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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ENGENHARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA Bernardo da Silva Moreira PROJETO E DIMENSIONAMENTO DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO DE 600 kVA Porto Alegre 2026 Bernardo da Silva Moreira PROJETO E DIMENSIONAMENTO DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO DE 600 kVA Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para a obtenção do título de Enge- nheiro Eletricista. Orientador: Prof. Dr. Igor Pasa Wiltuschnig Porto Alegre 2026 CIP - Catalogação na Publicação Moreira, Bernardo da Silva PROJETO E DIMENSIONAMENTO DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO DE 600 kVA / Bernardo da Silva Moreira. -- 2026. 136 f. Orientador: Igor Pasa Wiltuschnig. Trabalho de conclusão de curso (Graduação) -- Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Curso de Engenharia Elétrica, Porto Alegre, BR-RS, 2026. 1. Subestações de energia. 2. Projeto de instalações elétricas. 3. Sistemas de distribuição de energia elétrica. 4. Proteção de sistemas elétricos de potência. I. Wiltuschnig, Igor Pasa, orient. II. Título. Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFRGS com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Bernardo da Silva Moreira PROJETO E DIMENSIONAMENTO DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO DE 600 kVA Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de ”Engenheiro Eletricista” e aprovado em sua forma final pelo Curso de Graduação em Engenharia Elétrica. Porto Alegre, 07 de julho de 2026. Banca Examinadora: Prof. Dr. Igor Pasa Wiltuschnig Doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre, Brasil Prof. Dr. Ben Hur Bandeira Boff Doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre, Brasil Me. Eng. Eletricista Rafael de Vasconcelos Mestre pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - Porto Alegre, Brasil AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Alessandra e Sérgio, por terem me tornado o homem que sou hoje, por terem sempre me incentivado a seguir o caminho do estudo, por sempre me apoiarem, por sempre me aconselharem e por sempre terem entregado todo o necessário e mais para a minha formação acadêmica e pessoal. À minha irmã, Lara, pelos momentos de conversa quando estava sobrecarregado e pela parceria de uma vida. À minha namorada, Eduarda, por todo o companheirismo, amizade, cumplicidade e amor. Aos meus amigos, pelos bons momentos compartilhados e por sempre tirarem o peso das outras responsabilidades da vida. Aos meus colegas, Adelson e Rafael, por terem me apresentado o ambiente profissional da engenharia elétrica e por terem me guiado no início da minha trajetória profissional. Ao professor Igor, pelos conhecimentos transmitidos durante o curso e durante a orientação deste trabalho e pela disponibilidade. E a todos que tiveram alguma contribuição para a minha formação e para que este trabalho tenha sido possível. "Science is what we have learned about how not to fool ourselves about the way the world is." — Richard Feynman RESUMO A crescente demanda por energia elétrica em empreendimentos comerciais e industriais exige sistemas de distribuição cada vez mais seguros, eficientes e adequados às normas téc- nicas vigentes. Nesse contexto, as subestações de energia desempenham papel fundamental na interface entre o sistema de distribuição das concessionárias e as instalações elétricas dos consumidores finais, permitindo a transformação de níveis de tensão, a proteção dos equipamentos e a confiabilidade no fornecimento de energia. O presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo de caso referente ao projeto elétrico de aumento de carga de uma subestação de média tensão com potência instalada final de 600 kVA, desenvolvida para conexão à rede de média tensão de 13,8 kV da concessionária Equatorial Energia e atendimento a uma unidade consumidora na cidade de Porto Alegre, sendo a sua versão final aprovada pela Equatorial. Antes da expansão, o empreendimento era atendido por subestação abrigada de 300 kVA, com medição de energia em média tensão e proteção geral na baixa tensão. Para a expansão, foi necessário, além do redimensionamento dos circuitos, a readequação do padrão construtivo da proteção geral e medição de energia da instalação. O estudo aborda os principais critérios técnicos adotados no dimensiona- mento da instalação, desde a definição da capacidade necessária em transformadores, a especificação dos equipamentos de proteção e manobra, o sistema de medição, aterra- mento e a conformidade com normas técnicas aplicáveis e padrões da concessionária de energia. O projeto resultou num aumento de 100% da capacidade nominal da subestação. A implementação do projeto envolveu o dimensionamento de todos os equipamentos da instalação, baseado em normas da ABNT e da concessionária, desenho técnico executivo da subestação em CAD e desenvolvimento de estudo de seletividade. Como resultado, busca-se demonstrar a metodologia sistemática empregada nas etapas envolvidas no desen- volvimento de um projeto de subestação, evidenciando os critérios técnicos e normativos que garantem a segurança, confiabilidade e eficiência da instalação elétrica, contribuindo para a compreensão prática do processo de concepção e dimensionamento de subestações de média tensão aplicadas a unidades consumidoras. Palavras-chave: aumento de carga; dimensionamento elétrico; instalações elétricas; sistemas de distribuição; subestação de média tensão. ABSTRACT The growing demand for electrical energy in commercial and industrial enterprises re- quires increasingly safe, efficient distribution systems that comply with current technical standards. In this context, power substations play a fundamental role as the interface between the utility’s distribution system and the end consumers’ electrical installations, enabling voltage transformation, equipment protection, and reliability in energy supply. This paper aims to present a case study regarding the electrical design for a load increase of a medium-voltage substation with a final installed capacity of 600 kVA, developed for connection to the 13.8 kV medium-voltage grid of the utility company Equatorial Energia and serving a consumer unit in the city of Porto Alegre, with its final version approved by Equatorial. Prior to the expansion, the facility was served by a 300 kVA indoor substation, with medium-voltage energy metering and overall protection on the low-voltage side. For the expansion, in addition to resizing the circuits, it was necessary to readjust the construction standard of the overall protection and energy metering system of the installation. The study addresses the main technical criteria adopted in the design of the installation, ranging from the definition of the required transformer capacity, the specification of protection and switching equipment, the metering system, grounding, and compliance with applicable technical standards and utility company codes. The project resulted in a 100% increase in the substation’s rated capacity. The implementation of the project involved the sizing of all installation equipment, based on ABNT and utility standards, executive technical CAD drawings of the substation, and the development of a selectivity study. As a result, this paper seeks to demonstrate the systematic methodo- logy employed in the stages involved in developing a substation project, highlighting the technical and regulatory criteria that ensure the safety, reliability, and efficiency of the electrical installation, thereby contributing to the practical understanding of the design and sizing process for medium-voltage substations applied to consumer units. Keywords: load increase; electrical design; electrical installations; distribution systems; medium vol- tage substation. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Consumo de energia por classe em 2025 . . . . . . . . . . .ou trifásicas (para terminações de cabos tripolares) e podem ser utilizadas tanto em instalações ao tempo como abrigadas (FILHO, 2013). Dentre os tipos construtivos, destacam-se as muflas de porcelana vitrificada e as termocontráteis (a quente ou a frio). As últimas têm sido utilizadas com muito sucesso em substituição às tradicionais de porcelana, pela sua simplicidade de emenda e facilidade de execução, além da compatibilidade de preço (FILHO, 2013). A figura 16 mostra um exemplo de muflas terminais amplamente aplicado em sistemas de média tensão. Figura 16 – Muflas terminais termocontráteis a frio Fonte: MESH ENGENHARIA (2023c). 2.4.5.2 Especificação As muflas devem atender aos requisitos da ABNT NBR 9314 (ABNT, 2006). Os principais parâmetros de especificação são: • Método de instalação (interno ou externo); • Tipo construtivo; • Número de fases (singela ou trifásica); • Tensão de isolamento fase-terra (Uo) e fase-fase (U), em kV; • Material dos cabos; • e seção nominal dos cabos. 2.4.6 Condutor 2.4.6.1 Função Os condutores são os componentes mais fundamentais em uma instalação elétrica, sendo o meio físico utilizado para transmitir energia elétrica entre pontos distintos. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 46 Os condutores de cobre dominam praticamente o mercado nas aplicações de ins- talações elétricas, sejam prediais, comerciais ou industriais, enquanto os condutores de alumínio são muito mais empregados nas aplicações de redes e linhas aéreas de distribui- ção e transmissão de energia elétrica não localizadas nas proximidades da orla marítima (FILHO, 2013). O dimensionamento de um condutor deve ser precedido de uma análise detalhada das condições de sua instalação e da carga a ser suprida. Um condutor mal dimensionado, além de implicar a operação inadequada da carga, representa um elevado risco de incêndio para o patrimônio (FILHO, 2017). 2.4.6.2 Cabo de baixa tensão 2.4.6.2.1 Construção Os cabos de baixa tensão podem ser de diversos tipos. Para o escopo deste trabalho, destacam-se os unipolares, que são constituídos de um condutor (cobre ou alumínio), uma camada isolante e uma cobertura de proteção. Os principais materiais isolantes são o PVC (cloreto de polivinila), o EPR (etileno- propileno) e o XLPE (polietileno reticulado), cada um com suas características químicas, elétricas e mecânicas próprias, acarretando assim o seu emprego em condições específicas para cada instalação (FILHO, 2017). A cobertura de proteção, também conhecida como capa protetora, é muitas vezes de PVC, que mantém elevada resistência ao ozona, à umidade, aos raios solares e a gases corrosivos (FILHO, 2013). A figura 17 mostra a composição de um cabo unipolar de baixa tensão. Figura 17 – Padrão construtivo de um cabo unipolar de baixa tensão Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025b). O dimensionamento dos condutores de baixa tensão é realizado a partir da ABNT NBR 5410 (ABNT, 2004), devendo satisfazer, simultaneamente, os critérios abaixo. 2.4.6.2.2 Capacidade de condução de corrente Este critério consiste em determinar o valor da corrente máxima que percorrerá o condutor (corrente de projeto) e, de acordo com o método de instalação do condutor Capítulo 2. Revisão bibliográfica 47 (tabela 33 da NBR 5410:2004), verificar qual a seção adequada, de acordo com o tipo de isolação do condutor (tabelas 36 a 39 da NBR 5410). No escopo deste trabalho, a corrente de projeto é determinada pela equação (3). As capacidades de condução das tabelas citadas assumem circuitos individuais, com temperatura ambiente de 30°C para linhas não enterradas e 20°C para linhas enterradas. Caso os circuitos projetados sejam agrupados ou estejam sujeitos a temperaturas diferentes, deve ser calculada a corrente de projeto corrigida, conforme a equação (12). Icorrigida = IL FCT . FCA (12) Onde Icorrigida é a corrente de projeto corrigida, em A, FCT é o fator de correção por temperatura (tabelas 40 e 41 da NBR 5410:2004) e FCA é o fator de correção por agrupamento (tabelas 42 a 45 da NBR 5410:2004). De tal forma que, quando não há necessidade de correção, ambos os fatores são unitários e a corrente corrigida é igual à corrente de projeto. Ainda, para que a proteção dos condutores contra sobrecargas fique assegurada, es- tes devem ser capazes de suportar uma corrente superior à corrente nominal do dispositivo destinado a provê-la (ABNT, 2004). 2.4.6.2.3 Queda de tensão Sendo definida a seção pela capacidade de condução, é necessário saber se esta seção está apropriada para provocar uma queda de tensão dentro do intervalo estabelecido pela NBR 5410, que são (ABNT, 2004): • 5% para circuitos terminais (calculados a partir do ponto de entrega); • ou 7% para circuitos alimentados por transformadores particulares (calculados a partir do secundário do transformador). Em circuitos trifásicos, a queda de tensão é dada pela equação (13) (FILHO, 2017). ∆VC = √ 3 . IL . L . (R.cosϕ + Xsenϕ) 10 . N . VL (13) Onde ∆VC é a queda de tensão, em %, IL é a corrente de projeto, em A, L é o comprimento do circuito, em m, R é a resistência do condutor, em mΩ/m, X é a reatância do condutor, em mΩ/m, ϕ é o ângulo do fator de potência da carga, N é o número de condutores em paralelo por fase e VL é a tensão de linha, em V. Ainda, o condutor deve suportar uma corrente maior do que a corrente nominal do seu dispositivo de proteção, conforme item 2.4.10.3.2. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 48 2.4.6.2.4 Capacidade de corrente de curto-circuito A seção do condutor deve ser capaz de resistir ao aquecimento provocado por curtos-circuitos por um tempo maior que o tempo de atuação do dispositivo de proteção, de forma que a temperatura limite de curto-circuito do condutor não seja excedida (ABNT, 2004). Matematicamente, a quantidade de energia térmica que passa pelo dispositivo de proteção durante a interrupção de um curto-circuito (integral de Joule) deve ser inferior ou igual à integral de Joule necessária para aquecer o condutor desde a temperatura máxima para serviço contínuo até a temperatura limite de curto-circuito. Essa relação é representada pela inequação (14). As temperaturas características dos condutores são padronizadas na tabela 35 da NBR 5410:2004. ∫ t 0 i2dt ≤ k2S2 (14) Onde ∫ t 0 i2dt é a integral de Joule que o dispositivo de proteção deixa passar, em A2.s e k2S2 é a integral de Joule capaz de elevar a temperatura do condutor desde a temperatura máxima para serviço contínuo até a temperatura de curto-circuito. O valor de k é indicado na tabela 30 da NBR 5410:2004 e S é a seção do condutor, em mm2. Para curtos-circuitos de qualquer duração em que a assimetria da corrente não seja significativa e para curtos-circuitos assimétricos de duração entre 0,1 e 5 s, pode-se reescrever (14) como (15) (ABNT, 2004): t ≤ k2 . S2 I2 (15) Onde t é o tempo da atuação do dispositivo de proteção, em s (obtido pelo catálogo do dispositivo ou normalmente considerado como 0,1), e o que está a direita da desigualdade é o tempo que o condutor suporta o curto-circuito. 2.4.6.2.5 Condutor neutro O condutor neutro é o ponto comum às três fases em um sistema trifásico ligado em estrela. Se o circuito for trifásico, a corrente do neutro será composta pela soma vetorial das correntes das fases em cada frequência (fundamental e harmônicas). A corrente fun- damental em particular está relacionada ao desequilíbrio das cargas monofásicas ligadas entre fases e neutro. Quanto melhor for o equilíbrio de cargas, menor será a corrente fundamental que circulará pelo neutro. A corrente de terceira harmônica (e múltiplas) oriundas de cargas monofásicas não lineares ligadas entre as fases e o neutro deste circuito serão somadas no neutro de maneira escalar, devido ao sincronismo das formas de onda nas três fases nestas frequências (GRAZIANO, 2025). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 49 Por conta disso, seu dimensionamento depende da taxa de terceira harmônica presente no circuito (ABNT, 2004). Se a taxa de terceira harmônica for inferior a 15%,pode-se adotar uma seção de neutro reduzida em relação às fases, de acordo com a tabela 48 da NBR 5410:2004. Se essa taxa estiver entre 15 e 33%, a seção deve ser igual à das fases e caso seja superior a 33%, deve ser maior que a seção das fases. 2.4.6.2.6 Condutor de proteção O condutor de proteção (PE) é responsável por conduzir a corrente de falta para o sistema de aterramento, assegurando a rápida atuação dos dispositivos de proteção (LOPEZ, 2025). Sua seção nominal é calculada pela equação (16) (ABNT, 2004). SPE = √ I2.t k (16) Onde SPE é a seção nominal do condutor de proteção, em mm2, I é a corrente presumida de falta no ponto da instalação, em A, t é o tempo de atuação do dispositivo de proteção, em s e k é uma constante dependente do material condutor e da isolação (tabelas 53 a 57 da NBR 5410:2004). Alternativamente, pode-se utilizar a tabela 58 da NBR 5410:2004, que define a seção mínima para o condutor de proteção dada a seção do condutor de fase. 2.4.6.2.7 Especificação A especificação se dá a partir da avaliação dos critérios listados nas seções anteriores, com as características construtivas devendo atender a normas específicas: • Cabos com isolação em PVC: NBR 7288; • Cabos com isolação em EPR: NBR 7286; • Cabos com isolação em XLPE: NBR 7287. 2.4.6.3 Cabo de média tensão 2.4.6.3.1 Construção A principal diferença de um condutor de média tensão unipolar para um de baixa tensão é a tensão de isolamento do cabo e o seu padrão construtivo. Será tratado nesse item sobre condutores unipolares e cobertos. Nas instalações com tensão nominal superior a 3,6/6 kV, os cabos unipolares devem ser do tipo a campo elétrico radial (providos de blindagens do condutor e da isolação) (ABNT, 2021b). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 50 As blindagens de campo elétrico, também conhecidas como blindagens eletrostáti- cas, são materiais semicondutores que envolvem o condutor elétrico e ou a sua isolação com a finalidade de confinar o campo eletrostático (FILHO, 2013). Já a blindagem metálica pode ser constituída de fios aplicados de forma longitudinal, de fita aplicada helicoidal- mente, de camada concêntrica de fios e de camada concêntrica de fios combinada com fitas. Sua função principal é confinar o campo elétrico aos limites da isolação e ao mesmo tempo eliminar a possibilidade de choque elétrico ao se tocar na capa do cabo, desde que a blindagem metálica esteja corretamente aterrada (FILHO, 2013). A isolação pode suportar, em operação normal, temperaturas de até 90°C. No entanto, são fabricados cabos com isolação mais resistente às temperaturas, podendo operar em condições normais à temperatura de até 105°C (FILHO, 2013). Os principais materiais usados na isolação são (FILHO, 2013): EPR, HEPR, EPR 105, XLPE e TR XLPE, com destaque ao EPR 105, que permite temperatura de regime permanente de até 105°C. A cobertura de proteção normalmente é feita de PVC. A figura 18 mostra a composição de um cabo unipolar de média tensão. Figura 18 – Padrão construtivo de um cabo unipolar de média tensão Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2022a). Já os cabos cobertos são constituídos por um condutor, normalmente de alumínio, com cobertura de polietileno reticulado (XLPE), resistente à abrasão, à radiação solar e principalmente ao trilhamento elétrico. Os cabos cobertos são usados em redes de distribuição compactas. No caso da concessionária Equatorial Energia, são condutores de alumínio, providos de duas camadas de cobertura, sendo a camada interna de XLPE e a externa de PEAD, na cor cinza (EQUATORIAL ENERGIA, 2025c). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 51 A figura 19 mostra a composição de um cabo coberto de média tensão. Figura 19 – Padrão construtivo de um cabo coberto de média tensão Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025c). 2.4.6.3.2 Especificação De forma geral, os dimensionamentos dos condutores de média tensão são realizados a partir da ABNT NBR 14039 (ABNT, 2021b) e das normas específicas da concessionária local, no caso deste trabalho, a NT.00002 (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Os critérios de dimensionamento são os mesmos dos condutores de baixa tensão, com algumas ressalvas: • O método de instalação é definido pela tabela 25 da ABNT NBR 14039:2021; • As capacidades de condução são definidas pelas tabelas 28 e 29 da NBR 14039:2021; • Os fatores de correção são definidos pelas tabelas 30 a 41 da NBR 14039:2021; • A corrente de projeto é calculada pelas equações (3) e (12); • O cálculo da queda de tensão normalmente é omitido em circuitos de média tensão, visto que a corrente é muito reduzida, gerando quedas muito pequenas; • O valor da corrente de curto circuito é determinado pela equação (17) (ABNT, 2021b): I = K . S . √√√√1 t . ln ( θf + β θi + β ) (17) Onde I é a corrente de curto-circuito presumida, em A, K é uma constante dependendo do material condutor, em A.s 1 2 .mm−2, S é a seção nominal do condutor, em mm2, t é o tempo de atuação do dispositivo de proteção, em s, θf é a temperatura do condutor no final do curto-circuito, em °C , θi é a Capítulo 2. Revisão bibliográfica 52 temperatura do condutor no início do curto-circuito, em °C e β é o inverso do coeficiente de temperatura da resistência a 0°C, em °C; K e β encontram-se na tabelas 42 da NBR 14039:2021 e θf e θi, na tabela 43. Isolando-se t na equação (17), pode-se definir o tempo limite de atuação do dispositivo de proteção de média tensão para validar o critério de capacidade de curto-circuito, de acordo com a equação (18); t = ( K . S I )2 . ln ( θf + β θi + β ) (18) Especificamente para esse trabalho, para o caso do ramal de conexão utiliza-se a ABNT NBR 11873 (ABNT, 2021a) e a ET.00178 (EQUATORIAL ENERGIA, 2025c). Seu dimensionamento é padrão no caso de subestações de média tensão, de acordo com a figura 20. Figura 20 – Dimensionamento de ramal de conexão/entrada aéreo em classe de tensão primária de distribuição 15 kV, 24,2 kV 36,2 kV Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025f). Para o ramal de entrada, utiliza-se a ABNT NBR 7286 (ABNT, 2022a), a ABNT NBR 6251 (ABNT, 2018b) e a ET.00202 (EQUATORIAL ENERGIA, 2022a). 2.4.6.4 Especificação geral Cumprindo-se todos os pré requisitos descritos nas seções anteriores, um condutor, seja ele de baixa ou média tensão pode ser especificado, no mínimo, pelos seguintes parâmetros: • Material do condutor (cobre ou alumínio); • Material ds isolação (PVC, EPR, XLPE, etc); • Material da cobertura; • Tipo (unipolar ou multipolar); • Tensão de isolamento; • e seção do condutor. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 53 2.4.7 Eletroduto 2.4.7.1 Função Os eletrodutos têm a função de realizar o caminhamento dos condutores elétricos, fornecendo proteção mecânica, melhorando a organização e garantindo a segurança da instalação. De forma geral, os eletrodutos podem ser classificados como rígidos ou flexíveis. Os rígidos proporcionam alta resistência mecânica, sendo indicados para instalações aparentes ou embutidas que demandam proteção superior e os flexíveis são e essenciais para realizar curvas e desvios. Dentre os rígidos, destacam-se os metálicos de aço ou alumínio e os de PVC. Os metálicos têm uma proteção extra feita com esmalte, com zinco (galvanização) ou com uma capa externa plástica para evitar a corrosão do material e garantir mais segurança. Dentre os flexíveis, destacam-se os metálicos revestidos de PVC e os corrugados de PVC e PEAD (ELECON ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, 2026). Figura 21 – Exemplos de eletrodutos Fonte: ELECON ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA (2026). 2.4.7.2 Especificação O dimensionamento dos eletrodutos deve seguir os critérios estabelecidos pela NBR 5410 para circuitos de baixa tensão e NBR 14039 para circuitos de média tensão. O principal critério de dimensionamento é o de taxa de ocupação. Para eletrodutos de circuitos de baixa tensão, as taxas de ocupação máximas são as seguintes (ABNT, 2004): • 53%, no caso de um condutor; • 31%, no caso de dois condutores; • ou 40%, no caso de três ou mais condutores. Já para eletrodutos para circuitosde média tensão, são (ABNT, 2021b): Capítulo 2. Revisão bibliográfica 54 • 40%, no caso de um condutor; • ou 30%, no caso de dois ou mais condutores. O cálculo da taxa de ocupação é dado pelo quociente entre a soma das áreas das seções transversais dos condutores previstos, calculadas com base no diâmetro externo, e a área útil da seção transversal do eletroduto, devendo este ser menor ou igual ao limite estabelecido pelas normas citadas. Isto está representado na inequação (19). Aocup,total Aelet ≤ Tocup,max (19) Na qual Tocup,max é a máxima taxa de ocupação do eletroduto, Aocup,total é a área total ocupada pelos condutores, em mm2 e Aelet é a área útil do eletroduto que envolve o circuito, também em mm2. Considerando-se um cabo de seção transversal perfeitamente circular, a área total ocupada pelos condutores pode ser calculada pela equação (20). Aocup,total = Ncond . π . ( dext 2 )2 (20) Na qual Ncond é o número total de condutores no eletroduto e dext é o diâmetro externo do condutor, em mm. A área útil do eletroduto pode ser calculada pela equação (21) (FILHO, 2017). Aelet = π 4 . [(Dext − ∆Dext) − 2 . Ep]2 (21) Onde Dext é o diâmetro externo do eletroduto, em mm, ∆Dext é a variação do diâmetro externo do eletroduto, em mm e Ep é a espessura da parede do eletroduto, em mm. Relacionando-se a inequação (19) e as equações (20) e (21) e isolando-se Dext, encontra-se uma relação para o mínimo diâmetro externo do eletroduto, conforme a inequação (22). Dext ≥ dext . √√√√ Ncond Tocup,max + ∆Dext + 2Ep (22) As características construtivas devem atender a normas específicas, como por exem- plo: • Eletrodutos plásticos: NBR 15465; • Eletrodutos corrugados de PEAD: NBR 15715; • Eletrodutos rígidos de aço zincado eletroliticamente: NBR 13057; • Eletrodutos rígidos de aço com revestimento protetor: NBR 5624. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 55 Para este trabalho, destaca-se que, segundo a NT.00002, para a proteção de con- dutores ao longo de paredes, postes, etc, deve ser utilizado todos os condutores devem ser protegidos ao longo de paredes, postes etc, por meio de eletroduto rígido metálico com zincagem por imersão a quente, para energia não medida (antes do medidor), com diâmetro interno mínimo de 100 mm (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Ainda, consta que, para circuitos em trechos enterrados, os dutos devem ser de PVC rígido ou PEAD corrugados e identificados e protegidos para que não sejam danificados por ocasião de escavações e passagem de carga sobre a superfície do terreno. Com base nesta seção, pode-se especificar um eletroduto com os seguintes parâme- tros: • Material; • e diâmetro, em mm. 2.4.8 Cubículo blindado de média tensão 2.4.8.1 Função Um cubículo blindado é um tipo de painel elétrico, o qual genericamente compreende um conjunto de dispositivos de manobra associados a equipamentos de proteção, comando, medição e controle complementados por acessórios instalados internamente a um cubículo metálico dotado de estruturas de suporte. São constituídos por divisões metálicas internas isolantes tendo como objetivo aumentar o nível de segurança nos trabalhos de manutenção com o painel energizado (FILHO, 2013). Para o escopo deste trabalho, ressaltam-se os cubículos em sistema modular, os quais são caracterizados por construção de colunas com dimensões padronizadas e que em cada coluna são instalados equipamentos que exercem uma única função. A imagem 22 mostra um exemplo desse sistema. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 56 Figura 22 – Exemplo de sistema com cubículos blindados modulares Fonte: Adaptado de FILHO (2013). 2.4.8.2 Especificação A especificação deve seguir os padrões descritos nas normas NBR IEC 62271-200 (ABNT, 2025b) e NBR IEC 60529 (ABNT, 2017), e, no caso deste trabalho, também na ET.021 (EQUATORIAL ENERGIA, 2022c). No caso da concessionária Equatorial Energia, para aplicações em que seja utilizado cubículo com função de medição, o fornecedor deverá ser homologado pela concessionária. Um cubículo de MT pode ser especificado pelos seguintes parâmetros: • Tensão nominal, em kV; • Classe de tensão, em kV; • Frequência nominal, em Hz; • Corrente nominal, em A; • e corrente suportável nominal de curta-duração, em kA. Para o invólucro metálico, a ABNT NBR 60529 determina o grau de proteção quanto à entrada de corpos estranhos e penetração de água pelos orifícios destinados à ventilação ou instalação de instrumentos, pelas junções de chapas, portas, etc. O grau de proteção é padronizado por um código composto pelas letras IP, seguidas de dois números, que significam (FILHO, 2013): • Primeiro algarismo: Capítulo 2. Revisão bibliográfica 57 – 0: Sem proteção; – 1: Corpos estranhos com dimensões acima de 50 mm; – 2: Corpos estranhos com dimensões acima de 12 mm; – 3: Corpos estranhos com dimensões acima de 2,5 mm; – 4: Corpos estranhos com dimensões acima de 1 mm; – 5: Proteção contra acúmulo de poeira prejudicial ao equipamento; – 6: Proteção contra penetração de poeira. • Segundo algarismo: – 0: Sem proteção; – 1: Pingos de água na vertical; – 2: Pingos de água até a inclinação de 15° com a vertical; – 3: Água de chuva até a inclinação de 60° com a vertical; – 4: Respingos em todas as direções; – 5: Jatos de água em todas as direções; – 6: Imersão temporária; – 7: Imersão; – 8: Submersão. Os fabricantes de invólucros metálicos padronizam seus modelos para alguns tipos de grau de proteção, sendo os mais comuns IP54, destinados a ambientes externos e IP53, utilizados em ambientes abrigados (FILHO, 2013). Dessa forma, a especificação do invólucro metálico do cubículo deve conter, no mínimo, o grau de proteção. 2.4.9 Transformador de corrente 2.4.9.1 Função Os transformadores de corrente são equipamentos que permitem aos instrumen- tos de medição e proteção funcionar adequadamente sem que seja necessário possuírem correntes nominais de acordo com a corrente de carga do circuito ao qual estão ligados. Na sua forma mais simples, eles possuem um primário, geralmente de poucas espiras, e um secundário, no qual a corrente nominal transformada é, na maioria dos casos, igual a 5 A (FILHO, 2013). Esses instrumentos são destinados à medição de energia (os quais são especificados e fornecidos pela concessionária) e à proteção, sensibilizando os relés de proteção. 2.4.9.2 Tipos Quanto aos tipos construtivos dos TC’s, destacam-se os do tipo barra, enrolado, janela, bucha e núcleo dividido. Quanto ao tipo de isolamento, existem os TC’s de baixa, Capítulo 2. Revisão bibliográfica 58 média e alta tensão. No escopo deste trabalho, serão abordados os TC’s de proteção de média tensão. A figura 23 mostra exemplos de transformadores de corrente. Figura 23 – Exemplos de transformadores de corrente Fonte: Adaptado de TAMURA BRASIL (2023b). 2.4.9.3 Especificação Os TC’s de proteção têm como função fornecer a informação de corrente para o relé de proteção. A normativa que estabelece os critérios de especificação de um transformador de corrente é a ABNT NBR 6856. Com base nessa norma, os principais parâmetros de dimensionamento são explicitados a seguir. A relação de transformação de corrente (RTC) é a razão entre a corrente primária e secundária do TC, expressa matematicamente pela equação (23). RTC = Ip,TC Is,TC (23) Na qual Ip,TC e Is,TC são, respectivamente, as correntes nominais primária e secundária do TC, em A. A mesma equação é utilizada para obter-se as correntes em um dos enrolamentos, dada a corrente conhecida no outro. Os TC’s também não devem saturar durante curto-circuitos e sobrecargas, forne- cendo sinais confiáveis aos relés de proteção em condições de anormalidades (LOPEZ, 2025). Dessa forma, a ABNT NBR 6856 define um fator de sobrecorrente, que é o fator pelo qual se deve multiplicar a corrente nominal primária do TC para se obter a máxima corrente no circuito primário, sem que o TC sature. A NBR 6856 especifica o fator de sobrecorrente para serviço de proteção em 20 vezes a corrente nominal. A comparação é realizada com basena máxima corrente que pode circular no enrolamento primário do TC, que é uma das correntes de curto-circuito do alimentador, normalmente a trifásica. Desta forma, a inequação (24) deve ser satisfeita. 20 . Ip,TC ≥ Icc,max (24) Na qual Icc,max é a máxima corrente de falta do sistema. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 59 Também deve ser calculada a impedância total vista pelo secundário do TC. Para um transformador de corrente, a carga secundária representa o valor ôhmico das impedân- cias formadas pelos diferentes aparelhos ligados a seu secundário, incluindo os condutores de interligação. Por definição, carga secundária nominal é a impedância ligada aos termi- nais secundários do TC, cujo valor corresponde à potência para a exatidão garantida, sob corrente nominal. As impedâncias são obtidas dos catálogos técnicos dos fabricantes dos equipamentos. Dada a carga secundária e a equação (25), a norma padroniza valores de potência e impedância nominais para a especificação dos TC’s. ZTC = STC Is,TC 2 (25) Na qual ZTC é a impedância nominal do TC, em Ω e STC é a potência aparente nominal do TC, em VA A tensão nos terminais secundários dos transformadores de corrente está limitada pela saturação do núcleo. Mesmo assim, é possível o surgimento de tensões elevadas secundárias quando o primário dos TC’s é submetido a correntes muito altas ou existe uma carga secundária acoplada de valor superior à nominal do TC. A tensão no secundário do TC, dada a carga conectada ao seu secundário é dada por (26). Vs,TC = Is,TC . Zs,TC (26) Na qual Zs,TC é a carga real ligada no secundário do instrumento, em Ω. Já a tensão máxima no secundário (tensão de saturação) pode ser obtida em função da carga padronizada do TC, pela equação (27) (considerando-se um fator de sobrecorrente de 20). Vsat,TC = 20 . ZTC . Is,TC (27) Dessa forma, para garantir que a tensão também não sature na ocorrência de uma falta, a inequação (28) deve ser assegurada. Vs,TC ≤ Vsat,TC (28) A classe de exatidão exprime nominalmente o erro esperado do transformador de corrente, levando em conta o erro de relação de transformação e o erro de defasamento entre as correntes primária e secundária (FILHO; MAMEDE, 2013). As classes padronizadas pela NBR 6856 para aplicações de proteção são 5P e 10P (erros compostos de 5% e 10%, respectivamente). A especificação sumária indica a carga em VA, seguida da classe de exatidão e do fator limite de exatidão, por exemplo: 22,5 VA 10P15. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 60 Assegurando-se os critérios mencionados, a especificação de um transformador de corrente deve conter, no mínimo: • Corrente nominal primária e secundária, em A; • Relação nominal de transformação; • Carga nominal (vista pelo circuito secundário do TC), em VA; • Classe de exatidão; • Frequência nominal; • e nível de isolamento, em kV. 2.4.10 Disjuntor 2.4.10.1 Função Os disjuntores são equipamentos destinados à interrupção e ao restabelecimento das correntes elétricas num determinado ponto do circuito (FILHO, 2013). Nesta seção, serão explorados os disjuntores de média e de baixa tensão. 2.4.10.2 Disjuntor de média tensão Os disjuntores de média tensão sempre devem ser instalados acompanhados da apli- cação dos relés respectivos, que são os elementos responsáveis pela detecção das correntes, tensões, potência, etc. do circuito que, após analisadas por sensores previamente ajustados, podem enviar ou não a ordem de comando para a sua abertura. Um disjuntor instalado sem os relés correspondentes transforma-se apenas numa excelente chave de manobra, sem qualquer característica de proteção (FILHO, 2013). 2.4.10.2.1 Tipos Os disjuntores de MT são principalmente classificados de acordo com o método de extinção de arco elétrico que utilizam. Destacam-se três tipos principais: disjuntores a óleo, a vácuo e a SF6 (FILHO, 2013). Os disjuntores a óleo realizam a interrupção dentro de uma câmara de extinção contendo óleo mineral, que é deslocado até o arco, provocando o seu resfriamento e posterior extinção. São muito afetados pelo número de interrupções que efetua, visto que o óleo mineral sofre decomposição e perda de rigidez dielétrica na presença dos arcos elétricos e os contatos estão sujeito a desgastes que encurtam a vida desses disjuntores em instalações que necessitam de um grande número de manobras (FILHO, 2013). Os disjuntores a SF6 utilizam o gás hexafluoreto de enxofre, cujas propriedades eletronegativas garantem rápida recombinação do plasma e extinção eficiente do arco, porém possuem preço muito elevado (LOPEZ, 2025). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 61 Disjuntores a vácuo são os que utilizam a câmara de vácuo como elemento de extin- ção do arco. A vida útil dos contatos de um disjuntor a vácuo é muito longa, sendo indicado para instalações que requeiram um grande número de manobras. Por não possuírem meio extintor líquido (óleo) e nem gasoso (SF6) são também indicados para atuarem em redes elétricas que necessitam de religamento (FILHO, 2013). São amplamente utilizados, devido à boa performance, custos razoáveis, alta durabilidade e baixa necessidade de manutenção (LOPEZ, 2025). A figura 24 mostra um exemplo de disjuntor amplamente encontrado em aplicações de média tensão. Figura 24 – Exemplo de disjuntor de média tensão a vácuo Fonte: WEG S.A. (2026a). 2.4.10.2.2 Especificação A especificação deve seguir os padrões estabelecidos pela NBR IEC 62271-1 (ABNT, 2020), apresentando, no mínimo, os seguintes parâmetros: • Método de extinção de arco; • Tensão nominal, em kV; • Tensão suportável de impulso atmosférico, em kV; • Tensão suportável à frequência industrial, em kV; • Corrente nominal, em A; • Frequência nominal, em Hz; • Capacidade de interrupção nominal, em kA; • e duração nominal do curto-circuito, em s. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 62 2.4.10.3 Disjuntor de baixa tensão Diferentemente dos disjuntores de MT, que são sensibilizados de forma indireta através de relés, os disjuntores de BT são sensibilizados diretamente, através de dois mecanismos de disparo complementares (CRUZ, 2025): • Disparo térmico: Um elemento bimetálico se aquece conforme a corrente se mantém acima do valor nominal do disjuntor; à medida que esse calor se acumula, a lâmina se deforma gradualmente até acionar o mecanismo interno, abrindo os contatos e interrompendo o circuito; esse processo leva de alguns segundos a minutos, o suficiente para proteger contra sobrecargas prolongadas antes que o cabo ou o equipamento aqueça demais; • Disparo magnético: Atua quase instantaneamente, utilizando uma bobina que gera um campo magnético proporcional à intensidade da corrente; em um curto- circuito, quando a corrente dispara repentinamente a valores muito elevados, esse campo magnético torna-se forte o bastante para puxar uma peça metálica que libera o mecanismo de abertura, interrompendo o circuito em frações de segundo. 2.4.10.3.1 Tipos Quanto ao padrão construtivo, podem ser classificados em três tipos principais: abertos, de caixa moldada e modulares (SILVA, 2013). Além disso, podem ter de um a quatro polos e atuar em circuitos CA e CC. A figura 25 mostra exemplos de disjuntores amplamente encontrados em sistemas de baixa tensão. Figura 25 – Exemplos de disjuntores de baixa tensão Fonte: Adaptado de CNC ELECTRIC (2025). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 63 Os disjuntores também se diferenciam pelas curvas de disparo, as quais definem o comportamento do tempo de atuação do dispositivo em função da corrente de falta, expressa em múltiplos da sua corrente nominal: • Curva B: Atuação entre 3 e 5 vezes a corrente nominal do dispositivo; • Curva C: Atuação entre 5 e 10 vezes a corrente nominal do dispositivo; • Curva D: Atuação entre 10 e 20 vezes a corrente nominal do dispositivo. Figura 26 – Curvas de disparo de disjuntores de baixa tensão Fonte: Adaptado de PADT ELETRONICA (2017). 2.4.10.3.2 Especificação O dimensionamento deve seguir a ABNT NBR 5410, e os padrões construtivos e requisitos de desempenho,a NBR IEC 60947-2 (ABNT, 2014). Para o correto dimensionamento, a relação (29) deve ser satisfeita. Icorrigida ≤ In,prot ≤ Iz (29) Na qual Icorrigida é a corrente corrigida do circuito, In,prot é a corrente nominal do disjuntor e Iz é a capacidade de condução do condutor, todas em A. A especificação deve conter, no mínimo: • Tipo de corrente (CC ou CA); Capítulo 2. Revisão bibliográfica 64 • Tipo construtivo; • Número de polos; • Tensão nominal, em V; • Corrente nominal, em A; • Curva de atuação; • e capacidade de interrupção nominal, em kA. 2.4.11 Relé 2.4.11.1 Função Os relés constituem uma ampla gama de dispositivos que oferecem proteção aos sistemas elétricos nas mais diversas formas: sobrecarga, curto-circuito, sobretensão, subten- são etc. Cada relé de proteção possui uma ou mais características técnicas que o definem para exercer as funções básicas, dentro dos limites exigidos pelos esquemas de proteção e coordenação, para cada sistema elétrico em particular (FILHO; MAMEDE, 2013). Quando os sinais elétricos provenientes dos TP’s e TC’s de proteção se comportam fora dos pa- drões esperados, os relés comandam a abertura do disjuntor de MT, de forma a proteger a instalação. 2.4.11.2 Tipos Ao longo dos anos, foram utilizados diversos tipos construtivos de relés, dentre os quais destacam-se incluem relés eletromecânicos de indução, relés eletrônicos e os atuais relés digitais, que dominam o mercado, e, por esse motivo, serão abordados com ênfase neste trabalho. Com a automação cada vez maior dos sistemas elétricos industriais e de potência, os relés digitais passaram a ser elementos obrigatórios nos esquemas de proteção. São constituídos de circuitos eletrônicos providos de chips de alta velocidade de processamento. Funcionam através de programas dedicados que processam as informações que chegam pe- los transformadores de medida. Por meio de contatos externos, são efetuados os comandos decididos pelo processo de avaliação microprocessado do relé. A figura 27 apresenta um exemplo de relé digital amplamente empregado em subestações de média tensão. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 65 Figura 27 – Exemplo de relé digital de proteção Fonte: ELETROTRAFO (s.d.). Em regimes de anomalia do sistema, ocorrem variações abruptas como queda significativa da tensão, picos de corrente, defasagem acentuada da corrente em relação à tensão, entre outros, dependentes da origem da natureza da anomalia. Esses parâmetros são analisados internamente pelo relé, que determina a necessidade de atuação ou não do disjuntor. Existem inúmeras aplicabilidades de proteção em um sistema elétrico, sejam elas de corrente, tensão, frequência, temperatura, ou qualquer outra grandeza que possa danificar o sistema em caso de mau funcionamento (FILHO; MAMEDE, 2013). Um relé pode ser fabricado para atuar somente na ocorrência de um determinado tipo de evento, respondendo a esse evento de uma única forma. Um exemplo é o relé de sobrecorrente instantâneo do tipo indução, constituído apenas de uma unidade instantânea (função 50). Nesse caso, diz-se que o relé é monofunção. Outros relés, no entanto, são fabricados para atuar na ocorrência de vários tipos de evento, respondendo a esses eventos de duas ou mais formas. Um exemplo é o relé de sobrecorrente, constituído de uma unidade instantânea (função 50) e uma unidade temporizada (função 51), incorporando uma unidade de subtensão e outra de sobretensão. Nesse caso, diz-se que o relé é multifunção (FILHO; MAMEDE, 2013). Para padronizar e universalizar os vários tipos de funções, foi elaborada uma tabela pela ANSI com a descrição da função de proteção e do código numérico correspondente. As funções de proteção básicas e de implementação obrigatória segundo as concessionárias são as funções de proteção contra sobrecorrentes temporizadas e instantâneas, de fase e de neutro, e que serão parametrizadas neste trabalho. São elas: • Função 50: Relé de sobrecorrente instantâneo de fase; • Função 50N: Relé de sobrecorrente instantâneo de neutro; • Função 51: Relé de sobrecorrente temporizado de fase; • e função 51N: Relé de sobrecorrente temporizado de neutro. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 66 No estudo de proteção, busca-se parametrizar essas funções de forma seletiva e coordenada com as proteções da concessionária, buscando a operação das proteções seguindo uma sequência lógica, de forma a, em caso de faltas, isolar apenas o dispositivo de proteção mais próximo a ela. No caso de uma subestação consumidora, o disjuntor da subestação deve atuar antes do disjuntor do alimentador da concessionária ao mesmo tempo em que protege a instalação de forma confiável. Deve-se buscar parametrizar os relés de sobrecorrente de forma a garantir a conti- nuidade de operação para a corrente magnetização do transformador (item 2.4.14.3.3) e interrupção antes dos máximos valores de sobrecarga admitida (item 2.4.14.3.6). As funções de proteção têm os requisitos funcionais padronizados pela norma IEC 60255-151, os quais serão apresentados a seguir. 2.4.11.3 Unidade temporizada A proteção temporizada do relé (funções 51 e 51N) atua segundo curvas relacio- nando corrente x tempo. A atuação do relé terá um comportamento definido pelo tipo de curva de proteção definido, a partir do instante em que o sistema atingir um valor de corrente pré-programado, determinado como corrente de partida (FERGÜTZ, 2024). A corrente de partida é definida pelo projetista como um múltiplo qualquer da corrente nominal, a depender dos parâmetros da instalação e do nível de sobrecarga admissível do sistema. Normalmente trabalha-se com sobrecargas de 10 a 30%, fazendo com que a corrente de partida seja normalmente entre 1,1 e 1,3 vezes a corrente nominal. Para relés com parametrização dependente do tempo, as características temporais de atuação em relação à corrente devem seguir a equação (30) (IEC, 2009). t(I) = DT. k( I Ipartida )α − 1 + c (30) Onde k, α e c são constantes que caracterizam o tipo de curva, I é a corrente primária e DT é o dial de tempo. A IEC 60255 fornece valores para as constantes a serem utilizadas para cada tipo de curva, de acordo com a figura 28. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 67 Figura 28 – Constantes e tipos de curvas de proteção temporizadas Fonte: Adaptado de IEC (2009). O dial de tempo permite que os componentes que estejam encadeados em uma instalação apresentem coordenação e seletividade, permitindo que, para uma mesma relação I/Ipartida, se possa esboçar curvas diferenciadas de atuação do relé (FERGÜTZ, 2024). Isso é ilustrado na figura 29. Figura 29 – Exemplos de curvas IEC MI para diferentes DT Fonte: Elaborado pelo autor. A proteção temporizada de neutro é definida após a de fase, sendo sua corrente de partida um múltiplo da corrente de partida de fase. Um valor muito usual para a corrente de partida das funções de proteção de neutro é de 1/3 (33%) das de fase. Assim, para parametrizar as funções 50 e 50N, define-se a corrente de partida de cada unidade e escolhe-se o tipo de curva que melhor se adéque à necessidade da instalação, Capítulo 2. Revisão bibliográfica 68 alterando o valor do dial de tempo de forma a manter a seletividade e coordenação com a concessionária e proteger o transformador das sobrecargas máximas, buscando não atuar na energização do transformador. Os ajustes de proteção da concessionária são disponibilizados através de solicitação. 2.4.11.4 Unidade instantânea A unidade de proteção instantânea (funções 50 e 50N) é caracterizada pela atuação praticamente imediata do relé, quando se atingem as correntes de partida das funções citadas, com atuação típica na ordem de 30 a 50 ms, dependendo do modelo do relé utilizado (MARTELO, 2023). O ajuste é feito tipicamente considerando-se um múltiplo da corrente de magne- tização do transformador, sendo este menor que a máxima corrente de curto-circuito do sistema. Finalmente, a parametrização é a composição das curvas temporizadas e instan- tâneas, de forma que, para correntesmenores que a corrente de partida da unidade instantânea, a atuação da proteção é temporizada de acordo com a curva definida e, a partir desse valor, passa a ser instantânea. 2.4.12 Chave seccionadora 2.4.12.1 Função Uma chave seccionadora é um dispositivo mecânico de manobra capaz de abrir e fechar um circuito, quando uma corrente de intensidade desprezível é interrompida ou restabelecida e quando não ocorre variação de tensão significativa através dos seus terminais. É também capaz de conduzir correntes sob condições normais do circuito e, durante um tempo especificado, correntes sob condições anormais, tais como curtos- circuitos (ABNT, 2022b). Além de desempenhar essa função, é capaz de, na posição aberta, garantir a distância de isolamento requerida pelo nível de tensão do circuito (FILHO, 2013). 2.4.12.2 Tipos No escopo deste trabalho, destacam-se as seccionadoras de uso interno. Elas podem operar com ou sem carga e ter ou não a presença de fusíveis limitadores de corrente. O modelo de abertura sem carga possui apenas a função de seccionamento do cir- cuito, nunca devendo ser operada com o circuito energizado. Com a presença da base para fusíveis HH, é utilizada também para a proteção de pequenas unidades de transformação. Deve ser evitada em cubículos metálicos, já que os elos fusíveis, quando operam, permitem a formação de arco no interior do cartucho, que é expulso pela parte inferior, podendo atingir o invólucro e ocasionar uma falta a arco (FILHO, 2013). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 69 As seccionadoras de operação sob carga possuem câmaras de extinção de arco, já que operam apenas com pequenas correntes indutivas ou capacitivas, mas são próprios, em geral, para serem acionados com correntes iguais à nominal da chave. Os fusíveis de alta capacidade de ruptura assumem a proteção contra curtos-circuitos e quando qualquer fusível se funde, a chave opera as três fases, não permitindo o funcionamento da instalação em duas fases, ao contrário do modelo de abertura sem carga (FILHO, 2013). A figura 30 mostra um exemplo deste tipo de chave, muito comumente encontrado em subestações abrigadas de média tensão. Figura 30 – Chave seccionadora tripolar de abertura sob carga com base fusível Fonte: Adaptado de MESH ENGENHARIA (2023d). 2.4.12.3 Especificação Os principais parâmetros para a especificação de uma seccionadora são definidos pela ABNT NBR IEC 62271-1 (ABNT, 2020) e pela norma da concessionária local, no caso deste trabalho, a NT.00002 (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). No caso de chaves com base fusível, o dimensionamento da corrente nominal do elo é dependente da potência nominal do transformador da subestação, conforme mostrado na figura 31. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 70 Figura 31 – Dimensionamento de fusíveis HH de média tensão para chaves seccionadoras de abertura sob carga classe 15 kV Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025f). Com base nas normas citadas, os principais parâmetros para a especificação de uma chave seccionadora são os seguintes: • Número de polos; • Abertura (com ou sem carga); • Tensão nominal, em kV; • Corrente nominal, em A; • Frequência nominal, em Hz; • Presença de base fusível (se sim, sua corrente nominal, em A); • e tensão suportável de impulso atmosférico, em kV. 2.4.13 Barramento de média tensão 2.4.13.1 Função Os barramentos são elementos de seção transversal, normalmente de formato re- tangular ou circular, com a finalidade de coletar as correntes que chegam da fonte e distribuí-las aos diversos alimentadores a eles conectados. Podem ser construídos em cobre ou alumínio (FILHO, 2017). 2.4.13.2 Tipos Quanto ao tipo construtivo, os principais são: retangulares, maciços (ou tipo verga- lhão) e tubulares. A figura 32 mostra um exemplo muito aplicado em subestações abrigadas de média tensão. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 71 Figura 32 – Exemplos de barramentos de cobre tipo vergalhão Fonte: IMPÉRIO DOS METAIS (2024). 2.4.13.3 Especificação A especificação deve seguir os padrões definidos pela ABNT NBR 14039 (ABNT, 2021b) e pela norma da concessionária local, no caso deste trabalho, a NT.00002 (EQUA- TORIAL ENERGIA, 2025f). Pela NT.00002, no caso de subestações abrigadas, o barramento pode ter qualquer um dos padrões construtivos descritos em 2.4.13.2, podendo ser de cobre nu ou alumínio equivalente, não sendo admitidos fios ou cabos (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). O dimensionamento depende da potência da instalação, de acordo com a figura 33. Figura 33 – Dimensionamento de barramento de cobre de subestações abrigadas Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025f). Com base nas normas de referência, a especificação deve apresentar, no mínimo: • Material (cobre ou alumínio); • Padrão construtivo (retangular, tubular ou vergalhão); • Dimensões; • Afastamento fase-fase; • e afastamento fase-terra. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 72 2.4.14 Transformador de potência 2.4.14.1 Função O transformador de potência é um equipamento de operação estática que por meio de indução eletromagnética transfere energia de um circuito, chamado primário, para um ou mais circuitos denominados, respectivamente, secundário e terciário, sendo, no entanto, mantida a mesma frequência, porém com tensões e correntes diferentes (FILHO, 2013). Num sistema elétrico, os transformadores são utilizados desde as usinas de produção, onde a tensão gerada é elevada a níveis adequados para permitir a transmissão econômica de potência, até os grandes pontos de consumo, onde a tensão é reduzida ao nível de subtransmissão e de distribuição, alimentando as redes urbanas e rurais, onde novamente é reduzida para poder, enfim, ser utilizada com segurança pelos usuários do sistema (FILHO, 2013). 2.4.14.2 Tipos Quanto ao número de fases, os transformadores são classificados como monofási- cos, bifásicos ou trifásicos, sendo os últimos os mais empregados tanto em sistemas de transmissão e distribuição como em subestações consumidoras. Quanto ao meio isolante, são classificados em: imersos em líquido isolante e a seco. Nos primeiros, destacam-se os transformadores a óleo mineral e a silicone, que apresentam grande capacidade térmica e são o tipo mais encontrado em aplicações ao tempo, como em sistemas de distribuição e aplicações de grandes potências, como em subestações de alta tensão ao tempo. Os últimos são isolados principalmente por resina epóxi ou ar, apresentam custo maior e são mais comumente encontrados em subestações que são parte integrante de outras edificações, devido aos riscos de vazamento de óleo e explosões de transformadores a óleo. A figura 34 apresenta um exemplo de cada um desses transformadores. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 73 Figura 34 – Exemplos de transformadores de potência a óleo e a seco Fonte: Adaptado de TAMURA BRASIL (2022). Esse trabalho dará mais foco aos transformadores a óleo, visto que na subestação projetada, os transformadores possuem cabines dedicadas e isoladas das outras edificações. 2.4.14.3 Especificação A especificação de um transformador de potência tem como principais normas de referência as seguintes: • ABNT NBR 5356-1; • ABNT NBR 5356-2; • ABNT NBR 5356-3; • ABNT NBR 5356-5; • e normas da concessionária local (neste trabalho, foi utilizada a NT.00002). Com base nas normas citadas, os principais parâmetros de dimensionamento estão descritos abaixo. 2.4.14.3.1 Potência nominal A potência do transformador é determinada calculando-se primeiramente a de- manda das cargas elétricas que ele alimentará. Com base na demanda calculada, a NT.00002 recomenda a capacidade do transformador a instalar de acordo com a figura 35. A própria norma assume que os transformadores podem operar com sobrecarga de até 10%. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 74 Figura 35 – Dimensionamento de transformadores particulares Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025f). 2.4.14.3.2 Correntes nominais As correntes nominais nos enrolamentos primário e secundário é calculada pela equação (3), de acordo com os níveis de tensão do transformador.2.4.14.3.3 Corrente de magnetização A corrente de magnetização (ou corrente de inrush) do transformador é a corrente que surge no momento em que se ligam os terminais primários do transformador. Ela pode ser da ordem da própria corrente de curto-circuito nos terminais primários do equipamento. Em outras palavras, essa corrente, em média, é cerca de oito vezes a corrente nominal do transformador em consideração. O tempo de circulação dessa corrente é muito curto, porém, deve ser levado em consideração na calibração dos dispositivos de proteção, que devem sofrer um retardo no seu tempo de disparo para essa condição particular (FILHO, 2013). A corrente de magnetização depende do fluxo magnético remanescente no núcleo do transformador, sendo impossível determinar o seu valor exato. Essa corrente é normalmente estimada pela equação (31). Iinrush = Finrush . Inom−prim (31) Na qual Iinrush é a corrente de magnetização do transformador, em A, Finrush é o fator de magnetização (adimensional) e Inom−prim é a corrente nominal primária do transformador, em A. Normalmente, considera-se 8 ≤ Finrush ≤ 12, sendo 10 um valor amplamente utilizado para transformadores a óleo. No caso de transformadores a seco, esse fator é ainda maior, podendo chegar a 15. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 75 2.4.14.3.4 Corrente de curto-circuito secundária A corrente de curto-circuito nos enrolamentos secundários do transformador é importante para a especificação da capacidade de curto-circuito dos equipamentos a jusante. Ela pode ser obtida pela equação (32) (SILVA, 2013). Icc−sec = Inom−sec . 100 Z% (32) Na qual Icc−sec é a corrente de curto-circuito secundária, Inom−sec é a corrente nominal secundária e Z% é a impedância percentual do transformador, fornecida pelo fabricante. 2.4.14.3.5 Fator K O fator K é uma medição das correntes harmônicas presentes em um sistema elétrico geradas por cargas não lineares. Quanto maior o fator K, maior será a intensidade das correntes harmônicas nessa instalação elétrica. Por exemplo, um fator K de 1 indica que a carga é totalmente linear, ou seja, não apresenta harmônicas. Nos transformadores, essas correntes harmônicas causam diminuição do fluxo e aquecimento acima do desejado nos enrolamentos. Tal efeito ocorre devido às correntes parasitas e ao efeito pelicular. Afinal, quanto maior a frequência da corrente, mais ela circula apenas pela periferia dos condutores. Dessa forma, isso resulta em um aumento da resistência nos cabos visto por essas correntes e, por consequência, aumento do efeito Joule (TAMURA BRASIL, 2023a). O fator K pode ser calculado pela equação (33) (TAMURA BRASIL, 2023a). K = hmax∑ h=1 ( Ih I1 )2 . h2 (33) Onde h é a ordem da harmônica, Ih é a corrente eficaz da harmônica de ordem h, em A, e I1 é a corrente eficaz da componente fundamental, em A. 2.4.14.3.6 Pontos ANSI e NANSI Para a parametrização da proteção do transformador, é importante definir os pontos ANSI e NANSI, os quais são os máximos valores de corrente que um transformador pode suportar durante um período de tempo definido sem se danificar, para as fases e para o neutro, respectivamente. Segundo a NBR 5356, os pontos ANSI e NANSI são calculados, respectivamente, pelas equações (34) e (35). IANSI = Inom−prim . 100 Z% (34) Capítulo 2. Revisão bibliográfica 76 INANSI = IANSI√ 3 (35) Onde Inom−prim é a corrente nominal primária do transformador e Z% é a impe- dância percentual. Com base nos parâmetros descritos acima e nas normas de referência, a especificação de um transformador de potência deve apresentar, no mínimo: • Potência nominal, em kVA; • Meio refrigerante; • Tensão nominal primária, em kV; • Tensão nominal secundária, em V; • Frequência nominal, em Hz; • Corrente de inrush, em A; • Corrente de curto-circuito secundária, em A; • Fator K; • Impedância percentual; • Ligação dos enrolamentos; • Tensão suportável de impulso atmosférico, em kV; • e tensão suportável à frequência nominal, em kV. 2.4.15 Dispositivo de proteção contra surtos 2.4.15.1 Função Os dispositivos de proteção contra surtos (DPS) conseguem detectar tensões tran- sitórias na rede elétrica, desviando as correntes de surto para que os aparelhos eletroele- trônicos da edificação não sejam atingidos por picos de energia (CLAMPER (s.d.), ABNT (2026)). De acordo com a NBR IEC 61643-1, o DPS pode ser classificado em três classes (ABNT, 2007): • Classe I: É destinada à proteção contra surtos elétricos conduzidos, provenientes de descargas atmosféricas diretas, geralmente recomendados para locais com alta exposição e/ou que sejam dotados de SPDA; • É destinado à proteção contra surtos elétricos ocasionados por descargas at- mosféricas indiretas, ou seja, que caem próximo à edificação ou às linhas de transmissão de energia ou dados; • Utilizado próximo ao equipamento protegido; normalmente utilizado como com- plemento de proteção ou em locais com baixa exposição. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 77 Um DPS pode ter de 1 a 4 polos, sendo que cada polo é ligado entre fase e terra ou entre neutro e terra. Também possui versões para correntes contínua e alternada. A figura 36 mostra um exemplo comum de DPS. Figura 36 – Exemplo de DPS Fonte: CLAMPER (2026). 2.4.15.2 Especificação A especificação de um DPS deve seguir os critérios da NBR 5410, enquanto o padrão construtivo e requisitos de desempenho devem estar de acordo com a NBR IEC 61643-1. Com base nessas normas, os principais parâmetros definidos na especificação são: • Tipo de corrente do DPS (CA ou CC); • Número de polos; • Máxima tensão de operação contínua, em V; • Corrente nominal de descarga, em kA; • e corrente máxima de descarga, em kA. 78 3 ESTUDO DE CASO Este capítulo apresentará as premissas do projeto e explicitará os dimensionamentos realizados, culminando na versão executiva final do projeto da subestação aprovado na concessionária. 3.1 PREMISSAS DE PROJETO 3.1.1 Concepção do projeto O projeto trata de um aumento de carga para consumidor final, com empreendi- mento situado na cidade de Porto Alegre/RS, cujos dados foram omitidos para preservação do cliente. Antes do aumento de carga, o consumidor era atendido através de subestação abrigada de 300 kVA, com: • Transformador de 300 kVA interno à edificação, em cabine de alvenaria; • Sala de medição no alinhamento da via pública, sem disjuntor de MT, isolada da cabine de transformação. 3.1.2 Visita técnica Inicialmente, foi realizada uma visita técnica no endereço da instalação, a fim de entender a necessidade do cliente com o projeto em questão, bem como reconhecer a estrutura da rede de distribuição da Equatorial no local, para prever uma possibilidade de derivação da MT para o ramal de conexão da concessionária, na planta de situação. 3.1.3 Levantamento de carga Juntamente ao cliente, foi realizado um levantamento de carga aproximado, com os equipamentos que farão parte do empreendimento após a expansão do sistema, incluindo equipamentos já presentes antes da expansão, a fim de dimensionar a capacidade elétrica final necessária para atender a UC. Esse levantamento contabilizou a potência unitária, em kW de cada equipamento e sua quantidade no empreendimento. Com as quantidades e potências unitárias de cada equipamento, é calculada a carga instalada para cada equipamento e, ao final, calculada a carga instalada total do empreendimento, pela equação (9). 3.1.4 Demanda do empreendimento A partir da carga instalada de cada tipo de equipamento, aplicou-se fatores de demanda para cada carga, conforme recomendado pela NT00002. Com esses fatores, foram calculadas as demandas individuais e, por fim, a demanda geral, pela equação (11). Capítulo 3. Estudo de caso 79 Foi criada a tabela 1 abaixo, que resume as cargas da instalação, com os somatórios das cargas e demandas. Tabela 1 – Levantamento de cargas da instalação Item Descrição Qtd. Potência (kW) Carga Inst. (kW) FP Carga Inst. (kVA) FD Demanda (kW) Demanda (kVA) 1 AC 90 2,43 218,7 0,85 257,29 0,8 174,96Diâmetro (mm) 140 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.5 Para-raios de MT As principais especificações dos para-raios foram realizadas conforme o item 2.4.4 deste trabalho e estão mostradas na tabela 7. Capítulo 3. Estudo de caso 84 Tabela 7 – Especificações dos para-raios do poste particular Método de instalação Externo Tipo construtivo ZnO Material isolador Polimérico Tensão nominal (kV) 12 Tensão máxima de operação F-F (kV) 38 Frequência nominal (Hz) 60 Corrente nominal de descarga (kA) 10 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.5.1 Muflas Os cabos cujas terminações serão conectadas às muflas estão descritos no item 3.2.6. As principais características das muflas estão sintetizadas na tabela 8. Tabela 8 – Especificações das muflas do poste particular Método de instalação Externo Tipo construtivo Termocontrátil Número de fases 1 Tensão de isolamento (F-N/F-F) (kV) 8,7/15 Material dos cabos Cobre Seção dos cabos (mm2) 50 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.6 Ramal de entrada subterrâneo O ramal de entrada se dará de forma subterrânea, em eletroduto enterrado, a partir do poste particular até o cubículo de medição. 3.2.6.1 Condutores de média tensão Foi escolhido cabo de cobre singelo, 8,7/15kV, EPR 105. No item 5.17.6.4 da NT.00002, consta que, para o ramal de entrada em média tensão, deve ser previsto um condutor de reserva, para os casos de avaria em um dos condutores de alimentação. Assim, foram previstos 4 condutores para o ramal de entrada, 1 para cada uma das fases R, S e T e um condutor reserva. Aplicando-se S = 600 kVA e VL = 13,8 kV na equação (3), obtém-se IL = 25,1 A. Foi considerada a temperatura ambiente de 20°C no solo e não haverá agrupamento dos alimentadores, por isso não foi aplicado nenhum fator de correção sobre a corrente de projeto. Pela tabela 25 da NBR 14039:2021, o método de instalação de referência é o método F1. Capítulo 3. Estudo de caso 85 No método F1, pela tabela 29 da NBR 14039:2021, o cabo de 10 mm2 já seria suficiente para atender a corrente calculada. Porém, por motivos comerciais, por ser uma solução mais utilizada e viável no mercado, foi escolhido o cabo de seção 35mm2, que suporta até 126 A no método utilizado. Para a validação do critério de capacidade de curto-circuito, foi considerado o valor da corrente de falta trifásica da concessionária (tabela 2). Utilizando-se esse valor, bem como as constantes definidas pela NBR 14039 e a seção projetada na equação (18), encontra-se um tempo de atuação limite de 1,13 s para a proteção em média tensão. Como o tempo de interrupção nominal do disjuntor de MT projetado é de 60 ms (tabela 13), a seção está corretamente dimensionada para os critérios de capacidade de condução e capacidade de curto-circuito. As especificações dos condutores de MT estão sintetizadas na tabela 9. Tabela 9 – Especificações dos cabos do ramal de entrada Material do condutor Cobre Tipo Unipolar Material de isolação do cabo EPR 105 Material de cobertura do cabo PVC Seção nominal do condutor (mm2) 35 Número de condutores 4 Classe de encordoamento 2 Tensão de isolamento F-N/F-F (kV) 8,7/15 Temperatura do condutor em regime contínuo (°C) 105 Temperatura do condutor em regime de sobrecarga (°C) 140 Temperatura do condutor em regime de curto-circuito (°C) 250 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.6.2 Eletrodutos de média tensão Para o trecho junto ao poste, o eletroduto é padrão, conforme item 2.4.7.2 Para o trecho enterrado, escolheu-se o eletroduto de PEAD. Para atender à taxa máxima de ocupação, foi utilizado como referência um catálogo de um fornecedor de cabos de média tensão do mesmo padrão especificado no projeto (NEXANS, 2023) e um catálogo de um fornecedor de eletrodutos corrugados (TECHDUTO SOLUÇÕES, 2016). O cabo utilizado tem diâmetro externo de 21,5 mm, sendo utilizados 4 cabos. A variação do diâmetro externo do eletroduto é de 1 mm e a espessura da parede é de 10 mm. Aplicando-se esses valores na equação (22), obtém-se um diâmetro mínimo de 100 mm. Por se tratar de um circuito de alimentação subterrâneo, devido à dificuldade de Capítulo 3. Estudo de caso 86 manutenção em casos de avarias, foi previsto um duto de reserva a partir da primeira caixa de inspeção junto ao poste particular até a cabine de medição. A especificação dos eletrodutos do ramal de entrada está explicitada na tabela 10. Tabela 10 – Especificações dos eletrodutos do ramal de entrada Material (trecho junto ao poste) Aço galvanizado Material (trecho enterrado) PEAD Diâmetro (mm) 100 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.7 Cubículos blindados de média tensão Como referência, foi utilizado catálogo de um fornecedor homologado pela Equa- torial Energia (GRUPO GIMI, 2023). Imagens com cortes frontais, internos e diagramas unifilares de cada modelo de cubículo utilizado no projeto, retiradas do catálogo mencio- nado estão disponíveis no Anexo A. As funções que serão desempenhadas pelos cubículos foram definidas de acordo com os modelos disponíveis pelo fabricante. As funções requisitadas são: Medição, proteção geral de MT, transição de barra- mentos e 2 unidades de saída com chaves seccionadoras. As especificações gerais dos cubículos blindados estão sintetizadas na tabela 11. Tabela 11 – Especificações gerais dos cubículos blindados de média tensão Tensão nominal (kV) 13,8 Classe de tensão (kV) 17,5 Tensão de ensaio com frequência industrial (kV/min) 38 NBI (kV) Frequência nominal (Hz) 50/60 Corrente suportável nominal de curta duração (kA/1s) 16 Valor de crista da corrente suportável nominal (kA) 41,6 Corrente nominal dos barramentos (A) 300 Fonte: Elaborado pelo autor. A tabela 12 contém as especificações do invólucro dos cubículos. Capítulo 3. Estudo de caso 87 Tabela 12 – Especificações dos invólucros dos cubículos blindados de média tensão Grau de proteção mínimo IP43 Espessura mínima de chapa de aço (mm) 2,6 Cor de pintura Cinza Munsell N6.5 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.7.1 Disjuntor de MT As principais características do disjuntor de MT foram especificadas conforme o item 2.4.10.2 deste trabalho e estão sintetizadas na tabela 13. A corrente nominal que normalmente circula pelo disjuntor é a mesma calculada em 3.2.6.1, porém, os modelos comerciais trabalham com capacidades nominais de condução muito superiores às correntes de projeto. Tabela 13 – Características elétricas do disjuntor de média tensão Tensão nominal (kV) 13,8 Classe de tensão (kV) 15 Frequência nominal (Hz) 60 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico (kV) 110 Tensão suportável nominal à frequência industrial (kV) 34 Método de extinção de arco Vácuo Corrente nominal mínima (A) 400 Capacidade de interrupção nominal mínima em curto-circuito (kA) 16 Valor de crista nominal da corrente suportável (kA) 82 Duração nominal da corrente de curto-circuito (s) 1 Tempo de interrupção nominal (ms) 60 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.7.2 Chave Seccionadora do cubículo de proteção A seccionadora do cubículo de proteção alimenta o disjuntor de MT e deve possuir intertravamento com o mesmo. Suas características elétricas estão mostradas na tabela 14. Capítulo 3. Estudo de caso 88 Tabela 14 – Características elétricas da chave seccionadora do cubículo blindado de pro- teção Número de polos 3 Abertura Sem carga Presença de base fusível Não Tensão nominal (kV) 13,8 Classe de tensão (kV) 15 Frequência nominal (Hz) 60 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico de crista (a terra e entre polos) (kV) 110 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico de crista (entre contatos abertos) (kV) 125 Corrente nominal eficaz (A) 630 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.7.3 Chaves seccionadoras dos cubículos de saída A especificação é idêntica à chave do cubículo de proteção (tabela 14), a não ser pela presença de fusíveis HH, para a proteção do transformador. Pela figura 31, para proteger os transformadores, ambos de 300 kVA, escolhe-se o fusível HH de corrente nominal de 25 A. Assim, a especificação completa das chaves dos cubículos de saídafica conforme a tabela 15. Tabela 15 – Características elétricas das chaves seccionadoras dos cubículos blindados de saída Número de polos 3 Abertura Com carga Presença de base fusível Sim Corrente nominal do fusível HH (A) 25 Tensão nominal (kV) 13,8 Classe de tensão (kV) 15 Frequência nominal (Hz) 60 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico de crista (a terra e entre polos) (kV) 110 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico de crista (entre contatos abertos) (kV) 125 Corrente nominal eficaz (A) 630 Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 3. Estudo de caso 89 3.2.8 Cabine de medição e proteção em alvenaria A cabine de proteção será destinada para abrigar os cubículos blindados. Seu padrão construtivo em alvenaria seguirá o estabelecido pela NT.00002, com base em alvenaria e paredes externas com espessura de 20 cm, com dimensões mínimas que comportem o cubículo e respeitem o dimensional mínimo especificado na NT.00002, mantendo o livre acesso à concessionária. O piso, bem como o teto da cabine devem apresentar declividade de 2%, para facilitar o escoamento da água em condições de tempo adversas. Cumprindo-se esses requisitos, projetou-se cabine em alvenaria com dimensões de 4,95 x 2,28 m, atendendo às premissas desejadas e dentro do espaço físico disponível no empreendimento. 3.2.9 Muflas internas A especificação das muflas internas à cabine de transformação é quase idêntica à das muflas presentes no poste particular (item 3.2.5.1), a não ser pelo método de instalação, como mostra a tabela 16. Tabela 16 – Especificações das muflas da cabine de transformação Método de instalação Interno Tipo construtivo Termocontrátil Número de fases 1 Tensão de isolamento (F-N/F-F) (kV) 8,7/15 Material dos cabos Cobre Seção dos cabos (mm2) 50 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.10 Chave seccionadora da cabine de transformação A chave seccionadora da cabine de transformação tem dimensionamento idêntico à do cubículo seccionador de saída para os transformadores (conforme tabela 15). 3.2.11 Barramento de média tensão A especificação completa do barramento está mostrada na tabela 17. Por razões de praticidade comercial, optou-se pelo barramento de 3/8", ainda que o de 1/4"atenda a necessidade do projeto, conforme tabela 33. Capítulo 3. Estudo de caso 90 Tabela 17 – Especificações do barramento de média tensão Material Cobre Tipo de barramento Vergalhão Diâmetro nominal (pol.) 3/8" Afastamento mínimo F-F (cm) 18 Afastamento mínimo F-T (cm) 22 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.12 Transformador de potência Inicialmente, calcula-se a corrente de magnetização do transformador, através da equação (31). Considerou-se um fator de inrush de 10 vezes a corrente nominal, que é um valor usual, conforme apresentado em 2.4.14.3.3. Utilizando-se a equação (3) para a potência de 300 kVA e tensão de 13,8 kV, encontra-se uma corrente nominal primária de 12,551 A para o transformador. Substituindo- se esse valor na equação (31), encontra-se uma corrente de magnetização de 125,51 A. Agora, calcula-se a corrente de curto-circuito do lado secundário. Primeiro, utiliza-se novamente a equação (3), para a potência de 300 kVA e tensão de linha secundária de 220 V, Obtendo-se uma corrente nominal secundária de 787,3 A. Para fins de cálculo, considerou-se uma impedância percentual de 4,5%, que é um valor usual para transformadores de 300 kVA. Como referência, foi utilizada uma folha de dados de um transformador de 300 kVA da WEG (WEG S.A., 2026b). Substituindo-se os valores encontrados na equação (32), obtém-se Icc−sec = 17495 A. Por fim, calculam-se as máximas correntes de sobrecarga admissíveis pelo transfor- mador pelas equações (34) e (35), obtendo-se 278,9 A para ao ponto ANSI e 161 A para o ponto NANSI. Com isso, tem-se todos os dados necessários para a especificação do transformador. A tabela 18 mostra a especificação completa. Capítulo 3. Estudo de caso 91 Tabela 18 – Especificações do transformador de potência Potência nominal (kVA) 300 Meio refrigerante Óleo mineral Corrente de inrush (A) 125,51 Corrente de curto-circuito secundária (A) 17495 Fator K K-4 Tensão nominal primária (kV) 13,8 Tensão nominal secundária (V) 220 Frequência nominal (Hz) 60 Impedância percentual (%) 4,5 Ligação dos enrolamentos Dyn1 Tensão máxima (kV) 15 Tensão suportável de impulso atmosférico (kV) 110 Tensão suportável à frequência industrial (kV) 34 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.13 Condutores de baixa tensão Os cabos alimentarão o QGBT através de eletrodutos aparentes instalados sobre o piso. Dessa forma, pela tabela 33 da NBR 5410:2004, o método de instalação de referência é o método B1. A corrente de projeto já foi calculada no item 3.2.12, tendo valor de 787,3 A. Escolheu-se para os condutores a isolação em HEPR 0,6/1 kV, com temperatura de operação de 90°C. Pela tabela 37 da NBR 5410:2004, seria necessário, para cada uma das três fases, um condutor de seção de 630 mm2. Porém, por questões de viabilidade, decidiu-se dividir o circuito de saída em 3 circuitos idênticos, de forma a reduzir a seção necessária dos condutores. Cada circuito completo (3 fases, neutro e proteção) passará por um eletroduto individualmente. Dessa forma, a corrente nominal circulante por cada circuito é igual a um terço da corrente nominal total do secundário, ou seja, 787, 3/3 = 262, 43 A. Para esse valor, a seção mínima possível é a de 95 mm2. Também, optou-se por não reduzir a seção do condutor de neutro, devido a possíveis harmônicas geradas em cargas da edificação. A seção do condutor de proteção foi reduzida. Para validar o critério da queda de tensão, retirou-se a resistência e reatância de um modelo comercial da Prysmian para o cabo projetado (PRYSMIAN GROUP, 2020). Considerou-se uma distância de 2 m entre o secundário do transformador e o QGBT (figura 44), fator de potência de 0,92 e 3 condutores em paralelo por fase. Aplicando-se esses valores na equação (13), obteve-se uma queda de tensão de 0,11%. Para o critério da capacidade de curto-circuito, considerou-se a corrente de curto- Capítulo 3. Estudo de caso 92 circuito do secundário do transformador, calculada no item 3.2.12 e o fator k definido pela NBR 5410. Aplicando-se esses valores na equação (15), obtém-se um tempo de suportabilidade de curto-circuito de 0,6 s. Considerando-se a atuação do disjuntor geral em 0,1 s, a seção está adequada. A especificação dos cabos de baixa tensão está mostrada na tabela 19. Tabela 19 – Especificações dos cabos de baixa tensão Tipo de corrente CA Material do condutor Cobre Material de isolação do cabo EPR Material de cobertura do cabo PVC Tipo Unipolar Tensão de isolamento F-N/F-F (kV) 0,6/1 Seção do condutor de fase (mm2) 95 Seção do condutor neutro (mm2) 95 Seção do condutor de proteção (mm2) 50 Número de circuitos por fase 3 Temperatura em regime contínuo (°C) 90 Temperatura em regime de sobrecarga (°C) 130 Temperatura em regime de curto-circuito (°C) 250 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.14 Eletrodutos para os cabos de baixa tensão O dimensionamento dos eletrodutos para os cabos de BT é análogo ao realizado no item 3.2.6.2. Foi escolhido o eletroduto de PVC rígido. Como referência, para cálculo da área de ocupação, utilizou-se um catálogo de fornecedor de cabos de 0,6/1 kV com isolação em HEPR e cobertura em PVC (NEXANS, 2025) e um de eletrodutos de PVC rígidos (AMANCO BRASIL, s.d.). Ainda, foi con- siderado o pior caso para o cálculo, considerando a seção do condutor de proteção não reduzida, a maior espessura de parede do eletroduto segundo o catálogo e uma variação de 1 mm para o diâmetro nominal do eletroduto. Aplicando-se esse valores para uma taxa de ocupação máxima de 40% na equação (22), chega-se a um diâmetro externo mínimo de 72 mm. Foi escolhido o diâmetro nominal de 100 mm. A tabela 20 mostra a especificação completa dos eletrodutospara os circuitos de baixa tensão. Capítulo 3. Estudo de caso 93 Tabela 20 – Especificações dos eletrodutos para os cabos de baixa tensão Material. . . . . . 21 Figura 2 – Subestação de média tensão abrigada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Figura 3 – Subestação de alta tensão ao tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Figura 4 – Subestação de média tensão aérea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Figura 5 – Subestação blindada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Figura 6 – Elementos de entrada de serviço de uma unidade consumidora . . . . . 29 Figura 7 – Cubículos presentes em uma subestação abrigada de média tensão . . . 31 Figura 8 – Tipos de curtos-circuitos em um sistema elétrico . . . . . . . . . . . . . 33 Figura 9 – Triângulo de potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Figura 10 – Exemplo de chave fusível de base C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Figura 11 – Exemplo de elo fusível tipo K . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 Figura 12 – Dimensionamento de elos fusíveis - transformadores trifásicos . . . . . . 39 Figura 13 – Ponto de conexão através de poste particular . . . . . . . . . . . . . . . 40 Figura 14 – Exemplos de isoladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Figura 15 – Para-raios de óxido de zinco de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . 44 Figura 16 – Muflas terminais termocontráteis a frio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Figura 17 – Padrão construtivo de um cabo unipolar de baixa tensão . . . . . . . . 46 Figura 18 – Padrão construtivo de um cabo unipolar de média tensão . . . . . . . . 50 Figura 19 – Padrão construtivo de um cabo coberto de média tensão . . . . . . . . 51 Figura 20 – Dimensionamento de ramal de conexão/entrada aéreo em classe de tensão primária de distribuição 15 kV, 24,2 kV 36,2 kV . . . . . . . . . 52 Figura 21 – Exemplos de eletrodutos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Figura 22 – Exemplo de sistema com cubículos blindados modulares . . . . . . . . 56 Figura 23 – Exemplos de transformadores de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 Figura 24 – Exemplo de disjuntor de média tensão a vácuo . . . . . . . . . . . . . . 61 Figura 25 – Exemplos de disjuntores de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Figura 26 – Curvas de disparo de disjuntores de baixa tensão . . . . . . . . . . . . 63 Figura 27 – Exemplo de relé digital de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Figura 28 – Constantes e tipos de curvas de proteção temporizadas . . . . . . . . . 67 Figura 29 – Exemplos de curvas IEC MI para diferentes DT . . . . . . . . . . . . . 67 Figura 30 – Chave seccionadora tripolar de abertura sob carga com base fusível . . 69 Figura 31 – Dimensionamento de fusíveis HH de média tensão para chaves seccio- nadoras de abertura sob carga classe 15 kV . . . . . . . . . . . . . . . . 70 Figura 32 – Exemplos de barramentos de cobre tipo vergalhão . . . . . . . . . . . . 71 Figura 33 – Dimensionamento de barramento de cobre de subestações abrigadas . . 71 Figura 34 – Exemplos de transformadores de potência a óleo e a seco . . . . . . . . 73 Figura 35 – Dimensionamento de transformadores particulares . . . . . . . . . . . . 74 Figura 36 – Exemplo de DPS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 Figura 37 – Planta de situação - etapa 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Figura 38 – Planta de situação - etapa 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 Figura 39 – Cortes frontal e lateral do poste particular . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Figura 40 – Planta baixa da cabine de medição e proteção . . . . . . . . . . . . . . 102 Figura 41 – Corte A-A da cabine de medição e proteção . . . . . . . . . . . . . . . 103 Figura 42 – Corte B-B da cabine de medição e proteção . . . . . . . . . . . . . . . 103 Figura 43 – Corte C-C da cabine de medição e proteção . . . . . . . . . . . . . . . 104 Figura 44 – Planta baixa da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 Figura 45 – Corte A-A da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Figura 46 – Corte B-B da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Figura 47 – Corte C-C da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Figura 48 – Corte D-D da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Figura 49 – Corte E-E da cabine de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 Figura 50 – Planta baixa da instalação completa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Figura 51 – Diagrama unifilar da subestação - parte 1 . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Figura 52 – Diagrama unifilar da subestação - parte 2 . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Figura 53 – Diagrama unifilar da subestação - parte 3 . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Figura 54 – Diagrama unifilar da subestação - parte 4 . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Figura 55 – Coordenograma de proteções da subestação . . . . . . . . . . . . . . . 112 Figura 56 – Legenda das plantas de situação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 Figura 57 – Legenda das estruturas das plantas de situação . . . . . . . . . . . . . 124 Figura 58 – Legenda das plantas, cortes e do diagrama unifilar . . . . . . . . . . . . 125 Figura 59 – Legenda de símbolos do diagrama unifilar . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Figura 60 – Detalhe 01: Placa de advertência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Figura 61 – Detalhe 02: Ferrolho tipo porta-cadeado . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Figura 62 – Detalhe 04: Suporte para muflas/terminações de para-raios . . . . . . . 128 Figura 63 – Detalhe 05: Vala da malha de aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Figura 64 – Detalhe 06: Caixa de inspeção de aterramento . . . . . . . . . . . . . . 129 Figura 65 – Detalhe 07: Grade de proteção da cabine de transformação . . . . . . . 130 Figura 66 – Detalhe 09: Aberturas para ventilação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 Figura 67 – Detalhe 10: Barra de aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Figura 68 – Detalhe 12: Tubulação enterrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Figura 69 – Detalhe 13: Caixa de passagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Figura 70 – Modelo do cubículo de medição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Figura 71 – Modelo do cubículo de proteção. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Figura 72 – Modelo do cubículo de transição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Figura 73 – Modelo do cubículo de saída com chave seccionadora. . . . . . . . . . . 135 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Levantamento de cargas da instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 Tabela 2 – Dados do alimentador da concessionária . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Tabela 3 – Especificações elétricas da chave fusível do poste de derivação da con- cessionária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Tabela 4 – Especificações do poste particular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Tabela 5 – Especificações do cabo do ramal de conexão . . . . . . . . . . . . . . . 83 Tabela 6 – Especificações dos isoladores do poste particular . . . . . . . . . . . . . 83 Tabela 7 – Especificações dos para-raios do poste particular . . . . . . . . . . . . 84 Tabela 8 – Especificações das muflas do poste particular . . . . . . . . . . . . . . 84 Tabela 9 – Especificações dos cabos do ramal de entrada . . . . . . . . . . . . . . 85 Tabela 10 – Especificações dos eletrodutos do ramal de entrada . . . . . . . . . . . 86 Tabela 11 – Especificações gerais dos cubículos blindados de média tensão . . . . . 86 Tabela 12 – Especificações dos invólucros dos cubículos blindados de média tensão . 87 Tabela 13 – Características elétricas do disjuntor de média tensão . . . . . . . . . . 87 Tabela 14 – Características elétricas da chave seccionadora do cubículo blindado de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Tabela 15 – Características elétricas das chaves seccionadoras dos cubículos blinda-PVC Diâmetro (mm) 100 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.15 Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) A especificação do DPS do QGBT seguiu os padrões estabelecidos pela NBR 5410 e seu dimensionamento está expresso na tabela 21. Tabela 21 – Especificações do dispositivo de proteção contra surtos do QGBT Tipo de corrente CA Número de polos 4 Máxima tensão de operação contínua (V) 175 Classe I Corrente nominal de descarga (kA) 20 Corrente máxima de descarga (kA) 45 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.16 Disjuntor geral de baixa tensão A especificação do disjuntor geral de baixa tensão seguiu os padrões da NBR 5410 (ABNT, 2004). A capacidade de interrupção mínima foi definida com base no valor da corrente de curto-circuito do secundário do transformador, calculada no item 3.2.12. A especificação completa do disjuntor geral do QGBT está na tabela 22. Tabela 22 – Especificações do disjuntor geral de baixa tensão Tipo de corrente CA Tipo construtivo Caixa moldada Número de polos 3 Tensão nominal (V) 220 Curva de atuação Ajustável Corrente nominal (A) 800 Capacidade de interrupção (kA) 20 Fonte: Elaborado pelo autor. Pela corrente nominal dimensionada para o disjuntor, o dimensionamento dos cabos de BT está adequado, visto que a capacidade de condução total dos 3 circuitos é equivalente a 807 A, superior ao valor da corrente nominal do disjuntor geral. Capítulo 3. Estudo de caso 94 3.2.17 Demais dimensionamentos 3.2.17.1 Malha de aterramento O projeto da malha de aterramento seguiu o indicado na NT.00002, seção 6.15. A malha foi projetada circundando as cabines de proteção e transformação. Foi prevista uma caixa de inspeção de aterramento por haste instalada. O condutor da malha deve estar de acordo com a ABNT NBR 5111 (ABNT, 1997) e com a ET.00133 (EQUATORIAL ENERGIA, 2023). As hastes devem estar de acordo com a ABNT NBR 13571 (ABNT, 1996) e com a ET.00101 (EQUATORIAL ENERGIA, 2025a). A especificação da malha de aterramento está na tabela 23. A Equatorial não exige o cálculo teórico da resistência de aterramento, apenas recomenda um número mínimo de 5 hastes, exigindo que, na vistoria da instalação, a resistência de aterramento medida não ultrapasse 10 Ω. Tabela 23 – Especificações da malha de aterramento Material do condutor Cobre Material de isolação do cabo Nenhum Material de cobertura do cabo Nenhum Tipo de condutor Unipolar Material da haste Cobre ou aço cobreado Número de hastes 7 Distância mínima entre hastes (m) 2,40 Fonte: Elaborado pelo autor. 3.2.17.2 Aberturas e ventilações Foram projetadas portas de entrada para as cabines conforme a NT.00002, em chapa metálica veneziana, com dimensões 2 x (80 x 210) cm e 2 x (70 x 210), com trinco e cadeado padrões. Além disso, foi prevista uma janela veneziana para ventilação permanente da cabine de proteção e duas para a cabine de transformação, com grade de proteção com armação de cantoneira e tela de arame galvanizado n° 12 BWG, com malha mínima de 13 mm e máxima de 20 mm. 3.2.17.3 Aterramento de massas metálicas Foi previsto, conforme item 6.15.2 da NT.00002, condutor de aterramento para toda e qualquer massa metálica presente nas cabines, sendo elas energizadas ou não. Dessa forma, foi projetada uma malha em condutor de cobre nu de 25 mm2 interna em cada uma das cabines, conectada às massas metálicas e ao BEP, que é equipotencializado com a malha de aterramento da subestação. Capítulo 3. Estudo de caso 95 3.2.17.4 Tapete isolante Foi previsto um tapete de material isolante de dimensões 100x100 cm e nível de isolamento de 15 kV para a segurança dos operadores que exercerão qualquer funções na subestação. 3.2.17.5 Grade de proteção Na cabine de transformação, foi prevista grade de proteção removível com armação de cantoneira e tela de arame galvanizado nº 12 BWG, com malha mínima de 13 mm e máxima de 20 mm para separação física dos equipamentos energizados em média tensão e proteção das pessoas que acessam a cabine. 3.2.18 Estudo de proteção Após a aprovação do projeto, foi realizado o estudo de proteção com as parame- trizações das funções de sobrecorrente temporizadas e instantâneas, com base nos dados de curto-circuito fornecidos pela concessionária (tabela 2) e nas correntes de sobrecarga calculadas para o transformador item 3.2.12. Foi considerado o relé de proteção Pextron URPE 6104. 3.2.18.1 Especificação dos TC’s de proteção Seguindo-se os parâmetros definidos no item 2.4.9.3, os valores obtidos estão mos- trados na tabela 24. A corrente de curto-circuito máxima é a máxima corrente que o TC suporta sem saturar, conforme o critério de seleção por saturação (inequação (24)). O critério é satisfeito pois a máxima corrente de falta do alimentador é 4438 A (falta trifásica). Já a corrente de curto-circuito trifásica secundária é a corrente que circula no secundário em regime de falta trifásica, obtida aplicando-se a relação de transformação do instrumento nessa corrente de falta. Tabela 24 – Parâmetros calculados para o TC de proteção Corrente primária (A) 250 Corrente de curto-circuito máxima primária (A) 5000 Impedância da fiação (Ω) 0,006 Impedância do relé (Ω) 0,028 Impedância do TC (Ω) 0,100 Corrente de curto-circuito trifásica secundária (A) 88,76 Tensão máxima secundária (V) 11,89 Especificação sumária do TC 12,5 VA 10P20 Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 3. Estudo de caso 96 3.2.18.2 Parametrização das funções de proteção A parametrização das funções de proteção seguiu os itens 2.4.11.3 e 2.4.11.4 deste trabalho. Os resultados estão mostrados na tabela 25. Tabela 25 – Parametrização das funções de sobrecorrente Função Curva IEC Corrente de partida (A) DT 51 MI 27,65 0,2 50 - 276,45 - 51N EI 9,21 0,1 50N - 92,14 - Fonte: Elaborado pelo autor. 97 4 RESULTADOS Com todos os dimensionamentos necessários realizados, chegou-se a uma versão executiva do projeto da subestação. Neste capítulo, será apresentada, item a item, a solução final implementada, a partir das plantas e diagramas desenvolvidos. As legendas, simbologias e detalhes do projeto estão disponibilizadas nos apêndices A e B. 4.1 PLANTA DE LOCALIZAÇÃO A planta de localização foi desenvolvida como exigência obrigatória por parte da concessionária na apresentação do projeto, contendo o endereço da obra e pontos com coordenadas de referência. Ela foi propositalmente omitida deste trabalho por discrição do cliente. 4.2 PLANTAS DE SITUAÇÃO Nesta seção, são apresentadas as plantas de situação. Elas explicitam as localizações de cada unidade da subestação, bem como das estruturas existentes e a instalar da rede de distribuição local da concessionária, a fim de propor uma derivação da rede de média tensão (ramal de conexão). Os nomes das ruas, bem como o endereço da UC foram propositalmente removidos das plantas. 4.2.1 Situação - etapa 1 A etapa 1 na planta de situação (figura 37), mostra o local da cabine de medição que será desativada, o local de construção da nova cabine de medição e o local da cabine de transformação existente. Capítulo 4. Resultados 98 Figura 37 – Planta de situação - etapa 1 Fonte: Elaborado pelo autor. 4.2.2 Situação - etapa 2 A etapa 2 na planta de situação (figura 38), mostra uma visão geral da situação final do cliente, com a cabine de medição atualizada e a nova cabine de transformação no lugar da antiga medição. Capítulo 4. Resultados 99 Figura 38 – Planta de situação - etapa 2 Fonte: Elaborado pelo autor. A tabela 26 mostra as especificações dos postes do local. A primeira letra indica o tipo de poste (C = Concreto, M = Madeira, DT = Duplo T). Os dois dígitos subsequentes indicam a altura do poste, em metros. O número entre parênteses indica a resistência mecânica nominal do poste, em daN e a indicação após o hífen indica o padrão de estrutura da rede de média tensão. Assim, uma especificação "C12(400)-N1"representa um poste de concreto, de 12 m, 400 daN e estrutura de MT tipo Normal-1. Capítulo 4. Resultados 100 Tabela 26 – Especificações de postes de distribuição locaisPoste Nº Equip. Especificação P1 123722 S/N C12(400)-N1 P2 123723 47638-1 C11(400)-N1 P3 123724 S/N C12(400)-N1 P4 123721 - M11-N1 P5 - - DT12(400)-CUF3 Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3 PLANTAS BAIXAS E CORTES Nesta seção, são apresentadas todas as plantas baixas e cortes das cabines que compõem a subestação projetada - medição e proteção em cubículos e transformação. 4.3.1 Poste particular Os cortes do poste particular do cliente mostram a estrutura de média tensão para a derivação da energia da rede, bem como o ramal de entrada subterrâneo. Capítulo 4. Resultados 101 Figura 39 – Cortes frontal e lateral do poste particular Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.2 Cabine de medição e proteção As plantas e cortes da cabine de medição mostram a entrada de energia através do ramal de entrada subterrâneo, vindo do poste particular com caixa de passagem e a cabine em alvenaria que abriga os cubículos. Inicialmente, há o cubículo de medição da concessionária, depois o cubículo de proteção, um cubículo de transição e dois cubícu- los de chaves seccionadoras, com saídas subterrâneas em eletrodutos para cada um dos Capítulo 4. Resultados 102 transformadores. Também contêm o anel de aterramento compartilhado com a cabine de transformação ao lado, com as respectivas caixas de inspeção nos locais com as hastes enterradas, porta e venezianas padrão, duas luminárias, BEP, unidade de iluminação de emergência e extintor de incêndio. 4.3.2.1 Planta baixa Figura 40 – Planta baixa da cabine de medição e proteção Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 103 4.3.2.2 Corte A-A Figura 41 – Corte A-A da cabine de medição e proteção Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.2.3 Corte B-B Figura 42 – Corte B-B da cabine de medição e proteção Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 104 4.3.2.4 Corte C-C Figura 43 – Corte C-C da cabine de medição e proteção Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.3 Cabine de transformação nova Na nova cabine de transformação em alvenaria, há a entrada subterrânea através de eletrodutos e muflas nas terminações dos cabos de MT. As muflas chegam à seccionadora, que, por sua vez, alimenta o barramento trifásico da MT do transformador. Os cabos de BT do transformador vão ao QGBT, que possui o disjuntor geral de baixa tensão das novas instalações e distribui a energia aos quadros de distribuição para as cargas finais. Há uma bacia para contenção de óleo do transformador, punho de manobra para operação da chave seccionadora, a continuação do anel de aterramento compartilhado, com as respectivas caixas de inspeção, venezianas para ventilação, porta padrão, grade de proteção, BEP, iluminação artificial, iluminação de emergência e extintor de incêndio. Capítulo 4. Resultados 105 4.3.3.1 Planta baixa Figura 44 – Planta baixa da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 106 4.3.3.2 Corte A-A Figura 45 – Corte A-A da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.3.3 Corte B-B Figura 46 – Corte B-B da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 107 4.3.3.4 Corte C-C Figura 47 – Corte C-C da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.3.5 Corte D-D Figura 48 – Corte D-D da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 108 4.3.3.6 Corte E-E Figura 49 – Corte E-E da cabine de transformação Fonte: Elaborado pelo autor. 4.3.4 Planta baixa geral A planta mostrada na imagem 50 mostra a instalação de forma integrada, desde o ramal de conexão até o QGBT, com apontamentos realizados sobre a situação atual da instalação e necessidades de mudanças para a execução do projeto. Capítulo 4. Resultados 109 Figura 50 – Planta baixa da instalação completa Fonte: Elaborado pelo autor. 4.4 DIAGRAMA UNIFILAR A seguir é apresentado o diagrama unifilar da instalação, que mostra desde a derivação da rede da concessionária até as saídas dos QGBT’s para as cargas finais da edificação. Figura 51 – Diagrama unifilar da subestação - parte 1 Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 110 Figura 52 – Diagrama unifilar da subestação - parte 2 Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 111 Figura 53 – Diagrama unifilar da subestação - parte 3 Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 54 – Diagrama unifilar da subestação - parte 4 Fonte: Elaborado pelo autor. Capítulo 4. Resultados 112 4.5 COORDENOGRAMA DE PROTEÇÃO O coordenograma com as curvas parametrizadas para o relé de proteção está mostrado na figura 55. Relembrando que apenas as funções 50/50N e 51/51N entraram no escopo deste trabalho. Figura 55 – Coordenograma de proteções da subestação Fonte: Elaborado pelo autor. 113 5 CONCLUSÃO O presente trabalho apresentou o projeto completo de uma subestação consumidora de média tensão de 600 kVA. Os objetivos foram alcançados, resultando em um projeto que atende aos requisitos da ABNT e da Equatorial Energia, sendo sua versão final aprovada pela concessionária. O dimensionamento resultou na expansão da capacidade do empreendimento em 100%, a partir de um novo transformador de 300 kVA, com mudança do padrão construtivo das cabines para cubículos blindados e da proteção geral de baixa para média tensão. O estudo de proteção resultou na parametrização das funções de sobrecorrente de forma seletiva e coordenada com a proteção do alimentador da concessionária, realizando a proteção do transformador de forma satisfatória. Foi apresentada uma metodologia de projeto sistemática, justificando todas as escolhas e dimensionamentos realizados e, como contribuição, servindo como referencial para projetos similares e trabalhos correlatos na área de instalações elétricas. A principal dificuldade encontrada foi a escolha do padrão construtivo da subestação adequando-se ao espaço físico disponível na edificação e a busca por uma solução que não necessitasse da desenergização completa do cliente. Visando a extensão desse material, recomenda-se como trabalhos futuros o projeto elétrico de baixa tensão para a expansão do empreendimento, a análise de curto-circuito, utilizando softwares especializados, estudos de qualidade de energia com base nas cargas da edificação, avaliação econômica comparativa de diferentes configurações de subestações e o acompanhamento da execução da instalação projetada. 114 REFERÊNCIAS ABNT. NBR 11873: Cabos cobertos com material polimérico, classe de tensão de 15 kV, 25 kV e 35 kV, para redes de distribuição aérea de energia elétrica. Rio de Janeiro, 2021. Terceira edição. Publicada em 28/05/2021 e corrigida em 07/10/2024. ABNT. NBR 13571: Haste de aterramento de aço revestida de cobre - especifi- cação. Rio de Janeiro, 1996. Segunda edição. Publicada em 07/03/2024. ABNT. NBR 14039 - Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Rio de Janeiro, 2021. ABNT. NBR 16050 - Para-raios de resistor não linear de óxido metálico sem centelhadores para circuitos de potência de corrente alternada. Rio de Janeiro, 2025. ABNT. NBR 16720: Isoladores poliméricos não compostos tipo suporte para tensões acima de 1 000 V e até 72,5 kV (incluso) — Dimensões e características. Versão portuguesa. 1. ed. [S.l.: s.n.], out. 2018. ABNT. NBR 5111: Fios de cobre nus, de seção circular, para fins elétricos - Especificação. Rio de Janeiro: [s.n.], 1997. ABNT. NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: [s.n.], 2004. Versão corrigida publicada em 2008. ABNT. NBR 5419-4: Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura. Rio de Janeiro: ABNT, mar. 2026. Segunda edição. 95 páginas. Acesso em 24 jun. 2026. ABNT. NBR 6251 - Cabos de potência com isolação extrudada de borracha etilenopropileno (EPR, HEPR ou EPR 105) para tensões de 1 kV a 35 kV — Requisitos construtivos. 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Legendas e simbologias do projeto 125 Figura 58 – Legenda das plantas, cortes e do diagrama unifilar APÊNDICE A. Legendas e simbologias do projeto 126 Figura 59 – Legenda de símbolos do diagrama unifilar 127 APÊNDICE B – Detalhes das plantas Figura 60 – Detalhe 01: Placa de advertência Figura 61 – Detalhe 02: Ferrolho tipo porta-cadeado APÊNDICE B. Detalhes das plantas 128 Figura 62 – Detalhe 04: Suporte para muflas/terminações de para-raios APÊNDICE B. Detalhes das plantas 129 Figura 63 – Detalhe 05: Vala da malha de aterramento Figura 64 – Detalhe 06: Caixa de inspeção de aterramento APÊNDICE B. Detalhes das plantas 130 Figura 65 – Detalhe 07: Grade de proteção da cabine de transformação Figura 66 – Detalhe 09: Aberturas para ventilação APÊNDICE B. Detalhes das plantas 131 Figura 67 – Detalhe 10: Barra de aterramento Figura 68 – Detalhe 12: Tubulação enterrada APÊNDICE B. Detalhes das plantas 132 Figura 69 – Detalhe 13: Caixa de passagem Anexos 134 ANEXO A – Modelos dos cubículos blindados Figura 70 – Modelo do cubículo de medição. Figura 71 – Modelo do cubículo de proteção. ANEXO A. Modelos dos cubículos blindados 135 Figura 72 – Modelo do cubículo de transição. Figura 73 – Modelo do cubículo de saída com chave seccionadora. Folha de rosto Folha de aprovação Agradecimentos Resumo Abstract Lista de figuras Lista de tabelas Lista de abreviaturas e siglas Lista de símbolos Sumário Introdução Contextualização Justificativa Objetivo Objetivos específicos Visão geral do trabalho Revisão bibliográfica Conceitos básicos sobre subestações de energia Definição de subestação Tipos de subestações Quanto à função no sistema de energia Quanto ao nível de tensão Quanto ao tipo de instalação Subestação abrigada Subestação ao tempo Subestação blindada Partes de uma subestação de média tensão Entrada de serviço Ponto de ligação Ramal de ligação Ponto de entrega Ramal de entrada Cubículos Cubículo de medição Cubículo de proteção Cubículo de transformação Padrões da concessionária Limites de fornecimento Medição de energia Proteção geral Grandezas e parâmetros elétricos para especificações de equipamentos de uma subestação Tensão Corrente Corrente de projeto Corrente de curto-circuito Potência Potência ativa Potência reativa Potência aparente Relação geométrica entre potências Potência de distorção Fator de potência Fator reativo Carga instalada Demanda Equipamentos de uma subestação de média tensão Chave fusível Função Especificação Poste particular auxiliar Função Especificação Isolador Função e tipos Especificação Para-raios de média tensão Função e tipos Especificação Mufla terminal Função e tipos Especificação Condutor Função Cabo de baixa tensão Construção Capacidade de condução de corrente Queda de tensão Capacidade de corrente de curto-circuito Condutor neutro Condutor de proteção Especificação Cabo de média tensão Construção Especificação Especificação geral Eletroduto Função Especificação Cubículo blindado de média tensão Função Especificação Transformador de corrente Função Tipos Especificação Disjuntor Função Disjuntor de média tensão Tipos Especificação Disjuntor de baixa tensão Tipos Especificação Relé Função Tipos Unidade temporizada Unidade instantânea Chave seccionadora Função Tipos Especificação Barramento de média tensão Função Tipos Especificação Transformador de potência Função Tipos Especificação Potência nominal Correntes nominais Corrente de magnetização Corrente de curto-circuito secundária Fator K Pontos ANSI e NANSI Dispositivo de proteção contra surtos Função Especificação Estudo de caso Premissas de projeto Concepção do projeto Visita técnica Levantamento de carga Demanda do empreendimento Capacidade em transformadores Entrada de energia Padrão construtivo da medição Padrão construtivo da proteção Dados de curto-circuito da concessionária Resumo das premissas do projeto Dimensionamentos Poste de derivação da concessionária Chave fusível Elos fusíveis Poste particular auxiliar Ramal de conexão aéreo Isoladores Para-raios de MT Muflas Ramal de entrada subterrâneo Condutores de média tensão Eletrodutos de média tensão Cubículos blindados de média tensão Disjuntor de MT Chave Seccionadora do cubículo de proteção Chaves seccionadoras dos cubículos de saída Cabine de medição e proteção em alvenaria Muflas internas Chave seccionadora da cabine de transformação Barramento de média tensão Transformador de potência Condutores de baixa tensão Eletrodutos para os cabos de baixa tensão Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) Disjuntor geral de baixa tensão Demais dimensionamentos Malha de aterramento Aberturas e ventilações Aterramento de massas metálicas Tapete isolante Grade de proteção Estudo de proteção Especificação dos TC's de proteção Parametrização das funções de proteção Resultados Planta de localização Plantas de situação Situação - etapa 1 Situação - etapa 2 Plantas baixas e cortes Poste particular Cabine de medição e proteção Planta baixa Corte A-A Corte B-B Corte C-C Cabine de transformação nova Planta baixa Corte A-A Corte B-B Corte C-C Corte D-D Corte E-E Planta baixa geral Diagrama unifilar Coordenograma de proteção Conclusão REFERÊNCIAS Legendas e simbologias do projeto Detalhes das plantas Modelos dos cubículos blindadosdos de saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Tabela 16 – Especificações das muflas da cabine de transformação . . . . . . . . . . 89 Tabela 17 – Especificações do barramento de média tensão . . . . . . . . . . . . . . 90 Tabela 18 – Especificações do transformador de potência . . . . . . . . . . . . . . . 91 Tabela 19 – Especificações dos cabos de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 Tabela 20 – Especificações dos eletrodutos para os cabos de baixa tensão . . . . . . 93 Tabela 21 – Especificações do dispositivo de proteção contra surtos do QGBT . . . 93 Tabela 22 – Especificações do disjuntor geral de baixa tensão . . . . . . . . . . . . 93 Tabela 23 – Especificações da malha de aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Tabela 24 – Parâmetros calculados para o TC de proteção . . . . . . . . . . . . . . 95 Tabela 25 – Parametrização das funções de sobrecorrente . . . . . . . . . . . . . . . 96 Tabela 26 – Especificações de postes de distribuição locais . . . . . . . . . . . . . . 100 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ACL Ambiente de Contratação Livre ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica ANSI Instituto Nacional Americano de Padrões - American National Stan- dards Institute BEP Barramento de Equipotencialização Principal BT Baixa Tensão BWG Medidor de Arame de Birmingham - Birmingham Wire Gauge CA Corrente Alternada CC Corrente Contínua DPS Dispositivo de Proteção contra Surtos EI Extremamente Inversa EPR Borracha Etileno-Propileno - Ethylene Propylene Rubber ET Especificação Técnica F-F Fase-Fase F-N Fase-Neutro FP Fator de Potência FR Fator Reativo F-T Fase-Terra HEPR Borracha de Etileno Propileno de Alta Qualidade - High-grade Ethylene Propylene Rubber IEC Comissão Eletrotécnica Internacional - International Electrotechnical Commission IP Proteção de Ingresso - Ingress Protection MI Muito Inversa MME Ministério de Minas e Energia MT Média Tensão NBI Nível Básico de Isolamento pol. Polegada QGBT Quadro Geral de Baixa Tensão Qtd. Quantidade RS Rio Grande do Sul RTC Relação de Transformação de Corrente SE Subestação de Energia SiC Carbonato de Silício SPDA Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas TC Transformador de Corrente TP Transformador de Potencial TR XLPE Polietileno Reticulado Retardante de Arborescência - Tree-Retardant Cross-linked Polyethylene UC Unidade Consumidora XLPE Polietileno Reticulado - Cross-Linked Polyethylene ZnO Óxido de Zinco LISTA DE SÍMBOLOS kVA Quilovolt-ampère GWh Gigawatt-hora kV Quilovolt kW Quilowatt V Volt VL Tensão de linha [V] VF Tensão de fase [V] IL Corrente de linha [A] S Potência aparente [VA] W Watt P Potência ativa [W] A Ampère cosϕ Fator de potência [adimensional] Q Potência reativa [VAr] VAr Volt-ampère reativo senϕ Fator reativo [adimensional] VA Volt-ampère kA Quiloampère Hz Hertz m Metro daN Decanewton mm Milímetro Uo Tensão de isolamento fase-terra [kV] U Tensão de isolamento fase-fase [kV] °C Grau Celsius Icorrigida Corrente de projeto corrigida [A] FCT Fator de Correção por Temperatura [adimensional] FCA Fator de Correção por Agrupamento [adimensional] ∆VC Queda de tensão [%] L Comprimento do circuito [m] R Resistência do condutor [mΩ/m] mΩ/m Miliohm por metro X Reatância do condutor [mΩ/m] ϕ Ângulo do fator de potência da carga [°] N Número de condutores em paralelo por fase A2.s Ampére quadrado-segundo S Seção nominal do condutor [mm2] mm2 Milímetro quadrado s Segundo t Tempo de atuação do dispositivo de proteção [s] SPE Seção nominal do condutor de proteção [mm2] I Corrente de falta presumida [A] A.s 1 2 .mm−2 Ampère-raiz quadrada de segundo por milímetro quadrado θf Temperatura do condutor no final do curto circuito [°C] θi Temperatura do condutor no início do curto circuito [°C] β Inverso do coeficiente de temperatura da resistência a 0°C [°C] Tocup,max Máxima taxa de ocupação do eletroduto [%] Aocup,total Área de ocupação total dos condutores [mm2] Aelet Área útil do eletroduto [mm2] Ncond Número de condutores no eletroduto dext Diâmetro externo do condutor [mm] Dext Diâmetro externo do eletroduto [mm] ∆Dext Variação do diâmetro externo do eletroduto [mm] Ep Espessura da parede do eletroduto [mm] Ip,TC Corrente nominal primária do TC [A] Is,TC Corrente nominal secundária do TC [A] Icc,max Corrente máxima de curto circuito [A] ZTC Impedância nominal do TC [Ω] STC Potência aparente nominal do TC [VA] Zs,TC Impedância conectada ao secundário do TC [Ω] SF6 Hexafluoreto de enxofre In,prot Corrente nominal de dispositivo de proteção [A] Iz Capacidade de condução de corrente do condutor [A] DT Dial de tempo da unidade temporizada [adimensional] Iinrush Corrente de inrush (Corrente de magnetização) [A] Finrush Fator de inrush (Fator de magnetização) [adimensional] Inom−prim Corrente nominal primária do transformador [A] Icc−sec Corrente de curto-circuito secundária [A] Inom−sec Corrente nominal secundária do transformador [A] Z% Impedância percentual do transformador [%] h Ordem da harmônica Ih Corrente eficaz da harmônica de ordem h [A] I1 Corrente eficaz da componente fundamental [A] min Minuto ms Milissegundo cm Centímetro " Polegada SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 1.2 JUSTIFICATIVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1.3 OBJETIVO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1.3.1 Objetivos específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1.4 VISÃO GERAL DO TRABALHO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.1 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE SUBESTAÇÕES DE ENERGIA . . 24 2.1.1 Definição de subestação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.1.2 Tipos de subestações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.1.2.1 Quanto à função no sistema de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.1.2.2 Quanto ao nível de tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.1.2.3 Quanto ao tipo de instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.1.2.3.1 Subestação abrigada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.1.2.3.2 Subestação ao tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 2.1.2.3.3 Subestação blindada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 2.1.3 Partes de uma subestação de média tensão . . . . . . . . . . . . 28 2.1.3.1 Entrada de serviço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.1.3.1.1 Ponto de ligação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.1.3.1.2 Ramal de ligação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.1.3.1.3 Ponto de entrega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2.1.3.1.4 Ramal de entrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2.1.3.2 Cubículos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2.1.3.2.1 Cubículo de medição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.1.3.2.2 Cubículo de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.1.3.2.3 Cubículo de transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.2 PADRÕES DA CONCESSIONÁRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 2.2.1 Limites de fornecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 2.2.2 Medição de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 2.2.3 Proteção geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 2.3 GRANDEZAS E PARÂMETROS ELÉTRICOS PARA ESPECIFICA- ÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE UMA SUBESTAÇÃO . . . . . . . . 32 2.3.1 Tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 2.3.2 Corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.3.2.1 Corrente de projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 332.3.2.2 Corrente de curto-circuito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.3.3 Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3.3.1 Potência ativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3.3.2 Potência reativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3.3.3 Potência aparente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3.3.4 Relação geométrica entre potências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3.3.5 Potência de distorção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 2.3.3.5.1 Fator de potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 2.3.3.5.2 Fator reativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 2.3.4 Carga instalada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 2.3.5 Demanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 2.4 EQUIPAMENTOS DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO . 36 2.4.1 Chave fusível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 2.4.1.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 2.4.1.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 2.4.2 Poste particular auxiliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 2.4.2.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 2.4.2.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 2.4.3 Isolador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 2.4.3.1 Função e tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 2.4.3.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 2.4.4 Para-raios de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 2.4.4.1 Função e tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 2.4.4.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 2.4.5 Mufla terminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 2.4.5.1 Função e tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 2.4.5.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 2.4.6 Condutor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 2.4.6.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 2.4.6.2 Cabo de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 2.4.6.2.1 Construção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 2.4.6.2.2 Capacidade de condução de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 2.4.6.2.3 Queda de tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 2.4.6.2.4 Capacidade de corrente de curto-circuito . . . . . . . . . . . . . . . . 48 2.4.6.2.5 Condutor neutro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 2.4.6.2.6 Condutor de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 2.4.6.2.7 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 2.4.6.3 Cabo de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 2.4.6.3.1 Construção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 2.4.6.3.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 2.4.6.4 Especificação geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 2.4.7 Eletroduto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 2.4.7.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 2.4.7.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 2.4.8 Cubículo blindado de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 2.4.8.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 2.4.8.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 2.4.9 Transformador de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 2.4.9.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 2.4.9.2 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 2.4.9.3 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 2.4.10 Disjuntor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 2.4.10.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 2.4.10.2 Disjuntor de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 2.4.10.2.1 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 2.4.10.2.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 2.4.10.3 Disjuntor de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 2.4.10.3.1 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 2.4.10.3.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 2.4.11 Relé . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 2.4.11.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 2.4.11.2 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 2.4.11.3 Unidade temporizada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 2.4.11.4 Unidade instantânea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.4.12 Chave seccionadora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.4.12.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.4.12.2 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.4.12.3 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 2.4.13 Barramento de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 2.4.13.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 2.4.13.2 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 2.4.13.3 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 2.4.14 Transformador de potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.4.14.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.4.14.2 Tipos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.4.14.3 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.4.14.3.1 Potência nominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.4.14.3.2 Correntes nominais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 2.4.14.3.3 Corrente de magnetização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 2.4.14.3.4 Corrente de curto-circuito secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 2.4.14.3.5 Fator K . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 2.4.14.3.6 Pontos ANSI e NANSI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 2.4.15 Dispositivo de proteção contra surtos . . . . . . . . . . . . . . . 76 2.4.15.1 Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 2.4.15.2 Especificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 3 ESTUDO DE CASO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1 PREMISSAS DE PROJETO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1.1 Concepção do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1.2 Visita técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1.3 Levantamento de carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1.4 Demanda do empreendimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.1.5 Capacidade em transformadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 3.1.6 Entrada de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 3.1.7 Padrãoconstrutivo da medição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 3.1.8 Padrão construtivo da proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 3.1.9 Dados de curto-circuito da concessionária . . . . . . . . . . . . . 80 3.1.10 Resumo das premissas do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 3.2 DIMENSIONAMENTOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 3.2.1 Poste de derivação da concessionária . . . . . . . . . . . . . . . . 81 3.2.1.1 Chave fusível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 3.2.1.2 Elos fusíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 3.2.2 Poste particular auxiliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 3.2.3 Ramal de conexão aéreo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 3.2.4 Isoladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 3.2.5 Para-raios de MT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 3.2.5.1 Muflas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 3.2.6 Ramal de entrada subterrâneo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 3.2.6.1 Condutores de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 3.2.6.2 Eletrodutos de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 3.2.7 Cubículos blindados de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . 86 3.2.7.1 Disjuntor de MT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 3.2.7.2 Chave Seccionadora do cubículo de proteção . . . . . . . . . . . . . . . 87 3.2.7.3 Chaves seccionadoras dos cubículos de saída . . . . . . . . . . . . . . . 88 3.2.8 Cabine de medição e proteção em alvenaria . . . . . . . . . . . 89 3.2.9 Muflas internas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 3.2.10 Chave seccionadora da cabine de transformação . . . . . . . . . 89 3.2.11 Barramento de média tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 3.2.12 Transformador de potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 3.2.13 Condutores de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 3.2.14 Eletrodutos para os cabos de baixa tensão . . . . . . . . . . . . 92 3.2.15 Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) . . . . . . . . . . . 93 3.2.16 Disjuntor geral de baixa tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 3.2.17 Demais dimensionamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 3.2.17.1 Malha de aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 3.2.17.2 Aberturas e ventilações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 3.2.17.3 Aterramento de massas metálicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 3.2.17.4 Tapete isolante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 3.2.17.5 Grade de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 3.2.18 Estudo de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 3.2.18.1 Especificação dos TC’s de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 3.2.18.2 Parametrização das funções de proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 4 RESULTADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.1 PLANTA DE LOCALIZAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.2 PLANTAS DE SITUAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.2.1 Situação - etapa 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.2.2 Situação - etapa 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 4.3 PLANTAS BAIXAS E CORTES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 4.3.1 Poste particular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 4.3.2 Cabine de medição e proteção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 4.3.2.1 Planta baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 4.3.2.2 Corte A-A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 4.3.2.3 Corte B-B . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 4.3.2.4 Corte C-C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 4.3.3 Cabine de transformação nova . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 4.3.3.1 Planta baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 4.3.3.2 Corte A-A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 4.3.3.3 Corte B-B . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 4.3.3.4 Corte C-C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 4.3.3.5 Corte D-D . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 4.3.3.6 Corte E-E . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 4.3.4 Planta baixa geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 4.4 DIAGRAMA UNIFILAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 4.5 COORDENOGRAMA DE PROTEÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . 112 5 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 APÊNDICE A – Legendas e simbologias do projeto . . . . . 124 APÊNDICE B – Detalhes das plantas . . . . . . . . . . . . . . 127 ANEXO A – Modelos dos cubículos blindados . . . . . . . . . 134 21 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO Os consumidores de energia atendidos em média e alta tensão (grupo A) represen- tam um segmento estratégico do sistema elétrico brasileiro por serem atendidos nessas classes de tensão e demandarem infraestrutura própria de transformação, medição e pro- teção de energia por meio de subestações. Atualmente, esse universo é composto por mais de 200 mil unidades consumidoras, distribuídas principalmente em indústrias, empre- endimentos comerciais e grandes consumidores residenciais (MONITOR MERCANTIL, 2024). A figura 1 apresenta um panorama do consumo de energia, por classe de consumo, para o ano de 2025, no qual as classes industrial e comercial apresentaram, juntas, mais de 53% do consumo total nacional. Figura 1 – Consumo de energia por classe em 2025 Fonte: (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2026). Além disso, a entrada em vigor da portaria MME n°50/2022, em 1° de janeiro de 2024, a qual ampliou a possibilidade de migração para o ACL (Ambiente de Contratação Livre) a todos os consumidores do grupo A, impulsionou um aumento de 34,2% no número de consumidores nesse ambiente de contratação em relação a 2024, com consumo total de 253.723 GWh, o que representa 44,8% do consumo total nacional de energia elétrica (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, 2026), evidenciando a importância do mercado livre de energia e dos consumidores do grupo A no setor elétrico brasileiro. Capítulo 1. Introdução 22 1.2 JUSTIFICATIVA A partir do contexto apresentado, as subestações consumidoras têm grande papel nos sistemas de distribuição de energia, sendo responsáveis por realizar a interface entre as redes das concessionárias e os consumidores finais. Elas têm a finalidade de garantir a continuidade do sistema, devendo apresentar um alto grau de confiabilidade e robustez nas instalações, realizando a entrada de energia de grandes consumidores e garantindo a segurança de operação (SILVA, 2013). Dessa forma, o projeto de uma subestação tem um papel fundamental para ga- rantir o nível de confiabilidade e segurança buscados, pois um projeto inadequado pode acarretar em danos aos equipamentos, gerando prejuízo significativo devido ao alto custo dos equipamentos e também colocar em risco a segurança das pessoas. Sendo assim, é de suma importância o conhecimento de cada equipamento perten- cente às subestações e seu funcionamento, bem como o entendimento da aplicação dos padrões técnicos exigidos pelas normas brasileiras. 1.3 OBJETIVO O objetivo deste trabalho é ilustrar, de forma sistemática, a metodologia empregada no projeto elétrico de uma subestação para a entrada de energia de um consumidor em média tensão, explicitando as medidas utilizadas em cada passo de sua implementação. Para isso, é utilizado como base um projeto elétricoreal, aprovado pela concessionária de energia local. 1.3.1 Objetivos específicos Os objetivos específicos são: • Fornecer, através de estudo de caso, uma metodologia sistemática integrada, empregada no projeto de subestações de energia de média tensão; • Apresentar os principais conceitos e equipamentos necessários para a compre- ensão do funcionamento de uma subestação; • Demonstrar, através de equações, o dimensionamento dos equipamentos empre- gados na subestação; • e realizar o estudo de proteção da instalação. 1.4 VISÃO GERAL DO TRABALHO O trabalho está dividido da seguinte forma: Capítulo 1. Introdução 23 • Capítulo 1: Apresenta uma contextualização geral sobre as instalações elétricas de média e alta tensão e a importância das subestações e de seu projeto nesse cenário; • Capítulo 2: Apresenta uma revisão, baseada no estado da arte, dos principais conceitos, equipamentos, normas técnicas e critérios de dimensionamento neces- sários para o entendimento deste trabalho e para a realização de um projeto elétrico de média tensão; • Capítulo 3: Apresenta as premissas do estudo de caso, bem como o dimen- sionamento, especificação e parametrização dos equipamentos da subestação, justificando as escolhas adotadas no projeto; • Capítulo 4: Apresenta os resultados da implementação do projeto realizado, a partir das plantas, cortes e diagrama unifilar da instalação; • Capítulo 5: Apresenta as considerações finais do trabalho e as possibilidades de trabalhos futuros. 24 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE SUBESTAÇÕES DE ENERGIA 2.1.1 Definição de subestação Uma subestação é um conjunto de instalações elétricas em média ou alta tensão que agrupa os equipamentos, condutores e acessórios, destinados à proteção, medição, manobra e transformação de grandezas elétricas (ANEEL, 2016). Na prática, elas transformam tensão, protegem contra falhas, interconectam redes e monitoram o sistema elétrico para garantir eficiência e estabilidade (NEOENERGIA, 2024). Sua composição física é formada por transformadores de potência, para-raios, dis- juntores, barramentos, chaves seccionadoras, relés de proteção, sistema de aterramento e outros componentes elétricos, cruciais para o funcionamento contínuo da rede elétrica (NEOENERGIA, 2024). 2.1.2 Tipos de subestações As subestações podem ser classificadas de acordo com diferentes critérios: função no sistema de energia, nível de tensão, tipo de instalação e forma de operação (G2 ENERGIA, 2026). 2.1.2.1 Quanto à função no sistema de energia Quanto à sua função no sistema de energia da qual fazem parte, as subestações são classificadas da seguinte forma (G2 ENERGIA, 2026): • Subestação transformadora: Converte a tensão de suprimento para um nível diferente (maior ou menor); São designadas para adaptar a tensão elétrica conforme a necessidade do sistema; • Subestação Elevadora: Localizadas na saída das usinas geradoras, elevam a ten- são para níveis adequados para transmissão e subtransmissão; Isso é necessário para reduzir as perdas de energia ao longo das linhas de transmissão; • Subestação Abaixadora: Localizadas nas cidades, estas subestações diminuem os níveis de tensão para evitar problemas para os consumidores finais, propor- cionando um fornecimento de energia seguro e estável; • Subestação de Distribuição: Reduzem a tensão para o nível de distribuição primária; Podem pertencer tanto às concessionárias de energia quanto a grandes consumidores que distribuem energia internamente; • Subestação de Chaveamento: Interligam circuitos de suprimento sob o mesmo nível de tensão, permitindo o seccionamento de circuitos, energização de tre- Capítulo 2. Revisão bibliográfica 25 chos de menor comprimento e possibilitando a multiplicação da capacidade de distribuição. Segundo a ANEEL, uma subestação também pode ser classificada como consumi- dora, quando sua finalidade for o atendimento à unidade consumidora em média ou alta tensão de distribuição (ANEEL, 2016). O projeto elétrico apresentado neste trabalho trata de uma subestação elétrica desta natureza. 2.1.2.2 Quanto ao nível de tensão Quanto ao nível de tensão em que operam, as subestações podem ser classificadas em (ALUGAGERA, 2022): • Baixa Tensão: Nível de tensão até 1 kV; São geralmente utilizadas para consu- midores residenciais e pequenos estabelecimentos comerciais; • Média Tensão: Níveis entre 1 kV e 34,5 kV, incluindo tensões como 6,6 kV e 13,8 kV; Comumente utilizadas em indústrias e grandes edifícios comerciais; • Alta Tensão: Níveis entre 34,5 kV e 230 kV, como 69 kV, 138 kV e 230 kV. Utilizadas para transmissão de energia em longas distâncias. • Extra-alta Tensão: Níveis superiores a 230 kV, incluindo 345 kV, 440 kV, 500 kV e 750 kV; Utilizadas para transmissão de energia em longas distâncias, especialmente em interconexões entre países ou regiões. Neste trabalho, o foco são as subestações de média tensão, haja vista que a subes- tação projetada opera nesse nível de tensão. O projeto dessas subestações deve atender aos requisitos da ABNT NBR 14039:2021 (ABNT, 2021b), que regulamenta as instalações elétricas de média tensão (de 1,0 kV a 36,2 kV). No caso deste trabalho, também deve atender à NT.00002 (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f), que é a norma específica da concessionária local para fornecimento de energia em média tensão. 2.1.2.3 Quanto ao tipo de instalação Segundo a ABNT (2021b), as subestações podem ser classificadas, quanto ao tipo de instalação, da seguinte forma: 2.1.2.3.1 Subestação abrigada Subestações abrigadas são aquelas nas quais os componentes estão ao abrigo das intempéries (ABNT, 2021b). Esse tipo de subestação é feito em estrutura civil de alvenaria, onde são construídos cubículos destinados a uma determinada função. Esse modelo traz a possibilidade de realizar a alocação dos equipamentos de tal forma que se consiga layouts diferentes a depender da necessidade da instalação (MESH ENGENHARIA, 2022). A figura 2 mostra um exemplo de subestação abrigada. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 26 Figura 2 – Subestação de média tensão abrigada Fonte: MESH ENGENHARIA (2022). 2.1.2.3.2 Subestação ao tempo Subestação ao tempo são aquelas nas quais os componentes estão sujeitos à ação das intempéries (ABNT, 2021b). Nesse sentido, é necessário um grau de proteção contra água, poeira, entre outros agentes que interferem no bom funcionamento da SE mais rigoroso (ENERGÊS, 2021). As figuras 3 e 4 mostram exemplos de subestação ao tempo. Figura 3 – Subestação de alta tensão ao tempo Fonte: COMERC ENERGIA (2020). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 27 As subestações ao tempo aéreas aplicam-se somente aos transformadores de distri- buição em líquido isolante até 300 kVA trifásicos (também se aplica aos transformadores em líquido isolante monofásicos) e a medição é realizada em baixa tensão (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Figura 4 – Subestação de média tensão aérea Fonte: EVO REPRESENTAÇÃO (2021). 2.1.2.3.3 Subestação blindada Esse tipo de subestação consiste em compartimentos individualizados em um espaço reduzido para trazer uma solução que seja mais compacta e rápida do ponto de vista de execução (MESH ENGENHARIA, 2022). Apesar de não ser uma classificação formal da ABNT NBR 14039:2021, a subestação blindada é uma solução técnica amplamente empregada (LOPEZ, 2025). A figura 5 mostra um exemplo de subestação blindada. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 28 Figura 5 – Subestação blindada Fonte: MESH ENGENHARIA (2023a). 2.1.3 Partes de uma subestação de média tensão Em subestações de média tensão, principalmente abrigadas e blindadas, a subes- tação pode ser dividida em: entrada de serviço e compartimentos denominados cubículos (LOPEZ, 2025). 2.1.3.1 Entrada de serviço Na NT.00002 da Equatorial Energia, a entrada de serviço (ou padrão de entrada) é definida como o conjunto de equipamentos, condutores e acessórios instalados a partir do ponto de conexão na rede da concessionária até a medição. É constituída pelo ramal de entrada e pelos equipamentosque permitem a ligação da unidade consumidora ao ponto de conexão (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). 2.1.3.1.1 Ponto de ligação O ponto de ligação é aquele de onde deriva o ramal de ligação (FILHO, 2017). 2.1.3.1.2 Ramal de ligação Também chamado de ramal de conexão, é o trecho do circuito aéreo compreendido entre o ponto de ligação e o ponto de entrega (FILHO, 2017). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 29 2.1.3.1.3 Ponto de entrega Também conhecido como ponto de conexão, é o conjunto de materiais e equipa- mentos que se destina a estabelecer a conexão entre as instalações da distribuidora e do consumidor e demais usuários (ANEEL, 2021). Em subestações com entrada subterrânea, deve ser localizado, de preferência, em domínio particular, porém, no caso de unidades consumidoras cuja fachada do prédio se limita com a via pública, o ponto de entrega poderá situar-se no poste fixado no passeio (FILHO, 2017). 2.1.3.1.4 Ramal de entrada É conjunto de condutores e acessórios instalados pelo consumidor entre o ponto de conexão (ponto de entrega) e a medição ou a proteção de suas instalações (ANEEL, 2021). Pode ser aéreo ou subterrâneo, sendo o primeiro constituído de condutores nus e o último constituído de condutores isolados instalados dentro de um duto ou diretamente enterrados no solo (FILHO, 2017). A figura 6 mostra um exemplo de padrão de entrada de serviço. Figura 6 – Elementos de entrada de serviço de uma unidade consumidora Fonte: FILHO (2017). 2.1.3.2 Cubículos A partir do padrão de entrada, a subestação se divide em cubículos destinados a uma determinada função, sendo as principais: medição, proteção, seccionamento, transformação Capítulo 2. Revisão bibliográfica 30 e derivação (MESH ENGENHARIA, 2022). A presença ou não de cada compartimento e a sua disposição dependem das necessidades específicas do projeto. 2.1.3.2.1 Cubículo de medição É aquele destinado à localização dos equipamentos auxiliares da medição, como os transformadores de corrente e potencial. Esse posto é de uso exclusivo da concessionária, sendo seu acesso devidamente lacrado, de modo a não permitir a entrada de pessoas estranhas à companhia fornecedora (FILHO, 2017). Em unidades consumidoras que possuam subestação ao tempo no solo ou abrigada, acima de 300 kVA, a medição deve ser feita em média tensão (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). 2.1.3.2.2 Cubículo de proteção É destinado à instalação de chaves seccionadoras, fusíveis ou disjuntores responsá- veis pela proteção geral e seccionamento da instalação (FILHO, 2017). Para subestações com capacidade de transformação trifásica superior a 300 kVA, a proteção geral na média tensão deve ser realizada por meio de um disjuntor acionado por relés secundários com as funções 50 e 51, proteções de fase e de neutro (ABNT, 2021b). 2.1.3.2.3 Cubículo de transformação É aquele destinado à instalação dos transformadores de força, podendo conter ou não os equipamentos de proteção individual (FILHO, 2017). A figura 7 mostra um exemplo dos cubículos presentes em uma subestação. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 31 Figura 7 – Cubículos presentes em uma subestação abrigada de média tensão Fonte: Adaptado de EQUATORIAL ENERGIA (2025f). 2.2 PADRÕES DA CONCESSIONÁRIA Esta seção abordará brevemente os padrões requisitados pela concessionária Equa- torial Energia para subestações consumidoras. 2.2.1 Limites de fornecimento As tensões de fornecimento de energia da concessionária são padronizadas de acordo com os itens abaixo (EQUATORIAL ENERGIA (2025e); EQUATORIAL ENERGIA (2025f); EQUATORIAL ENERGIA (2025d)): • Baixa tensão: Unidades com carga instalada de até 75 kW; • Média tensão: Unidades com carga instalada superior a 75 kW e demanda contratada de até 2500 kW; • Alta tensão: Unidades com demanda contratada superior a 2500 kW. 2.2.2 Medição de energia Em unidades consumidoras com apenas uma unidade de transformação, de potência até 300 kVA, em subestação ao tempo em poste ou em subestação com transformador em pedestal, a medição deve ser feita em baixa tensão (BT) (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 32 Em unidades consumidoras que possuam subestação ao tempo no solo ou abrigada (cabine em alvenaria ou cubículo blindado), mesmo que a potência seja inferior a 300 kVA, a medição deve ser feita em média tensão (MT) (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). 2.2.3 Proteção geral O padrão construtivo da proteção geral das subestações atendidas pela Equatorial segue os critérios estabelecidos pela ABNT NBR 14039, da seguinte forma: • Em uma subestação unitária com capacidade instalada menor ou igual a 300 kVA, a proteção geral na média tensão deve ser realizada por meio de um disjuntor acionado através de relés secundários com as funções 50 e 51, fase e neutro (onde é fornecido o neutro), ou por meio de chave seccionadora e fusível HH, sendo que, neste caso, adicionalmente, a proteção geral, na baixa tensão, deve ser realizada através de disjuntor (ABNT, 2021b); Em subestações aéreas a proteção deve ser realizada por chave fusível base C (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f); • Em uma subestação com capacidade instalada superior a 300 kVA (caso típico das subestações ao tempo no solo e abrigada), a proteção geral na média tensão deve ser realizada exclusivamente por meio de um disjuntor acionado através de relés secundários com as funções 50 e 51, de fase e neutro (onde é fornecido o neutro) (ABNT, 2021b). Dessa forma, os padrões construtivos projetados em uma subestação devem atender a esses requisitos. 2.3 GRANDEZAS E PARÂMETROS ELÉTRICOS PARA ESPECIFICAÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE UMA SUBESTAÇÃO 2.3.1 Tensão As tensões utilizadas nos dimensionamentos dos equipamentos de uma subestação são: • Tensão de linha ou tensão fase-fase: Tensão entre duas fases em um sistema elétrico trifásico. É a tensão nominal dos equipamentos (ex: 13,8 kV, 220 V); • Tensão de fase ou tensão fase-neutro: Tensão entre uma fase e o neutro do sistema. Em um sistema conectado em estrela (ou Y), as tensões se relacionam de acordo com a equação (1). VL = √ 3 . VF (1) E em um sistema conectado em delta (ou triângulo), de acordo com a equação (2). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 33 VL = VF (2) Onde VL é a tensão de linha e VF é a tensão de fase. 2.3.2 Corrente 2.3.2.1 Corrente de projeto A principal corrente utilizada em projetos de subestações é a corrente de linha de um sistema trifásico (IL). Ela é calculada através da potência aparente máxima do sistema (S - ver item 2.3.3.3) e da tensão de linha, de acordo com a equação (3). IL = S√ 3 . VL (3) 2.3.2.2 Corrente de curto-circuito Os curtos-circuitos (ou faltas) são variações extremas da corrente que flui no sistema elétrico. Se não forem limitados no seu módulo e no tempo, danificam os componentes elé- tricos por meio dos quais são conduzidos (FILHO; MAMEDE, 2013). São provocadas mais comumente pela perda de isolamento de algum elemento energizado do sistema elétrico. A determinação das correntes de curto-circuito nas instalações elétricas é fundamental para a elaboração do projeto de ajuste das proteções e coordenação dos seus diversos elementos (FILHO, 2017). A figura 8 representa os tipos de curtos-circuitos. Figura 8 – Tipos de curtos-circuitos em um sistema elétrico Fonte: Adaptado de GOMES et al. (2022). As correntes de curto-circuito são calculadas através dos valores das impedâncias de sequência do sistema ou, como no caso da concessionária Equatorial Energia, os valores das correntes de falta são disponibilizados pela própria concessionária, para serem utilizados na parametrização das funções de proteção (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 34 2.3.3 Potência 2.3.3.1 Potência ativa A potência ativa (ou real) é a potência média, em W fornecida a uma carga, sendo a única potência útil efetivamente dissipada pela carga (ALEXANDER; SADIKU, 2013). Trata-se da energia que gera resultados práticos, como luz, calor e movimento mecânico. É normalmente simbolizada por P e, em um sistema trifásico,pode ser calculada pela equação (4). P = √ 3 . VL .IL . cosϕ (4) Onde VL é a tensão de linha, em V, IL é a corrente de linha, em A e cosϕ é o fator de potência (ver item 2.3.3.4). 2.3.3.2 Potência reativa A potência reativa, usualmente expressa por Q, é uma medida da troca de energia entre a fonte e a parte reativa da carga. A unidade de Q é o volt-ampère reativo (VAr), para distingui-la da potência real (ALEXANDER; SADIKU, 2013). Ela representa uma troca sem perdas entre a carga e a fonte e é necessária para criar e manter os campos magnéticos indispensáveis para o funcionamento de alguns equipamentos elétricos, como motores de indução, transformadores e reatores. Embora não realize trabalho útil, é imprescindível para a operação. Em um sistema trifásico, pode ser calculada pela equação (5). Q = √ 3 . VL . IL . senϕ (5) Onde senϕ é o fator reativo (ver item 2.3.3.4). 2.3.3.3 Potência aparente A potência aparente é denominada dessa forma porque, por analogia com os cir- cuitos resistivos em corrente contínua, é intuitivo supor que a potência corresponda ao produto entre a tensão e a corrente. Essa grandeza é expressa em volt-ampère (VA) (ALEXANDER; SADIKU, 2013). Ela é a soma vetorial da potência ativa e reativa, repre- sentando a demanda total de energia imposta ao sistema elétrico. Ela reflete a capacidade que uma instalação elétrica precisa fornecer, considerando tanto a potência ativa como a reativa. Em um sistema trifásico, pode ser isolada e calculada pela equação (3). 2.3.3.4 Relação geométrica entre potências A relação geométrica vetorial entre as potências de um sistema elétrico pode ser visualizada traçando-se os vetores de potência no plano complexo, como mostra a imagem 9. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 35 Figura 9 – Triângulo de potências Fonte: Adaptado de EMBARCADOS (2022). A equação (6) rege a relação entre as potências. −→ S = −→ P + −→ Q (6) Dela, derivam-se relações que definem outros parâmetros importantes. 2.3.3.5 Potência de distorção Distorção da forma de onda é o desvio, em regime permanente, da forma de onda da corrente e/ou tensão em relação ao sinal senoidal puro, normalmente causada pela operação de cargas com características não-lineares (TEIXEIRA, s.d.). Essas não- linearidades geram harmônicas, que são componentes cuja frequência é um múltiplo inteiro da frequência fundamental. A distorção harmônica, portanto, afeta as formas de onda presentes no sistema, aumentando as tensões e correntes eficazes do sistema, podendo gerar sobrecargas, causar interferência em outros sistemas e causar mau funcionamento dos equipamentos. Além disso, afeta a equação (6) e outras relações que serão consideradas. Como a instalação projetada nesse trabalho não atende uma quantidade significativa de cargas não-lineares, os efeitos de distorção harmônica foram desconsiderados. 2.3.3.5.1 Fator de potência O fator de potência (FP) é a relação entre a potência ativa e a potência aparente, definindo a eficiência de conversão de energia de um sistema. Analisando-se a figura 9, pode-se defini-lo pela equação (7). cosϕ = P S (7) Capítulo 2. Revisão bibliográfica 36 2.3.3.5.2 Fator reativo Em contrapartida, o fator reativo (FR) exprime a proporção de potência reativa que oscila no sistema, sendo expresso pela equação (8). senϕ = Q S (8) 2.3.4 Carga instalada A carga instalada é a soma das potências nominais dos equipamentos elétricos em uma instalação, em condições de entrar em funcionamento, normalmente expressa em kW ou kVA (ANEEL, 2021), de acordo com a equação (9). Carga Instalada = n∑ i=1 Pi (9) 2.3.5 Demanda A demanda elétrica é a média das potências elétricas ativas ou reativas, injetada ou requerida do sistema elétrico de distribuição durante um intervalo de tempo especificado (ANEEL, 2021). A concessionária de energia define fatores de demanda com base na simultaneidade de uso de cada tipo de carga elétrica, os quais são utilizados para calcular a demanda da carga, pela equação (10). Demanda = Carga Instalada . FD (10) Para calcular a demanda total de um empreendimento pelo critério da carga insta- lada, primeiro calcula-se a demanda individual de cada tipo de carga pela equação (10) e soma-se cada uma, conforme a equação (11). Demanda total = n∑ i=1 Di (11) As grandezas elétricas apresentadas constituem a base para o dimensionamento, es- pecificação e operação dos equipamentos empregados em subestações, que serão abordados a seguir. 2.4 EQUIPAMENTOS DE UMA SUBESTAÇÃO DE MÉDIA TENSÃO Esta seção abordará os principais equipamentos presentes em uma subestação de média tensão do tipo consumidora abrigada, visando explicar a função e a forma de especificação de cada um, para melhor compreensão do estudo de caso apresentado. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 37 2.4.1 Chave fusível 2.4.1.1 Função A chave fusível é um equipamento destinado à proteção de sobrecorrentes de cir- cuitos primários, utilizado em redes aéreas de distribuição urbana e rural e em pequenas subestações de consumidor e de concessionária (FILHO, 2013). No interior do cartucho da chave fusível está instalado o elo fusível, que é o elemento de proteção (FILHO; MAMEDE, 2013). Tecnicamente, o funcionamento da chave fusível ocorre por meio da fusão de um elemento condutor interno (elo fusível) quando a corrente elétrica ultrapassa um limite pré-determinado por um tempo específico. Esse elemento é projetado para suportar a corrente nominal do circuito, mas se rompe devido ao efeito Joule quando há um pico excessivo de energia. Ao se romper, o elo interrompe a continuidade física do condutor, cessando o fluxo de eletricidade. Este processo é definitivo para o componente interno, exigindo a substituição do fusível após a correção da falha no sistema (SANTOS, 2026). Os elos são classificados pela sua velocidade de atuação, de acordo com a sua característica tempo x corrente de pré-arco, em (ABNT, 2023): • Tipo K: rápidos; • Tipo T: lentos; • e Tipo H: Alto surto. A figura 10 mostra um exemplo de chave fusível e a figura 11, um exemplo de elo fusível do tipo K. Figura 10 – Exemplo de chave fusível de base C Fonte: KV LUX (2023). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 38 Figura 11 – Exemplo de elo fusível tipo K Fonte: LUDAN SUPRIMENTOS (2026). 2.4.1.2 Especificação A especificação técnica de uma chave fusível deve seguir os parâmetros definidos pela ABNT NBR 8668, pela ABNT NBR 7282 e, no caso deste trabalho, também a ET. 00003 e a ET. 00126 da Equatorial. Considerando os principais parâmetros definidos pelas normas citadas, a especifi- cação deve apresentar, no mínimo: • Tensão nominal, em kV; • Corrente nominal da base, em A; • Tipo de elo fusível e corrente nominal do elo, em A; • Corrente nominal do porta-fusível, em A; • Capacidade de interrupção, em kA; • Frequência nominal, em Hz; • Classe do dispositivo fusível; • Nível de isolamento; Para a concessionária Equatorial Energia, os elos fusíveis são dimensionados de acordo com a potência total em transformadores que protegem, como mostra a figura 12. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 39 Figura 12 – Dimensionamento de elos fusíveis - transformadores trifásicos Fonte: EQUATORIAL ENERGIA (2025f). 2.4.2 Poste particular auxiliar 2.4.2.1 Função O poste particular auxiliar é o poste situado nas dependências da unidade consu- midora, com a finalidade de fixar, elevar e/ou desviar o ramal de conexão e o ramal de entrada (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Para subestações abrigadas, o ponto de entrega se dará na própria cabine de entrada da subestação, derivado diretamente de poste da concessionária ou em poste particular, situado dentro das dependências da unidade consumidora, a partir do qual deriva o ramal de entrada subterrâneo (EQUATORIAL ENERGIA, 2025f). Dessa forma, a escolha do tipo construtivo da ancoragem do ramal de conexão, fica condicionada ao projetista, de acordo com a facilidade de execução com o espaço disponível no local. A figura 13 ilustra um exemplo de utilização de poste particular.Capítulo 2. Revisão bibliográfica 40 Figura 13 – Ponto de conexão através de poste particular Fonte: Adaptado de EQUATORIAL ENERGIA (2025f). 2.4.2.2 Especificação A especificação do poste auxiliar depende do tipo de poste a ser utilizado. Neste trabalho, foi escolhido um poste de concreto armado duplo T. Esse tipo de poste deve seguir os padrões técnicos estabelecidos pela ET. 00140 (EQUATORIAL ENERGIA, 2024). A especificação do poste deve apresentar, no mínimo: • Material (concreto armado ou fibra de vidro); • Tipo da seção transversal do poste (circular, retangular ou duplo T); • Altura, em m; • Corrente nominal do porta-fusível, em A; • Resistência nominal, em daN; • e Tipo de estrutura de média tensão a ser conectada. Para a concessionária Equatorial Energia, os padrões de estruturas de MT de 13,8 kV são normatizados pela NT.00006 e pela NT.00018 (EQUATORIAL ENERGIA (2025g); EQUATORIAL ENERGIA (2025h)). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 41 2.4.3 Isolador 2.4.3.1 Função e tipos Os isoladores são elementos sólidos dotados de propriedades mecânicas capazes de suportar os esforços produzidos pelos condutores. Eletricamente, exercem a função de isolar os condutores, submetidos a uma diferença de potencial em relação à terra (estrutura suporte) ou em relação a um outro condutor de fase (FILHO, 2013). Os isolantes elétricos ainda são importantes para garantir a devida fixação dos fios e cabos nas estruturas, organizando-os e sustentando-os junto às paredes e afins, estruturando, em conjuntos, verdadeiras barreiras de suporte e proteção dos cabos (CON- DUSCAMP CABOS ELÉTRICOS, 2024). De maneira geral, os isoladores podem ser classificados em duas categorias (FILHO, 2013): • Isoladores de apoio: São aqueles nos quais se apoiam os condutores, podendo ser fixados de maneira rígida ou não; No caso de barramentos de subestação ou painéis metálicos, os condutores (barras) são fixados rigidamente aos isoladores; Porém, no caso de redes de distribuição, os condutores são fixados aos isoladores através de laços pré-formados, ou, por outro meio qualquer, de forma a permitir um pequeno deslocamento devido ao trabalho durante o ciclo de carga; • Isoladores de suspensão: São aqueles que, quando fixados à estrutura de susten- tação, permitem o livre deslocamento em relação à vertical, através da rotação do seu dispositivo de fixação. Quanto à composição química, os isoladores são fabricados a partir de três matérias básicas: Cerâmica (porcelana), vidro (cálcio-chumbo, sódio-cálcio ou cálcio-cálcico) e fibra (epóxi ou fibra de vidro) (FILHO, 2013). A porcelana oferece alta resistência térmica e mecânica, o vidro proporciona boa performance dielétrica e facilidade de inspeção e os isoladores poliméricos apresentam boa resistência à poluição e leveza. Logo, o que influencia a escolha do material no qual o isolador elétrico será feito é sua aplicação e condição de uso (CONDUSCAMP CABOS ELÉTRICOS, 2024). A figura 14 apresenta dois exemplos de isoladores comumente encontrados em subestações de média tensão. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 42 Figura 14 – Exemplos de isoladores Fonte: Adaptado de PLENOBRÁS (2020a) e PLENOBRÁS (2020b). 2.4.3.2 Especificação Para selecionar adequadamente um isolador, é necessário considerar não apenas as características elétricas do sistema, mas também fatores ambientais e construtivos. Em instalações internas, é comum o uso de isoladores de epóxi, enquanto ambientes externos exigem materiais mais resistentes à poluição e intempéries, como porcelana (LOPEZ, 2025). No caso deste trabalho, foram utilizados isoladores tipo pilar em epóxi, que são normatizados pela ABNT NBR 16720 (ABNT, 2018a) e pela ET.00110 (EQUATORIAL ENERGIA, 2022b). Pelas normas citadas, os principais parâmetros para a sua especificação são: • Método de instalação (interno ou externo); • Material (porcelana, vidro ou fibra); • Classe de tensão, em kV; • Tensão suportável nominal a seco e sob chuva, em kV; • Comprimento, em mm; • e diâmetro, em mm. 2.4.4 Para-raios de média tensão 2.4.4.1 Função e tipos As linhas de transmissão e redes aéreas de distribuição urbanas e rurais são extre- mamente vulneráveis às descargas atmosféricas que, em determinadas condições, podem provocar sobretensões elevadas no sistema (sobretensões de origem externa), ocasionando Capítulo 2. Revisão bibliográfica 43 a queima de equipamentos, tanto os da companhia concessionária como os aparelhos do consumidor de energia elétrica (FILHO, 2013). Para que se protejam os sistemas elétricos dos surtos de tensão, que também podem ter origem durante manobras de chaves seccionadoras e disjuntores (sobretensões de origem interna) são instalados equipamentos apropriados que reduzem o nível de sobretensão a valores compatíveis com a suportabilidade desses sistemas. Esses equipamentos protetores contra sobretensões são denominados para-raios (FILHO, 2013). A proteção dos equipamentos elétricos contra as descargas atmosféricas é obtida por para-raios que utilizam as propriedades de não linearidade dos elementos de que são fabricados para conduzir as correntes de descarga associadas às tensões induzidas nas redes e, em seguida, interromper as correntes subsequentes, isto é, aquelas que sucedem às correntes de descarga após a sua condução à terra (FILHO, 2013). Por ter resistores não lineares, em situações normais, o para raio irá agir como uma chave aberta para o sistema. Porém, quando ocorre uma sobretensão no circuito, os resistores agem como uma chave fechada com caminho à terra, garantindo que essa sobretensão não danifique o equipamento ou subestação protegida (MESH ENGENHARIA, 2023b). Um para-raios protege uma única fase do sistema, sendo assim, a tensão nos terminais de um para-raios é a tensão fase-terra do sistema em que ele está conectado. Atualmente, existem dois elementos de características não lineares capazes de desempenhar as funções anteriormente mencionadas a partir dos quais são construídos os para-raios: carbonato de silício (SiC) e óxido de zinco (ZnO) (FILHO, 2013). Os para- raios de SiC apresentam em série um centelhador, cuja função principal é extinguir a corrente subsequente à descarga. Já os de ZnO apresentam algumas vantagens técnicas e operacionais (FILHO, 2013): • Não existe corrente subsequente nos para-raios a óxido de zinco; • Apresentam maior capacidade de absorção de energia; • São dotados de um nível de proteção mais bem definido, o que resulta na redução da margem de segurança do isolamento dos equipamentos. A figura 15 mostra um exemplo de para-raios de média tensão. Capítulo 2. Revisão bibliográfica 44 Figura 15 – Para-raios de óxido de zinco de média tensão Fonte: ORÇAMENTADOR (2025). 2.4.4.2 Especificação Os para-raios devem seguir os critérios especificados pela NBR ABNT 16050 (ABNT, 2025a) e pela norma específica da concessionária local, no caso deste trabalho, a ET.002 (EQUATORIAL ENERGIA, 2021). Os principais parâmetros técnicos definidos por essas normas são: • Método de instalação (externo ou interno); • Tipo construtivo (SiC ou ZnO); • Tensão nominal, em kV; • Frequência nominal, em Hz; • e corrente nominal de descarga, em kA. 2.4.5 Mufla terminal 2.4.5.1 Função e tipos Mufla terminal primária ou terminação é um dispositivo destinado a restabelecer as condições de isolação da extremidade de um condutor isolado quando este é conectado a um condutor nu ou a um terminal para ligação de equipamento (FILHO, 2013). Quando um cabo é seccionado, para se proceder a uma emenda, as linhas de campo radial convergem para a extremidade da blindagem eletrostática, provocando uma elevada intensidade de campo elétrico em torno do corte da referida blindagem (FILHO, 2013). As muflas têm a finalidade de garantir a deflexão desse campo elétrico, obrigando que os gradientes de tensão radial e longitudinal se mantenham dentro de determinados limites (FILHO, 2017). Capítulo 2. Revisão bibliográfica 45 As muflas podem ser singelas (para terminações de cabos unipolares)https://www.weg.net/catalog/weg/BR/pt/Gera%C3%A7%C3%A3o%2C-Transmiss%C3%A3o-e-Distribui%C3%A7%C3%A3o/Transformadores-e-Reatores-a-%C3%93leo/Transformadores-de-Distribui%C3%A7%C3%A3o-a-%C3%93leo/30-a-300-kVA/Transformador-%C3%93leo-300-0kVA-13-8-0-22kV-CST-ONAN/p/16343370 https://www.weg.net/catalog/weg/BR/pt/Gera%C3%A7%C3%A3o%2C-Transmiss%C3%A3o-e-Distribui%C3%A7%C3%A3o/Transformadores-e-Reatores-a-%C3%93leo/Transformadores-de-Distribui%C3%A7%C3%A3o-a-%C3%93leo/30-a-300-kVA/Transformador-%C3%93leo-300-0kVA-13-8-0-22kV-CST-ONAN/p/16343370 https://www.weg.net/catalog/weg/BR/pt/Gera%C3%A7%C3%A3o%2C-Transmiss%C3%A3o-e-Distribui%C3%A7%C3%A3o/Transformadores-e-Reatores-a-%C3%93leo/Transformadores-de-Distribui%C3%A7%C3%A3o-a-%C3%93leo/30-a-300-kVA/Transformador-%C3%93leo-300-0kVA-13-8-0-22kV-CST-ONAN/p/16343370 Apêndices 124 APÊNDICE A – Legendas e simbologias do projeto Figura 56 – Legenda das plantas de situação Figura 57 – Legenda das estruturas das plantas de situação APÊNDICE A. Legendas e simbologias do projeto 125 Figura 58 – Legenda das plantas, cortes e do diagrama unifilar APÊNDICE A. Legendas e simbologias do projeto 126 Figura 59 – Legenda de símbolos do diagrama unifilar 127 APÊNDICE B – Detalhes das plantas Figura 60 – Detalhe 01: Placa de advertência Figura 61 – Detalhe 02: Ferrolho tipo porta-cadeado APÊNDICE B. Detalhes das plantas 128 Figura 62 – Detalhe 04: Suporte para muflas/terminações de para-raios APÊNDICE B. Detalhes das plantas 129 Figura 63 – Detalhe 05: Vala da malha de aterramento Figura 64 – Detalhe 06: Caixa de inspeção de aterramento APÊNDICE B. Detalhes das plantas 130 Figura 65 – Detalhe 07: Grade de proteção da cabine de transformação Figura 66 – Detalhe 09: Aberturas para ventilação APÊNDICE B. Detalhes das plantas 131 Figura 67 – Detalhe 10: Barra de aterramento Figura 68 – Detalhe 12: Tubulação enterrada APÊNDICE B. Detalhes das plantas 132 Figura 69 – Detalhe 13: Caixa de passagem Anexos 134 ANEXO A – Modelos dos cubículos blindados Figura 70 – Modelo do cubículo de medição. Figura 71 – Modelo do cubículo de proteção. ANEXO A. Modelos dos cubículos blindados 135 Figura 72 – Modelo do cubículo de transição. Figura 73 – Modelo do cubículo de saída com chave seccionadora. Folha de rosto Folha de aprovação Agradecimentos Resumo Abstract Lista de figuras Lista de tabelas Lista de abreviaturas e siglas Lista de símbolos Sumário Introdução Contextualização Justificativa Objetivo Objetivos específicos Visão geral do trabalho Revisão bibliográfica Conceitos básicos sobre subestações de energia Definição de subestação Tipos de subestações Quanto à função no sistema de energia Quanto ao nível de tensão Quanto ao tipo de instalação Subestação abrigada Subestação ao tempo Subestação blindada Partes de uma subestação de média tensão Entrada de serviço Ponto de ligação Ramal de ligação Ponto de entrega Ramal de entrada Cubículos Cubículo de medição Cubículo de proteção Cubículo de transformação Padrões da concessionária Limites de fornecimento Medição de energia Proteção geral Grandezas e parâmetros elétricos para especificações de equipamentos de uma subestação Tensão Corrente Corrente de projeto Corrente de curto-circuito Potência Potência ativa Potência reativa Potência aparente Relação geométrica entre potências Potência de distorção Fator de potência Fator reativo Carga instalada Demanda Equipamentos de uma subestação de média tensão Chave fusível Função Especificação Poste particular auxiliar Função Especificação Isolador Função e tipos Especificação Para-raios de média tensão Função e tipos Especificação Mufla terminal Função e tipos Especificação Condutor Função Cabo de baixa tensão Construção Capacidade de condução de corrente Queda de tensão Capacidade de corrente de curto-circuito Condutor neutro Condutor de proteção Especificação Cabo de média tensão Construção Especificação Especificação geral Eletroduto Função Especificação Cubículo blindado de média tensão Função Especificação Transformador de corrente Função Tipos Especificação Disjuntor Função Disjuntor de média tensão Tipos Especificação Disjuntor de baixa tensão Tipos Especificação Relé Função Tipos Unidade temporizada Unidade instantânea Chave seccionadora Função Tipos Especificação Barramento de média tensão Função Tipos Especificação Transformador de potência Função Tipos Especificação Potência nominal Correntes nominais Corrente de magnetização Corrente de curto-circuito secundária Fator K Pontos ANSI e NANSI Dispositivo de proteção contra surtos Função Especificação Estudo de caso Premissas de projeto Concepção do projeto Visita técnica Levantamento de carga Demanda do empreendimento Capacidade em transformadores Entrada de energia Padrão construtivo da medição Padrão construtivo da proteção Dados de curto-circuito da concessionária Resumo das premissas do projeto Dimensionamentos Poste de derivação da concessionária Chave fusível Elos fusíveis Poste particular auxiliar Ramal de conexão aéreo Isoladores Para-raios de MT Muflas Ramal de entrada subterrâneo Condutores de média tensão Eletrodutos de média tensão Cubículos blindados de média tensão Disjuntor de MT Chave Seccionadora do cubículo de proteção Chaves seccionadoras dos cubículos de saída Cabine de medição e proteção em alvenaria Muflas internas Chave seccionadora da cabine de transformação Barramento de média tensão Transformador de potência Condutores de baixa tensão Eletrodutos para os cabos de baixa tensão Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) Disjuntor geral de baixa tensão Demais dimensionamentos Malha de aterramento Aberturas e ventilações Aterramento de massas metálicas Tapete isolante Grade de proteção Estudo de proteção Especificação dos TC's de proteção Parametrização das funções de proteção Resultados Planta de localização Plantas de situação Situação - etapa 1 Situação - etapa 2 Plantas baixas e cortes Poste particular Cabine de medição e proteção Planta baixa Corte A-A Corte B-B Corte C-C Cabine de transformação nova Planta baixa Corte A-A Corte B-B Corte C-C Corte D-D Corte E-E Planta baixa geral Diagrama unifilar Coordenograma de proteção Conclusão REFERÊNCIAS Legendas e simbologias do projeto Detalhes das plantas Modelos dos cubículos blindados