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SUCESSÃO DO CÔNJUGE E DO CONVIVENTE por Edenilza Gobbo 1 Art. 1.829, III Código Civil Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares; II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; III - ao cônjuge sobrevivente; 2 LEMBRANDO que STF declarou inscontitucionalidade art. 1.790 CC (TEMA 809) STJ analisou os efeitos (RESP 1.904.374 - DF) 6- Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 1.790 do CC/2002 (tema 809), o Supremo Tribunal Federal modulou temporalmente a aplicação da tese para apenas "os processos judiciais em que ainda não tenha havido trânsito em julgado da sentença de partilha", de modo a tutelar a confiança e a conferir previsibilidade às relações finalizadas sob as regras antigas (ou seja, às ações de inventário concluídas nas quais foi aplicado o art. 1.790 do CC/2002). 7- Aplica-se a tese fixada no tema 809/STF às ações de inventário em que ainda não foi proferida a sentença de partilha, ainda que tenha havido, no curso do processo, a prolação de decisão que, aplicando o art. 1.790 do CC/2002, excluiu herdeiro da sucessão e a que ela deverá retornar após a declaração de inconstitucionalidade e a consequente aplicação do art. 1.829 do CC/2002. 3 Herdeiro necessário? 1.845 CC Descendentes Filhos, netos, bisnetos Ascendentes Pais, avós, bisavós Cônjuge Parceiro matrimonial 4 CAPACIDADE SUCESSÓRIA Regra Geral: 1.798 CC Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão. Requisito específico para cônjuge/convivente Deve estar convivendo com o de cujus ao tempo da morte (1.830 CC) 5 Análise literal do dispositivo legal Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente. Casamento válido Cônjuges em convivência Separação judicial Exclui direito sucessório Separação de fato Mais de 2 anos exclui direito sucessório Exceção Prova de impossibilidade de convivência sem culpa 6 HIPÓTESE 'A' e 'B' - separados de fato há mais de dois anos 'A' constitui união estável com 'C' 'A' vem a falecer após alguns anos Pergunta-se - quem terá direito sucessório: 'B' ou 'C'? 7 STJ: Não há direito sucessório entre casal separado de fato há mais de dois anos Caso em análise Recurso especial em que dois irmãos do falecido protestam contra a determinação de inclusão da esposa como meeira. Situação Esposa estava separada de fato do marido há mais de seis anos. Decisão Para os ministros da Quarta Turma, caso se mantivesse a interpretação dada pela Justiça paulista, haveria enriquecimento sem causa, já que o patrimônio foi adquirido individualmente, sem qualquer colaboração do cônjuge. Contexto adicional No caso específico, o marido já estabeleceu união estável com outra mulher, que é regulado pelo regime de comunhão parcial de bens. Essa conduta é autorizada pelo novo Código Civil (artigo 1.723, parágrafo 1º). Fonte: www.stj.jus.br 8 HIPOTESE João era casado civilmente com Maria desde 2010. Em janeiro de 2023, João e Maria passaram a viver separados de fato, deixando de compartilhar o mesmo lar e rompendo a convivência conjugal, embora sem formalizar o divórcio. A separação de fato foi conhecida por familiares e amigos, e João passou a viver em outro imóvel. Em março de 2023, João iniciou uma convivência pública, contínua e duradoura com Ana, com quem passou a residir. Essa relação foi reconhecida socialmente como união estável, inclusive com compartilhamento de despesas, planejamento de vida em comum e apresentação mútua como companheiros. Em dezembro de 2024, João faleceu repentinamente em decorrência de um infarto fulminante, sem deixar testamento. 9 RELEITURA DO 1.830 CC Emenda Constitucional 66/2010 Art. 226 CF § 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. Proposta da revisão do CC Não há mais menção à separação judicial, que era o locus natural para se discutir culpa. Essa alteração constitucional significou o banimento da culpa do sistema brasileiro para fins de debate da conjugalidade. O casamento acaba por falta de comunhão plena de vidas (artigo 1.511 do CC), e não por culpa dos cônjuges. Também o prazo de separação de fato, de dois anos, não mais subsiste. Esse prazo tinha relação direta com a redação do artigo 226, parágrafo 6º da Constituição, que o exigia como mínimo para a possibilidade de divórcio direto. A leitura que se deve fazer do artigo 1.830, após a Emenda 66/10, é a seguinte: “Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem separados de fato”. Fonte: https://www.conjur.com.br/2017-dez-10/processo-familiar-separacao-fato-perda-qualidade-herdeiro-parte/ 10 SINTESE do Direito Sucessório do Cônjuge e Convivente 1 Concorrência com descendentes Às vezes 2 Concorrência com ascendentes Sempre 3 Herdam sozinhos Na ausência de descendentes e ascendentes 11 1.829, I CC Regime Patrimônio Comum Patrimônio Particular RCUB Meação x RSOB Súmula 377 STF x RCPB Meação Herança RSAB X Herança RPFA Compensação aquestos Herança (não aquestos) 12 DIREITO REAL DE HABITAÇÃO Definição Direito real de usufruir e habitar, ligado ao direito de moradia 1.414 CC). Finalidade A atribuição do direto real de habitação consiste em garantia do direito de moradia por meio da limitação do direito de propriedade de terceiros, uma vez que herdeiros e legatários adquirem o patrimônio do acervo hereditário desde a abertura da sucessão, por força do princípio da saisine. (STJ) 13 STJ – ANÁLISE REQUISITOS Controvérsia 2. Cinge-se a controvérsia a definir se o reconhecimento do direito real de habitação, a que se refere o artigo 1.831 do Código Civil, pressupõe a inexistência de outros bens no patrimônio do cônjuge/companheiro sobrevivente. 3. Os dispositivos legais relacionados com a matéria não impõem como requisito para o reconhecimento do direito real de habitação a inexistência de outros bens, seja de que natureza for, no patrimônio próprio do cônjuge/companheiro sobrevivente. 4. O objetivo da lei é permitir que o cônjuge/companheiro sobrevivente permaneça no mesmo imóvel familiar que residia ao tempo da abertura da sucessão como forma, não apenas de concretizar o direito constitucional à moradia, mas também por razões de ordem humanitária e social, já que não se pode negar a existência de vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos cônjuges/companheiros com o imóvel em que, no transcurso de sua convivência, constituíram não somente residência, mas um lar. Decisão 5. Recurso especial não provido. (REsp 1582178/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/09/2018, DJe 14/09/2018) 14 Se um dos cônjuges ou companheiros morre, o outro pode continuar morando no imóvel próprio onde viviam. É o chamado direito real de habitação. Nesse julgamento, o STJ decidiu que esse direito pode ser afastado em casos excepcionais – por exemplo, quando há um só imóvel na herança e o viúvo ou companheiro sobrevivente tem dinheiro para morar dignamente em outro lugar. No caso julgado, dois irmãos pediram a exclusão do direito de habitação da viúva de seu pai, pois ela recebia pensão alta e tinha dinheiro depositado. O tribunal destacou que o direito real de habitação é importante, mas não absoluto, e permitiu que o imóvel seja partilhado entre os herdeiros. https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2024/12112024-Para-Terceira-Turma--direito-real-de-habitacao-pode-ser-mitigado-se-nao-atende-a-sua-finalidade-social.aspx#:~:text=%C3%89%20o%20chamado%20direito%20real,morar%20dignamente%20em%20outro%20lugar.APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE DIREITO REAL DE HABITAÇÃO AJUIZADA PELA COMPANHEIRA SOBREVIVENTE EM FACE DA FILHA E DO GENRO DO FALECIDO COMPANHEIRO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO PRINCIPAL E DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO RECONVENCIONAL DE IMISSÃO DE POSSE, AO FUNDAMENTO DE QUE A AUTORA TERIA CONSTITUÍDO NOVA UNIÃO ESTÁVEL. EXEGESE DO ART. 7º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 9.278/96. RECURSO DA AUTORA. ALEGAÇÃO DE QUE NÃO CONVIVE EM NOVA UNIÃO ESTÁVEL E QUE NENHUMA DAS TESTEMUNHAS OUVIDAS CONFIRMARAM ESSA SUPOSTA UNIÃO. TESE ACOLHIDA. UNIÃO ESTÁVEL QUE PRESSUPÕE A CONVIVÊNCIA PÚBLICA, CONTÍNUA, DURADOURA E COM O OBJETIVO DE CONSTITUIR FAMÍLIA (ART. 1.723, CC). TESTEMUNHAS OUVIDAS QUE NUNCA SEQUER VIRAM QUALQUER DEMONSTRAÇÃO MAIS ÍNTIMA DE AFETO ENTRE A AUTORA E O SUPOSTO NOVO COMPANHEIRO. AUTORA QUE JAMAIS APRESENTOU ESSA PESSOA, QUE DIZ SER APENAS UM AMIGO, COMO SENDO SEU NAMORADO OU COMPANHEIRO. AUSÊNCIA DE PUBLICIDADE QUE É UM DOS REQUISITOS DA UNIÃO ESTÁVEL. REFORMA DA SENTENÇA QUE SE IMPÕE. RECONHECIMENTO DO DIREITO REAL DE HABITAÇÃO EM FAVOR DA AUTORA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJSC, Apelação n. 5003033-46.2021.8.24.0061, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel. Selso de Oliveira, Quarta Câmara de Direito Civil, j. 27-03-2025). Manutenção da posse de bens móveis com fundamento no direito real de habitação AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO. INCIDENTE DE REMOÇÃO DE INVENTARIANTE. ACOLHIMENTO, NA ORIGEM, COM ORDEM DE ENTREGA IMEDIATA DE TODOS OS BENS DO ESPÓLIO À NOVA INVENTARIANTE. INSURGÊNCIA DA EX-COMPANHEIRA, DESTITUÍDA DO ENCARGO, QUE PRETENDE SER MANTIDA NA POSSE DOS BENS MÓVEIS QUE GUARNECEM A RESIDÊNCIA QUE ERA OCUPADA PELO CASAL. VIABILIDADE. INDÍCIOS DE QUE A RECORRENTE RESIDIA COM O DE CUJUS NO IMÓVEL. BEM LOCADO QUE, POR ISSO, NÃO CONFERE DIREITO REAL DE HABITAÇÃO. VIABILIDADE, TODAVIA, DE MANUTENÇÃO DA RECORRENTE NA POSSE DOS BENS NECESSÁRIOS À SUBSISTÊNCIA DIGNA AO MENOS ATÉ QUE SEJA REALIZADA A PARTILHA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO ÀS DEMAIS HERDEIRAS. DECISÃO REFORMADA NO PONTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. 4011768-45.2019.8.24.0000, de São Miguel do Oeste, rel. Jorge Luis Costa Beber, Segunda Câmara de Direito Civil, j. 29-08-2019). 17 Direito real de habitação Enunciado 117 CJF Art. 1831: O direito real de habitação deve ser estendido ao companheiro, seja por não ter sido revogada a previsão da Lei n. 9.278/96, seja em razão da interpretação analógica do art. 1.831,informado pelo art. 6º, caput, da CF/88. Extensão ao companheiro Garantia do direito constitucional à moradia Base legal Lei 9.278/96 e interpretação analógica do art. 1.831 CC 18 Enunciado 271 Art. 1.831 O cônjuge pode renunciar ao direito real de habitação nos autos do inventário ou por escritura pública, sem prejuízo de sua participação na herança. Efeito da renúncia Não prejudica a participação na herança 19 PROPOSTA DE REVISÃO DO CC "Art. 1.831. Ao cônjuge ou ao convivente sobrevivente que residia com o autor da herança ao tempo de sua morte, será assegurado, qualquer que seja o regime de bens e sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação, relativamente ao imóvel que era destinado à moradia da família, desde que seja o único bem a inventariar. § 1º Se ao tempo da morte, viviam juntamente com o casal descendentes incapazes ou com deficiência, bem como ascendentes vulneráveis ou, ainda, as pessoas referidas no art. 1.831-A caput e seus parágrafos deste Código, o direito de habitação há de ser compartilhado por todos. § 2º Cessa o direito quando qualquer um dos titulares do direito à habitação tiver renda ou patrimônio suficiente para manter sua respectiva moradia, ou quando constituir nova família." 20 PROPOSTA DE REVISÃO DO CC "Art. 1.831-A. Terão direito de habitação sobre o imóvel de moradia do autor da herança, as pessoas remanescentes da família parental, podendo habilitar-se para esse direito os que demonstrarem o convívio familiar comum por prova documental, conforme anotações feitas na forma do § 1º do art. 10 deste Código." 21 Estudo de caso Carlos e Mariana mantinham uma união estável há 10 anos. Durante esse período, residiram em imóvel residencial que Carlos recebeu por herança. Carlos já tinha dois filhos, Ricardo (25 anos) e Renata (22 anos), de casamento anterior com Laura. Mariana e os filhos de Carlos nunca conviveram de forma íntima ou próxima, mas mantiveram um relacionamento cordial. Em janeiro de 2024, Carlos faleceu de maneira inesperada devido a complicações de saúde. Ele não havia feito testamento. Com o falecimento de Carlos, Mariana e os filhos de Carlos se depararam com a divisão dos bens, especialmente em relação ao imóvel, que era o único bem de valor significativo deixado por ele. A principal questão que surgiu após o falecimento de Carlos foi sobre quem teria o direito de continuar morando no imóvel, já que Mariana, embora tenha sido a convivente por mais de 10 anos, não era mãe dos filhos de Carlos e, portanto, não tinha um vínculo de sangue com os herdeiros. Identifique ainda a partilha do imóvel. image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image18.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png