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Talia Silva

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TÍTULO IX 
DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA 
 
 Código Penal, arts. 286 a 288 – Crimes contra a paz pública: afetam a sensação de 
tranquilidade, segurança, paz e confiança na normalidade da ordem jurídico-social. 
 Tipificação de condutas que afetam o sentimento de tranquilidade, que causem alarme social. 
 Atuação do legislador – preventiva – Artigo 31 do Código Penal (exige ao menos a forma 
tentada da conduta para punição – salvo disposição expressa em contrário). Essas figuras penais são 
exceção à regra do artigo 31 porque o legislador se antecipa e já tipifica atos de natureza meramente 
preparatórios que, em regra, são impuníveis. 
Incitação ao Crime 
Art. 286. Incitar, publicamente, a prática de crime: 
Pena- detenção de 3 a 6 meses, ou multa. 
Objetividade jurídica: a paz pública. O legislador antecipa-se a pratica criminosa e já tipifica a conduta 
que estimula essa prática. 
Ação nuclear: “incitar” = provocar, instigar. Pode ser praticada por palavras, gestos, escritos. Incitação 
à contravenção Penal – não contida no tipo. 
Voltada a fato futuro 
ATENÇÃO: O tipo penal exige que a incitação seja relativa a pratica de crime determinado. Não se 
caracteriza, assim, a incitação genérica. 
• PUBLICAMENTE: elemento normativo do tipo (ausência no caso resulta na atipicidade absoluta 
da conduta) deve alcançar numero indeterminado de pessoas. Assim, interior da residência 
familiar não caracteriza, mesmo que nela estejam várias pessoas. 
Sujeito ativo: qualquer pessoa 
Sujeito passivo: coletividade 
Elemento subjetivo: dolo 
Consumação/Tentativa: quando a prática da incitação é percebida por um número indeterminado de 
pessoas (não configura por isso, se feita no interior de uma festa de famíla). Crime formal, pois 
dispensa a efetiva prática do ato incitado. Caso seja praticado o ato objeto da incitação poderá haver 
responsabilização como partícipe. Forma verbal : não admite tentativa (porque se trata de forma 
unissubsistente) não confundir com crime unissubjetivo. 
Confronto: artigo 122 CP focada no indivíduo, pessoa determinada, específica e não coletividade; trata 
de crime contra a pessoa e não contra a paz pública; trata de material (exige resultado naturalístico, 
qual seja lesão corporal grave ou morte de efetiva conduta da vítima em atentar contra a própria vida 
Ação penal: pública incondicionada. 
 
Apologia de crime ou Criminoso. 
Art. 287 – Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: 
Pena – detenção, de 3(três) a 6(seis) meses, ou multa. 
Objetividade jurídica: Paz pública 
Ação nuclear: centrada no verbo “fazer” apologia = enaltecer, elogiar o fato criminoso ou seu autor 
dolosamente, ou seja, sem outro tipo de animus, ex jocandi. 
É considerada uma espécie de incitação indireta, ao contrário do artigo anterior (incitação ao crime), 
que é direta, explicita (determinado). 
O agente, por meio de elogios, públicos, estimula a prática de crimes. 
Exige que se refira a ocorrência pretérita, ou seja, não se aplica a fatos futuros (diversamente do artigo 
286) 
Meio executivo: forma livre 
ATENÇÃO! Meros atos de defesa não caracterizam o crime. 
Sujeito ativo: qualquer pessoa 
Sujeito passivo: a coletividade 
Elemento subjetivo: dolo (daí porque atos de defesa não configuram o crime) 
Ação penal: pública incondicionada 
Pessoa que produz obra literária ou musical poderá, em tese, responder criminalmente por incitação 
ou apologia ao crime se ultrapassar o limite da criação artística, evidenciando intenção intenção de 
estimular diretamente ou elogiar publicamente delitos reais e determinados. Atençao porque o ato 
depende da análise do respeito à liberdade de expressão artística garantida pela CF/88 (lembrar 
também que os direitos fundamentais não são absolutos) 
 Associação Criminosa (antigo crime de quadrilha ou bando) 
 Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer 
crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) 
 Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 
2013) (Vigência) 
 §1° - A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a 
participação de criança ou adolescente. (Incluído dada pela Lei nº 15.245, de 2025) 
 §2° - Incorre na pena prevista no caput deste artigo quem, de qualquer modo, 
solicitar ouu contratar o cometimento de crime a integrante de associação criminosa, 
independentemente da aplicação da pena correspondente ao crime solicitado ou contratado. 
(Incluído dada pela Lei nº 15.245, de 2025) 
Constituição de milícia privada (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) 
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, 
milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes 
previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) 
 
“Caput” 
Ação nuclear: centrada no verbo “associar” = reunir, aliar (não se confunde com o concurso de 
pessoas) 
Requisitos: 
a)Estabilidade da associação: sentido de permanência, sem prazo determinado ou para praticar uma 
ou algumas infrações específicas) pois ao contrário será concurso de agentes; 
b)Número mínimo de pessoas : três ou mais. Atenção: 
- nesse numero computa-se menores, inimputáveis e pessoas não identificadas. 
- não é necessário que os componentes se conheçam 
- não é necessário que um ou todos os integrantes efetivamente cheguem a praticar crimes. 
(Se apenas alguns integrantes da associação praticarem crimes: os que praticaram respondem por 
este(s) em concurso material com o artigo 288. Os que não praticarem só respondem pelo art. 288.) 
c) objetivo de praticar crimes: reunião para a prática de crimes de forma indeterminada e não 
para um ou alguns crimes específicos, quando, então, haverá concurso de pessoas. 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa – crime plurissubjetivo concurso necessário 
- Sujeito passivo: coletividade 
- Elemento subjetivo: dolo 
- Consumação/tentativa: consuma-se quando a associação é formada (quando fica evidente o sentido 
de permanência), independentemente da pratica ou não, efetivamente, de qualquer crime. Crime 
permanente. Não admite tentativa,pois já são punidos meros atos preparatórios. 
Aumento de pena: se é armada ou contar com a participação de criança e adolescente. Arma: própria 
ou imprópria. Para que incida o aumento não exige uso efetivo (basta a posse). Incide ainda que um 
único integrante seja armado. 
 
 
Constituição de Milícia Privada 
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, 
milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes 
previstos neste Código ? quantos 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. 
 
Texto incluído pela Lei 12.720 de 27 de setembro de 2010. 
Busca incriminar, criando nova tipificação, as condutas de grupos de milícias privadas e grupos de 
extermínio. Objetividade Jurídica = Paz Pública. 
A mesma lei também acrescentou o §6º ao crime de homicídio e o §7º ao crime de lesão corporal 
(art. 129 - aumento de 1/3). 
Exige que os crimes sejam aqueles previstos no Código Penal, o que exclui tipificações de outros 
diplomas legais. 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa - quanto ao número mínimo de integrantes. Não há indicação no 
artigo de quantas pessoas são necessárias para caracterizar esse crime. Ocorre que a figura anterior 
(associação criminosa), menos grave, exige mínimo de 3, então conclui a doutrina (Bitencourt) que 
se o crime menos grave exige 3 pessoas, o mais grave não pode ser inferior a esse número de 
membros. 
- Sujeito passivo: a coletividade 
Atenção!!! Não confundir essa constituição de milícia com o concurso eventual Aqui, também,não se 
trata de concurso de agentes!!! 
- Classifica-se como crime plurissubjetivo (concurso necessário) e também de ação múltipla o 
conteúdo variado. 
- Ações nucleares: a) constituir = criar, estruturar; b) organizar = estabelecer uma dinâmica 
funcional; c) integrar = fazer parte, ser membro; d) manter ou custear = arcar com gastos, total ou 
parcialmente bem como com auxilio moral, fornecimento de armas, munições, etc. 
- Crítica: a lei não define o que é “organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão”, o 
que estaria, em tese, violando a taxatividade e criando dificuldade em estabelecer o exato 
conteúdo, ficando a cargo da doutrina e jurisprudência essa tarefa. 
Mas, pode-se entender: 
 
a) Organização paramilitar é uma associação civil armada (constituída por civil e ate militares 
atuando fora dessa área), que atua de forma violenta, ilegal e clandestina, como se pertencesse à 
força militar. 
b) Milícia particular: é o grupo de pessoas (civis ou militares) que sob o pretexto de garantir 
segurança e ordem para o comercio, (se impõe) provocam violação a direitos, inclusive os do 
Estado, e explora a população. Cadê o Estado????? 
 
c) Grupo: são na verdade grupos de extermínio a partir da interpretação sistemática com o artigo 
121, já mencionado. (porque eliminam a vida humana) 
 
d) Esquadrão: é praticamente o mesmo que grupo (“esquadrão da morte”), é a reunião de 
matadores ou justiceiros 
 
- Elemento subjetivo = dolo, acrescido do fim especial de agir (elemento subjetivo do tipo) 
- Consumação e tentativa – com a constituição da milícia privada, sendo irrelevante a prática de 
qualquer crime para sua consumação. Não admite tentativa por se tratar de punição a meros atos 
preparatórios (exceção, conforme já estudado acima – artigo 31 CP)

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