigração em massa de pessoas para outras cidades em busca de melhores condições, provocando o problema da superpopulação das cidades e, em muitos casos, o surgimento de aglomerados subnormais sem condições reais de moradia. O poder econômico e político que começou a ser gerado nesse estágio foi decisivo para o desenvolvimento excessivo da mineração como parte da industrialização, processo que foi desarmonizador na relação do homem com a natureza, já que a poluição aumentou a níveis inimagináveis com a produção de inúmeros resíduos. As condições políticas, econômicas e sociais do mundo na primeira metade do século passado, permitiram o desencadeamento de duas grandes guerras, que colocaram o planeta à beira de uma catástrofe universal. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) incluiu nações localizadas em diferentes continentes. Do ponto de vista socioambiental, essa guerra criou condições desfavoráveis à vida e ao desenvolvimento humano, bem como a perda de uma parte importante da biodiversidade do planeta. Também resultou na destruição de parte do patrimônio cultural e das nações envolvidas, bem como a devastação e deterioração de centenas de cidades. Uma substância de grande importância foi utilizada pela primeira vez, um gás de combate: iperite (conhecido como gás mostarda), um produto químico muito difícil de remover, que causa um efeito cáustico não só em curto prazo nas pessoas e animais, sendo capaz de passar várias semanas e meses poluindo o ar e/ou destruindo a vegetação, terrenos e edificações. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939, na qual gastos militares diretos e indiretos mais perdas de receita da população, bem como das companhias paralisadas nas regiões ocupadas pelas tropas, tiveram um custo multimilionário. As bombas atômicas detonadas pelos norte-americanos nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki causaram efeitos devastadores, que danificaram amplamente o sistema ecológico da região, contaminando o meio ambiente e deixando um saldo de milhares de mortes. A Alemanha praticamente desapareceu, foram destruídas milhões de residências e outros milhares foram parcialmente destruídas, resultando em muitos resíduos sólidos. As grandes campanhas, as operações militares, as batalhas e os combates da Segunda Guerra Mundial causaram profundos danos ambientais nas nações envolvidas. Da mesma forma, cidades inteiras foram destruídas, e com elas sua natureza e suas culturas. Foi uma época que também relatou condições totalmente desfavoráveis à vida, que se evidenciaram na perda da biodiversidade e na destruição do patrimônio histórico-cultural. A recuperação econômica global após a Segunda Guerra Mundial trouxe consigo evidências de novas poluições, levando a acordos internacionais nas décadas de 1950 e 1960 e que cobriam questões como descargas de petroleiros. Tais questões eram o domínio de novas agências especializadas das Nações Unidas, por exemplo, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, mas dificilmente eram centrais para a diplomacia na Assembleia Geral da ONU em Nova York. No entanto, em 1968, a Assembleia Geral concordou em convocar o que se tornou a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano de 1972, para focar a atenção dos governos e a opinião pública sobre a importância e a urgência da questão. Essa conferência levou à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e ao estabelecimento de departamentos de meio ambiente por muitos governos. Mas já estava claro que, para os países que constituíam a maioria na ONU, as questões ambientais não poderiam ser dissociadas de suas demandas por desenvolvimento, ajuda e reestruturação das relações econômicas internacionais. Isso forneceu a base política para o conceito de desenvolvimento sustentável. Antes da Comissão Brundtland formular esse conceito em 1987, o meio ambiente havia sido excluído da agenda internacional pela crise econômica global da década de 1970 e depois pelo início da Guerra Fria. O Relatório da Comissão Brundtland de 1987 forneceu sua declaração clássica: o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades. (BRUNDTLAND et al., 1987, p. 43) Por trás disso estava um reconhecimento explícito das limitações ao crescimento futuro que eram sociais, tecnológicas e ambientais. Nessa abordagem, a ênfase foi colocada nas necessidades, e a mais alta prioridade foi dada às necessidades sentidas pelos pobres do mundo. O conceito central era a ideia de justiça entre as gerações, bem como entre os ricos e os pobres que atualmente habitam o planeta. Na época da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10, o conceito havia sido sutilmente alterado, para assegurar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental como componentes interdependentes e que se reforçam mutuamente do desenvolvimento sustentável. Saiba Mais Garantir a sustentabilidade ambiental integrando princípios de desenvolvimento sustentável na tomada de decisões nacionais foi o sétimo dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU acordados em 2000. Em 2015, eles foram substituídos por um conjunto abrangente de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que integram redução da pobreza, desenvolvimento, igualdade de gênero e metas ambientais a serem alcançadas até 2030. Desde a década de 1970, novas formas de poluição transnacional, como a chuva ácida, vêm causando preocupação, juntamente com a crescente percepção científica de que alguns problemas ambientais, como, por exemplo, a diminuição da camada de ozônio e a possibilidade de mudanças climáticas, eram verdadeiramente globais em escala. O relaxamento da tensão Leste-Oeste criou a oportunidade para uma segunda grande conferência da ONU em 1992 no Rio de Janeiro. A ECO-92, conhecida também como Cúpula da Terra ou oficialmente como Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, refletia a ideia de desenvolvimento sustentável e abordou questões fundamentais para que se possa alcançá-lo, levando em consideração a adoção da Convenção da ONU sobre a Diversidade Biológica e a Convenção da ONU de Combate à Desertificação em Países que sofrem com a seca e/ou a desertificação, particularmente na África. Foi, na época, a maior conferência internacional já realizada e elevou o perfil do meio ambiente como uma questão internacional, ao mesmo tempo em que forneceu uma plataforma para a Agenda 21 (um documento substancial emitido pela conferência), convenções internacionais sobre mudança climática e preservação da biodiversidade. As discussões mais sérias foram sobre as promessas de ajuda para financiar as melhorias ambientais em discussão. Discurso da presidenta da República na época da Rio+20, Dilma Rousseff. Em 2002, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável reuniu-se em Joanesburgo. A mudança de redação indicou como as concepções de meio ambiente e desenvolvimento mudaram desde a década de 1970. Agora, a discussão foi incorporada no reconhecimento da importância da globalização e da terrível situação do continente africano. A erradicação da pobreza foi claramente enfatizada, juntamente com o progresso prático no fornecimento de água potável, saneamento e melhorias agrícolas. Dez anos depois, a Rio+20 se reuniu no Brasil, tendo como destaque a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Apesar de atrair pouca atenção do público, resolveu estabelecerObjetivos de Desenvolvimento Sustentável para o Futuro (ODS). Embora essas conferências da ONU tenham marcado os estágios pelos quais o meio ambiente entrou na corrente ideológica e cultural da política internacional, elas também refletiram mudanças subjacentes no escopo e na percepção dos problemas ambientais. À medida que a compreensão científica se expandia, tornou-se lugar-comum, na década de 1980, falar em termos de mudança ambiental global, pela crescente percepção de que as atividades humanas podem colocar em risco o clima global. Ao lado da atual degradação ambiental e dos avanços do conhecimento científico, a política internacional do meio ambiente tem respondido ao ciclo questão-atenção nos países desenvolvidos e ao surgimento de movimentos políticos verdes. No mundo desenvolvido, a atenção do público aumentou e diminuiu, revivendo nos primeiros anos do século XXI quando o espectro da mudança climática apareceu. Mais recentemente, a atenção do público voltou-se para o rápido aumento de resíduos plásticos e microplásticos nos oceanos, com consequências terríveis para a vida selvagem marinha. Os principais bancos de dados de periódicos revelam rapidamente que a ecologia da restauração e os estudos de reabilitação são campos de pesquisa emergentes. Eles são amplamente baseados em uma síntese da teoria ecológica e dos procedimentos de gestão ambiental. A ecologia da restauração é comumente entendida como o estudo de como reparar danos antropogênicos à integridade dos sistemas ecológicos. Diante do panorama alarmante de degradação ambiental, perda de biodiversidade, o mundo tem buscado soluções de conservação, adaptação e mitigação de todos os tipos. Usando ferramentas tecnológicas inovadoras, criativas e de baixo custo, muitas comunidades estão se adaptando às mudanças climáticas, melhorando a gestão de resíduos em suas cidades, monitorando a economia ilegal de mineração, extração de madeira e caça e monitorando espécies invasoras. Seguem alguns exemplos que mostram que o panorama não é completamente cinza e que existem soluções criativas para os grandes problemas que afligem o planeta hoje. Bioacústica para monitorar áreas protegidas É frequentemente usada para monitorar áreas protegidas em todo o mundo: ela detecta sons e os analisa por meio de algoritmos em programas de computador especialmente projetados para determinar quais espécies estão presentes em uma área. No entanto, o preço de um dispositivo ainda é bem oneroso e são necessários vários para obter um registro mais completo, tornando-o inacessível para muitas comunidades. Esses dispositivos também são projetados para capturar não apenas a presença de espécies, mas também o som de tiros e serras elétricas, que são indicadores de extração ilegal de madeira e caça clandestina. Mapas de satélite contra o desmatamento pela mineração São usados para monitorar o desmatamento em áreas de alto risco. Uma vez obtidas as imagens de satélite, elas são processadas com algoritmos que criam imagens modelo que as projetam em mapas. Com esses mapas, são identificados quais pixels correspondem a florestas, quais a rios e quais as áreas de desmatamento. Essa tecnologia também permite capturar processos de desmatamento em seus estágios iniciais. Dados geoespaciais contra as mudanças climáticas São pertencentes a um cenário em que as imagens de satélite oferecem uma visão panorâmica a fim de avaliar com eficiência as condições na superfície da Terra, e os dados coletados por satélites são cada vez mais usados para rastrear o progresso. Os satélites podem coletar informações e rastrear tendências em escala local, destacando cidades ou edifícios individuais e também em regiões muito maiores. A gama de tendências ambientais e socioantropológicas que podem ser estudadas usando dados geoespaciais o tornam extremamente valioso para o planejamento de ações climáticas. A erosão do solo, o derretimento de geleiras, as mudanças nas florestas, a expansão urbana, o desenvolvimento de redes elétricas, as mudanças na agricultura e na infraestrutura de irrigação, o aumento do nível do mar e os danos aos recifes de corais podem ser detectados a partir de dados de satélite. As imagens de satélite desempenham um papel fundamental na formulação de políticas para ajudar a monitorar as mudanças nas florestas. Essas informações permitem que os atores políticos monitorem e sugiram estratégias de reflorestamento e subsistência. Drones contra espécies invasoras São elementos que mostram, por exemplo, mudanças de cor, para que a vegetação e as espécies invasoras sejam detectadas. No monitoramento por drones, a presença de uma espécie invasora pode ser distinguida em áreas protegidas. Mapeamento de florestas com lasers É uma metodologia eficaz. Segundo pesquisas, mapear florestas com laser remotamente, de forma precisa, possibilita que os efeitos da exploração madeireira sejam medidos. No entanto, ainda não é tão econômico quanto o monitoramento terrestre tradicional. O processo envolve um avião especialmente equipado sobrevoando uma área de floresta, transmitindo pulsos de luz e medindo o tempo que leva para que esses pulsos ricocheteiem na vegetação e retornem ao avião. Os custos associados ao avião e à tecnologia o tornam caro, mas se esses custos caírem, pode ser uma ferramenta de monitoramento incrivelmente útil. Aspectos legais na recuperação de áreas degradadas As primeiras leis sobre obrigatoriedade de se recuperar áreas degradadas são do começo da década de 1980, por meio da Lei Federal nº 6938/81, Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), cujo texto estabelece a recuperação da qualidade ambiental como um dos objetivos e, expressamente, a recuperação de áreas degradadas entre seus princípios. Posteriormente, o tema foi versado na Constituição Federal de 1988, especificamente para o caso da mineração. O paragrafo 2º do artigo 225 determina que aquele que explorar recursos minerais é obrigado a recuperar o ambiente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente. As leis existentes até 1988, não explicavam claramente o assunto recuperação. A regulamentação da questão constitucional foi publicada pelo Decreto Federal nº 97.632/89, que institui um prazo de 180 dias para as mineradoras existentes apresentarem um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) aos órgãos ambientais competentes. Para os investimentos futuros em mineração, a norma prevê a apresentação do PRAD juntamente com o Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), documentos exigidos pela legislação sobre procedimentos de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) estabelecida pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama 01/86). Após as promulgações das constituições federal e estadual, municípios também incorporaram aspectos de recuperação nos marcos legais, alguns dos quais incluindo o assunto em suas leis orgânicas. Possíveis formas de tratamento da exploração de recursos naturais por parte das prefeituras indicam que a questão pode ser prevista pelos instrumentos de planejamento e gestão existentes nos municípios, como o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. A Lei nº 9.605, de 1998, conhecida como a Lei de Crimes Ambientais, determina as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades prejudiciais ao ambiente. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais, os crimes ambientais são classificados em cinco tipos. Contra a fauna (arts. 29 a 37) Crime cometido por meio de agressões contra animais silvestres, nativos ou animais em rota migratória, como caça, pesca, transporte e comercialização sem autorização; maus-tratos; realização de experimentos dolorosos ou cruéis com animais quando há outro meio, independentemente do fim. Também estão incluídos os ataques aos hábitats naturais dos animais, ou seja, a introdução de espécies de animais estrangeiros para o país sem a devida autorização. Contra a flora (art. 38 a 53) Crime cometido quando se destrói ou causa dano à vegetação das Áreasde Preservação Permanente, em qualquer estágio, ou para unidades de conservação; causa incêndio florestal ou fabrica, vende, transporta ou libera balões que possam provocá-lo em qualquer área; extrai, corta, adquire, vende, expõe para fins comerciais madeira, lenha, carvão vegetal e outros produtos de origem vegetal sem a devida autorização ou em desacordo com a lei; extrai de pedras de matas de domínio público ou de preservação permanente, areia, cal ou qualquer tipo de mineral; impede ou dificulta a regeneração natural de qualquer forma de vegetação; destrói, danifica, fere ou maltrata plantas ornamentais em lugares públicos ou de propriedade privada; comercializa ou usa motosserras sem a devida autorização. Poluição e outros crimes ambientais (art. 54 a 61) Crime é considerado de dano ambiental passível de pena em casos de poluição acima dos limites estabelecidos em lei, sabendo-se que todas as atividades humanas produzem poluentes, mas até certo limite. Contra o planejamento urbano e o patrimônio cultural (art. 62 a 65) Crime de violação da ordem urbana e/ou da cultura também constitui crime ambiental. O meio ambiente é um conceito amplo, que não se limita aos elementos naturais (solo, ar, água, flora e fauna). Na verdade, o meio ambiente é a interação desses elementos naturais junto com aqueles formados pelo espaço urbano construído e alterado pelo homem e por elementos culturais que, juntos, proporcionam um desenvolvimento equilibrado da vida. Contra a administração ambiental (art. 66 a 69) Crime tipificado por meio de condutas que dificultam ou impedem o poder público de exercer sua função de supervisão e proteção do meio ambiente, se praticado por indivíduos ou por funcionários do próprio poder público. O Decreto nº 3.420, de abril de 2000 cria o Programa Nacional de Florestas (PNF) com o objetivo de promover diferentes setores, como: · Exploração sustentável de florestas nativas e reflorestadas. · Atividade de reflorestamento, principalmente em áreas rurais de pequena extensão. · Manejo de florestas permanentes, áreas florestais protegidas; assistência financeira e social aos assentamentos florestais. · Controle contra a extração ilegal de árvores; a proteção da biodiversidade e dos diferentes ecossistemas etc. A composição e competências de uma comissão de trabalho vinculada ao Ministério do Meio Ambiente está estabelecida no texto. A Lei Federal nº 11.428, de dezembro de 2006, regulamenta o uso e a proteção do bioma Mata Atlântica. Visa alcançar o desenvolvimento sustentável e a proteção da biodiversidade, saúde humana, paisagem, recursos hídricos e estabilidade social. É dada especial atenção aos seguintes princípios: · Função socioambiental da propriedade · Equidade intergeracional · Prevenção · Precaução · Poluidor-pagador A lei regula o bioma Mata Atlântica classificando a vegetação e criando um fundo de restauração, além da regulamentação (econômica) para a proteção da mata. Além disso, cria um fundo para a restauração do bioma Mata Atlântica e regulamenta incentivos econômicos para medidas de proteção florestal. Instrução Normativa nº 4, de 13 de abril de 2011, dispositivo proposto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estabelece exigências mínimas e orienta na elaboração do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). O PRAD refere-se a um conjunto de procedimentos a serem realizados com o objetivo de reparar a área degradada e estabelecer uma forma de utilização, segundo o plano predeterminado para o uso do solo, visando à obtenção de uma estabilidade ambiental e o equilíbrio nas áreas que sofreram degradação. É nesse documento que serão apresentados alguns elementos, como: informações, diagnósticos, levantamentos e estudos que permitem avaliar as alterações ou degradações ocorridas, além de definir as ações cabíveis para a recuperação da área. Os métodos de recuperação devem ser definidos de acordo com as características do local e conhecimento do impacto causado, levando em consideração suas peculiaridades e visando proteger a área de possíveis fatores que possam prejudicar a restauração da qualidade ambiental. Sendo utilizado como instrumento de gestão ambiental para atividades que demandam: · Desmatamentos · Terraplenagem · Exploração de jazidas · Exploração de empréstimos e bota-foras, · Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL) O Conama criou a Resolução nº 429, de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a metodologia de recuperação das Áreas de Preservação Permanente. A Instrução Normativa nº 5, de setembro de 2009, estabelecida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), estabelece os procedimentos metodológicos para restauração e recuperação das APPs e da Reserva Legal (RL). Lei Federal nº 12.651/12, conhecida como Novo Código Florestal, estabelece um marco regulatório para o uso da terra e a conservação ambiental de propriedades rurais, com o objetivo de proteger a vegetação nativa em áreas de preservação: a Reserva Legal (RL) e a Área de Preservação Permanente (APP) e sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Vejamos a diferença entre RL e APP! Reserva Legal (RL) São localizadas em uma propriedade com a função de proteger a vegetação. Eles garantem o uso econômico sustentável dos recursos naturais, apoiam a conservação e reabilitação de recursos ecológicos processos, promovem a conservação da diversidade biológica e proporcionam abrigo e proteção à fauna silvestre e à flora nativa. Preservação Permanente (APP) São áreas física e ecologicamente frágeis, como matas ciliares, nascentes, topos de morros, encostas de montanhas e manguezais e são caracterizados pelos importantes serviços ambientais que prestam a um nível da paisagem, como preservação dos recursos hídricos, biodiversidade, proteção, estabilidade geológica e facilitação do fluxo gênico de fauna e flora nativa. Todas as propriedades rurais devem preservar uma área de Reserva Legal e inscrevê-la no CAR. Dependendo do bioma em que a propriedade está localizada, o Novo Código Florestal estabelece os seguintes percentuais para Reserva Legal. Uso da terra Amazônia Legal Demais regiões Floresta Cerrado Floresta RL 80% 35% 20% 20% Uso produtivo 20% 65% 80% 80% A inscrição no CAR deve ser feita por meio do Sistema Rural de Cadastro Ambiental (SICAR), que faz parte do Sistema Nacional de Informação Ambiental (Sinima), administrado pelo Ministério do Meio Ambiente. Com base nas informações do CAR, o Sicar constitui um banco de dados estratégico para controlar, monitorar e combater a destruição das florestas e outras formas de vegetação nativa do país e facilitar o desenvolvimento do planejamento ambiental e econômico de propriedades rurais. Os dados fornecidos pelo CAR ajudarão a identificar déficits em relação às áreas legalmente obrigadas a serem conservadas, monitorar áreas em restauração e, em geral, contribuem para a capacidade de gestão do país. image1.jpeg image2.jpeg