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ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 1 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Enunciado No dia 15 de março de 2025, Wilson, rapaz jovem, bem-apessoado, encontrava-se em sua residência comemorando o aniversário da sua sogra, conhecida como Edilene. A festa transcorria normalmente até a chegada de seu cunhado Bento, jovem de 24 anos casado com a outra filha da Dona Edilene. Em certa altura da festa, Bento, já alterado por conta do excesso na ingestão de bebida alcoólica, começa a provocar Wilson, iniciando-se acirrada discussão. Em dado momento, Bento prometeu matar Wilson, o que fez com que este deixasse a festa e fosse para sua casa, localizada nas proximidades. Não satisfeito, após ingerir mais bebida alcoólica, Bento pega um facão e vai até a residência de Wilson, com o intuito de cumprir a promessa feita. Após nova discussão, Bento parte em direção a Wilson, com a intenção de golpeá-lo. De imediato, Wilson pegou sua arma, devidamente registrada e para cujo porte tinha autorização, e efetuou um disparo em direção a Bento, errando, no entanto, o alvo, acertando Sebastião, seu sogro, senhor de 70 anos de idade que se encontrava no local tentando apaziguar os ânimos. Apavorado, Wilson colocou o sogro no seu automóvel, levando-o até o hospital. Apesar dos esforços médicos empregados, Sebastião não resiste aos ferimentos e acaba falecendo. Diante dos fatos, foi instaurado inquérito policial, tendo a autoridade policial concluído pelo indiciamento de Wilson, responsabilizando-o pela morte de Sebastião. Após ter vista do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson, imputando-lhe a prática do crime de homicídio com a causa de aumento de pena por ter sido praticado contra pessoa maior de 60 anos, nos termos do artigo 121, § 4º, do Código Penal. Ao longo da instrução, as testemunhas arroladas afirmaram que Bento teria provocado Wilson, prometendo matá-lo, acrescentando terem visto o mesmo indo em direção a Wilson munido de um facão. Durante o seu interrogatório, Wilson admitiu o disparo que vitimou o sogro, acrescentando, no entanto, que o intuito era de atingir Bento, que estava indo em sua direção para lhe agredir com um facão. Após as manifestações derradeiras das partes, o Magistrado da Vara Criminal do Tribunal do Júri da Comarca de Flores, Estado de Campo Belo (CB) prolatou decisão pronunciando o réu como incurso no crime previsto no artigo 121, § 4º, do Código Penal. Na sua fundamentação, o Magistrado afirmou que a prova coligida ao longo da instrução não deixa margem a dúvidas acerca da responsabilidade penal do réu, razão pela qual deve ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa foi intimada da decisão no dia 27 de maio de 2026 (quarta-feira). Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na condição de advogado de Wilson, redija a peça, excluída habeas corpus, cabível à impugnação da mencionada ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 2 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. decisão, acompanhada das razões pertinentes, datando-a no último dia do prazo fatal. (Valor: 5,00) Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. Gabarito comentado O(A) examinando(a) deve elaborar, na condição de advogado de Wilson, recurso em sentido estrito, com fundamento no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal, devendo a petição de interposição ser endereçada para o Juiz da Vara Criminal do Tribunal do Júri da Comarca de Flores/CB, endereçando, ainda, as razões de recurso em sentido estrito para o Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo. Deveria o examinando apontar que a peça é tempestiva, pois apresentada dentro do prazo de 5 dias, conforme o artigo 586 do Código de Processo Penal. Na peça de interposição, deveria o examinando formular pedido de retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Preliminarmente, deve o examinando alegar a nulidade da decisão de pronúncia, por ter o juízo se aprofundado na análise da materialidade e autoria do delito, já que não se limitou a apontar a materialidade do delito e indícios suficientes de autoria, violando o disposto no artigo 413, § 1º, do Código de Processo Penal. No mérito, o examinando deveria alegar, de forma fundamentada, a incidência da legítima defesa, uma vez que o réu reagiu a uma agressão injusta da vítima, nos termos do artigo 23, inciso II, e/ou artigo 25, ambos do Código Penal, o que levaria à absolvição sumária, com base no artigo 415, IV, do Código de Processo Penal. Ainda no mérito, o examinando deveria alegar que o réu, na intenção de se defender da injusta agressão de Bento, efetuou um disparo de arma de fogo, mas por erro no uso do meio de execução ou acidente, acabou atingindo pessoa diversa, ou seja, seu sogro. Trata-se, portanto, de erro na execução, previsto no artigo 73 do Código Penal. E, no caso, devem ser consideradas as qualidades e condições da pessoa pretendida, e não as da pessoa diversa. Logo, como a pessoa pretendida era o agressor injusto, deve-se considerar a incidência da legítima defesa, causa excludente de ilicitude, ainda que tenha sido atingido pessoa diversa. Por fim, de maneira subsidiária, não reconhecida a absolvição sumária, cabe ao examinando pugnar pelo afastamento da causa de aumento de pena prevista no Art. 121, § 4º, do Código Penal, tendo em vista que, conforme expresso no enunciado, o réu pretendia se defender do agressor injusto, e, por acidente ou erro no uso ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 3 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. dos meios de execução, acabou acertando seu sogro. Logo, devem ser consideradas as condições e qualidades da pessoa pretendida, e não da pessoa diversa, razão pela qual deve ser afastada a causa de aumento de pena por ter sido praticado contra pessoa maior de 60 anos. Em conclusão, deve o examinando formular os seguintes pedidos: a) Nulidade da decisão de pronúncia, por ter o Magistrado se excedido nafundamentação, nos termos do artigo 413, § 1º, do CPP e/ou artigo 564, inciso III, alínea “f”, do CPP e/ou artigo 564, inciso IV, do CPP; b) Absolvição sumária, com base no artigo 415, inciso IV, do CPP c) Afastamento da causa de aumento de pena do art. 121, § 4º, do CP. O prazo a ser indicado tanto na peça de interposição, quanto nas razões recursais é o dia 1º/06/2026. A falta de data em qualquer uma das peças implicará, também, na perda de pontos pela estrutura, além da perda dos pontos relativos ao item “prazo”; a colocação de datas diferentes nas peças implicará na perda dos pontos relativos ao item “prazo”. Distribuição de pontos ITEM PONTUAÇÃO Petição de Interposição 0 1. Endereçamento: Juiz da Vara Criminal do Tribunal do Júri da Comarca de Flores/CB (0,10). 0,00/0,10 2. Fundamento legal para apresentação do Recurso em Sentido Estrito: artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal (0,20). 0,00/0,10/0,20 3. Tempestividade: Prazo de 5 dias na forma do Art. 586, do CPP (0,10) 0,00/0,10 4. Pedido de retratação OU efeito regressivo ou iterativo (0,30), nos termos do artigo 589 do CPP (0,10). 0,00/0,10/0,30/ 0,40 Razões de Recurso 5. Endereçamento: Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo (0,10) 0,00/0,10 6. Preliminarmente, desenvolvimento fundamentado acerca da nulidade da decisão de pronúncia (0,40), por ter o juízo se aprofundado na análise da materialidade 0,00/0,20/0,40/0,60/0,80 ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 4 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. e autoria do delito OU em face da eloquência acusatória (0,20), violando o disposto no artigo 413, § 1º, do CPP E/OU artigo 564, inciso III, alínea “f”, do CPP E/OU artigo 564, inciso IV, do CPP (0,20). 7. No mérito, sustentar a absolvição sumária (0,50), nos termos do artigo 415, IV, do CPP (0,10). 0,00/0,10/0,50/0,60 8. Desenvolvimento fundamentado acerca da legítima defesa (0,40), já que o réu reagiu a uma agressão injusta (0,30), nos termos do artigo 25 do Código Penal OU artigo 23, inciso II, do Código Penal (0,10). Por se tratar de erro na execução (0,20), consideram- se as condições e qualidades da pessoa pretendida (0,10), nos termos do artigo 73 do Código Penal OU artigo 73 c/c 20, §3º, do Código Penal (0,10). 0,00/0,10/0,20/0,30/0,40/ 0,50/0,60/0,70/0,80/0,90/ 1,00/1,10/1,20 9. Afastamento da causa de aumento de pena OU do Art. 121, § 4º, do CP (0,40), em razão do erro na execução (0,20), nos termos do artigo 73 do Código Penal (0,10). 0,00/0,10/0,20/0,30/ 0,40/0,50/0,60/0,70 Pedidos 10. Conhecimento (0,10) e provimento do recurso (0,30) 0,00/0,10/0,30/0,40 Prazo 11. Datar a peça no dia 1º de junho de 2026 (0,20). 0,00/0,20 Estrutura correta e fechamento 12. Duas petições (interposição e razões); colocação de endereçamento nas petições; aposição de local, data, assinatura, OAB (0,20). 0,00/0,20 TOTAL 5,00 AO JUÍZO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE FLORES/CB Processo nº ... WILSON, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal. O presente recurso é tempestivo, pois apresentado dentro do prazo de 5 dias, conforme artigo 586 do Código de Processo Penal. Assim, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo para o devido processamento. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 1º de junho de 2026. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE CAMPO BELO Recorrente: WILSON Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO Processo n° ... RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O Ministério Público denunciou o recorrente pela prática do crime de homicídio majorado, previsto no artigo 121, §4°, do Código Penal. Durante a instrução, testemunhas foram ouvidas, oportunidade em que afirmaram que Bento provocou e prometeu matar o réu. Interrogado, o réu admitiu o disparo que vitimou o seu sogro, porém alegou que o intuito era atingir Bento, que estava com um facão indo em sua direção para lhe agredir. Encerrada a instrução, o Juiz prolatou decisão pronunciando o réu como incurso no crime de artigo 121, § 4°, do Código Penal. A defesa foi intimada da decisão no dia 27 de maio de 2026, que caiu numa quarta-feira. II) DO DIREITO A) DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRONÚNCIA Deve ser declarada a nulidade da decisão de pronúncia. Isso porque, na decisão de pronúncia, o Magistrado afirmou que a prova produzida não deixa margem a dúvidas acerca da responsabilidade do réu. Todavia, nos termos do artigo 413, §1º do Código de Processo Penal o magistrado deveria se limitar a apontar a materialidade do fato e indícios da autoria, sendo-lhe vedado aprofundar a análise do mérito, assim como fez ao afirmar que a prova não deixa margem a dúvidas acerca da responsabilidade do réu. Assim, deve ser declarada nula a decisão de pronúncia, nos termos do artigo 413, § 1º, artigo 564, inciso III, alínea “f”, e artigo 564, inciso IV, todos do Código de Processo Penal. B) DA LEGÍTIMA DEFESA O réu foi denunciado por ter praticado o crime de homicídio com causa de aumento de pena por ter sido praticado contra pessoa maior de 60 anos. Todavia, restou demonstrado que Bento partiu em direção ao réu, munido com um facão, para lhe agredir. Wilson, usando dos meios disponíveis para se defender, qual seja uma arma de fogo, efetuou um disparo para cessar a injusta agressão, porém errando o alvo, acertando Sebastião, seu sogro. Como se trata de erro na execução, deve-se considerar as condições e qualidades da pessoa pretendida, e não as da pessoa efetivamente atingida, na forma do artigo 73 c/c 20, §3º, ambos do Código Penal. No caso, ao efetuar o disparo de arma de fogo, o réu reagiu à injusta agressão de Bento, agindo, pois, em legítima defesa, causa excludente da ilicitude, nos termos do artigo 23, inciso II, e artigo 25, ambos do Código Penal. Portanto, deve o réu ser absolvido sumariamente, com fundamento no artigo 415, inciso IV, do Código de Processo Penal. C) DO AFASTAMENTO DA CAUSA DE AUMENTO Por erro no uso dos meios de execução, atingiu Sebastião, seu sogro, enquanto buscava reagir à injusta agressão praticada por Bento. Desta forma, devem ser consideradas as qualidades e condições da pessoa pretendida, razão pela qual o réu deve responder como se tivesse atingido Bento. Assim, deve ser afastada a causa de aumento de pena por ter sido praticado contra pessoa maior de 60 anos, por erro na execução, nos termos do artigo 73 do Código Penal. III) DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a reforma da decisão de 1º grau, para o fim de que: a) Seja declarada a nulidade da decisão de pronúncia, nos termos do artigo 413,§1º, artigo 564, inciso III, “f”, e artigo 564, inciso IV, todos do Código de Processo Penal; b) Seja o réu absolvido sumariamente, com base no artigo 415, inciso IV, do Código de Processo Penal; c) Seja afastada a causa de aumento de pena por ter sido praticado contra pessoa maior de 60 anos. Nestes termos, pede deferimento. Local..., 1º de junho de 2026. Advogado... OAB... ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 9 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 1 Enunciado Tati dirigiu-se a uma loja de maquiagens e, após escolher vários produtos de beleza, que somaram a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), foi até o caixa para efetuar o pagamento, por meio de um cheque de terceira pessoa, inclusive assinando como se fosse a titular da conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de identidade. Todavia, o caixa da loja desconfiou do seu nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da assinatura perfeita, e consultou o banco sacado, constatando que aquele documento constava como furtado. Assim, Tati foi presa em flagrante naquele momento e, posteriormente, denunciada pelos crimes de estelionato tentado e falsificação de documento público, em concurso material. Após regular processamento e encerramento da instrução, o Ministério Público pugnou pela condenação nos termos da denúncia. A defesa foi intimada no dia 18 de outubro de 2024 (sexta-feira). Analise o caso narrado e, com base apenas nas informações dadas, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) Qual o meio de impugnação, diverso de habeas corpus, a defesa de Tati deverá utilizar e qual o último dia do prazo para sua apresentação? (Valor: 0,60) B) Qual tese de direito material deve ser invocada em favor de Tati para questionar a capitulação atribuída pelo Ministério Público na denúncia? (Valor: 0,65) Obs.: O(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A simples menção ao dispositivo legal não será pontuada. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 10 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. Gabarito comentado A) O examinando deve indicar a peça Alegações Finais na forma de Memoriais OU Memoriais, com fundamento no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal. Último dia do prazo 25 de outubro de 2024. B) Desenvolvimento fundamentado acerca da incidência do princípio da consunção. Em seguida, como tese principal de mérito, deveria o(a) examinando(a) defender a impossibilidade de condenação da agente pela prática de dois crimes autônomos, tendo em vista que a falsificação do cheque foi apenas um meio para a tentativa da prática do crime de estelionato, de modo que o delito previsto no artigo 297, §2º, do Código Penal deveria ser absorvido pelo delito do artigo 171 c/c 14, II, do Código Penal. Em princípio, quando um delito é praticado apenas como meio para a prática de outro delito, aquele deve ficar absorvido por este, em respeito ao princípio da consunção. Trata-se de um dos princípios que soluciona o conflito aparente de normas. Uma das elementares do crime de estelionato é exatamente a fraude, a intenção de enganar. Quando a fraude é utilizada através da falsificação de um documento cuja falsidade se exaure no estelionato, o delito autônomo de falsificação ficará absorvido pelo estelionato, pois aquele foi apenas um crime meio para a prática do mesmo e o potencial lesivo do crime meio foi exaurido. Consagrando tal entendimento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 17 do STJ, prevendo que “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”. Na hipótese apresentada, não há dúvidas de que a intenção da agente era praticar um crime de estelionato. Ademais, o falso no caso (folha de cheque com assinatura falsificada) se exaure no estelionato, não mais tendo potencialidade lesiva, de modo que o crime do artigo 297, §2º, do Código Penal deveria ser absorvido, restando apenas o crime de estelionato tentado. Distribuição de pontos ITEM PONTUAÇÃO A) O meio de impugnação cabível seria Alegações Finais na forma de Memoriais OU Memoriais (0,30), com base no artigo 403, §3º, do CPP (0,10). Último dia do prazo: 25/10/2024 (0,20). 0/0,20/ 0,30/0,40/0,50/ 0,60 B) Desenvolvimento fundamentado acerca da incidência do princípio da consunção (0,20), devendo haver a absorção do crime de falsificação de documento pelo de 0/0,15/0,20/0,30/ 0,35/0,40/0,45/0,55/ ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 11 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. estelionato tentado (0,20), já que a falsificação do cheque foi meio para a prática do estelionato tentado (0,15), conforme Súmula 17 do STJ (0,10). 0,65 Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 12 A) A peça cabível é memoriais, com base no artigo 403, §3º, do Código de Processo Penal. O último dia do prazo seria 25/10/2024. B) A tese de direito material no caso seria sobre a impossibilidade da imputação de dois crimes autônomos a acusada, pois há a incidência do Princípio da Consunção, sendo que a falsificação do cheque foi o meio para a prática da tentativa do crime de estelionato, conforme dispõe a Súmula 17 do Superior Tribunal de Justiça. Logo, deve haver a absorção do crime de falsificação de documento pelo de estelionato tentado. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 13 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 2 Enunciado Ricardo foi denunciado pela prática, em tese, do crimede tráfico de drogas e, após regular tramitação do processo, condenado como incurso no Art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, à pena de 6 (seis) anos de reclusão, em regime inicial fechado. Após cumprir quatro anos e 1 mês de pena, superior, portanto, a 2/3 da pena, postulou, perante o juízo da Execução Penal, o benefício do livramento condicional. O Juiz, ao analisar o pedido, verifica que Ricardo possuía outra condenação anterior, já transitada em julgado, pelo crime de furto simples, indeferindo o pedido, em razão da reincidência. Irresignado com a decisão, Ricardo, por meio da sua família, entrou em contato com você, para, na condição de advogado(a), adotasse as providências necessárias. Diante do fato hipotético, responda aos itens a seguir: A) Qual recurso cabível contra a decisão do Magistrado e qual o prazo para interposição? Justifique. (Valor: 0,60) B) Qual argumento poderá ser adotado para combater a decisão do Magistrado? Justifique. (Valor: 0,65) Obs.: O(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 14 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. Gabarito comentado A) O recurso cabível contra a decisão do Magistrado seria o agravo em execução, com base no artigo 197 da LEP, devendo ser interposto no prazo de 5 dias, nos termos da Súmula 700 do STF. B) O argumento que poderá ser adotado para combater a decisão do Magistrado seria o cabimento do livramento condicional, já que Ricardo não é reincidente específico em crime de natureza hedionda, não incidindo a vedação prevista no artigo 83, V, parte final, do Código Penal OU conforme previsto no artigo 44, parágrafo único, da Lei nº 11.343/2006. Isso porque Ricardo registra condenação anterior pelo crime de furto simples, que não possui natureza hedionda, teria direito ao livramento condicional. Distribuição de pontos ITEM PONTUAÇÃO A) O recurso cabível contra a decisão do Magistrado seria o agravo em execução (0,25), com base no artigo 197 da LEP (0,10), devendo ser interposto no prazo de 5 dias (0,15), nos termos da Súmula 700 do STF (0,10). 0,00/0,10/0,15/0,20/ 0,25/0,35/0,40/0,45/ 0,50/0,60 B) O argumento que poderá ser adotado para combater a decisão do Magistrado seria o cabimento do livramento condicional, já que Ricardo não é reincidente específico em crime de natureza hedionda (0,55), não incidindo a vedação prevista no artigo 83, V, parte final, do Código Penal OU conforme previsto no artigo 44, parágrafo único, da Lei nº 11.343/2006 (0,10). 0,00/0,10/0,55/0,65 Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 15 A) O recurso cabível seria o agravo em execução, com base no artigo 197 da Lei 7.210/84, devendo ser interposto no prazo de 05 dias, nos termos da Súmula 700 do Supremo Tribunal Federal. B) O argumento que deve ser adotado pela defesa de Ricardo consiste na alegação de que a existência de condenação anterior não impede a concessão do benefício de livramento condicional, uma vez que a condenação anterior é pelo delito de furto, não sendo, desta forma, reincidente específico em crimes hediondos, portanto, não deve incidir a vedação do artigo 83, V, parte final, do Código Penal OU conforme previsto no artigo 44, parágrafo único, da Lei nº 11.343/2006. . ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 16 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 3 Enunciado Charlote foi presa em flagrante pela prática do furto qualificado pelo rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP). Na audiência de custódia, o Magistrado, acolhendo requerimento do Ministério Público, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, indeferindo o pedido de prisão domiciliar, já que registrava contra si outros delitos de furto, conforme a folha de antecedentes criminais. Inconformados, os familiares de Charlote contratam os seus serviços de advocacia para elaboração de um habeas corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado, objetivando a soltura de Charlote. No momento, informaram que já havia sido realizado um pedido de revogação da prisão preventiva e, alternativamente, substituição por prisão domiciliar, ao Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Alegre/RS, que manteve a segregação cautelar, para garantia da ordem pública, diante das anotações na folha de antecedentes criminais, mesmo diante da comprovação de que Charlote possui um filho com 6 anos de idade, sendo a única pessoa que cuidava da criança. Impetrado o habeas corpus, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, por maioria, denegou a ordem de habeas corpus, mantendo a prisão preventiva de Charlote, pelos mesmos fundamentos expostos pelo juiz de 1º grau. Diante dos fatos, responda aos itens a seguir. A) Qual o recurso cabível do acórdão do Tribunal de Justiça? Indique a base legal. (Valor: 0,60) B) Qual argumento poderá ser utilizado para a concessão da prisão domiciliar de Charlote? Justifique. (Valor: 0,65) Obs.: O(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A simples menção ao dispositivo legal não será pontuada. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 17 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada pela Fundação Getúlio Vargas. Gabarito comentado A) O recurso cabível será o Recurso Ordinário Constitucional, nos termos do artigo 105, inciso II, alínea “a”, da Constituição Federal/88 E/OU artigo 30 da Lei nº 8.038/90. B) A defesa deverá sustentar que seria possível a prisão domiciliar, já que Charlote é mãe de uma criança de 6 anos de idade, bem como que o crime cometido não foi com violência ou grave ameaça, nem contra seu filho ou dependente, nos termos do artigo 318, inciso V, OU 318-A, ambos do Código de Processo Penal. Distribuição de pontos ITEM PONTUAÇÃO A) O recurso cabível será o Recurso Ordinário Constitucional (0,50), nos termos do artigo 105, inciso II, alínea “a”, da CF/88 E/OU artigo 30 da Lei nº 8.038/90 (0,10). 0,00/0,10/0,50/ 0,60 B) A defesa deverá sustentar que seria possível a prisão domiciliar, uma vezque Charlote é mãe de uma criança de 6 anos de idade e o crime cometido não foi com violência ou grave ameaça, nem contra seu filho ou dependente OU uma vez que Charlote é mãe de uma criança de até 12 anos incompletos (0,55), nos termos do artigo 318, inciso V E/OU 318-A, ambos do CPP (0,10). 0,00/0,10/0,55/ 0,65 A) O recurso cabível é o Recurso Ordinário Constitucional, com base no artigo 105, inciso II, alínea “a”, da Constituição Federal OU artigo 30 da Lei 8.038/90. B) O argumento que poderá ser apresentado para a concessão da prisão domiciliar é que Charlote é mãe de uma criança de 6 anos de idade e, além disso, o crime cometido não foi com violência ou grave ameaça, nem contra seu filho ou dependente, nos termos do artigo 318, inciso V OU artigo 318-A, ambos do Código de Processo Penal. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 19 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada. PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 4 Enunciado Mariana é médica pediatra e trabalha no hospital municipal em regime de plantão. De acordo com a escala de trabalho divulgada no início do mês, Mariana seria a única médica pediatra com obrigação de trabalhar no plantão que se iniciava no dia 5 de janeiro, às 20h e findava no dia 6 de janeiro, às 20h. Na manhã do dia 6 de janeiro, Luizinho da Silva, criança de apenas 6 anos, é levado ao hospital por parentes precisando de socorro médico imediato. Embora houvesse enfermeiros no local, nenhum reunia conhecimentos técnicos suficientes para socorrer a criança, já que não eram especialistas nem poderiam realizar o procedimento adequado, razão pela qual aconselharam os familiares a aguardarem a médica plantonista. Todavia, nesse momento Mariana estava realizando procedimento cirúrgico de emergência em outra criança que chegou ao hospital em estado grave. Luizinho da Silva morre de meningite cerca de uma hora depois, no interior do hospital, sem ter sido atendido. Considerando que Mariana tinha o dever legal de evitar o resultado, o Ministério Público ofereceu denúncia contra a médica, imputando-lhe a prática de homicídio culposo (Art. 121, § 3º, do Código Penal), sendo a ré citada. Após apresentação da resposta à acusação, foi realizada audiência de instrução, passando o Magistrado a proceder ao interrogatório da ré, mesmo com o inconformismo da defesa, sob o fundamento de economia e celeridade processual, já que as testemunhas da acusação não compareceram. Considerando apenas as informações narradas, responda, na condição de advogado(a) de Mariana, aos itens a seguir. A) Existe argumento de direito processual para questionar o interrogatório realizado durante a audiência de instrução? (Valor: 0,60) B) Existe argumento de direito material a ser apresentado em memoriais para buscar a absolvição da ré? (Valor: 0,65) Obs.: O(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 20 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada. Gabarito comentado A) O argumento de direito processual seria no sentido da nulidade do processo a partir da audiência de instrução. Isso porque, apesar da inconformidade da defesa, o magistrado inverteu a ordem de inquirição prevista no Art. 531 do Código de Processo Penal, quando passou a interrogar a ré antes das testemunhas. Logo, deve ser declarada a nulidade do processo a partir da audiência de instrução, porque houve violação do princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no Art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal/88, bem como com base no Art. 564, inciso IV, do Código de Processo Penal. B) Sim, o candidato deveria arguir que, embora tivesse o dever de agir, Mariana, na ocasião, não podia agir para evitar o resultado, já que estava realizando procedimento cirúrgico em outra criança em estado grave. O artigo 13, parágrafo 2º, do Código Penal, exige que o omitente, além do dever de agir, tenha a possibilidade de agir para evitar o resultado. Essa possibilidade (podia agir) deve ser encarada sob o ponto de vista físico. A impossibilidade física de agir afasta a possibilidade de responsabilização criminal do garantidor, ainda que, em tese, tivesse o dever de agir, devendo, por isso, ser absolvida, com base no artigo 386, III, do CPP, já que não desenvolveu conduta omissiva causadora do resultado, não havendo, portanto, presença do elemento do fato típico, OU art. 386, V, do CPP, porque restou provado que não concorreu para a infração penal. Distribuição de pontos ITEM PONTUAÇÃO A) O argumento de direito processual seria no sentido da nulidade do processo a partir da audiência de instrução (0,30), pois houve inversão na ordem de oitiva das pessoas indicadas OU que o interrogatório não poderia ter sido realizado antes da oitiva das testemunhas (0,10), havendo violação ao devido processo legal OU violação à ampla defesa OU violação ao contraditório (0,10), conforme o Art. 564, inciso IV, do CPP OU Art. 531 do CPP (0,10). 0,00/0,10/0,20/ 0,30/0,40/0,50/ 0,60 B) O argumento de direito material seria que Mariana, na ocasião, não podia agir para evitar o resultado (0,40), não havendo omissão relevante para o resultado OU ficando comprovado que ela não concorreu para a infração penal (0,15), nos termos do artigo 0/0,10/0,15/ 0,25/0,40/0,50/ 0,55/0,65 ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 46º EXAME DE ORDEM UNIFICADO SIMULADO 05 PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Padrão de Resposta Simulado Prova Prático-Profissional –Exame de Ordem Unificado -Prof. Nidal Ahmad Página 21 ÁREA: DIREITO PENAL “O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta, podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.” “Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.” **Esse documento é uma simulação que usa os mesmos padrões da prova prático-profissional aplicada. 13, § 2º, do CP (0,10). A) O argumento de direito processual para questionar o interrogatório realizado durante a audiência de instrução é de que houve nulidade em razão da inversão da ordem de inquirição, na medida em que o magistrado procedeu primeiro o interrogatório da ré, não observando as regras previstas no artigo 531 do Código de Processo Penal. Logo, deve ser declarada a nulidade do processo a partir da audiência de instrução, porque violado o princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal e artigo 564, inciso IV, do Código de Processo Penal. B) O argumento de direito material a ser apresentado em memoriais para buscar a absolvição da ré é no sentido de que Mariana estava realizando procedimento cirúrgico de emergênciaem outra criança que chegou em estado grave. Logo, embora Mariana tivesse o dever de agir, não podia, naquele momento, agir para evitar o resultado, já que estava realizando procedimento cirúrgico em outra criança. Assim, considerando que não houve omissão relevante para o resultado OU que ficou comprovado que Mariana não concorreu para a infração penal, deve ser absolvida, sem responsabilização criminal, em face do disposto no artigo 13, § 2º, do Código Penal.