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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
FARMÁCIA EAD
O PAPEL DAS FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS NO RASTREAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DAS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS
FORMOSA - GOIÁS
2026
1 INTRODUÇÃO
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) representam um importante desafio para a saúde pública, devido à sua longa duração, à complexidade dos fatores associados ao seu desenvolvimento e às consequências para a qualidade de vida da população. Entre as principais DCNT estão as doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus, as doenças respiratórias crônicas e as neoplasias. Fatores como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo prejudicial de álcool contribuem para o aumento do risco dessas doenças.
Nesse cenário, o rastreamento e a identificação precoce dos fatores de risco são importantes para orientar ações de prevenção, encaminhamento e acompanhamento em saúde. A vigilância epidemiológica das DCNT permite conhecer a distribuição dessas condições e subsidiar o planejamento de políticas e estratégias de prevenção. No Brasil, o Ministério da Saúde utiliza diferentes fontes de informação, como o Vigitel e a Pesquisa Nacional de Saúde, para monitorar fatores de risco e proteção relacionados às doenças crônicas.
As farmácias comunitárias, por estarem próximas da população e integrarem o cotidiano de muitos usuários, apresentam potencial para colaborar com as ações de promoção da saúde. A atuação do farmacêutico pode envolver orientações sobre hábitos saudáveis, aferição da pressão arterial, avaliação de parâmetros de saúde, identificação de fatores de risco e encaminhamento dos usuários para avaliação clínica quando necessário. A Lei nº 13.021/2014 reconhece a farmácia como estabelecimento de saúde, e os serviços clínicos farmacêuticos podem contribuir para a prevenção e o acompanhamento de condições crônicas.
Dessa forma, este projeto propõe investigar o papel das farmácias comunitárias no rastreamento epidemiológico das DCNT, considerando sua contribuição para a identificação de fatores de risco, a educação em saúde e a articulação com os demais serviços da rede de atenção. Ressalta-se que o rastreamento não equivale ao diagnóstico definitivo, devendo ser realizado por profissionais habilitados, com procedimentos adequados e encaminhamento dos casos que necessitem de avaliação clínica.
2 REVISÃO DE LITERATURA (REFERENCIAIS TEÓRICOS)
2.1 Doenças crônicas não transmissíveis e vigilância epidemiológica
As DCNT compreendem condições de longa duração, geralmente associadas à interação de fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e comportamentais. Além de produzirem impactos individuais, essas doenças geram demandas contínuas para os serviços de saúde e podem resultar em complicações que comprometem a autonomia e a qualidade de vida. Por isso, a prevenção, a detecção precoce e o acompanhamento contínuo são componentes fundamentais das estratégias de enfrentamento dessas condições.
A vigilância epidemiológica das DCNT busca acompanhar a ocorrência, a distribuição e as tendências dessas doenças e de seus fatores de risco. Os dados obtidos auxiliam a identificação de necessidades sanitárias e o planejamento de políticas públicas. Nesse contexto, informações provenientes de serviços de saúde comunitários podem complementar as ações de prevenção, desde que coletadas de forma sistemática, com critérios definidos e respeito à privacidade dos usuários.
2.2 Farmácias comunitárias como espaços de promoção da saúde
A farmácia comunitária pode atuar como um espaço de acesso à orientação em saúde, para além da dispensação de medicamentos. A proximidade com a população favorece oportunidades de educação em saúde, acompanhamento farmacoterapêutico, avaliação de parâmetros clínicos e orientação sobre o uso racional de medicamentos. A Lei nº 13.021/2014 reconhece as farmácias como estabelecimentos de saúde e reforça a importância da assistência farmacêutica.
O farmacêutico pode contribuir para a identificação de usuários com possíveis fatores de risco, orientar sobre a necessidade de avaliação profissional e estimular a continuidade do cuidado. A realização de serviços clínicos deve observar as competências profissionais, as normas sanitárias, os protocolos aplicáveis e as condições adequadas de atendimento.
2.3 Rastreamento de fatores de risco para as DCNT
O rastreamento em saúde consiste na aplicação de procedimentos, medidas ou instrumentos apropriados para identificar pessoas que podem apresentar risco aumentado ou uma condição que necessita de avaliação complementar. Nas farmácias comunitárias, ações possíveis incluem aferição da pressão arterial, avaliação de peso e altura, cálculo do índice de massa corporal e, quando houver estrutura e habilitação necessárias, realização de testes de glicemia e aplicação de instrumentos validados de avaliação de risco.
Os resultados do rastreamento precisam ser interpretados com cautela. Uma medida alterada não confirma, isoladamente, o diagnóstico de hipertensão ou diabetes. É necessário orientar o usuário e encaminhá-lo para avaliação clínica conforme os resultados, os sintomas e os protocolos pertinentes. Dessa maneira, o rastreamento pode funcionar como uma porta de entrada para o cuidado, contribuindo para a identificação de necessidades que poderiam permanecer desconhecidas.
2.4 O papel do farmacêutico na prevenção e no acompanhamento
A atuação farmacêutica inclui educação em saúde, orientação sobre o uso correto dos medicamentos, identificação de possíveis problemas relacionados à farmacoterapia e incentivo à adesão ao tratamento prescrito. Essas ações podem ser relevantes para pessoas com hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas, que frequentemente necessitam de acompanhamento prolongado e de mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Experiências publicadas pelo Conselho Federal de Farmácia relatam a implantação de serviços de acompanhamento farmacoterapêutico para pessoas com diabetes e hipertensão, destacando a importância da identificação de problemas relacionados aos medicamentos e da continuidade do cuidado.
Assim, a integração entre farmácias comunitárias, unidades básicas de saúde e outros serviços pode favorecer o encaminhamento oportuno e a continuidade da assistência. Para que isso aconteça, são importantes protocolos de atendimento, registros padronizados, capacitação profissional e fluxos de comunicação que respeitem a confidencialidade das informações.
3 JUSTIFICATIVA
A escolha do tema justifica-se pela necessidade de fortalecer as estratégias de prevenção e identificação precoce das doenças crônicas não transmissíveis, que representam um desafio permanente para os serviços de saúde. Muitas pessoas apresentam fatores de risco sem conhecer sua condição ou sem realizar acompanhamento periódico, o que reforça a importância de ampliar as oportunidades de orientação e encaminhamento.
As farmácias comunitárias podem contribuir para esse processo por meio da proximidade com a população e da oferta de serviços farmacêuticos. O farmacêutico, ao identificar fatores de risco, orientar os usuários e encaminhá-los para avaliação clínica, pode colaborar com as ações de promoção da saúde e prevenção de complicações.
Do ponto de vista acadêmico, a pesquisa poderá ampliar a compreensão sobre as possibilidades e limitações do rastreamento realizado nas farmácias comunitárias, além de identificar desafios relacionados à capacitação profissional, à estrutura dos estabelecimentos, ao registro de informações e à integração com a rede pública de saúde. Os resultados poderão contribuir para a discussão de estratégias que fortaleçam a atuação farmacêutica na prevenção das DCNT.
4 OBJETIVOS
4.1 Objetivo geral
Analisar o papel das farmácias comunitárias no rastreamento epidemiológico das doenças crônicas não transmissíveis, considerando sua contribuição para a identificação de fatores de risco, a prevenção de agravos e o encaminhamento dos usuários aos serviços de saúde.
4.2 Objetivos específicos
· Identificar as principais açõesde rastreamento de fatores de risco para DCNT realizadas nas farmácias comunitárias.
· Investigar a participação do farmacêutico nas atividades de prevenção, educação em saúde e acompanhamento de pessoas com doenças crônicas.
· Verificar quais parâmetros de saúde são avaliados e como os resultados são registrados e utilizados.
· Identificar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais na realização do rastreamento e no encaminhamento dos usuários.
· Analisar a articulação entre as farmácias comunitárias e os demais serviços da rede de atenção à saúde.
· Propor estratégias para fortalecer o rastreamento, a educação em saúde e a prevenção das DCNT nesses estabelecimentos.
5 METODOLOGIA
5.1 Tipo de pesquisa
Será realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, por meio de revisão bibliográfica e pesquisa de campo. A combinação das abordagens permitirá compreender as experiências dos profissionais e, quando houver registros disponíveis, descrever as principais ações de rastreamento realizadas nas farmácias comunitárias.
A revisão bibliográfica contemplará livros, artigos científicos, documentos oficiais e publicações de instituições como o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde e o Conselho Federal de Farmácia. A pesquisa de campo deverá ocorrer em farmácias comunitárias selecionadas após autorização dos responsáveis pelos estabelecimentos.
5.2 Sujeitos da pesquisa
Os participantes poderão incluir farmacêuticos que atuam em farmácias comunitárias e usuários adultos que utilizam os serviços farmacêuticos relacionados à prevenção ou ao acompanhamento de doenças crônicas. A quantidade de participantes será definida conforme a disponibilidade dos estabelecimentos, o tempo de execução e os critérios estabelecidos no projeto. Os farmacêuticos deverão estar em exercício profissional nos locais selecionados, enquanto os usuários deverão atender aos critérios de participação definidos e aceitar voluntariamente participar da pesquisa.
5.3 Coleta de dados
A coleta de dados poderá ser realizada por meio de questionários aos farmacêuticos, entrevistas semiestruturadas, consulta a registros autorizados e anonimizados quando disponíveis, e revisão bibliográfica e documental. Os instrumentos buscarão identificar os serviços de rastreamento oferecidos, os parâmetros avaliados, os procedimentos de registro, os encaminhamentos realizados, as dificuldades dos profissionais e as possibilidades de melhoria.
Os instrumentos deverão ser elaborados previamente e testados, quando possível, para verificar a clareza das perguntas. A participação será voluntária, com garantia de confidencialidade.
5.4 Análise dos dados
Os dados quantitativos serão organizados em planilhas e apresentados por meio de frequências absolutas e relativas, tabelas e gráficos descritivos. Poderão ser analisados indicadores como quantidade de serviços de rastreamento relatados, parâmetros avaliados e frequência de encaminhamentos, conforme os dados efetivamente obtidos.
Os dados qualitativos, provenientes das entrevistas, serão examinados por análise temática, com identificação de categorias relacionadas à atuação do farmacêutico, às práticas de rastreamento, às dificuldades operacionais, à educação em saúde e à integração com os serviços de saúde. Por fim, os resultados serão comparados com a literatura e os documentos oficiais consultados, buscando identificar convergências, limitações e oportunidades de aprimoramento.
5.5 Aspectos éticos
Caso a pesquisa envolva entrevistas, questionários ou coleta de informações de participantes, serão observadas as normas éticas aplicáveis às pesquisas com seres humanos, incluindo a avaliação pelo sistema CEP/CONEP quando exigida. A coleta deverá ocorrer somente após as autorizações necessárias, com consentimento dos participantes, proteção dos dados e divulgação dos resultados de forma agrupada. O projeto não pretende estabelecer diagnósticos clínicos por meio da pesquisa. Os procedimentos de rastreamento realizados nos estabelecimentos deverão respeitar as atribuições profissionais e os protocolos pertinentes.
6 CRONOGRAMA
O cronograma abaixo apresenta uma proposta de execução em seis meses.
	Etapas
	Mês 1
	Mês 2
	Mês 3
	Mês 4
	Mês 5
	Mês 6
	Levantamento bibliográfico
	X
	X
	
	
	
	
	Elaboração do projeto e dos instrumentos
	X
	X
	
	
	
	
	Autorizações e procedimentos éticos, quando necessários
	
	X
	X
	
	
	
	Coleta de dados
	
	
	X
	X
	
	
	Organização e análise dos dados
	
	
	
	X
	X
	
	Redação e revisão do trabalho
	
	
	
	
	X
	X
	Entrega e apresentação
	
	
	
	
	
	X
7 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Brasília, DF: Presidência da República, 2014. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13021.htm. Acesso em: 11 out. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel: Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/inqueritos-de-saude/vigitel. Acesso em: 11 out. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de doenças crônicas não transmissíveis. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/vigilancia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/vigilancia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/. Acesso em: 11 out. 2026.
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (Brasil). Rastreamento de casos suspeitos de diabetes mellitus. Brasília, DF: CFF, [s. d.]. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/RASTREAMENTO%20%281%29.pdf. Acesso em: 11 out. 2026.
PINHEIRO, Rosinete Iunes; OLIVEIRA, Annie Elisandra Mesquita de; SILVA, Márcia Moraes Paulino da. Implantação do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes diabéticos e hipertensos. Experiências Exitosas de Farmacêuticos no SUS, v. 6, n. 6, p. 92–97, 2019. Disponível em: https://revistas.cff.org.br/experienciasexitosas/article/view/2673. Acesso em: 11 out. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Noncommunicable diseases. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases. Acesso em: 11 out. 2026.

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